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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

BASES ESPÍRITAS NA PSICOLOGIA


Por Dr. Jorge Andrea

A psicologia, sem sombras de dúvidas, sofre grande impulso científico com o advento dos trabalhos de Freud, logo seguindo-se Jung com maior riqueza científica.

No final do século XIX e início deste, era voz corrente entre os estudiosos e laboradores da psicologia que, se abandonássemos as idéias freudianas, inapelavelmente cairíamos em Jung, porquanto, nesta época, os descortinadores dos véus da alma mostravam-se, com certa eficiência, dentro das razões científicas. Entretanto, novas escolas e modificações nos conceitos dos criadores da psicologia profunda muito deve a Jung, não só pela retomada das idéias freudianas onde ele parou, mas, principalmente, pelo enriquecimento de conceitos e hipóteses de trabalho. Jung divergiu de Adler, também seu contemporâneo por este ter tomado rumos que se afastavam da psicanálise – em reentronizando o EU, fez uma espécie de volta da psicologia à superfície do psiquismo, valorizando, quase com exclusividade, a zona consciente, sem a devida penetração na energética de profundidade como exigência de uma época. Jung, ao contrário, ofereceu bons mergulhos no inconsciente criando muitas luzes, mas, mesmo assim, deu violentas paradas por faltarem lastros científicos de elementos outros que tinha receio de admitir oficialmente – a imortalidade do inconsciente (Espírito) e o processo renovador das reencarnações.

Todas essas discussões mostravam as fraquezas da psicologia profunda diante das estruturas de suas hipóteses. Os mais atilados de antanho e dos nossos dias, não combatem a idéia do inconsciente, pois reconhecem as autenticidades desse bloco de energias que carregamos; discutes-se, sim, principalmente nos dias atuais, a origem da zona inconsciente e sua estruturação.

Se Adler fez um retorno à zona consciente, Jung mergulha no estofo do bloco anímico. Freud fica numa posição intermediária com o mérito de ter sido o responsável pela abertura dos véus da alma. Foram, justamente, essas três escolas que possibilitaram os sentimentos onde o movimento psicanalítico tomava assento. Em seu movimento inicial, na Europa, houve muitas discussões, especulações, desconfianças, confianças excessivas, de modo a redundar num mar de hipóteses e interpretações; mas, com o tempo, se foi fixando e tomando um sentido baseado nas escolas que lhe modelaram os fundamentos.

Freud foi o pioneiro pela descoberta das atividades do inconsciente (a idéia do inconsciente é bem mais antiga); por ser mais um pesquisador deu pouca atenção à terapêutica nestes arraiais em que os médicos procuravam arrecadar novos conceitos. Tanto assim que Alexander, uma das grandes estrelas da psiquiatria, disse: "Essa tradição de pesquisa talvez seja uma das razões pelas quais o método de tratamento psicanalítico mudou muito pouco desde sua origem". Acrescentamos: o método, com sua evolução natural dentro dos conceitos psicológicos, seria mais um método antropológico do que terapêutico; método que buscará, nas novas aquisições por virem, a descoberta do próprio Espírito.

Jung, ao mergulhar no psiquismo, define o inconsciente coletivo, seus arquétipos e símbolos, faltando-lhe homologar o lastro imenso do pretérito, resultado de autênticas vivências sempre reedificadas pelo mecanismo reencarnatório. A estrutura do inconsciente, apresentada por Jung em 1902, foi o resultado de um estudo atento e bem penetrante sobre o desenvolvimento anímico de uma sonâmbula. Jung percebeu a existência dos mecanismos do inconsciente, mas esbarrou no processo de imortalidade. Isolando esta proposta, além da difícil aceitação pelo meio científico, criou, com sua enciclopédica cultura, uma psicologia de difícil entendimento. Em 1916, fez novo retoque sobre a conceituação do inconsciente e nos dá uma palavra final sobre o assunto, em 1928, assim mesmo afirmando que cabe ao futuro uma melhor avaliação de sua energética. Entretanto, deixou bem demarcado que a mente possui legados de conteúdos históricos, verdadeiras moldagens arcaicas que se tornam presentes na zona consciente, por diversos motivos, principalmente os de caráter emocional. Muitos quadros clínicos da psiquiatria, lastreados em exaltação emocional manifesta, podem remover para a zona periférica do psiquismo (zona consciente) aqueles blocos de energias internas como se fora uma drenagem.

Tudo isso vem mostrar uma verdade psicológica que só poderá ser entendida com a idéia de perenidade do inconsciente; o que vale dizer, de imortalidade. Inconsciente imortal, com seus conteúdos históricos, só poderá ser compreendido como o Espírito perene, lastreado nas experiências reencarnatórias. Dentro do pensamento espírito (imortalidade, reencarnação, comunicações entre Espíritos) melhor compreenderemos a abertura freudiana e a construção junguiana, apesar das suas ainda limitadas proposições.

Até hoje os psicologistas não conseguem bem entender Jung sobre os arquétipos, a ponto de Ramon Sarró dizer que os arquétipos não podem ser "a decantação de vivências de nossos antepassados pré-históricos. Serão produtos das atividades da imaginação? Mas, que é a imaginação? Mas, qualquer que seja o pensamento sobre os arquétipos a realidade dos mesmos não pode ser negada". A personalidade Maná, abordada por Jung, com suas estruturas arquetípicas, mostra a importância desses fatos psicológicos. Personalidade Maná – ser pleno de qualidades ocultas – em termos junguianos é merecedora de análise: "Reconheço que em mim atua um fator psíquico que se oculta diante de minha vontade consciente. Inspira-me idéias extraordinárias, ao lado de produzir afetos e caprichos em minha natureza. Sinto-me importante diante desses fatos e o que considero pior, estou atado a esses fatos de modo a admirá-los". Muitos consideram e traduzem essa confissão como típica de um temperamento artístico e mesmo filosófico. Acentua ainda Jung: "A personalidade Maná é dominante no inconsciente coletivo, é o arquétipo do homem poderoso em forma de herói, mago, santo, curandeiro, dono de homens e Espíritos, amigo de Deus".

Não podemos deixar de ver e sentir o tácito reconhecimento de Jung dos processos espirituais na psicologia, embora tendo de contorná-los e aproximá-los da ciência de seu tempo. Basta, para isso, analisar a essência da Doutrina Espírita.

Foram as expansões dos arquétipos que propiciaram a Jung a construção de interessantes explicações de muitos fenômenos psicopatológicos, incluindo as neuroses, afastando-se das idéias freudianas que tudo localizavam na infância. Ampliando os conceitos das neuroses chega a admitir uma espécie de amestralidade dos arquétipos neste contexto, coisa, aliás, que ficou muito a desejar. Tudo isso porque o método psicanalítico e os de psicanálise conduzem ao conhecimento das estruturas psíquicas, jamais a um vibrante método de analises do psiquismo como métodos de pesquisa antropológica. É bem verdade que diante de um melhor conhecimento poderemos ter melhores possibilidades de tratamento. A sondagem em uma boa trilha pode levar ao tratamento, mas ela, por si só, não é método terapêutico.

Se atentarmos para os arquétipos, a personalidade Maná, o relacionamento com as neuroses e tantas outras explosões do inconsciente na zona consciente, anotadas por Jung, quer as de caráter hígido e as conotações patológicas, chegamos à conclusão de quanto os conceitos da Doutrina Espírita asseguram melhor compreensão e avaliação da zona inconsciente que, em última análise, representa o espírito.

Os arquétipos junguianos, nas malhas estruturais do inconsciente coletivo, só podem mostrar, autêntico sentido, se dermos a eles a natural formação arquimilenar ao lado da constante construção maturativa nas experiências das etapas reencarnatórias. Quando Ramon Sarró conclama que o arquétipo não pode ser a decantação de vivências de nossos antepassados pré-históricos e que somente a imaginação poderá assim concebê-los, é por ter ficado num grande impasse ao perceber, no arquétipo, a história da humanidade. Podemos mesmo afirmar: os arquétipos são as construções adquiridas nas imensas etapas reencarnatórias, às expensas das diversas personalidades corpóreas que vamos desfilando pela vida afora.

Por tudo, achamos que Jung foi um dos grandes missionários da psicologia: muito fez e mostrou, tentou muitas vezes aproximar-se da metafísica, naquilo que a ciência do seu tempo podia suportar. Se hoje retomarmos à psicologia de Jung e conceituamos as zonas do psiquismo, colocando os arquétipos sob forma de núcleos em potenciação e os situando numa zona específica denominada de inconsciente passado, e admitindo a esses núcleos um constante burilamento e crescimento diante das experiências milenares das reencarnações, cremos que melhor atenderemos à psicologia. Diante da imortalidade do inconsciente ou zona espiritual e da comunicabilidade dos Espíritos em face dos fenômenos mediúnicos com suas múltiplas facetas, melhor entenderemos os complexos afetivos e a personalidade Maná tão bem equacionados por Jung. Com isso, poderemos ajudar a construção da psicologia com as exigências próprias de cada época, compreendendo os lidadores e construtores onde os lugares de Freud e Jung já estão reservados.

A Doutrina Espírita, perante as aquisições e pesquisas dos dias atuais, lastreada nas experiências de todas as épocas, possui condições de oferecer ao homem aturdido de nossos tempos um caminho bem autentico, sem afastá-lo de suas verdades científicas. A Doutrina Espírita se faz, por excelência, dinâmica, acompanhando o pensamento humano, dando-lhe, entretanto, lógica e fé raciocinada como elementos indispensáveis para o surgimento do homem novo. O homem novo, que nada mais seria do que a velha estrutura, mais bem burilada e temperada nos contratempos e gratificações psicológicas, em novos corpos, mais ágeis, exigindo, principalmente das estruturas espirituais, temas da evolução, o esclarecimento das estruturas espirituais.


Fonte: Enfoques científicos na Doutrina Espírita, Jorge Andréa.


Extraído do site ICEB – http://sites.uol.com.br/iceb



texto - papaumbu.vilabol.uol.com.br/psique/psicoesp.htm

imagem - jornallivre.com.br

quarta-feira, 21 de julho de 2010

CONFLITOS EMOCIONAIS GERAM TRANSTORNOS PSÍQUICOS E ORGÂNICOS


Hoje, temos condição de afirmar que o Homem é um ser biológico, psicológico, social e espiritual. Não dá mais para negar sequer um desses aspectos, que formam o Homem integral. Sabemos que nem todas as pessoas aderem a esse conceito, mas nem por isso ele deixa de ser uma afirmação para aqueles que estudam, pesquisam e se fundamentam no Homem como um ser progressivo e evolutivo.
E quanto mais refletimos sobre o Homem numa visão integral, poderemos despertar a consciência de que nosso maior objetivo nesta vida (ou encarnação) é nos libertar da sombra que é formada por conteúdos reprimidos, que ficam no inconsciente e que são as tendências, desejos, memórias e experiências rejeitadas por nós por serem contrárias aos padrões e ideais sociais.
A sombra representa aquilo que consideramos inferior e que negligenciamos todo o tempo. A sombra é muito perigosa quando não é reconhecida. Por exemplo: uma pessoa que tende a projetar seus defeitos e tendências negativas em outras pessoas, sem tomar consciência de que o que ela nega está dentro dela. Por isso a necessidade do autodescobrimento, que é observar-se, perceber-se, sentir-se e se tocar sem julgamentos, pois se os houver, a pessoa poderá deixar de se auto-analisar por medo de descobrir-se com males ainda a serem vencidos e desistir.
A identificação dos nossos males é perfeitamente adequada para que sejam removidos, pois , sem a aceitação, jamais poderão ser substituídos. Portanto, o primeiro passo é aceitar e levar seriamente em conta a existência da sombra. O segundo passo é identificar-se com as qualidades já desenvolvidas e desqualificar os desejos e as tendências negativas como não mais necessárias. Obviamente iremos dar hierarquia aquelas que já temos condições de mudar, pois não conseguiremos eliminar tudo de uma só vez.
Esse é um processo que levará um tempo, talvez grande ou não, pois tudo dependerá da disposição e da possibilidade de cada um. Através de um empenho disciplinado, o problema, a crise ou o conflito é mudado. Devemos encarar com seriedade o fato de que as sombras nos encarceram no passado, por serem memórias de fatos ocorridos que geram traumas, medos, culpas, raiva, cólera, agressividade, violência externa (com os outros) ou violência interna (consigo próprio). Esses conflitos, queiramos ou não, tem de ser vivenciados e superados Eles só podem ser resolvidos se os suportarmos, e não através de uma estratégia engenhosa ou uma invenção inteligente.
O sofrimento faz parte desse procedimento, pois estaremos retirando de nós mesmos mecanismos de defesa desnecessários e impeditivos do nosso progresso, que o Ego não permite, pois se acha o todo poderoso ao extremo, gerando egoísmo, orgulho, avareza, etc... A dor vem do Ego que não aceita ser contrariado nas suas regras de vida. Não podemos negar o Ego, ele exerce papel fundamental na preservação, mas muitas vezes ele extrapola, e não respeita os direitos dos outros. Quando não trabalhamos nossas sombras, os conteúdos negativos armazenados nos incomodam através de conflitos psíquicos, que se expressam por meio de distúrbios da conduta, dos sentimentos e das idéias, impossibilitando o indivíduo viver de forma adequada, sentindo prazer pela vida.
E esses conteúdos negativos também podem se expressar através de sintomas que mostram necessidade ou desejo da alma (de mudanças). E quando não reagimos, ou melhor, mudamos comprtamentos, atitudes, formas de pensar, ficamos "doentes fisicamente", pois esta é uma forma de o psiquismo despertar à consciência para a necessidade de renovar e de transformar. Essa doença é denominada de psicossomática, que são doenças oriundas de fator etiológico, de origem mental.
E se com os sintomas físicos não houver renovação interior, então o que era sintoma se tornará doença na maioria dos casos, pois "talvez" assim, através da dor física, o indivíduo resolva refletir sobre sua vida pessoal, analisando seus desejos muitas vezes não satisfeitos, que precisam de soluções. Traumas ou situações desagradáveis reprimidas também precisam ser exteriorizadas e solucionadas. Logo, percebemos que viver não é simplesmente nascer, crescer e morrer, mas nascer, aprender com as experiências da vida, refletir o que somos, o que sentimos e o que queremos, para assim buscar, através de estratégias e metas, atingir o que desejamos.
Na vida tudo nos leva a enfrentar desafios com início a partir do parto, quando o bebê é retirado do ventre da mãe, onde se encontrava em segurança. Aí inicia a necessidade de enfrentar inúmeros desafios, na infância, na adolescência e na fase adulta. Não podemos esquecer de que há circunstância em que o feto, ainda no ventre materno, enfrenta choques geradores de inseguranças no comportamento da mãe (gestante) revoltada diante da maternidade não desejada e às vezes odiada.
Diante disso, o Ser em formação tem seus delicados mecanismos psíquicos atingidos, desarmonizando sua mente, perpetuando desequilíbrios, produzindo marcas profundas de abandono e solidão, que surgirão como traumas danosos no desenvolvimento da personalidade. Acreditamos que as dores, pelas quais passamos, não podem ser tão destrutivas a ponto de impedirem o nosso despertar desse sono pesado.
Precisamos , sim, rasgar esse véu material que nos envolve e aprender a caminhar e identificar nossas potências, utilizá-las e assim apressamos a conquista do nosso ideal. Sejamos firmes e consistentes em nossos desejos para conquistarmos a consciência, que não é somente a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, agir, pensar e querer.

Kátia Curugi Flocke - Jornal O Semeador, dezembro de 2.003.


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