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sexta-feira, 22 de abril de 2011

EUTANÁISA


Leda Marques Bighetti

O estudo tem como objetivo reafirmar a existência, a encarnação como oportunidade imposta pela lei divina, meio para o Espírito progredir.

Viver pois, constitui-se como o primeiro de todos os direitos naturais do homem e é por isso que ninguém tem o direito de atentar ou praticar qualquer ato que possa comprometer o ritmo normal da vida. ¹

Esclarece a Doutrina Espírita que o Espírito encarnado é um ser trinário composto de: 1.º) um corpo material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital do qual o Espírito se reveste temporariamente. 2.º) a alma, ser imaterial encarnado no corpo; é o Princípio Inteligente em que reside o pensamento, a vontade, o senso moral. É o ser principal, sobrevivente a matéria. 3.º) O perispírito, laço intermediário que prende um ao outro, isto é, o Espírito à matéria. E semimaterial, espécie de invólucro, que faz do Espírito um ser real, definido. ²

Como o perispírito se une a matéria?

"(…) Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior".

E a morte, como se dá?

Por um efeito contrário. A união do perispírito efetuada sob a influência do princípio vital do gérmen cessa, se extingue. Deixando de haver essa energia atuante, há a desorganização da matéria, desfaz-se a união da mesma forma como se uniu: molécula á molécula, de dentro para fora, lenta, gradativa, harmônica e o Espírito envolto pelo perispírito, recebia a liberdade. Assim, "(…) não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta que determina a partida do Espírito." ³

Como se dá essa soltura perispiritual?

Lentamente, tanto nos processos das enfermidades como pelo desgaste natural da matéria no decorrer do avançar dos anos. Embora esse desprender seja lento, iniciando-se algum tempo antes do desencarne em si, há três regiões orgânicas fundamentais na ligação perispírito-matéria: 1.º) centro vegetativo mais ou menos na altura do umbigo, sede das manifestações fisiológicas do ventre. 2.º) centro emocional, radicado no tórax, zona dos sentimentos, desejos. 3.º) centro mental, constituindo-se como o mais importante sediado no cérebro.

Atingido o ponto indicado na extinção do fluído vital, Espíritos responsáveis por esse trabalho de desligamento, operam, através de energias no centro vegetativo, ocorrendo o esticamento e esfriamento dos membros inferiores. Do umbigo extravasa substância leitosa.

Repetindo as mesmas operações ocorrem irregularidades no batimento cardíaco, queda de pressão arterial. O desencarnante apresenta angústia, aflição. Nova cota de substância se desprende do epigastro a garganta.

Finalmente, atuando no cérebro, desliga-se da região craniana, brilhante chama violeta-dourada que absorve como um aspirador as porções leitosas exteriorizadas dos centros vegetativo e emocional.

Essas substâncias são altamente plasticizantes e formam acima do corpo físico, o corpo perispiritual, a começar pela cabeça, membro a membro, traço a traço. A medida que esse novo organismo se forma, a luz violeta-dourada fulgurante do cérebro empalidece gradualmente até desaparecer de todo. Assegurou-se, nesses detalhes e cuidados, a coesão dos diferentes átomos nas novas dimensões vibratórias.

O Espirito desencarnado eleva-se alguns palmos acima do corpo cadáver apenas ligado a este, através de leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico entre o cérebro do corpo físico abandonado e o cérebro perispiritual.

Para os encarnados a morte aconteceu inteiramente. Para o Espírito a operação está incompleta, uma vez que agora repousa contemplando o passado que se lhe descortina em visão panorâmica no campo interior. Há debilidade extrema, sonolência maior ou menor tendo em vista todos os passos anteriores.

Esse intervalo de tempo é importantíssimo, necessário e variável para cada um. Representa período de adaptação, estágio transitório como se fosse prolongamento das vida física e prelúdio, adaptação aos fluidos do campo perispiritual. Só quando for desatado o fio prateado estará o Espírito completamente desligado do corpo físico.

Depois desses raciocínios, um doente, um amigo, um parente, alguém em sofrimentos na enfermidade prolongada ou não, será lícito abreviar-lhes a vida, interrompendo uma situação energética que não foi devidamente extinta no seu desgaste natural?

Esse fluxo de vida não esgotado, procura o corpo físico, mas este já está em processo de absorver as energias no momento oportuno. Fica preso ao lado do corpo que está se desfazendo, absorve os produtos degenerativos desencadeados nos quais substâncias alucinógenas são captadas pelo perispírito, podendo causar segundo as condições de cada um, período variável de loucura, que só o decorrer do tempo a se escoar oferecerá oportunidade para futuro reequilibro desse Espírito.

Cada um tem que vivenciar o processo da vida no corpo físico até o último momento. Dificuldades, problemas, dores, aborrecimentos, doenças, anos avançados em limitações naturais, significam para o Espírito, alvorecer e luz.

Sob quaisquer condições, respeitar o dia da desencarnação, lutando dentro de toda técnica e meios até o último instante.

O falho arbítrio do homem não sabe avaliar o que está acontecendo na intimidade dos instantes. A morte conduzida pela eutanásia, jamais será tranqüila e sem sofrimento e sim desarmônica e desequilibrante para o Espírito que é arrancado dos laços antes da época, o que cria tumulto para organização espiritual, mudando o curso do processo.

As reações serão variáveis diretamente proporcionais ao grau de evolução, compreensão, ou revolta de cada Espírito.

Sob qualquer alegação, a decisão pela aplicação da eutanásia, significará a predominância do conceito materialista da vida, que apenas vê o físico, o material e suas aplicações imediatas em detrimento da realidade espiritual, reflete o primitivismo animal na constituição emocional do homem.

"(…) Felizes da terra! Quando passardes ao pé dos leitos de quantos atravessam prolongada agonia, afastai do pensamento a idéia de lhes acelerardes a morte!"

"(…) Ignorais, por agora, o valor de alguns minutos de reconsideração para o viajor que aspira a examinar os caminhos percorridos, antes do regresso ao aconchego do lar.

Se não vos sentis capacitados ao oferecer-lhes uma frase de consolação ou o socorro de uma prece, afastai-vos e deixai-os em paz!"

Matar nunca!

Bibliografia:
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 63. ed., São Paulo-SP, LAKE. Cap. XI, q. 880, p. 291
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 63. ed., São Paulo-SP, LAKE. Introdução VI, § 11
3. KARDEC, Allan. A Gênese. 18. ed., Rio de Janeiro-RJ, FEB. Cap.
XI, it. 18 p. 214
4.
XAVIER, F. C; VIEIRA, Waldo, pelo Espírito André Luiz. Sexo e Destino. 19. ed., Rio de Janeiro-RJ. FEB. Cap. VIII, p. 248

Subsídios
XAVIER, F. C., pelo Espírito André Luiz. Obreiros da Vida Eterna. 9. ed., Rio de Janeiro-RJ, FEB. Cap. XIII, p. 199

Fonte: Jornal verdade e Luz – junho/2005



texto - http://terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo
imagem - familias-online.blogspot.com

segunda-feira, 14 de junho de 2010

SOMENTE DEUS TEM O DIREITO DE DISPOR DA VIDA HUMANA


Chamou-me a atenção o caso de Terri Schiavo, uma mulher da Flórida-EUA que permanecia em estado vegetativo há 15 anos e que foi desconectada do tubo que a alimentava, depois de um intenso debate entre seus familiares, o governo americano e os tribunais.Segundo especialistas, ela pode levar até duas semanas para morrer, sem alimentação(1).

O que preocupa é que muitos médicos revelam que eutanásia é prática habitual em UTIs do Brasil, e que apressar, sem dor ou sofrimento, a morte de um doente incurável é ato freqüente e, muitas vezes, pouco discutido nas UTIs de hospitais brasileiros.(2). Apesar da Associação de Medicina Intensiva Brasileira negar que a eutanásia seja freqüente nas UTIs, existem aqueles que admitem razões mais práticas, como a necessidade de vaga na UTI para alguém com chances de sobrevivência, ou a pressão, na medicina privada, para diminuir custos.

Nos conselhos regionais de medicina, a tendência é de aceitação da eutanásia, exceto em casos esparsos de desentendimentos entre familiares sobre a hora de cessar os tratamentos. Médicos e especialistas em bioética defendem, na verdade, um tipo específico de eutanásia, a ortotanásia, que seria o ato de retirar equipamentos ou medicações que servem para prolongar a vida de um doente terminal. Ao retirar esses suportes de vida, mantendo apenas a analgesia e tranqüilizantes, espera-se que a natureza se encarregue da morte(3).

Por definição a palavra eutanásia vem do grego, significando "boa morte" ou "morte apropriada". O termo é de Francis Bacon que, em 1623, em sua obra "Historia vitae et mortis", a definiu como sendo o "tratamento adequado as doenças incuráveis". Diversas são as expressões utilizadas como sinônimas , podendo ser citadas "boa morte", "suicídio assistido", "eutanásia ativa". O seu antônimo é "distanásia"(4) que, por sua vez, vem a ser a utilização dos meios adequados para tratar uma pessoa que está morrendo. Baseada em valores humanitários, em que a ética médica visa a prolongação da vida, em seu máximo possível.

Para alguns médicos a palavra eutanásia ficou estigmatizada, e as pessoas têm medo de usá-la. Destarte, crêem necessário que uma legislação estabeleça critérios e condutas éticas para uma morte sem sofrimento. Porquanto a morte é um preço que merece ser pago para o alívio da dor consoante atesta um professor de ética da Faculdade de Medicina de uma importante Universidade brasileira, para ele deve-se aceitar a eutanásia em situações de doenças incuráveis, uma vez que "A tendência é de não manter a vida a todo custo"(5).

A eutanásia vem suscitando controvérsias nos meios jurídicos, lembrando, no entanto, que a nossa Constituição, através do Direito Penal Brasileiro é incisivo e conclusivo: constitui assassínio comum(6). Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado e portanto, é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. À propósito é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.

No aspecto moral ou religioso, sobretudo espírita, lembremos que não são poucos os casos de pessoas desenganadas pela medicina oficial e tradicional que procuram outras alternativas e logram curas espetaculares, seja através da imposição das mãos, da fé, do magnetismo, da homeopatia ou propósitos de mudanças comportamentais. Não são poucos os casos de criaturas com quadros clínicos de doenças incuráveis e desenganados em que o magnetismo posto em atividade pela imposição das mãos conseguiu modificar o diagnóstico médico e restabelecer o campo celular.

Allan Kardec indaga aos Benfeitores espirituais se homem tem o direito de dispor da sua própria vida e os Espíritos esclarecem que somente Deus(7) tem esse direito. Ninguém tem o direito de tirar uma vida, somente a Deus cabe esta decisão. A eutanásia é uma forma de interromper uma expiação daquele espírito que sofre como paciente terminal. Seus parentes pensando que estão aliviando suas dores, solicitam a eutanásia, mas é um ledo engano, pois estão praticando um crime contra a vida e não consideram que os sofrimentos morais são maiores que os sofrimentos materiais e este espírito deve resgatar suas dívidas.

Emmanuel explica que por trás dos olhos baços e das mãos desfalecidas que parecem deitar o último adeus, apenas repontam avisos e advertências para que o erro seja sustado ou para que a senda se reajuste amanhã(8). E ante o leito da doença mais difícil e mais dolorosa brilha o socorro da Infinita Bondade facilitando, a quem deve, a conquista da quitação. Não desrespeites, assim, quem se imobiliza na cruz horizontal da doença prolongada e difícil, administrando-lhe o veneno da morte suave, porquanto, provavelmente, conhecerás também mais tarde o proveitoso decúbito indispensável à grande meditação(9).

Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade atrapalha a terapêutica divina, nos processos redentores da reabilitação. Para os espíritas sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem. Nem sempre conhecemos as reflexões que o espírito pode fazer nas convulsões da dor física e quantos tormentos lhe podem ser poupados em um relâmpago de arrependimento.

A eutanásia interrompe o processo depurativo da enfermidade, impondo ao doente crônico sérias dificuldades inclusive no retorno ao plano espiritual. Ademais, os familiares que buscam tal recurso, "piedoso" na realidade, encontram-se apenas e indevidamente ansiosos por libertar-se do compromisso e da responsabilidade de ajudar, sustentar e amar seu ente querido.

À rigor, o câncer é o meio de expungir as trevas que povoam o coração, impedindo-lhe maior entendimento da vida. A paralisia e a loucura, o pênfigo e a tuberculose, a idiotia e a mutilação, quase sempre, funcionam por abençoado corretivo, em socorro do espírito que a culpa ensandeceu ou ensombrou na provação expiatória. Desta forma, respeitemos a dor como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhes experimentam a presença constrangedora e educativa. Lembrando sempre que a nós compete tão somente o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte, no momento oportuno.

O verdadeiro cristão porta-se sempre em favor da manutenção da vida e de respeito em relação aos desígnios de Deus, buscando não só minorar os sofrimentos do próximo (sem eutanásias, claro!), mas também, confiar na justiça e na bondade divina, até porque nos Estatutos de Deus não há espaço para a injustiça.


FONTES:
1- Publicado no Correio Braziliense 19/3/2005
2- Publicado na Folha de S.Paulo 19/3/2005
3- Idem
4- Distanásia para alguns significa prolongamento exagerado da morte de um paciente ou, até mesmo, pode ser empregado como sinônimo de tratamento inútil. Para alguns especialistas é uma atitude médica que, visando salvar a vida do paciente terminal, submete-o a grande sofrimento.
5- Idem
6- Previsto na Constituição Federal, artigo 5º, "caput", a principal característica do direito à vida vem a ser sua indisponibilidade. A vida, dom divino que é, há que ser preservada em toda e qualquer circunstância, sendo inconcebível sua eliminação quer pelo homem, quer pelo Estado.
7- Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1999, questão 944
8- Xavier, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999
9- Idem



endereço: http://jorgehessen.net/
imagem:
laranjachoque.blogspot.com


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