Mostrando postagens com marcador Evolução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evolução. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AÇÃO OCULTA NA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES


André Maximiano Serpa

O modelo científico mais aceito atualmente pelos cientistas continua sendo a “Teoria de Evolução das Espécies” de Charles Darwin. Contudo, novas investigações têm constituído um grande embaraço para os defensores dessa teoria.

Segundo este paradigma, as espécies que mais se adaptam às condições do meio ambiente, sobrevivem e transmitem seus caracteres aos seus descendentes. Este processo acaba por produzir alterações lentas e graduais que permitem a extinção das espécies inadaptadas e o surgimento de novos e variados grupos de seres vivos.

Pela análise dos fósseis, observa-se que a história mostra períodos de grande estagnação alternados com períodos de intensa atividade no que diz respeito ao surgimento de novas espécies ( Teoria do Equilíbrio Pontuado de Stephen Jay Gould).

Sabe-se que a Terra surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos. Nesta época a solidificação da crosta terrestre e a disposição da atmosfera primitiva permitiram os arranjos necessários ao surgimento da vida biológica.

De acordo com a hipótese do bioquímico soviético Aleksandr I. Oparim (1894-1980) e do geneticista inglês John B. S. Haldane (1892-1924), a crosta possuía intensa atividade vulcânica a qual pode ser observada devido a sua própria composição, que em sua maior parte é formada por rochas magmáticas, ou seja, resultantes do resfriamento de lava. Além disso, apresentando a mesma origem que o Sol é natural que a Terra mostrasse riqueza de gases tais como: metano (CH4), amônia (NH3) e Hidrogênio (H2) _ dados estes comprovados por estudos astronômicos do mesmo Sol, de Júpiter, de Saturno e de Netuno. O vapor de água (H2O), que também estaria presente, seria fruto da intensa atividade vulcânica dos tempos primeiros.

As elevadas temperaturas possibilitavam grande evaporação, que por sua vez, resultava em grandes tempestades (chuvas) e abundantes descargas elétricas. A esse imenso caldeirão soma-se o grande bombardeio de raios cósmicos e ultravioleta, já que a camada de ozônio (O3)provavelmente não existia pela indisponibilidade de oxigênio livre.

Com o passar de milhões de anos, o ciclo evaporação-condensação-preciptação foi carregando as moléculas da atmosfera para os oceanos ferventes que se formavam sobre a superfície do planeta. Sujeitas à desidratação, pelo contato com as quentes rochas magmáticas, às descargas elétricas decorrentes dos relâmpagos das tempestades, e às radiações solar e cósmicas, essas moléculas teriam reagido entre si e estabelecido ligações peptídicas, pelas quais surgiram os aminoácidos. Em 1953, o americano Stanley Miller reproduziu em laboratório as condições acima descritas, com exceção às radiações, e ainda assim obteve aminoácidos como produto de seu experimento.

Através da combinação dos aminoácidos surgiriam as primeiras proteínas. Da união destas últimas formaram-se agregados protéicos chamados coacervados. Nota-se que em 1957, Sidney Fox aqueceu a seco aminoácidos e observou a formação de moléculas orgânicas complexas semelhantes a proteínas.

Estava pronta a base orgânica para o início da vida na Terra. O protoplasma torna-se o embrião de todas as organizações do globo. Em seguida surgem as organizações procarióticas (bactérias sem núcleo, vírus, micoplasmas e algas azuis) e organizações eucarióticas (com núcleo). Os seres unicelulares, antes isolados e livres, passam a constituir colônias e dão origem aos seres multicelulares.

De qualquer forma, é importante salientar que, não se explicou como um agregado protéico ganhou vida, movimento e capacidade de interação com o meio ambiente. O que faz uma ameba ser diferente de um pedacinho de queijo bovino, já que ambos são um agregado de proteínas, açúcares e gorduras? Somente a existência de uma força ou princípio vital que anima a primeira e se ausenta no segundo, pode explicar essa diferença.

A evolução dos organismos pluricelulares através dos milênios, em incontáveis mutações e recombinações genéticas, que os cientistas ortodoxos atribuem ao acaso, assim como as etapas anteriores que nos possibilitaram chegar até aqui, culminaram com o aparecimento de todos os seres invertebrados e vertebrados, incluindo o homem.

Explica-se como uma célula se dividiu em duas pelo processo de mitose, que ocorre em razão do maior aumento de volume em comparação com a superfície. Seria mais vantajoso do ponto de vista nutricional, ela se dividir e manter-se viva, mas como ela sabe disso? Tem ela cérebro por acaso? Caso se responda a essa interrogação, por que algumas se separaram e outras permaneceram unidas?

Em um outro campo de análise, verifica-se que as peças desse quebra-cabeça teimam por não se encaixarem. Os chamados “elos perdidos” continuam sendo motivo de incontáveis discussões.

O paleontólogo belga Louis Dollo foi o criador de uma lei ( Lei de Dollo ) avalizada pelos anatomistas, que diz que um órgão que perdeu certos elementos com o passar do tempo não pode voltar atrás e recuperá-los. Os cientistas atuais não conseguem explicar porque à análise dos fósseis, algumas espécies não se enquadram nesta lei.

Embora não sejam reconhecidas pela ortodoxia científica, apresentamos as considerações do espírito Emmanuel, por psicografia de Francisco C. Xavier, contidas no livro A Caminho da Luz:

“A prova da intervenção das forças espirituais nesse campo de operações é que, enquanto o escorpião, gêmeo dos crustáceos marinhos, conserva até hoje, de modo geral, a forma primitiva, os animais monstruosos das épocas remotas, que lhe foram posteriores, desapareceram para sempre da fauna terrestre, guardando os museus do mundo as interessantes reminiscências de suas formas atormentadas.

(...) As pesquisas recentes da Ciência sobre o tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado (o que representaria uma involução quando comparado a seus antecessores), e outras descobertas interessantes da Paleontologia, quanto ao homem fóssil (a comprovação de que não houve crescimento linear do neurocrânio conforme antes se pensava), são um atestado dos experimentos biológicos a que realizaram os laboradores de Jesus, até fixarem no primata os característicos aproximados do homem do futuro ( nós )”. Os acréscimos entre parênteses são nossos.

Mais adiante, explicaremos as bases científicas que dão sustentação à possibilidade da intervenção de entidades extra-físicas ( espíritos) no processo da Criação.

Disse um dos maiores nomes da Física Moderna, Niels Bohr, que não existem teorias bonitas e teorias feias, mas teorias verdadeiras e teorias falsas.

As descobertas da Ciência glorificam Deus, em lugar de o rebaixar; elas não destroem senão o que os homens edificaram sobre idéias falsas que eles fizeram de Deus. ( A Gênese, de Allan Kardec, cap. I, item 55)

Somente quando incorporarmos ao nosso cabedal de conhecimentos a noção de um elemento extrafísico, organizador e regente da matéria é que conseguiremos dissipar essas dúvidas que tão cruelmente nos perseguem. Felizmente, tem sido esse o caminho tomado por renomados cientistas, em especial, os dos campos da Física Quântica e Bioquímica.

Vejamos o que diz o Ph. D., físico e professor da Universidade de Oregon, Amit Goswami: “Depois de quase um século de aplicação da Física Quântica na investigação dos segredos da matéria, ficou claro que a Física Quântica não é completa em si mesma; è necessário que haja um observador consciente para completá-la. Abre-se assim, a janela visionária, introduzindo na Ciência a idéia de consciência como fundamento de todo o ser e a base metafísica de um novo paradigma”.

A Teoria Evolucionista de Darwin foi recentemente colocada em dúvida e tida como incapaz de explicar à luz da ciência do século XXI, o fenômeno do aparecimento da vida na Terra. O Ph.D. em Bioquímica pela Universidade da Pensilvânia, Michael Behe desenvolveu um trabalho científico no qual questiona a validade de se utilizar somente parâmetros anatômicos (pelo estudo dos fósseis) para descrever o surgimento de processos bioquímicos de espantosa complexidade. Nesse contexto, como poderemos decidir se a Teoria de Darwin pode explicar essa complexidade? O próprio Darwin estabeleceu o critério. Segundo o mesmo:

“Se pudesse ser demonstrada a existência de qualquer órgão complexo que não pudesse em absoluto ter sido formado por modificações numerosas, sucessivas e ligeiras, minha teoria cairia por completo. Mas que tipo de sistema biológico poderia não ter sido formado por modificações numerosas sucessivas e ligeiras?” [Darwin, C. (1872), Origin of Species, 6a.ed. (1988), New York University Press, New York, pag. 154.]

Resposta de Behe: um sistema que seja irredutivelmente complexo. Complexidade irredutível é, segundo o próprio autor, uma frase pomposa para se referir a um sistema composto de diversas partes que interagem entre si, e no qual a retirada de qualquer uma das partes faria com que o sistema deixasse de funcionar. Um exemplo comum de complexidade irredutível é uma simples ratoeira. Ela é formada por: 1. uma base, 2. um martelo (ou precursor) de metal ( para esmagar o rato), 3. uma mola e 4. uma trava sensível à pressão (gatilho). Não é possível capturar uns poucos ratos apenas com uma base, ou ir capturando mais ao lhe acrescentar uma mola; e mais ainda ao lhe acrescentar uma trava. Todas as peças devem estar em seu devido lugar para podermos capturar qualquer rato.

Em seguida, Michael Behe descreve em seu trabalho, com uma minunsciosidade incrível, mas ainda longe de expressar a totalidade, o mecanismo de funcionamento de um cílio. Os cílios são estruturas microscópicas semelhantes a cabelos, situados na superfície de muitas células de animais e vegetais. No homem, há cerca de duzentos por cada célula, sendo que milhões dessas reveste o trato respiratório. É pelo batimento sincrônico dos cílios que o muco é empurrado até nossa garganta, para ser posteriormente expelido.

Um cílio é formado por um feixe de fibras denominadas axonema. Um axonema contém nove pares de microtúbulos dispostos em círculo ao redor de um par central de microtúbulos. Cada dupla externa consiste, por sua vez, de um anel de treze filamentos (subfibra A) fundidos a um conjunto de dez filamentos. Estes últimos compõem-se de duas proteínas chamadas tubulinas alfa e beta. Os onze microtúbulos que formam um axonema se mantém unidos por três tipos de conectores: as subfibras A se unem aos microtúbulos centrais por meio de raios radiais; as duplas externas de microtúbulos adjacentes se unem por meio dos enlaces de uma proteína sumamente elástica chamada nexina; e os microtúbulos centrais estão unidos por uma ponte de enlace. Finalmente, cada subfibra A leva dois braços, um interior, outro exterior, ambos contendo uma proteína chamada dineína.

Mas como um cílio trabalha? Por meio de experimentos, têm-se mostrado que o movimento ciliar é resultado da andadura quimicamente induzida dos braços de dineína sobre um microtúbulo da subfibra B de um segundo microtúbulo, de maneira que os dois microtúbulos se deslizem respectivamente. Os enlaces cruzados de proteína entre os microtúbulos em um cílio intacto impedem que os microtúbulos colidantes se deslizem um sobre o outro, mas com uma certa distância. Assim, esses enlaces cruzados convertem o movimento de deslizamento induzido pela dineína em um movimento de todo axonema.

Toda essa meticulosa descrição nos permite alguns questionamentos.Que componentes são necessários para o funcionamento de um cílio? Microtúbulos são indispensáveis pois, caso contrário, não haveria filamentos para deslizar. Também se precisa de um motor (seria este o par central de microtúbulos?). Além disso, não poderiam faltar as engrenagens (enlaces e proteínas de ligação) para converter o movimento de deslizamento em curvatura e ainda impedir que a estrutura desmorone.

Assim como a ratoeira não funciona na ausência de qualquer um de seus componentes, também o movimento ciliar não acontece na falta de qualquer um dos seus. Do mesmo modo, o flagelo bacteriano, o transporte de elétrons, telômeros, fotossíntese, regulação da transcrição e muitos outros que podem ser encontrados em praticamente qualquer página de um livro de bioquímica, são exemplos de complexidade irredutível nas células. A ausência de quaisquer um de seus componentes acarreta na ausência de função.

Uma vez que a seleção natural somente pode escolher sistemas que já estejam em funcionamento, então, se um sistema biológico não pode ser produzido gradualmente, ele terá que surgir como uma unidade integrada, de uma só vez, para que a seleção natural tenha algo para afetar.

É bem verdade que não se poderia excluir totalmente a possibilidade de um sistema de complexidade irredutível seguir uma rota indireta e tortuosa. Mas onde estão as variantes inférteis dessas rotas alternativas? Caso escapem à seleção natural deveriam estar impressos na biologia celular, no entanto, o estudo da célula revela um encadeamento perfeito de eventos. Não existem sobras de “martelos” ou “molas”, nem travas avulsas sem os demais componentes.

Se essas coisas não podem ser explicadas pela Evolução Darwiniana, como a comunidade científica tem considerado estes fenômenos dos últimos quarenta anos? Um bom lugar para se pesquisar seria o Journal of Molecular Evolution (JME). Em número recente do JME, todos os artigos tratavam apenas de comparação de proteínas ou seqüências de DNA. Embora seja interessante essa comparação para se determinar possíveis linhas de descendência, as mesmas não demonstram como é que um complexo sistema bioquímico veio a funcionar, questão esta que estamos nos ocupando. Segundo Behe, não se encontra nenhum artigo discutindo modelos detalhados de intermediários no desenvolvimento de complexas estruturas biomoleculares, seja na Nature, Science, Journal of Molecular Biology ou Proceedings of National Academy of Sciece.

“Publique ou pereça” é um provérbio que os membros da comunidade científica levam a sério. O provérbio também se aplica às teorias. Se uma teoria é dita como explicação de algum fenômeno, mas não proporciona nem mesmo uma tentativa de demonstração, ela deve ser banida. Nas palavras desse mesmo autor, a Teoria da Evolução Molecular Darwiniana não foi publicada e, portanto, deve perecer.

Antes de prosseguirmos em nosso exercício de pensar, é importante quebrarmos o mito de que uma possibilidade transformar-se-á obrigatoriamente em realidade desde que se dê tempo ao tempo. Será bastante o tempo de 4,5 bilhões de anos para a materialização aleatória de probabilidades da ordem de quinhentos a mil algarismos cada uma, que se multiplicam exponencialmente umas com as outras, na sucessão dos acontecimentos?

“Um pensador igualmente eminente, L. von Berthalanffy, dizia que o jogo de forças naturais inorgânicas não poderia ter realizado a formação de uma célula, e que o nascimento fortuito de um carro em uma mina de ferro seria coisa pequena se comparado com a formação espontânea de uma célula”.( Oscar Kuhn, Biologie Allemande Contemporaine, La Pensée Catholique nº. 31)

No desfecho de seu pensamento, Michael Behe nos leva a um exercício de imaginação. Imaginemos uma sala onde um corpo jaz esmagado, plano como uma panqueca. Uma dúzia de detetives engatinha-se ao redor, procurando com lupas alguma pista que os leve à identidade do criminoso. No meio da sala, próximo ao corpo, está um imenso elefante cinza. Enquanto engatinham, os detetives cuidadosamente evitam esbarrar nas patas do paquiderme, e jamais erguem seus olhares para cima. Tempos depois, os detetives se frustram com a ausência de progresso, mas insistem, e ainda mais cuidadosamente examinam o chão. Ora, os livros dizem que eles devem encontrar ‘o seu homem’, e por isso jamais pensam em elefantes.

Existe um grande elefante na sala cheia de cientistas que buscam explicar a vida. Este elefante chama-se “Planejamento Inteligente”.

Não se está negando a existência de fatores como: chuvas, explosões nucleares, ação vulcânica, radiações, ascendência comum, seleção natural, deriva gênica (mutações neutras), fluxo gênico ( troca de genes entre populações diferentes ), transposição ( transferência de genes entre espécies diferentes por meios não-sexuais ), impulso meiótico (seleção preferencial de genes em cel. sexuais ), etc... Mas há uma verificação óbvia de que muitos sistemas bioquímicos são irredutíveis e expressam em si um planejamento inteligente. Escutemos as palavras de um dos maiores cientistas do século XX, Albert Einstein: “Quanto mais eu observo o universo mais ele se parece a um grande pensamento do que a uma grande máquina”.

