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terça-feira, 23 de novembro de 2010

VAMPIRISMO SEXUAL


Vampirismo é um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores

Equipe Consciência Espírita

Em seu livro Mediunidade, no capítulo VIII, o jornalista, escritor, filósofo e professor J. Herculano Pires, tratando dos problemas da obsessão, faz referências à existência de certas formas de vampirismo, como a sexual, que viola princípios morais e religiosos. Estudada pelos estudiosos e pesquisadores, mas muito pouco tratada no espiritismo em virtude do escândalo que provoca, muitas vezes causando perturbações a criaturas simples ou excessivamente sensíveis.

As três categorias de obsessão

Para compreendermos esse delicado e urgente assunto é necessário conhecer algo do mecanismo das perturbações espirituais. “A obsessão é uma infestação da alma, semelhante à infecção do corpo carnal, produzida por vírus e bactérias”, compara o professor.

Kardec classificou a obsessão em três categorias: obsessão simples, subjugação e fascinação. “O primeiro tipo se caracteriza por perturbações mentais e alterações de comportamento, sem muita gravidade. O segundo, pelo domínio do corpo, produzindo-lhe os chamados tiques nervosos e sujeitando-o a atitudes ridículas em público. O terceiro consiste no domínio hipnótico de corpo e alma, através de um processo de fascinação que deforma a personalidade”, lembra Herculano Pires.

Viciações sensoriais

No caso do vampirismo trata-se de “um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores”. Já no vampirismo sexual a ligação perturbadora por parte do obsedado se dá com espíritos inferiores que se deixaram arrastar nos delírios da sensualidade e continuam nessa situação após a morte.

Modalidade grave de perturbação espiritual, “o vampirismo sexual pode reduzir o obsedado à inutilidade, afetando-lhe o cérebro e o sistema nervoso, tirando-lhe toda disposição para atividades sérias”. Traduz-se em incontáveis “casos de sexualidade mórbida, exasperada pela atividade dos vampiros”, enfatiza.

Uma parceria sinistra

Para mostrar a complexidade do problema, que acomete tanto héteros quanto homossexuais, o professor Herculano Pires relata um fato ocorrido com um jovem recém saído da adolescência. O caso foi testemunhado por ele próprio e bem ilustra o quanto o vampirismo é uma parceria sinistra.

Conta ele:

“Um jovem de pouco mais de vinte anos procurou-nos para expor o seu caso. Começou dizendo em lágrimas, de mãos trêmulas: ‘Sou um desgraçado que goza mais do que muitos rapazes felizes. Toda noite sou procurado em meu leito por uma deidade loira e belíssima, extremamente amorosa, que se entrega a mim. É uma criatura espiritual, bem sei, e não quero aceitá-la, mas não posso repeli-la. Após, ela desaparece como nos contos de fadas e eu me levanto e grito por ela em tamanho desespero que acordo os vizinhos. Todos pensam que sou um sonâmbulo ou um louco. Ajude-me, por piedade!’”

Relata o professor que o caso vinha de longe, desde os 16 anos. A jovem lhe aparecera pela primeira vez como sua filha de outra encarnação. Na verdade,“essa referência filial era um embuste”, observa o professor, um engodo“destinado a aumentar as sensações com o excitante do pecado. Seis anos depois o reencontro por acaso. Fugira envergonhado pela confissão e com medo de que o libertássemos da obsessão. Mas já parecia um velho, cada vez mais trêmulo e de cabelos precocemente grisalhos. Prometeu ir ao centro que lhe indicamos, mas não foi. O vampirismo o exauria e deve tê-lo levado a morte precoce.”

Esclarece o professor que casos desta espécie são mais freqüentes do que geralmente supomos, mas permanecem em sigilo. “A situação de ambivalência da vítima auxilia o vampirismo destruidor”, lamenta.

Tendências, desvios e provações

Segundo Herculano Pires, tendências e desvios sexuais têm procedências diversas e suas raízes genésicas podem vir de profundidades insondáveis. Ele pondera que “a própria filogênese do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando ao vegetal e ao animal, para depois chegar no homem, apresentando enorme variação de formas, inclusive a autogênese dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas, justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos”.

Mais próximos de nós nas linhas de hereditariedade germinal cita “os ritos da virilidade de antigas civilizações entre as quais a Grécia e a Roma arcaicas, onde em várias épocas esses ritos vigoraram de maneira obrigatória, como em Esparta, onde os efebos, adolescentes, deviam receber a virilidade transmitida por homens adultos e viris através da prática homossexual”.

No entender de Herculano Pires esses episódios fornecem elementos possíveis de explicação para o fenômeno dos desvios sexuais, uma vez que as sensações dessas experiências vivenciadas, além da hereditariedade filogenética, se gravam, de maneira mais ou menos intensa, nas estruturas supersensíveis do perispírito, projetando-se em formas dinâmicas na memória profunda ou inconsciente. “Essas formas sensoriais podem aflorar na afetividade atual, atraídas por sensações afins, no processo do associacionismo sensorial. Tudo, isso, entretanto, não elimina a tendência à normalidade da espécie, principalmente num sistema básico como a da reprodução”, reflete Herculano.

Influências espirituais perturbadoras no homossexualismo adquirido

Para o filósofo, no entanto, a maioria dos casos do chamado homossexualismo adquirido, senão todos, provém de atuação obsessiva de entidades atormentadas, entregues aos desvarios dos instintos inferiores, que potencializam as tendências de suas vítimas. Mas acrescenta: “a responsabilidade não é só dessas entidades, é também das vítimas que, de uma forma ou de outra, se deixaram dominar pelos primeiros impulsos obsessivos ou até mesmo provocaram a aproximação das entidades”.

Em vários casos dessa natureza há ainda os motivos de provação, “decorrentes de atrocidades praticadas no passado pelas vítimas atuais, que são agora colocadas na mesma posição em que colocaram criaturas inocentes em encarnações anteriores”, segundo os mecanismos de ação e reação das leis divinas.

É necessário transcender a visão parcial e materialista dos problemas sexuais, que tem suas raízes no espírito reencarnado

“A lei de causa e efeito, o carma da terminologia indiana, colhe suas vítimas geralmente no período da adolescência, quando essas ocorrências são mais favorecidas pela crise de transição da idade. Mas também há casos ocorridos na idade madura e na velhice, dependentes, ao que parece de crises típicas desses períodos. Nos casos chamados de perversão constitucional a presença dos obsessores não está excluída, pois eles são fatalmente atraídos e ligam-se às vítimas excitando-lhes as sensações e agravando-lhes a perturbação”, observa o professor Herculano Pires.

