
Com permissão do dalailam
J. Herculano Pires
texto - http://tamoporai.blogspot.com/
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Com permissão do dalailam
J. Herculano Pires
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Humberto Mariotti
Todos os males que afligem a Humanidade têm suas raízes nos grandes problemas sociais. Importantes ideologias políticas estão empenhadas em solucioná-los; mas esses problemas, em vez de se resolverem, tornam-se cada vez mais graves, com o perigo de se converterem em catástrofes coletivas. No entanto, o esforço dessas ideologias merece o mais franco reconhecimento, pois demonstram elas estar vivendo esses conflitos sociais, sem iludi-los nem fugir de suas grandes realidades. O Espiritismo militante, entretanto, que representa toda uma ciência da alma, e dessa maneira uma perfeita sincronização entre o corpo e o espírito, ainda não demonstra um real interesse pelo estudo dos problemas sociais. Salvo alguns casos isolados, não existe na militância espírita uma continuidade ideológico-social, que nos permita assinalar um verdadeiro enfoque dos contraditórios fenômenos do presente processo histórico.
Acreditamos que a Filosofia Espírita deve penetrar nos fenômenos sociais com sua extraordinária sociologia, já que esta constitui uma verdadeira revolução, no que respeita ao conhecimento do espírito encarnado e de suas relações com as leis da sociedade.
Estas mesmas leis obrigam o Espiritismo militante a enfrentar as contradições sociais e econômicas, com sua visão espiritual do Homem e da História, com o que demonstraria a maneira por que o espírito rege e determina os grandes fatos políticos e econômicos. Se o Espiritismo permanecesse à margem da questão social, adotaria um critério evasivo perante as grandes coletividades humanas que sofrem, esperando sua definitiva redenção.
Por outro lado se desvalorizaria o pensamento sociológico dos que encararam de forma decisiva os temas sociais à luz da Filosofia Espírita. Como sabemos, o Espiritismo possui uma riquíssima teoria sociológica, e chegou o tempo de sua aplicação à sociedade humana. Além disso, ignorar que o Espiritismo tem um destino social seria desconhecer suas grandes linhas humanistas e a missão que lhe cabe em face à dor humana. Esse destino do Espiritismo é corroborado por seu caráter integral, pois um só fato social que ele não encarasse bastaria para fragmentar sua natureza de ciência universal, cuja missão é abranger todos os problemas da Humanidade.
Os que têm a propensão de circunscrevê-lo às experiências de laboratório negam o seu caráter transcendente, limitam e retardam o seu apostolado espiritual e social. O Espiritismo, segundo o critério kardecista, é um movimento fraternal que procura fundar no mundo uma associação de homens e espíritos, reciprocamente integrados nas grandes lutas pelo progresso e pela evolução. Sua militância social e fraterna dirige-se sobretudo aos tristes e necessitados, que sofrem sob o contraditório sistema econômico contemporâneo. Por isso, Kardec, referindo-se aos trabalhos e funções sociais da Doutrina Espírita, declarou: “E aos deserdados, mais do que aos felizes do mundo, que o Espiritismo se dirige.”
As questões sociais, que agitam o mundo contemporâneo, devem receber a contribuição da escola kardecista. Mas esta contribuição só poderá ser conhecida se a ação dos homens e mulheres espíritas incidir sobre os tremendos instantes por que passa o mundo. A Sociologia contemporânea procura situar a luta de classes dentro do Tomismo, do Marxismo ou do Comunitarismo, esta nova escola social surgida há pouco. Mas uma Sociologia, seja qual for, que não resolvesse também as situações éticas e psicológicas do indivíduo, jamais representaria uma solução para o drama geral que a Humanidade vive.
Léon Denis escreveu:
“Todas as doutrinas econômicas e sociais serão impotentes para reformar o mundo e minorar os males da humanidade, porque sua base é demasiado estreita e elas colocam apenas na vida presente a razão de ser, a finalidade, o objetivo desta vida e de todos os nossos esforços. Para extinguir o mal social é necessário elevar a alma humana à consciência de seu papel, fazê-la compreender que sua sorte depende dela própria, e que sua felicidade sempre será proporcional i à extensão dos seus triunfos sobre si mesma e sua abnegação para com os demais.
A questão social será resolvida quando o altruísmo substituir o personalismo exclusivista e estreito. Os homens se sentirão irmãos e iguais perante a lei divina, que reparte a cada um os bens e os males necessários à sua evolução, os meios de vencer-se a si mesmo e acelerarem a sua ascensão.(*)
Os fenômenos sociais são fatos que ferem a sensibilidade, o que significa que a evolução moral é de caráter espiritual. Fazer do Espiritismo uma idéia contemplativa, que espreita as lutas sociais sem nelas intervir com sua doutrina, seria desnaturá-lo, colocando-o longe da ação criadora dos espíritos progressistas.
Lembremo-nos de que a Filosofia Espírita ultrapassa a visão social das demais doutrinas, porque, além de apresentar uma Sociologia deste mundo, mostra ao Homem uma Sociologia palingenésica do espírito, vinculada com os mundos invisíveis: liga as vidas sucessivas do Ser, fazendo-as dependentes umas das outras. A ideologia espírita não procede como os demais sistemas, que se circunscrevem a um único centro: o da Terra, esquecendo-se da vida espiritual. A Sociologia Espírita reconhece um constante enlace entre o visível o invisível, interpretando o processo social como um fato histórico sujeito a influências metapsíquicas, que se desenvolve na interação dos espíritos encarnados e desencarnados.
(*) “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, Léon Denis.
Vejamos qual o parecer de Allan Kardec a respeito:
Quem tenha meditado sobre o Espiritismo e suas conseqüências, e que o reduza á produção de alguns fenômenos, compreende que ele abre à Humanidade um novo roteiro, mostrando-lhe, de passagem os horizontes do Infinito. Ao iniciá-la nos mistérios do mundo invisível, revela-lhe o seu verdadeiro papel na Criação. Desempenhando um papel perpetuamente ativo, tanto em estado corporal como espiritual, o Ser humano já não marcha às cegas; sabe de onde vem , para onde vai e porque existe.
O futuro se lhe apresenta, na realidade, isento dos preconceitos da ignorância e da superstição; já não é vaga esperança, senão uma verdade palpável, tão positiva para ele como a sucessão do dia e da noite. Sabe que seu Ser não está limitado a alguns instantes de uma existência efêmera, que a vida espiritual não é interrompida pela morte; que já viveu, que tornará a viver, e que tudo quanto avançar, -na Ciência e na Moralidade, pelo trabalho, lhe servirá para o futuro.
Em suas existências anteriores encontra a razão do que é hoje, e do que hoje conseguir ser poderá deduzir o que será amanhã.
Que importa ao homem o progresso da Humanidade, se acreditar que a atividade e a cooperação do individuo na obra geral da civilização ficam limitadas à vida presente, que nada foi e que ao nada terá de voltar?
Que lhe importa que no futuro os povos tenham que ser mais bem governados, mais felizes, mais ilustrados e melhores uns para com os outros?
Visto que o indivíduo não terá nenhum proveito com tais progressos, não são perdidos e inúteis para ele? De que serve trabalhar para os que virão depois, se não ira’ conhecê-los, se serão seres novos que, pouco depois, terão também de voltar para o nada?
Sob o influxo da negação do porvir individual, tudo se reduz, fatalmente, às mesquinhas proporções do momento e da personalidade.
Pelo contrário, que amplitude dá ao pensamento do homem a certeza da perpetuidade de seu Ser espiritual! Que coisa mais racional, mais grandiosa, mais digna do Criador se pode conceber, que essa lei em virtude da qual a vida espiritual e a vida corporal são dois modos de existência alternados, que têm por objetivo a realização do progresso? Que pode haver de mais justo e consolador que a idéia dos mesmos seres progredindo sem cessar, primeiro através das gerações, e logo de mundo em mundo, até à perfeição, sem solução de continuidade?
Todas as ações têm seu objetivo, porque, trabalhando para todos, trabalha-se para si mesmo e assim reciprocamente; de modo que nem os progressos individuais, nem os da totalidade, em nenhum caso são estéreis. Aproveitam às gerações e aos indivíduos que hão de vir, e que não são outros senão as gerações e os indivíduos que já foram, e agora chegados a um grau mais elevado de desenvolvimento.
Como vemos, o homem não é o resultado do acaso material, nem desaparece espiritualmente com a sua extinção corporal, segundo a concepção materialista da existência. A visão espírita nos mostra que cada ato e cada ação do ser humano tem sua repercussão sobre os fatos sociais e particulares: sua moral se une assim com o futuro; daí se conclui que o Espiritismo reconhece um verdadeiro encadeamento entre o particular e o coletivo, o oculto e o visível, isto é, que tanto o passado como o presente se unem entre si, graças à lei palingenésica, já que o homem de ontem é o de s hoje e ode hoje será ode amanhã.
Em conseqüência, se o homem espírita não iniciar a sua ação sociológica, ocultará com esse proceder c as grandes concepções sociais do Espiritismo. A Terra tem necessidade de uma Sociologia espiritual; a doutrina espírita deverá penetrar nas contradições humanas, já que ela nos trouxe o exato conhecimento das leis sociais. Só assim a Humanidade se acostumará a considerar a possibilidade de uma concepção espiritista da sociedade, sem nenhuma classe de dúvidas nem de vacilações.(*)
(*) O problema da Sociologia Espírita foi amplamente estudado num curso de Introdução à Filosofia Espírita, dado em 1964, no Clube dos Jornalistas Espíritas de 5. Paulo. A Edicel publicará esse curso, num volume próximo da sua Coleção Filosófica, a que pertence este livro. E publicará posteriormente o livro “Sociologia Espírita”, do grande pensador argentino, Manuel 5. Porteiro, atualmente em fase de tradução. (N. do Rev.)
O Homem e a Sociedade Numa Nova Civilização – Humberto Mariotti
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Grupo de Estudos Avançados Espíritas
(Trechos do Capítulo XV - Os Milagres do Evangelho, A Gênese - FEB, tradução de Guillon Ribeiro, extraídos da versão eletrônica publicada em CD-ROM pela editora "A Palavra Digital", http://www.apalavradigital.com.br)
1. - Os fatos que o Evangelho relata e que foram até hoje considerados milagrosos pertencem, na sua maioria, à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma.
Confrontando-os com os que ficaram descritos e explicados no capítulo precedente, reconhecer-se-á sem dificuldade que há entre eles identidade de causa e de efeito. A História registra outros análogos, em todos os tempos e no seio de todos os povos, pela razão de que, desde que há almas encarnadas e desencarnadas, os mesmos efeitos forçosamente se produziram. Pode-se, é certo, contestar, no que concerne a este ponto, a veracidade da História; mas, hoje, eles se produzem às nossas vistas e, por assim dizer, à vontade e por indivíduos que nada têm de excepcionais. O só fato da reprodução de um fenômeno, em condições idênticas, basta para provar que ele é possível e se acha submetido a uma lei, não sendo, portanto, miraculoso.
O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como já vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constituí o agente magnético; nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos estes elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se, como conseqüência, de admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural.
2. - Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino.
Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, nº 9). Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.
Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.
(...)
64. - O desaparecimento do corpo de Jesus após sua morte há sido objeto de inúmeros comentários. Atestam-no os quatro evangelistas, baseados nas narrativas das mulheres que foram ao sepulcro no terceiro dia depois da crucificação e lá não o encontraram. Viram alguns, nesse desaparecimento, um fato milagroso, atribuindo-o outros a uma subtração clandestina.
Segundo outra opinião, Jesus não teria tido um corpo carnal, mas apenas um corpo fluídico; não teria sido, em toda a sua vida, mais do que uma aparição tangível; numa palavra: uma espécie de agênere. Seu nascimento, sua morte e todos os atos materiais de sua vida teriam sido apenas aparentes. Assim foi que, dizem, seu corpo, voltado ao estado fluídico, pode desaparecer do sepulcro e com esse mesmo corpo é que ele se teria mostrado depois de sua morte.
É fora de dúvida que semelhante fato não se pode considerar radicalmente impossível, dentro do que hoje se sabe acerca das propriedades dos fluidos; mas, seria, pelo menos, inteiramente excepcional e em formal oposição ao caráter dos agêneres. (Cap. XIV, nº 36.) Trata-se, pois, de saber se tal hipótese é admissível, se os fatos a confirmam ou contradizem.
65. - A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida (*) . Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e nada têm de anômalos, pois que se explicam pelas propriedades do perispírito e se dão, em graus diferentes, noutros indivíduos. Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. É tão marcada a diferença entre os dois estados, que não podem ser assimilados.
O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, propriedades que diferem essencialmente das dos fluidos etéreos; naquela, a desorganização se opera pela ruptura da coesão molecular. Ao penetrar no corpo material, um instrumento cortante lhe divide os tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atacados, cessa-lhes o funcionamento e sobrevém a morte, isto é, a do corpo. Não existindo nos corpos fluídicos essa coesão, a vida aí já não repousa no jogo de órgãos especiais e não se podem produzir desordens análogas àquelas. Um instrumento cortante ou outro qualquer penetra num corpo fluídico como se penetrasse numa massa de vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Tal a razão por que não podem morrer os corpos dessa espécie e por que os seres fluídicos, designados pelo nome de agêneres, não podem ser mortos.
Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos o puderam ver e tocar. Após a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz; donde forçoso é concluir que, se foi possível que Jesus morresse, é que carnal era o seu corpo.
Por virtude das suas propriedades materiais, o corpo carnal é a sede das sensações e das dores físicas, que repercutem no centro sensitivo ou Espírito. Quem sofre não é o corpo, é o Espírito recebendo o contragolpe das lesões ou alterações dos tecidos orgânicos. Num corpo sem Espírito, absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão, o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos, visto que estes resultam da alteração da matéria, donde também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.
66. - Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais.
Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até ao último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade.
Tais as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem. (2)
Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.
67. - Não é nova essa idéia sobre a natureza do corpo de Jesus. No quarto século, Apolinário, de Laodicéia, chefe da seita dos apolinaristas, pretendia que Jesus não tomara um corpo como o nosso, mas um corpo impassível, que descera do céu ao seio da santa Virgem e que não nascera dela; que, assim, Jesus não nascera, não sofrera e não morrera, senão em aparência. Os apolinaristas foram anatematizados no concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381.
Tinham a mesma crença os Docetas (do grego dokein, aparecer), seita numerosa dos Gnósticos, que subsistiu durante os três primeiros séculos.
(*) Kardec acrescenta ao texto o comentário: "Não falamos do mistério da encarnação, com o qual não temos que nos ocupar aqui e que será examinado ulteriormente". Esse tema não chegou a ser tratado por Kardec, que desencarnou no ano seguinte ao da publicação da Gênese.
(Publicado no Boletim GEAE Número 321 de 1 de dezembro de 1998)
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Bismael B Moraes(*)
Introdução ao tema
Como se acha ou em que pé se encontra a influência mesológica dos seres humanos nas áreas onde vivem e atuam? Como eles tratam o meio ambiente de que todos dependem? O grande brasileiro Ruy Barbosa, ao seu tempo, já ensinava algo mais ou menos assim: se cada pessoa limpar a frente de sua casa, a cidade toda será limpa. Numa análise macro-social, sendo a Terra o nosso lar, se não nos preocuparmos com o seu equilíbrio, como será a nossa vida e a das futuras gerações? Faz parte do progresso do ser humano que ele próprio destrua seu habitat?
Todos os espíritas conscientes sabem que a moral é a regra de cada um conduzir-se no bem e, porque se funda na Lei Natural ou Lei de Deus, permite-nos facilmente distinguir o certo do errado. Compreendemos – porque todos somos dotados de razão e de livre arbítrio – que o ato por nós praticado só é moralmente correto quando visa ao bem geral, ou seja, ao bem de todos, ao bem coletivo. E como não queremos o mal para nós, não devemos desejá-lo aos semelhantes.
O grande físico do século 20, Albert Einstein, em seu livro "Como Vejo o Mundo" (Editora Nova Fronteira), afirma: "E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida – corpo e alma – integralmente tributária do trabalho dos vivos e dos mortos. Sou realmente um homem, quando meus pensamentos e atos têm uma única finalidade: a comunidade e seu progresso".
No livro "Renúncia", de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, encontramos o seguinte: "O mundo material é uma tenda de esforços infinitos, onde fomos chamados a colaborar com o Criador no aperfeiçoamento de suas obras". Pode-se ler no livro "Palavras de Emmanuel", psicografado por Chico Xavier, que "o quadro social que existe na Terra não foi formado pela vontade do Altíssimo; ele é reflexo da mente humana, desvairada pela ambição e pelo egoísmo".Noutro livro – "Pão Nosso" - de Emmanuel, também psicografado por Chico Xavier, temos esta lição: "A vida humana, apesar de transitória, é a chama que nos coloca em contato com o serviço de que necessitamos para a ascensão justa. Nesse abençoado ensejo, é possível resgatar, corrigir, aprender, ganhar, conquistar, reunir, reconciliar e enriquecer-se no Senhor".
Um resumo de Ética
Ética, para o filósofo Sócrates, é o estudo do procedimento ideal, da sabedoria de viver. Ética é, também, o ramo da filosofia que trata da essência, da origem e do caráter da moral; cuida da consciência moral e do livre arbítrio.Ética profissional é o conjunto de princípios que exige de cada integrante desta ou daquela carreira o dever moral de cumprir a lei e atuar com probidade. Ética, na visão do Espiritismo, tem sua base na Lei Natural, ou Lei de Deus, ou Lei Moral, nela estabelecendo-se a medida da Justiça Divina: "Não fazer ao semelhante o que, naturalmente, não deseja para si mesmo".
Em "O Homem Integral" (Alvorada Editora, Salvador, BA, 1996, p.53/46), Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, ao tratar da consciência ética, encontramos que "o homem é o único ‘animal ético’ que existe. Não obstante, um exame da sociedade, nas suas variadas épocas, face à agressividade bélica, à indiferença pela vida, à barbárie de que dá mostras em inúmeras ocasiões, nos demonstra o contrário". E mostra que o indivíduo deve fazer um mergulho introspectivo para se conhecer melhor como um membro responsável da sociedade humana, da qual sempre necessita. E, amadurecendo psicologicamente, tal indivíduo assume a sua parte na humanidade. Aí, "as ações humanitárias são o passo que desvela a consciência ética no indivíduo, que já não se contenta com a experiência do prazer pessoal, egoísta, dando-se conta das necessidades à sua volta, aguardando-lhe a contribuição". E complementa: "A consciência ética é a conquista da iluminação, da lucidez intelecto-moral, do dever solidário e humano".
E, nas páginas 99/101, ao falar do ter e do ser, mostra que "cunhou-se o conceito irônico de que o dinheiro não dá felicidade, porém ajuda a consegui-la. Ninguém o contesta; no entanto, ele não é tudo". Mas, argumenta Joanna de Angelis que "cada indivíduo tem suas próprias aspirações e metas, não podendo ser movido, pelo prazer insano ou com bons propósitos que sejam, por outras pessoas". E conclui: "A integridade e a segurança defluem do que se é, jamais do que se tem".
Portanto, a nossa existência no planeta Terra é uma etapa de aprendizado na prática do bem, única forma correta de exemplo e progresso moral para os espíritos.Não devemos jamais esquecer dessa realidade. E o Espiritismo é, por excelência, uma doutrina ética, embora possa haver quem se diga espírita e não procure exemplificar no exercício eticamente cristão... Mas a cada um será dado segundo o seu merecimento, nesta e noutras existências.
Questões morais e o egoísmo
Há os que sofrem na vida as mais diversas dores morais e materiais, ora envolvendo o analfabetismo, o desemprego, a fome, o abandono, o descrédito, as injustiças, o desabrigo, a falsidade, a decepção, assim como as doenças, agressões, mortes, arbitrariedades, prisões, castigos corporais e toda a sorte de crueldades.
Em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec (tradução de Herculano Pires, Editora LAKE, 23ª edição, Capítulo XXXI – Dissertações Espíritas – item III), há a manifestação de Jean Jacques Rousseau, nos seguintes termos: "A meu ver, o Espiritismo é uma alavanca que derruba as barreiras da incompreensão. A preocupação com as questões morais está sendo despertada por toda parte. Discute-se a política que desperta o interesse geral; discutem-se os interesses particulares; despertam paixões o ataque ou a defesa de personalidades; os sistemas conquistam partidários e detratores; mas as verdades morais, que são o alimento da alma, o pão da vida, permanecem na poeira acumulada pelos séculos".
Dentre as mais graves imperfeições humanas, destaca-se o egoísmo como praga social; e ele só "se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material". Logo após a questão 917, em "O Livro dos Espíritos", da Allan Kardec (Edição FEESP, tradução de Herculano Pires), há uma mensagem doEspírito Fénelon, mostrando ser necessário combater o egoísmo, "como se combate uma epidemia. Para isso, deve-se proceder à maneira dos médicos: remontar à causa. Que se pesquisem em toda a estrutura da organização social, desde a família até os povos, as influências patentes ou ocultas que excitam, entretêm e desenvolvem o sentimento do egoísmo".E reconhece que a cura para esse grande mal – o egoísmo – será a educação, "não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem".
Falta de consciência e o efeito paralelo
Se todos os seres humanos seguissem à risca as leis divinas – especialmente, a Lei de Justiça, Amor e Caridade -, as leis do Estado, os códigos estabelecidos pelos homens, por via legislativa, seriam desnecessários! Mas os seres humanos ainda não aprenderam viver fraternal e pacificamente em sociedade. Por isso, faz-se imprescindível a Lei Humana, que, ao mesmo tempo em que "dá direitos, impõe deveres", a fim de que haja um mínimo de equilíbrio na vida social, em todos os cantos deste ‘planeta de provas e expiações’. Aliás, isso está bem assente na resposta à questão 877, em "O Livro dos Espíritos". Basta uma breve leitura aos interessados.
Em regra, pelo costume e pela insensibilidade em relação ao nosso semelhante, costumamos defender e usar aquilo de que gostamos, sem a menor preocupação com os outros, suas preferências, sua contrariedade, suas alergias, sua saúde etc. Por exemplo, aos viciados em fumo, bebida e drogas, mesmo cientes de que são males perigosos para si e para os outros, quem não os acompanhe ou concorde com seus costumes, em geral, são uns "quadrados", "metidos" ou "chatos". Como se vê, até pelos males de que são acometidos, falta-lhes aconsciência moral ensinada pelos Espíritos do bem. (Aliás, lembramo-nos agora das últimas estatísticas da OMS – Organização Mundial de Saúde –, informando que, anualmente, morrem de câncer cinco milhões de pessoas no mundo, sendo a maioria delas por motivo do fumo!).
A propósito, o escritor Ruy Castro, no artigo "Notícias do fumacê" (jornal Folha de S.Paulo, 23-4-2008, p. A-2), noticiou que pesquisadores canadenses, em estudo científico publicado na revista "Chemical Research Toxicology", afirmaram que a fumaça da maconha apresenta mais substâncias tóxicas do que o fumo comum, verificando-se que um ‘baseado’ de Cannabis contém "uma quantidade de amônia equivalente a 20 cigarros comerciais". E argumenta que os fumantes passivos de maconha estão sujeitos aos mesmos riscos que os viciados. E, por isso, na Grã-Bretanha, em atenção aos alertas dos agentes sanitários, "o governo classificou a maconha na lista das drogas perigosas", fazendo-a sair do grupo C (de remédios controlados) para o grupo B(das anfetaminas), significando "que, a partir de agora, os britânicos apanhados com a erva estarão sujeitos a prisão e multa, e não apenas à apreensão".
A propósito da realidade dos fumantes passivos, nos dias atuais, existe um grande músico e compositor popular brasileiro que, sem jamais fumar ou usar drogas, e sem notícia da doença na família, se descobriu com um câncer no pulmão, em estado avançado, tudo pelo fato de haver, por mais de 30 anos, vivido em estúdios de gravações e em seus corredores, inalando fumaça de cigarros de músicos, cantores e outros artistas.
A quantas andam as nossas ações?
Temos agrotóxico em excesso nas verduras e frutas (alface, batata, maçã, morango, berinjela, pepino, cenoura, beterraba, banana, mamão, laranja, e outras) para evitar prejuízos ao produtor, mas sem a mesma preocupação com os eventuais danos aos consumidores, que somos todos nós.
No que tange à poluição do ar e das águas, e com as cidades ‘ficando nuas’ de árvores, vemos outros maus exemplos: milhares de empresas lucrativas, mas que emitem volume insuportável de gás carbônico. Muitas delas, inclusive, dando de ombros à saúde da população, têm suas ações e seus títulos comercializados nas bolsas de valores, para bons lucros aos seus adquirentes, que se lembram apenas das variações em cifras, sem jamais perguntarem a quantas pessoas estão ofendendo, direta ou indiretamente!
Não bastassem o abate das baleias, das focas, dos golfinhos, das tartarugas, e o despejar de detritos no mar e nos lagos, verifica-se, por força da fumaça da grande indústria e das queimadas, que o aquecimento global continua, com geleiras se derretendo e os mares crescendo a níveis nunca antes vistos, cobrindo pequenas ilhas, invadindo vilas e cidades, desalojando e mesmo dizimando pessoas. (E há, ainda, quem se oponha ao trabalho sério e de abnegada consciência do movimento "Greenpeace" e de ONGs que lhe seguem os passos, em defesa da vida humana e animal sobre a Terra!).
Agora, em razão das dificuldades dos combustíveis fósseis e de sua carga poluidora, descobriu-se a fonte renovável dos biocombustíveis - que já não precisam apenas de conhecimento tecnológico para a sua produção, mas também de análise lógica, a fim de não haver risco, presente ou futuro, de escassez ou falta de comida para o povo! (Porque de nada vale ter uma geladeira, um fogão e um veículo com a melhor tecnologia, se não houver alimentos abundantes e saudáveis para os seus contentes possuidores!).
Do que trata a Ecologia?
Tudo que se relaciona aos organismos vivos e ao seu "habitat" é objeto de estudos da Ecologia. Aliás, em sua origem grega, essa palavra – ecologia – liga-se ao lugar onde alguém mora, significando o lar ou a casa. Os estudiosos dessa matéria pesquisam o modo de vida dos seres, os meios de que dispõem na natureza, a influência entre a flora e os animais, analisando os elementos físicos e químicos, preocupados com a preservação dos bens materiais, visando ao equilíbrio das espécies. Destarte, considerando que a Terra, como um todo, representa um grande ecossistema, a Ecologia tem a finalidade de concentrar estudos e preocupação nas atividades dos seres humanos, a fim de todos usem corretamente os recursos que a natureza lhes põe à disposição.
Infelizmente, é ainda o ser racional – o ser humano, e não os animais irracionais – que pratica ou aceita atos desastrosos contra o ecossistema do planeta. Temos ouvido falar e também lido a respeito de problemas como desflorestamento, desertificação, extinção de espécies animais e vegetais, deteriorando as águas, destruindo a camada de ozônio e tantas outras tristes realidades, tendo como causadores, por motivo de egoísmo, guerra, revoluções, vaidade ou ignorância social, os próprios seres humanos, que se dizem ‘civilizados’.
Observe-se que os animais não canalizam esgotos para os mananciais de água potável; não fazem campeonatos de caça e pesca, sacrificando criaturas da natureza em busca de troféus; não realizam queimadas sobre vegetais e seres vivos; não experimentam artefatos mortíferos nos mares e no ar, disseminando a poluição; não devastam as selvas, sem controle, em busca de lucros; não lavam calçadas ou quintais com água tratada, cloretada e fluoretada, enquanto muitos não podem sequer tomar banho por falta do líquido e alguns até sofrem sede... Somente os seres humanos, "seres racionais e civilizados", muitos dos quais diplomados, formalmente intelectualizados, fazem tudo isso e muito mais! São "túmulos caídos por fora...".
Trabalho de uma mulher de fibra
Setores do governo federal detectaram que, dos 36 municípios brasileiros que desmatam na área amazônica, conforme notícia do jornal Folha de S.Paulo (23-4-2008), destaca-se o Município de Marcelândia, em Mato Grosso, onde se descobriu, em março de 2008 e numa única área, um desmatamento superior a 25 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo! De acordo com os órgãos governamentais, "de agosto de 2006 a julho de 2007, foram registrados 4974 quilômetros quadrados a menos de floresta no Brasil!".
É de se destacar o trabalho insano da atual Ministra do Meio Ambiente, Senadora Marina Silva, mulher que sempre viveu na Amazônia e que, mesmo combalida pela malária (reincidente, várias vezes), tem mantido uma luta constante contra o desmatamento irregular do nosso "mundo verde", opondo-se ao perigo da desertificação e da esterilização do solo de grandes áreas. Graças ao seu empenho, desde muito jovem e com outras lideranças brasileiras, incluindo o saudoso Chico Mendes, tem-se registrado certa redução do desmatamento e da agressão ao meio ambiente, mas ainda é pouco, porque o assunto requer educação e sensibilidade de ricos e pobres. A criação de gado e o plantio de soja, bem como o corte de madeiras lei, velhas e raras (às vezes, com 100 ou mais anos), e a produção de carvão, tudo é feito com o desmatamento e as queimadas, nem sempre com o replantio e a reposição. Isso deve ser objeto de cuidados técnicos sustentáveis, pois, embora ocorra o trabalho de pequena mão de obra local e reverta em milhões de reais aos empresários do setor, resulta em perigosa atividade, prejudicial à fonte de oxigênio, com o desaparecimento das árvores. Sem oxigênio, as doenças crescem e a vida humana se esvai.
Controle legal do predador
Conceitualmente (até porque as leis naturais não podem ser revogadas pelos seres humanos, que não as criaram, pois que delas tudo se origina), de algum tempo até esta data, as pessoas mais lúcidas e estudiosas começaram a se preocupar com a Natureza, com vistas a seu equilíbrio para a manutenção da vida sobre a face da Terra. Por isso, para controlar seu maior predador – o próprio ser humano -, o Estado vem procurando se organizar juridicamente, com instrumentos adequados, para preservar o meio ambiente e garantir a sobrevivência dos terráqueos. Em nossa Constituição Federal, no artigo 225, encontramos normas de Direito Ambiental. Em "Curso de Direito Administrativo" (Editora Forense, Rio, 1998, 11ª edição, páginas 391 a 406), o Professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto faz uma análise objetiva dessa matéria, sob o título de Direito AdministrativoAmbiental. E há inúmeras leis federais a esse respeito, visando à preservação da vida e à preservação dos elementos físicos da natureza, cuidando do ser humano, da fauna e da flora, contra a poluição e a catástrofe ecológica, numa preocupação constante com os recursos naturais, terrestres, hídricos e aéreos.
Desta forma, ao poder público cabe estabelecer normas para preservar a água (salgada e doce), assim como a flora, a fauna, o ar e o clima, e ainda cuidar da fertilização do solo, reconstituir locais de erosão, proibir a derrubada de florestas e proteger espécies em extinção. Podemos citar, além do artigo 225 da Constituição, algumas leis federais: Lei nº 7802, de 11/07/1989 (sobre danos ao meio ambiente); Lei nº 9605, de 12/02/1998 (sobre crimes ambientais); Lei n º 9649, de 27/05/1998 (que trata do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal); Lei nº 8974, de 05/01/1995 (sobre a preservação da diversidade do patrimônio genético e do controle de substâncias com riscos para a vida e o meio ambiente); Lei nº 6383, de 31/08/1981 (sobre política nacional do meio ambiente); e ainda podem ser citadas as leis nº 5197, de 03/01/1967 (Código de Caça); Lei nº 4771, de 15/09/1965 (Código Florestal); Decreto-Lei nº 22, 28/02/1967 (Código de Pesca); Decreto – Lei nº 227, de 28/02/1967 (Código de Mineração), acrescentando-se, ainda, o Decreto-Lei nº 1808, de 07/10/1980 (sobre proteção ao programa nuclear brasileiro). Portanto, no que tange àLei dos Homens ou Lei do Estado, a preocupação com o Meio Ambiente, matéria afeta à ecologia, parece que estamos bem servidos. Mas como se acha o comportamento moral dos seres humanos, que é regido pela Lei de Deus, ou Lei Moral, ou Lei da Natureza, em relação às atitudes com os seus semelhantes e com os irmãos irracionais?
Menos egoísmo e mais fraternidade
"Deus, causa primária de todas as coisas e inteligência suprema", sempre concede aos seres humanos todos os meios de que estes necessitam, fazendo a Terra produzir os bens essenciais aos seus habitantes. A Natureza não é imprevidente, mas os seres humanos, muitos deles diplomados, vaidosos e egoístas, nem sempre equilibram o necessário e o supérfluo. Como se verifica da Lei Natural de Conservação, as carências e as dores dos indivíduos na organização social decorrem de suas próprias mazelas, tais como ambição, ociosidade e falta de previdência. Se não reconhecemos falhas nossas, na vida presente, por certo, trazemos débitos morais do passado. Até porque, como ensina o filósofo Jiddu Krishnamurti, "o ser humano ignorante não é aquele sem instrução; é aquele que não conhece a si mesmo!".
Assim, "cada um recebe segundo seu merecimento", conforme a lei natural. Não se trata de castigo divino, porque Deus não premia nem despreza o ser humano. Cada um de nós é dotado de livre-arbítrio e sabe distinguir, claramente, o certo do errado, o bem do mal. E, na caminhada terrena, de provas e expiações, devemos fazer bom uso do senso moral. Não devemos realizar um discurso em defesa da ética, do bom proceder, apenas para os ouvidos e as palmas dos circunstantes e, em seguida, hipocritamente, praticar tudo aquilo que condenamos! Todos já ouvimos críticas àqueles que "cospem para cima e o cuspe lhes cai no rosto", bem como dos que "não devem sujar em sua nascente a água corrente que nos mata a sede mais abaixo", etc. E por que não agimos como falamos? Dominemos o egoísmo e respeitemos a Natureza, para que a fraternidade nos faça seres humanos éticos.
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(*) BISMAEL B. MORAES, advogado, Mestre em Direito Processual pela USP, autor de 12 livros jurídicos e de literatura, é membro da União dos Delegados de Polícia Espíritas do Estado de S.Paulo – UDESP - e trabalhador do Centro Espírita Ismael, no bairro do Jaçanã, na Zona Norte da Capital.
São Paulo, maio de 2008
texto - http://www.ceismael.com.br/filosofia/
imagem - tribodejacob.blogspot.com