Infelizmente, sofremos uma intensa mistificação no edifício cultural moderno, pela pretensão e arrogância de alguns homens, que se reflete na atual ausência de valores éticos apregoados por muitas das sociedades terrestres. E esse desmoronamento ocorre tanto por parte de reacionários e conservadores religiosos, quando não, cegos pelo fanatismo, quanto por preconceituosos e vaidosos cientistas.

Partindo das bases galileanas de que as teorias deveriam ser testadas e repetidas para serem consideradas verdadeiras _ princípio fundamental e verdadeiro da Ciência _ afirmaram que se Deus não pode ser comprovado pela Física ou pela Matemática é que Ele não existe. Como se a Ciência tivesse colocado ponto final em todas as dúvidas e questionamentos humanos a cerca do Universo. Se não se tem a “Teoria de Deus” é que somos filhos do acaso!

Por acaso alguém já viu um elétron? Será que por não poder ser visto, ele deixa de existir? Diriam que ele existe porque percebemos a sua ação e influência. Também podemos perceber Deus pela sua ação e influência. Senão vejamos: “Toda ação produz uma reação de mesma direção, mesmo sentido e mesma intensidade (3a Lei de Newton”). Uma reação muitíssima inteligente só pode ser obra de uma ação de mesma proporção. Eis que Allan Kardec, compilando as várias mensagens recebidas dos Espíritos com semelhante teor, sob a revisão de vários médiuns, descreve-nos em O Livro dos Espíritos: “Que é Deus?” Resposta: “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”.

Mas como chegar a Deus exclusivamente através de princípios de análise material se Ele é imaterial? (Caso Deus fosse material estaria sujeito às transformações do Universo, e este estaria sujeito ao caos e desordenamento _ o que claramente não acontece). Como entender a criação se só a enxergamos em parte, mais especificamente em sua porção material, e negamos ou desprezamos sua face imaterial? A Ciência Ortodoxa nos fornece a verdade dos fatos, porém, uma verdade incompleta.

Todavia, Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relatada no livro “A Caminho da Luz”, traz novas luzes ao nosso conhecimento. Nos diz este que: “Sob a orientação misericordiosa e sábia do Cristo, laboravam na Terra numerosas assembléias de operários espirituais.

Como a engenharia moderna, que constrói um edifício prevendo os menores requisitos de sua finalidade, os artistas da espiritualidade edificavam o mundo das células iniciando, nos dias primevos, a construção das formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros.

(...) A máquina celular foi aperfeiçoada, no limite do possível, em face das leis físicas do globo. Os tipos adequados à Terra foram consumados em todos os reinos da Natureza , eliminando-se os frutos teratológicos e estranhos do laboratório de suas perseverantes experiências”.

Se por um lado temos cientistas irredutíveis que se apegam unicamente a valores objetivos e absolutos, temos também, religiosos antiquados que se amarram inapelavelmente aos “Textos Sagrados”. Tanto evolucionistas quanto criacionistas estão equivocados, pois o alcance da verdade de ambos está limitada pelos seus preconceitos.

Ao contrário do que muitos pensam, Ciência e Religião (talvez fosse melhor dizer Religiosidade, de “religare” ou “contato com o divino”) não são incompatíveis e excludentes. Reproduzindo as palavras do genial Albert Einstein: “A Religião sem a Ciência é cega. A Ciência sem a Religião é manca”. Da união de ambas é que alcançaremos o conhecimento e a verdade a cerca das duas realidades, material e espiritual, que compõe o Universo.

Voltemos nossos olhos para aqueles que já começaram este trabalho, como William Crookes, Alexandre Aksakof, Camille Flamarion, Ernesto Bozzano, Ian Stevenson, Joseph Blanks Rhine, Brian L. Weiss, Charles Richet, H. N. Banerjee, Sérgio Felipe de Oliveira, Andrew Newberg, Ernani Guimarães, Amit Goswami, Michael Behe, além, é claro, de Hippolyte Léon Denizard Rivail e muitos outros.

Só a título de esclarecimento, o grandessíssimo mestre Jesus (Yeshua bar Yosef), modelo de perfeição a ser seguido por todos nós, que participou da criação do Sistema Solar, e é o governador do planeta Terra, não é Deus. Mas isso é assunto para uma próxima ocasião.

André Maximiano Serpa (*)

(*) Cirurgião-dentista graduado Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG – UFJF; Pós-graduado Especialista em Periodontia pela ABO de Juiz de Fora - MG; Fundador e Presidente do LEAL ( Lar Espírita André Luiz ) e Vice-Coordenador da Mocidade Espírita Dias da Cruz do Centro Espírita Amor ao Próximo, ambos em Leopoldina-MG, cidade à qual reside.

Referências Bibliográficas:

  1. Sérgio de Vasconcellos e Fernando Gewandsznajder, Biologia Celular, Editora Ática, São Paulo, 1980.
  2. Stephen Jay Gould, La Flecha del Tiempo, Aliança Editorial, Madrid, 1992.
  3. Revista Superinteressante, Darwin estava errado? Editora Abril, agosto de 2001.
  4. Allan Kardec, A Gênese. 20a edição, Ed. LAKE, São Paulo, 2001.
  5. Allan Kardec, O Livro dos Espíritos. 114a edição, Inst. de Difusão Espírita, Araras – SP, 1998.
  6. Francisco C. Xavier, A Caminho da Luz. 24a edição,FEB, Brasília – DF, 1999.
  7. Michael Behe, Evidence for Intelligent Design from Biochemistry (Evidência de Planejamento Inteligente ), Palestra proferida no Discovery Institute, 1996.
  8. Michael Behe, A Caixa Preta de Darwin, Jorge Zahar Editor, trad. bras. de Rui Jungmann, Rio de Janeiro, 1997.


texto - http://www.espirito.org.br/artigos/diversos/ciencia
imagem - new-digital.net

quarta-feira, 9 de março de 2011

EVOLUÇÃO NO TEMPO


Com a permissão do dalailam, do blog http://tamoporai.blogspot.com


"Através do nascimento e morte da forma, o princípio inteligente sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal propriamente dito." - André Luiz

PRIMÓRDIOS DA VIDA - Procurando fixar idéias seguras acerca do corpo espiritual, será preciso remontarmos, de algum modo, aos primórdios da vida na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas, pelas quais os Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a supervisão do Cristo de Deus, lançaram os fundamentos da vida no corpo ciclópico do Planeta.
A matéria elementar, de que o elétron é um dos corpúsculos-base*, na faixa de experiência evolutiva sob nossa análise, acumulada sobre si mesma, ao sopro criador da Eterna Inteligência, dera nascimento à província terrestre, no Estado Solar a que pertencemos, cujos fenômenos de formação original não conseguimos por agora abordar em sua mais íntima estrutura.
A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.
Dessa geléia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações...
Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se derivaria a exist6encia organizada no Globo constituído.
Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...

NASCIMENTO DO REINO VEGETAL - Aparecem os vírus e, com eles, surge o campo primacial da existência, formado por nucleoproteínas e globulinas, oferecendo clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas fundamentais, que se destacam da substância viva, por centros microscópicos de força positiva, estimulando a divisão cariocinética.
Evidenciam-se, desde então, as bactérias rudimentares, cujas espécies se perderam nos alicerces profundos da evolução, lavrando os minerais na construção do solo, dividindo-se por raças e grupos numerosos, plasmando pela reprodução assexuada, as células primevas, que se responsabilizariam pelas eclosões do reino vegetal em seu início.
Milênios e milênios chegam e passam...

