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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AS DROGAS E SUAS IMPLICAÇÕES ESPIRITUAIS


Xerxes Pessoa de Luna


Um dos problemas mais graves da sociedade humana, na atualidade, é o consumo indiscriminado, e cada vez mais crescente, das drogas, por parte não só dos adultos, mas também dos jovens e, lamentavelmente, até das crianças, principalmente nos centros urbanos das grandes cidades.

A situação é tão preocupante, que cientistas de várias partes do Planeta, reunidos, chegaram à seguinte conclusão: "Os viciados em drogas de hoje podem não só estar pondo em risco seu próprio corpo e sua mente, mas fazendo uma espécie de roleta genética, ao projetar sombras sobre os seus filhos e netos ainda não nascidos."

Diante de tal flagelo e de suas terríveis conseqüências, não poderia o Espiritismo, Doutrina comprometida com o crescimento integral da criatura humana na sua dimensão espírito-matéria, deixar de se associar àqueles segmentos da sociedade que trabalham pela preservação da vida e dos seus ideais superiores, em seus esforços de erradicação de tão terrível ameaça.

O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do organismo físico da criatura humana, alcançando e comprometendo, substancialmente, o equilíbrio e a própria saúde do seu corpo perispiritual. Tal situação, somada àquelas de natureza fisiológica, psíquica e espiritual, principalmente as relacionadas com as vinculações a entidades desencarnadas em desalinho, respondem, indubitavelmente, pelos sofrimentos, enfermidades e desajustes emocionais e sociais a que vemos submetidos os viciados em drogas.

Em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser humano em nosso planeta, cabe a nós, espíritas, não só difundir as informações antidrogas que nos chegam do plano espiritual benfeitor que nos assiste, mas, acima de tudo, atender aos apelos velados que esses amigos espirituais nos enviam, com seus informes e relatos contrários ao uso indiscriminado das drogas, no sentido de envidarmos esforços mais concentrados e específicos no combate às drogas, quer no seu aspecto preventivo, quer no de assistência aos já atingidos pelo mal.

II - A Ação das Drogas no Perispírito

Revela-nos a ciência médica que a droga, ao penetrar no organismo físico do viciado, atinge o aparelho circulatório, o sangue, o sistema respiratório, o cérebro e as células, principalmente as neuroniais.

Na obra "Missionários da Luz" - André Luiz ( pág. 221 - Edição FEB), lemos: "O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual." Em "Evolução em dois Mundos", o mesmo autor espiritual revela-nos que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.

Comparando as informações dessas obras com as da ciência médica, conclui-se que a agressão das drogas ao sangue e às células neuroniais também refletirá nas regiões correlatas do corpo perispiritual, em forma de lesões e deformações consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria aparência humana do perispírito. Tal violência concorre até mesmo para o surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que "o perispírito funciona, em relação a esse, como uma espécie de filtro na dosagem e adaptação das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa.

Por vezes o consumo das drogas se faz tão excessivo, que as energias, oriundas do perispírito para o corpo físico, são bloqueadas no seu curso e retornam aos centros de força.

III - A Ação dos Espíritos Inferiores Junto ao Viciado

Esta ação pode ser percebida através das alterações no comportamento do viciado, dos danos adicionais ao seu organismo perispiritual, já tão agredido pelas drogas, e das conseqüências futuras e penosas que experimentará quando estiver na condição de espírito desencarnado, vinculado a regiões espirituais inferiores.

Sabemos que, após a desencarnação, o Espírito guarda, por certo tempo, que pode ser longo ou curto, seus condicionamentos, tendências e vícios de encarnado. O Espírito de um viciado em drogas, por exemplo, em face do estado de dependência a que ainda se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e a necessidade de consumir a droga. Somente a forma de satisfazer seu desejo é que varia, já que a condição de desencarnado não lhe permite proceder como quando na carne. Como Espírito precisará vincular-se à mente de um viciado, de início, para transmitir-lhe seus anseios de consumo da droga, posteriormente, para saciar sua necessidade, valendo-se para tal do recurso da vampirização das emanações tóxicas impregnadas no perispírito do viciado, ou da inalação dessas mesmas emanações quando a droga estiver sendo consumida.

"O Espírito de um viciado em drogas, em face do estado de dependência a que se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e a necessidade de consumir a droga."

