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sábado, 16 de abril de 2011

VISÃO E OBJETIVO DA POLÍTICA


José Maria da Silva Paranhos Júnior (espírito)

Cada vez mais destaca-se, no contubérnio das relações humanas, uma palavra – Política!

A política internacional, a política nacional de cada povo, a política das religiões, a política social, a política partidária, a política econômica, a política do Cristianismo, a política de preços...

E a política, estudada empiricamente por Aristóteles, passou a ter um caráter realístico para definir uma ordem de valores sociais e administrativos sobre o Estado tornando-se, com a sucessão dos tempos, um instrumento de constante variação conforme as épocas: Idade Média, Renascença, Revolução francesa, alterando os seus métodos filosóficos de conceituação.

A busca do poder pelo homem, faz que se utilize de mecanismos políticos, quase sempre arbitrários, para atingir as metas que persegue.

Raramente são movimentados os recursos saudáveis e nobres para levá-lo à ascensão, a serviço do Estado.

Como conseqüência, a política para a conquista de valores não éticos, tornou-se repelente, passando a representar objetivos degradantes, esconsos, subalternos.

O homem está fadado à conquista de si mesmo, através da qual e exclusivamente o poder perseguido avidamente em todos os estágios do comportamento social perde o seu significado de dominação de qualquer forma.

O logro do poder temporal é precedido de aflições inomináveis e transcorre entre inquietações difíceis de catalogação. Para transferi-lo de mãos, torna-se fator dissolvente da paz íntima, ao tempo em que seqüelas corrosivas permanecem no âmago de quem o utilizava.

Na luta pelo poder todos os meios são lícitos, mas apenas para quem da política somente conhece os meandros escuros da politicagem.

A política representa em cada lugar a alma do povo que a acolhe.

A vida social, os relacionamentos dos grupos, as movimentações de valores aquisitivos não podem prescindir de uma política bem elaborada para o intercâmbio entre as Nações. O êxito porém, de tal empreendimento, funda-se no valor ético de cada indivíduo.

Aí está o fulcro da questão essencial: o homem na ação política e não a atividade política no homem.

A política do poder é inevitável, estrutura maquinismos de preservação e engendra fórmulas de sustentação dos seus interesses.

O político é um homem que aprende a movimentar-se conforme o seu e o interesse do grupo ou do partido, não podendo olvidar-se da massa e do Estado que lhe confiam o dever de salvaguardar-lhes os interesses, de preservar-lhes os ideais e de melhorar-lhes as condições de vida.

Somente quando o político esteja consciente da sua qualidade humana, iluminado por objetivos essenciais que o levem à renúncia, à superação dos interesses pessoais apaixonados, é que se desincumbirá dos vícios partidários em favor dos objetivos a que se entrega.

Falta claridade no discernimento da consciência política, que caracteriza a condição de inferioridade da Terra e o primarismo daqueles que a habitam. O progresso porém é inestancável. Geometricamente ele produz resultados crescentes e trabalhado nas conquistas dos valores que se multiplicam por si mesmos, fomenta a superação do pequeno cosmo dos interesses pessoais no afã enobrecido de construir a felicidade para todos.

Esse desafio se inicia na construção moral do homem saudável.

O homem ideal, não é o de Hegel, nem o de Marx, mas o de Cristo, portador do amor afável, ressuscitado no de Allan Kardec, conhecedor da sua imortalidade, das finalidades existenciais.

Este, ao invés de falar sobre o Evangelho da política, trabalhará pela política do Evangelho, dando-lhe estrutura nobre e consolidando os magnos ideais da Humanidade, que podem ser sintetizados na consciência do dever, na responsabilidade do ser e na produção do amar, como elementos essenciais para um mundo melhor.

Não está longe esse dia, que surgirá da grande noite, como a planta esquecida na semente arrebenta o solo e agiganta-se, assim também a política do pensamento do Cristo pairará soberana sobre as Nações, ensinando o respeito, a fraternidade, a liberdade, a justiça equânime e a igualdade de todos os homens perante a Lei, na desincumbência dos seus deveres, fruindo os direitos de ser feliz, que a todos será concedido.

José Maria da Silva
Paranhos Júnior
(Barão do Rio Branco)


(Página psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, em 17/11/1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador-BA.)

(Jornal Mundo Espírita de Maio de 2000)


texto - http://espirito.org.br/portal/artigos/mundo-espirita

imagem - elitepolitica.com.br

sexta-feira, 10 de julho de 2009

POLÍTICA E ESPIRITISMO


SERÁ QUE OS ESPÍRITAS SÃO PESSOAS MAIS "PREPARADAS" E PODERIAM INGRESSAR NA POLÍTICA PARTIDÁRIA PARA SECUNDAR MUDANÇAS SOCIAIS?...
(30.05.09)


Após ler um certo artigo sobre a necessidade de o espírita ingressar na política", fui instado a contrapor os argumentos lidos que, na minha opinião, não se sustentavam numa análise rápida. Sabemos que nas proximidades dos debates para eleições políticas a discussão "esquenta" sobre o tema se o espírita deve ou não participar da política partidária. Não há a mínima necessidade de espíritas ingressarem forçosamente no campo da política partidária para as proposições de reformulações sociais através de novos conceitos de vida, de convivências e outras relações sociais que possam ser convertidos em hábitos consagrados pela massa para que ulteriormente sejam transformados em leis que regulem a vida em sociedade. Dizer que os espíritas, por serem "as pessoas mais preparadas" para secundar as mudanças sociais em favor de um mundo mais justo e fraterno e que não podem se omitir dessa tarefa é no mínimo presunção e vaidade aguçada ao limite do insuportável.
Pela transformação de comportamento individual, lutando pelo ideal do bem , em nome do Evangelho, os espíritas não estão alheios à Política, enganam-se quem pensa o contrário. Os espiritas honestos, fieis à família, aos compromissos morais são integralmente cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou obrigação (depende do ponto de vista) de votar , porém sem vínculos com as querelas e questiúnculas partidárias.

Há três escrevemos um artigo no site http://jorgehessen.net (vide item 22/2006) lembrando que que não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana. O trabalhador da casa espírita, seja ele atuante em área mediúnica, doutrinária ou administrativa, sabe, perfeitamente, que centro espírita não é lugar de se fazer campanha política, em qualquer época, sobretudo próximo às eleições. O espírita, definitivamente, não pode confundir as coisas. Se estiver vinculado a alguma agremiação partidária, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, que o faça bem longe das hostes espíritas, para que tudo que fizer ou disser, dentro da casa espírita, não venha a ter uma conotação de atitude de disfarçada intenção, visando a conquistar os votos de seus confrades.

Há necessidade de distinguir a política terrena, da política do Cristo. Cada situação, na sua dimensão correta. Política partidária, aos políticos pertence, enquanto que religião é atividade para religiosos. O argumento de que os parlamentares se servem, com o pretexto de "defender" os postulados da Doutrina, ou aliciar prestígio Social para as hostes espíritas, ou, ainda, ser uma "luz" entre os legisladores, é argumento falacioso, inverossímil.
A título de tolerância, muitas vezes fechamos os olhos para essas questões, mas a experiência demonstra que, às vezes, é conveniente até fechar um olho, porém, nunca os dois.
Considerando que nosso mundo é a morada da opinião, é normal que tenhamos divergências sobre esse assunto. Inaceitável, porém, tendo em vista a própria orientação da Doutrina Espírita, o clima de imposições que se estabelece, não raro, envolvendo companheiros que confundem veemência com agressividade, ou defesa da verdade com hostilidade.

É inadmissível a utilização da tribuna espírita, como palanque de propaganda política.

O Espiritismo não pactua com irrelevantes e transitórios interesses terrenos. Por isso, não pode alguém se escravizar à procura de favores de parlamentares, a ponto de, este, exercer infausta influência nos conceitos espíritas. Não tem cabimento, um líder de partido, no púlpito da casa espírita, palestrando e dirigindo o culto místico de uma fé. Por outro lado, também não tem o menor sentido, um espírita nas ruas e nos palanques, implorando votos, qual mendigo, com sofismas e simulação de modéstia, de pobreza, de humildade, de desprendimento, de tolerância, etc., com finalidade demagógica, exaltando suas próprias "virtudes" e suas "obras" beneficentes.

Pode essa advertência se caracterizar num açoite no dorso dos sutis cânticos da sereia, que arrastam alguns desatentos líderes para a militância político-partidária, porém, é um alerta oportuno. OPORTUNÍSSIMO, EU DIRIA!!!

Bom seria se esses "espíritas" (!?), que mendigam votos, optassem por outro credo, para que seja assegurada a não-contaminação desse politiquismo em nossas hostes, até porque, "A RIGOR, NÃO HÁ REPRESENTANTES OFICIAIS DO ESPIRITISMO EM SETOR ALGUM DA POLÍTICA HUMANA".¹

Nada obsta, repelir as atitudes extremas. Não podemos abrir mão da vigilância exigida pela pureza dos postulados espíritas e não hesitemos, quando a situação se impõe, no alerta sobre a fidelidade que devemos a Jesus e a Kardec. É importante lembrarmos que, nas pequeninas concessões, vamos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação.

Urge que façamos uma profunda distinção entre Espiritismo e Política. Somos políticos desde que nascemos e vivemos em sociedade, sim, e daí? A Doutrina Espírita não poderá, jamais, ser veículo de especulação das ambições pessoais, nesse campo. Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e sociais, não há como tolerar militância política dentro da religião. Não se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos ao nosso alcance, ajudaremos a melhorar o mundo.
Recordemos que Jesus cogitou muito da melhora da criatura em si. Não nos consta que Ele tivesse aberto qualquer processo político partidário contra o poder constituído à época. Nossa conduta apolítica não deve ser encarada como conformismo. Pelo contrário, essa atitude é sinônimo de paciência operosa, que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade da administração de nossos interesses públicos. "Em nada nos adianta dilapidar o trabalho de um homem público, quando nosso dever é prestigiá-lo e respeitá-lo tanto quanto possível e também colaborar com ele, para que a missão dele seja cumprida. Porque é sempre muito fácil subverter as situações e estabelecer críticas violentas, ou não, em torno das pessoas. (...) Não que estejamos batendo palmas para esse ou aquele, mas porque devemos reverenciar o princípio da autoridade".²
Estamos investidos de compromisso mais imediato, ao invés de mergulharmos no mundo da política saturada, por equívocos lamentáveis. Por isso, não devemos buscar uma posição de destaque, para nós mesmos, nas administrações transitórias da Terra. Se formos convocados pelas circunstâncias, devemos aceitá-la, não por honra da Doutrina que professamos, mas como experiência complexa, onde todo sucesso é sempre muito difícil. "O espiritista sincero deve compreender que a iluminação de uma consciência é como se fora a iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto constituir uma realização definitiva e real. A missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal."³

O Espiritismo traz-nos uma nova ordem religiosa, que precisa ser preservada. Nela, o Cristo desponta como excelso e generoso condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol na sua grandeza mágica. Uma doutrina que cresceu assustadoramente nos últimos lustros, em suas hostes surgiram bons líderes ao mesmo tempo em que, também, apareceram imprudentes inovadores, pregando essas idéias de militância política.

Se abraçamos o Espiritismo, por ideal cristão, não podemos negar-lhe fidelidade. O legado da tolerância não se consubstancia na omissão da advertência verbal diante das enxertias conceituais e práticas anômalas, que alguns companheiros intentam impor no seio do Movimento Espírita. Mantenhamos o espírito de paz, preservando os objetivos abraçados e, se houver necessidade de selar nosso compromisso com testemunho, não titubeemos e não nos omitamos, jamais.



FONTES:
1- VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10.
2- Xavier, Francisco Cândido. Entender Conversando, ditada pelo Espírito Emmanuel, São Paulo: Ed. IDE, 3 ª edição, 1984.
3- Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60.



imagem: portal.alternativabrasil.blog.br



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