FORMAÇÃO DAS ALGAS - Sustentado pelos recursos da vida que na bactéria e na célula se constituem do líquido protoplásmico, o princípio inteligente nutre-se agora na clorofila, que revela um átomo de magnésio em cada molécula, precedendo as constituição do sangue de que se alimentará no reino animal.
O tempo age sem pressa, em vagarosa movimentação no berço da Humanidade, e aparecem as algas nadadoras, quase invisíveis, com as suas caudas flexuosas, circulando no corpo das águas, vestidas em membranas celulósicas, e mantendo-se à custa de resíduos minerais, dotados de extrema motilidade e sensibilidade, como formas monocelulares em que a mônada já evoluída se ergue a estágio superior.
Todavia, são plantas ainda e que até hoje persistem na Terra, como filtros de evolução primária dos princípios inteligentes em constante expansão, mas plantas superevolvidas nos domínios da sensação e do instinto embrionário, guardando o magnésio da clorofila como atestado da espécie.
Sucedendo-as, por ordem, emergem as algas verdes de feição pluricelular, com novo núcleo a salientar-se, inaugurando a reprodução sexuada e estabelecendo vigorosos embates nos quais a morte comparece, na esfera da luta, provocando metamorfoses contínuas, que perdurarão, no decurso das eras, em dinamismo profundo, mantendo a edificação das formas do porvir.

DOS ANTRÓPODOS AOS DROMATÉRIOS E ANFITÉRIOS - Mais tarde, assinalamos o ingresso da mônada, a que nos referimos, nos domínios dos artrópodos, de axosqueleto quitinoso, cujo sangue diferenciado acusa um átomo de cobre em sua estrutura molecular, para, em seguida, surpreendê-la, guindada à condição de crisálida da consciência, no reino dos animais superiores, em cujo sangue - condensação das forças que alimentam o veículo da inteligência no império da alma - detêm a hemoglobina por pigmento básico, demonstrando o parentesco inalienável das individuações do espírito, nas mutações da forma que atende ao progresso incessante da Criação Divina.
Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do protoplasma. das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do período pré-câmbrico aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites e cistídeos, aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos terrenos silurianos, o princípio espiritual atingiu os espongiários e celenterados da era paleozóica, esboçando a estrutura esquelética.
Avançando pelos equinodermos e crustáceos, entre os quais ensaiou, durante milênios, os sistema vascular e o sistema nervoso, caminhou na direção dos ganóides e teleósteos, arquegossauros e labirintodontes para culminar nos grandes lacertinos e nas aves estranhas, descendentes dos pterossáurios, no jurássico superior, chegando à época supracretácea para entrar na classe dos primeiros mamíferos, procedentes dos répteis teromorfos.
Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência.

FAIXAS INAUGURAIS DA RAZÃO - Estagiando nos marsupiais e cetáceos do eoceno médio, nos rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, equídeos, canídeos, proboscídeos e antropóides inferiores do mioceno e exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de importância entre os megatérios e mamutes, precursores da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropóides da era quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a mônada vertida do Plano espiritual sobre o Plano Físico* atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, sa sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.

ELOS DESCONHECIDOS DA EVOLUÇÃO - Compreende-se, porém, que o princípio divino aportou na Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto através do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extrafísicas, em que essa mesma inconsciência incompleta prossegue elaborando o seu veículo sutil, então classificado como protoforma humana, correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.

EVOLUÇÃO NO TEMPO - É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes, que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do silex denuncia algum primor de técnica, nada menos que um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a bênção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica.

* (Na Esfera Espiritual, em que estagiamos, o elétron é também partícula atômica dissociável. - Nota de André Luiz)

* As expressões "Plano Físico" e "Plano Extrafísico", largamente usadas nestas páginas, foram utilizadas por nós, à falta de termos mais preciosos que designem as esferas de evolução para os Espíritos encarnados e desencarnados, pertencentes ao "habitat" planetário. - Nota de André Luiz.

texto - http://tamoporai.blogspot.com/2010/11/evolucao-no-tempo.html

imagem - foraminiferas.blogspot.com

quarta-feira, 12 de maio de 2010

150 ANOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES






Gerson Simões Monteiro

Desde a mais remota era, o homem procura a sua origem. Durante muito tempo, o criacionismo religioso considerava que os seres vivos foram criados por um Ser Supremo, e suas diferentes espécies teriam surgido de uma só vez, prontas e acabadas.
Essa idéia, baseada em interpretação distorcida do livro Gênesis, da Bíblia, acaba por constituir-se em tese insustentável perante a Ciência, apesar de ser correta ao admitir Deus como Inteligência Suprema do Universo.
Para corrigir essa posição equivocada dos criacionistas religiosos do século 18, a partir do trabalho de cientistas como Charles Darwin e Russel Wallace, novas idéias surgiram sobre a origem e a evolução dos seres vivos, idéias que são aprimoradas constantemente, até hoje. A palavra final, porém, ainda não foi dita e a Ciência atual se apóia nas seguintes conclusões:
A Terra se formou há pelo menos 4,5 bilhões de anos, pela condensação de poeira cósmica liberada pela grande explosão (Big Bang) que originou o Universo. É bom salientar que, enquanto os criacionistas admitem ter o planeta, somente, de 6 a 10 mil anos de existência, o pesquisador e escritor norte-americano Henry Thomas, no livro A História da Raça Humana¹, diz que "foram necessários 40 milhões de anos para que o macaco se transformasse no homem-macaco. Mais de 300 mil anos o levou para aprender a andar de cabeça erguida e para matar sua presa com instrumentos de pedra". O "macaco" não dá origem ao "homem-macaco". Ambos têm um ancestral comum. O macaco e o homem-macaco são "primos".
Depois de 1,5 bilhão de anos, com o resfriamento da superfície terrestre, esta abrigou as primeiras organizações moleculares. Delas, apareceram os sistemas protéicos, e estes primitivos elementos foram tornando-se cada vez mais complexos, até se tornarem às células que hoje conhecemos como seres unicelulares, tanto vegetais quanto animais.
As condições físicas e ambientais promoviam mutações que modificavam o material genético, transmitido na reprodução dos seres. Apenas as modificações que os tornavam mais aptos às adversidades do meio eram fixadas e transmitidas para outras gerações, enquanto as alterações que em nada contribuíam para o aprimoramento das espécies, tendiam a desaparecer.

A TEORIA DA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

Em seu livro, A Origem das Espécies, publicado em 1859, Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês, demonstrou a tendência dos animais a se afastarem de sua origem ancestral por mutação genética e seleção natural, formando novas espécies com características diferentes. Ele chegou a essa conclusão através das pesquisas e estudos realizados a partir de 31 de dezembro de 1831.
Com algumas inovações, introduzidas pelos recentes avanços da Ciência, a teoria de Charles Darwin é ainda a que melhor explica a biodiversidade de nosso planeta. Para notar-se uma característica diferente, e inaugurar uma nova espécie, gastam-se talvez milhões de anos, mas é sabido que nenhuma espécie está estacionária. Um exemplo esclarece a questão: o corpo do homem é o produto evolutivo de uma espécie simiesca cujos ancestrais já desapareceram. Ou seja: uma determinada espécie de macaco, há milhares de anos, começou a se desenvolver na direção do que somos hoje fisicamente. Nenhuma outra espécie de primata seguiu esta rota evolutiva, mas cada uma percorre caminhos paralelos.
Quando aceita o convite para tornar-se membro de uma expedição científica a bordo do navio Beagle, Darwin passa cinco anos (de 1831 a 1836) navegando pela costa do Pacífico e pela América do Sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas maiores à medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil. Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico, zoologista e homem de ciência. Esta viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida subsequente de pesquisador e escritor.
Não obstante, é de lamentar saber-se que, após 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies, há ainda quem admita que o homem foi criado do barro e a mulher da costela de Adão!

