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domingo, 1 de janeiro de 2012

O PASSE ESPÍRITA


Aluney Elferr Albuquerque Silva

Sobre o assunto, Kardec tratou sobre o aspecto geral de CURAS e nos demonstra que "este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o uso de qualquer medicação". (L. M. Cap. Xiv - 175 - 2 Parte).

Kardec questionava, pois entendia que o fenômeno não passava de magnetismo, mas sua perspicácia de cientista demonstrava que alguma coisa a mais existia.

Expôs que geralmente todos os magnetizadores são aptos a curar. Examinando mais profundamente o assunto, nos demonstra que diferente do magnetizador é o médium curador, uma vez que esta faculdade é espontânea, e que alguns a possuem sem terem tido, jamais, conhecimento do magnetismo. É assim que nos assinala que neste caso existe a intervenção de uma potência oculta, que é o que realmente constitui e caracteriza a mediunidade.

No item 176, do capítulo mencionado, Kardec formula uma série de perguntas que é importante analisar.

"Pergunta - Podem considerar-se as pessoas dotadas de força magnética como formando uma variedade de médiuns?
Resposta - Não há que duvidar.

Pergunta - Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha.
Resposta - É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio... ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias".

Por aí vemos que no mecanismo da cura pelo Passe, são os Espíritos que conduzem o processo, pois que:

  • Aumentam nossos fluidos
  • Dirigem nossos fluidos
  • Qualificam nossos fluidos

Na 6ª pergunta, desejando saber se nas pessoas que possuem o dom de curar, se haveria também ação magnética ou apenas influência dos Espíritos, obteve como resposta: "uma e outra coisa. Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois que atuam sob a influência dos espíritos".

CONCEITOS

Segundo Kardec, a ação fluídica se transmite de perispírito a perispírito, e deste ao corpo material. (Rev. Espírita - Ano Viii - Setembro 1865 - Volume 9 - Pag. 258).

Tal assertiva é hoje comprovada cientificamente, o que demonstra o papel importantíssimo do perispírito na economia orgânica. A comprovação temos em várias obras e principalmente no livro de Sheila Ostrander e Lynn Shoroeder, "Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro", à pag. 243, quando nos diz: "Os trabalhos preliminares com a fotografia Kirliana até agora parecem indicar que a cura psíquica envolve uma transferência de energia do corpo bioplasmático do curador para o corpo bioplasmático do paciente.

Sendo o intermediário entre o corpo e o espírito o perispírito possui esta característica de receptor e transmissor.

As mudanças ocorridas nesse nível finalmente se refletem no corpo físico e, segundo se afirma, curam-no.

Que é o Corpo Bioplasmático, energético, da ciência?

Nada mais que o Perispírito, que Kardec nos revelou há 142 anos.

Assim é que segundo Kardec, o passe, é a transferência de fluidos de perispírito para perispírito. (A Gênese - Cap. Xiv - Item 31).

No movimento espírita, existem outros conceitos, tais como:

"É uma transfusão de energias psíquicas..."

(Emmanuel - O Consolador - questão 99)

"É uma transfusão de energias regeneradoras..."

(Marco Prisco - Ementário Espírita)

"Não é unicamente transfusão de energias anímicas. É o equilibrante ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos".

(André Luiz - Opinião Espírita - cap. 55)

"...O passe é transfusão de energias fisio-psíquicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em teu benefício".

(Emmanuel - Segue-me - cap. O PASSE).

A FÉ E SUA INFLUÊNCIA NOS PROCESSOS DE CURAS

Verificamos três importantes assuntos no campo do passe, que são também deveras preponderantes para que a ação fluídica transmitida ao enfermo possa gerar profundo restabelecimento.

O poder da fé demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível.

Daí decorre que, aquele que, a um grande poder fluídico normal, junta a FÉ, pode só pela força de sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenômenos de cura e outros mais, tidos antigamente por prodígios, milagres, mas que não passam de efeitos de uma lei natural, tal o motivo que levou a Jesus dizer a seus apóstolos: "Se não curastes, foi porque não tendes fé". (Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap 7).

Na verdade não há muito o que interpretar destas palavras de Kardec; apenas queremos aqui ressaltar a ponte existente entre a fé e a ação fluídica por obra da força de vontade. Torna-se desnecessário dizer, que na ausência da fé, por parte do passista, é a anulação prática de seu poder fluídico e, no paciente é a falta do catalisador fundamental do restabelecimento. Conforme Kardec nos assevera : "Entende-se por fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim." . A A fé que compreendendo o mecanismo de atuação acredita patentemente na assistência invisível no momento da ação fluídica. Não vamos confundir a fé com presunção, pois a fé é humilde.

Tanto quem doa como também quem recebe esta fé deverá ser uma diretriz muito importante no resultado das atividades fluidoterápicas.

MERECIMENTO

Para podermos em profundidade entender o merecimento faz-se necessário recorrer à teoria da reencarnação. Como esse tema, por si só, comporta muitos volumes e não é o nosso objetivo nesse estudo, nos limitaremos a um raciocínio de Kardec, simples e por demais objetivo, o qual se não leva os descrentes a aceitar a reencarnação, pelo menos os induz a pensar e reconhecer, logicamente que sua possibilidade é mais racional e justa que sua negação pura e simples. "Por virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa, tais misérias (doenças incuráveis ou de nascença, mortes prematuras, reveses da fortuna, pobreza extrema, etc.) são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na visa atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente a esta." (Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap 5).

Isto posto, afiançamos que a questão do merecimento está diretamente ligada aos débitos do passado, tanto desta quanto de outras vidas, como aos esforços que vimos empreendendo para nos melhorarmos física, psíquica, moral e espiritualmente.

Porventura, se na vida anterior envolvemos a nós mesmos em pesados delitos, tendo comprometido igualmente nosso perispírito, teremos que assumir também as conseqüências de tais mazelas. Sendo o nosso órgão espiritual comparado a uma esponja que a tudo absorve, seguramente transferirá ao novo corpo as deficiências localizadas, as quais, dependendo da extensão e gravidade das faltas, demorarão para se reharmonizar, envolvendo-nos no aprendizado de valorização das reais finalidades orgânicas.

Por outro lado, se temos qualquer problema, que tomamos aqui, o fumo, e devido a esse fumo temos problemas pulmonares e queremos nos tratar, mas não largamos o cigarro, por mais ingentes sejam os esforços fluídicos empregados para o restabelecimento, tudo redundará em falhas ou ineficiência, no mesmo caso acontece, com os problemas psíquicos (cármico), e não nos esforçamos por melhorar nosso mundo mental, nosso padrão vibratório, nosso campo psíquico, dificilmente conseguiremos atingir nosso desiderato. Situações tais, vulgarmente chamadas de "ausência de merecimento", são fatores a serem considerados nos tratamentos fluidoterápicos.

Como a situação da falta de merecimento está vinculada diretamente com nossa inferioridade, poucos são os que aceitam tal explicação com tranqüilidade, pois, mesmo sendo quem somos, nos acreditamos melhores do que na realidade o somos e , por isso mesmo queremos "driblar" a espiritualidade fazendo rápidas e curtas e diria também sem sentimentos boas ações, com isso imaginando adquirir a "senha" do merecimento. E Aí, verificamos algumas opiniões sobre os passistas, no sentido de que eles não são "bons", não estão "amparados pelos espíritos", que não "servem para tal", e outras mais, todavia costumeiramente nos esquecemos que às vezes existe maior merecimento em continuar enfermo do que saudável.

Finalizando, diremos que não existe tratamento impossível, pitadas de altivez, animo, força de vontade, crescimento moral, fé são também disposições que permitimos a nós mesmo para uma futura melhoria física ou espiritual. E lembrando a máxima de Jesus que " a fé transporta montanhas".

A VONTADE

Iniciemos seu estudo com Kardec: " Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como há de explicar a ação material de tão sutil agente? - A vontade é atributo essencial do espírito. Com o auxílio desse alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas. Tanto quanto do espírito errante, a vontade é igualmente atributo do espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe esta na razão direta da força de vontade. Podendo o espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. (Livro dos Médiuns, cap 8, item 131).

A clareza e a objetividade destas palavras não nos deixam dúvidas. Tratam desde a origem, a sede da vontade, até seu alcance, sua desenvoltura, ligando-lhe a intensidade tais sucessos magnéticos da cura. A vontade, não podendo ser confundida como uma técnica em si, é a propulsora da ação fluidoterápica por excelência, tanto a nível de emissão fluídica como de recepção. Falamos recepção, pois também somos conhecedores que a vontade firme de receber absorve com maior profundidade e eficiência a ação fluídica do magnetizador e dos espíritos envolvidos na tarefa.

E os espíritos ainda, nos garantem que ela ( a vontade) pode ser aumentada por suas influências e ajuda, indiretamente confirmando-nos que, de fato, somos por eles dirigidos. (Livro dos Espíritos, questão 459).

" Compreendemos que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesmo os agentes de luz ou de sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade". (André Luiz, Mecanismos da Mediunidade, cap 4 - Indução mental).

Então verificando todo o explanado acima, concluímos generalizando que só seremos bons passistas se, além dos caracteres anteriormente já analisados, possuirmos uma vontade firme e ativa, a qual é construída com ação e vivência consciente, e não só com palavras.

O PASSISTA

" A mediunidade curativa consiste no dom que certas pessoas tem de curar pelo simples toque, pelo olhar ou por um gesto. Sem o concurso de qualquer medicação, sendo o médium um intermediário entre os espíritos e o homem. (Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, cap 14) É claro que não nos reportamos aos magnetizadores que desenvolvem as forças que lhe são peculiares, no trato as saúde humana. Referimo-nos, sim, aos intérpretes da espiritualidade superior, consagrados à assistência providencial dos enfermos para encorajar-lhes a ação, pois caracteriza-se mediunidade, desde que haja influência exterior ou melhor dizendo, espiritual. Decerto, o estudo da constituição humana lhes é naturalmente aconselhável, tanto quanto ao aluno de enfermagem, embora não seja médico, se recomenda a aquisição de conhecimentos do corpo em si. E do mesmo modo que esse aprendiz de rudimentos da medicina precisa atentar para a assepsia do seu quadro de trabalho, o médium passista necessitará vigilância no seu campo de ação, porquanto de sua higiene espiritual resultará o reflexo benfazejo naqueles que se proponha socorrer.

"Os encarnados de um modo geral, poderiam colaborar em semelhantes atividades de auxílio magnético? Perguntou André Luiz.

Todos, com maior ou menor intensidade, poderão prestar concurso fraterno, nesse sentido - e, porquanto, revelada a disposição fiel de cooperar a serviço do próximo, por esse ou aquele trabalhador, as autoridades de nosso meio designam entidades sábias e benevolentes que orientam indiretamente a neófito, utilizando-lhe a boa vontade e enriquecendo-lhe o próprio valor.

Todavia nas atividades de assistência espiritual, o passe é das tarefas mais delicadas, exigindo muito critério, responsabilidade e boa vontade. Os médiuns precisam revelar algumas qualidades de ordem superior entre as quais destacamos, como ideal a ser perseguido, as seguintes: (André Luiz, em Missionários da Luz, cap 19).

  • Ter grande domínio sobre si mesmo
  • Espontâneo equilíbrio dos sentimentos
  • Acendrado amor aos semelhantes
  • Alta compreensão da vida
  • Profunda confiança no Poder Divino".

O passista é aquele que ministra o passe. Ser um passista espírita é uma tarefa de grande responsabilidade, pois trata-se de ajudar e abençoar as pessoas em nome de Deus. Pessoas carentes e sedentas de melhoria, procuram no centro espírita o recurso do passe como forma de alívio das pressões psicológicas e sustentação para suas forças morais e físicas.

O passista não precisa ser um santo, mas necessita esforçar-se na melhoria íntima e no aprendizado intelectual, conforme acima vemos. Armado do desejo sincero de servir, quase todos os iniciantes podem trabalhar neste sagrado ministério. O passista deve procurar viver uma vida sadia, tanto física quanto moralmente. Aos poucos, os vícios terrenos têm que ceder lugar às virtudes. O uso do cigarro e da bebida devem ser evitados. Como o passista doa de si uma parte dos fluidos que vão fortalecer o lado material e espiritual do necessitado, esses fluidos precisam estar limpos de vibrações deletérias oriundas de vícios.

No aspecto mental, o passista deve cultivar bons pensamentos no seu dia-a-dia. O orgulho, o egoísmo, a maledicência, a sensualidade exagerada e a violência nas atitudes devem ser combatidos constantemente. A Espiritualidade superior associa equipes de Benfeitores aos trabalhadores que se esforçam, multiplicando-lhes a capacidade de serviço.

A fé racional e a certeza no amparo dos bons Espíritos são sentimentos que devem estar presentes no coração de todos os passistas. É fundamental no trabalho de passe, doar-se com sinceridade à tarefa sob sua responsabilidade, vendo em todo sofredor uma alma carente de amparo e orientação.

O passista não deve ter preferência por quem quer que seja. Seu auxílio deve ser igualmente distribuído a todas as criaturas. As elevadas condições morais do passista são fundamentais para que ele consiga obter um resultado satisfatório no serviço do passe.

Portanto, todos podemos ministrar passes, porém é necessário um mínimo preparo moral a fim de que a ajuda seja o mais eficaz possível. Como todas as tarefas realizadas dentro do centro espírita, esta também carece de cuidados e atenção por parte de quem se propõe a executá-la.

“Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, muitas vezes basta impor as mãos sobre a dor para a acalmar; é o que pode fazer qualquer um, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus” - (Allan Kardec - Revista Espírita, Setembro, 1865).

CONDIÇÕES FÍSICAS DO PASSISTA

Deste ponto de visualização, poderia parecer à primeira vista que apenas aqueles que têm bom condicionamento físico são passíveis de aplicar passes. É fora de dúvidas que uma saúde perfeita, um corpo sem doenças, favorecerá enormemente na função de uma boa doação fluídica, transmitindo de uma forma mais harmônica e profunda os fluidos salutares. Mas, por todo o estudo que até aqui sintetizamos, é bem fácil verificar que isso não é tudo; afinal, são inumeráveis os casos de pessoas que são socorridas por outras mais débeis e frágeis fisicamente, mas, nem por isso, os alcances são menos expressivos.

Todavia, neste trabalho, de modo algum estamos querendo menosprezar o valor do equilíbrio orgânico do médium passista, notadamente daquele que doa as suas próprias energias.

Vejamos como pensa Michaelus em seu Livro Magnetismo Espiritual: " Um corpo sem saúde não pode transmitir aquilo que não possui; a sua irradiação seria fraca, ineficaz e mais nociva do que útil, para si e para o doente".

"Deve-se, entretanto, distinguir entre uma pessoa incessantemente doente da que é apenas atingida de uma doença local, um mal de estômago, dos rins, etc., embora de caráter crônico." (Michaelus, no mesmo livro, cap 7).

Apesar de parecer contraditório, a saúde é importante ser velada, mas, de igual modo, não é tudo. Afinal, como o fluxo magnético provém não só do corpo senão essencialmente da alma, é desta que devemos cuidar em primeiro lugar. Só que é indissociável o cuidar de uma sem o zelar da oura. Outrossim, o estado físico, por si só, não diz tudo o que precisa ser observado; já dissemos em outros capítulos, que a mentalização negativa destrói, desintegra, perturba nossos campos fluídicos equilibrados e equilibrantes, donde fácil concluir que o físico não é sobrevalente ao estado mental.

De forma alguma, como já expressamos acima, queremos dizer que o zelo pela saúde não seja necessário, pois, o é realmente. Em primeiro lugar por estarmos cuidando do veículo de manifestação de nosso espírito na terra, para através dele poder aprender, viver e obrar. Em segundo lugar que aquele que doa algo, deverá profundamente se preocupar com o que estar doando, para que não prejudique aquele que recebe, ao invés de o ajudar.

Preocupamo-nos aqui, também com a alimentação, pois conforme André Luiz nos diz em seu Livro Missionários da Luz, cap 19: " "O excesso de alimentação produz odores fétido, através dos poros, bem como das saídas dos pulmões e do estômago prejudicando as faculdades radiantes devido às desarmonias que geram no aparelho gastrointestinal. O álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores e salutares".

A saúde, como podemos verificar, é uma das condições primordiais para o trabalho do passe.

Se o médium não tem uma saúde, ao menos, harmônica, como poderá transmiti-la?.

Os fluidos que saem através do passista é lógico que vão impregnados de saúde ou de mazelas segundo a situação de que o médium se encontre.

A vontade que movimenta os fluidos regeneradores, capazes de rearmonizar o perispírito ou o organismo enfermiço, pode manipular fluidos deletérios pelo mesmo mecanismo, criando ou até mesmo acentuando males em curso de instalação ou de desenvolvimento. O passista poderá receber fluidos puros, estes, porém, serão tisnados ao contato de suas próprias emanações individuais que lhe alteram o teor regenerativo, poluindo-os antes de transferi-los ao amigo enfermo.

CONDIÇÕES MORAIS

Fazendo uso da palavras do Codificador em o Livro dos Médiuns, cap 20, compreenderemos de uma maneira mais alargada a função da moral em torno do passe:

" Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. A alma exerce sobre o espírito livre um espécie de atração, ou repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. As qualidades, que de preferência, atraem os bons espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade de coração, o amor do próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria. Além disso, a porta que os espíritos imperfeitos exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades".

Na Revista Espírita de Outubro de 1867, Kardec publicou uma mensagem do Abade Príncipe de Hohenlohe muito interessante:

"Conforme o estado de vossa alma e as aptidões do vosso organismo, podeis, se Deus vo-lo permitir, tanto curar as dores físicas quanto os sofrimentos morais, ou ambos. Duvidais de ser capaz de fazer uma ou outra coisa, porque conheceis as vossas imperfeições . Mas Deus não pede a perfeição, a pureza absoluta dos homens da terra. A esse título, ninguém entre vós seria digno de ser médium curador. Deus pede que vos melhoreis, que façais esforços constantes para vos purificar e vos leva em conta a vossa boa vontade. Melhorai-vos pela prece, pelo amor ao Senhor, de vossos irmãos e não duvideis que o Todo-Poderoso não vos dê as ocasiões freqüentes de exercer vossa faculdade mediúnica. Até lá orai, progredi pela caridade moral, pela influência do exemplo".

Noutra oportunidade o Codificador indagou ao espírito Annonay, sonâmbula de uma lucidez notável, a qual ele conhecera quando encarnada: (Revista espírita, Março de 1859)

"27 - O poder magnético do magnetizador depende de sua constituição física?
Sim, mas muito de seu caráter. Numa palavra; depende de si próprio.

30 - Quais as qualidades mais essenciais para o magnetizador?
O coração, as boas intenções sempre firmes; o desinteresse.

31 - Quais os defeitos que mais o prejudicam?
As más inclinações, ou melhor, o desejo de prejudicar".

Verificamos que o fluido emanado por nós será sempre mais depurado a medida que formos mais puros e despendidos da matéria, a medida que darmos mais valor aos bens espirituais em detrimento das coisas materiais.

"As qualidades do fluido humano apresentam nuanças infinitas, conforme as qualidades físicas e morais do indivíduo. É evidente que o fluido emanado de um corpo malsão pode inocular princípios mórbidos ao magnetizado. As qualidades morais do magnetizados, isto é, a pureza de intenção e de sentimento, o desejo ardente e desinteressado de aliviar o seu semelhante, aliado à saúde do corpo, dão ao fluido um poder reparador que pode, em certos indivíduos, aproximar-se das qualidades do fluido espiritual". (Revista Espírita, Setembro de 1865).

Reflitamos no que nos diz o espírito Alexandre em o Livro Missionários da Luz, cap 19:

"O missionário do auxílio magnético, na Crosta terrestre ou aqui em nossa esfera, necessita ter grande domínio sobre si mesmo, espontâneo equilíbrio de sentimentos, acendrado amor aos semelhantes, alta compreensão da vida, fé vigorosa e profunda confiança no Poder Divino".

Não pensemos, todavia, que isso só se aplica aos espíritas. A moral é chave fundamental para todos os povos. "Os curandeiros, mesmo aqueles que não são vistos com os bons olhos da humanidade, inclusive uma grande parte espírita, são portadores de virtudes enobrecedoras e, sem dúvida, isso é fundamental para seus sucessos". (George W. Meek, em As Curas Paranormais ).

Através de todas estas análises, sentimos como o posicionamento moral do médium é muito importante para o sucesso de sua tarefa. Não esperemos, pois, que os pacientes sejam sempre "bonzinhos" e que os espíritos estejam sempre "na agulha" para agiram ao nosso "estalar de dedos", sem que sejamos nós os primeiros a estarmos prontos, física e sobretudo, moralmente para o trabalho. Não seria de se pensar diferente. A moral há de ter importância preponderante nos trabalhos fluídicos, já que o meio onde os fluidos são processados é basicamente mental (para não dizer espiritual). A mente determina a vibração fluídica a partir da vontade e esta libera os fluidos, tonificando-os pelo padrões psíquicos dos emissores; estes fluidos serão tão melhormente consistentes e harmonizados quanto maior equilíbrio tiver a moral dos doadores. Assim, deixando de lado as condições do receptor final (paciente), a emissão fluídica assume o cunho de pureza determinada pela moral em que vibram os emissores.

CONDIÇÕES MENTAIS

Ondas vitais, essenciais, pensamentos, idéias, desejos e etc...

Tudo isso age e reage sobre os outros seres, influenciando-os em sua vontade, sentimentos, pensamentos e atos. E tudo se reflete na radiação tonal, na aura individual, criando atmosfera boa ou má, atrativa ou repulsiva, saudável ou enfermiça. Para termos este campo vibratório em uma condição menos deplorável, é imprescindível que tomemos em conta nosso direcionamento mental, em que diapasão estamos tratando de vibrar, para sabermos o que iremos receber, pois, as afinidades vibratórias [e que regulam esse intercâmbio de dar e receber, no plano invisível, forças e fluidos. Facilitando ou dificultando ainda mais, o trabalho da espiritualidade responsável pelos trabalhos de fluidificação.

Estas condições que ora abordamos estão profundamente relacionadas com as anteriores, ou seja, as condições morais do médium passista

Vamos ainda pensar nas condições psicológicas do médium ante o serviço do passe. Muitas publicações têm surgido em nossos tempos, sobre o poder da mente, com colocações, diríamos, nem sempre bem ponderadas. Isto porque, na maioria delas, enfatiza-se o "querer é poder", mas, atribuindo ao querer a simples repetitividade, até meio irracional, de palavras ou frases "chaves". Os médiuns hão de desenvolver condições íntimas de fé e confiança, que se adquirem com muito labor. A alma exerce sobre o espírito livre uma espécie de atração ou repulsão, conforme o grau de atitudes cultivadas existentes entre eles. A mente esta presente como ponto de muita relevância nas manifestações mediúnicas, pois o cérebro é um aparelho emissor e receptor de ondas mentais; o pensamento é um fluxo energético do campo espiritual, ou seja, se não tentarmos manter-nos em um estado constante de reforma mental, na construção de pensamentos melhores, seguramente estaremos também prejudicando esta manifestação de amor através do passe. Pois atraímos a sintonia que cultivamos. O Cultivo da mente pura é nosso dever, já que como vimos, ela é o filtro por onde passam as benesses que favorecerão nosso próximo e, por conseguinte, a nós mesmos.

A energia transmitida pelos amigos espirituais circula primeiramente na cabeça dos médiuns (só para recordar, lembremos onde fica o Centro Coronário e qual a sua importância).

O cérebro é como um aparelho emissor e receptor de ondas mentais; o pensamento é um fluxo energético do campo espiritual.

A vibração é um movimento de vaivém, chama-se movimento vibratório.

Sintonia é a identidade ou harmonia vibratória, isto é, o grau de semelhança das emissões ou radiações mentais de dois ou mais espíritos, encarnados ou desencarnados, ou seja, afinidade moral.

Sabemos que o pensamento é um fluxo fluídico, é matéria sutil do corpo espiritual, logo é concreto e às vezes muito visível, podendo perdurar longamente em dadas circunstâncias.

Portanto o padrão vibratório é uma maneira de definir o padrão moral do espírito. Atraímos as mentes que possuem o mesmo padrão vibratório nosso, que estão no mesmo nível moral. A comunicação interespiritual é controlada pelo grau de sintonia, a qual a seu turno, decorre da afinidade moral. Temos por isso, a companhia espiritual que desejamos mediante o nosso comportamento, sentimentos, pensamentos e aspirações. Estão ao nosso redor aqueles que sintonizam conosco ou têm contas a ajustar.

É o caso e a hora de perguntar: como podemos elevar cada vez mais as nossas vibrações e, assim, aprimorar a capacidade de sintonia e vibração? - Enriquecendo o pensamento por meio do desenvolvimento da INTELIGÊNCIA; - estudo, conhecimento. SENTIMENTO; - prática do bem, serviço prestado, moralidade, em suma, auto-aperfeiçoamento pelo esforço próprio no caminho do bem. Com particular aplicação à Mediunidade, que não progride sem o aprimoramento do médium.

Em virtude do princípio de sintonia, estabelece-se uma dependência entre encarnados e desencarnados quando ambos estão perturbados e emitindo vibrações viciadas. A identidade vibratória inferior, no caso do ódio, ressentimento, tristeza, desânimo, etc., prende os desencarnados mais ou menos inconscientes do seu estado na aura magnética dos encarnados.

QUEM RECEBE (O PACIENTE)

Conforme já estudamos, basicamente são dois os personagens que se interligam no mecanismo do passe: o receptor e o doador.

Por isso, o sucesso ou insucesso de um tratamento fluidoterápico depende, diretamente, do comportamento deles.

Ë necessário um comprometimento, não somente no momento do passe, todavia um comprometimento necessário a mudança íntima do ser, em seus atos diários, na forma de pensar e agir.

Este é um pensamento genérico, haja vista sabermos que vários fatores influem no processo, os quais nem ao menos se limitam à esfera material. Todavia no momento veremos quem recebe. Não sabemos de onde veio, por onde veio, que religião tem. Mas sabemos o essencial: ele é o nosso próximo, e está, ali necessitando de ajuda e colocando-se na condição de recebedor, que é indubitavelmente condições iniciais para qualquer tratamento, assim como o arrependimento é indiscutivelmente necessário para qualquer processo de restabelecimento de contas com a bondade Divina, todavia deverá vir juntamente com a reparação, para receber algo que esta querendo ou necessitando e principalmente se propôs a receber algo, que é para nós, os médiuns, os dirigentes e as Casas Espíritas, um bom caminho para a prática do amor fraternal, desinteressado e cristão. Portanto, mãos à obra.

Primeiro, nos conscientizemos de que devemos dar ao paciente, além do passe, tudo o mais que é da maior importância: evangelho, orientação, desmistificação do tratamento e desmistificação dos ídolos, conclamando-os à reforma interior e à compreensão dos fatos para, pelo conhecimento, não ser levado a vícios e equívocos que, embora costumeiros, são injustificáveis.