Uma vez que as tendências anormais (estando elas enraizadas no espírito reencarnado) aparecem como conseqüências de faltas ou crimes dos indivíduos que as sofrem, sempre com a finalidade de superá-las na encarnação presente, a meta deve ser jamais entregar-se ao dar vazão deliberada a essas tendências e desvios.

O vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a reintegrar-se em si mesmo

E aqui, uma importante observação é feita por Herculano: “a objeção psiquiátrica e psicológica de que a repressão produz recalques, frustrações, traumas e outras conseqüências desastrosas para o indivíduo provêm da visão parcial do problema no campo materialista. Todas as vitórias do homem no sentido de seu ajustamento às condições normais da espécie são recompensadas com a tranqüilidade proporcionada pelo ajuste, eliminando a inquietação do desajuste. Um ser bem integrado em sua espécie corresponde à ordem natural da realidade e às exigências de transcendência de sua própria existência”.

Nesse sentido, orienta o professor que “o vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a reintegrar-se em si mesmo, na posse de sua personalidade, não aceitando sugestões e infiltrações de vontade estranha em sua vontade pessoal e soberana”.

Os direitos do ser espiritual em evolução

Uma vez que tanto lutamos por fazer valer os direitos humanos, Herculano vai além, conclamando os espíritas a refletirem sobre a problemática do vampirismo, implícito nos lamentáveis desvios da sexualidade que, desafortunadamente, vem drenando moral e espiritualmente indivíduos e famílias inteiras em todos os segmentos da sociedade contemporânea: “Cabe aos espíritas, que conhecem a outra face da existência, medir a distância qualitativa entre o entregar-se às forças negativas do passado, como escravos de uma situação miserável entre os homens, e o ato de empossar-se nos seus direitos de criatura humana em evolução, avançando na direção dos anseios superiores da sua consciência humana”.

E acrescenta: “A psiquiatria materialista, que desconhece os processos dinâmicos do espírito, pode considerar esses casos como irremediáveis e recorrer ao processo escuso de normalizar o anormal. Mas o espiritismo nos fornece os recursos do esclarecimento científico e racional do problema”.

Auxílio dos centros e grupos espíritas idôneos

O professor Herculano Pires nos leva a refletir que “nos centros e grupos espíritas bem orientados, as perturbações espirituais de ordem sexual são tratadas de maneira especial, em pequenas reuniões privativas, com médiuns que disponham de condições para enfrentar o problema. Como no caso das obsessões alcoólicas, toxicômanas e outras do mesmo gênero, é necessário o máximo cuidado na seleção das pessoas que vão tratar do assunto e o maior sigilo e respeito, a fim de evitar-se o prejuízo dos comentários negativos, que influem fatalmente sobre o caso, provocando agravamentos inesperados da situação das vítimas”.

Despertando a vontade anestesiada

Herculano ainda relata um penoso caso por ele acompanhado de homossexualidade adquirida em que o obsedado reintegrou-se após dez anos de luta solitária, conscientizando-se de seu problema, esforçando-se em superá-lo através da terapêutica espírita e do recolhimento fortalecedor da prece.

Segundo relatou ao professor, sua mãe, já desencarnada, o auxiliava através de aparições periódicas, sem nada dizer, mas de olhos cheios de lágrimas.“Graças a essa ajuda materna conseguiu despertar a sua vontade anestesiada e livrar-se das tentações vampirescas”.

Comenta ainda Herculano que esse companheiro tornou-se espírita e casou-se. Hoje freqüenta regularmente um centro espírita em São Paulo e se interessa especialmente pelos casos de vampirismo. “Quer pagar com o seu auxílio aos outros o benefício imenso que recebeu. Ninguém sabe nada do seu passado infeliz e todos o consideram e estimam. Não foi esse o caso de Madalena, que Jesus socorreu e transformou na primeira testemunha da sua ressurreição?”questiona o professor.

Conclusão

Referindo-se aos recursos espíritas nos casos de vampirismo, conclui Herculano que graças a essa luz divina no campo da comunicação — que é a mediunidade — “as mães sofredoras, que deixaram filhos no mundo em resgates dolorosos, conseguem socorrê-los e libertá-los de provas esmagadoras, que os homens, em geral, só sabem aumentar e agravar”.

E dirigindo-se aos médiuns que laboram anônima e desinteressadamente nas casas espíritas, enfatiza: “Os médiuns precisam conhecer esses episódios emocionantes, para compreenderem o esplendor secreto de sua missão e a utilidade superior e humilde do mediunato que lhes foi concedido. Chegou a hora em que esses fatos secretos devem ser proclamados de cima dos telhados, segundo a previsão de Jesus registrada nos Evangelhos. Mais do que nunca se comprova o adágio: ‘Ajuda-te e o Céu te ajudará’”.

___________
"Mediunidade (Vida e Comunicação)", de J. Herculano Pires, Edicel

Fonte: Site Consciência Espírita em 01/02/2006 - www.consciesp.org.br

imagem - visao-espirita.blogspot.com

terça-feira, 2 de novembro de 2010

SEXO, ESPIRITUALIDADE E ESPIRITISMO


Parece que nunca a relação entre sexo e espiritualidade tem sido tão discutida pelas diferentes vertentes espirituais, religiosas e esotéricas do mundo. Para termos uma visão do tema dentro da perspectiva espírita, conversamos com Wladimir Lisso, diretor da área de Assistência Espiritual FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo).
Segundo nos explicam os especialistas no assunto, quando as primeiras manifestações espirituais surgiram ou se desenvolveram em nossa civilização, elas estavam diretamente relacionadas com os ciclos da natureza e da terra da fertilidade. Nas chamadas religiões pagãs, o aspecto sexual estava presente nos rituais, mas em tempos mais recentes várias religiões cristãs, como o catolicismo, esconderam ou evitaram as questões relacionadas a sexo.
Hoje em dia, com o sexo sendo apresentado em todo lugar e com uma espécie de “retorno” das “religiões pagãs”, a discussão voltou a estar na linha de frente das questões ligadas à espiritualidade. E não seria diferente com o Espiritismo, que discute a questão abertamente há muito tempo.
Wlademir Lisso, que recentemente publicou seu livro ”Temas Atuais na Visão Espírita Volume I”, é um dos pesquisadores e estudiosos que vem discutindo o tema em profundidade. A seguir, ele responde a algumas perguntas elaboradas pela Espiritismo & Ciência.
Qual a relação entre sexo e espiritualidade?
Uma das dificuldades que o espírita enfrenta no entendimento do sexo está na visão espírita do conceito de sexualidade, que assume dimensões universais, pois define a força sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos de vida.
A ignorância leva à concentração da idéia de sexualidade apenas na sua manifestação no ato sexual, do ponto de vista biológico, restringindo a um comportamento específico a função cósmica da sexualidade como força criadora do Espírito.
Em “O Livro dos Espíritos”, em resposta à questão “Os espíritos têm sexo?”, os Espíritos esclarecem: “Não como entendeis, porque o sexo dependem da constituição orgânica...”
Os Espíritos se referem à citada visão limitada de sexo que desenvolvemos quando encarnados, concentrada no ato biológico, tendo em vista que assume preponderância o erotismo – parte das forças sexuais manifestada no fluido vital. Entretanto, à luz da Doutrina Espírita, “a obra do universo é filha de Deus. O sexo, portanto, como qualidade positiva ou passiva dos princípios e dos seres, é manifestação cósmica em todos os círculos evolutivos, até que atinjamos o campo da harmonia perfeita, onde essas qualidades equilibram-se no seio da divindade” (Missionários da Luz, André Luiz).
O condicionamento criado pela mídia nos leva a situar o sexo exclusivamente nos órgãos sexuais. Entretanto, o sexo nesse sentido restrito é apenas uma das inúmeras manifestações da energia sexual, que “... é princípio universal e acha-se inserido em toda a manifestação do universo” (Missionários da Luz, André Luiz).
As forças sexuais são a base da criação do Espírito em todos os planos da vida e em todos os períodos de desenvolvimento da matéria orgânica durante a reencarnação.
Determinam não só os trabalhos em geral, as obras de todos tipos (artísticas, científicas, sociais etc), como também a permuta de forças positivas entre seres que se amam, através da atuação da lei de sintonia que, a partir dos sentimentos afins, estabelece a ligação entre os seres por exteriorização nas ondas mentais e, conseqüentemente, na ação. O ato sexual, do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Como se dá a união entre o sexo e a espiritualidade? Quando estamos nos referindo ao sexo ato biológico que liga dois seres como decorrência da atração gerada pela libido sexual, ou até por outras razões, como ocorre no caso de prostituição, é importante para nós espíritas estabelecermos que o ato em si é apenas uma das manifestações da sexualidade.
Fundamental desmistificar o sexo que significa “... o esforço para compreender a força sexual, a fim de usá-la com dignidade e proveito próprio” (Amor, Casamento & Família, Jaci Régis), tal significando que o equilíbrio virá quando conseguirmos finalmente exteriorizar, através do ato sexual, apenas o amor que já sentimos em relação ao parceiro ou parceira; sendo que, no momento atual, na maioria dos casos o que impulsiona o ato sexual é a satisfação de paixões de natureza física, a partir de um “jogo” de exteriorizações entre parceiros que, geralmente, não correspondem a uma realidade fundamentada nos sentimentos que cultivam no seu campo do “sentir”.
A idéia de que as mulheres usam o sexo para conseguir amor e os homens usam o amor para conseguir sexo, mostra bem as visões diferenciadas sobre a sexualidade, com o ato sexual gerando, em inúmeros casos, não um encontro de vibrações harmônicas que traria equilíbrio, inclusive espiritual, devido às trocas de fluidos positivos, mas uma “distonia” em que os sentimentos estão em conflito, embora aparentemente harmonizados no sexo biológico.
Na visão espírita, sexo define-se como “... atributo não apenas respeitável, mas profundamente santo da natureza, exigindo educação e controle” (Vida e Sexo, Emmanuel).
Entenda-se que educação e controle significam o exercício das funções sexuais, entre as quais a biológica, dentro do princípio moral básico do “amar ao próximo como a nós mesmos”, refreando nossos impulsos e buscando os laços de afetividade e lealdade que devem estar presentes em todas as relações humanas, e principalmente na relação sexual que estabelecemos no nosso campo de vida.
A manifestação da sexualidade – força criadora do Espírito – no ato sexual físico é a conseqüência dos sentimentos que movem o pensamento e a ação. São os sentimentos que encadeiam a atuação da lei de ação e reação, com suas características específicas que estabelecem os atenuantes e agravantes em todas as suas manifestações.
Por que o sexo foi tão perseguido por várias religiões ao longo da história?
O sexo foi tratado de forma diferenciada pelas várias civilizações que predominaram ao longo de nossa história. Na Grécia antiga, havia uma visão mais liberal, inclusive no que se refere à homossexualidade, embora já se observasse nessa civilização o preconceito em relação aos homossexuais do sexo masculino que tinham trejeitos femininos.
No Ocidente, a religião que adquiriu predomínio na nossa era, o catolicismo se desenvolveu no sentido de manter os adeptos sob controle, e obviamente perceberam que o sexo envolvia um aspecto do ser humano no qual as falhas eram freqüentes.
Somente no século 19 teve início um movimento maior de maior liberação, quando o assunto começou a ser abordado na psicanálise. Contudo, em todo o mundo, até os anos 1950, ainda não se abordava o tema, sendo praticamente inexistente qualquer tipo de educação em família, até em países de maior evolução material como nos Estados Unidos.
Vimos as perseguições como uma forma utilizada para se manter o “pecador” sob controle, inclusive explorando suas tendências sexuais para a venda de benefícios como as indulgências, o que gerou – já que praticado pela religião predominante – um condicionamento cultural que ainda se observa até os nossos dias.
Em que o sexo pode ajudar no desenvolvimento da espiritualidade? E em que o sexo pode prejudicar esse desenvolvimento?
Conforme já dissemos antes, as forças sexuais são a base da criação do Espírito, e o ato sexual do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Nesse aspecto, todos os seres humanos são passíveis de cometer erros no exercício da sua sexualidade – sejam heterossexuais, homossexuais ou bissexuais -, de acordo com os sentimentos que os movem para a prática do sexo, que nada mais é do que a conseqüência da exteriorização do Espírito, através do cérebro, dos sentimentos que cultiva na sua base.
A ciência identifica no cérebro humano o principal órgão sexual. O Espiritismo concentra nas forças criadoras do Espírito todas as modificações que se observam no cérebro humano gerando as manifestações do sexo através dos órgãos sexuais.
Do ponto de vista espiritual, por exemplo, destacamos a infidelidade, que é a manifestação de um sentimento negativo através do pensamento e ação. É a satisfação do instinto primitivo de realização através da matéria de um desejo.
Isso leva o ser humano a mentir não somente para a esposa, mas também para os filhos e toda a família. Em face às leis divinas, isso encadeia o processo de reações negativas que, necessariamente, ensejam reajustes que podem se manifestar em vidas sucessivas de dor e sofrimento, nas quais a pessoa aprenderá o necessário respeito à dignidade humana, o que falta nas relações sociais em que existe a mentira, a dissimulação, a falsidade.
Embora se esteja diante de um comportamento que decorre do estágio evolutivo da humanidade espiritual que está ligada a um mundo de provas e expiações, como espíritas não podemos deixar de lado a necessidade de nos educar e educar as pessoas que estão caminhando conosco na existência, e a melhor forma para isso será sempre o exemplo de adequação do nosso comportamento às leis morais trazidas por Jesus ao cenário da Terra.
A prática do sexo, em todas as suas formas, há que vir da manifestação de sentimentos qualificados pelo amor, gerando respeito. Da mesma forma que representa poderosa ferramenta de evolução, também pode representar poderosa ferramenta na assunção de novas necessidades de reajustes entre Espíritos, face à Lei de Ação e Reação.
Por que algumas tendências espirituais optam pela castidade?
A castidade envolve a sublimação do sexo, ou seja, o ato de redirecionar as forças sexuais criadoras para outras atividades que não a prática do ato biológico do sexo.
A sublimação, no sentido de se direcionar as forças sexuais para criações em outros planos, depende de educação; e é alternativa válida, não obrigatória, seja para heterossexuais ou homossexuais. Entretanto, trata-se de um processo de educação, já que temos as experiências desastrosas da sublimação imposta na religião gerando os estupros e a pedofilia por toda a parte.
A alternativa para a sublimação, em todos os casos, é o sexo praticamente com responsabilidade e respeito, seja heterossexual ou homossexual, já que, como cita André Luiz, não deixa de ser também uma fonte transitória de prazer, e todos temos o direito de sermos felizes, apesar das diferenças.
O sexo relacionado à espiritualidade tem alguma diferença do sexo nas relações naturais do ser humano, no seu dia-a-dia?
Conforme já citamos, sexualidade é o móvel da criação em todos os planos de vida. Quando estamos interagindo com a matéria no corpo físico, nossa visão é limitada ao sexo do ponto de vista biológico.
No futuro, nossa evolução levará à eliminação da polaridade sexual – sexos diferentes – que, neste momento, é essencial para as experiências que necessitamos para nosso progresso. A diversidade que observamos neste momento, inclusive em sexualidade, tenderá a desaparecer quando tivermos no Espírito um único ser em equillíbrio energético.
Em O Espiritismo e os Problemas Humanos, os autores Deolindo Amorim e Hermínio Miranda observam que “... em espíritos de elevada condição evolutiva... não há mais predominância de uma polarização sobre a outra, e sim um redirecionamento na utilização da energia como um todo”.
À luz da Doutrina Espírita, a evolução da humanidade como um todo, levando nosso mundo para o plano de mundos regenerados, exige a erradicação dos grandes problemas que no momento constituem obstáculo à transição no campo do progresso. Regeneração virá quando a humanidade – no que diz respeito ao uso das forças sexuais –, conseguir direcioná–las para as realizações edificantes do ponto de vista espiritual, estabelecendo através de relações monogâmicas a atividade sexual, do ponto de vista biológico, fundamentada na sintonia entre os sentimentos mútuos daqueles que se unem para uma vida comum.
A regeneração virá quando o direcionamento das forças sexuais, à luz dos princípios espíritas, eliminar do nosso plano de vida a prostituição – o que não depende somente das prostitutas, mas principalmente daqueles que delas se utilizam como se fossem as depositárias de suas paixões inferiores que não conseguem governar.
A regeneração face ao sexo virá quando o ser humano vir nas crianças os Espíritos Encarnados – que realmente são -, que são colocados no nosso caminho não para seus corpos físicos serem usados na exploração sexual, mas para que se direcionem seus caminhos para a educação do Espírito, visando ao exercício das suas faculdades na construção da sua felicidade.
A masturbação exerce algum papel sob o ponto de vista espiritual?
A masturbação, vista no passado como ‘pecado’, gerando até em pessoas do sexo masculino “cintos” para evitar a prática, tem na atualidade uma visão diferenciada. Segundo os especialistas, é a forma de sexo mais praticada no mundo por homens e mulheres. Do ponto de vista espiritual, e por ignorância, citam-se processos de obsessão, com o que não concordamos absolutamente, por se tratar de manifestação da ‘fantasia’ que trazemos na memória.
O fato é que em todas as manifestações do sexo – a própria ciência conclui -, o processo se inicia no cérebro – para nós, no Espírito – até se manifestar nos órgãos sexuais, e as formas do sexo.
A masturbação hoje é vista como forma de libertação de partículas orgânicas que, se não liberadas, podem até trazer prejuízos à saúde.
Como forma de sexo, cabem as mesmas regras para o sexo em geral, que são controle e equilíbrio na sua prática para que não se transforme em vício, gerando dispersão da força criadora espiritual.
Qual é o papel da homossexualidade – masculina e feminina – neste quadro de desenvolvimento espiritual?
Em matéria de preconceito, inicialmente, cumpre-se estabelecer sua definição, que consiste em opinião ou conceito formado antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. É também julgamento ou opinião sem levar em conta argumentos contrários.
O preconceito manifesta-se na sociedade contemporânea sob diversas faces, entre elas as citadas em interessante obra “12 Faces do Preconceito”, de autores diversos, abordando mulheres, raças, idosos, obesidade, baixa estatura, anti-semitismo, deficientes, migrantes e, entre eles, preconceitos relacionados com sexo.
Geralmente, os preconceitos têm origem na nossa ignorância sobre a diversidade característica de um mundo de provas e expiações como o nosso. No nosso atual estágio de progresso, a diversidade gera diferenças de corpos, situações sociais, econômicas, regionais etc., tendo em vista as diferenças que existem em relação a graus evolutivos entre espíritos que formam nossa humanidade espiritual.
A igualdade se manifesta no processo da criação e as diferenças decorrem das várias fases do nosso progresso até que, em estágios de maior evolução, a semelhança entre espíritos acentua-se gradativamente pelo entendimento das Leis de Divinas e consciência da necessidade de seu cumprimento, estabelecendo uma rota única através do universo.
Preconceitos geram dor, sofrimento e reencarnações compulsórias em grupos de minoria, vítimas no passado da nossa ignorância, gerando a necessidade de educação e desenvolvimento da eqüidade nas relações humanas em geral.
Diante de nossos semelhantes é forçoso admitir que não somos todos iguais, seja em relação ao Espírito, seja em relação à matéria. Entretanto, eqüidade significa essencialmente que, respeitadas as diferenças que existem entre os seres humanos, todos temos direitos iguais.
Na visão espírita, a sexualidade assume dimensões universais, pois caracteriza a energia sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos da vida. Observamos presentes, na criança e no jovem, os sentimentos homofóbicos que geram perseguições e violência contra homossexuais e prostitutas, o que não se justifica a não ser pela nossa ausência de conhecimento.
A ciência, em geral, busca explicações sobre a homossexualidade, sem encontrá–las seja na genética, na sociologia ou na psicologia.
Em relação à diversidade, é fundamental compreender o relacionamento com pessoas que sentem, pensam e se comportam de maneiras diversas das nossas, o que não significa que estejamos certos e as demais pessoas, erradas. Há sempre acertos e erros.
Nos comportamentos diferenciados em relação ao sexo, lembremos a lição extraordinária de Emmanuel, convidando-nos a não “atirarmos a primeira pedra...”, pois “... não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria a Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão” (Vida e Sexo, Emmanuel).
O homossexualismo, longe de ser uma aberração, é uma forma de lapidação para o Espírito que se encontra incurso em determinado ângulo de reparação evolutiva da mesma.
A qualidade de vida de pessoas que vivem em grupos minoritários vai depender basicamente da educação dos grupos de maioria. Em matéria de homossexualismo, podemos dizer que a qualidade de vida dos homossexuais depende da educação dos heterossexuais.
Aos Espíritas cabe negar os preconceitos sem medo. André Luiz, em “Sexo e Destino”, esclarece que: “... no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade no mesmo nível de dignidade humana...” Alerta que se trata de “erro lamentável supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis condições humanas, sendo possa servir de templo às manifestações afetivas”, e convida o indivíduo a fugir das aberrações e dos excessos que podem ser praticados, seja qual for a forma de comportamento sexual (heterossexualidade e homossexualidade), mas “... é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no universo para amarem e serem amados”.
Ninguém é homossexual porque quer ou aprendeu a ser. Ser diferente nem sempre é errado. Preconceito é sinônimo de ignorância.
Reencarnações que visam à contenção de impulsos e práticas, principalmente quando de livre escolha do Espírito reencarnante, são manifestações de auto-consciência que buscam a harmonia com as leis através das provas e expiações.