DARWIN E KARDEC

É oportuno lembrar o pensamento lúcido da bióloga e geneticista Hebe Laghi de Souza, no livro Darwin e Kardec: Um Diálogo Possível². Para ela, "A Bíblia encerra grandes lições, todavia, no que se refere às obras da criação, foi moldada pelos conhecimentos da época, pela capacidade de compreensão humana, bem diferente da atual".
Complementando tais considerações, finalizo com a palavra de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, no item 10 do capítulo IV de A Gênese³, obra publicada em 1868:

"Deveríamos, por respeito aos textos vistos como sagrados, impor silêncio à Ciência? Isso seria algo tão impossível quanto impedir a Terra de girar. As religiões, quaisquer que sejam, jamais ganharam coisa alguma sustentando erros evidentes. A missão da Ciência é descobrir as leis da natureza, ora, como essas leis são obras de Deus, elas não podem ser contrárias às religiões fundadas sobre a verdade. (...) Condenar o progresso, como atentatório à religião, é ir contra a vontade de Deus, sendo, por outro lado, trabalho inútil, uma vez que todas as maldições do mundo não impedirão que a Ciência avance, e que a verdade apareça. Se a religião se recusa a avançar com a Ciência, a Ciência avançará sozinha".

OS NEODARWINISTAS

É preciso fazer justiça a Charles Darwin na atualidade, e ela se impõe, em razão da vertente que hoje se denomina darwinista (na realidade, neodarwinista). Foram eles que preencheram lacunas deixadas por Darwin, com as leis da Genética, e atribuíram ao "acaso" aquilo que não puderam explicar, porque Darwin, após a conclusão de seu trabalho, chamou a atenção para o fato de que sua teoria não era capaz de explicar o todo, mas sim parte da evolução das espécies, e afirmou em seu livro que "a origem da vida foi planejada primitivamente por um criador".
Portanto, o criacionismo, no qual tudo deriva de Deus, é perfeitamente compatível com o evolucionismo, pois tudo na vida é de constante transformação. Assim, com toda razão podemos concluir que Charles Darwin, acusado injustamente de ser "assassino" de Deus e de ter "criado" o homem, indiscutivelmente é, na verdade, um grande revelador das sábias Leis do Criador.


BIBLIOGRAFIA

¹ THOMAS, Henry. A História da Raça Humana. 9.ed. São Paulo: Ed. Globo.

² SOUZA, Hebe Laghi de. Darwin e Kardec: Um Diálogo Possível. Campinas: Centro Espírita "Allan Kardec" - Departamento Editorial, 2002.

³ KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: CELD, 2003.

Publicado no Jornal Correio Espírita Setembro - 2008 - edição 39


endereço: http://www.correioespirita.org.br/

imagem: ccepa.blogspot.com


segunda-feira, 1 de março de 2010

EXPANSÕES DO PRINCÍPIO INTELIGENTE


Dr. Jorge Ândrea

Nos impulsos que a vida planetária nos vai mostrando, anotamos uma ordem bem elaborada a corresponder a uma finalidade que, nos dias atuais, apesar das técnicas existentes, nos escapa inteiramente uma adequada explicação.

O que vemos nos reinos da natureza, a partir dos minerais até o reino hominal, é de tal complexidade os ordenados aspectos morfológicos, que não podemos deixar de atribuir, tais manifestações, como conseqüências de leis responsáveis por tais eventos.

No reino mineral são expressivas as forças da atração e coesão das moléculas, a organizarem os diversos e bem ordenados sistemas cristalográficos, traduzindo orientação e equilíbrio na formação desse reino.

No reino vegetal as manifestações se mostram mais avançadas, onde a fotossíntese representa expressiva aquisição. Neste reino, a molécula orgânica afirma-se e já propiciando elementos construtivos da escola evolutiva dos seres.

O reino mineral é o reino que define as unidades inorgânicas, mesmo dentro de suas combinações, divergindo do vegetal, onde a matéria orgânica cresce, expandindo-se e combinando-se em muitos e novos elementos. Tudo, é como se um princípio-organizador, limitado no reino mineral, alcançasse novas possibilidades e atributos na organização vegetal, propiciando múltiplas combinações que se vão expressando na conhecida irritabilidade celular. Ao mesmo tempo, observam-se reações em face às condições do meio, como o heliotropismo, as variações de acidez e alcalinidade e muitas outras elaborações bioquímicas. Neste meio, os processos seletivos da quimiossíntese já apresentam novos avanços a expensas das bactérias, em que muitas delas fazem parte do reino animal.

No reino animal as elaborações são bastante complexas; além dos impulsos que lhe são próprios, consigo carrega as heranças dos reinos menores que o seu. Na fase animal, com as condições do próprio sustento relacionado ao meio onde militam, existem as novas condições equacionadas nos equilibradores orgânicos.

No reino animal podemos registrar que os campos organizadores (princípio inteligente), pertencentes a uma "massa-diretora" (alma-grupo) própria a cada espécie, nos animais de constituição mais complexa haveria uma dispersão da "massa-energética", a fim de que as "sementes" de seu conteúdo (individualidades espirituais em formação) fossem ocupando as organizações físicas; isto é, cada ser com o seu próprio princípio inteligente. Esta condição poderá ser observada a partir dos répteis, por já terem organização física mais avançada e já possuidores, na massa cerebral, de uma glândula específica (glândula pineal), embora em fase inicial sob a denominação de olho pineal. Diz-nos André Luiz (Espírito) que nesses animais podemos considerar o início do processo de individualização espiritual (princípio inteligente em elaboração), isto é, já existiria o princípio inteligente independente a comandar o processamento da vida física, com mais expressividade, pelo auxílio do olho pineal.

O princípio espiritual, trilhando independente na escala animal, aprimorando-se cada vez mais, inclusive família dos primatas, alcançaria, no homem, sua mais expressiva demonstração a expensas da glândula pineal (relógio biológico) É como se houvesse, há milhões de anos, uma elaboração onde a memória fragmentária dos animais fosse, a pouco e pouco, adquirindo novas condições até alcançar, no hominal, a memória contínua (renovações reencarnatórias); nesta, o raciocínio seria acompanhado de novos fatores, inclusive os afetivos, a refletirem-se nos potenciais da responsabilidade (nascimento do livre-arbítrio). Assim, do Ardipithecus ramidus, alcançando evolutivamente os australapithecus (aferensis, africanus, robustus), chegasse ao homo-habilis e seus continuadores, o erectus e o sapiens do reino hominal, em condições do mais expressivo estado de consciencialização.

Consideremos de importância, toda série evolutiva, a existência de um processo atrativo entre seus congêneres, que podemos considerar como sendo de sexualidade, com imensas variações e vivências, de modo mais expressivo a partir dos vegetais. Neste reino vegetal, os impulsos de sexualidade mostram a sua dinâmica, com variações e oscilações, entre o hermafroditismo (plantas fanerogâmicas e a reprodução sexuada (plantas criptogâmicas).

Nos amimais, essas forças reprodutivas, mesmo diante da complexidade física que já carregam, existem oscilações, onde aqui e ali, observam-se o hermafroditismo e ensaios da homossexualidade. É preciso acentuar que as variações homossexuais observadas em animais não refletem danos, por não existirem os fatores de conscientização que caracterizam a psique contínua (hominal) e que são inexistentes na memória fragmentária. Atitudes dessa ordem, por serem instintivas, não produzem reflexos destoantes nos componentes das forças criativas do princípio inteligente. Este mecanismo pode ser considerado como uma necessária acomodação de energias, com finalidade de desagúe das funções instintivas de sexualidade imperativas da organização material.

Por tudo isso é que existe, na grande maioria dos animais, tão somente, a fase de sexualidade reprodutiva refletida no cio, como necessidade reprodutiva em virtude da psique fragmentária que possuem. No caso da espécie humana, onde a sexualidade se mostra de totalidade, atenderá não somente a reprodução, mas, também as organizações afetivas da zona espiritual. Esta última condição, somente se mostrará eficiente se houver o desenvolvimento do amor responsável divergente dos impulsos periféricos que apenas visam os sentidos materiais como verdadeiras descargas energéticas, sem condições éticas, a se perderem num vazio psicológico. Isto quer dizer que o mecanismo de sexualidade, com seus fortes componentes energéticos atados às forças criativas do espírito, necessita de compreensão, educação, responsabilidade e bom direcionamento, por ser um dos alicerces construtivos da evolução.