Como homens, sabemos que a administração do patrimônio orgânico é tarefa pessoal e intransferível, estando não apenas sua manutenção sobre nossa responsabilidade, mas, igualmente sua conservação dentro dos padrões de equilíbrio que a própria natureza nos indica. Emmanuel em o Consolador salienta que: “Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a santuário de forças e possibilidades espirituais juntos das almas”.

Podemos destacar entre os que recebem o passe os seguintes tipos de pacientes:

Paciente com problemas físicos

Incluem os pacientes que apresentam problemas orgânicos, desprezando qualquer fator que não seja puramente físico. Subdividiremos este grupo de pacientes em três:

Portadores de doenças contagiosas

O passista não deve negar atendimento a essa categoria por medo de contágio, todavia devemos ter o bom senso de não expor alguém que venha em busca de auxílio ao contágio de outro mal. Tal como não será cristão dispor o contagiante que igualmente busca ajuda, ao ridículo da execração de outrem. A prudência nos sugere discernimento e tato.

Portadores de doenças não contagiosas

O paciente aqui enquadrado não expõe outros a risos de contágio, seu atendimento poderá ser feito tanto de forma individualizada quanto em grupo, dependendo do tratamento e das técnicas a serem usadas.

Pacientes com problemas espirituais

Pacientes nessas circunstâncias sentem com muita freqüência a “influência ou a aproximação” de entidades espirituais, quando recebem o passe. Deveremos ai utilizar das técnicas mais designadas a esse tipo de problema, desligando o “plug”, encarnado – desencarnado para os devidos tratamentos.

Dividiremos também este grupo em três subdivisões:

  • De origem Prispirítica (Cármica)
  • De origem Obsessiva
  • Decorrentes de desvios Morais

Pacientes com ambos os problemas

Verificamos aqui, os pacientes com problemas físicos (orgânicos) e psíquicos (espirituais)

Mais uma vez nos deparamos com a prudência em analisar e principalmente nunca, descartar o tratamento da medicina convencional para alguns casos. Através do estudo, sempre conjugado à intuição espiritual, podemos avaliar a maior valência do problema do paciente para bem direcionar o tratamento. Caso prevaleça o aspecto físico, recomenda-se os cuidados descritos para pacientes com estes problemas. Contudo, o bom senso nos recomenda não fazermos distinção tão marcante, notadamente porque os espíritos serão os verdadeiros ‘operadores” e, quase sempre, serão eles que encaminharão todo o processo, abstração feita à responsabilidade dos médiuns.

A paciência também será grandioso instrumento para este tratamento, paciência esta, por parte do paciente e do passista.

Assim o passe é destinado a:

  • Alguém que procura, solicita, se esforça ou requer emergência;
  • Alguém que se encontra hipnotizado magneticamente, quer por força material ou por força espiritual;
  • Alguém que necessita de recursos terapêuticos complementar, reparatório ou preparatório;
  • Alguém que está sob influencia obsessiva, como parte do tratamento obsessivo.

PREPARO DO PASSISTA E DO PACIENTE

Kardec ( obras póstumas ) nos informa que "A força magnética é puramente orgânica; pode, como a força muscular, ser partilha de toda gente, mesmo do homem perverso; mas só o homem de bem se serve dela exclusivamente para o bem... mais depurado, o seu fluido possui propriedades benfazejas e reparadoras, que não pode ter o homem vicioso ou interessado."

Analisando esta assertiva, concluímos que, para que exista um perfeito entrosamento Espírito protetor - passista, e para o Espírito que vem auxiliar possa realmente combinar o seu fluido com o fluido humano, lhe imprimindo qualidades de que ele carece, é necessário que o passista dê condições para que esse intercâmbio se faça, condições essas de natureza física e espiritual.

A saúde do passista é uma condição primordial para a realização de um bom trabalho. Assim, como a qualidade do fluido está na razão direta do estado de evolução da alma, assim também, a maior ou menor eficiência da magnetização, depende da saúde do corpo físico; a razão é clara: um corpo sem saúde não pode transmitir aquilo que não possui.

Quanto mais equilibrado o organismo, maior o rendimento de suas energias, que serão partilhadas. De um modo geral, deve-se evitar tudo quanto implica em desgaste ou perda de energia: Excessos sexuais, trabalhos demasiados, alimentação imprópria, hiperácida, bem como o álcool, a nicotina e os entorpecentes de toda a espécie.

Para o passista, na execução da tarefa que lhe está subordinada, não basta a boa vontade, como acontece em outros setores; é necessário revelar determinadas qualidades de ordem superior, apresentando grande domínio de si mesmo, espontâneo equilíbrio de sentimentos, acentuado amor aos semelhantes, alta compreensão da vida, fé vigorosa e profunda, confiança no poder divino.

Semelhantes requisitos constituem exigências a que não se pode fugir, mas a boa vontade sincera, em alguns casos pode suprir essa ou aquela deficiência, o que se justifica em virtude da assistência prestada pelos benfeitores espirituais aos servidores humanos, ainda incompletos no terreno das qualidades desejáveis.

A prece representa elemento indispensável para que a alma do passista estabeleça comunhão direta com as forças do bem, favorecendo assim, a canalização através da mente, dos recursos magnéticos necessários das esferas elevadas.

Não se deve também abusar da magnetização, com processos prolongados ou em grandes quantidades, o que ocasiona dispêndio de fluidos, e conseqüentemente, a fadiga. Não se deve transmitir uma força já em grau de esgotamento, a qual não beneficia quem recebe, e prejudica quem transmite.

Resumindo, vida sóbria e moderada, sem abusos, desequilíbrios, sem excessos e desvios, é o que se prescreve ao magnetizador.

Existem doentes, em que o magnetismo nenhuma influência exerce, e outros em que a ação desde logo é evidenciada e decisiva, por fatores devido ao magnetizador, ao magnetizado, ou a ambos.

Preparar um doente para aplicação do devido tratamento espiritual, é colocá-lo em estado de perfeita harmonia com a fé em Deus.

Alguns itens deverão ser observados para a preparação do paciente, tais como o ambiente familiar, a sua posição mental e o estado espiritual.

O principal agente de cura, reside no próprio doente: é o desejo de transformação interior, e a elevação mental. Com isso, muito mais eficiente será a ação da magnetização, e do auxílio do mundo espiritual superior, far-se-á mais naturalmente.

O magnetismo, em certos estados de ordem psíquica ou espiritual, basta e pode ser o melhor agente corretivo. Porém não se pode ter o magnetismo, como agente curador exclusivo, para a maioria dos casos e dos indivíduos. É preciso atentar para o corpo já afetado, e principalmente, para problemas cármicos, quando então o magnetismo atuará como renovador de energias, para que possa se suportar com fé e equilíbrio, as expiações de vidas pretéritas.


texto - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/elferr/o-passe-espirita.html

imagem - centroespiritapontodeluz.blogspot.com

domingo, 22 de novembro de 2009

A TÉCNICA DO PASSE



Rubens Policastro Meira


Ante um problema qualquer, em toda ordem de coisas, a atitude do homem sensato, do pesquisador, do homem de ciência, é completamente diversa do homem comum.

O investigador e o homem comum têm cada um sua psicologia peculiar, e dela nasce, espontaneamente, a força que os impulsiona à ação.

Tanto o homem de ciência como o comum são interessados; porém, o interesse do primeiro não é imediato, e o do segundo, ao contrário, o é.

Aquele, o homem de ciência, tem uma meta da qual sabe e compreende que está separado por uma estrada repleta de sacrifícios, que são: a Lei, o Imutável, o Necessário, os quais são o fruto do trabalho, da investigação e do raciocínio.

Começa por conhecer a natureza íntima de sua matéria de estudo. A análise e a síntese com suas operações intelectuais.

Dessa forma, busca a sujeição dos fenômenos parciais às leis comprovadas, aos princípios fundamentais, aos axiomas evidentes, e após a fatigante marcha, encontra a coordenação necessária de um fenômeno com outro, e, assim, uma Lei, essa preciosa síntese racional que valoriza seus esforços e os exalta. Este foi o procedimento adotado por Allan Kardec, ao longo de sua trajetória.

Este o exemplo que nos legou, e que devemos manter vivo em nossos núcleos de estudos.

Já o homem comum, o profano, não deseja dar-se a esse trabalho, desejando que a idéia se materialize sem esforço algum. Refratário à investigação, lança-se à experiência, desprezando e tendo como inútil o conhecimento teórico. O resultado pode ser uma vitória, um triunfo, ou uma derrota desastrada, uma desgraça.

O Entrade - Encontro de Trabalhadores e Dirigentes Espíritas, procura estabelecer nos corações e nas consciências, o Espírito de estudo, pesquisa, trabalho, bom senso, vivência, e para tal a campanha "Reforma do Centro Espírita" (retorno a Kardec) é de suma importância, tendo em vista que a grande maioria das Casas Espíritas, seus dirigentes e freqüentadores, se enquadram na análise dos refratários, como dissemos.

Sobre o título do estudo "A Técnica do Passe", iremos enfocá-lo de forma mais abrangente possível. Antes de iniciarmos o estudo propriamente dito, queremos enfocar a seguir dois conceitos de grande importância.


Saúde e Enfermidade

O Universo (que vemos e que não vemos) é de um equilíbrio, de uma perfeição, de uma harmonia sem par. A causa primeira e inteligência suprema (Deus) foi de uma perfeição absoluta, quando de sua criação.

Com base nessa premissa, podemos indagar: Que é saúde? Que é enfermidade?

Definimos a saúde como sendo a harmonia perfeita entre o microcosmo e o macrocosmo, como o resultado de viver em completa harmonia, em completo acordo, com as Leis que regem o Universo, o Cosmos. Leis Morais e Materiais, da Natureza. A mudança desse ritmo vibratório normal (ódio, egoísmo, amor próprio excessivo, gula, paixões inferiores etc.) produz o desequilíbrio, e é deste desequilíbrio que se origina a enfermidade. Este desequilíbrio pode ocorrer ao longo dos séculos, milênios.

A Lei de movimento e evolução implica um sucessivo acondicionamento do ser humano (encarnado ou desencarnado) a uma contínua transformação, a qual se manifesta em todas as ordens da vida.

A vida é e será sempre uma perene, eterna e infinita potência criadora no Universo.

A ela, à Vida, se devem as formas de pensamento, as concepções humanas, que logo se materializam, se corporificam no plano dos sentidos físicos.

Dessa forma, podemos assimilar a existência de modulações vibratórias que constituem a essência da Vida, adquirindo diversas densidades de expressão entre o plano material e o plano espiritual.

A Vida é uma criação de Deus, e das Leis Cósmicas, e por isso, estamos intimamente ligados ao Todo. No físico ou denso, no sutil ou espiritual. Esta mesma relação de continuidade opera-se com respeito aos elementos de nosso planeta, e olhando mais longe, vemos que se estende até às potências cósmicas, dentro da esfera do Universo.

Traduzindo, portanto, em linguagem mais simples, o homem significa equilíbrio ou desequilíbrio das forças cósmicas, espirituais ou materiais. Forças que partem do sutil ao denso e do denso ao sutil. Assim, no que concerne à Vida, os efeitos são a saúde ou a enfermidade.

Chegados a este ponto, e compreendendo-o, destacamos que, uma pessoa pode estar fisicamente mal, quando seu mundo espiritual não está em harmonia, o que provoca o desequilíbrio (a enfermidade) físico por repercussão.


Primórdios do Passe

As doenças sempre afetaram o Espírito humano, encarnado ou desencarnado, desde a individualização do princípio inteligente do Universo, (LE-23) em ser inteligente da criação (LE-76). Doenças do corpo e do Espírito.

Nos tempos primitivos surge a medicina mágica e empírica. Além do uso de plantas curativas, cujo aprendizado foi obtido mediante a observação do comportamento dos animais, usava o apelo às forças sobrenaturais, Espíritos, deuses, demônios etc.

A partir do neolítico, estruturando-se a sociedade em classes, constituiu-se uma casta sacerdotal que se apodera das funções de curar, encaradas como um segredo tradicional e simultaneamente como manifestação do poder curador da divindade.

Para o pesquisador, as fontes principais para o conhecimento destas informações são:

O papiro de Ebers, escrito entre 1553-1550 A.C;
O papiro Brugsch, escrito provavelmente cerca de 1.200 A.C.;
O papiro Edwin Smith, cerca de 1.700 A.C., cópia de outro mais antigo, escrito cerca de 3.000 A.C.
Nestes textos encontram-se considerações astrológicas, fórmulas de esconjuros (preces), invocações mágicas de deuses (espíritos), bem como os medicamentos e plantas mais utilizados.

Relatos idênticos encontram-se junto aos hebreus (Israel), indianos, chineses, etc.

Na literatura grega (pós-homérica) revela-se a arte mágica e mística de curar, como dependente de entidades divinas ou mitológicas, como Apolo, Atena, Higia, Quiron, e principalmente Asclépio (o esculápio).

Na Caldéia, na Índia, os magos e os brâmanes curavam pelo olhar, pela imposição de mãos...

Galeno, um dos pais da medicina moderna, utilizava os passes curadores, que o fizeram passar por feiticeiro e o obrigaram a deixar Roma.

Na China do século XVIII A.C., encontram-se relatos de curas obtidas pelo olhar, pelo toque das mãos, etc...

Encontram-se gravuras do ano 928 A.C., retratando o famoso médico CHIRON, ensinando seu discípulo ESCULÁPIO, que posteriormente utilizaria os recursos do magnetismo entre os romanos, para curá-los, por intermédio de toques manuais.

HIPÓCRATES costumava dizer que "as dores de que padecem o corpo e a alma podem ser vistas com os olhos fechados".

No Antigo Testamento, além de inúmeros relatos de manifestação dos espíritos, lembramos a leitura de I REIS - 17:17 a 24 e II REIS - 4:32 a 36.

Por este sucinto resumo podemos verificar que o PASSE, A IMPOSIÇÃO DE MÃOS, O OLHAR, como terapêutica espiritual, remonta às mais recuadas eras, donde se conclui que a crença, a interferência e as manifestações dos espíritos se fazem presentes e acompanham o ser humano ao longo da sua história e dos tempos.


O advento de Jesus, o Cristo

Com a vinda de Jesus, altera-se o ambiente terráqueo, e as curas tomam uma nova conotação: O AMOR que a tudo preside. Jesus marcou uma nova era na história da humanidade. Sua presença, seus ensinamentos, seus exemplos, separam a história em ANTES e DEPOIS DO CRISTO.

Já não vigoraria, doravante, a máxima egoísta de NÃO FAÇAS AOS OUTROS O QUE NÃO QUERES QUE TE FAÇAM. Mas sim, a nova máxima, oriunda do Amor: FAZE AOS OUTROS O QUE QUERES QUE TE FAÇAM.

Simples como o Amor. Uma única palavra de negação , NÃO, altera todo o conteúdo de comportamento, a partir de Jesus.

Alguns fatos verificados nos processos de cura, relatados no Novo Testamento, chamam nossa atenção e merecem de todos nós, uma análise e estudo conscientes, à luz da Doutrina dos Espíritos.

Tais fatos demonstram fatores importantes, como a FÉ (certeza, convicção), a VIRTUDE (fluidos, energias), MERECIMENTO, NECESSIDADE, etc. que foram relatados pelos discípulos e companheiros do MESTRE.

Endereçamos o leitor e companheiro, para sua pesquisa e análise pessoal, aos fatos com as indicações das principais curas, objetos dos relatos.


LEPROSOS
Mateus - 8: 1 a 17
Marcos - 1: 39 a 42
Lucas - 5: 12 a 13
Lucas - 17: 12 a 19


CEGOS - SURDOS - MUDOS
Mateus - 9: 27 a 29
Mateus - 21: 29 a 34
Marcos - 7: 32 a 35
Marcos - 8: 22 a 26
Marcos - 10: 46 a 52
Lucas - 18: 35 a 42
João - 5: 1 a 14
João - 9: 1 a 13


MULHER HEMORROÍSA
Mateus - 9: 20 a 22
Marcos - 5: 25 a 34
Lucas - 8: 43 a 48


ENDEMONIADOS - OBSEDIADOS
Mateus - 9: 32 a 33
Mateus - 12: 22
Mateus - 15: 22 a 28
Mateus - 17: 14 a 21
Marcos - 1: 23 a 26
Marcos - 9: 17 a 29
Lucas - 4: 33 a 35
Lucas - 4: 41
Lucas - 8: 2
Lucas - 9: 38 a 42
Lucas - 10: 14
Atos - 8: 7


CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBSESSÃO
Mateus - 12: 43 a 45
Lucas - 11: 17 a 26


PARALÍTICOS - COXOS - DEFORMADOS
Mateus - 12: 10 a 13
Marcos - 2: 3 a 12
Marcos - 3: 3 a 5
Lucas - 5: 18 a 20
Lucas - 5: 23 a 25
Lucas - 6: 6 a 10
Lucas - 13: 11 a 13
Atos - 3: 1 a 12
Atos - 8: 7
Atos - 9: 33 a 34
Atos - 14: 8 a 10


MORIBUNDOS
Marcos - 5: 22 a 23
Marcos - 5: 35 a 43
Lucas - 7: 12 a 15
Lucas - 8: 41 a 42
Lucas - 8: 49 a 55
Atos - 9: 37 a 41


DIVERSAS ENFERMIDADES
Mateus - 15: 30 a 31
Marcos - 1: 29 a 31
Marcos - 1: 32 a 34
Marcos - 6: 5
Marcos - 6: 55 a 56
Lucas - 4: 38 a 39
Lucas - 4: 40
Lucas - 6: 17 a 19
Lucas - 7: 2 a 10
Lucas - 9: 11
Atos - 5: 12
Atos - 5: 16
Atos - 19: 11 a 12
Atos - 28: 8 a 9


FÉ (CONVICÇÃO - PODER DE CURAR)
Mateus - 10: 1 a 28
Marcos - 3: 14 a 15
Marcos - 6: 7 a 13
Lucas - 9: 1 a 2
Lucas - 10: 9
Lucas - 10: 17 a 20
Atos - 4; 30


COMPETIÇÃO ENTRE COMPANHEIROS
Marcos - 9: 38 a 40
Lucas - 9: 49 a 50


COBRANÇA FINANCEIRA PARA CURAR
Atos - 16: 16 a 31


MORAL DO TRABALHADOR SOBRE OS ESPÍRITOS
Atos - 19: 13 a 17
Os precursores - Para encerrarmos este item "histórico", vamos estudar e analisar alguns dos principais precursores, na história do magnetismo e do passe.

PARACELSO - (1493-1541)

Seu nome era FELIX AURELIO TEOFRASTO BONBAST VON HODENHEIM. Médico, antropólogo, teólogo e um grande médium. Na época denominava-se mago.

Sem ter os conhecimentos científicos, hoje em voga, PARACELSO sustentava que a NATUREZA era a autoridade suprema e que nela dever-se-ia buscar todas as verdades, porque a natureza, diferentemente do homem, não comete erros.

Ensinava que o mundo natural é "algo mais" daquilo que se pode ver com os olhos, sentir com as mãos, pesar ou medir. Inclui uma variedade de influências sobre a vida dos seres humanos.

As coisas não são simples pedaços de matéria inerte: possuem propriedades ocultas que se fundamentam em um mundo invisível.

Afirmou que o homem possui em si mesmo um fluido magnético e que sem essa energia não poderia existir. Trataria-se de uma espécie de fluido universal que produz todos os fenômenos que observamos. Com base nestes conceitos afirmava que, como o homem emite e recebe vibrações, pode também emitir ou receber boas ou más vibrações.

PARACELSO foi um dos principais precursores do estudo do magnetismo animal, ainda que se considere MESMER, posterior quase dois séculos, como o pai da teoria do magnetismo.

PARACELSO aplicava suas idéias à medicina afirmando que "o primeiro médico do homem é Deus", autor da saúde, já que "o corpo não é mais que a casa da alma".

VAN HELMONT - (1577-1644)

JUAN BAUTISTA VAN HELMONT, projetou nova luz sobre o magnetismo animal, tendo sido o mais importante continuador e discípulo de PARACELSO.

Estabeleceu uma clara distinção entre o que chamava magnetismo animal proveniente do corpo físico do homem (exterior), e as vibrações que emanavam do "homem interior", de suas forças espirituais.

VAN HELMONT estava associado com o círculo inglês de LADY CONWAY, que por sua vez estava associada a VALENTINE GREATRAKES, famosa médium irlandeza de curas, de forma gratuita, mediante orações e passes com as mãos impostas sobre o paciente. Tal fato sugere que os "passes magnéticos" podem ter nascido de antigas tradições religiosas, como já verificamos, suscintamente.

A Igreja, como sempre, combateu os médiuns, e VAN HELMONT certa feita, respondendo a um jesuíta as críticas que o mesmo fizera a PARACELSO, atribuindo ao demônio as curas por ele efetuadas, expressou que os teólogos deveriam se ocupar com as causas divinas e os naturalistas com as causas da natureza, porque a natureza não havia escolhido os teólogos como seus intérpretes, e sim os seus filhos, os físicos e naturalistas.

MESMER - (1734-1815)

FRIEDRICH FRANZ ANTON MESMER, era médico. As curas magnéticas de MESMER provinham de uma tradição que reconhecia como expoente máximo PARACELSO.

Sua teoria, com base na tese de doutorado apresentada em Viena em 1776, denominada de PLANETARUM INFLUXU (A influência dos planetas na cura das enfermidades). A tese descrevia a influência dos planetas por intermédio de um fluido universal com poderes magnéticos sobre a matéria viva. Descrevia também o magnetismo animal, que existiria em duas formas opostas e tenderia a emanar dos lados direito e esquerdo do corpo humano.

Explicava que a cura das enfermidades consistia na restauração do equilíbrio ou harmonia alteradas entre os dois fluidos.

Com base nestas teorias, MESMER construiu sua técnica terapêutica, utilizando a fixação dos olhos e os passes com as mãos. MESMER criou uma escola pelos métodos empregados, o MESMERISMO.

Sua teoria expunha e descrevia que um princípio imponderável atuava sobre os corpos; que em todo organismo vivente existe um fluido magnético, no qual circula uma força especial animando tanto o mundo orgânico como o inorgânico; que esse fluido se transmite, podendo revigorar os corpos debilitados; que as pessoas dotadas de grande vitalidade podem transmitir essa energia aos outros, se souberem dirigir essa mesma energia, utilizando a imposição das mãos.

Sobre as forças vitais, MESMER apoiou-se em WILLIAM MAXWELL, que em 1676, na sua obra MEDICINA MAGNÉTICA, afirma que a alma humana não está contida dentro dos limites do corpo e atua fora dele; que o corpo humano emite radiações, compostas de elementos imateriais, que são os veículos que transmitem a ação da alma e que contém forças vitais.

MESMER assegurava que dirigindo esse fluido segundo métodos corretos, poder-se-ia "curar imediatamente as doenças dos nervos e mediatamente as outras" e que "a arte de curar chegaria assim à sua perfeição última".

Acrescentava MESMER, que o organismo como um todo, age como elemento sensível e captor das energias fluídicas e qualquer desequilíbrio rompendo a harmonia entre o homem e o todo, gera a doença.

Dessa forma, acrescentava, não haveria senão uma única doença, sob múltiplos aspectos, como, similarmente, não haveria senão um único remédio para todos os males: o magnetismo.


DIVERSOS

Entre os estudiosos e pesquisadores, criaram-se ao longo do tempo escolas que se diferenciavam na arte e no processo de curas pela magnetização (Passes).

A descrição de MESMER, que fez escola, de que existiriam duas formas opostas, no magnetismo animal, que tenderiam a emanar-se dos lados direito e esquerdo do corpo humano, denominou-se POLARIDADE DOS CORPOS. Vários pesquisadores, tendo à frente H. DURVILLE, afirmavam que o corpo humano, como qualquer outro objeto, seria polarizado, ou seja o lado direito positivo e o lado esquerdo negativo. Que dessa forma não se poderia magnetizar indistintamente com a mão direita ou com a esquerda.

No entanto, vários outros pesquisadores, como DU POTET, DELEUZE, GAUTHIER, BUÉ, BINET e FERÉ e inclusive a Doutrina Espirita, CONTESTAM as conclusões dos POLARISTAS, afirmando que a potência volitiva do magnetizador UNIFICA a ação radiante dos fluidos e a conduz com igual segurança ao paciente, de face, de lado, pelas costas, de perto ou de longe, através de um compartimento para outro, vendo ou não vendo o paciente.

Todos, polaristas ou não, evidenciam um fato: a ação curadora do fluido magnético.

Para o estudo e a análise, por parte dos leitores interessados, endereçamos às seguintes obras:

MICHAELUS - MAGNETISMO ESPIRITUAL (FEB)
JOSÉ LAPPONI - HIPNOTISMO E ESPIRITISMO
ALLAN KARDEC - O LIVRO DOS MEDIUNS
ALLAN KARDEC - OBRAS POSTUMAS
ALLAN KARDEC - REVISTA ESPIRITA
H. DURVILLE - TRAITÉ EXPERIMENTAL DE MAGNETISME
DU POTET - TRAITÉ COMPLET DE MAGNETISME ANIMAL
DELEUZE - INSTRUCTIONS
H. GAUTHIÉR - MAGNETISME ET SONAMBULISME
ALFONSE BUÉ - LE MAGNETISME CURATIF
BINET e FERÉ - LE MAGNETISME ANIMAL
ALLAN KARDEC (03.10.1804/31.03.1869)
Doutrina dos Espíritos - A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, veio trazer luzes às trevas do conhecimento humano.

Sua missão, bem como a dos espíritas em geral, é a de contribuir para o aprimoramento dos espíritos, encarnados e desencarnados, com o fim de libertá-los da ignorância e da superstição. Racionalizando a fé, conduz o ser à certeza, à convicção das Leis Imutáveis que regem a Vida, de Deus, Causa Primeira e Inteligência Suprema do Universo, enfim, ao conhecimento integral da Verdade.

Conhecereis a Verdade e ela vos libertará, afirmou Jesus há quase 2 milênios.

No que tange às curas, ao passe, a Doutrina dos Espíritos, fruto da interação entre encarnados e desencarnados, hoje aliada às inúmeras pesquisas científicas em todo o planeta, veio demonstrar a existência do perispírito, estabelecendo sua origem, suas propriedades e suas funções; veio estudar a propriedade dos fluidos, bem como a ação desses mesmos fluidos sobre a matéria.

Allan Kardec, para codificar a Doutrina, criou e estabeleceu uma metodologia científica, que até o presente momento serve de parâmetro para todos os pesquisadores sérios:

- Localizar e descobrir o fenômeno;
- Observar e conhecer o fenômeno na sua manifestação;
- Provar e comprovar que o fenômeno existe, e
- Estudar, conhecer e formular as causas e o mecanismo desse fenômenos.