texto - http://www.feal.com.br/destaques.php?id=396

imagem - blogespiritanossolar.blogspot.com

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SEXO - ARTIGO DE COMPRA E VENDA


Luiz Carlos D. Formiga

Os homens demonstram sua posição na escala evolutiva pelas decisões que tomam diante da vida.

Em muitos a consciência ainda não despertou para os verdadeiros valores. De posse de liberdade relativa demonstram pouca responsabilidade. Antes de governar, parecem governados pelos instintos.

Muitos são especialistas na arte de multiplicar títulos e propriedades, mas no campo afetivo afastam-se da receptividade, do compromisso. São mestres na produção de seres-objetos. Distanciados da consciência lúcida são ainda amantes da poligamia. No homem mais evoluído a sexualidade é entendida num contexto amplo, inclusive o espiritual. Vê na sexualidade uma atividade intimamente ligada ao crescimento pessoal, à auto-estima e à formação de saudáveis vínculos afetivos e amorosos. Espírito mais amadurecido percebe a sexualidade como reconstituinte das forças espirituais pelo qual as criaturas se alimentam mutuamente. Mesmo quando convivendo com inseguranças e sentimentos de rejeição, nunca busca o sexo como forma de auto-afirmação e alívio de incertezas ou carências. Não troca sexo por companhia tentando diminuir o vazio da solidão.

Quando o espírito, mesmo em corpo velho, está num nível evolutivo ainda baixo, sua consciência dorme e se torna difícil freiar instintos. São pessoas fisiologicamente adultas mas emocionalmente infantis.(5,6,7)

Mas, quem atirou a primeira pedra?

Analisando-se o discurso de mulheres que se vendem de forma institucionalizada (EU-ISSO) e o silêncio do seu comprador, concluiu-se de que a coisificação da mulher é indispensável, para a grande cidade, como é a lata de lixo para a família. Ela desempenharia o papel de defesa da ordem coletiva e o da satisfação dos impulsos recônditos dos homens. Mas, duas questões são importantes. Como essa mulher que se vende (EU-ISSO) vivencia sua sexualidade (EU-MULHER)? Como se sente e o que busca o homem (EU-ISSO) ao relacionar-se sexualmente com uma mulher que se vende?

O acesso À bibliografia e à realidade do dia-a-dia revelaram, na pesquisa(2), que existe uma contradição muito grande em torno da prostituição, pois, ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é tolerada, servindo como importante estabilizador social, que cumpre várias funções. No entanto, o discurso das mulheres revelou a crença de uma atividade profissional como outra qualquer onde a busca do dinheiro é o mais importante.

Por outro lado o sonho da constituição de uma família apareceu neste discurso.

É válida a premissa de que as circunstâncias socio-econômicas e morais estabelecidas pela sociedade criam e recriam os espaços do vir-a-ser prostituta. O homem deve ser visto como um co-autor, co-responsável por esse modo milenar de vivenciar uma das inúmeras facetas da sexualidade humana. No momento em que estamos escrevendo estas linhas, há um destaque especial na novela da TV sobre essa questão, demonstrando a contradição referida anteriormente. Ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é também tolerada (casas de tolerância), até no "horário nobre".

Nas incursões a estas "casas" os pedagogos e psicólogos pesquisadores verificam que os homens (casados) se sentem pouco à vontade em dar entrevistas, no sentido de oferecer respostas à segunda questão acima (o que busca ao relacionar-se?)

Se não existisse o estigma, quanto ao tipo de atividade, muito pouco esta se diferenciaria das atividades de outros profissionais. O que existe é uma dicotomia corpo x mente, em que o primeiro assume um valor de troca e o segundo se consome no esquecimento. Ela procura um distanciamento de si mesma, do SER-MULHER-MÃE, da prostituta. Não há unificação do ser. Ao buscar relacionar-se desta forma, intenciona preservar-se enquanto um ISSO, enquanto um objeto, que possui seu valor de troca, que sente prazer apenas na obtenção do dinheiro e que deve ser preservado e cuidado. O dinheiro legitima essa forma de ser no mundo e a dicotomização do lado impessoal, profissional e afetivo permite apenas a meta de desempenhar ou representar no palco sua função da melhor forma possível. Ela precisa manter seu objeto de trabalho sempre em evidência, possibilitando seu sustento. Fingir faz parte do "show" e pode-se pensar numa ginástica com os aparatos de uma boa aula de aeróbica. O caráter erótico em que se vivencia a cumplicidade, a troca, o envolvimento não existe. Uma delas fez a síntese: "É um sexo podre".

Não há encontro porque não há disponibilidade mútua, não há envolvimento mútuo possibilitando confirmação mútua.

Numa faixa evolutiva mais baixa, a sexualidade do homem fica muito circunscrita à sua genitália, é muito mecânica, exigindo, então, uma manutenção específica e periférica, feita por um agente específico.

Em ambos há o empenho de lidar com aquilo que é superficial, que pode ser tocado, visando cada um o seu benefício "legal".

Nas entrevistas os pesquisadores constataram outras modalidades de relação diferentes do sexo que também são requisitadas, como a "conversa", fala desprovida de zelo maior onde se mostra o lado inseguro. E diante da postura inerte de seu objeto, se permite extravasar toda a sua angústia, de forma que não se comprometa, não corra riscos. Isto é uma parcela do conjunto das necessidades sociais.

Elas deverão dar continuidade ao "show" e para isso juntar os pedaços de seu objeto e configurar-se um todo irreal unificado. As cenas e o final são quase sempre os mesmos.

Quando interrogadas acerca de sua qualidade de MULHER ficam perplexas e mal sabem responder. Seu SER fica desprovido de todo e qualquer significado que leve em consideração sua totalidade, seu SER-MULHER.

Parece que ao viver grande parte de sua vida no "Palco", o personagem tomou conta de si, e o seu EU passou a ocupar um plano inferior e nem é lembrado.

"Não sei o que é ser mulher" foi a resposta. Se é lembrado é também extremamente desvalorizado. Parece que não se consegue superar essa dicotomia e o EU fica submetido à desintegração. O que pensar da integração com Deus e a sociedade?

"Quero ter uma família". É um projeto que aparece no discurso como um meio de deixar a "profissão", porém, muito mais do que isso, um modo de integrar-se na sociedade e, quem sabe, até amenizar a dicotomia existente em seu ESPÍRITO.

Bruns e Gomes Junior(2) concluem achando que aqueles que compram-vendem, vivenciando o "êxtase" do aqui e agora, vão se distanciando cada vez mais de si mesmos e a dicotomia existente entre corpo x mente se fortalece cada vez mais, de modo a não provocar inquietações. As educadoras terminam dizendo que tanto um como o outro "perpetuam o monótono círculo vicioso que o mundo do faz-de-conta lhes possibilita, fingindo que esse é um dos modos de serem felizes."

Duas senhoras, em um café num país sul-americano, comentavam que a palestra da noite, feita pelo brasileiro, deveria ser no mínimo instigante, pois falaria do amor, da imortalidade da alma e das conseqüências, na vida espiritual, dos atos cometidos aqui na Terra. Uma jovem próxima ouve o comentário positivo e resolve assistí-la também. Após a palestra, que falou sobre reencarnação e memória extra-cerebral, na fila dos que vieram apertar-lhe as mãos caridosas, Divaldo escuta a estória:(8)

- Eu sou uma meretriz. Era uma jovem delgada de olhar entristecido. Contou-lhe que fora o padrasto quem a colocara no plano inclinado. Ela havia ouvido as senhoras falarem do brasileiro que pregava o amor como antídoto da dor e, como sofria muito, resolveu dar-se uma chance. Jogou fora a substância corrosiva, colocada no refresco, para ouví-lo. Divaldo explica que não era má vontade, mas que o seu anfitrião o aguardava. Porém, gostaria muito de encontrá-la mais tarde. Ela respondeu a Divaldo que não se preocupasse porque era uma mulher da noite. Marcaram o encontro na casa do anfitrião. À noite conta que vivia num bairro de alta classe social e econômica. Quando o pai morreu ela contava quase quinze anos. A mãe tinha quarenta e dois e era uma mulher frívola, de caráter vulgar e, em menos de três meses depois, estava nos bailes e festas. Ligou-se a um homem mais jovem do que ela, destes que vivem a explorar mulheres ingênuas. Ele veio viver em nossa casa e começou a procurar-me. Minha mãe acreditou quando ele disse que eu havia me oferecido. Após a bofetada, colocou-me na rua. Aos quinze anos eu estudava e tinha uma amiga de dezessete anos que me recebeu em casa. Ela disse que a vida era maravilhosa e que devíamos desfrutá-la. Era acompanhante de velhos executivos e uma noite lhe rendia quinhentos dólares. Mais tarde ela me disse que se não trabalhasse também não comeria e levou-me a uma casa.

Divaldo ouviu pacientemente e ...

Através da divulgação do Espiritismo, por meio da palestra na reunião pública, em clima fraternal e com interesse de ajudar na solução dos diversos problemas humanos, conseguiu-se a reabilitação e, posteriormente, a integração da jovem aos labores espíritas.

Hoje ela tem uma família!

E se elas se contaminarem? E se houver gravidez? Observa-se uma incidência crescente de AIDS em crianças em todo o mundo. No Brasil a porcentagem de mulheres infectadas, em idade fértil, aumentou de 5,1% para 12,51% em dez anos. A proporção homem/mulher era de 18/1 e atualmente é de 3/1. Este fato explica a enorme preocupação dos profissionais de saúde que trabalham com crianças. Em um trabalho observou-se que apenas uma, em 25 crianças, adquiriu o HIV através de transfusão sanguínea. Todas as outras foram infectadas de modo vertical, risco que varia de 27% a 62%. A transmissão mãe/filho pode ocorrer via placentária, no canal do parto e pelo leite materno.

Vamos relembrar algumas coisas:(6) Aids é um dos maiores problemas de saúde pública. A epidemia nÃo vai passar por si mesma e a discriminação só empurra a doença para a clandestinidade, onde não podemos vê-la e combatê-la. Aids é primariamente uma doença sexualmente transmissível, é uma imunodepressão acompanhada de doenças oportunistas graves, infecciosas ou neoplásicas, com eventual lesão neurológica.

O HIV é um parasita genético, isto é, ele se integra ao sistema de genes, ou DNA, e programa a célula transformando-a numa fabrica de HIV. Como o HIV se integra no sistema genético da célula, quando tentamos destruí-lo acabamos destruindo também a própria célula. Por isso o tratamento da Aids é muito complicado.

O número de indivíduos com infecção assintomática (portadores) e que podem transmitir o vírus é significativamente maior do que o número de doentes. Se uma pessoa tem apenas um parceiro sexual, mas este tem mais de um, a pessoa tem risco de ser contaminada. São fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão: as variações freqüentes de parceiros sexuais; o uso de produtos de sangue não controlados; o uso de agulhas e seringas não esterilizadas e no caso do bebê a infecção materna pelo HIV.

São co-fatores específicos de risco em relação à transmissão sexual: o trauma, como pode ocorrer na relação anal e lesão genital causada por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Apenas com acesso aos preservativos e à informação NÃO mudaremos comportamentos. Adolescentes bem informados continuam tendo condutas sexuais de alto risco.

Das vinte marcas examinadas, apenas sete dos preservativos utilizados no Brasil cumpriram os requisitos de segurança.

A necessidade do uso da camisinha é informação relevante, mas isto não é sinônimo de sexo seguro, esta seria uma afirmação no mínimo leviana e irresponsável. Um produto que não impede a gravidez não evita a infecção viral.

Somos massacrados pelas mensagens eróticas que procuram transformar-nos em máquinas sexuais.

A psicóloga Dione Costa(4) relatou que quando ouve pacientes, indivíduos comuns, com doenças sexualmente transmissíveis, vindo de encontros que podem não ter durado sequer uma hora, anônimos, desconhecidos, mas que levam a abortos, sempre questiona: E A AFETIVIDADE?

Que crianças serão estas? E que adultos?

Tudo isso, diz ela, nos remete a um sexo mecanizado, mostrando uma inadequação ou negação da sexualidade responsável, pois possibilita doenças e com elas sentimentos como frustração, desilusão, insegurança, solidão, vergonha, culpa, medo que se perpetua para os próximos encontros.

Como terá sido a aprendizagem amorosa desses indivíduos ao longo da vida?

Será este caminho do não-encontro, ou desencontro, o único que aprenderam ao longo de suas vidas para a busca da felicidade?

Nesta hora, o profissional de saúde-educação tem um papel "fantástico" pois é um importante momento para mostrar os riscos, a possibilidade de fazer escolhas, de ensinar a dizer não, de adquirir identidade própria. Momento, talvez, único na vida dessas pessoas, incomodadas com seus sintomas, para uma reflexão de que seu corpo é sua casa.

Nossos filhos precisam estar conscientes da existência destes sofrimentos e lutarem para não serem incluídos na categoria dos co-responsáveis, co-autores.

Eles precisam saber que todos temos guias espirituais que nos protegem e que nos falarão a respeito de que estamos aqui para aprender, do propósito superior de nossas vidas, mas que, ao mesmo tempo, nos permitem prosseguir numa situação se assim o desejarmos. Eles têm o cuidado de não eliminar nossas lições. Se estivermos avançando na direção de algo que irá nos ensinar uma lição valiosa porém difícil, eles poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. No entanto, se resolvermos persistir no caminho original, eles não tentarão impedir-nos. Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor através da dor e do esforço, os guias espirituais não os afastarão de nós.

Nossos filhos precisam saber que "o homem sequioso de prazer, sentindo-se atormentado por necessidade imperiosa, irresistível, uma excitação espantosa que vivifica seu organismo e um fogo ardente que abrasa seus órgãos" está também acompanhado de entidades muitas vezes perversas.

Nós, os pais, precisamos lembrar que estas informações ainda não estão disponíveis nas universidades.

No futuro a " Nova Universidade" estará aberta aos temas do espírito, ela será erguida com uma Ciência que investigará os conceitos da Filosofia e que trará de volta a idéia de Deus. Uma Ciência que além de inquirir como são as coisas, intenta responder ao porquê. Com uma Filosofia de caráter científico e uma Ciência com conseqüências religiosas.

"No quadro dos valores racionais, Ciência e Filosofia se integram objetivando as realizações do Espírito. Completam-se como dois grandes rios, que servindo as regiões diversas, na esfera de produção indispensável à manutenção da vida, se reúnem em determinado ponto do caminho, para desaguarem, juntas, no mesmo oceano que é o da sabedoria."

Temos que nos esforçar para participar desta revolução do pensamento se não desejarmos continuar no papel de comparsas da tirania e da destruição. Daí a necessidade da Ética que ilumine as consciências na melhoria das características morais do homem.

A assimilação de um novo paradigma é lenta e difícil porque demanda abertura mental, estudo, reflexão e crítica. Haverá resistência, principalmente pela exigência de mudanças ético-morais. Mas, é necessário mudar. A sociedade anômica, o "levar vantagem em tudo", gerou a indiferença nas relaçäes sociais e o caos na sociedade.

Há indícios de que esta revolução esta em curso até entre nós. Soubemos que 350 alunos da USP, aos sábados, freqüentam um curso, na universidade, que discute as questões do espírito, definido como o fez Allan Kardec.

A discussão do "post-mortem" não pode ser ignorada, pois exerce influência sobre as questões de Ética.

A democracia no mundo e as necessidades de cooperação econômica desembocam na manifestação livre das diversas culturas, induzindo o mundo ocidental a ampliar o seu universo cultural. Há uma revalorização da importância da religião, enquanto agente de movimentação social.

A revolução é agora e começa quando abrimos as portas à ética e à fé. A fé, que terá "por templo o universo, por altar a consciência, por imagem Deus e por Lei o mandamento do amor em ação, resumido por Jesus na categoria do próximo". A fé que atua pelo amor. Na sociedade, assim organizada, ninguém será coisificado, ninguém morrerá de fome.

Nas entrevistas(2) as "Vendedoras de Prazer" disseram: " Um dia quero constituir uma família". Os pesquisadores comentam que subjaz nessa atitude de querer integrar-se a uma família uma grande contradição, uma vez que grande parte de seus clientes são homens casados. Nossas filhas precisam ser alertadas para essas coisas. Mesmo que essa formação se concretize, isso não quer dizer que ela vá experienciar uma relação EU-TU junto ao seu cônjuge de forma plena e presente.

Há necessidade de ajudar os casais na sua escalada evolutiva, para que possam entender e ajudar seus filhos a entenderem também que a sexualidade(6) deve ser vista num contexto amplo, não apenas genitalizado embora não prescinda dele. Apesar de situado no nível instintivo, possui a bússola da razão que o orienta para o outro, como pessoa inteira. Orienta-o para a relação, o diálogo, na luta evolutiva da substituição do amor captativo, infantil, pelo oblativo, altruísta. A sexualidade é nobre e enriquecedora. É uma das dimensões fundamentais do espírito, quando pode comportar-se como ser sexuado, reencarnando como homem ou mulher, formando assim os "dois pólos de cuja tensão e oposição brota o fenômeno da existência humana", a perpetuação da espécie.

Nos subsídios para implantação e desenvolvimento da Campanha "VIVER EM FAMÍLIA" (3) encontramos na sua fundamentação doutrinária a questão 208 do Livro dos Espíritos. Nela os guias espirituais dizem que "os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho."

Desta forma surge no Temário da Campanha o ítem de número 9, Desequilíbrios no Lar - Prostituição e Promiscuidade."

Diante desta advertência cabe-nos a ajuda mútua.

Vamos oferecer aos nossos filhos uma religião amadurecida, aquela bem diferenciada através de um processo consciente de autocrítica, aquela que tem grande poder transformador. Aquela que como diz Allport leva o homem ao amadurecimento quando é dinâmico sem ser fanático ou compulsivo em seu comportamento religioso. Aquela que produz uma condição de coerência entre o que o homem crê e o que diz. Aquela que é tolerante e pronta a reconsiderar sua própria condição. Aquela que será sempre uma busca da verdade integral.

A questão agora é a revolução do pensamento no auto-conhecimento levando em conta o invisível, o impalpável, o imponderável e o admensional, com Ética, na busca da verdade.

Impossível não lembrar o Professor Newtom de Barros(1) numa sessão histórica, no Grupo André Luiz. RJ.RJ.

Deixemos o Professor contar:

- "Pela voz direta, comunicou-se a Mãezinha:

Estou chegando das regiões umbralinas... André Luiz e Mãe Narciza convidam os últimos habitantes ávidos de regeneração... André Luiz olhava no chacra coronário e jogava uma rede... Pescador de almas... Lembrei-me de Pedro e André em Tiberíades. Meu filho atendeu ao meu chamado... Vai reencarnar... Última oportunidade... Daqui a uns quinze anos vocês, talvez, encontrem um jovem, cabeludo, mal lavado, andando pelas ruas, sem destino, sem vontade de trabalhar... Talvez, procurando sexo e tóxicos... Tenham piedade dele... Por certo é o meu filho... em última oportunidade...

Aquela mãezinha, falando de VOZ DIRETA, graças à mediunidade de Peixotinho, jamais saiu de minha retina, pois destaquei o vulto semi-apagado na penumbra da sala de ectoplasmia.

Nas salas de aula desses cinqüenta e tantos anos de magistério, sempre olhei o adolescente, apiedado... E ouvia Jesus na página maravilhosa de BOA NOVA:

- Pedro, eles não são pecadores... Eles são somente FRÁGEIS...

E a fragilidade se mistura com os nossos conhecimentos de Física, de Química, de Biologia, de Psicologia... E as VONTADES? Como despertar as vontades? Como fortalecer os frágeis? Como ativar as VONTADES PARA QUERER O MELHOR PARA OS PRÓPRIOS ESPÍRITOS?

Mas sobe à superfície da memória a PARÁBOLA DO SEMEADOR:

- O Semeador saiu a semear... Atirou as sementes, amorosamente... Umas caíram na terra escaldante e feneceram... Outras caíram ao alcance dos pássaros e foram deglutidas... Outras cresceram entre espinheiros e foram sufocadas... Mas outras caíram em terreno fértil... E PRODUZIRAM UMA POR TRINTA... UMA POR SESSENTA... UMA POR CEM... E DERAM MUITOS FRUTOS BONS...

Bezerra de Menezes desce de alturas não mensuráveis e nos diz pelas mãos sagradas hoje, de Francisco Cândido Xavier: A LEGENDA DE AGORA É KARDEQUIZAR... SEMEAR AS SEMENTES ESCOLHIDAS...

E CONFIAR NA FERTILIDADE DOS TERRENOS..."

"Agora é ação!" Vamos escolher as sementes juntos!

Não sofreremos, no futuro, por causa da omissão.

Nossos erros serão perdoados!


Referencias bibliograficas

1. Barros, N. G. "Macaé Espírita" - Nov/1990

2. Bruns, M.A.T. & Gomes Jr, O.P. Prostituição. O discurso de quem se vende e o silêncio do seu comprador. Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996.

3. Campanha "VIVER EM FAMÍLIA". Subsídios para implantação e desenvolvimento. Reformador, março de 1994.

4. Costa, D.P. E a afetividade (Editorial). Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996

5. Formiga, L.C. Proposta indecente. Jornal Espírita, São Paulo, 219 (XIX): 2, Novembro, 1993.

6. Formiga, L.C. "DORES, VALORES, TABUS E PRECONCEITOS" "Dores, Valores, Tabus e Preconceitos", Edições CELD, RJ.RJ, maio, 1996

7. Formiga, L.C. Educação Sexual: na família ou na escola. Folha Espírita, dezembro de 1996.

8. Revista de Cultura Espírita "Nueva Generacion", Guatemala, C.A. 5 (18): 3-6, abril-junio, 1995.

Publicado na revista - Fraternidade (Lisboa - Portugal), 419 (maio): 149-154, 1998

Prof. Luiz Carlos D. Formiga.


endereço: www.espirito.org.br

imagem: palavrasapenas.wordpress.com



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