A complexa linha da vida planetária, com seus 3,5 bilhões de anos de existência, se considerarmos todo esse tempo representando apenas I ano, segundo alguns antropólogos, os répteis apareceram em meados de dezembro e o homem nos últimos 2 segundos.

O homem é recente no planeta (1 milhão e 600 mil anos). O homem autóctone, aquele que foi o resultado do aperfeiçoamento dos primaras, deveria ter passado um bom tempo até alcançar o chamado período paleolítico ou da pedra lascada, cuja máxima aquisição foi o fogo; sua palavra ainda rudimentar, cujo pensamento se foi transformando, lentamente, do fragmentário da fase animal ao contínuo do reino hominal, onde múltiplos fatores se encontram coligados.

Segue-se o período neolítico ou da pedra polida, cujas acentuações vocais, auxiliadas possivelmente, pela música, já formavam palavras, embora reduzidas e muito pobres. Essas novas condições de comunicação propiciavam a formação de grupos humanos, cada vez mais acentuados, contribuindo na criação, embora lenta, da agricultura e conseqüente fixação no solo.

A pouco e pouco a evolução progride no reino hominal e imensas raças se vão formando, como, também, evoluindo a linguagem. Esta, a princípio partindo das inflexões vocais, como autênticos gritos de alarme, vão lentamente alcançando as línguas monossilábicas de caráter bastante pobre. No impulso sempre presente da evolução, as línguas flexíveis se vão articulando em seus vocábulos móveis.

Com os milênios, aparecem as línguas chamadas analíticas, cujas palavras definem ideias, como, também, os ideogramas que alcançaram posições interessantes na civilização egípcia, chinesa e no Japão antigo.

Nos dias atuais, estatísticas nos mostram que a língua mais falada é o mandarim, alcançando 900 milhões de chineses, sendo que, variados grupos em volta de 400 milhões, falam incontáveis dialetos. A seguir vem o inglês, seguindo-se o hindi, na Índia, ao lado de muitos dialetos. Posteriormente, o espanhol, o russo, o bengali e o português.

Bem claro e compreensível que houve nascimento de imensas misturas lingüísticas, em face das circunstâncias que o meio oferecia, choques de comunidades, miscigenações múltiplas e as variações raciais que se foram ampliando e divergindo das quatro raças básicas, refletidas na caucásica, mongol, negra e australoide.

Uma questão que sempre se encontra no pensamento de muitos estudiosos, é de como se formaram todas essas variações raciais. Grande parte dessas não pode ser computada, tão somente, na dependência dos fatores do meio, embora muitos antropólogos tenham como certo que o reino hominal despertou em várias frentes no planeta. Mesmo assim, diante de tais fatos, devemos considerar as informações espirituais, cujos registros são fidedignos, da existência de espíritos de outros orbes reencarnando na Terra em variados

momentos. O livro mais divulgado que faz tal referência. Os Exilados de Capela, anota que determinado planeta, na constelação do Cocheiro, alcançando patamar espiritual mais avançado, ainda continha em sua psicosfera Espíritos que não possuíam condições de acompanhar os novos acontecimentos evolutivos. Desse modo, foram direcionados à Terra a fim de impulsionar os hominais em sua fase inicial. Esta condição possibilitaria colocar na Terra Espíritos com algumas experiências, propiciando novas condições mais avançadas.

Aceitamos, realmente, a existência dessa possibilidade dos exilados de Capela, porém, em face das variações acentuadas de raças, seria possível que Espíritos de outras civilizações, também aqui aportassem em semelhantes condições, a fim de contribuírem nas impulsões evolutivas, com novos recursos experienciais. Os fatores do meio ambiente, tão somente, não poderiam explicar tamanha divergência.

Nesta contingência, os milênios se escoaram até que o reino hominal terráqueo pudesse, com experiências reencarnatórias de todos os matizes, ir formando civilizações com o imenso trabalho de suas próprias aquisições. O impulso evolutivo mais expressivo que pode ser anotado na morfologia humana, foi a elaboração dos potenciais da zona cerebral, com seus respectivos hemisférios, onde o lobo frontal pode ser considerado o mais expressivo pelas funções que lhe são atribuídas. Assim é que registramos a testa obliqua dos primatas (lobo frontal reduzido) que, percorrendo os seus diversos ramos, até alcançar o homo-sapiens em suas inúmeras vivências, vai verticalizando a testa pelo desenvolvimento do lobo frontal. Neste, os processos conscienciais vão alcançando os níveis mais expressivos das funções psíquicas, em que o raciocínio passa a ser expressão mais avançada da memória contínua. Outras funções superiores se vão mostrando, refletidas, principalmente, no livre-arbítrio que se encontra atado ao fator responsabilidade em seus diversos graus.

Pela imposição evolutiva ser humano vai sempre adquirindo novas funções psicológicas, em que podemos salientar os fatores que definem o processo analítico e o sintético, a se mostrarem, amiúde, no quotidiano da caixa cerebral.

É bem verdade que o sector cerebral não é o criador dos fenômenos, mas a zona que expressa, a seu modo e possibilidade, as funções mais específicas da zona perispiritual que, por sua vez, é a tradutora e divulgadora das energias espirituais de profundidade. Assim, pela nossa cerebração, podemos compreender uma vasta fenomenologia percebida mesmo assim, ainda estamos longe de compreensão de suas imensas possibilidade. Assim pela nossa cerebração, podemos compreender uma vasta fenomenologia percebida pelos processos analíticos, além de outros tantos, mais avançados, pelos mecanismos sintético-intuitivos e, o que é mais interessante, o conhecimento e o estudo que hoje possuímos sobre a fenomenologia paranormal.

A ciência já possibilitou compreendermos as condições de análise e síntese que o nosso cérebro expressa. Os fenômenos analíticos estariam, nas manipulações psicológicas, a expensas do hemisfério cerebral esquerdo, cabendo ao direito as expressões de conjunto e totalidade, tal acontece com a intuição em seus diversos estados criativos. Também, será fácil de compreender que os mecanismos ligados, ora na análise, ora na síntese, encontram-se imbricados, ficando difícil demarcá-los; entretanto, quando existe predominância de uma dessas vertentes, a possibilidade de avaliação será de mais fácil compreensão.

Todos esses elementos funcionais como de elaborações cerebrais, antes de mais nada, são energias que aportam e que, nas vivências do dia-a-dia reencarnatório, vão apresentando clarificações e melhores conceituações sobre o psiquismo humano. Este, apesar do que já conhecemos e que se amplia na vertigem de novas técnicas, possibilitando transformações de toda ordem no planeta, Será no caminho do trabalho idealista, sempre acompanhado dos valores de uma ética sadia e envolvida, cada vez mais, no amor, que compreenderemos com mais expressividade a causa evolutiva, suas reais razões e principalmente nossa posição no cenário do Universo.


Fonte: Revista Presença Espírita nº 230

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo537.html
imagem:
portais.org

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MEDIUNIDADE E A EVOLUÇÃO DO PSIQUISMO


Dr. Jorge Ândrea

A dinâmica mediúnica revela um estado alterado de consciência; portanto, um autêntico estado de transe.

Transes existem de vaiada natureza, razão porque devemos estar atentos para as devidas distinções e avaliações. Assim é que podemos presenciar os transes ligados a ausência de oxigênio no sangue (anóxia), as doses oscilantes de glicose no sangue comuns dos diabéticos, além de outros transes causados por distúrbios metabólicos. Também substâncias farmacológicas, tais como álcool, drogas diversas (cocaína, maconha, heroína, etc.) são desencadeadoras de tal processo. Ainda mais, estão inclusos nestes parâmetros o transe hipnótico e aqueles observados nas distonias mentais(epilepsia, histeria, etc.).

O transe mediúnico, por ser condição fisiológica e absolutamente hígida, ou seja, saudável, necessita de avaliações e apreciações cuidadosas, a fim de não ser confundido com outros setores, principalmente o patológico, aliás o que já deu margem a intensos desencontros.

A dinâmica mediúnica, por se desenvolver em vários setores do psiquismo humano, é fenômeno de extrema complexidade, onde muitas nuanças nos escapam.

‘Quando a entidade espiritual procura comunicar-se com a organização psíquica do médium, ambos em sintonia buscam entrosamento. De um lado, o Espírito (vontade-apelo), do outro, o médium (vontade-resposta), a fim de que o mecanismo de ideação possa desencadear-se, nos diz André Luiz.

Inicialmente os campos de entrosamento se fazem através das respectivas zonas perispirituais - irradiações perispirituais do Espírito e recepção perispiritual do médium - que, assim enredados, dirigem-se aos campos físicos do receptor para as devidas elaborações psicológicas. Dessa forma, haverá necessidade de transformações nos respectivos campos do psiquismo. As energias vindas da dimensão hiperfísica (campos perispirituais) sofrerão transformações no psiquismo do médium, a fim de que o processo intelectivo se instale fornecendo a informação - mensagem.

Ante as informações espirituais, principalmente de A. Luiz, e os estudos realizados em França pelo dr. Thiebault, a glândula pineal está sendo novamente reconhecida como elemento valoroso nos processos nobres do psiquismo. Não seria apenas uma glândula passageira a controlar o sexo nos primeiros anos de vida, com posterior apagamento funcional, mas uma unidade endócrina de grande valor a responder por autêntico campo de filtragem, onde os dígitos de características perispirituais (dimensão hiperfísica) fossem transformados e adaptados para as recepções neuroniais da base cerebral(tálamo e hipotálamo). Daí as impulsões seriam direcionadas para a região cortical onde a intelecção se processará, proporcionando condições para o nosso entendimento intelectual. É bem possível que as coisas se passem dessa forma, acompanhando processos sutis, e ainda não definidos, de neurotransmissão.

Assim, a impulsão perispiritual da entidade perispiritual, captada pelo perispírito do médium, em acoplagem de mútua aceitação, passaria aos campos físicos da intelecção, após processo de seleção e autocrítica realizado nos campos perispirituais do médium ou zona inconsciente. Este processo seletivo e auto-crítico estaria relacionado ao grau de moralização do médium, cuja elaboração se faria, compreensivelmente, sem a análise ou conhecimento da zona consciente. É como se fora um mecanismo de automatismo inconsciente.

O médium moralizado e ajustado jamais deixará passar a mensagem em termos grosseiros e agressivos. As retificações serão elaboradas sem modificações da essência das mensagens, porém demonstrando o "colorido" do médium. Não haveria inserções anímicas do próprio médium, mas uma filtragem de ajuste a demonstrar as características[ individuais que o receptor possui. As mais perfeitas e ajustadas mensagens, sempre mostram o "selo" da máquina onde foram operadas. Com isso, jamais queremos dizer que o fenômeno autêntico seja combinado com fatores anímicos do médium, embora existindo mensagens que demonstram tais condições.

Isso vem mostrar a importância do estudo da Doutrina Espírita, por ter sido quem melhor elaborou as condições de exercício da mediunidade, como um dos adequados caminhos de evolução psicológica. Exercício de mediunidade será o constante impulso de aperfeiçoamento a buscar todas as angulações no bem.

Nessa síntese, tentativa de descrição do fenômeno mediúnico, conhecido, comumente, como sendo mediunidade de incorporação (termo inadequado), são imensas e incontáveis as variações que, por sua vez, estariam atadas aos biótipo psicológicos de cada ser. Conforme as zonas dos centros corticais(no cérebro) que fossem mais solicitados, teríamos as variações mediúnicas refletidas nas conhecidas psicografias, psicofonias (zonas da linguagem), vidência(centro visuais) e tantas outras modalidades onde as ativações de locais específicos se mostrem mais contundentes.

Como não existem, no panorama da vida, posições estáticas, a dinâmica mediúnica avança em constante desenvolvimento, onde o processo de incorporação em suas variedades - consciente, semiconsciente e inconsciente - estarão na dependência da solicitação e dominância do comunicante (entidade espiritual).Desse modo, o processo mediúnico vai sendo como que, a pouco e pouco, substituído, sem apagamento definitivo, por mecanismo em que o próprio médium tem uma atuação mais dominante e efetiva.

Na mediunidade de incorporação, a irradiação da entidade espiritual que se comunica é bem mais ativa do que a posição do médium, que se torna mais passiva. Esta condição pode ser denominada de mediunidade receptiva - o médium com sua passividade recebe o que lhe é imposto pelo comunicante.

No segundo caso, onde o médium exerceria, pela sua vontade, uma espécie de procura sobre as condições dos seus porquês, ele impõe, mesmo de modo inconsciente, forte carga afetiva-emocional, o que propiciaria alargamento e ampliação de suas antenas mediúnicas (campo de irradiação perispiritual). Com isso, passaria a trafegar nas correntes superiores de pensamento, buscando idéias mais precisas na definição das suas inquirições. Neste caso, teríamos a outra variedade mediúnica que poderíamos chamar de mediunidade captativa. A região cerebral mais adequada a tal cometimento seria a dos lobos frontais, onde centros nervosos específicos devem existir em virtude de suas apuradas funções, ao lado da ajuda e ativação do hemisfério cerebral direito; enquanto que, no outro tipo mediúnico(processo receptivo), as zonas do centro cerebral seriam as mais solicitadas. No mecanismo receptivo prepondera o processo analítico, no mecanismo captativo o processo sintético; no receptivo, portanto, o intelecto, no captativo a intuição. Hoje temos como assertiva que o lado esquerdo do cérebro, onde existem os centros de linguagem, é região da programação racional, dos fatos analíticos que compõem o nosso dia-a-dia da pesquisa intelectiva. O lado direito do cérebro estaria ligado aos processos criativos, imaginativos, aos dons artísticos e todos os componentes da intuição.

Desse modo, o fator evolutivo que acompanha a vida na sua eterna busca do Infinito também estaria presente na dinâmica mediúnica, onde a variedade denominada incorporação, de características analíticas, iria avançando para uma posição mais abrangente de totalidade, de síntese, a desembocar nos fatores da intuição.

Será bem lógico de compreender-se que os degraus evolutivos terão de ser experienciados, e que não se pode ter as antenas da intuição ativadas e bem ajustadas se não houver passagem pelos degraus das posições analíticas que, por sua vez, em esgotando os potenciais por maturação de vivências, despertariam no degrau superior, onde a intuição mostra uma nova gleba a ser trabalhada e elaborada. A mediunidade que vem acompanhando o homem, através das conhecidas civilizações se irá beneficiando dos imensos fatores aquisitivos, reconhecidos no dia-a-dia pelas pesquisas da ciência e da filosofia. Esta última, por sua vez, oferece no desfile dos pensamentos as condições éticas para um estado de religiosidade. Assim, o homem inquieto dos dias presentes, na busca de seu próprio estado de religiosidade, não mais atende moldes religiosos constituídos de aparatos externos, mas, sim, a busca de um Deus na intimidade de sua própria consciência.

Fonte: Revista "Presença Espírita", jan./fev.de 1994


endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo588.html
imagem: internet


sábado, 5 de dezembro de 2009

REGISTROS INDELÉVEIS DA EVOLUÇÃO ANÍMICA


Ciência Ajuda a Entender a Evolução

Renato Costa – rsncosta@terra.com.br

O neurologista americano Paul MacLean é o autor da teoria segundo a qual nosso encéfalo atual reflete a evolução que sofreu ao longo das eras.

MacLean acredita que nossa caixa craniana contenha não um, mas três encéfalos, sendo cada um deles o registro de um estágio diferente de nossa evolução. Ele chama seu paradigma de “Encéfalo Triúnico”.

Segundo ele, os três encéfalos operam como computadores biológicos interconectados, cada um com sua própria inteligência, sua própria subjetividade, seu próprio senso de espaço e tempo e sua própria memória. Cada um dos três encéfalos é conectado aos outros dois, mas opera como um cérebro individual com capacidade própria.

O encéfalo mais antigo está situado atrás e embaixo. O mais recente, na parte superior dianteira. O intermediário, entre eles, na parte central.