A Criação e os Fluidos

Não é nosso propósito efetuar um estudo sobre a CRIAÇÃO, no entanto as conotações sobre o PASSE nos obrigam a suscintamente estabelecer certos parâmetros, para melhor entendimento.

É assim que, com Kardec, vamos remontar às origens.

Em "O Livro dos Espíritos", no capítulo - dos Elementos Gerais do Universo - à pergunta 27, temos:

"Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o espírito? Sim, e acima de ambos Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe..."

A matéria, como Princípio Material, Fluido Universal, "é a matéria elementar primitiva, da qual as modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da natureza".

(GÊNESE - CAP. XIV - item 2 / LIVRO DOS MÉDIUNS - CAP. IV - item 74 - Questões 1 a 5 - CAP. VIII - item 130).

O ESPÍRITO, como Princípio Espiritual, Princípio Inteligente do Universo (L. ESPÍRITOS - 23) que pelos caminhos da evolução, se individualiza, como ser Inteligente da criação (LIVRO DOS ESPÍRITOS - 76).

Continuando, à resposta da pergunta 27 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, vemos que: "...Esse fluido universal ou primitivo, ou elementar, sendo agente de que o Espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá".

Na atualidade, a ciência praticamente sanciona a tese da matéria elementar, e o desenvolvimento da física quântica amplia as possibilidades referidas por Kardec. Sabe-se hoje, que a matéria elementar é uma realidade e que sua natureza não é atômica, mas sub-atômica.

O fluido elementar, universal, anunciado pelos Espíritos, já é admitido pela ciência, com outra nomenclatura: DIRAC, nos traz a teoria do "oceano livre de elétrons"; ARTHUR COMPTON, nos diz que "os campos de força, que estão por trás da energia, parecem ser pensamento..."

A ciência demonstra, na atualidade, a ação da mente sobre a matéria, conforme pesquisas na ex-URSS, e Rhine nos EEUU.

Kardec, em A GÊNESE, Cap. XIV - Os Fluidos, nos demonstra no item 2, que o Fluido Universal, "como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele".

Nos mostra que o ponto intermediário "é o da transformação do fluido em matéria tangível".

No item 3, do mesmo capítulo, nos diz que o fluido cósmico (universal, primitivo) não é uniforme no estado de eterização (sutil); que sofre modificações variadas e mais numerosas do que no estado de matéria tangível; que tais modificações constituem fluidos distintos, que são dotados de propriedades especiais; que esses fluidos são para os Espíritos a matéria prima, as substâncias que eles utilizam para elaborar e combinar para produzirem determinados efeitos, pois conforme "O LIVRO DOS ESPÍRITOS, pergunta 27, in-fine, "...é o agente de que o Espírito se utiliza..."

Para o estudo e análise do PASSE, é de suma importância estudar e analisar o cap. XIV - OS FLUIDOS, de "A GÊNESE" de Allan Kardec.

Princípio Vital e Perispírito

Examinando o cap. IV, da parte 1, de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", à perg. 61, verificamos que a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos, "...é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos está animalizada". E a causa da animalização da matéria, está justamente, "na sua união com o princípio vital" (L. E. - 62).

Esse princípio vital, tem sua origem na matéria universal, modificada, e é um dos elementos necessários à constituição do Universo (L. E. - 64). Igualmente verifica-se que esse princípio vital, é o que geralmente chamamos de fluido magnético, fluido elétrico animalizado (L. E. - 65).

No mesmo capítulo encontramos, nos comentários de Kardec à pergunta 70, importantes considerações que se relacionam com o PASSE. Esclarece que o fluido vital não é absoluto em todos os seres orgânicos. Varia segundo a espécie de indivíduo; que a quantidade de fluido vital se esgota, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contém; e mais importante ainda, que "o fluido vital se transmite de um indivíduo a outro, podendo doá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se".

Continuando na pesquisa, anotamos que o PERISPÍRITO tem "sua origem no fluido universal de cada globo..." (L. E.- Parte 2 - Cap. I - perg. 94).

Em "A GÊNESE", Kardec nos informa no cap. XI, item 17, que "...Como toda matéria, ele é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre uma modificação especial". E no cap. XIV, item 7, da mesma obra, nos afirma que "O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, É UM DOS MAIS IMPORTANTES produtos do fluido cósmico; É UMA CONDENSAÇÃO desse fluido em torno de UM FOCO DE INTELIGÊNCIA, OU ALMA".

Na mesma obra, cap. I, item 39, Kardec nos diz ainda, que "o perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia, assim como à psicologia".


Qualidade dos Fluidos

Os fluidos espirituais, são um dos estados do fluido cósmico universal, os quais são a atmosfera dos seres espirituais e ao mesmo tempo os elementos dos quais extraem os materiais para as diversas operações. Dessa forma os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais empregando o pensamento e a vontade. O Pensamento é um atributo do Espírito. É pelo pensamento que imprimem àqueles fluidos as características necessárias, mudando-lhes as propriedades, combinando-os segundo determinadas leis. É o grande laboratório da vida espiritual.

Às vezes essas transformações são resultantes de uma intenção; de outras, são produtos de um pensamento inconsciente.

Os fluidos são o veículo do pensamento, e este atua constantemente sobre aquele. Pode-se dizer que nos fluidos há ondas e raios de pensamento, que se entrecruzam sem se confundirem.

Sendo os fluidos o veículo do pensamento dos Espíritos, sofrendo sua ação, modificando-lhes as propriedades, torna-se evidente que esses mesmos fluidos encontram-se impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os fazem vibrar, estando modificados pela PUREZA ou IMPUREZA dos sentimentos de quem os emitem (o pensamento).

Não há como enumerar ou classificar as qualidades dos fluidos, dado a grande diversidade dos pensamentos. Os fluidos, não possuindo características e qualidades próprias, pois são NEUTROS, os adquirem no MEIO onde se elaboram. Não há, também, denominações particularizantes, podendo ser designados pelas suas propriedades, seus efeitos e tipos originais.

Kardec nos mostra que, "sob o ponto de vista MORAL, carregam em si os sentimentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, doçura, etc. Sob o ponto de vista do aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, irritantes, tóxicos, reparadores, etc".

O encarnado, como Espírito que é, atua, pelo pensamento, sobre os fluidos espirituais, da mesma forma, identicamente, como o pensamento dos desencarnados, e se transmite (o pensamento) de Espírito a Espírito, utilizando as mesmas vias, (os fluidos) e conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientais.

Dessa forma, sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, (como o dos desencarnados) ele os assimila com extrema facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido.

Kardec, ainda nos diz que: "Esses fluidos atuando sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material, com o qual se acha em contato molecular, ocasionando dessa forma, impresso salutar se forem de boa natureza e penosa se forem maus, deletérios. Se esses eflúvios maus, deletérios, forem permanentes e enérgicos podem ocasionar desordens físicas e não são outras, as causas de diversas enfermidades.

Para que se alterem as qualidades e propriedades dos fluidos, não é necessário que o pensamento se exteriorize por palavras, basta a sua irradiação que sempre existe, desde que se pensou.

O pensamento produz uma espécie de efeito físico que age sobre o moral, o ambiente, etc.; é uma emissão que ocasiona perda real de fluidos espirituais e, conseqüentemente, de fluidos materiais. Da mesma forma que um pensamento mau, viciado, produz sensações más, um pensamento bondoso, de amor, produz, sensações salutares, reparadoras.

Kardec pergunta então: "Como fugiremos à influência dos maus Espíritos que pululam em torno de nós?

O meio é simples, porque depende da vontade do homem. Os fluidos se combinam pela semelhança de suas naturezas; os dessemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos".

Conforme já vimos, os Espíritos exercem ação e atuam sobre a matéria. E dessa forma podem efetuar transformações moleculares, dando às substâncias as qualidades necessárias. É muito importante, para todos nós a leitura e o estudo do cap. VIII - 2 parte de "O LIVRO DOS MÉDIUNS" - Laboratório do Mundo Invisível, no item 130 - in-fine, do capítulo citado, encontramos: "...Pois que ao Espírito é possível tão grande ação sobre a matéria elementar, concebe-se que lhe seja dado não só formar substâncias, mas também modificar-lhes as propriedades, fazendo para isso, A SUA VONTADE, o efeito de reativo". (Caixa alta nossa).

No item 131, em continuação, Kardec esclarece:

"Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, QUASE SEMPRE ASSISTIDO POR OUTRO ESPÍRITO. Ele opera a transmutação por MEIO DO FLUIDO MAGNÉTICO...

...A vontade, em todos os fenômenos, desempenha PAPEL RELEVANTE. A vontade é ATRIBUTO do Espírito, e com essa alavanca, ele ATUA sobre a matéria elementar, reagindo sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas (atômicas) vêm assim a ficar transformadas.

A VONTADE é atributo do Espírito, SEJA ENCARNADO OU DESENCARNADO. Assim se explica a faculdade de cura de certas pessoas, pelo contato e pela imposição de mãos (Passes), faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado". (Caixa alta e parênteses nossos).

É de grande importância a frase, "QUASE SEMPRE ASSISTIDO POR OUTRO ESPÍRITO".

Demonstra-nos a assistência dos Espíritos nos trabalhos que encetamos.

Há uma observação, nossa, no tocante à tradução, relativa àquela frase:

Na tradução FEB - 43ª edição: POR OUTRO ESPÍRITO...

Na tradução EDICEL - Por Herculano Pires: POR UM ESPÍRITO DESENCARNADO.

No original: ...ASSISTÉ PAR UN ESPRIT ÉTRANGER,...

Em nossa opinião, a tradução de Herculano Pires presta-se a uma melhor interpretação, tendo em vista demonstrar a assistência de um agente oculto. Tal fato se impõe, uma vez que na tradução da FEB a frase "POR OUTRO ESPÍRITO", simplesmente pode dar dupla interpretação:

- ESPÍRITO DESENCARNADO

- OUTRO ESPÍRITO ENCARNADO

Kardec, deixou bem claro que a assistência dava-se via Espírito desencarnado.


O Passe Espírita

Sobre o assunto, Kardec tratou sobre o aspecto geral de CURAS e nos demonstra que "este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o uso de qualquer medicação". (L. M. CAP. XIV - 175 - 2 PARTE).

Kardec questionava, pois entendia que o fenômeno não passava de magnetismo, mas sua perspicácia de cientista demonstrava que alguma coisa a mais existia.

Expôs que geralmente todos os magnetizadores são aptos a curar. Examinando mais profundamente o assunto, nos demonstra que diferente do magnetizador é o médium curador, uma vez que esta faculdade é espontânea, e que alguns a possuem sem terem tido, jamais, conhecimento do magnetismo. É assim que nos assinala que neste caso existe a intervenção de uma potência oculta, que é o que realmente constitui e caracteriza a mediunidade.

No item 176, do capítulo mencionado, Kardec formula uma série de perguntas que é importante analisar.

Pergunta - Podem considerar-se as pessoas dotadas de força magnética como formando uma variedade de médiuns?

Resposta - Não há que duvidar.

Pergunta - Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha.

Resposta - É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio... ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias."

Por aí vemos que no mecanismo da cura pelo Passe, são os Espíritos que conduzem o processo, pois que:

- AUMENTAM NOSSOS FLUIDOS
- DIRIGEM NOSSOS FLUIDOS
- QUALIFICAM NOSSOS FLUIDOS

Na 6ª pergunta, desejando saber se nas pessoas que possuem o dom de curar, se haveria também ação magnética ou apenas influência dos Espíritos, obteve como resposta: "uma e outra coisa. Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois que ATUAM SOB A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS".

CONCEITOS - Segundo Kardec, a ação fluídica se transmite de perispírito a perispírito, e deste ao corpo material. (REV. ESPÍRITA - ANO VIII - SETEMBRO 1865 - VOLUME 9 - PAG. 258).

Tal assertiva é hoje comprovada cientificamente, o que demonstra o papel importantíssimo do perispírito na economia orgânica. A comprovação temos em várias obras e principalmente no livro de Sheila Ostrander e Lynn Shoroeder, "Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro", à pag. 243, quando nos diz: "Os trabalhos preliminares com a fotografia Kirliana até agora parecem indicar que a cura psíquica ENVOLVE UMA TRANSFERÊNCIA de energia do CORPO BIOPLASMÁTICO DO CURADOR PARA O CORPO BIOPLASMÁTICO DO PACIENTE.

As mudanças ocorridas nesse nível finalmente se REFLETEM no corpo físico e, segundo se afirma, CURAM-NO".

Que é o Corpo Bioplasmático, energético, da ciência?

Nada mais que o Perispírito, que Kardec nos revelou há quase 140 anos.

Assim é que segundo Kardec, o PASSE, é a TRANSFERÊNCIA DE FLUIDOS DE PERISPÍRITO PARA PERISPÍRITO. (A GÊNESE - CAP. XIV - ITEM 31).

No movimento espírita, existem outros conceitos, tais como:

"É uma transfusão de energias psíquicas..." (Emmanuel - O Consolador - questão 99)

"É uma transfusão de energias regeneradoras..." (Marco Prisco - Ementário Espírita)

"Não é unicamente transfusão de energias anímicas. É o equilibrante ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos". (André Luiz - Opinião Espírita - cap. 55)

"...O passe é transfusão de energias fisio-psíquicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em teu benefício". (Emmanuel - Segue-me - cap. O PASSE).


Tipos de Passes

Em "A GÊNESE - CAP. XIV - ITEM 33", Kardec nos demonstra que "a ação magnética pode produzir-se por diversas formas:"

- Pelo próprio fluido do magnetizador (Passista).
- Pelos fluidos do Espírito (desencarnado).
- Pelos fluidos do Espírito (desencarnado) combinando com os fluidos do magnetizador (Passista).

Conforme já verificamos, o pensamento e a vontade exercem ação preponderante sobre os fluidos. Verificamos também, que a ação dos Espíritos é que realmente dá eficácia curadora, no magnetismo, aos fluidos humanos.

Dessa forma é importante a conscientização, em nossas Casas Espíritas, dos médiuns passistas e mesmo daqueles caracterizados como curadores, de que são os Espíritos que provocam as curas, servindo o médium como intermediário, pois são eles, os Espíritos quem AUMENTAM, DIRIGEM E QUALIFICAM nossos fluidos.

Pesquisando Kardec, vamos encontrar na REVISTA ESPIRITA - ANO VII - JAN. 1864 - PAG. 7, importante estudo, que nos elucida no assunto, quando nos diz:

..."Em geral o que magnetiza (Passista) não pensa senão em desdobrar essa força fluídica, derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido aos seus cuidados. SEM se ocupar se há ou não uma Providência interessada no caso, tanto ou mais que ele. AGINDO SÓ, não pode obter senão o que a sua força, sozinha, pode produzir; ao passo que os MÉDIUNS CURADORES começam por elevar sua alma a Deus, e a reconhecer que, POR SI MESMOS, NADA PODEM... Esse socorro que envia, são os bons Espíritos que vem penetrar o médium de seu fluido benéfico, que é transmitido ao doente... e, que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; AO PASSO que o magnetizador (passista) ordinário SE ESGOTA, por vezes em vão, a fazer passes, o MÉDIUM CURADOR infiltra um fluido regenerador pela SIMPLES IMPOSIÇÃO DE MÃOS, graças ao concurso dos bons Espíritos".

Continuando, à pag. 8 da mesma REVISTA ESPÍRITA, encontramos:

..."Na ação magnética propriamente dita, É O FLUIDO PESSOAL DO MAGNETIZADOR que é transmitido, e esse fluido, que não é senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência do Espírito..."

Em nossa opinião, o fluido não é o perispírito como deixa a entrever a tradução da Revista, mas sim o fluido vital, fluido magnético, levando em consideração os estudos dos Espíritos e de Kardec (ver item 3.3 - Princípio Vital - Perispírito).

Verificamos dessa forma, que NÃO HÁ diversos tipos de Passes. Nos trabalhos de socorro ao próximo, SEMPRE, estaremos secundados pelos Espíritos.

Assim, o Passe possui um único tipo, que podemos designá-lo, se assim o desejarmos de HUMANO-ESPIRITUAL, dado à simbiose que sempre haverá entre encarnados e desencarnados, mormente nesse campo de atividade.


Mecanismos do Passe

Segundo as circunstâncias, são variados os efeitos da ação dos fluidos sobre os doentes. Uma gama de condições são necessárias para a obtenção dos efeitos curativos desejados. Tais condições serão objeto de análise, em item próprio.

A ação dos fluidos às vezes é lenta, reclamando um tratamento seguido; outras vezes é rápida, quase que instantânea. Entre os pólos, lentidão e instantaneamente, há infinitas variações ..."O importante é que o princípio das curas é o mesmo: é o fluido que desempenha o papel de agente terapêutico, e cujo efeito é subordinado à sua qualidade e a CIRCUNSTÂNCIAS especiais". (Kardec - A GÊNESE - Cap. XIV, item 32).

Já vimos e sabemos que o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, do qual são transformações. Já vimos que o Princípio Vital (Fluido Vital, Fluido Magnético) também tem origem no Fluido Universal. "Por sua identidade de natureza, este fluido, condensado no perispírito, pode fornecer ao corpo os princípios reparadores; o agente propulsor é o Espírito encarnado ou desencarnado, que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância de seu envoltório fluídico". (Kardec - A GÊNESE - Cap. XIV - item 31).

Assim, mecanicamente, "o passe é uma ação dirigida dos fluidos, que são qualificados pelos Espíritos". (Kardec - O LIVRO DOS MÉDIUNS - Cap. XIV - item 176 - 2 perg.).

Continuando nossa análise e estudo, conclui-se que os Espíritos exercem ação sobre a matéria, que os fluidos são os materiais por eles utilizados, que pela ação do pensamento e da vontade os fluidos são qualificados, recebendo propriedades terapêuticas, podendo conduzir à cura da enfermidade. Assim é de suma importância a qualidade dos fluidos do médium passista, qualidades estas que refletem sua individualidade, sua moral, enfim seu proceder e modo de vida. Por quê? Porque sendo o passe uma simbiose de fluidos materiais e fluidos espirituais, guardam em si a procedência.

Para o processo de cura, levamos em conta que ela se processa substituindo os fluidos malsãos por fluidos bons.

Da mesma forma que os fluidos adquirem propriedades benfazejas, também podem, pelas circunstâncias, serem alterados para uma substância malfazeja. Tal fato se dá tendo em vista que o "fluido magnético tem duas fontes distintas: Os Espíritos encarnados e os Espíritos desencarnados.

Essa diferença de origem produz uma grande diferença na QUALIDADE do fluido e nos seus efeitos". (Rev. Espírita - Ano VII - Setembro 1865 - Vol. 9 pags. 249 e seguintes). "O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de IMPUREZAS FÍISICAS E MORAIS do encarnado; o dos bons Espíritos, é necessariamente MAIS PURO e, por isto mesmo, TEM PROPRIEDADES MAIS ATIVAS, que acarretam uma cura mais pronta. Mas, PASSANDO através do encarnado pode alterar-se...

Daí, para todo MÉDIUM CURADOR, a necessidade de trabalhar para seu melhoramento moral..." (Revista Espírita - Ano VII - Setembro 1865 - Vol. 9 - Pags. 249 e seguintes).

Assim compreende-se que o fluido dos Espíritos inferiores, deva aproximar-se do homem e possa ter propriedades maléficas, se, o Espírito for impuro e ANIMADO de MÁS INTENÇÕES.

As qualidades do fluido carregam consigo as qualidades físicas e morais do médium. E, "é evidente que o fluido emanado de um corpo malsão, PODE INOCULAR PRINCÍPIOS MÓRBIDOS, no enfermo". Portanto o fluido do passista pode ser SALUTAR ou INSALUBRE.

O mecanismo do Passe, dessa forma, reveste-se de grande responsabilidade por parte do médium passista, dos dirigentes e da própria Casa Espírita, tendo em vista que o fluido modificado, com as propriedades emanadas da vontade e do pensamento, agem sobre o Perispírito, que lhe é similar, e esse Perispírito reage sobre a economia orgânica, apesar de ainda ser quase desconhecido da ciência, que caminha a passos largos ao seu encontro, ou reencontro.

Para encerrarmos este item, Mecanismo do Passe, sugerimos ao leitor, a análise do capítulo: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA FOTOGRAFIA E TELEGRAFIA DO PENSAMENTO, EM OBRAS PÓSTUMAS de Allan Kardec.

Para nossa análise e estudo, estamos utilizando a Edição em idioma português, da FEB, de 1918, tradução de MAX (Bezerra de Menezes) e a Edição do Núcleo Espírita Caminheiros do Bem, tradução de Sylvia Mele Pereira da Silva, com introdução e notas de Herculano Pires, por julgá-las mais fiéis ao pensamento de Kardec.

Verifica-se que a ação dos fluidos, de pessoa para pessoa, com ou sem contato é um fato incontestável.

As pesquisas com as fotografias Kirliam, efetuadas em vários países, provam e comprovam a transferência e a ação de fluidos. Kardec, no estudo enunciado em "OBRAS PÓSTUMAS", deixa evidente que "Tal ação somente pode ser exercida por um agente intermediário do qual o NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, e nossos OLHOS e nossos DEDOS os principais órgãos de emissão e direção".

Nos instrui dizendo que o fluido perispiritual, "no estado de emissão, apresenta-se na forma de feixes luminosos..." Que este fluido "no estado ordinário, apresenta tonalidades diversas conforme os indivíduos dos quais emana: ora vermelho fraco, ora azulado ou acinzentado..." "Na maior parte das vezes espalha-se sobre os corpos adjacentes uma tonalidade amarelada, mais ou menos acentuada".

Novamente a fotografia Kirliana prova e comprova as assertivas de Kardec. As fotos demonstram as várias tonalidades do fluido, na sua emissão.

Diz-nos que somente a VONTADE pode ampliar ou restringir a ação dos fluidos. Que a VONTADE é o seu mais poderoso princípio, sendo que nesse princípio (a vontade) que se fundamenta a força magnética.

As simpatias ou antipatias, a atração ou repulsão, que muitas pessoas sentem uma pelas outras, se originam das qualidades particulares de cada fluido, de cada ser, que resulta uma espécie de harmonia ou de desacordo entre eles (os fluidos).

Talvez seja esta a razão pela qual certos pacientes se sentem bem, são mais sensíveis à ação de determinados médiuns passistas, e insensíveis a ação de outros.

Explicaremos agora, para finalizar, as razões de julgarmos as referidas traduções mais fiéis a Kardec. Vejamos:

OBRAS PÓSTUMAS - FEB. 14ª EDIÇÃO. TRADUÇÃO GUILLON RIBEIRO PAG. 107

"Semelhante ação só pode ser exercida por um agente intermediário, do QUAL SÃO RESERVATÓRIOS O NOSSO CORPO, OS NOSSOS OLHOS E OS NOSSOS DEDOS, PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

OBRAS PÓSTUMAS - FEB. 6ª EDIÇÃO - 1918 - TRADUÇÃO MAX (BEZERRA DE MENEZES) PAG. 81

"Não se pode, evidentemente, exercê-la (a ação) senão por intermédio de um agente, CUJO RESERVATÓRIO É O NOSSO CORPO, SENDO OS OLHOS E OS DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

OBRAS PÓSTUMAS - ED. NÚCLEO ESPÍRITA CAMINHEIROS DO BEM - LAKE - EDIÇÃO ESPECIAL - TRADUÇÃO SYLVIA MELE PEREIRA DA SILVA - INTRODUÇÃO E NOTAS DE J. HERCULANO PIRES - PAG. 77

"Tal ação evidentemente só pode ser exercida por um agente intermediário, DO QUAL O NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, E OS NOSSOS OLHOS E NOSSOS DEDOS, OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

Notaram a diferença? Na tradução de Guillon Ribeiro, o nosso corpo, os nossos olhos e nossos dedos, são o RESERVATÓRIO E ÓRGÃOS de emissão e direção do fluido.

Nas traduções de MAX (Bezerra de Menezes) e Sylvia M. P. da Silva, o NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, E OS NOSSOS OLHOS E DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS de emissão e direção.

OEUVRES POSTHUMES - DERVY - LIVRES - PARIS - ED. 1978 - PAG. 24

"Cette action ne pent évidemment s'exercer que par un agent intermédiaire DONT NOTRE CORPS EST LE RÉSERVOIR, NOS YEUX ET NOS DOIGTS les principaux organes d'emission et de direction".

TRADUÇÃO

Esta ação evidentemente só pode ser exercida por um agente intermediário ONDE NOSSOS CORPOS SÃO O RESERVATÓRIO, NOSSOS OLHOS E NOSSOS DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS de emissão e de direção.


Objetivo e finalidade do passe espírita

Já vimos a ação dos fluidos reparadores, qualificados e dirigidos pelos Espíritos; Já vimos que o pensamento e a vontade são elementos indispensáveis na emissão e na direção dos fluidos; Já vimos que os fluidos magnéticos, perispiritual, vital, e inclusive o perispírito e o corpo material, têm sua origem no fluido Cósmico.

Partindo dessa premissa, podemos afirmar que os objetivos e finalidades principais do passe espírita se consubstanciam no REEQUILÍBRIO DO ESPÍRITO, no REEQUILÍBRIO DO CORPO FÍSICO, e, no EXERCÍCIO DO AMOR AO PRÓXIMO.

Mas, para que esses objetivos e finalidades sejam colimados, necessário se faz uma compreensão e conscientização acerca das Leis que regem a Vida.

É dessa forma que o PASSISTA, deve conscientizar-se de que NÃO É MAGNETIZADOR, e, SIM MÉDIUM, pois que serve de intermediário, na transferência de fluidos salutares, qualificados e direcionados, entre os Espíritos (desencarnados) e os Espíritos (encarnados); conscientizar-se de que quem realiza a cura são os Espíritos (desencarnados) fundindo os seus próprios fluidos com os fluidos animalizados, vitalizados, do médium.

Com a compreensão desses fatores, e conscientes da importância do Pensamento e da Vontade nos processos de cura, entenderá que o processo se faz através de uma simbiose dos fluidos, tendo em vista a substituição de fluidos deletérios por fluidos salutares; e entenderá mais, pois verificará que nos processos de cura, a EMPATIA entre o médium passista e o enfermo é de suma importância, tendo em vista, que os fluidos devem ser simpáticos para se atraírem, pois caso contrário, serão repelidos e o resultado será nulo.

O Pensamento e a Vontade, NÃO SE circunscrevem somente aos médiuns passistas, mas também, e PRINCIPALMENTE, aos enfermos do corpo e do espírito.

Assim, cabe aos DIRIGENTES, aos ESCLARECEDORES, aos MÉDIUNS PASSISTAS, uma função de grande relevância no trabalho de passes: ESCLARECER os enfermos; ENSINAR-LHES a forma de pensar; INCENTIVAR a vontade, com vistas à realização da cura. Pergunta-se então:

COMO? Há quase 2.000 anos Jesus nos deixou a fórmula: "CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ". Que é a Verdade? É simples. Nada mais nada menos que A REALIDADE das COISAS. Portanto é importante a função de INOVAR os pensamentos, as imagens mentais deletérias que se criam, aumentando a capacidade de RECRIAR os pensamentos e conseqüentemente as imagens mentais, AUXILIANDO o enfermo na compreensão da Verdade e da Liberdade.