Essa sobrecarga mental, indevida, afeta tão seriamente o cérebro, a ponto de ter suas funções alteradas, com conseqüente queda no rendimento físico, intelectual e emocional do viciado. Segundo Emmanuel, "o viciado, ao alimentar o vício dessas entidades que a ele se apegam, para usufruir das mesmas inalações inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em seu prejuízo as impregnações fluídicas maléficas daquelas, tornando-se enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores, sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos".

IV - Contribuição do Centro Espírita no trabalho antidrogas desenvolvido pelos Benfeitores Espirituais

A Casa Espírita, como Pronto-Socorro espiritual, muito pode contribuir com os Espíritos Superiores, no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas nos dois lados da vida.

Com certeza, essa contribuição poderia ocorrer através de medidas que, no dia-a-dia da Instituição, ensejassem:

  1. Um incentivo cada vez mais constante às atividades de evangelização da infância e da juventude, principalmente com sua implantação, caso a Instituição ainda não tenha implantado.

  2. Estimular seus freqüentadores, em particular a família do viciado em tratamento, à prática do Evangelho no Lar. Essas pequenas reuniões, quando realizadas com o devido envolvimento e sinceridade de propósitos, são fontes sublimes de socorro às entidades sofredoras, além, naturalmente, de concorrer para o estreitamento dos laços afetivos familiares, o que decerto estimulará o viciado, por exemplo, a perseverar no seu propósito de libertar-se das drogas ou a dar o primeiro passo nesse sentido.

  3. Preparar devidamente seu corpo mediúnico para o sublime exercício da mediunidade com Jesus, condição essencial ao socorro às vítimas das drogas, até mesmos as desencarnadas.

  4. No diálogo fraterno com o viciado e seus familiares, sejam-lhes colocados à disposição os recursos socorristas do tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada e reforma íntima.

  5. Criar, no trabalho assistencial da Casa, uma atividade que enseje o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, como fundamentação doutrinária, ao viciado e a seus familiares.

V - Conclusão

Diante dos fatos e dos acontecimentos que estão a envolver a criatura humana, enredada no vício das drogas, geradoras de tantas misérias morais, sociais, suicídios e loucuras, nós, espíritas, não podemos deixar de considerar essa realidade, nem tampouco deixar de concorrer para a erradicação desse terrível flagelo que hoje assola a Humanidade. Nesse sentido, urge que intensifiquemos e aprimoremos cada vez mais as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em curso em nossas Instituições, e que, também, criemos outros mecanismos de ação mais específicos nesse campo, sempre em sintonia com os ensinamentos do Espiritismo e seu propósito de bem concorrer para a ascensão espiritual da criatura humana às faixas superiores da vida.


(Reformador – Março/98)



texto - http://www.rcespiritismo.com.br/

imagem - entendimentoespirita.com

domingo, 8 de agosto de 2010

LSD, MACONHA E LOUCURA

Do prazer efêmero ao aniquilamento físico e espiritual

Iso Jorge Teixeira

Jovem de cabelos compridos,1942. MAX ERNST.

A Família enferma, 1920. LASAR SEGALL.

Jovem de cabelos compridos,1942. MAX ERNST.

A Família enferma, 1920. LASAR SEGALL.

Comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.

Podemos distinguir dois grupos de drogas: as chamadas soft drugs (drogas "leves") e as hard drugs (drogas "pesadas"); assim, as drogas "pesadas" caracterizam-se pelo efeito potente, e por isto, podem levar a umadependência predominantemente física, em que o corpo físico necessita de doses cada vez maiores do preparado e cuja suspensão produz fenômenos de abstinência. Já as drogas "leves" não produzem, em geral, os fenômenos dramáticos de abstinência e não levariam a uma tendência a aumentar a dose, isto é, o que chamamos dependênciapredominantemente psíquica.

Dentre as hard drugs podemos citar as drogas chamadas opióides, como a morfina, a heroína e a metadona. E como exemplos de soft drugs temos o LSD25 e a maconha.

As drogas "leves". Atualmente, muitos usuários de drogas, jovens em geral, usam a maconha de forma moderada e, por isso, acreditam que ela não lhe traria prejuízos psíquicos ou físicos... É comum, hoje, alguns jovens dizerem: –- Eu gosto de fumar maconha, sinto prazer, fumo de vez em quando e não vejo nenhum mal nisso!... Talvez, o que estes jovens não saibam é que as chamadas drogas "leves" - apesar de não serem muito potentes se comparadas às hard drugs - são capazes de levar a graves alterações caracterológicas e, muitas vezes, à loucura, isto é, a estados psicóticos irreversíveis.

LSD e esquizofrenia. Apesar de ser pouco consumido pelos jovens brasileiros, o LSD25 (dietilamida do ácido lisérgico), produz efeitos muito semelhantes aos da maconha, embora muito mais agudos. O LSD25 foi o principal ponto de partida para o tratamento farmacológico, atual, das esquizofrenias, através do conhecimento dos chamados efeitos psicotomiméticos, isto é, dos efeitos imitadores da loucura; o LSD25 provoca o que se denominava modelo de psicose... Uma pessoa que fizer uso de LSD25 apresentará sintomas muito semelhantes aos das esquizofrenias e as fórmulas estruturais dos alucinógenos são muito semelhantes às aminas cerebrais e, como hoje se sabe, a dopamina(uma amina cerebral) está diretamente envolvida na bioquímica cerebral dos esquizofrênicos. Comparando-se as fórmulas dos alucinógenos com as das aminas cerebrais, observa-se que há grande semelhança estrutural e, considerando que tais substâncias agem nos receptores da célula cerebral (neurônio), chegou-se à conclusão de que há na esquizofrenia uma disfunção nos receptores dos neurônios pós-sinápticos; portanto, se a fórmula química do LSD25e da aminas cerebrais são semelhantes, é óbvio que agem semelhantemente nos receptores cerebrais.

Então, cabe a pergunta: o LSD25 pode causar a esquizofrenia?...

Obviamente, as esquizofrenias ocorrem com muito maior freqüência em pessoas que não são usuárias de droga, logo, as drogas não são a causa da doença. Contudo, podemos afirmar com certeza que uma "viagem" provocada pelo LSD25pode desencadear a esquizofrenia. A esquizofrenia é uma das mais graves, talvez a mais grave, das doenças mentais... Enfim, uma "viagem de ida sem volta", embora o tratamento possa deter a evolução do processo.

Por que afirmamos que a esquizofrenia é uma "viagem sem volta"? Porque após cada crise de um esquizofrênico, ele apresentará seqüelas permanentes na sua personalidade, o que denominamos defeito ou estado residual esquizofrênico, em que a pessoa fica com quase total alheamento do meio exterior (autismo), com graves alterações qualitativas na afetividade, no pensamento e nas ações, tornando-se uma caricatura de um ser humano, pois perde o que há de mais importante no homem: o livre-arbítrio; há uma vertigem da liberdade, como diria o filósofo SÖREN KIERKEGAARD. Em resumo: a esquizofrenia é uma doença que pode levar a um quase completo aniquilamento espiritual da pessoa.

Então, outra pergunta que se impõe é: valeria à pena o êxtase, o prazer momentâneo, efêmero, de uma "viagem" proporcionada pelo uso de LSD25 ? Embora as esquizofrenias tenham um componente genético importante, podemos dizer que todos somos passíveis de adoecer de esquizofrenia, pois, às vezes, a expressividade genética não é imediata; por exemplo: se eu sou esquizofrênico, meus filhos e netos podem não apresentar a doença, mas nada impede que meus bisnetos adoeçam de esquizofrenia... Portanto, não sabemos se somos predispostos à esquizofrenia ou não!...

Maconha e esquizofrenia. Não é aconselhável que ninguém faça uso de LSD25 , mesmo ocasionalmente, pois as esquizofrenias surgem como "um raio em céu claro", isto é, a "tempestade" surge sem nenhum sinal precursor. E a maconha poderia também, como o LSD25, propiciar os mesmos riscos? Diremos que sim, a nossa experiência clínica confirma isso... Embora a fórmula química da maconha seja diferente daquela do LSD25 é provável que a maconha altere funcionalmente as aminas cerebrais, nos neurônios. Assim, o delta-9-tetrahidrocannabinol (principal substância ativa da maconha) é capaz de provocar os mesmos sintomas produzidos pelo LSD25, só que em grau menor; a esse respeito, ensina o prof. holandês VAN DEN BERG:

A ação do LSD "parece-se muito com a da marijuana [maconha], mas é mais intensa, mais caprichosa, mais psicótica e tem conseqüências mais duradouras" (J. H. VAN DEN BERG. Pequena Psiquiatria. Edit. Mestre Jou, São Paulo, 1970, p. 143).

Maconha e Espírito. É importante ressaltar-se que não há provas de que a maconha altere, fisicamente, o perispírito do usuário (as pesquisas sobre isso ainda são muito incipientes); mas é indubitável o aniquilamento espiritual dos usuários contumazes: embotamento ético-social (desrespeito pelas normas sociais e desamor crescente àqueles que o rodeiam) e síndrome amotivacional ( desinteresse e falta de motivação quase total pelas atividades quotidianas); assim, a pessoa permanece completamente impossibilitada de cumprir seu compromissos reencarnatórios. Além disso, a pessoa aumentará seus débitos reencarnatórios em função de algumas horas de prazer (com evidente fuga da realidade) e, certamente aqui voltará, provavelmente com provas muito duras, cáusticas mesmo, pois insidiosamente essas pessoas vão caindo "nos braços de MORFEU", só que neste caso MORFEU não é o mito do sono, propriamente dito, e sim de um sono espiritual, da invigilância. JESUS disse: Vigiai e orai; este preceito tem múltiplas aplicações...

Que o jovem siga esse conselho de JESUS - mesmo que use drogas só ocasionalmente -, posto que o usuário de drogas está preocupado unicamente com os prazeres sensuais, da carne, esquecendo-se dos seus deveres espirituaiscomo filhos, como irmãos, como pais, como seres humanos enfim, em toda sua inteireza espiritual. Muitas vezes esses jovens não praticam o mal inicialmente, mas estarão perdendo um precioso tempo ao se distanciarem da família, do bem que poderiam trazer à Sociedade... Como disseram os Espíritos Superiores sobre a vida contemplativa:

"(...) se não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal".(cf. resp. à questão 657 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC, ab initium) e o complemento disso está na resposta à questão 769 (op. cit.):

"(...) Deus não pode considerar agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém".

Epílogo. Temos plena certeza de que uma pessoa que tivesse a convicção dos princípios doutrinários espíritas, que fosse levada circunstancialmente ao uso de drogas, não continuaria esse uso, pois no silêncio do seu quarto, ao realizar a sua prece, perguntaria: qual o bem que fiz hoje? Fui útil a alguém?...

Na prevenção do uso de drogas é extremamente importante a harmonia familiar, isto é destacado por todos. Em contrapartida, comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem, tolerados socialmente por algumas pessoas, podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.

Em síntese, além dos riscos reais proporcionados pelo uso de drogas, os prazeres efêmeros daí advindos são nulos ante os prazeres espirituais, permanentes.

Iso Jorge Teixeira
CREMERJ: 52-14472-7
Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)


texto e imagem - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/iso-jorge/lsd-maconha.html


sexta-feira, 5 de março de 2010

A DROGA E O JOVEM



Autor: Rosa Maria Silvestre Santos

O jovem desprovido de maturidade emocional, vivendo a complexidade da vida humana, o medo de enfrentar dificuldades, as frustrações e o modismo é um forte candidato para as drogas.

O jovem usa droga para:

* reduzir tensão emocional - ansiedade;

* remover o aborrecimento;

* alterar o humor;

* facilitar encontrar amigos;

* resolver problemas;

* seguir os colegas;

* ficar na moda;

* expandir a consciência - transcender;

* buscar o auto-conhecimento;

* atingir o prazer imediato; etc.

O jovem usuário de drogas tem dificuldade de formar um "eu" adulto e fica sempre com uma sensação de incompletude, a droga age como um cimento nas fendas da parede que completa seu "eu", é a conhecida fase do "estágio do espelho quebrado" em que Olieveinstein (1991, apud Bergeret & Leblansc) diferencia o usuário do toxicômano. As carências constituídas na primeira infância acarretam esta "falta" ou "incompletude" e a droga vem para completar.

O início do uso de drogas é uma lua de mel. Os pais ficam longos anos desconhecendo que o filho as utiliza. Depois da lua de mel vem o desconforto de estar sem o produto, aumenta a "tolerância" (necessidade de mais doses para o mesmo efeito) e a "dependência" (dificuldade de controlar o consumo).

Geralmente, encontramos jovens que usam drogas legais e ilegais nos shows e festinhas, mas não se consideram dependentes delas. "Brincam com fogo" e desprezam toda informação científica que alerta sobre os perigos da "tolerância" e da "dependência".

A experiência internacional (Carlini,Carlini-Cotrim & Silva-Filho,1990), constata a existência de três fatores que, juntos, favorecem o desenvolvimento da "toxicomania" ou "dependência química", são eles: a droga, o jovem e sua personalidade e o momento dele dentro da família e sociedade.

O que leva o jovem a fazer uso de droga é a busca do prazer, da alegria e da emoção. No entanto, este prazer é solitário, restrito ao próprio corpo, cujo preço é a autodestruição. Tudo isto faz esquecer a vida real e se afundar num mar de sonhos e fantasias. Esta é uma opção individual, se bem que, muito condicionada ao papel do grupo.

"O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança." Silveira, 1999.

Além do prazer, a droga pode funcionar como uma forma de o adolescente afirmar-se como igual dentro de seu grupo. Existem regras no grupo que são aceitas e valorizadas por seus membros, tais como: o uso de certas roupas, o corte de cabelo, a parada em certos locais e a utilização de drogas.

É no grupo que o jovem busca a sua identidade, faz a transição necessária para alcançar a sua individualização adulta. Porém, o jovem tem o livre-arbítrio na escolha de seu grupo de companheiros. O tipo de grupo com o qual ele se identifica tem tudo a ver com sua personalidade.

Outra motivação forte para o jovem buscar a droga é a transgressão. Transgredir é contestar, é ser contra a família, contra a sociedade e seus valores. Uma certa dose de transgressão na adolescência é até normal, mas quando ela excede com drogas, representa a desilusão e o desencanto.

Os jovens, muitas vezes, utilizam determinada droga para apontar a incoerência do mundo adulto que usa e abusa das drogas legais como álcool, cigarro e medicamentos. Acreditam que os adultos deveriam ser um "porto-seguro", um referencial da lei e dos limites. No entanto, muitos adultos não pararam para refletir sobre isso.

A "onipotência juvenil" é uma característica da adolescência que faz com que o jovem acredite que nada vai acontecer. Pode transar sem camisinha e não vai engravidar ou pegar AIDS ou DST, pode usar drogas e não vai se tornar dependente. No entanto, é ainda maior o risco de dependência, no jovem quando:

* possui dificuldade de desligar-se da situação de dependência familiar;

* existem falhas na capacidade de reconhecer-se como indivíduo adulto, capaz e separado dos outros;

* possui dificuldades de lidar com figuras de autoridade, desafia e transgride compulsivamente.

Os adolescentes sofrem influências de modismos e de subculturas, são contestadores, sofrem conflitos entre a dependência e a independência, têm uma forte tendência grupal, um desprazer com a vida urbana rotinizada e uma grande ausência de criatividade. Alguns adolescentes fazem a descoberta do valor da vida em confronto com a morte, através de esportes violentos, pegas de carros, roleta russa, anorexia nervosa, suicídio e drogas.

A primeira onda de socialização da droga surgiu nos anos 60. Muitas pessoas começaram a questionar a realidade social e procurar uma cura psíquica na natureza, já que o mundo urbano não oferecia alternativas. Aprenderam a usar certas plantas para modificar a percepção consciente, era a época dos hippies.

Hoje, depois de 30 anos conhecemos o grande equívoco, definitivamente todas as drogas causam dependência e esta "falsa" sensação divina acaba anestesiando a realidade individual de não se sentir "bom o bastante".

Segundo Griscom, o desejo de drogas é sempre a busca de algo mais. Os pais transmitem isso aos filhos quando eles próprios ingerem droga e os seus filhos acabam fazendo a mesma coisa. Isso é explicado geneticamente, já existe no equilíbrio bioquímico uma predisposição.

"O uso de drogas ativa a expansão para a dimensão astral, fazendo a pessoa entrar em realidades que podem ser muito sedutoras, atraentes e abrangentes; por isso as drogas ofereciam uma saída, um escape da realidade linear e da luta para conseguir um lugar no mundo" Griscom, (1991, p.71).

A sociedade atual tem pouco a oferecer para o jovem antes que sejam considerados adultos produtivos, suas vidas estão sem significado e seus modelos são os heróis intocáveis da TV. Os jovens sabem que nunca serão estes heróis e sentem necessidade de se descobrir e responder a questão "Quem sou eu?"

"Os jovens procuram encontrar-se utilizando drogas. Tentam eliminar a dor, a limitação, sacudir-se do desconforto de serem pequenos demais. Fazem isso por meio de drogas porque foram criados num modo de vida quase passivo. Hoje a juventude acumula eletricidade estática que não deixa uma marca, não encontra um canal para escoar. A agitação é grande demais para o Sistema Nervoso que é estimulado em excesso e não possui um canal de reação. Assim os jovens simplesmente utilizam vários tipos de drogas para sintonizar-se e livrar-se do desconforto que sentem no corpo, nas emoções e na mente." Griscom (1991, p72 e 73).

É tão difícil para o jovem ser ele mesmo que acaba representando vários papéis, um em casa, outro com os colegas, outro na escola, indefinidamente espera ser levado em conta. Chegar aos 18 anos, de nada alivia porque o processo educativo é prolongado, a adolescência também é prolongada e fica muito longe a chegada à idade adulta, na qual a sociedade o aceitará e aprovará seus conceitos, pensamentos e criatividade.

Os pais não sabem o que fazer com a caótica energia do jovem e a escola muito menos. O jovem vive uma realidade tensa com as notas, provas, semestres... sem que se perceba como um sentido real de força e valor. Esta separação emocional e intelectual acaba provocando o "aluno desistente". Desistir de estudar é sedutor, é uma defesa contra um mundo hostil. As drogas aliviam o desconforto social, funcionam como uma cortina de fumaça para disfarçar a sensação de vazio. (Griscom,o. cit.)

"Muitas pessoas começam a utilizar drogas como um meio de alcançar o seu próprio eu divino, mas pagam um alto preço por isso. A aglutinação do núcleo da nossa percepção consciente fica enfraquecido pelas drogas. Quando tomamos alguma droga que nos leva à dimensão do altral, sempre ocorre um afrouxamento do controle do ego, que diz: "Tenha cuidado! Cuidado com isso". É isso mesmo, libertamos o ego que nos aborrecia, mas quando entramos na dimensão do astral perdemos também a nossa essência!" Griscom (1991, p. 77).

Nosso caminho evolutivo acaba sendo atrasado por esta opção que tanto ilude e prejudica nossa essência e nossa capacidade de discernimento.

O que acontece é que as drogas trazem uma percepção de realidade passiva. Podem até ser um caminho para a expansão da percepção consciente, porém é um caminho passivo, de fora para dentro, é artificial e causa dependência. A dimensão do astral não é passiva, exige ação intencional, práticas de respiração, meditação e recolhimento interior.

"A maconha é uma das drogas que criam uma modificação permanente no cérebro. A maconha deposita nas sinapses nervosas um resíduo viscoso que é parecido com o piche e não pode ser retirado. Esse resíduo retarda nossa capacidade de entrar em outras oitavas de percepção consciente porque as sinapses, que transportam mensagens, perdem a faculdade de entregar os dados que recebem. As pessoas que optam por essa forma de alterar a percepção consciente estão de fato diminuindo suas próprias vibrações." Griscom, 1991, p.78

Se quisermos entrar em contato com a Espiritualidade Maior, em outras dimensões, não podemos danificar nosso campo eletromagnético, somos sistemas energéticos. Quando utilizamos drogas criamos buracos no campo de nossa aura.

Quando os jovens conhecem sua finalidade na vida, reconhecem a força no seu coração e na sua intuição, não sentem necessidade de recorrer às drogas como meio de fuga. Podem compartilhar a ligação com o Eu Superior e sentir a energia criativa que emanam através das palavras, imagens, quadros ou música.

As principais recomendações de Divaldo Franco para o jovens são essas:

1. A pretexto de comemorações, festas, não se comprometa com o vício; apenas um pouquinho pode ser uma picada de veneno letal que mesmo em pequenas doses pode ser fatal;

2. Se está feliz, fique feliz lúcido;

3. Se está sofrendo, enfrente a dor abstêmio e forte;

4. Para qualquer situação recorra à prece.



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