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domingo, 4 de março de 2012

A CRIANÇA OBSIDIADA


“Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência.

Não se vê em crianças dotadas dos piores instintos, numa Idade em que ainda nenhuma influência pode ter tido a educação?

Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso?”

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questão 199-a.)

Crianças obsidiadas suscitam em nós os mais profundos senti­mentos de solidariedade e comiseração.

Tal como acontece ante as demais enfermidades que atormentam as crianças, também sentimos ímpetos de protegê-las e aliviá-las, de­sejando mesmo que nada as fizesse sofrer.

Pequeninos seres que se nos apresentam torturados, inquietos, padecentes de enfermidades impossíveis de serem diagnosticadas, cujo choro aflito ou nervoso nos condói e impele à prece imediata em seu benefício, são muita vez obsidiados de berço. Outros se apresentam sumamente irrequietos, irritados desde que abrem os olhos para o mundo carnal. Ao crescer, apresentar-se-ão como crianças-problemas, que a Psicologia em vão procura entender e explicar.

São crianças que já nascem aprisionadas — aves implumes em gaiolas sombrias —, trazendo nos olhos as visões dos panoramas apa­vorantes que tanto as inquietam. São reminiscências de vidas ante­riores ou recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no plano extrafísico, antes de serem encaminhadas para um novo corpo. Conquanto a nova existência terrestre se apresente difícil e dolorosa, ela é, sem qualquer dúvida, bem mais suportável que os sofrimentos que padeciam antes de reencarnar.

O novo corpo atenua bastante as torturas que sofriam, torturas estas que tinham as suas nascentes em sua própria consciência que o remorso calcinava. Ou no ódio e revolta em que se consumiam.

E as bênçãos de oportunidades com que a reencarnação lhes fa­vorece poderão ser a tão almejada redenção para essas almas cow turbadas.

A Misericórdia Divina oferecerá a tais seres instantes de refa­zimento, que lhes chegarão por vias indiretas e, sobretudo, reiterados chamamentos para que se redimam do passado, através da resignação, da paciência e da humildade.

Na obra “Dramas da Obsessão”, Bezerra de Menezes narra a vida de Leonel, que desde a infância apresentou crises violentas, evi­denciando a quase possessão por desafetos do pretérito. Este mesmo Leonel, já adulto e casado, acompanhou a espinhosa existência de sua filha Alcina, que como ele era obsidiada desde o berço.

Crianças que padecem obsessões devem ser tratadas em nossas instituições espíritas através do passe e da água fluidificada, e é imprescindível que lhes dispensemos muita atenção e amor, a fim de que se sintam confiantes e seguras em nosso meio. Tentemos cativá­-las com muito carinho, porque somente o amor conseguirá refrigerar essas almas cansadas de sofrimentos, ansiando por serem amadas.

Fundamental, nesses casos, a orientação espírita aos pais, para que entendam melhor a dificuldade que experimentam, tendo assim mais condições de ajudar o filho e a si próprios, visto que são, pro­vavelmente, os cúmplices ou desafetos do pretérito, agora reunidos em provações redentoras. Devem ser instruídos no sentido de que fa­çam o Culto do Evangelho no Lar, favorecendo o ambiente em que vivem com os eflúvios do Alto, que nunca falta àquele que recorre à Misericórdia do Pai.

A criança deve ser levada às aulas de Evangelização Espírita, onde os ensinamentos ministrados dar-lhe-ão os esclarecimentos e o conforto de que tanto carece.

*

O número de crianças obsidiadas tem aumentado consideravel­mente. Há bem pouco tempo chegaram às nossas mãos, quase simul­taneamente, cinco pedidos de orientação a crianças que se apresen­tavam todas com a mesma problemática de ordem obsessiva.

Um desses casos era gravíssimo.

Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois, quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando especial­mente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento.

Foram feitas reuniões de desobsessão em seu benefício, quando se verificaram as origens do seu estado atual. Atormentada por muitos obsessores, seu comprometimento espiritual é muito sério.

As outras crianças mencionadas tinham sintomas semelhantes: acordavam no meio da noite, inconscientes, gritando, falando e rindo alto, não atendiam e nem respondiam aos familiares, nem mesmo dando acordo da presença destes.

Todas são menores de cinco anos.

Com a terapêutica espírita completa, essas crianças melhoraram sensívelmente, sendo que três retornaram ao estado normal.

OBSESSÃO E DESOBSESSÃO

SUELY CALDAS SCHUBERT



imagem - bruno-tavares.zip.net

terça-feira, 23 de novembro de 2010

VAMPIRISMO SEXUAL


Vampirismo é um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores

Equipe Consciência Espírita

Em seu livro Mediunidade, no capítulo VIII, o jornalista, escritor, filósofo e professor J. Herculano Pires, tratando dos problemas da obsessão, faz referências à existência de certas formas de vampirismo, como a sexual, que viola princípios morais e religiosos. Estudada pelos estudiosos e pesquisadores, mas muito pouco tratada no espiritismo em virtude do escândalo que provoca, muitas vezes causando perturbações a criaturas simples ou excessivamente sensíveis.

As três categorias de obsessão

Para compreendermos esse delicado e urgente assunto é necessário conhecer algo do mecanismo das perturbações espirituais. “A obsessão é uma infestação da alma, semelhante à infecção do corpo carnal, produzida por vírus e bactérias”, compara o professor.

Kardec classificou a obsessão em três categorias: obsessão simples, subjugação e fascinação. “O primeiro tipo se caracteriza por perturbações mentais e alterações de comportamento, sem muita gravidade. O segundo, pelo domínio do corpo, produzindo-lhe os chamados tiques nervosos e sujeitando-o a atitudes ridículas em público. O terceiro consiste no domínio hipnótico de corpo e alma, através de um processo de fascinação que deforma a personalidade”, lembra Herculano Pires.

Viciações sensoriais

No caso do vampirismo trata-se de “um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores”. Já no vampirismo sexual a ligação perturbadora por parte do obsedado se dá com espíritos inferiores que se deixaram arrastar nos delírios da sensualidade e continuam nessa situação após a morte.

Modalidade grave de perturbação espiritual, “o vampirismo sexual pode reduzir o obsedado à inutilidade, afetando-lhe o cérebro e o sistema nervoso, tirando-lhe toda disposição para atividades sérias”. Traduz-se em incontáveis “casos de sexualidade mórbida, exasperada pela atividade dos vampiros”, enfatiza.

Uma parceria sinistra

Para mostrar a complexidade do problema, que acomete tanto héteros quanto homossexuais, o professor Herculano Pires relata um fato ocorrido com um jovem recém saído da adolescência. O caso foi testemunhado por ele próprio e bem ilustra o quanto o vampirismo é uma parceria sinistra.

Conta ele:

“Um jovem de pouco mais de vinte anos procurou-nos para expor o seu caso. Começou dizendo em lágrimas, de mãos trêmulas: ‘Sou um desgraçado que goza mais do que muitos rapazes felizes. Toda noite sou procurado em meu leito por uma deidade loira e belíssima, extremamente amorosa, que se entrega a mim. É uma criatura espiritual, bem sei, e não quero aceitá-la, mas não posso repeli-la. Após, ela desaparece como nos contos de fadas e eu me levanto e grito por ela em tamanho desespero que acordo os vizinhos. Todos pensam que sou um sonâmbulo ou um louco. Ajude-me, por piedade!’”

Relata o professor que o caso vinha de longe, desde os 16 anos. A jovem lhe aparecera pela primeira vez como sua filha de outra encarnação. Na verdade,“essa referência filial era um embuste”, observa o professor, um engodo“destinado a aumentar as sensações com o excitante do pecado. Seis anos depois o reencontro por acaso. Fugira envergonhado pela confissão e com medo de que o libertássemos da obsessão. Mas já parecia um velho, cada vez mais trêmulo e de cabelos precocemente grisalhos. Prometeu ir ao centro que lhe indicamos, mas não foi. O vampirismo o exauria e deve tê-lo levado a morte precoce.”

Esclarece o professor que casos desta espécie são mais freqüentes do que geralmente supomos, mas permanecem em sigilo. “A situação de ambivalência da vítima auxilia o vampirismo destruidor”, lamenta.

Tendências, desvios e provações

Segundo Herculano Pires, tendências e desvios sexuais têm procedências diversas e suas raízes genésicas podem vir de profundidades insondáveis. Ele pondera que “a própria filogênese do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando ao vegetal e ao animal, para depois chegar no homem, apresentando enorme variação de formas, inclusive a autogênese dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas, justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos”.

Mais próximos de nós nas linhas de hereditariedade germinal cita “os ritos da virilidade de antigas civilizações entre as quais a Grécia e a Roma arcaicas, onde em várias épocas esses ritos vigoraram de maneira obrigatória, como em Esparta, onde os efebos, adolescentes, deviam receber a virilidade transmitida por homens adultos e viris através da prática homossexual”.

No entender de Herculano Pires esses episódios fornecem elementos possíveis de explicação para o fenômeno dos desvios sexuais, uma vez que as sensações dessas experiências vivenciadas, além da hereditariedade filogenética, se gravam, de maneira mais ou menos intensa, nas estruturas supersensíveis do perispírito, projetando-se em formas dinâmicas na memória profunda ou inconsciente. “Essas formas sensoriais podem aflorar na afetividade atual, atraídas por sensações afins, no processo do associacionismo sensorial. Tudo, isso, entretanto, não elimina a tendência à normalidade da espécie, principalmente num sistema básico como a da reprodução”, reflete Herculano.

Influências espirituais perturbadoras no homossexualismo adquirido

Para o filósofo, no entanto, a maioria dos casos do chamado homossexualismo adquirido, senão todos, provém de atuação obsessiva de entidades atormentadas, entregues aos desvarios dos instintos inferiores, que potencializam as tendências de suas vítimas. Mas acrescenta: “a responsabilidade não é só dessas entidades, é também das vítimas que, de uma forma ou de outra, se deixaram dominar pelos primeiros impulsos obsessivos ou até mesmo provocaram a aproximação das entidades”.

Em vários casos dessa natureza há ainda os motivos de provação, “decorrentes de atrocidades praticadas no passado pelas vítimas atuais, que são agora colocadas na mesma posição em que colocaram criaturas inocentes em encarnações anteriores”, segundo os mecanismos de ação e reação das leis divinas.

É necessário transcender a visão parcial e materialista dos problemas sexuais, que tem suas raízes no espírito reencarnado

“A lei de causa e efeito, o carma da terminologia indiana, colhe suas vítimas geralmente no período da adolescência, quando essas ocorrências são mais favorecidas pela crise de transição da idade. Mas também há casos ocorridos na idade madura e na velhice, dependentes, ao que parece de crises típicas desses períodos. Nos casos chamados de perversão constitucional a presença dos obsessores não está excluída, pois eles são fatalmente atraídos e ligam-se às vítimas excitando-lhes as sensações e agravando-lhes a perturbação”, observa o professor Herculano Pires.

Uma vez que as tendências anormais (estando elas enraizadas no espírito reencarnado) aparecem como conseqüências de faltas ou crimes dos indivíduos que as sofrem, sempre com a finalidade de superá-las na encarnação presente, a meta deve ser jamais entregar-se ao dar vazão deliberada a essas tendências e desvios.

O vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a reintegrar-se em si mesmo

E aqui, uma importante observação é feita por Herculano: “a objeção psiquiátrica e psicológica de que a repressão produz recalques, frustrações, traumas e outras conseqüências desastrosas para o indivíduo provêm da visão parcial do problema no campo materialista. Todas as vitórias do homem no sentido de seu ajustamento às condições normais da espécie são recompensadas com a tranqüilidade proporcionada pelo ajuste, eliminando a inquietação do desajuste. Um ser bem integrado em sua espécie corresponde à ordem natural da realidade e às exigências de transcendência de sua própria existência”.

Nesse sentido, orienta o professor que “o vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a reintegrar-se em si mesmo, na posse de sua personalidade, não aceitando sugestões e infiltrações de vontade estranha em sua vontade pessoal e soberana”.

Os direitos do ser espiritual em evolução

Uma vez que tanto lutamos por fazer valer os direitos humanos, Herculano vai além, conclamando os espíritas a refletirem sobre a problemática do vampirismo, implícito nos lamentáveis desvios da sexualidade que, desafortunadamente, vem drenando moral e espiritualmente indivíduos e famílias inteiras em todos os segmentos da sociedade contemporânea: “Cabe aos espíritas, que conhecem a outra face da existência, medir a distância qualitativa entre o entregar-se às forças negativas do passado, como escravos de uma situação miserável entre os homens, e o ato de empossar-se nos seus direitos de criatura humana em evolução, avançando na direção dos anseios superiores da sua consciência humana”.

E acrescenta: “A psiquiatria materialista, que desconhece os processos dinâmicos do espírito, pode considerar esses casos como irremediáveis e recorrer ao processo escuso de normalizar o anormal. Mas o espiritismo nos fornece os recursos do esclarecimento científico e racional do problema”.

Auxílio dos centros e grupos espíritas idôneos

O professor Herculano Pires nos leva a refletir que “nos centros e grupos espíritas bem orientados, as perturbações espirituais de ordem sexual são tratadas de maneira especial, em pequenas reuniões privativas, com médiuns que disponham de condições para enfrentar o problema. Como no caso das obsessões alcoólicas, toxicômanas e outras do mesmo gênero, é necessário o máximo cuidado na seleção das pessoas que vão tratar do assunto e o maior sigilo e respeito, a fim de evitar-se o prejuízo dos comentários negativos, que influem fatalmente sobre o caso, provocando agravamentos inesperados da situação das vítimas”.

Despertando a vontade anestesiada

Herculano ainda relata um penoso caso por ele acompanhado de homossexualidade adquirida em que o obsedado reintegrou-se após dez anos de luta solitária, conscientizando-se de seu problema, esforçando-se em superá-lo através da terapêutica espírita e do recolhimento fortalecedor da prece.

Segundo relatou ao professor, sua mãe, já desencarnada, o auxiliava através de aparições periódicas, sem nada dizer, mas de olhos cheios de lágrimas.“Graças a essa ajuda materna conseguiu despertar a sua vontade anestesiada e livrar-se das tentações vampirescas”.

Comenta ainda Herculano que esse companheiro tornou-se espírita e casou-se. Hoje freqüenta regularmente um centro espírita em São Paulo e se interessa especialmente pelos casos de vampirismo. “Quer pagar com o seu auxílio aos outros o benefício imenso que recebeu. Ninguém sabe nada do seu passado infeliz e todos o consideram e estimam. Não foi esse o caso de Madalena, que Jesus socorreu e transformou na primeira testemunha da sua ressurreição?”questiona o professor.

Conclusão

Referindo-se aos recursos espíritas nos casos de vampirismo, conclui Herculano que graças a essa luz divina no campo da comunicação — que é a mediunidade — “as mães sofredoras, que deixaram filhos no mundo em resgates dolorosos, conseguem socorrê-los e libertá-los de provas esmagadoras, que os homens, em geral, só sabem aumentar e agravar”.

E dirigindo-se aos médiuns que laboram anônima e desinteressadamente nas casas espíritas, enfatiza: “Os médiuns precisam conhecer esses episódios emocionantes, para compreenderem o esplendor secreto de sua missão e a utilidade superior e humilde do mediunato que lhes foi concedido. Chegou a hora em que esses fatos secretos devem ser proclamados de cima dos telhados, segundo a previsão de Jesus registrada nos Evangelhos. Mais do que nunca se comprova o adágio: ‘Ajuda-te e o Céu te ajudará’”.

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"Mediunidade (Vida e Comunicação)", de J. Herculano Pires, Edicel

Fonte: Site Consciência Espírita em 01/02/2006 - www.consciesp.org.br

imagem - visao-espirita.blogspot.com

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

FASCINAÇÃO: PRAZER CEGO DE UMA PAIXÃO

Processo tiranizante dos Espíritos obsessores
O leitor conhece alguém que a admite sem resistência ?

Dr. Iso Jorge Teixeira*

isojorge@globo.com

Mulher e morte
Jacob de Gheyn II, séc. 17

O fascinado não admite estar sendo enganado, pois se compraz pelo fato do seu amor-próprio estar sendo exaltado

(Iso Jorge Teixeira)

Fogo e Controle
KARDEC compara o mecanismo de ação do obsessor a um manto ou um lençol d’água com que se abafa o fogo
(Iso Jorge Teixeira)

Vaidade e morte
Jacob de Gheyn II, séc. 17

Obsessor e obsidiado estão intimamente ligados. Na fascinação há sempre a vaidade e orgulho do médium e uma paixão
(Iso Jorge Teixeira)

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No dia 08 de novembro/2005 escreveu-nos uma leitora, que permanecerá no anonimato sob pseudônimo, a seu pedido explicitado, abaixo, disse ela:

“Caro Dr.Iso

Seus artigos sempre sérios e instrutivos , evidenciando os seus estudos e pesquisas da Doutrina Espírita, nos trazem enormes contribuições no entendimento dos Ensinos dos Espíritos Superiores. Diante disso, julgo oportuno solicitar ao Sr. um artigo sobre Fascinação; pois temos visto uma avalanche de comunicações de Espíritos desencarnados, e percebemos que a falta de análise, observação dessas comunicações tem causado inúmeras distorções do ensinos doutrinários, e visto que médiuns acabam sendo envolvidos em idolatrias, causando toda a espécie de constrangimentos. Espero a sua compreensão dessa parte confidencial.

Agradeço antecipadamente a sua atenção.

Que Deus o inspire sempre .

Jeanne Beck – São Paulo - SP

“Obs.: Dr.Iso se puder trocar o meu nome em seu artigo, eu lhe agradeço, pois no meu convívio social/ familiar, estamos enfrentando um caso de fascinação ( há 17 anos), e as pessoas lêem seus artigos..e meu nome poderia causar algum mal estar principalmente nos que ainda não perceberam que a pessoa esta nesse processo de fascinado.”

Bem, caríssima Sra. leitora JEANNE, a grande dificuldade no processo de fascinação está, exatamente, no fato do fascinado não perceber, ou melhor, não admitir que esteja sendo enganado, como se diz popularmente: ¾ É igual marido enganado, é o último a saber... Fazemos esta analogia porque, a nosso ver, há sempre na fascinação um fenômeno que em psico(pato)logia denominamos paixão. Mas, antes de abordarmos este aspecto vamos estudar doutrinariamente o processo de fascinação...

Da Obsessão

A fascinação é um tipo de obsessão. Vamos, então, definir obsessão e citar os outros tipos...

A obsessão é a ação voluntária, tenaz, que um Espírito inferior exerce sobre uma pessoa com o objetivo de dominá-la e prejudicá-la; em geral, pelo simples prazer de infelicitar a pessoa.

Além de um capítulo inteiro dedicado ao estudo da obsessão, o Capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” (OLM), KARDEC faz referência às obsessões em inúmeras outras obras...

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Obsessão por amor ???
A obsessão é sempre produzida por um Espírito imperfeito, com o objetivo de prejudicar, não há amor na ação...
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Gostaríamos de chamar a atenção aos Srs. leitores e leitoras, a fim de que não paire dúvidas, para o fato de que a obsessão é sempre produzida por um Espírito imperfeito, com o objetivo de prejudicar, não há amor na ação do obsessor; logo, não tem sentido falar-se em “obsessão por amor”, como já ouvimos alguns confrades advogarem-na... Nesta, aplicar-se-ia o blague do adágio: ¾ A estrada para o inferno está calçada de bem-intencionados... KARDEC deixa isso bem claro, especialmente na conceituação contida em suas “Obras Póstumas”, onde ele diz, no item 56:

“A obsessão consiste no domínio que os maus Espíritos assumem sobre certas pessoas, com o objetivo de escravizar e submeter à vontade deles, pelo prazer que experimentam em fazer o mal.” – grifos nossos (op. cit., Edit. FEB, 13 ed., 1973, p. 67).

Embora o Codificador admita “Espíritos obsessores sem maldade”, no item 246 de OLM, tais Espíritos estão sempre dominados pelo “orgulho do falso saber” e, portanto, não são bons Espíritos, são muito IMPERFEITOS... A propósito, disse KARDEC no item 6.º da Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos, outubro/1858, um dos pontos-chaves para o assunto:

“6.º- A obsessão jamais se dá senão por Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não produzem nenhum constrangimento: aconselham, combatem a influência dos maus e afastam-se, desde que não sejam ouvidos.” – grifo nosso (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, São Paulo, p. 277).

Portanto, pensamos que o Codificador não poderia ser mais claro nas suas explicações, não obstante, alguns confrades fazem muita confusão neste assunto, seja querendo ver obsessão em tudo, especialmente entre encarnados ou negando-se a sua existência, quando ela é evidente, especialmente na fascinação, que estudaremos mais adiante...

Há os seguintes tipos de obsessão:

1- Obsessão simples; 2- Fascinação; 3- Subjugação, que, em seu paroxismo (isto é, com maior intensidade) chama-se Possessão.

Atendamos, então, a solicitação da Sra. JEANNE e estudemos a FASCINAÇÃO...

Que é Fascinação?

No item 239 de “O Livro dos Médiuns” (OLM) vemos a conceituação de KARDEC, explicando-nos o que é a fascinação:

“(...) É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.” –[grifos nossos].

E o Codificador complementa o ensino:

“(...) A ilusão pode mesmo ir até a ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.”

Como podemos demonstrar, através da conceituação de KARDEC, é errônea a idéia de que seria “caridade” deixar um obsidiado participar de reuniões mediúnicas. Ora, se a sua capacidade de comunicação com os Espíritos está comprometida a ponto de paralisar-lhe o raciocínio, a ponto de achar sublime a linguagem mais ridícula, independentemente do seu nível intelectual!... Em alguns outros artigos já defendemos essa tese em relação ao inconveniente de pessoas obsidiadas e doentes mentais participarem de reuniões mediúnicas, por isso, não detalharemnos, aqui, a nossa opinião; só a citamos para mostrar mais um dos argumentos que ratificam a nossa opinião...

Prossigamos com o nosso estudo... Fazendo a distinção entre obsessão simples e fascinação, disse KARDEC em OLM, Capítulo 23, no mesmo item 239 (3 º parágrafo):

“Compreende-se facilmente toda a diferença que existe entre a obsessão simples e a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois efeitos devem diferir de caráter. Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquele se impacienta por desembaraçar-se. Na segunda, a coisa é muito diversa.(...)”

O mestre de Lyon, então, passa a mostrar o caráter do Espírito obsessor na fascinação:

“(...) Para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber.” – [grifos nossos].

Na mesma linha de raciocínio, lemos na Revista Espírita, de outubro/1858:

“Os Espíritos grosseiros são menos perigos: reconhecemo-los imediatamente e não inspiram mais que repugnância. Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as inclinações; são meigos, manhosos, pródigos em expressões carinhosas e em protestos de dedicação. É preciso realmente ser forte para resistir a semelhantes seduções.” – grifos nossos – (op. cit., p. 279).

Bem, como destacamos, acima, não temos pretensão de convencer um fascinado com este nosso artigo, não obstante, perguntamos aos Srs. leitores e leitoras se conhecem algum médium, em cujas psicografias aparecem com freqüência as palavras ou expressões parecidas como CARIDADE, HUMILDADE, AMOR DE DEUS... Se conhecem algum cujas manifestações são sempre de Espíritos tentando demonstrar doçura, lisonjeadores, manhosos, etc.; leiam o CONTEÚDO das manifestações mediúnicas dele, se denotam ou não um Espírito inferior; porque, acreditamos, o médium fascinado dificilmente admitirá que está sendo enganado. Aliás, perguntamos aos Srs. leitores: conhecem alguém que admite a própria fascinação sem resistência ?... Tem razão a Sra. leitora JEANNE – há “uma avalanche de comunicações de espíritos desencarnados” atualmente e, diremos nós, através de médiuns fascinados, especialmente nos chamados romances mediúnicos do tipo “água-com-açúcar”, com um pieguismo indisfarçável dos Espíritos comunicantes, tão ao gosto para aqueles em que as fantasias bastam ...

Dificuldade de convencimento

É extremamente difícil convencer um médium de que ele esteja sendo logrado, enganado, e é esta dificuldade que demonstra o grau de controle do pensamento exercido pelo obsessor sobre o obsidiado, pois este julga que o(s) Espírito(s) que se comunicam com ele são “superiores”...

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TIRANDO A MÁSCARA
KARDEC recomenda que tiremos a máscara dos Espíritos obsessores que agem na fascinação
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Eis o que KARDEC nos informa a respeito, na “Revista Espírita – jornal de estudos psicológicos”, de outubro/1858:

“Seja por entusiasmo, seja por fascínio dos Espíritos ou seja por amor próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a crer que os Espíritos que se comunicam com ele são superiores; e isto tanto mais, quanto mais os Espíritos, vendo sua propensão, não deixam de ornar-se com títulos pomposos, conforme a necessidade e, segundo as circunstâncias, tomam nomes de santos, de sábios, de anjos, da própria Virgem Maria e fazem o seu papel como atores, vestindo ridiculamente a roupagem das pessoas que representam.”

Em seguida, KARDEC recomenda:

“(...) Tirai-lhes a máscara e se tornam o que eram: ridículos. É isto o que se deve saber fazer, tanto com os Espíritos quanto com os homens.” – grifo nosso - (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, São Paulo, p. 279).

Não obstante, em tais palavras de KARDEC, vemos hoje confrades com um beatismo indisfarçável dizerem: ¾ Ora, o que importa é a mensagem!... Contudo, apesar de alguns confrades serem bem inteligentes, não procuram analisar com frieza as mensagens, pois idolatram determinados médiuns... Vejamos num exemplo, do que é capaz um obsessor e onde a credulidade de um homem obsidiado pode chegar, obviamente por orgulho...

No mesmo número da Revue, acima citada, a de outubro/1858, é relatado o caso de um moço com obsessão, com fascinação, leiamos o relato:

“O Sr. F., moço instruído, de esmerada educação, de caráter suave e benevolente, mas um pouco fraco e sem resolução pronunciada, tornou-se médium psicógrafo com muita rapidez. Obsidiado pelo Espírito que dele se apoderou e lhe não dava repouso, escrevia incessantemente. Desde que uma pena ou um lápis lhe caía na mão, tomava-o num movimento convulsivo e enchia páginas e páginas em poucos minutos. Na falta de material, simulava escrever com o dedo, em qualquer parte onde se encontrasse: na rua, nas paredes, nas portas, etc. Entre outras coisas, esta lhe era ditada: “O homem é composto de três coisas: o homem, o mau Espírito e o bom Espírito. Todos vós tendes vosso mau Espírito, que está ligado ao corpo por laços materiais. Para expulsar o mau Espírito é necessário quebrar esses laços, para o que é preciso enfraquecer o corpo. Quando este se acha suficientemente enfraquecido – prossegue o Espírito obsessor, citado por KARDEC – o laço se parte e o mau Espírito vai embora, deixando apenas o bom”.

Prosseguindo em seu relato, muito instrutivo, lemos na Revue:

“(...)

Em conseqüência desta bela teoria fizeram-no jejuar durante cinco dias e velar à noite. Quando estava extenuado, eles lhe disseram: ‘Agora a coisa está feita e o laço partido. Teu mau Espírito se foi: ficamos apenas nós, em quem deves crer sem reservas. E ele, persuadido de que seu mau Espírito havia fugido, acreditava cegamente em todas as suas palavras.(...)” – (op. cit., p. 279-280)

Aí está um belíssimo exemplo de como agem os obsessores e o porquê dos fascinados negarem-se a ouvir conselhos de pessoas mais experientes, isto é, acreditam SEM RESERVAS em tudo o que dizem os Espíritos, o que está frontalmente em oposição ao diz a Doutrina dos Espíritos em relação aos Espíritos Superiores – estes nunca desejam serem ouvidos sem reservas, pois, então, onde estaria o livre-arbítrio de cada um de nós?!... Além disso, convém ressaltar as palavras de KARDEC na “Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, desta vez a de dezembro/1862:

“Resta sempre a questão de saber se o bom Espírito é menos poderoso que o mau. Não é o bom Espírito que é mais fraco: é o médium que não é bastante forte para livrar-se do manto que sobre si foi lançado, para desembaraçar-se dos braços que o apertam, COM O QUE – É BOM DIZER – POR VEZES SE COMPRAZ.” – grifo nosso – (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, p. 362).

Inúmeros confrades falam na obsessão como se SEMPRE o obsidiado SOFRESSE; ora, na fascinação propriamente dita, não há sofrimento do obsidiado – ele tem PRAZER na relação com o Espírito obsessor, o sofrimento só virá depois, se o processo continuar, como no caso, acima, em que a fascinação degenerou para a subjugação. Eis um dos grandes perigos da fascinação ...

Mecanismos de ação conhecidos no fenômeno da FASCINAÇÃO (e dos outros tipos de obsessão)

Embora haja outros autores importantes do ponto de vista do conhecimento do Espiritismo é inegável que a base está em KARDEC, por isso estamos citando-o tantas vezes... Vejamos o que ele nos esclarece em relação aos mecanismos de ação no processo de fascinação, leiamos um trecho da “Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, a de dezembro/1862:

“Se um Espírito quiser agir sobre uma pessoa, dela se aproxima, envolve-a com o seu perispírito, como num manto; os fluidos se penetram, os dois pensamentos e as duas vontades se confundem e, então, o Espírito pode servir-se daquele corpo como se fora o seu próprio, faze-lo agir à sua vontade, falar, escrever, desenhar, etc. assim são os médiuns. (...) se for perverso, mau, ele o constrange, até paralisar a vontade e a razão, que abafa com seus fluidos, como se apaga o fogo sob um lençol d’água.(...)” (op. cit., p. 359).

Aí está, KARDEC compara a ação de um obsessor com um manto ou um lençol d’água apagando o fogo, abafando os fluidos do obsidiado. De fato, a comparação é feliz, pois, a nosso ver, a fascinação é um processo que dá PRAZER ao obsidiado, estimulando o “fogo das suas paixões”, ou melhor, é a fascinação uma espécie de PAIXÃO; vejamos esta nossa tese, em seguida...

Definindo PAIXÃO do ponto de vista psico(pato)lógico e espírita

Em Psico(pato)logia, no capítulo da AFETIVIDADE, estudamos um assunto em que há muita confusão, mesmo entre alguns psiquiatras, estamos referindo- nos à Paixão. Vejamos o que nos dizia a respeito o nosso grande mestre da Psiquiatria brasileira, prof. A. L. NOBRE DE MELO em sua PSIQUIATRIA – volume I, MEC / Civ. Brasileira, Rio de Janeiro, p. 522:

“O termo paixão designa, em nosso entender, um estado afetivo absorvente e tiranizante, que polariza a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, que passa a monopolizar seus pensamentos e suas ações, com exclusão ou em detrimento de tudo mais.”

Aí está rigorosamente definido o termo “paixão”. Mais adiante ensina-nos o grande mestre NOBRE:

“Será oportuno recordar, a propósito, que, em seu célebre “Tratado das Paixões”, Descartes veio a ampliar demasiado esse conceito, a ponto de nele querer englobar tudo o que não fosse atividade voluntária (percepções, sentimentos, emoções). É verdade que, nem por isso, deixava de reconhecer que também há paixões nobres e úteis, e que, em certas circunstâncias, pode a razão lograr manter seu império, soberano sobre elas. (...)”

Mais adiante, na referida obra (págs. 522-523) diz o mestre NOBRE DE MELO:

“De qualquer modo, e não obstante a opinião de Bousset, que via no amor a fonte e a origem de todas as paixões, o certo é que também para Spinoza, Rousseau, Montaigne e seus epígonos, representam as paixões, apetites cegos e indomáveis, que entravam e perturbam o entendimento, a reflexão, o raciocínio e o julgamento, arrastando o homem à violência, aos desregramentos, fanatismos, sectarismos e despotismos , com todas as suas conseqüências. (...)”.

Não temos dúvida de que as paixões podem ser úteis em alguns casos, mas como elas são essencialmente derivadas da vida instintiva e, portanto, primitivas, animais, dificilmente elas são controladas cognitivamente, daí o grande perigo das fascinações, pois nestas o obsessor, usando da hipocrisia e estimulando o amor-próprio do obsidiado, coloca-o à sua disposição, enganando-o, utilizando exatamente aquilo que dificilmente ele controla – as paixões.

Muito interessante este aspecto da utilidade ou não das paixões, pois a Espiritualidade Superior já mostrava esta distinção em 1857, quando foi publicado pela primeira vez “O Livro dos Espíritos” (OLE). Vejamos o que a Espiritualidade Maior nos trouxe de subsídios a respeito... Leiamos no item II. DAS PAIXÕES. Livro III, Capítulo XII, de OLE, as questões 907 e 908 e suas respostas:

907. O princípio das paixões sendo natural é mau em si mesmo?

¾ Não. A paixão está no excesso provocado pela vontade, pois o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal.

908. Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?

¾ As paixões são como um cavalo, que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar, e quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.

O Circo. 1878-1888. Henri de TOULOUSE-LAUTREC

COMO UM CAVALO
As paixões são como um cavalo, que é útil quando governado e perigoso quando governa

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Comentando essas respostas, disse KARDEC dentre outras coisas:

“Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal distancia-o da natureza espiritual.

Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.”

Se atentarmos bem para a profundidade das respostas às questões 907 e 908 de OLE e pensarmos que os médiuns que serviram à codificação eram, em sua maioria, meninas adolescentes, teremos mais um motivo para a convicção da realidade do mundo espiritual. Complementando, gostaríamos de citar, também a questão 909 e resposta de OLE, pois ela se encaixa como uma luva naqueles que estão num processo de fascinação...

909. O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?

¾ Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah! Como são poucos os que se esforçam!

EPÍLOGO

Aí está, caríssimo leitor, o fascinado sente prazer no processo obsessivo de que é vítima e pouco ou em nada se esforça para vencer as suas paixões, deletérias para si mesmo ou para outrem, porque, afinal de contas, uma pessoa sob o império da fascinação é de relação social muito difícil, pelo seu orgulho, prepotência e, em muitos casos, causadora da quebra da harmonia familiar... Mas que não se culpe somente o obsessor por tais desarmonias, porque, como diz o povo: ¾ Quando um não quer, dois não brigam! Ou melhor, só há obsessão se houver SINTONIA entre os Espíritos...

Enfim Sra. JEANNE BECK, caríssimas leitoras, estimados leitores, esperamos ter trazido subsídios sobre o assunto que me foi solicitado e que o fascinado controle suas paixões e as sublimem para pensamentos e ações positivas, só assim governará e deixará de ser governado pelo animal que há dentro de si, caso contrário cairá do cavalo, he he he...

Ninguém fica 17 anos fascinado impunemente, a fascinação pode degenerar para a subjugação, não é mesmo Sra. JEANNE?!... Que o seu familiar pare, um pouquinho que seja, para pensar e faça aquele esforço aconselhado pela Espiritualidade Superior em resposta à questão 909 de OLE e que admita que o seu prazer é efêmero e ILUSÓRIO e abra os olhos, cure a própria cegueira... Não custa nada, é bom para si mesmo e para a felicidade geral da família, ou não?... A OPÇÃO é sua.

* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre - Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria (FCM - UERJ)


ENDEREÇO: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2067.html


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