É importante incentivar a FÉ (certeza, convicção), a VONTADE, demonstrando ao enfermo a UNIDADE que existe entre ESPÍRITO e CORPO, ESPIRITUAL e FÍSICO, ensinando-lhes a se utilizarem dessa UNIDADE.

Para isso, recordamos Jesus: "A TUA FÉ TE CUROU".

Esta FÉ, é nada mais nada menos que convicção, certeza, vontade.

Como auxiliar e incentivar o enfermo?

Todos sabemos o que é a força do pensamento. Portanto, devemos ensinar-lhes a pensar e a criar imagens mentais saudáveis. É deveras importante lembrarmo-nos de que a linguagem das imagens mentais, PRECEDE a habilidade de se comunicar com palavras.

Na atualidade, a medicina (psicossomática) explora as conexões entre o ESPÍRITO e o CORPO, onde a medicina comportamentalista e a psiconeuroimunologia são dois exemplos.

A ciência e a medicina ocidental ainda relutam em aceitar o fato de que o ESPÍRITO pode alterar o CORPO, embora acreditem, firmemente, no oposto, ou seja, que o FÍSICO, O CORPO, pode afetar o MENTAL, O ESPÍRITO, e utilizam-se regularmente dessa conexão. Os exemplos deste fato estão no uso constante de tranqüilizantes, antidepressivos e anestésicos. Perguntamos então: Sendo óbvio que o CORPO pode afetar o ESPÍRITO, será que não seria LÓGICO pensar que a utilização da força do pensamento, da vontade, da fé, das imagens mentais, PODE AFETAR O CORPO?

Nos Estados Unidos, dois grandes periódicos científicos dedicam-se à pesquisa sobre as imagens mentais, e sua conexão com a saúde: The Journal of Mental Imagery da Marquette University, e, Imagination, Cognition and Personality, da Yale University.

Os trabalhadores e dirigentes espíritas, ensinando e esclarecendo os enfermos acerca da Verdade, com base na Doutrina dos Espíritos, e a formar e criar, com a força do pensamento, imagens mentais, estarão contribuindo para que estes mesmos enfermos TOMEM PARTE ATIVA no processo de cura, na sua saúde e no seu bem estar. Novamente podemos aplicar Jesus, meditando sobre a PARÁBOLA DO BOM SEMEADOR. Traçando um paralelo, veremos que nosso CORPO, tal como a terra, necessita de cuidados. Todos somos lavradores (Espíritos) aos quais são confiadas nossas terras (corpo). Como lavradores temos funções de trabalhar a terra e, naturalmente colher.

As terras (corpo) infestadas de ervas daninhas, espinhos, pedregulhos, não podem dar boa colheita.

Assim doenças, enfermidades, pensamentos negativos, viciosos e malsãos, são as ervas daninhas, espinheiros e pedregulhos que permitimos crescer em nossas terras (CORPO). Da mesma forma, emoções negativas, tais como ansiedade, depressão, medo, pânico, preocupações e desespero, também são ervas daninhas, espinheiros, e estão intimamente ligados às doenças e enfermidades, sejam do corpo, sejam do espírito.

Mas, se se reconhece a unidade básica ESPÍRITO-CORPO, não há porque se surpreender com a correlação entre emoções negativas e baixa imunidade. Da mesma forma, convicções positivas (FÉ-CERTEZA) nos trazem emoções positivas, como humor sadio, alegria e felicidade, demonstram sua ligação, sua correlação a respostas imunológicas positivas.

O pensamento e a vontade, gerando imagens mentais, serve para limpar as convicções negativas (ervas daninhas, espinheiros e pedregulhos) e substituindo-as por convicções positivas (alegria, confiança, fé) hauridas na compreensão, no estudo e na prática da Doutrina dos Espíritos, propiciará terreno salutar à SEMENTE, que fortalecida pelo Amor, dará colheita farta. Este o papel, a função dos dirigentes, ser o SEMEADOR. As imagens mentais possuem energia, e podemos criá-las para que ajam a nosso favor como agentes, acessórios, da cura.

Não há nada de complicado na forma de criar e utilizar as imagens mentais, pois podemos utilizar as aptidões normais, comuns a todos os seres.

Pergunta-se então: Como criar as imagens mentais?

Em nossos estudos e pesquisas, chegamos à conclusão de quatro componentes básicos, na preparação do pensamento e da vontade:

- INTENÇÃO
- TRANQÜILIZARÃO
- LIMPEZA
- TRANSFORMAÇÃO

Intenção

A intenção está intimamente ligada e depende da VONTADE, que é simplesmente o impulso que nos permite fazer escolhas. Cada um de nós tem VONTADE e ela se reflete nas escolhas que fazemos todos os dias. Todas as ações são atos da VONTADE.

Assim, a criação das imagens mentais está diretamente ligada à INTENÇÃO - ação mental que direciona nossa atenção e nossas ações. A intenção é a expressão ativa de nossos desejos.

Freqüentemente se manifesta em forma de ação física ou mental. Em suma, é aquilo que desejamos alcançar. Para isso, necessariamente, devemos sempre começar definindo e esclarecendo nossa intenção, isto é, o que queremos alcançar. Podemos exemplificar: se você quer curar uma dor de cabeça, DEVE dizer a SI MESMO, antes de iniciar o exercício, que está fazendo isso para CURAR a sua dor de cabeça. Você estará dando uma instrução INTERNA. Assim, quando damos uma instrução à nossa vontade, TEMOS UMA INTENÇÃO. Por conseguinte, a INTENÇÃO é uma VONTADE DIRIGIDA e é essencial para todo trabalho de CURA e de PASSES, constituindo-se então, a vontade alerta e a intenção consciente, a parte central do processo de cura.


Tranqüilizarão

Para este componente é importante a ambientação (ambiente, local, etc.). A ambientação requer dois tipos de tranqüilizarão: EXTERNA e INTERNA. A quietude, a paz externa, ajuda a concentração na tarefa de nos voltarmos para dentro de nós mesmos.

As distrações e as perturbações impedem este tipo de recolhimento, assim, temos que evitar os efeitos desagradáveis de ruídos perturbadores. Por outro lado, certos tipos de ruídos podem contribuir para a tranqüilidade interna: música ambiente saudável, som dos pássaros, da natureza, etc.

O importante é que o som, o ruído não nos aborreça e nem sejamos forçados a ignorá-lo. Quando nos esforçamos demais para evitar o barulho, o ruído, ocupamo-nos com isso e OBSTRUÍMOS o processo de criação de imagens mentais. Salientamos que a criação das imagens mentais, mesmo sendo tão fácil, É UMA FUNÇÃO ESPECÍFICA e não um hábito a mais a ser incorporado às atividades rotineiras. Dessa forma temos que as imagens mentais, para a CURA, através do PASSE, tem suas próprias características e funcionam melhor em local apropriado.

O aspecto interno da tranqüilizarão é o RELAXAMENTO, a CONCENTRAÇÃO.

Verificamos que o relaxamento, a concentração profunda, não é a mais adequada, pois pode tornar o médium e paciente menos alertas, sonolentos, e obviamente MENOS SENSÍVEIS ao processo.

A ênfase NÃO deve estar no relaxamento, na concentração, MAS SIM, na criação das imagens e posterior lembrança. O estado mental deve ser o de total atenção e alerta, e a própria atividade do PASSE, pode intensificar a atenção.


Limpeza

A LIMPEZA é um dos primeiros e mais importantes passos para que se abram os canais de criação das imagens mentais. Na antiguidade, os médicos egípcios consideravam o banho uma condição para a cura; os romanos eram famosos pelas técnicas de banho e purificação em suas termas medicinais; os antigos judeus instituíram um ritual de purificação chamado MIKVA, que tanto servia como lembrete da necessidade de cuidar da saúde pessoal quanto celebrar o SHABAT (em si, um dia de limpeza, de purificação).

Mas ao falar de limpeza, de sua necessidade, naturalmente estamos falando de ALGO ALÉM da limpeza física.

Sem pretender ser moralista, sabemos que ser saudável é estar "LIMPO" em todos os sentidos, objetivos e subjetivos, da palavra. Física, moral e eticamente. Eticamente falando, significa perguntarmo-nos o quanto LIMPOS estamos, em nossas relações com os semelhantes.

Quantas vezes já ouvimos dizer que "O CORPO NÃO MENTE"?

Isso se aplica tanto à nossa saúde física, quanto à nossa saúde espiritual, mental. Em cada um de nós, qualquer deslize de ordem ética ou moral, afeta o Espírito, que transmite ao Perispírito e que por sua vez manifesta-se no corpo físico, influenciando negativamente o funcionamento de nossa vida física, mental e espiritual. Haja visto os processos obsessivos.

Um deslize ético no significa apenas enganar ou fazer, intencionalmente, o mal a alguém. A questão é mais complexa: podemos enganar a nós mesmos.

Para que o Passe possa surtir os efeitos desejados, para que o processo de cura se concretize, precisamos começar fazendo uma verdadeira LIMPEZA, uma FAXINA, em nós mesmos. Isso é parte do ato consciente da VONTADE, que precede a abertura dos olhos, do Espírito, para a criação das imagens mentais; faz parte da DECISÃO de darmos uma olhada para dentro de nós mesmos, e de entender o que nossos corpos e sentimentos estão nos dizendo, com sinceridade. O Mestre Jesus já nos alertava: "Ouça quem tenha ouvidos de ouvir".


Transformação

O que queremos dizer por TRANSFORMAÇÃO, quando tratamos de processos de CURA e PASSES?

Transformar é mudar, alterar. Assim, transformação quer dizer, mudança, alteração da forma vivencial. Outro roteiro, novas formas de pensar e de agir.

Jesus, nos disse: "Aquele que quiser me seguir apanhe do arado e siga em frente, SEM OLHAR para trás".

Os cientistas, físicos quânticos modernos, bem como os antigos místicos chineses, dizem que: "O que experimentamos subjetivamente como TEMPO é, na verdade, UM FLUXO CONTÍNUO DE MUDANÇA" (TRANSFORMAÇÃO). A medicina tradicional chinesa é toda baseada na premissa de que a doença é sinomismo de bloqueio de energia. Em outras palavras, UMA RESISTÊNCIA à natureza mutante das coisas.

Emmanuel já nos dizia: NÃO EXISTE DOENÇAS, EXISTE DOENTES.

Psicologicamente, quando nos prendemos a algo fugaz, QUERENDO CRER que é permanente, geramos problemas, e com muita freqüência, os problemas acabam assumindo a forma de doenças físicas.

O processo de cura, através dos passes e das imagens mentais, e o fluxo do processo de mudança (transformação) estão indissoluvelmente ligados. Jesus já nos havia dado a fórmula da TRANSFORMAÇÃO: "VÁ E NÃO TORNES A PECAR, PARA QUE NÃO TE SUCEDA COISA PIOR".

Verifica-se então que a mudança, a transformação, NÃO deve se efetuar meramente nas características exteriores, MAS SIM, e principalmente, nas características interiores.

Dessa forma, INTENÇÃO, TRANQÜILIZARÃO, LIMPEZA e TRANSFORMAÇÃO, abrangem igualmente MÉDIUM PASSISTA e ENFERMO, como requisitos básicos de um estado espiritual e mental para o fim colimado: CURAR E SER CURADO.

Para concluirmos este tópico, temos a certeza de que a utilização dos recursos apontados, que propiciarão a participação ativa do enfermo no processo de cura, aliados à participação dos recursos magnéticos do médium, qualificados e dirigidos pelos Espíritos, atingir-se-á os objetivos de Reequilíbrio do Espírito, reequilíbrio do corpo físico, e principalmente atendermos a Jesus, no AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.


O agente do Passe

Todos podem ministrar o passe. Partindo da premissa de que TODOS somos Espíritos; que todos possuímos um Perispírito; que o Perispírito, bem como o corpo físico, tem sua origem no fluido Cósmico primitivo; que todos possuímos em maior ou menor quantidade o fluido vital, fluido magnético, obviamente que chegaremos à conclusão de que TODOS SOMOS MÉDIUNS. Uns com mais outros com menos sensibilidade. Mas é inegável que todos somos médiuns.

Uma vez que o PASSE ESPÍRITA é ministrado mediante uma conjugação de fluidos animalizados, vitalizados, do encarnado e dos fluidos espirituais dos desencarnados, que lhes dão as propriedades necessárias, que aumentam as nossas possibilidades fluídicas e que também dirigem estes mesmos fluidos, chegamos também à conclusão de que TODOS PODEMOS MINISTRAR O PASSE.

Vejamos o que nos diz Kardec, na REVISTA ESPÍRITA - ANO VII - SETEMBRO 1865 - VOL. 9:

No estudo sobre a mediunidade curadora, que dá início à página 249 da citada revista, demonstrado fica, entre várias considerações, que são RAROS na Terra, OS MÉDIUNS CURADORES, em virtude das qualidades que se exigem para esse mister.

Assim, à pag. 254 Kardec nos mostra que:

"Se a mediunidade curadora pura é privilégio das almas de escol, A POSSIBILIDADE DE SUAVIZAR certos sofrimentos, MESMO DE OS CURAR... a TODOS É DADA SEM QUE HAJA NECESSIDADE DE SER MAGNETIZADOR".

Continuando ainda à mesma página, nos diz:

"Como a TODOS é dado apelar aos bons Espíritos, ORAR E QUERER o bem, muitas vezes basta IMPOR AS MÃOS sobre a dor para a acalmar; É O QUE PODE FAZER QUALQUER UM, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus".

Continuando, encontramos na REVISTA ESPÍRITA - ANO 1866 - DEZEMBRO - PAG. 379, o seguinte:

"Quanto a adquirir a faculdade de médium curador, NÃO há método para isto; TODO MUNDO PODE, EM CERTA MEDIDA, adquirir esta faculdade e, agindo em nome de Deus, cada um fará as suas curas".

(Mensagem do Príncipe HONENLOHE, na Soc. Espírita de Paris - 26.10.1866).

E igualmente, vemos na REVISTA ESPÍRITA - OUTUBRO 1867 - PAG. 317, que:

"TODO O MUNDO POSSUI MAIS OU MENOS a faculdade curadora".

Conclui-se dessa forma que TODOS podem curar, TODOS podem exercer a função de PASSISTAS, colaborando com os Espíritos Superiores, na tarefa com e para Jesus.

E para finalizar, lembremo-nos de Jesus, segundo a narrativa de Mateus, Cap. 17, versículos 14 a 20, em que o Mestre demonstra o poder da fé, quando um homem do povo se aproximou e disse que seu filho era lunático; que o havia levado aos seus discípulos, mas que não puderam curá-lo. E o mestre o curou. Então "os discípulos vieram estar com Jesus em particular e lhe perguntaram:

Porque não pudemos nós outros expulsar esse demônio? Respondeu-lhes Jesus: POR CAUSA DA VOSSA INCREDULIDADE. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a FÉ DO TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA, direis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, E NADA VOS SERIA IMPOSSÍVEL". E Allan Kardec, em "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, cap. XIX, comentando a fé, nos diz no item 5: "O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível". E no mesmo capítulo, item 12, uma mensagem que assina um ESPÍRITO PROTETOR, em 1863, finaliza dizendo: "O magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação"... "SE TODOS os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, eles chamaram de prodígios e que no entanto, não passa de um DESENVOLVIMENTO DAS FACULDADES HUMANAS". Kardec, ainda em "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP. XXVII - item 14, nos esclarece, dizendo: "Por exercer a prece uma como ação magnética, poder-se ia supor que o seu efeito depende da força fluídica. Assim, entretanto, não é. Exercendo sobre os homens essa ação, os Espíritos, em sendo preciso, SUPREM a insuficiência daquele que ora, ou agindo diretamente em seu nome..."

O médium passista espírita - Quando analisamos, item 4.5, os objetivos e Finalidades do PASSE ESPÍRITA, enfocamos o Pensamento e a Vontade no processo de criação de imagens mentais, com ênfase aos quatro componentes básicos, na preparação do pensamento e da vontade.

Tais componentes básicos: INTENÇÃO - TRANQÜILIZARÃO - LIMPEZA - TRANSFORMAÇÃO, NÃO se aplicam SOMENTE para as condições receptivas do enfermo, MAS SIM, e PRINCIPALMENTE para os médiuns passistas.

Já verificamos, por uma série de fatores, que quem realiza a cura são os Espíritos. Para poder contar com o concurso dos Espíritos Superiores, fator indispensável para se obter a cura, "a primeira condição para isto é trabalhar em sua própria depuração, (MORAIS E ÉTICAS) a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir. Esta condição no poderia* ser executada sem o mais completo desinteresse MATERIAL e MORAL. O primeiro é o mais fácil, o segundo é o mais raro, porque o orgulho e o egoísmo são os sentimentos mais difíceis de extirpar, e porque várias causas contribuem para os superexcitar nos médiuns". (REV. ESPÍRITA - ANO IX - NOVEMBRO 1866 - VOL. 11 - PAG. 352) (CAIXA ALTA E PARÊNTESES NOSSOS). Continuando, vamos encontrar à pág. 353, da Revista Espírita citada, um importante alerta, quando lemos:

"O poder de curar independe da vontade do médium: é um fato adquirido pela experiência. O QUE DEPENDE DELE são as QUALIDADES que podem tornar FRUTUOSO e DURÁVEL. Essas qualidades são sobretudo o DEVOTAMENTO, a ABNEGAÇÃO e a HUMILDADE; o EGOÍSMO, o ORGULHO e a CUPIDEZ são pontos de parada, contra os quais se quebra a mais bela faculdade". E à pág. 354, em continuação temos: "O verdadeiro médium curador, o que compreende a santidade de sua missão, é movido pelo único desejo do bem; não vê no Dom que possui senão um meio de tornar-se útil aos seus semelhantes, e não um degrau para elevar-se acima dos outros e por-se em evidência. É humilde de coração... Nem procura o brilho, nem o renome, nem o ruído de seu nome, nem a satisfação de sua vaidade. Não há, em suas maneiras, nem jactância, nem basófia; não exibe as curas que realiza, ao passo que o orgulhoso as enumera com complacência, muitas vezes as amplia, e acaba por se persuadir que fez tudo o que diz".

O médium consciente, SERVE e PASSA. Serve a Jesus e passa pela existência afora. Tal é a característica do médium amado e respeitado pelos bons Espíritos.

Dessa forma entendemos que existem requisitos e condições que são básicas e desejáveis para o exercício do PASSE ESPÍRITA, que podemos sintetizar em:

FÉ (CERTEZA-CONVICÇÃO)
AMOR AO SEMELHANTE (RESPEITO E COMPREENSÃO DOS PROBLEMAS DO SER)
DISCIPLINA (PONTUALIDADE E CONSTÂNCIA)
VONTADE (ESPÍRITO DE SERVIR)
CONHECIMENTO (ESTUDO CONSTANTE DA DOUTRINA ESPÍRITA)
EQUILÍBRIO PSÍQUICO (PRECE-MEDITAÇÃO-LIGAÇÃO COM O PLANO ESPIRITUAL)
HUMILDADE-ABNEGAÇÃO
Entendemos, igualmente, os fatores negativos para o concurso do Passe, que sintetizamos:


PRINCIPAIS FATORES NEGATIVOS FÍSICOS

- Alimentos inadequados
- Desequilíbrio nervoso
- Uso do fumo e do álcool

PRINCIPAIS FATORES NEGATIVOS ESPIRITUAIS/MORAIS

- Mágoas excessivas (tristeza, desânimo, depressão, revolta íntima, inquietude)
- Paixões (emoções que se sobrepõem à lucidez e à razão)
- Egoísmo (amor excessivo ao bem próprio - exclusivismo)
- Orgulho (amor próprio demasiado - soberbo - arrogante - altivo)
- Vaidade (Presunção - frívolo - desejo de atrair admiração)
- Cupidez (cobiça - revelação de desejos amorosos, carnais)

Para encerrarmos este item, lembremo-nos de uma frase de Emmanuel – no livro SEGUE-ME:

"Se pretendes, pois, guardar as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, PURIFICA o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro".

A técnica do passe espírita - O PASSE ESPÍRITA é destituído de qualquer técnica especial, dispensando, conforme André Luiz nos informa em CONDUTA ESPÍRITA, "na sua transmissão, qualquer recurso espetacular".

Herculano Pires, no livro Mediunidade, salienta que o "Passe é tão simples, que não se pode fazer mais do que dá-lo".

Para corroborar a simplicidade do Passe Espírita, no que concerne às técnicas de magnetização, lembremo-nos sempre de que somos MÉDIUNS e NÃO magnetizadores. E Kardec, na Revista Espírita, ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9, à pag. 254, nos diz que "O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, MAS NÃO INDISPENSÁVEL".

Na mesma página, referindo-se aos médiuns curadores, nos diz que: "Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência desta ou daquela fórmula. Às vezes, mesmo, a isto misturam práticas evidentemente supersticiosas, às quais se deve emprestar o valor que merecem".

Queremos deixar claro que NÃO somos contrários a determinadas técnicas, mencionadas por estudiosos encarnados e desencarnados, salientando que cada um apresenta o seu ponto de vista, segundo sua ótica pessoal. No entretanto, examinando, analisando e estudando Kardec, chegamos, muitas vezes, a conclusões divergentes daqueles autores. Contudo, respeitamos seu ponto de vista.

É assim que encontramos técnicas como:

- Sopro - Insuflação (quente/frio) - André Luiz - Os mensageiros - Cap. 19, Conduta Espírita - 28

- Rotativo - Circular - André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19

- Dispersão - André Luiz - Ação e Reação - Cap. 3, Manoel Philomeno Miranda - Grilhões Partidos - Cap. 15

- Longitudinal - André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19

Não nos cabe discutir e polemizar sobre a validade ou no destas técnicas. Ficamos com Kardec, como já dissemos, e repetimos: "Como a TODOS é dado apelar aos bons Espíritos, ORAR e QUERER o bem, muitas vezes BASTA IMPOR AS MÃOS sobre a dor para a acalmar; É O QUE PODE FAZER QUALQUER UM, se trouxer a FÉ, o FERVOR, a VONTADE e a CONFIANÇA em DEUS". (Revista Espírita - ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9 - pág. 254).

SIMPLES não é? Como tudo na vida. Jesus foi simples, Kardec foi simples. Nós é que somos complicados e, acabamos complicando as coisas simples, com a nossa complicação. Sejamos simples, como Jesus e Kardec. Já falamos sobre a posição mental do Passista e sobre a posição e preparação mental do enfermo, antes, durante e após ao passe.

Enfocaremos agora, sucintamente, pela ordem os seguintes critérios:

- Quando o passe deve ser aplicado;
- Preparação do ambiente;
- Forma de Aplicação do Passe Espírita;
- O Passe no Centro Espírita;

Quantos Passes podemos aplicar?

1 - O passista é um trabalhador de Jesus. O passe não é privilégio de ninguém. Não há contra indicação para o passe. Todavia, recomenda-se, sua aplicação somente nos casos, necessários, de enfermidade física, psíquica ou espiritual. É muito difícil diagnosticar quando REALMENTE uma pessoa necessita de passes, pois várias enfermidades mantém-se ocultas, ao longo de vários anos.

Nos casos de enfermidade, o passe espírita NÃO dispensa o tratamento médico.


2 - Entendido o tratamento através do Passe Espírita, como sendo de alcance terapêutico, justo é compreender que esse serviço deve ser realizado em ambiente devidamente preparado. No ambiente deve manter-se a CALMA, a CONVERSAÇÃO EDIFICANTE, a MENTE e os PENSAMENTOS SADIOS, o RESPEITO MÚTUO. André Luiz, em Conduta Espírita, nos esclarece que "De ambiente poluído nada de bom se pode esperar".


3 - Como já dissemos, o Passe é simples. É a transmissão de fluidos, mediante sua emissão através da VONTADE, portanto pela mente. Para isso, movidos pela vontade e amor, basta IMPOR AS MÃOS sobre o enfermo, sobre a cabeça de preferência. Os Espíritos amigos sabem melhor do que nós qual o órgão ou órgãos mais necessitados de fluidos restauradores. Com o pensamento edificante voltado para Jesus, não é preciso nenhuma regra especializada e nenhum gesto especial, ou movimentos convencionados. O Passe, NÃO requer contato físico com o enfermo.


4 - O Centro Espírita, atendendo ao objetivo maior da Doutrina dos Espíritos que é a cura da alma, DEVE possuir o serviço de PASSES destinado ao tratamento físico e espiritual daqueles que o procuram para o alívio de suas dores. A par desse serviço, DEVE possuir equipes de companheiros, com o fim de ELUCIDAR aos que procuram o serviço dos Passes, no tocante aos preceitos doutrinários e ORIENTANDO-OS quanto às atitudes que devem observar para melhor receberem seus benefícios, inclusive após o tratamento. DEMONSTRAR com base na Doutrina dos Espíritos, a RAZÃO de nossas dores, imprimindo novas diretrizes à vida.

O serviço e aplicação de passes, no Centro Espírita, deve ser efetuado em sala adequada, e reclama CRITÉRIO, DISCERNIMENTO, RESPONSABILIDADE, CONHECIMENTO DOUTRINÁRIO.

O passe não deve ser aplicado à esmo, sem necessidade. Tampouco deve ser alimentada a imagem mística do passe ou criada idéia misteriosa a seu respeito e em torno dele.

Lembrar sempre que o Passe no Centro Espírita NÃO é a atividade mais importante, e SIM, um auxiliar junto a todos os recursos utilizados. E para concluirmos nosso estudo:


5 - Não existe número ou limite para a quantidade de passes que podemos aplicar. Tal assertiva tem como base, de que somos médiuns, servindo de intermediários entre os Espíritos e os homens.

No tratamento com recursos do Passe, o médium não tem esgotamento de seus princípios vitais.

É Kardec quem nos afirma na Revista Espírita - ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9 - pag. 252:

"Sendo o fluido humano menos ativo, exige uma magnetização continuada e um verdadeiro tratamento, por vezes muito longo. GASTANDO o seu próprio fluido, o MAGNETIZADOR se ESGOTA e se FATIGA, pois que dá de seu próprio fluido vital. Por isso deve, de vez em quando, recuperar suas forças. O FLUIDO ESPIRITUAL, mais poderoso, em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, por vezes quase instantâneos. NÃO SENDO ESSE FLUIDO DO MAGNETIZADOR, RESULTA QUE A FADIGA É QUASE NULA". Assim "O MÉDIUM CURADOR recebe o INFLUXO fluídico do Espírito, AO PASSO que o magnetizador tudo tira de si mesmo".

André Luiz, em Conduta Espírita, já nos adverte que "O médium, no serviço de passes, NÃO deve temer pela exaustão de suas forças".



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imagem: feapamorepaz.com


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