O mais antigo dos três encéfalos é o reptiliano, primitivo ou arquipálio, que MacLean também chama de “Complexo-R”. Corresponde ao cerebelo e ao tronco encefálico (mesencéfalo, ponte de Varólio e bulbo raquidiano). É responsável pelos processos de auto-sustentação do corpo, como a respiração, o batimento cardíaco e o sono, assim como pelos rituais imutáveis de aproximação, ataque, vôo e acasalamento, processos que não requerem controle consciente, mas que são essenciais à vida do animal, tanto que o encéfalo reptiliano jamais para de funcionar, nem durante o sono profundo. O encéfalo reptiliano não muda, não aprende com a experiência. A ele se limita quase a totalidade do encéfalo dos répteis atuais, tendo estado presente nos répteis que precederam aos mamíferos, há cerca de 240 milhões de anos. O encéfalo reptiliano corresponde ao comportamento mecânico, puramente instintivo.

A maioria dos mamíferos compartilha conosco o encéfalo paleomamífero (mamífero antigo), que corresponde ao sistema límbico, a parte média do encéfalo. MacLean acredita ter ele surgido após o encéfalo reptiliano, há cerca de 60 milhões de anos, tendo sido acrescentado a este último. Os mamíferos primitivos tinham um encéfalo constituído basicamente do encéfalo reptiliano somado ao sistema límbico.

O encéfalo paleomamífero contem o hipotálamo, o tálamo, o hipocampo e a amígdala, que são considerados responsáveis pelas emoções e instintos emocionais como comportamentos relacionados à alimentação, competição e sexo. Essas emoções são importantes tanto para o indivíduo quanto para a espécie. O encéfalo paleomamífero é capaz de aprender, pois retém memórias de emoções que resultam das experiências onde o animal sentiu prazer ou dor em maior ou menor grau. O encéfalo paleomamífero responde pelo comportamento emocional.

O neocórtex, córtex ou neopálio é o encéfalo principal dos primatas, que foram dos últimos mamíferos a aparecerem. Ele constitui cerca de cinco sextos da massa total do encéfalo humano, tendo evoluído no último milhão de anos. MacLean o chama de encéfalo neomamífero, o que significa mamífero recente. Todos os mamíferos possuem neocórtex, mas somente nos primatas e cetáceos ele é particularmente importante. Esse encéfalo neomamífero é responsável pelas funções cognitivas mais nobres, como a linguagem e o raciocínio. O neocórtex é responsável pelo comportamento racional.

Como vimos, todos os três encéfalos colaboram para produzir o comportamento dos mamíferos e do homem, em particular, que, conforme as necessidades e circunstâncias, ora mostra-se predominantemente mecânico, ora emocional e ora racional.

Para melhor compreendermos o quanto a teoria de Maclean fala da evolução anímica, convém termos em mente a função organizadora do perispírito. Esse corpo sutil de que dispomos e que, junto do Princípio Inteligente, do qual jamais se separa, constitui o Espírito, funciona como uma formidável memória transpessoal onde ficam registrados todos os eventos por que passou o ser em suas inúmeras passagens pela vida física e os efeitos desses eventos por força da Lei da Causalidade.

Assim, se no cérebro físico encontramos um encéfalo reptiliano, por exemplo, é porque existe, no encéfalo sutil, um encéfalo reptiliano que lhe serviu de molde. E, mais, que esse encéfalo reptiliano sutil que se acha no perispírito é registro indelével da história anímica do ser.

Seguindo nossa linha de raciocínio, poderíamos nos perguntar, a aceitar como válida a hipótese de evolução do homem vindo de espécies e reinos inferiores, o porque de não existirem no encéfalo sutil do perispírito os registros das passagens por estágio algum anterior ao de réptil. A resposta, a nosso ver, se encontra na tese de André Luiz e trabalhada por Jorge Andréa, de que a individualidade se define quando aparecem nos animais as primeiras células da futura glândula pineal ou epífise.

Muitos peixes e todos os répteis, aves e mamíferos hoje existentes possuem a epífise. Tal, no entanto, pode não ter sido realidade na Era Mezozóica, quando, há 240 milhões de anos, segundo os cientistas acreditam, répteis originaram os primeiros mamíferos. O Tuatara é um pequeno réptil, existente em algumas ilhas ao norte da Nova Zelândia, que possui um terceiro olho que se une a um primitivo corpo pineal. Ele é um fóssil vivo, único exemplar de uma família que existe desde a Era Mezozóica, o que nos permite inferir, utilizando a tese de André Luiz e Jorge Andréa, que os répteis que originaram os mamíferos tinham uma epífise pelo menos tão rudimentar quanto a dele, levando, ainda mais, à conclusão de que nenhuma espécie na história evolutiva daqueles mesmos répteis antes que eles se tornassem répteis tivesse a dita glândula.

Antes do aparecimento da epífise, como explica Jorge Andréa, a alma-grupo-da-espécie tinha ascendência sobre os vórtices individuais em início de formação. Desse modo, é natural que os registros anteriores à definição da individualidade tenham sido gravados no molde organizador da alma-grupo da espécie de onde a mesma se originou. Daí o não estarem presentes no encéfalo triúnico atual.

Como vimos, o modelo proposto pelo neurologista MacLean é bastante elegante e útil, servindo para explicar, de um modo claro e didático, como ocorreu a evolução humana, desde os instintos mais primitivos da vida autônoma até o uso das atividades mais nobres da mente, a razão e a consciência, passando pela etapa intermediária de aprendizado para adaptação ao meio.

Outra característica interessante do modelo de MacLean é que ele permite que imaginemos o aparecimento de novas camadas em nosso encéfalo, à medida que formos galgando os patamares que nos levarão à perfeição.

Ao atingirmos o próximo patamar, como ocorreram nas transições anteriores, o encéfalo hoje intitulado de neomamífero deixará de abrigar as funções mais nobres da mente, passando as funções mais nobres, que certamente não serão as mesmas a que chamamos hoje de “nobres”, a serem processadas em novas camadas que irão surgir. Com esta visão parece coincidir a constatação de que os Espíritos evoluídos são incapazes de fazer o mal. Fazer o bem teria, quem sabe, passado a fazer parte de seus instintos.

Infelizmente, a Ciência nunca se preocupou em examinar o encéfalo dos homens e mulheres santos que vieram ao mundo, detendo-se exclusivamente em estudar cérebros de figuras marcantes da política, das artes ou da própria Ciência. O exame do cérebro de um São Francisco de Assis, de uma Santa Tereza d’Ávila, de um Mahatma Ghandi ou de um Chico Xavier teria revelado a existência de um encéfalo tetraúnico? Teria revelado um encéfalo triúnico, mas com sete e não seis camadas no neocórtex? Essas são perguntas cujas respostas ficamos, por ora, a ignorar.

BIBLIOGRAFIA


ANDRÉA DOS SANTOS, Jorge. Impulsos Criativos da Evolução. 3.ed. Rio de Janeiro: Societo Lorenz, 1995.

DO AMARAL, Júlio Rocha, MD e MARTINS E OLIVEIRA, Jorge MD, PhD. Limbic System: The Center of Emotions. Obtido, em 27/01/2003, de http://www.epub.org.br/cm/n05/mente/limbic_i.htm.

MILLER, Richard Alan. The Biological Function of the Third Eye. Obtido, em 03/02/2003, de http://www.bleehoney.org/ThirdEye.htm.

SCARUFFI, Piero. Book review of Paul MacLean’s The Triune Brain in Evolution. Obtido, em 27/01/2003. de http://www.thymos.com/mind/maclean.html.

Triune Brain Theory – Three Brains in One. Obtido, com imagens, em 01/02/2003, de http://www.mareshbrainsatwork.com/B2B/index.htm.

Tuatara – The World’s Most Unique Reptile. Obtido, em 01/02/2003, de http://www.bigjude.com/Tuatara.html.

XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Evolução e Cérebro. In: ______. Evolução em Dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz. 13.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.

ZIMERMANN, Zalmino. Perispírito. Campinas: CEAK, 2000.

(Este artigo foi originalmente publicado na Revista Internacional do Espiritismo, edição de Abril de 2003)

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo65.html
imagem:
portaslivres.blogspot.com


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails