Mostrando postagens com marcador Biblia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biblia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OS TEXTOS ORIGINAIS NA BÍBLIA


Paulo da Silva Neto Sobrinho

A quem está escutando as palavras da profecia deste livro, eu declaro: "Se alguém acrescentar qualquer coisa a este livro, Deus vai acrescentar a essa pessoa as pragas que aqui estão descritas. E se alguém tirar alguma coisa das palavras do livro desta profecia, Deus vai retirar dessa pessoa a sua parte na árvore da Vida e na Cidade Santa, que estão descritas neste livro." (Ap 22, 18-19)

Cansados de tanto ouvir de inúmeros fundamentalistas e de vários tradutores das bíblias a expressão de que ela é conforme os originais, procurarmos fazer um breve levantamento para contestar sua veracidade e provar que a mentira anda a solta por aí.

Vejamos a pesquisa que fizemos nas onze Bíblias de nossa biblioteca, das quais anotamos algumas passagens que escolhemos como a prova do crime:

Ave Maria

Lv 19, 31: Não vos dirijais aos espíritas nem adivinhos: não os consulteis,...

Lv 20, 6: Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos adivinhos para fornicar com eles,...

Lv 20, 27: Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fizer adivinhações, será morto....

Dt 18, 10-11: Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos.

Is 8, 19: Se vos disserem: Consultai os espíritos dos mortos, os adivinhos, os que conhecem segredos e dizem em voz baixa: Porventura um povo não deve consultar os seus deuses? Consultar os mortos a favor dos vivos? Em nota: seus deuses: os espíritos dos antepassados.

1 Sm 28, 3.7.8: ... E Saul expulsara da terra os necromantes, os feiticeiros e adivinhos... “Procurai-me uma necromante para que eu a consulte”... “Predize-me o futuro, evocando um morto; faze-me vir aquele que eu te designar”. (1 Sm 28, 3.7.8)

Como aparece a palavra necromante é porque tiveram informação da realidade, assim quando colocam espiritismo ou espírita, é porque querem atingir aos adeptos da Doutrina Espírita.

Barsa

Lv 19,31: Não vos dirijais aos mágicos, nem consulteis os adivinhos,...

Lv 20,6Se algum homem declinar para os mágicos, e adivinhos, e se der a eles por uma espécie de fornicação;...

Lv 20,27: Se qualquer homem, ou mulher tem espírito de Píton, ou espírito de adivinho, sejam punidos de morte...

Dt 18, 10-11: nem se ache entre vós quem pretenda purificar seu filho, ou filha, fazendo-os passar pelo fogo: nem quem consulte adivinhos, ou observe sonhos e agouros, nem quem seja feiticeiro, ou encantador, nem quem consulte Píton ou adivinhos, nem quem indague dos mortos a verdade.

Is 8,19: E quando vos disserem: Consultai os pitões, e os adivinhos, que murmuram em segredo em seus encantamentos: Acaso não consultará o povo ao seu Deus, há de ir falar com os mortos acerca dos vivos?

1 Sm 28, 3.7.8: ...E Saul tinha lançado fora da terra os mágicos, e adivinhos.... “Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de Píton, e eu irei ter com ela, e a consultarei”... “Adivinha-me pelo espírito de Píton, e faze-me aparecer quem eu te disser”.

Aqui não vemos nenhum termo sendo usado para condenar o Espiritismo, o único detalhe fica por conta de ser uma Bíblia mais antiga, em geral menos preconceituosa que as atuais. Seria um sinal que antigamente “a palavra de Deus” tinha preocupações diferentes das que encontramos nas Bíblia atuais?

Bíblia de Jerusalém

Lv 19,31: Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos...

Lv 20,6 ; Aquele que recorrer aos necromantes e aos adivinhos para se prostituir com eles, ...

Lv 20,27: O homem ou a mulher que, entre vós, forem necromantes ou adivinhos serão mortos...

Dt 18, 10-11: Que em teu meio não se encontre alguém que queime seu filho ou sua filha, nem faça presságio, oráculo, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos,que interrogue espíritos ou adivinhos, ou ainda que invoque os mortos;

Is 8,19: Se vos disserem: “Ide consultar os espíritos e os adivinhos, cochichadores e balbuciadores”, não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos?

1 Sm 28, 3.7.8: ... Saul havia expulsado da terra os necromantes e os adivinhos... “Buscai-me uma mulher que pratique a adivinhação para que eu lhe fale e a consulte”... “Peço-te que pratiques para mim a adivinhação, evocando para mim quem eu te disser”.

Embora a maioria dos textos deva ser fiel aos originais, já que naquela época as práticas eram essas, ainda assim colocam em Deuteronômio e em Isaías alguma coisa que, não obstante de forma velada, atinge ao Espiritismo. Um detalhe importante dessa tradução é que ela contou entre uma equipe de tradutores católicos e protestantes.

Bíblia do Peregrino

Lv 19,31: Não consulteis necromantes nem adivinhos...

Lv 20,6: Se alguém consultar necromantes e adivinhos para se prostituir com eles,...

Lv 20,27: O homem ou a mulher que praticar a necromancia ou a adivinhação,é réu de morte...

Dt 18, 10-11: Não haja entre os teus quem queime seus filhos ou filhas, nem adivinhos, nem astrólogos, nem agoureiros, nem feiticeiros, nem encantadores, nem espiritistas, nem adivinhos, nem necromantes.

Is 8,19: Certamente vos dirão: Consultai os espíritos e adivinhos, que sussurram e cochicham: um povo não consulta seus deuses e os mortos a respeito dos vivos, em busca de instruções seguras?

1 Sm 28, 3.7.8: ... Por outra parte, Saul havia desterrado necromantes e adivinhos... Procurai-me uma necromante para que a consulte... Adivinha para mim o futuro, evocando os mortos, e faze que me apareça quem eu te disser.

A única vacilada ficou por conta do Deuteronômio, cujo termo é diretamente usado contra o Espiritismo. Em relação a Isaias aparece, mas de forma indireta, como em outras também fizeram.

Mundo Cristão

Lv 19,31: Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; ...

Lv 20,6: Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros para se prostituir com eles, ...

Lv 20,27: O homem ou mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: ...

Dt 18, 10-11: Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador,nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;

Is 8,19: Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?

1 Sm 28, 3.7.8: ... Saul havia desterrado os médiuns e adivinhos... “Apontai-me uma mulher que seja médium, para que me encontre com ela e a consulte...” “Peço-te que me adivinhes pela necromancia, e me faças subir aquele que eu te disser”.

Apesar de saberem exatamente o que significa a necromancia, ainda assim colocam termos diretos contra o Espiritismo, principalmente na passagem onde Saul faz a consulta ao espírito-Samuel.

Novo Mundo

Lv 19,31: Não vos vireis para médiuns espíritas e não consulteis prognosticadores profissionais de eventos,...

Lv 20,6: Quanto à alma que se vira para os médiuns espíritas e para os prognosticadores profissionais de eventos, ...

Lv 20,27: E quanto ao homem ou à mulher em que se mostre haver um espírito mediúnico ou um espírito de predição, sem falta devem ser mortos!...

Dt 18, 10-11: Não se faça achar em ti alguém que faça seu filho ou sua filha passar pelo fogo, alguém que empregue adivinhação, algum praticante de magia ou quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamentos, ou alguém que vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos, ou alguém que consulte os mortos.

Is 8,19: E caso vos digam: Recorrei aos médiuns espíritas ou aos que têm espírito de predição, que chilram e fazem pronunciações em voz baixa, não é a seu Deus que qualquer poso devia recorrer? [Acaso se deve recorrer] a pessoas mortas a favor de pessoas vivas?

1 Sm 28, 3.7.8: ... Quanto a Saul, tinha removido do país os médiuns espíritas e os prognosticadores profissionais de eventos... “Procurai-me uma mulher que seja dona de mediunidade espírita, e eu irei ter com ela e a consultarei....” “Por favor, use de adivinhação para mim por meio da mediunidade espírita e faze-me subir aquele que eu te indicar”.

Essa tradução é a pior de todas, pois em todos os textos há termos claros contra o Espiritismo, provando claramente a intenção de se fazer isso.

Tanto esta última tradução quanto a anterior são provenientes do protestantismo, daí se justifica porque eles, mais que os católicos, são contrários às práticas espíritas. Inclusive é onde o radicalismo impera com maior vigor.

Pastoral

Lv 19,31: Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos,...

Lv 20,6: Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles,...

Lv 20,27: O homem ou mulher que pratica a necromancia ou adivinhação, é réu de morte...

Dt 18, 10-11: Não haja em teu meio alguém que queime seu filho ou filha, nem que faça presságio, pratique astrologia, adivinhação ou magia, nem que pratique encantamentos,consulte espíritos ou adivinhos, ou também que invoque os mortos.

Is 8,19: Quando disserem a vocês: “Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?”

1 Sm 28, 3.7.8: ... De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos. Então Saul disse a seus servos: “Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta”. ... “Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser”.

A não ser o “consultar os espíritos” nada de mais grave é colocado, apesar, de que, como em outras traduções, demonstram ter conhecimento do termo correto que verdadeiramente deveria ser o empregado.

Paulinas

Lv 19,31: Não vos dirijais aos magos nem interrogueis os adivinhos,...

Lv 20,6: A pessoa que se dirigir a magos e adivinhos e fornicar com eles,...

Lv 20,27: O homem ou mulher em que houver espírito pitônico ou de adivinho, sejam punidos de morte...

Dt 18, 10-11: Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte adivinhos ou observe sonhos e agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte aos nigromantes, ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade.

Is 8,19: E, quando vos disserem: Consultai os magos e os adivinhos, que murmuram em segredo nos seus encantamentos, (respondei): Porventura o povo não há de consultar o seu Deus? Há de ir falar com os mortos acerca dos vivos?

1 Sm 28, 3.7.8: ...Saul tinha lançado fora do país os magos e adivinhos.... “Buscai-me uma mulher necromante, e eu irei ter com ela e a consultarei...” “Adivinha-me pelo espírito de necromante e faze-me aparecer quem eu te disser”.

Essa é a única que não traz nada contra o Espiritismo. A ressalva que fazemos é apenas em relação à expressão “indague dos mortos a verdade”, pois é totalmente divergente em relação às outras traduções.

Santuário

Lv 19,31: Não recorrais às evocações e aos sortilégios:..

Lv 20,6: Se alguém recorrer às invocações e aos sortilégios, entregando-se a essas práticas,...

Lv 20,27: O homem ou a mulher que se entregar a evocação ou sortilégio será condenado à morte;...

Dt 18, 10-11: Não haja ninguém no meio de ti que faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê à pratica de encantamento, ou se entregue à augúrios, à adivinhação ou à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios ou à evocação dos mortos.

Is 8,19: Hão de dizer-vos: consultai os espíritos e os adivinhos que murmuram e segredam. Porventura o povo não deve consultar os seus deuses e consultar os mortos acerca dos vivos para obter uma revelação e um testemunho?

1 Sm 28, 3.7.8: ... Saul tinha expulsado do país os feiticeiros e os adivinhos.... “Buscai-me uma necromante para que eu a consulte...” “Predize-me o futuro, evocando um morto, e faze-me aparecer quem eu te designar”.

A correlação ao que presumem ser o Espiritismo é clara, já que, como a maioria das pessoas, são ignorantes em relação a seus fundamentos e práticas, pressupõem que seja algo relacionado a evocação dos mortos, daí ser essa a característica predominante nessa tradução, que também não deixa de citar nominalmente o Espiritismo.

SBB

Lv 19,31: Não vos virareis para os adivinhos e encantadores; ...

Lv 20,6: Quando uma alma se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir após deles, ....

Lv 20,27: Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espírito de adivinho, ou for encantador, certamente morrerão:...

Dt 18, 10-11: Entre ti não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;

Is 8,19: Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; - não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?

1 Sm 28, 3.7.8: ... e Saul tinha desterrado os adivinhos e encantadores... “Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte...” “Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser”.

Poderia passar despercebido se não tivesse o “consulte os mortos”, entretanto, está, como se diz popularmente, menos pior do que outras. Mais uma tradução protestante, disso poderá acertadamente concluir, caro leitor, que todas as outras são de origem católica, exceto a que já dissemos que a tradução foi feita por tradutores dessas duas correntes religiosas.

Vozes

Lv 19,31: Não recorrais aos médiuns, nem consulteis os espíritos...

Lv 20,6: Se alguém recorrer aos médiuns e adivinhos, prostituindo-se com eles,...

Lv 20,27: O homem ou a mulher que se tornar médium ou adivinho, serão mortos por apedrejamento...

Dt 18, 10-11: Não haja em teu meio quem faça passar pelo fogo o filho ou a filha, nem quem se dê à adivinhação, nem haja astrólogo nem macumbeiro nem feiticeiro; nem quem se dê à magia, consulte médiuns, interrogue espíritos ou evoque os mortos.

Is 8,19: Se vos disserem: “Consultai os necromantes e os adivinhos que sussurram e murmuram”; acaso não consultará um povo os seus deuses, os mortos em favor dos vivos?

1 Sm 28, 3.7.8: ...Saul tinha eliminado do país os necromantes e os adivinhos... “Procurai-me uma mulher entendida em evocar os mortos, pois quero ir a ela e consultá-la”... “Por favor, adivinha para mim por meio da necromancia e evoca-me aquele que eu te disser!”.

Mais uma tradução direcionada que usa termo próprio dos espíritas, numa evidente tentativa de relacioná-lo a algo condenável por Deus.

Para que você, caro leitor, possa fazer uma comparação é importante transcrevermos esses textos citados numa tradução feita diretamente dos textos hebraicos pelo escritor Severino Celestino. Vejamos:

Livro: Analisando as Traduções Bíblicas

Lv 19,31: Não ireis diante dos necromantes nem dos adivinhos. Não procureis vos contaminar com eles...

Lv 20, 6: O ser que vai diante dos necromantes e dos adivinhos para se prostituir atrás deles eu dou as minas faces contra esse ser, eu o corto do seio de seu povo.

Lv 20, 27: E o homem ou mulher em que está um necromante ou um adivinho, será condenado à morte;...

Dt 18,9-11: Não se achará em ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, nem adivinhador, nem feiticeiro, nem agoureiro, nem cartomante, nem bruxo, nem mago, nem quem consulte o necromante e o adivinho, nem quem exija a presença dos “mortos”.

Is 8,19: E se vos disserem consulte ou exija a presença dos antepassados ou dos patriarcas e dos adivinhos, cochichadores e balbuciadores. Por acaso o povo não poderá exigir a presença dos seus deuses? Consultar os mortos a em favor dos vivos?

Embora todos os tradutores digam que seus textos guardam fidelidade aos textos originais, percebemos claramente que só se for naquilo que lhes interessam, pois, como provamos acima, existem passagens que contêm termos que são colocados propositalmente para atingir uma outra corrente filosófico-religiosa, qual seja o Espiritismo, que, por questão de ética, não segue o mesmo comportamento utilizado por eles.

Quem sabe que se esses tradutores se esqueceram que os termos médium, espirita, espiritista e Espiritismo foram neologismos criados por Kardec em 18 de abril de 1857, quando da publicação de “O Livro dos Espíritos”, conforme ele mesmo diz na introdução desse livro. Ora, se encontramos tais termos em trechos bíblicos só há uma explicação para esse fato:vergonhosa adulteração para combater o Espiritismo, qualquer pessoa sensata verá isso, comportamento que não esperamos dos fundamentalistas.

Observar que, a bem da verdade, qualquer palavra que fosse usada deveriam estar relacionada à necromancia, que é a evocação dos mortos para fins de adivinhação, coisa que nada tem a ver com o Espiritismo, sabem muito bem disso, entretanto no combate usam de armas sutis, já que dificilmente o crente deixará de acreditar no que “está escrito” ou na palavra deles, para perceber que a verdade é bem diversa daquilo que colocam.

Nov/2004.

Referências bibliográficas:

  • SILVA, S.C, Analisando as Traduções Bíblicas. João Pessoa-PB: Idéia, 2001.
  • A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
  • Bíblia Sagrada. 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989.
  • Bíblia Sagrada, Edição Barsa. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.
  • Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. 43ª imp. São Paulo: Paulus, 2001.
  • Bíblia Sagrada, 37a. ed. São Paulo: Paulinas, 1980.
  • Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
  • Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1989.
  • Bíblia de Jerusalém, nova edição. São Paulo: Paulus, 2002.
  • Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002.
  • Bíblia Sagrada, Sociedade Bíblica do Brasil, Brasília, DF, 1969.
  • Escrituras Sagradas, Tradução do Novo Mundo das. Cesário Lange, SP: STVBT, 1986.


texto - http://www.espirito.org.br/portal
imagem - jacieleabiblia.blogspot.com

domingo, 7 de agosto de 2011

O DIA DE PENTECOSTES - A DIFUSÃO DO ESPÍRITO


Ao cumprir-se o dia de Pentecostes estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um ruído, como de um vento impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam sentados; e lhes apareceram umas como línguas de fogo, as quais se distribuíram para repousar sobre cada um deles; e todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

E habitavam em Jerusalém judeus, homens religiosos, de todas as nações embaixo do céu: e quando se ouviu este ruído, ajuntou-se ali a multidão e ficou pasmada, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E estavam atônicos e maravilharam-se, perguntando: Não são galileus todos esses que estão falando? E como os ouvimos falar, cada um na língua do nosso nascimento, partos, medas, e elamitas, e os que habitam a Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, sendo uns judeus e outros prosélitos, cretenses e árabes; como é que o ouvimos falar em nossas línguas as grandezas de Deus? E ficaram todos atônicos e perplexos e perguntavam uns aos outros: Que quer dizer isto? Outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. - Atos, II, 1 - 13.

Vamos limitar a nossa exposição aos interessantes fenômenos de Xenoglossia, ou seja - "a faculdade de falar ou escrever em uma ou mais línguas estranhas, desconhecidas do médium, durante o transe mediúnico" .

Este fenômeno está bem caracterizado por Paulo, em sua 1ª. Epístola aos Coríntios, cap. 12, v. 10, com o título "Diversidade de Línguas". Essa faculdade mediúnica vem de tempos imemoriais.

Parece que nos tempos de Paulo era bem avultado o número de indivíduos que gozavam desse dom e naturalmente se jactavam, julgando que bastava-lhes possuí-lo para já serem considerados no Reino do Céu. Foi provavelmente o que levou o Apóstolo a dizer no Cap. XIII, Epístola 1ª aos Coríntios:

"Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, tenho-me tornado como o bronze que soa, ou como o sino que tine".

O "dom de línguas" não tem absolutamente o caráter sobrenatural que as igrejas de Roma e Protestante lhe querem dar, atribuindo-o a um milagre peculiar, exclusivamente dado aos Apóstolos, pela 3ª Pessoa da S.S. Trindade. Essas manifestações foram inúmeras na época do Cristianismo nascente e delas participavam homens e mulheres, livres e servos, como se irá verificar na continuação do estudo dos Atos dos Apóstolos.

A mediunidade poliglota, na fase espírita, desde o seu início, se salienta, de modo admirável, nos relatos dos sábios e investigadores.

Para não multiplicar citações, limitamo-nos a lembrar o caso da filha do Juiz Edmonds, de New York.

João W. Edmonds, 1° Juiz do Tribunal Supremo, de New York, foi um habilíssimo magistrado, homem muito benquisto pela sua honorabilidade. Ocupou nos últimos tempos os mais elevados cargos judiciais com talento, perspicácia e valor.

Referindo-se aos trabalhos do Juiz Edmonds, o grande sábio Alfred Russel Wallace escreveu:

"Os trabalhos do Juiz Edmonds são provas convincentes de fatos resultantes das experiências desse magistrado. Sua própria filha tornou-se médium, e pôs-se a falar línguas estrangeiras que lhe eram totalmente desconhecidas. Ele exprime-se do seguinte modo sobre o assunto:

"Ela não sabia outro idioma além do seu, salvo um ligeiro conhecimento de francês, aprendido na escola. Não obstante isso, tem conversado freqüentemente em nove ou doze idiomas diferentes, muitas vezes durante uma hora, com a segurança e a facilidade de uma pessoa falando sua própria língua. Não é raro que estrangeiros se entretenham, por seu intermédio com seus amigos espirituais e em seu próprio idioma. Cumpre-nos dizer como se passou tal fato em uma das circunstâncias.

Uma noite em que doze ou quatorze pessoas se achavam em meu pequeno salão, o Sr. E. D. Green, um artista desta cidade, foi introduzido em companhia de um cavalheiro que se apresentou como sendo Evangelides, natural da Grécia. Pouco depois, um Espírito falou-lhe em língua inglesa, por intermédio de Laura, e tantas cousas lhe disse que ele reconheceu estar por seu intermédio em relação com um amigo que falecera em sua casa alguns anos antes, mas de quem ninguém tinha ouvido falar. Nessa ocasião, por intermédio de Laura, o Espírito disse algumas palavras e pronunciou diversas máximas em grego, até que, enfim, o Sr. E. perguntou se ele poderia ser compreendido quando falasse em grego. O resto da conversação transcorreu durante mais de uma hora, da parte do Sr. E. inteiramente em língua grega; Laura também falava em grego e algumas vezes em inglês. Em certos momentos, Laura não compreendia a idéia sobre a qual ela ou o Sr. Evangelides falavam; mas, em outras ocasiões, a compreendia, posto que falasse em grego e ela própria se servisse de termos gregos".

Vários outros casos são conhecidos e está averiguado que essa jovem tem falado as línguas espanhola, francesa, grega, italiana, portuguesa, latina, húngara, hindu, assim como em outras que eram desconhecidas das pessoas presentes. Esses idiomas eram falados em nome de pessoas falecidas que conversavam com os seus parentes e conhecidos presentes.

Ultimamente as revistas psíquicas e espíritas têm noticiado muitos casos de "Xenoglossia" observados por pessoas de responsabilidade moral e científica.

Foram esses fenômenos que se verificaram no dia de Pentecostes, no Cenáculo, e maravilharam povos de todas as partes da Judéia, da Ásia, do Egito, etc.

Mas, como diz o Eclesiastes - "o que foi, é o que é, e o que é, é o que há de ser" - ontem como hoje, não faltaram negadores sistemáticos que, sem saber o que pensavam, nem o que diziam, afirmavam que todas aquelas pessoas reunidas no Cenáculo, em número de cento e vinte almas, já à hora terceira (9 horas da manhã) se achavam embriagadas.

O homem continua a julgar os outros por si, sem pensar nos juízos temerários que externa. Se o homem julgasse pela reta justiça, ficaria compreendendo que aqueles fatos outra cousa não eram que manifestações de Espíritos que vieram dar cumprimento à Promessa de Jesus.

Outro fenômeno, muito clássico hoje, que tem sido observado em inúmeras sessões espíritas e tem sido relatado pelos experimentadores são as luzes, flocos de luzes, bolas de luzes, que assinalam a presença dos Espíritos, fenômenos verificados no Cenáculo e qualificados por Lucas como "umas como línguas de fogo".

Cairbar Schutel


endereço: http://www.comunidadeespirita.com.br/

imagem: fabioduraes.wordpress.com

quinta-feira, 30 de junho de 2011

COMUNICAÇÃO COM OS MORTOS: FATOS ESCONDIDOS NAS TRADUÇÕES E EXEGESES BÍBLICAS


Estávamos lendo o livro “Os 3 caminhos de Hécate”, do escritor espírita J. Herculano Pires (1914-1979), que falando das manifestações de espíritos na Bíblia, cita, entre outros, os seguintes passos: “Em Provérbios, 31:1-9, o espírito da mãe de Lamuel aparece-lhe para lhe transmitir conselhos. Em Juízes, 13, um espírito aparece a Manué e sua mulher” (p. 113). Bem curioso e até ansioso pela nova informação, fomos imediatamente conferi-la. E foi aí que vimos a verdade dos fatos que fazem de tudo para esconder.

Vejamos o passo Pr 31,1-9, do qual colocaremos apenas o versículo 1, já que é ele o que nos interessa:

Bíblia de Jerusalém: Palavras de Lamuel, rei de Massa, as quais lhe ensinou sua mãe. [...]

(Textos com mesmo sentido ao citado: Bíblia do Peregrino; Bíblia Sagrada – Santuário; Bíblia Sagrada – Vozes; Bíblia Sagrada – Ave Maria; Bíblia Shedd, Bíblia Sagrada - Pastoral e Bíblia Anotada – Mundo Cristão)

Bíblia Sagrada - Barsa: Palavras do rei Lamuel. Visão, pela qual o instruiu sua mãe. […]

(Texto com mesmo sentido ao citado: Bíblia Sagrada – Paulinas).

Novo Mundo: Palavras de Lemuel, o rei, a mensagem ponderosa que sua mãe lhe deu em correção: [...]

Bíblia Sagrada – SBB: Palavras do rei Lemuel: a profecia que lhe ensinou sua mãe. [...]

Infelizmente, percebemos que, na maioria das traduções bíblicas citadas, a passagem foi modificada (se o certo não for dizer adulterada ou corrompida) para não deixar transparecer a realidade de que essas instruções, que Lamuel (ou Lemuel) recebe de sua mãe; e pela sua redação a impressão que se tem é que elas foram recebidas de uma morta, ou seja, a mensagem foi transmitida pelo espírito de sua mãe. Apenas na narrativa de três delas podemos fazer uma análise e chegar a conclusão que se trata mesmo de uma aparição, oportunidade em que o espírito transmitiu a sua mensagem.

Visão em êxtase ou noturna, são os dois tipos de visões que aparecem na Bíblia. Fora as que se relacionam a eventos futuros, geralmente, são protagonizadas por seres espirituais. Algumas passagens do Antigo Testamento, inclusive, relatam pessoas tendo visões do Espírito de Deus, como se isso fosse um fato possível a um ser humano. E aí nos surge um questionamento: Por que Ele não aparece mais a ninguém nos dias de hoje?

Muitos dos antigos profetas eram videntes (1Sm 9,9), como, por exemplo, Samuel e Ido, citados com tal faculdade; certamente que tinham visões dos espíritos. Pedro, Tiago e João viram os espíritos Moisés e Elias conversando com Jesus (Mt 17,1-9). Zacarias vê o anjo Gabriel (Lc 1,19), que também foi visto por Daniel que disse ser ele um homem (Dn 9,21).

Uma outra visão bem interessante é a de Paulo que vê um macedônio, que lhe suplicava ir à sua cidade (At 16,9); o fato é que no passo não se dá para concluir se esse macedônio era vivo ou morto. Não estranhe, caro leitor, os vivos também podem se manifestar, pelo fenômeno da emancipação da alma - na linguagem bíblica eles são tidos como “arrebatamentos em espírito”.

Leiamos, agora, a segunda passagem:

Jz 13,2-25: Havia um homem de Saraá, do clã de Dã, que se chamava Manué. Sua mulher era estéril e não tinha filhos. O anjo de Javé apareceu à mulher e lhe disse: "Você é estéril e não tem filhos, mas ficará grávida e dará à luz um filho...” A mulher foi falar assim ao marido: "Um homem de Deus veio me visitar. Pela sua aparência majestosa, parecia um anjo de Deus…". Então Manué rezou a Javé: "Eu te peço, Senhor: que o homem de Deus que enviaste, volte e nos diga o que devemos fazer com o menino, quando ele nascer". Deus ouviu a oração de Manué, e o anjo de Deus apareceu outra vez à mulher, quando ela estava no campo. Seu marido Manué não estava com ela. A mulher foi correndo avisar o marido: "O homem que me visitou outro dia, voltou". Manué seguiu a mulher e foi perguntar ao homem: "Foi você quem falou com esta mulher?" Ele respondeu: "Sim. Fui eu mesmo". Manué disse: "Quando se realizar a sua palavra, como será o comportamento do menino? O que é que ele deve fazer?" O anjo de Javé respondeu a Manué: "A mulher não poderá fazer nada daquilo que lhe foi proibido:...". Manué disse ao anjo de Javé: "Fique conosco, que vamos preparar um cabrito para você". O anjo de Javé respondeu a Manué: "Mesmo que eu fique, não provarei a sua comida. Mas, se você quiser, prepare um holocausto e ofereça a Javé". Manué não tinha percebido que esse homem era o anjo de Javé. E Manué perguntou: "Qual é o seu nome, para que possamos agradecer a você, quando suas palavras se realizarem?" O anjo de Javé retrucou: "Por que você está querendo saber o meu nome? Ele é misterioso". Então Manué pegou o cabrito com a oferta, e ofereceu-o sobre a rocha em holocausto a Javé, que realiza coisas misteriosas. Manué e sua mulher ficaram observando. Quando a chama do altar subiu para o céu, o anjo de Javé também subiu na chama. Vendo isso, Manué e sua mulher caíram com o rosto no chão. O anjo de Javé não apareceu mais, nem para Manué nem para a sua mulher. Então Manué entendeu que era o anjo de Javé. Ele disse à sua mulher: "Certamente morreremos, porque vimos a Deus". A mulher respondeu: "Se Javé nos quisesse matar, não teria aceito o holocausto e a oferta, não nos teria mostrado tudo o que vimos, nem nos teria comunicado essas coisas"...

Para designar o mesmo ser que aparece a Manué e sua mulher, são utilizados estes termos para descrevê-lo: “anjo de Javé”, “um homem de Deus, que parecia um anjo de Deus”, “anjo de Deus”, “o homem” e “Deus”. Percebe-se a grande confusão que faziam diante das manifestações espirituais, não conseguindo, de fato, distinguir o que realmente viam.

Na verdade, o que viam eram anjos, que nada mais são que espíritos desencarnados, razão pela qual eram confundidos com homens. Para corroborar isso, basta ler em Atos o que aconteceu com Pedro. Ele estava preso a mando de Herodes, que já havia mandado matar a Tiago, irmão de João, e pretendia fazer o mesmo com Pedro, uma vez que viu que isso agradava aos judeus (At 12,1-3). Pedro após ser solto por um anjo do Senhor se dirige à casa de Maria, mãe de João, onde muitos estavam reunidos (At 12,6-12), leiamos, na própria narrativa bíblica, do que se sucede em seguida:

Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes disseram: 'Você está ficando louca!' Mas ela insistia. Eles disseram: 'Então deve ser o seu anjo!' Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras. (At 12, 13-16).

Diante da possibilidade de Pedro estar à porta e como o supunham já morto, concluíram que só poderia ser o anjo dele que estava ali; em outras palavras: Então deveria ser o seu espírito!

R. N. Champlin, nos explica essa passagem da seguinte forma:

"Os cristãos primitivos têm com toda a razão sido criticados por essa sua atitude. Primeiramente rebateram a jovem escrava completamente, não crendo nela, preferindo acreditar que ela estava louca a crerem que as suas próprias orações haviam sido respondidas! E então, quando ela insistiu tão veementemente que não se equivocara com respeito à presença de Pedro ao portão, porquanto ele tinha um timbre de voz todo pessoal, chegaram eles a acreditar que Pedro já fora executado, à semelhança de Tiago, e que a aparição fora de seu espírito".

[...]

Aqueles primitivos crentes devem ter crido que os mortos podem voltar a fim de se manifestarem aos vivos, através da agência da alma. Observemos que a segunda alternativa, por eles sugerida, sobre como Pedro poderia estar no portão, era que ele teria sido morto e que o seu "anjo" ou "espírito" havia retornado. Portanto, aprendemos que aquilo que é ordinariamente classificado como doutrina "espírita" era crido por alguns membros da igreja cristã de Jerusalém. Isso não significa, naturalmente, que eles pensassem que tal fosse a regra nos casos de morte; porém, aceitaram a possibilidade da comunicação dos espíritos, que a atual igreja evangélica, especialmente em alguns círculos protestantes dogmáticos, nega com tanta veemência.

[…] Porém, por toda a parte abundam histórias de fantasmas, e muitos céticos negam tudo. Todavia, há muitos desses fenômenos, sob tão grande variedade, e cruzam todas as fronteiras religiosas, para que se possa duvidar dos mesmos como fatos. Algumas vezes os mortos voltam, e entram em comunicação com os vivos. Os teólogos judeus aceitavam isso como um fato, havendo entre eles a crença comum de que os "demônios" são espíritos humanos maus, desencarnados.

[...] É um equívoco cercarmos as doutrinas de muralhas, supondo em vão que somente nós, da moderna igreja cristã do século XX, temos as corretas interpretações das verdades bíblicas. Ainda temos muito a aprender, sobre muitas questões, e convém que guardemos nossas mentes abertas, pelo menos o suficiente para permitirmos a entrada de uma réstia de luz. Sabemos pouquíssimo sobre o mundo intermediário dos espíritos e supomos que o estado "eterno" já existe, o que todas as evidências mostram não ser ainda assim.

[...]

Naturalmente, sem importar o que os judeus criam a respeito dessas coisas, isso não prova nada neste caso. Porém, a experiência humana parece ser capaz de ilustrar amplamente que, algumas vezes, os espíritos dos mortos voltam a este mundo e entram em contato (pela permissão divina) com os homens. E com base nisso ficamos sabendo, pelo menos, que tais espíritos podem vir a fim de realizar determinadas missões, como também depreendemos que nossos conhecimentos sobre o mundo intermediário dos espíritos é extremamente limitado, porquanto muito nos resta ainda a apreender acerca do mundo dos espíritos, bem como sobre as capacidades e atividades dos espíritos. (CHAMPLIN, 2005, p. 250) (grifo do original).

Eis aí os fatos que comprovam o que fazem para tirar das passagens bíblicas a realidade da comunicação com os mortos. Aliás, ficamos pensando seriamente que se considerassem mesmo a Bíblia como sendo a palavra de Deus, não teriam coragem de alterá-la, modificá-la ou adulterá-la (caro leitor, escolha a que achar melhor), como flagrantemente fazem. Inclusive alguns tradutores têm o disparate de colocar em Dt 18,10-11, que sempre é citada como proibindo as comunicações com os mortos, palavras que não existiam à época que os textos bíblicos foram escritos, fora o fato de que não existem em hebraico, aramaico ou grego, como: Espiritismo, espiritistas, médiuns e médium espírita, que são neologismos criados por Kardec em abril do ano de 1857, quando publica a obra O Livro dos Espíritos.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

nov/2008

Referências bibliográficas:

CHAMPLIN, R. N., O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 3, São Paulo: Hagnos, 2005.

PIRES, J. H. Os 3 caminhos de Hecate. São Paulo: Paidéia, 2004.

A Bíblia Anotada. 8ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

Bíblia de Jerusalém, nova edição. São Paulo: Paulus, 2002.

Bíblia do Peregrino. s/ed. São Paulo: Paulus, 2002.

Bíblia Sagrada, 37a. ed. São Paulo: Paulinas, 1980.

Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.

Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1989.

Bíblia Sagrada, Edição Barsa. s/ed. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. 43ª imp. São Paulo: Paulus, 2001.

Bíblia Sagrada, s/ed. Brasília – DF: Sociedade Bíblica do Brasil 1969.

Bíblia Sagrada. 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989.

Bíblia Shedd. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova; Brasília: SBB, 2005.

Escrituras Sagradas, Tradução do Novo Mundo das. Cesário Lange, SP: STVBT, 1986.


endereço: http://www.apologiaespirita.org/

imagem: clap.org.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A CARTA COMPROMETEDORA DE ELIAS


Se não se convencem pelos fatos, menos o fariam pelo raciocínio. (Allan Kardec).

O escritor José Reis Chaves, autor do livro A Face Oculta das Religiões, em um artigo publicado, em sua Coluna, de 26.04.04, no jornal "O Tempo", de Belo Horizonte, "Ressurreição de Todos", dá-nos uma informação interessantíssima. Diz ele:

"E o desaparecimento de Elias vivo confundiu muito os teólogos sobre a ressurreição. Mas ele ficou na Terra, 
pois Jorão, depois, recebeu dele uma carta. 2 Crônicas 21,12)".

Engraçado como muitas vezes não enxergamos o óbvio, pois realmente, segundo a narrativa bíblica citada, Elias, depois de ter sido supostamente arrebatado, enviou mesmo uma carta a Jorão, filho e sucessor de Josafá, de Judá. Confirmam isso os tradutores da Bíblia de Jerusalém, quando nos oferecem a seguinte explicação para essa passagem:

"De acordo com a cronologia de 2Rs, Elias tinha desaparecido antes do reinado de Jorão de Israel (2Rs 2; 3,1) e, portanto, antes de Jorão de Judá (2Rs 8,16; cf. no entanto 2Rs 1,17). O cronista deve utilizar uma tradição apócrifa".

Mas o que há de extraordinário nisso? Bom, se a passagem mencionada for verdadeira, e aqui os defensores da inerrância bíblica, por coerência, não podem aceitar de outro modo, estaremos diante de duas alternativas. A primeira: que Elias não foi arrebatado, já que envia uma carta. Isso para nós foi o que de fato ocorreu, uma vez que é difícil sustentar que alguém tenha sido arrebatado de corpo e alma levando-se em conta que se "Deus é espírito" (Jo 4,24), nós também somos seres espirituais, já que fomos criados à Sua imagem e semelhança. Por outro lado, se "o espírito é que dá vida, a carne não serve para nada" (Jo 6,63) e que "a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus" (1Cor 15,50) não há como compatibilizar corpo físico na dimensão espiritual. A segunda alternativa, que, por certo, poderá deixar alguns fanáticos perplexos, é que, se aceitarmos que não há exceção nas Leis Divinas, Elias morreu, como irá acontecer com todo ser humano; daí, por força das circunstâncias, teremos que admitir que, do plano espiritual, ele envia uma carta ao rei. Portanto, uma ocorrência mediúnica, com alguém servindo de médium para receber essa carta e enviá-la ao destinatário, traduzindo-se isso em uma autêntica psicografia.

A título de curiosidade, observamos que os termos usados nessa narrativa aparecem, nas diversas traduções bíblicas, ora como "uma carta", ora como "uma mensagem" e ora como "um escrito", mas, no fundo, tudo é a mesma coisa. Lembramo-nos aqui do saudoso Chico Xavier que recebia, com facilidade uma imensidão de cartas dos "mortos".

Na primeira hipótese acima citada, não há nenhum fato bíblico entre "os arrebatados" que venha a sustentar a possibilidade de que, em algum momento, um deles tenha se comunicado, por qualquer meio, com os encarnados. Entretanto, quanto à segunda hipótese, ou seja, a que Elias tenha morrido, podemos comprovar biblicamente, por dois acontecimentos, os quais vêm apoiar a uma ocorrência dessa ordem.

O primeiro, narrado em 1Sm 28, 1-25, é um fenômeno mediúnico de psicofonia, que registra a ocasião em que o rei Saul vai a Endor, para que, através da pitonisa (médium) que residia nessa localidade, pudesse aconselhar-se com o profeta Samuel, já desencarnado. Como estava numa situação angustiante, pois se encontrava cercado pelo exército dos filisteus, queria saber do espírito do velho profeta sobre o que o futuro lhe aguardava em relação a essa iminente guerra.

O segundo, sempre "esquecido" dos contraditores da comunicação com os "mortos", é quando os espíritos de Moisés e Elias apareceram a Jesus, Pedro, Tiago e João, e conversaram com o Mestre. Classificamos esse fenômeno mediúnico como de "materialização", pois esses dois espíritos também foram vistos pelos três discípulos que testemunharam o fato, que, ao que tudo indica, eram os médiuns doadores da energia necessária para a produção do fenômeno, a qual chamamos de ectoplasma. Inclusive, podemos observar que, nos principais fenômenos mediúnicos produzidos por Jesus, vistos por alguns como milagres, os três apóstolos citados eram convidados por Ele, para deles participarem, pois só eles, entre os que o seguiam, possuíam essa energia de forma mais acentuada.

Há ainda um outro evento, que nunca é falado, pois não teria como ser negado: trata-se do acontecido com o próprio Jesus, que depois de morto comunicou-se com inúmeras pessoas. E, plagiando o que o apóstolo dos gentios disse aos coríntios, diríamos: "Pois se os mortos não se comunicam, também Cristo não se comunicou. Se Cristo não se comunicou ilusória a nossa fé".

Assim, com essa carta de Elias, acreditamos estar diante de mais uma ocorrência bíblica, que vem provar a comunicação entre os dois planos da vida, embora negada sistematicamente por alguns, mas que pode ser corroborada pela própria proibição bíblica de Moisés de se comunicar com os mortos (Dt 18,9-14), já que Moisés não era tão louco assim para proibir algo que não existe. Está, portanto, comprovada pela própria Bíblia, a realidade da comunicação entre os habitantes do mundo físico com os do mundo espiritual. E como diria Jesus: "Quem tem ouvidos, ouça".


Paulo da Silva Neto Sobrinho

Maio/2004.



Referência Bibliográfica:

Bíblia de Jerusalém, São Paulo: Paulus, 2002.

Jornal O Tempo, de 26.04.2004, Coluna de José Reis Chaves, pág. A8.

(Publicado no Jornal Espírita, julho de 2004, nº 347, FEESP, pág. 11).


endereço: http://www.apologiaespirita.org/

imagem: genesiscontradarwin.blogspot.com

sábado, 5 de março de 2011

ADÃO E EVA


A Gênese da consciência.

A lenda da origem da vida, que inclui as figuras simbólicas de Adão e Eva, envolve também a polêmica questão dogmática do pecado original.

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

Gênesis, 2:7.

Segundo aqueles que interpretam, de forma literal, o texto Bíblico: O pecado original, cometido e introduzido na terra por Adão, induzido pela serpente no Jardim do Éden. O estímulo da serpente fez com que Eva sugerisse a Adão que também provasse do fruto proibido, o qual foi colhido da árvore do conhecimento.

Outra forma de interpretar a Gênesis bíblica envolve a análise do significado dos símbolos utilizados no texto. Naquele período, os escritos oficiais eram os de cunho religioso e esta literatura não tinha um caráter jornalístico ou histórico.

A literatura em questão era, também, recheada de conhecimentos populares aceitos, então, como verdades indiscutíveis. Por isso, existem semelhanças com textos de outras religiões mais antigas.

O contato do povo Hebreu com outros povos, na condição de escravos ou de viajantes nômades, permitiu a absorção desses mitos de forma lenta e gradual (fato este negligenciado pelos mais avessos à História antiga por questões dogmáticas).

Sabemos que os textos sagrados foram extremamente importantes na evolução espiritual e social de um povo semi-selvagem que começava a abandonar a idolatria e o politeísmo. Esses textos elaborados sob inspiração Superior tornam-se atuais e corretos se interpretados, hoje, como um símbolo, uma metáfora.

Essa forma de interpretação, de cunho mais filosófico, é a que permite que sejam extraídas, de documentos tão antigos, verdades ainda atuais. E mais do que isso, verdades compatíveis com a ciência.

Considerando que ciência nada mais é do que o estudo sistemático das Leis da natureza e que essas Leis são Divinas em sua origem (já que é Divina a origem do Universo). Podemos concluir que, a ciência humana estuda a porção material da Criação Divina. É por isso que ela não é oposta a Deus, mas fruto Dele.

A Gênesis Bíblica.

Trata-se de uma belíssima referência á responsabilidade individual, sendo esta proporcional ao nível de conhecimento moral e ético de um povo, em função de sua história e realidade social.

Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; por que no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Gênesis, 2:17.

A árvore do conhecimento representa a capacidade de um ser humano de reconhecer o que é bom e o que é mal. A partir do momento em que o ser humano adquiriu essa capacidade, quando ele comeu o fruto da árvore do conhecimento, ele se tornou integralmente responsável pelos seus atos perante seu próximo e perante Deus.

O selvagem que utilizava o raciocínio para melhorar suas condições de sobrevivência passa, neste momento Histórico, a ser Homem espiritual já que agora distingue o certo do errado.

Neste momento, o ser em desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, torna-se responsável pelas conseqüências dos seus atos. O bem que promove, gera proximidade Divina. O mal que faz a si mesmo ou ao seu irmão, é débito moral a ser resgatado pela dor ou pela reparação integral do dano.

Entendemos, então, que Adão simboliza o momento em que os homens primitivos iniciam o conhecimento da diferença entre o certo e o errado, passando a ter condições de optar pelo caminho que prefere seguir. É aí que o homem se torna Homem e deixa de ser selvagem.

O caminho do bem leva diretamente a Deus. O caminho do mal leva à satisfação dos prazeres imediatos e individuais. Este caminho, apesar de aparentemente saboroso, é longo e inóspito.

A serpente simboliza nossas fraquezas morais e o apego material. Ela encontra-se dentro de cada ser humano e é extremamente sedutora, faz com que inúmeras justificativas sejam criadas para que se cumpra o desejo de satisfação das mais vis paixões.

Essa serpente de paixões nos consome intimamente, convidando insistentemente ao erro.

Todos temos que vencer essas tendências para que evoluamos em direção à inexorável e inevitável comunhão Divina que se dará em nosso futuro. Cedo ou tarde, conforme nosso empenho e determinação no curso do Caminho da Luz.

Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; por que no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Gênesis, 2:17.

Certamente muitas mortes físicas existem neste percurso, assim como muitas vidas físicas. Mas a vida eterna é uma só, a vida espiritual, para a qual a morte não existe.

A tese do pecado original é contraditória em sua essência já que um Ser Perfeito, Deus, não cobraria de toda a descendência o preço do pecado de um único pecador. Nem a justiça dos homens, plena de falhas e deficiências, permite que se cobre do filho a responsabilidade sobre atos ilícitos praticados pelo seu próprio pai.

Tal atitude atribuída a Deus é, na realidade, compatível com a limitação daqueles que foram responsáveis pela seleção e revisão dos Textos Sagrados. Indivíduos revestidos de poder político e religioso, mas ainda carentes, naquela época, de capacidade moral e intelectual para compreender a infinita bondade Divina.

A herança de Adão não é o pecado em si, mas sim a capacidade de lidar com novos conhecimentos, entendê-los e conscientemente optar pelo caminho longo ou curto. Isso se chama Livre Arbítrio.

Entendendo assim, somos levados a louvar a extensão e profundidade da Justiça Divina que nos permite entender nosso ambiente físico e social. Só seremos responsabilizados por nossas opções a partir do momento em que delas tornamo-nos plenamente conscientes.

Redimindo Eva.

Não podemos admitir como justa a imagem da mulher como o caminho de condução ao vício e ao erro. Seria uma visão limitada e limitante, aquém da capacidade e da real influência feminina na história da humanidade. Fato só aceitável para uma sociedade atrasada e altamente machista.

No contexto da Gênese bíblica a mulher representa o ambiente social, suas pressões e a repercussão desta na opção pelo bem ou mal. A família, a luta pela sobrevivência, o ambiente adverso e corrompido. E, paradoxalmente a Eva bíblica representa, também, o amor puro e fraternal.

São as forças que nos dirigem ora para "a porta larga" e ora para "a porta estreita". Forças essas que se aplicam conforme nossa predisposição mental.

As boas influências serão cultivadas pela nossa própria atitude diante dos fatos diários. Assim estaremos sintonizados com o bem e motivados para o bem em função de nossa opção fundamentalmente Cristã pelo ético.

Um texto alegórico contém ensinamentos que transcenderam milênios, por isso inferimos que seja um texto obtido sob inspiração Superior, já que permite que cada um, dentro de sua faixa de evolução, absorva o ensinamento com o qual sua mente é capaz de lidar.

A Luz Divina não ofusca, ilumina conforme a densidade da escuridão.


Giselle Fachetti Machado


endereço: http://www.apologiaespirita.org/

imagem: olhares.aeiou.pt

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

JERICÓ - A CIDADE PALCO DE FEITOS INAUDITOS


Sempre nos chamou a atenção o épico bíblico sobre a conquista da cidade de Jericó pelos hebreus, narrada no livro de Josué.

Para que possamos nos situar diante dessa história, vamos, dentro do possível, resumir sua narrativa até chegar a esse ponto da conquista. O povo hebreu pernoitava às margens do rio Jordão, já se preparando para receber a posse da terra que Deus lhe havia prometido (aliás, eliminando os donos para dá-la a ele) tem pela frente, a cidade de Jericó. Josué, que o liderava, manda dois espiões para examinarem a cidade, que são recebidos por Raab, uma prostituta. Ela os esconde do rei de Jericó, tendo deles a promessa de salvá-la quando do ataque final à cidade. Depois disso Josué instrui que, na travessia do Jordão, os sacerdotes deveriam ir à frente, carregando a Arca da Aliança; e um fato extraordinário acontece, então: o rio se divide em dois; vejamos o relato:

Josué 3,14-17: “Quando o povo deixou as tendas para atravessar o Jordão, os sacerdotes que levavam a arca da aliança caminhavam na frente do povo. Chegando ao Jordão, quando os sacerdotes que levavam a arca molharam os pés na beira da água - pois o Jordão transborda sobre as margens durante o tempo da ceifa - a água que vinha de cima parou, levantando-se num só monte, bem longe, em Adam, cidade que fica ao lado de Sartã; e a água que descia ao mar da Arabá, o mar Morto, escoou totalmente, de modo que o povo pôde atravessar diante de Jericó. Os sacerdotes, que levavam a arca da aliança de Javé, ficaram parados no leito seco, no meio do Jordão, enquanto todo o Israel atravessava a pé enxuto, até que todos acabaram de atravessar.”

Estamos diante do nosso primeiro problema, qual seja, a divisão das águas do rio Jordão. Estaria repetindo-se o acontecido no Mar Vermelho? Vamos elucidar essa questão.

Em se referindo ao fato, os tradutores Pe. Matos Soares, João Ferreira de Almeida e os missionários capuchinhos de Portugal disseram:

A grandiosidade do milagre pode ser argüida pelo fato de que se verificou no tempo e lugar preanunciado, quando o rio – por causa do degelo das neves do monte Hermon – estava em cheia e, portanto, com o dobro da largura que habitualmente tem, cerca de 60m, com águas vorticosas e rápidas que dificilmente se podia atravessar. Segundo cronista árabe Nuwairi, em 1267 as águas do Jordão interromperam o curso durante dez horas por causa de um deslizamento que lhe obstruíra o leito. Nada obsta que Deus se tenha servido de uma causa natural para conseguir seus fins. (Paulinas, 1980, p. 222-223).

O Jordão transbordava nos meses de maio e junho. Em Adã, cidade 25 km ao norte, o Jordão corre entre ribanceiras de barro de 13m de altura, sujeitas a desmoronamento. Podia ter sido o método que Deus usou para estancar as águas e deixar passar o povo, na hora determinada por Ele. (Vida Nova e SBB, 2005, p. 309).

A descrição das águas a amontoarem-se e as do sul a escoarem-se para o Mar Morto não nos deve levar a uma imagem pueril de duas colunas de água, por meio das quais passaram os israelitas. Vê-se que o autor pretende mostrar a intervenção miraculosa de Deus em favor do seu povo, no momento preciso e na medida necessária. Isto não exclui que Deus se tenha servido dos elementos naturais da região. Sabemos que as águas do Jordão, no seu leito estreito e profundo, vão minando as margens, provocando de vez em quando grandes desabamentos de terras que podem obstruir por completo, a torrente. A partir desse lugar, o leito permanece seco até que as águas rompem uma passagem e encontram de novo o seu caminho. A história conta-nos que isso aconteceu em 1267, 1914 e 1927. Em nada se diminuiria a ação de Deus se se tivesse servido miraculosamente nesse momento exato, destes elementos locais. (Santuário, 1984, p. 286).

É interessante como se faz questão de enxergar milagre em todos os fenômenos de ordem natural, como se Deus fosse um mágico retirando variados objetos de sua cartola.

Em Josué 2,7 fala-se em “vaus do Jordão”, ou seja, havia, nesse rio, trechos rasos, pelos quais se podia passar a pé ou a cavalo. Explicado isso, vejamos o que sobre o assunto disse Werner Keller:

Hoje há uma pequena ponte sobre o vau. O Jordão é estreito, muito estreito, e sempre apresentou muitos vaus. A população local conhece-os perfeitamente. Próximo de Jericó, as águas sujas de lama amarela durante a seca mal atingem dez metros de largura.

Quando Israel chegou ao Jordão, o rio estava cheio. “Porque o Jordão, sendo tempo de ceifa, inundava as margens do seu leito” (Josué 3.15). Como acontece todos os anos, havia começado o degelo das neves do Hermon. “As águas, que vinham de cima, pararam num só lugar, e levantando-se à maneira de um monte...” - como que se empilharam - “... perto da cidade de Adom... e todo o povo de Israel ia passando pelo leito do rio a pé enxuto” (Josué 3.26 e 17). El Damiyeh, um vau muito usado no curso médio, lembra esse sítio de Adom. Se as águas crescerem subitamente, poderá se formar nesse lugar raso, durante um breve período, uma espécie de açude natural, enquanto o curso inferior se mantém quase inteiramente seco.

Entretanto, o represamento da água do Jordão, que tem sido testemunhado diversas vezes, é devido sobretudo a terremotos. O último dessa espécie aconteceu em 1927. Devido a um violento abalo desmoronaram-se as margens do rio, e grandes massas de terra das pequenas colinas que se erguem ao longo de todo o curso serpeante rolaram para o rio. A água ficou inteiramente represada durante vinte e uma horas. Em 1924, ocorreu a mesma coisa. Em 1906, o Jordão entulhou-se de tal modo devido a um terremoto, que o leito do rio abaixo de Jericó ficou inteiramente seco durante vinte e quatro horas. Narrativas árabes falam de um acontecimento semelhante em 1267 da nossa era. (KELLER, 2000, p. 176-177). (grifo nosso).

Eis as explicações da arqueologia, contra a qual não adiantará protestar. Demonstrado, portanto, o caso como fenômeno de ordem puramente natural, causado por terremotos na região, que fazem com que se deslizem, para o leito do rio Jordão, grande quantidade de terra.

Estamos agora do outro lado do rio, perto de Jericó, quando Josué tem uma grata surpresa:

Josué 5,14: “... Josué levantou os olhos e viu em pé diante de si um homem com a espada desembainhada na mão. Josué se aproximou dele e perguntou: 'És a nosso favor ou a favor dos nossos inimigos?' Ele respondeu: 'Eu sou o chefe do exército de Javé, e acabo de chegar'. Então Josué prostrou-se com o rosto por terra e o adorou...”

Como se diz: gente, com uma ajuda dessa quem não ganharia uma guerra? Veja bem, caro leitor, o próprio “Chefe do Exército de Javé” (nem sabia que existia esse cargo) desce para ajudar o povo hebreu, evidenciando a tomada de partido por Deus, contrariando o fato de que “Deus não faz acepção de pessoas” (Dt 10,17; 2Cr 19,7; At 10,34; 15,9; Rm 2,11; Gl 2,6; 3,8; Ef 6,9; Cl 3,25 e 1Pe 1,17).

Agora sim, estamos diante do dia “D”; leiamos:

Josué 6,1.5: Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía e ninguém entrava. Quando derem um toque prolongado, quando ouvirdes o som da trombeta, todo o povo lançará um grande grito; o muro da cidade virá abaixo, e o povo subirá, cada um à sua frente.

É a única cidade conquistada literalmente no grito, de que temos conhecimento. Vejamos as opiniões dos tradutores bíblicos sobre isso:

O cap. 6 oferece algumas dificuldades quanto à conservação do texto e quanto à critica literária. É, entretanto, evidente que pretende mostrar a coragem dos guerreiros e principalmente o auxilio sobrenatural. As procissões têm uma finalidade religiosa: invocar a ajuda de Deus e implorar a maldição sobre a cidade. É natural que ao mesmo tempo servissem para atemorizar os habitantes de Jericó e para os distrair, enquanto os hebreus preparavam os seus dispositivos para o ataque. De fato, em 24,11 fala-se de combate em Jericó. A narrativa, em estilo épico, não nos permite saber com exatidão como foi tomada a cidade. As repetidas escavações arqueológicas em Jericó não nos dão informações muito precisas quanto ao período a que se refere o texto sagrado, ou seja cerca de 1210 a.C. Recentemente sugere-se a hipótese de um grande túnel aberto pelos hebreus para entrarem na cidade. A poeira levantada pelas procissões não teria permitido aos habitantes que se apercebessem desses trabalhos. Como quer que fosse, a tomada de Jericó foi na mente do autor sagrado um grande milagre de Javé em favor do seu povo. (Santuário, 1984, p. 289). (grifo nosso).

Na origem deste relato há uma tradição do santuário de Guilgal que testemunhava uma liturgia ao redor de Jericó ao som de trombetas, clamores, circum-ambulação durante sete dias. Essa liturgia celebrava a providência de Deus que tinha feito desmoronar a muralha, sinal da invencibilidade das cidades. O relato antigo foi transformado tanto para acentuar seu aspecto litúrgico (arca, sacerdotes), como para dele fazer um relato de guerra sacral (Anátema); não é um relato guerreiro. O texto hebraico é notavelmente mais longo que o da LXX, omite numerosas expressões (entre parêntesis no texto). Mesmo sob sua forma primitiva, o relato não é histórico como relato de conquista, mas testemunha a seu modo a entrada das tribos em Canaã. A primeira cidade encontrada já estava destruída. A arqueologia não fornece nenhuma indicação de uma destruição de Jericó pelo fim do séc. XIII a.C. (Paulus, 2002, p. 319). (grifo nosso).

O relato da tomada de Jericó é uma espécie de modelo da estratégia usada na conquista das cidades-estado de Canaã. Na ocasião da conquista, Jericó não tinha muralhas, e talvez já nem fosse habitada, pois tinha sido destruída fazia dois séculos. Provavelmente, foi nesse lugar que começou a ser celebrada a representação ritual de uma guerra santa com pormenores litúrgicos (arca, procissão, sacerdotes, sete dias, toque de trombeta) e guerreiros (arca, guerreiros, grito de guerra, toque de trombeta). (Paulus, 2001, p. 247). (grifo nosso).

Por ocasião da conquista, Jericó não tinha muralhas e talvez nem fosse habitada, pois já fora destruída há dois séculos. Temos aqui uma comemoração festiva de caráter litúrgico (arca, procissão, sacerdotes, 7 dias, grito, toque de trombeta) e guerreiro (arca, tropas de guerra, grito, toque de trombeta, talvez a representação ritual de uma guerra santa. O tema central é a conquista maravilhosa da cidade: Deus venceu o inimigo para dar a Terra ao seu povo. (Vozes, 1989, p. 241). (grifo nosso).

Chama-nos a atenção o fato de que sabem muito bem que o acontecimento bíblico não ocorreu; mas, mesmo assim, afirma-nos tratar-se de um milagre, como é caso desta tradução, que, em se referindo a passo Js 6,20-21, diz:

A queda dos muros de Jericó não se deveu nem ao grito de guerra, nem ao som das trombetas, e não se pode explicar senão como um milagre. Portanto, toda outra interpretação deve ser rejeitada como falsa e arbitrária (Hebr. 11,30). O autor quer fazer ressaltar a intervenção divina. (Paulinas, 1980, p. 225).

Nem os que professam a mesma religião não se entendem, pois esse último pertence ao mesmo segmento religioso dos outros citados um pouco antes. Mas não vamos deixar os católicos sozinhos, pois, certamente nos acusariam de parcialidade; portanto, vejamos a opinião dos protestantes:

A tentativa de asseverar-se que a queda de Jericó ocorrera devido a qualquer causa que não seja um milagre, é totalmente contrária à natureza deste capítulo. Fala-se de um terremoto, da queda dos muros, de um assalto súbito depois de ter dado aos guardas, sobre os muros, a impressão de que se tratava apenas de procissões religiosas. O que deu força aos invasores foi verificar que Deus estava cumprindo, de maneira bem dramática as Promessas concedidas a Abraão, a Moisés e a Josué. Sem um milagre desta natureza, a poderosa fortaleza nunca cederia perante aquelas tribos do deserto, e os israelitas nunca poderiam ter tomado ânimo para empreender uma conquista, que nem mesmo o império do Egito tinha poder para realizar naquela época. (Vida Nova e SBB, 2005, p. 312). (grifo nosso).

E a arqueologia, o que ela nos diz a respeito disso? É o que veremos agora em duas obras especializadas em assuntos dessa ciência:

Teria ela [Jericó] caído vítima de quaisquer conquistadores, posteriormente integrados ao reservatório humano chamado “Israel” e cujas conquistas acabaram por passar para a Bíblia, conforme o relato bíblico da “tomada da terra”? Se, de fato, somente na época da “tomada da terra”, ou seja, em meados ou fins do século XIII a.C., os israelitas alcançam Jericó, então nem precisavam conquistá-la, pois ela já havia sido abandonada por seus habitantes! (KELLER, 2000, p.180) (grifo nosso).

Jericó estava entre as mais importantes. Como já observamos, as cidades de Canaã não eram fortificadas, e não existiam muralhas que pudessem desmoronar. No caso de Jericó, não havia traços de nenhum povoamento no século XIII a.C., e o antigo povoado, da Idade do Bronze anterior, datando do século XIV a.C., era pequeno e modesto, quase insignificante, e não fortificado. Também não havia nenhum sinal de destruição. Assim, a famosa cena das forças israelitas marchando ao redor da cidade murada com a Arca da Aliança, provocando o desmoronamento das poderosas muralhas pelo clangor estarrecedor de suas trombetas de guerra, era para simplificar, uma miragem romântica. (FINKELSTEIN e SILBERMAN, 2003, p. 119) (grifo nosso).

Confirma, portanto, o que alguns tradutores já haviam colocado. Mas, se a cidade não era habitada, a narrativa da conquista de Jericó compromete a Bíblia quanto ao seu valor histórico. Pior ainda fica quanto à sua suposta inspiração divina agindo sobre os que a escreveram.

Pelo relato bíblico, depois de incendiarem completamente a cidade, Josué mandou alguns homens até Hai, a fim de espionar a terra. Voltaram dizendo que apenas um dois o três mil homens seriam suficientes para derrotá-la (Js 7,2-3). Entretanto...: “Hai devia estar em ruínas já no tempo de Josué, mas podia servir de refúgio e habitação para algumas pessoas.” (Santuário, 1980, p. 290). O que também pode-se confirmar com: “Hai (nome que significa 'a ruína' é atualmente et-Tell (que em árabe tem o mesmo sentido). O lugar estava em ruínas há muito tempo, na época de Josué, e é difícil atribuir a esta narrativa valor histórico”. (Paulus, 2002, p. 321). Pior ainda se quisermos atribui-lo como algo de inspiração divina.

Conforme sugestão, foram enviados os três mil homens para combater Hai; entretanto, foram derrotados. Josué ficou “possesso”, chegando a questionar Deus de tê-los deixado passar o Jordão para morrer nas mãos dos amorreus. A resposta não tardou, foram acusados por Deus de terem tomado coisas consagradas ao anátema. A questão seguinte seria descobrir-se o culpado disso, que teria como pena ser queimado; para isso lançaram-se as sortes. A maioria das pessoas que lêem a Bíblia não faz a menor idéia do que seja isso; mas é interessante explicar. Os sacerdotes carregavam duas pedras, tidas como sagradas, chamadas de urim e tumim, com as quais faziam as suas consultas à divindade. Feita a pergunta, lançavam-se essas duas pedras e, de acordo com a maneira que caíam, era obtido um sim ou um não, como resposta de Deus. Simplesmente, um verdadeiro “cara ou coroa”. Diante desse processo o culpado foi identificado como Acã, filho de Zara. Esse pobre coitado, juntamente com toda a sua família, foi queimado no fogo. Dessa forma, Israel reconciliou-se com Deus, aplacando a Sua ira.

Em Josué 8,1-29 trata exatamente da conquista de Hai; entretanto, como acabamos por adiantar, a coisa não ocorreu bem assim; vejamos o que nos explicam os tradutores bíblicos:

Como Jericó, Hai já estava em ruínas no tempo da conquista. Provavelmente, a narrativa visa mostrar outra estratégia de guerra usada contra as cidades-estado de Canaã. O comando de Javé não dispensa a prudência e o emprego de estratégias no momento oportuno. (Paulus, 2001, p. 249). (grifo nosso).

Hai, como Jericó, não era habitada por ocasião da conquista. O episódio assemelha-se a Jz 20,14-48; é possível que um episódio a famoso de conquista, do tipo estratagema, foi pouco a pouco localizado, graças ao nome sugestivo do lugar ('Ay, em hebraico, significa ruina, cf. v. 28). (Vozes, 1989, p. 243). (grifo nosso).

Ainda bem, pois seria mais uma carnificina onde passaram a fio de espada todos os habitantes de Hai; ao total doze mil pessoas, entre homens e mulheres (Js 8,24-25), sendo que o rei foi enforcado (Js 8,29).

Espalhado o terror pela região, não restou alternativa aos reis da Cisjordânia senão se unirem para combater os hebreus. Os gabaonitas tentaram uma aliança com os hebreus; entretanto, foram transformados em escravos, é o que consta no capítulo nove, fato que provocou a união dos cinco reis amorreus – os reis de Jerusalém, de Hebron, de Jarmut, de Laquis e de Eglon – que marcharam contra Gabaon, afim de a atacarem. Nessa situação drástica os gabaonitas recorreram a Josué, que marchou contra eles. Neste ponto, para garantir aos hebreus a vitória, acontece mais um extraordinário fenômeno:

Js 10,13-14: “E o sol se deteve e a lua ficou parada, até que o povo se vingou dos inimigos. No Livro do Justo está escrito assim: 'O sol ficou parado no meio do céu e um dia inteiro ficou sem ocaso. Nem antes, nem depois houve um dia como esse, quando Javé obedeceu à voz de um homem. É porque Javé lutava a favor de Israel'”.

Eis aí a prova de que consideravam a Terra como o centro do Universo. Entretanto, o que não sabiam era que o Sol não para, porém, mesmo que parasse não aumenta o dia em um minuto sequer, pois o que faz o ciclo “dia e noite” é a Terra girar em torno do seu próprio eixo. Fato desconcertante para quem acredita piamente em tudo que está escrito na Bíblia. Deus, o supremo criador do cosmo infinito, que estabeleceu todas as leis, que fazem esse maravilhoso mecanismo girar, não sabia desse pequeno detalhe.

Na seqüência do livro de Josué só vemos os hebreus matando: homens, mulheres e crianças, dominando toda a região. Disso resultou na morte de trinta e um reis, que, juntos com os seus respectivos povos, foram passados a fio de espada; somente se salvaram os gabaonitas; mas foram submetidos à escravidão.

Assim, temos a descrição da empreitada de conquista pelos hebreus, da terra prometida, que se tem como sendo “desse modo, Javé deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus antepassados. Eles tomaram posse e nela se estabeleceram” (Js 21,43). Sei que é estranho, mas foi o próprio Javé quem disse aos hebreus: “Eu dei a vocês uma terra que não lhes custou nada,...” (Js 24,13). Absurdo pagamento de promessa: manda matar todos os povos de uma região para entregá-la aos hebreus como cumprimento de uma promessa feita; nem um ser humano faria uma coisa dessa... Será que as vidas das pessoas não valiam nada?

Quanto mais estudamos a Bíblia, maior fica a nossa convicção que ela não pode, sem prejuízo de amesquinhar a Deus, ser a Sua palavra. Só mesmo por fanatismo não se enxerga isso. Diria Jesus: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23,34).


Paulo da Silva Neto Sobrinho

Maio/2008.

Referências bibliográficas:

Bíblia Sagrada, 37ª edição. São Paulo: Paulinas, 1980.

Bíblia Sagrada, 5ª edição. Aparecida – SP: Santuário, 1984.

Bíblia Sagrada, 43ª impressão. São Paulo: Paulus, 2001.

Bíblia Sagrada, 8ª edição. Petrópolis – RJ: Vozes, 1989.

Bíblia de Jerusalém, nova edição. São Paulo: Paulus, 2002.

Bíblia Shedd, 6ª edição. São Paulo: Vida Nova; Brasília: SBB, 2005.

KELLER, W. e a Bíblia tinha razão... São Paulo: Melhoramentos, 2000.

FINKELSTEIN, I. e SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão, São Paulo: Girafa, 2003


endereço: http://www.apologiaespirita.org/

imagem: passandoaregua.wordpress.com

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails