
Com permissão do dalailam
Notas: (Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 27, páginas 06-11)
texto - http://tamoporai.blogspot.com/2010/02/psicose-e-reencarnacao.html
imagem - reescrevase.wordpress.com

Com permissão do dalailam
Notas: (Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 27, páginas 06-11)
texto - http://tamoporai.blogspot.com/2010/02/psicose-e-reencarnacao.html
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Francisco Cajazeiras
Como resultado da meticulosa observação do fenômeno mediúnico, após a aplicação do método científico – obviamente adaptado às suas características específicas –, foram sendo acumulados por Allan Kardec, o insigne codificador da Doutrina Espírita, opiniões, conceituações e revelações emitidas pelos Espíritos componentes da luminosa falange do Espírito da Verdade.
A partir do desenvolvimento da Ciência Espírita, provinda da avaliação judiciosa dessa fenomenologia psíquica pelo Mestre Lionês, nasceu a Filosofia Espírita, fruto da dialética sobre as questões mais cruciantes e angustiantes para o ser humano, oferecida pelo intercâmbio bidimensional.
Dentre os inumeráveis ensinamentos libertadores e consoladores ministrados pelos mensageiros da Terceira Revelação, indiscutivelmente sobressai-se a reencarnação.
O Codificador, na elaboração da obra espírita basilar – “O Livro dos Espíritos” –, discutia e debatia exaustivamente todas as informações que ia recebendo e, semelhantemente, também procedeu, quando da introdução pelos Espíritos, dos conceitos palingenésicos.
De fato, a priori, houve mesmo de sua parte uma certa relutância, visto não constituir-se tal princípio em elemento da educação ocidental por ele recebida naquela existência e até haver, na sociedade de então, em decorrência da dominância religiosa contemporânea, verdadeira rejeição à idéia das vidas sucessivas. Nada obstante, Espírito dado à tolerância, dispôs-se ao diálogo com as Inteligências Desencarnadas e, somente quando vislumbrou racionalmente o fenômeno biológico da reencarnação como lei natural, traduzindo as necessidades evolutivas da Humanidade, alargando os horizontes para a devida compreensão e elucidação das aparentes injustiças divinas e, ao mesmo tempo, consolidando a ação do livre-arbítrio humano nos acontecimentos da existência planetária; somente então aceitou-a por melhor compreendê-la.
Observe-se, pois, não haver Allan Kardec aceito o princípio das vidas progressivas unicamente ao sabor da revelação mediúnica, de forma ingênua ou mística; antes, submeteu-o ao calor das reflexões mais profundas, expondo-o à prova da logicidade e da sensatez, como de resto costumava agir com todas as informações de caráter filosófico e moral.
A esse propósito, é o próprio Kardec quem afirma, primeiramente na “Revista Espírita”[1] e, depois, em “Obras Póstumas”[2]:
“Foi assim que procedemos com a doutrina da reencarnação, que não adotamos, embora vinda dos Espíritos, senão depois de havermos reconhecido que ela só, e só ela, podia resolver aquilo que nenhuma filosofia jamais havia resolvido (…)”.
“Agi, pois, com os Espíritos, como teria feito com os homens; foram, para mim, desde o menor ao maior, meios de informar e não reveladores predestinados”.
Isso, aliás, corrobora o conselho do Espírito Erasto[3], em “O Livro dos Médiuns”[4], no que tange à cautela e à credulidade devidas ao material veiculado através dos portais da mediunidade:
“Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única teoria falsa”.
Assim, o conceito da reencarnação foi introduzido em “O Livro dos Espíritos”, por Kardec e pelos Espíritos Reveladores como um dogma, abrangendo questões que vão desde a sua necessidade e limitação pelo Espírito até ao momento em que ele se desliga das experiências biossomáticas.
Há quem se inquiete com o uso desse vocábulo pelo Codificador, mas o Prof. J. Herculano Pires, em seu livro “Agonia das Religiões”[5], elucida-nos a este respeito, como vemos abaixo:
“A palavra dogma é grega e seu sentido original é opinião. Adquiriu em filosofia e religião o sentido de princípio doutrinário. (...) Entre o dogma religioso e o filosófico há uma diferença fundamental. O dogma religioso é de fé que não pode ser contraditado, pois provém da Revelação de Deus. O dogma filosófico é racional, dogma de razão, ou seja, princípio de uma doutrina racionalmente estruturada. (...) No Espiritismo, como em todas as doutrinas filosóficas, existem dogmas de razão, como o da existência de Deus...” (Grifos meus).
E arremata o saudoso Professor Herculano Pires, acerca daquelas inquietações sofridas por parte de alguns confrades espíritas:
“Muitos adeptos estranham a presença dessa palavra nos textos de uma doutrina que se afirma antidogmática, aberta ao livre exame de todos os seus princípios. São pessoas ainda apegadas ao sentido religioso da palavra. Não há nenhuma razão para essa estranheza, como já vimos, do ponto de vista cultural.”[6] (Grifo meu).
Diz-se, pois, dogma – e é Kardec mesmo quem usa este vocábulo –, no seu sentido filosófico e primevo de convicção, postulado, princípio, ancorado na razão e estribado no bom senso. E não com aquele sentido religioso adquirido, depois, de verdade indiscutível, inquestionável, intocável, objeto de fé irracional, surda e muda.
De outro modo não poderia dispô-lo o Mestre Lionês, posto não haver empreendido ele mesmo pesquisas científicas específicas nesse sentido, o que somente foi acontecer depois com o Cel. Albert de Rochas (1837 – 1914)[7].
Contemporaneamente, vários são os cientistas[8] no mundo inteiro que vêm realizando trabalhos de pesquisa sérios e conscienciosos nessa área, colecionando, a cada dia, a mancheias, fatos e evidências extremamente sugestivos de sua realidade, o que virá em breve certamente dar à reencarnação a cidadania de verdade científica, comprovando e consolidando o dogma (princípio) trazido pelos Espíritos amigos e defendido por Allan Kardec, filosófica e moralmente.
Será (se já não o é!) mais uma prova para os adversários do Espiritismo, de sua ampla veracidade doutrinária.
[1] KARDEC, Allan. – “Revista Espírita”, 1860. Trad. Júlio de Abreu Filho, pág.115. EDICEL. Sobradinho-DF.
[2] KARDEC, Allan. – “Obras Póstumas”. Trad. Salvador Gentile, 2ª parte, pág. 260, 1ª edição, 1993. IDE, Araras-SP.
[3] Erasto foi discípulo de Paulo de Tarso.
[4] ERASTO in “O Livro dos Médiuns”. Trad. J. Herculano Pires, 2ª parte, cap. XX. Ed. EME. Capivari-SP.
[5] PIRES, J. Herculano. – “Agonia das Religiões”, cap. III, pg. 27. Editora Paidéia: São Paulo-SP.
[6] PIRES, J. Herculano. – “Agonia das Religiões”, cap. III, pg. 28. Editora Paidéia: São Paulo-SP.
[7] ROCHAS, Albert de. – “Les Vies Successives”.
[8] Dentre eles, o Dr. Ian Stevenson que possui cerca de dois mil casos estudados, sob aplicação de metodologia científica, de crianças com lembranças espontâneas de outros momentos reencarnatórios.
texto - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/estudo/o-dogma-da-reencarnacao.html
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Pois não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido". (JESUS, Mt 10,26).
A cada dia que desenvolvemos nossos estudos sobre o tema reencarnação estamos vendo que, infelizmente, muitas coisas foram expurgadas das Sagradas Escrituras, a verdade pouco lhes importa, com o objetivo de justificar a manutenção de dogmas religiosos. Dogmas esses que ainda servem aos interesses das lideranças religiosas, que buscam de todas as formas fazer com que seus fiéis permaneçam na ignorância e assim sigam acreditando nessa teologia "Adão e Eva".
Assim, é que já em Êxodo 20, 5, mudaram a preposição, que fatalmente nos levaria à conclusão da existência da reencarnação, quando trocam o "na" por "até", vejamos:
"... porque eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniqüidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam".
Só que, com essa mudança, o texto entra em conflito com outra passagem bíblica:
"Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais. Cada um será executado por seu próprio crime". (Dt 24, 16) [ ].
Entretanto, se colocarmos a preposição "na" em lugar da usada no texto, ficaremos perfeitamente coerentes com essa passagem anterior e a justiça divina não puniria um inocente, mas o próprio espírito culpado que nasceria como neto ou bisneto dele mesmo, ou seja, o próprio criminoso reencarnado como um de seus descendentes.
Sempre lemos, de outros autores, que a idéia da reencarnação existia no cristianismo primitivo e existe no judaísmo, como por exemplo, Dr. Severino Celestino da Silva, em Analisando as Traduções Bíblicas, H. Spencer Lewis, F.R.C, Ph.D., no livro A Vida Mística de Jesus e o teólogo alemão Holger Kersten, autor de Jesus Viveu na Índia, do qual transcrevemos:
"Até agora, quase todos os historiadores da Igreja acreditaram que a doutrina da reencarnação foi declarada herética durante o Concílio de Constantinopla em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como cortesã. Para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais tarde, a morte de quinhentas antigas ‘colegas’ e, para não sofrer as conseqüências dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do Carma, empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação. Estava confiante no sucesso dessa anulação, decretada por ‘ordem divina’".
"Em 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas Obras De Principiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C), o grande Padre da Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava que certas passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da reencarnação".
"Do Concílio convocado pelo imperador Justiniano só participaram bispos do Oriente (ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa, que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro".
"O Concílio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da pré-existência da alma, apesar dos protestos do Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata".
"A conclusão oficial a que o Concílio chegou após uma discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados ‘Três Capítulos’) versavam apenas sobre a disputa a respeito dos três eruditos que Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no nome de Orígenes".
"A Igreja aceitou o edito de Justiniano – ‘Todo aquele que ensinar esta fantástica pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado’ – como parte das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina da reencarnação não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica". (pág. 240-241).
E especificamente quanto ao judaismo podemos comprovar pelo historiador judeu Flavius Josephus, citado por Dr. Hernani de Guimarães Andrade, no livro Você e a Reencarnação, à página 28. Dr. Hernani em referência a WHISTON (The Works of Flavius Josephus, trad. Willian Whiston, M.A., London: War, Loc & Co. Limited.), diz-nos:
Flavius Josephus (37 a 95 a.D.), intelectual e historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:
"Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade com a vontade divina vivem no mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados de volta para habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles que cometeram suicídio serão atiradas às regiões trevosas do mundo inferior?" (Josephus, 1910).
Entretanto, até nessa clássica obra desse autor da antiguidade modificaram o texto para, obviamente, fugir da idéia da reencarnação, conforme podemos comprovar pela tradução de Vicente Pedroso, publicada no livro História dos Hebreus, (CPAD, 7ª ed., 2003), que diz o seguinte (pág. 600):
Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles, que depois de ter chamado para junto de si, entregam em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas (*) e que ao invés, as almas dos ímpios, que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitados nas trevas do inferno.
(*) Parece, segundo estas palavras, que Josefo acreditava na metempsicose.
Observar que apesar dos textos serem bem semelhantes, mudaram todo o sentido do original para fugir da idéia da reencarnação. Dúvida que envolveu até o próprio editor: "Parece, segundo estas palavras, que Josefo acreditava na metempsicose", querendo dissimular o pensamento sobre a reencarnação.
Mas se esqueceu de modificar o que disse Josephus, quando fala no que acreditavam os fariseus:
"Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta". (op. cit., pág. 416).
Entretanto, o mesmo não aconteceu com a tradução do livro Atos dos Apóstolos 23, 8, onde se diz que os fariseus sustentam "a ressurreição", quando, na verdade, deveria ser "a reencarnação", conforme nos informa o historiador judeu.
Podemos ainda acrescentar as informações contidas no livro As Rodas da Alma, onde o Rabino Philip S. Berg desenvolvendo o tema dentro da ótica cabalista, diz a certa altura (pág. 29):
"Entre todos os que aceitam a doutrina da reencarnação, talvez os cabalistas sejam os únicos que acreditam que uma alma pode retornar num nível inferior daquele que deixou em uma vida anterior. Efetivamente, se o peso do tikun (correção) for suficientemente pesado, uma alma humana poderá se encontrar reencarnada no corpo de um animal, de uma planta ou até mesmo de uma pedra".
"A Cabala é o significado mais profundo e oculto da Torá, ou Bíblia", diz Berg, o que confirma que é um conhecimento do judaísmo místico, segundo suas próprias palavras.
Trazemos também a opinião de Sérgio F. Aleixo, escritor e estudioso da Bíblia, que em seu livro Reencarnação – Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus, diz o seguinte (pág. 21):
"Neste trabalho, queremos demonstrar que a cultura judaico-cristã tem precedentes reencarnacionistas incontestáveis, a despeito de as políticas igrejeiras, sustentadas pelos mais absurdos teologismos, se obstinarem ainda em negá-los".
É comum a certas pessoas advogarem que devemos, para interpretar a Bíblia, levar em conta o contexto histórico, mas quando o fato é reencarnação não seguem a sua própria recomendação. Os fatos históricos estão aí relatados, e não há como mudá-los. Resta então aos fanáticos a humildade de mudarem de posicionamento em relação ao assunto. Embora sinceramente achamos isso muito difícil, pois são completamente cegos, cuja única verdade que aceitam é a que lhes ensinaram, pouco importa se corresponde à realidade ou não. Todos os que pensam diferente deles são "heréticos" que precisam ser combatidos.
Aos que ainda nos dias de hoje perseguem os Espíritas por causa desse princípio doutrinário do Espiritismo, recomendamos que leiam mais, mas saiam da literatura de autores "recomendados" e busquem a verdade em outras obras, principalmente de outros autores, estudiosos e pesquisadores da reencarnação, que não os de sua corrente religiosa. Somente os que temem a verdade é que proíbem a leitura de obras fora do "nihil obstat" de sua liderança religiosa.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Jan/2004. (revisado)
Referências Bibliográficas:
ALEIXO, S.F. Reencarnação – Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus, Niterói, Lachâtre, 2003.
ANDRADE, H.G. Você e a Reencarnação, Bauru, CEAC, 2002.
BERG, P. S. As Rodas da Alma, São Paulo, Centro de Estudos da Cabala, 1998.
CHAVES, J. R. A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, São Paulo, 2002.
DIVERSOS. Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Paulus, 2002.
KERSTEN, H. Jesus Viveu na Índia. São Paulo, Best Seller, 1988.
LEWIS, H.S. A Vida Mística de Jesus, Curitiba, AMORC, 2001.
SILVA, S. C. Analisando as Traduções Bíblicas. João Pessoa; Idéia, 2001.
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Dr. Cícero Marcos Teixeira
Histórica e culturalmente, a gestação ou gravidez é considerada função da mulher. Isso é verdadeiro do ponto de vista biológico. Entretanto, na visão espírita, não se circunscreve apenas à mulher propriamente dita.
A gravidez é também um estado psicofísico, emocional, que envolve o homem, juntamente com a mulher, no desempenho da função procriadora de um novo corpo físico, com a participação direta, consciente ou inconsciente, do espírito reencarnante.
Portanto, no mínimo três individualidades estão diretamente envolvidas na dinâmica da gestação de um novo corpo físico.
O homem, em particular, precisa se educar e se auto-educar, no sentido de assumir e desempenhar a função da paternidade em toda a sua abrangência e plenitude conscientemente, não transferindo à mulher toda a responsabilidade na ação co-criadora da gestação de um corpo físico de um filho ou uma filha.
Preliminarmente, destaca-se a interação bioenergética anímico-mediúnica das partes interessadas na ação co-criadora da paternidade-maternidade, na dinâmica da gestação. Tal intervenção se faz consciente ou inconscientemente, além daquela psicofísica, em nível biológico propriamente dito.
Por que interação anímico-mediúnica consciencial? É de conhecimento geral que as dimensões biológicas, psicológicas, emocionais e sentimentais são componentes dinâmicos da gestação de um corpo físico para ser veículo da consciência individual reencarnante, na condição de filho ou filha. Com a interação anímico-mediúnica não há o mesmo reconhecimento. Entretanto, efetua-se nas diferentes fases da gravidez, desde a etapa que precede o grande momento da fecundação biológica, prossegue ao longo de todo o período gestacional e culmina com a fase do parto propriamente dito, ocorrendo com maior ou menor freqüência ao longo da vida de relação da vida familiar entre pais, filhos e irmãos nas mais variadas circunstâncias.
Interação mente-matéria
Tal interação se processa através das funções Psi, inerentes ao psiquismo dos pais gestantes e filho ou filha reencarnantes durante a gestação propriamente dita, através de percepções extrasensoriais.
Não se conhece ainda, em detalhes mais profundos, o dinamismo psicofísico, sensorial e extrasensorial de tal processo mento-afetivo, que não se circunscreve apenas à dimensão biológica, mas inclui também a psicológica – a emoção, o sentimento e a maior ou menor lucidez cognitiva consciencial.
Mas o que se pode afirmar, a partir do conhecimento parapsicológico das funções Psi (divididas em Psi-gamma – telepatia, clarividência e clariaudiência – e Psi-Kappa – ação da mente diretamente sobre a matéria) e dos informes dos espíritos, é que a mente reencarnante exerce sua ação teledinâmica através de campos bioenergéticos modeladores e organizadores do perispírito, interferindo na organogênese do corpo físico, com a correspondente participação dos pais gestantes. A análise de fatores intervenientes nesse processo de interação dinâmica pressupõe a constituição fisiopsicossomática do homem, cuja anatomia fisiológica é composta de outros corpos energéticos mais sutis, que servem de substrato para a composição do sistema ternário humano (corpo, espírito e perispírito) quando encarnado do ponto de vista espírita, especificamente, ou do sistema septenário, na visão de escolas espirituais orientais, sem nenhum antagonismo excludente, mas implícita e explicitamente complementares. Nesta oportunidade, não se pretende aprofundar na complexidade bioenergética da individualidade em sua dimensão extrafísica.
Entretanto, é necessário que se esclareça que, além do complexo desse sistema de interação bioenergética, o homem e a mulher que se propõem a assumir a responsabilidade da paternidade e da maternidade estabelecem um campo bioenergético extrafísico, psicodinâmico, ideoplástico, anímico e mediúnico, que pode favorecer a atração do espírito ou consciência preexistente que vive no mundo espiritual como desencarnado; no respectivo plano consciencial, compatível com o grau de evolução moral alcançado.
Princípios Fundamentais
Propomos os seguintes princípios fundamentais do processo de gestação à luz do Espiritismo:
O ser humano é um espírito ou consciência individualizada, dotada de razão, instrumentalizada pela linguagem, livre-arbítrio, instinto, memória, emoção e sentimento;
O espírito ou o eu-consciência é arquiteto de seu próprio destino, em obediência às leis da vida: evolução, reencarnação, ação e reação ou lei do carma e lei do progresso, através da qual expande a consciência rumo à plenitude do ser;
O espírito desencarnado preexiste à formação do seu corpo físico, pensa, sente e age de acordo com o seu estágio de evolução cognitiva, sentimento e moralidade, no respectivo plano consciencial e extrafísico;
Em obediência ao principio universal de afinidade, sintonia e ressonância, quando oportuno ou necessário, o espírito, em função de sua necessidade de realização e auto-realização, vê-se na contingência de "um novo renascer" no plano físico para prosseguir sua evolução planetária;
Nessa fase de sua evolução, de acordo com sua maior ou menor autonomia volitiva, necessidade e merecimento, se propõe e/ou se dispõe a participar do planejamento de sua nova e futura reencarnação;
O planejamento reencarnatório envolve complexas medidas dinâmicas e teledinâmicas de natureza bioenergética no plano extrafísico, de acordo com a "Genética Espiritual" e lei de ação e reação que estabelecem as condições orientadoras na execução do plano reencarnatório individual, de modo a permitir que cada espírito herde de si mesmo, com a contribuição de seus pais no plano físico;
Tal planejamento é orientado e administrado nos planos extrafísicos por entidades de elevada sabedoria e hierarquia espiritual.
A maior parte da humanidade terrestre, encarnada e desencarnada, ainda se encontra nos primeiros estágios de evolução. Goza de autonomia muito restrita e não tem condições de usar o livre-arbítrio com discernimento;
Quanto maior for o grau de evolução consciencial ao longo de seu continuum histórico palingenésico maior será a participação direta do espírito reencarnante em todas as fases do planejamento e execução de sua própria reencarnação, sob a assistência técnica dos "geneticistas" e "embriologistas", podendo participar da modelagem do futuro corpo físico, em obediência às leis da "herança espiritual" condicionantes da herança psicofísica biológica.
O espírito encarnado ou desencarnado é assistido nas suas necessidades de auto-realização e progresso de acordo com a lei de merecimento;
O espírito candidato à nova experiência reencarnatória no plano físico passa por uma fase preparatória de análise e auto-análise através de um processo de profunda introspecção, mediante urna visão retrospectiva de sua história pessoal, valendo-se dos registros de sua memória absoluta, vê com clareza e em detalhes esclarecedores as ações pretéritas, podendo ser assessorado pelos mentores no planejamento de um novo projeto reencarnatório. Após esse exame analítico consciencial, cada espírito entra em uma nova etapa de programação da futura existência, em função de sua herança espiritual;
Providências gerais e específicas são tomadas no sentido de conjugar harmonicamente o livre-arbítrio e o determinismo da lei de causa e efeito, objetivando sempre o progresso e o aperfeiçoamento individual e coletivo;
Em obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância, cada espírito encontra-se ligado ao respectivo grupo familiar e racial, ao seu povo ou nação, ao longo do continuum histórico palingenésico;
Desse modo, a escolha do grupo familiar e dos futuros pais obedece aos princípios gerais das leis citadas, em consonância com a respectiva herança consciencial, psicológica e espiritual. Essa herança fica registrada na memória genética perispirítica através das matrizes Psi dos respectivos genes. Estes irão se expressar por meio do genótipo ou fenótipo no plano biológico, através da organogênese do futuro corpo físico, com a contribuição biogenética dos respectivos pais.
Processo Reencarnatório
Estabelecidas as diretrizes gerais e específicas para a viabilidade do planejamento reencarnatório, o espírito reencarnante entra na fase préreencarnatória, cujo tempo de execução varia de acordo com as características e necessidades específicas de cada individualidade, levando em conta todos aqueles princípios já explanados.
Fase Preparativa
Ocorre, nesta fase, na dimensão extrafísica:
Escolha dos futuros familiares e pais biológicos, em função de compromissos, comprometimentos e vinculações cármicas:
Estabelecimento do programa geral de futuras realizações e auto-realizações no plano físico, tendo em vista os objetivos educativos a serem atendidos;
Prévia escolha ou determinação de sexo genético, que se verifica de acordo com a respectiva sexualidade e características genético-espirituais do reencarnante e segundo determinantes cármicos conscienciais preexistentes, tendo em vista futuras realizações;
Definição do tipo de reencarnação: compulsório ou de livre escolha; provacional; expiatória; sacrificial ou missionária;
Execução do plano de associação e vinculação psicodinâmica, bioenergética, mental e afetiva - essa fase inclui os futuros pais gestantes e demais familiares, segundo as necessidades de harmonização, entendimento, apoio mútuo, afinidade, sintonia e ressonância.
Em conseqüência das necessidades e exigências específicas de bem cumprir os imperativos naturais das leis da vida, já citadas, nessa etapa da fase preparatória, o espírito candidato à nova reencarnação passa a conviver no clima psicofísico e emocional dos futuros pais em especial, interagindo dinamicamente com os mesmos, procurando estabelecer as melhores relações de sintonia, afinidade e ressonância indispensáveis ao êxito da concretização do complexo e laborioso planejamento reencarnatório. Múltiplas operações bioenergéticas e magnético-espirituais podem ser realizadas pelos espíritos construtores nas intervenções que se fizerem necessárias na organização perispirítica do reencarnante. Para poder efetivar a ligação com a célula-ovo no zigoto, a partir da fecundação propriamente dita, ocorre previamente no plano extrafísico, a miniaturização, que se caracteriza pela redução da forma perispirítica.
Com base na análise dos mapas cromossômicos e organogênicos, tais intervenções se fazem no sentido de orientar a modelagem bioenergética e genético-estrutural referente à embriogênese e morfogênese do futuro corpo físico, em consonância com a herança cármica e o programa de realização na nova experiência reencarnatória.
Efetuadas as operações de imantação e ligação do perispírito da consciência do reencarnante à célula-ovo, no terço médio da trompa de Falópio, segue-se a nidação no útero materno, com a participação mento-afetiva dos pais gestantes e do filho ou filhos reencarnantes.
Fase Organogênica
Após a fecundação propriamente dita, inicia-se a fase organogênica, envolvendo embriogênese, histogênese e morfogênese, em obediência às leis biogenéticas, culminando no crescimento e desenvolvimento do corpo físico que virá a nascer posteriormente.
Na realidade, para o novo corpo físico é nascimento, mas para o espírito reencarnante é um novo renascimento. À medida que se processam as fases embriológicas e organogênicas, culminando no crescimento e desenvolvimento do feto, o reencarnante vai adensando o seu perispírito miniaturizado e, conseqüentemente, vai entrando num estado de bloqueio de memória, com o esquecimento total ou parcial de suas vivências reencarnatórias anteriores.
Essa é uma das causas do esquecimento, que constitui um mecanismo de defesa e autopreservação de natureza neurofisiológica, psicológica, consciencial e, sobretudo, de ordem ética.
As idéias deste artigo são resultado de um esforço de teorização sobre uma experiência que está em pleno desenvolvimento. Por isso, o que aqui registramos poderá ser aprofundado ao longo do tempo. Novos conceitos poderão ser propostos. A educação de pais gestantes à luz do Espiritismo é uma necessidade urgente que se situa no âmbito das finalidades educacionais e terapêuticas da casa espírita, numa perspectiva mais ampla que relaciona o Espiritismo com as áreas da educação, higiene e saúde.

Supõe-se que Origenes tenha nascido em Alexandria, por volta do ano 185. Depois do martírio de seu pai Leônidas (202), cuidou da família, dedicando-se ao ensino. Em 202, quando Clemente abandona a Escola Alexandrina, Origenes o substitui. Durante o seu magistério a Escola atingiu o seu apogeu de esplendor. Ensinando teologia e filosofia, Origenes, por sua vez, estudava, completando sua formação filosófica com o neoplatônico Ammônio Sacas. Para consultas diretas às fontes bíblicas, aprendeu hebreu. Levava vida de rigoroso ascetismo. Em 212 visitou Roma, em 230, a Grécia. Foi ordenado presbítero na Palestina, apesar de ser eunuco e sem o consentimento do bispo Demétrio. Este, aborrecido, nos sínodos de Alexandria em 231 e 232 degradou-o, expulsando-o da comunidade de Alexandria.
Dirigiu-se a Cesaréia, na Palestina, sendo bem acolhido pelo bispo Teoctisto. Ali fundou uma escola semelhante à de Alexandria, tornando-se célebre por sua cultura. Um seu discípulo, Ambrósio, pôs à sua disposição sete taquígrafos e numerosos copistas e calígrafos, para que recolhessem o que ditava. Em 232 Júlia Mamea, mão do imperador Alexandre Severo, chamou-o a Antióquia, Síria, desejando ser instruída por ele. Na perseguição movida por Décio, foi encarcerado e atormentado barbaramente. Em razão dos maus tratos sofridos veio a falecer em Tiro, aos setenta anos, em 254 ou 255.
É o maior teólogo da escola oriental; sua influência foi universal; é o pai da teologia grega. Já em vida Origenes foi muito discutido, apreciado por uns e combatido por outros. Os padres gregos do século IV veneraram-no com um Mestre, mas a partir de 543 passa a ser anatematizado por “seus erros”, à sua excomunhão aderindo todos os Concílios orientais. Na Idade Média passou por herege. A partir do Renascimento e especialmente em nosso tempo reconhece-se a grande importância teológica de Origenes, e isso, segundo a Igreja, apesar de sua “doutrinas errôneas”. Entre essa “doutrinas errôneas”, ensinadas por Origenes, a reencarnação reponta como a mais significativa.
Por esse motivo tem-se feito em torno de sua obra uma conspiração de silêncio. Ruffinus, traduzindo o texto do “De Principiis”, em quatro livros, sua obra mais conhecida e onde se encontram seus “principais erros”, suprimiu o que se referia à palingenesia. Essa versão duvidosa pode, no entanto, ser corrigida por citações de S. Jerônimo e outros (Ed. Koetschan, CB, 3; Freiburg, 1894).
Para desembaraçar a doutrina de Cristo de toda a relação com a reencarnação e ao mesmo tempo diminuir a importância da palavra de Origenes, os escritores ortodoxos passaram a dizer que este grande “Pai da Igreja” tirou seus erros de Platão. Não é assim. Origenes aceitara essa doutrina – diz Pascal – de Clemente de Alexandria, que, por sua vez, a recebeu de Pantène, discípulo dos primeiros cristãos. Pantène foi primeiro mestre da Escola de Alexandria. Desde o ano de 181 é encontrado expondo e explicando o Cristianismo em Alexandria. As convicções reencarnacionistas de Pantène certamente se fortaleceram quando, por volta de 190, no “interesse do Cristianismo”, fez uma viagem à Índia, isto é, ao sua da Arábia. A doutrina palingenésica na Índia parece ser imemorial. Ali Pantène deve ter visto confirmado o que aprendera da primeira geração cristã. Sabe-se que seu mais ilustre discípulo foi Clemente de Alexandria que, por sua vez foi orientador de Origenes. Como se viu, Origenes substituiu-o à cabeça da Escola. Pantène morreu por volta do ano de 202 depois de Cristo. Dos seus numerosos escritos subsistem apenas dois pequenos fragmentos (V. Enc. De Berthelot, pág. 956, t, XXV).
Contrariando os seus intérpretes, o próprio Origenes protesta mais de uma vez conta a concepção platônica da palingenesia. Em “Contra Celso” (livro IV, c. XVII), obra em que refuta um platônico e racionalista, que pinta Jesus Cristo como um mentiroso e seus milagres como fraude de seus discípulos, fazendo a propagação do Cristianismo um efeito do terror pelo juízo de Deus, Origenes escreve:
Celso é completamente ignorante do objetivo de nossos escritos; é sobre a interpretação que ele dá que leva ao descrédito, e não sobre a sua significação real. Se ele houvesse refletido sobre o que é necessário a uma alma destinada à vida eterna, se ele houvesse pensado na natureza da sua essência e de seu princípio, não teria tornado ridícula a entrada do que é imortal em um corpo mortal, entrada que se efetua, não segundo o ensinamento platônico da metempsicose, mas segundo uma visão mais elevada deste fato.
Aqui, pois, vemos Origenes discordando do “ensinamento platônico” da metempsicose”. Qual é o seu ensinamento? É difícil de ser apresentado com clareza. Ele o envolveu em reticências e o expôs em uma linguagem para a qual a filosofia atual nem sempre conhece a chave. Todavia ele surge completo. Abarca a preexistência e a reencarnação, e mesmo certas associações particulares de almas humanas com almas animais, associações já antes dele assinaladas e que, no dizer de Pascal, são fatos capitais na misteriosa metempsicose. Em nosso tempo André Luiz lança forte jorro de luz sobre o fenômeno nebulosamente pressentido ao longo dos tempos, enquadrando-o nas diversas caracterizações da licantropia espiritual.
Mas, eis como Origenes explica a preexistência das almas nos universos anteriores:
A alma não tem começo nem fim ( “De Principiis”, liv. III, c.V).
As criaturas razoáveis existiam desde o começo destes séculos, que nos não vemos e que são eternos. Houve aí a descida de uma condição superior a uma condição inferior, não somente entre as almas que mereceram esta mudança por suas ações, mas também entre as que, para servirem o mundo, deixaram as altas esferas pela nossa. O Sol, a Lua, as estrelas e os anjos servem o mundo, servem as almas cujos defeitos mentais as condenaram a encarnar-se em corpos grosseiros, e é por interesse das almas que tem necessidade de corpos densos, que o mundo foi criado... A variedade deste arranjo foi obra de Deus, que estabeleceu segundo as causas que o livre arbítrio das almas criaram no passado (“De Principiis”, liv. III, c.V).
A evolução no curso dos renascimentos é claramente indicada; a desigualdade de condições provém de vidas anteriores:
Não é razoável que as almas sejam introduzidas nos corpos em relação com seus méritos e as suas ações anteriores, e que aquelas que utilizaram os seus corpos para praticarem a maior soma de bem possível tenham direito a um corpo dotado de qualidades superiores aos outros corpos? (“Contra Celso”, liv. I).
Todas as almas alcançaram o mesmo fim (“Contra Celso”, liv. I); as almas engrandecem-se pouco a pouco, atingem a Terra e aprendem as lições que ela lhes pode dar, depois sobem a um lugar melhor e chegam finalmente ao estado de perfeição (“De Principiis”, liv. I, c. VI). Mediante vidas repetidas em diversas esferas onde elas tomam corpos em relação com o mundo que habitam, estas almas caídas reconquistarão a pureza e a bondade (“Contra Celso”, c.VI e VII). Certas almas chegadas ao repouso completo voltam em novos corpos, em mundos novos; umas conservam-se fiéis, as outras degeneram-se de tal forma que se tornam demônios (“De Principiis”, liv. IV, c.IV).
E alhures:
A alma, sendo imaterial e invisível, não pode existir em nenhum lugar material sem revestir corpos apropriados a este lugar; ela rejeita, num dado momento, um corpo que era necessário até aí, mas do qual não tem necessidade, e ela o troca por outro. (“Contra Celso”, liv. VII, c. XXXII).
Origenes serviu-se muito da doutrina dos renascimentos para criticar e justificar os livros sagrados. Fazendo alusão a certas passagens da Bíblia, ele diz:
Se o nosso destino atual não era determinado pelas obras de nossas existências passadas, como poderia Deus ser justo, permitindo que primogênito servisse ao mais jovem e fosse odiado, antes de haver cometido atos merecendo a servidão e o ódio? Só as vidas anteriores podem explicar a luta de Jacob e Esaú, antes do seu nascimento, a eleição de Jeremias durante o tempo em que estava ainda no seio de sua mãe..., e tantos outros fatos que atirarão o descrédito sobre a justiça divina, se não forem justificados por atos bons ou maus, cometidos ou praticados em existências passadas (“Contra Celso”, liv. I, III).
Se bem que a “metensomatose”, isto é, a verdadeira doutrina de Origenes, não seja apresentada sob uma forma clara, a palingenesia não é posta em dúvida por ele, que influenciou consideravelmente os filósofos cristão dos primeiros séculos e foi acolhido com simpatia até a sua condenação no Sínodo de Constantinopla. As seitas da época, conforme argumenta Pascal, e as do séculos consecutivos – simonistas, basilistas, velencianistas, marcionistas, gnósticos, maniqueus, priscilianos, cátaros, tártaros, albigenses, bogomilenses, etc. – eram todas reencarnacionistas.
O Sínodo de Constantinopla ocorreu em 543. Foi nesta data precisamente que se condenou ao esquecimento um ensinamento sublime que a Igreja tinha o dever de conservar preciosamente e transmitir às gerações futuras como um farol em meio aos escolhos sociais, um ensinamento que teria desenraizado esse egoísmo estúpido que ameaça aniquilar o mundo, que nos dá uma perfeita idéia da justiça de Deus, contrapondo-se á velha doutrina das graças e das predestinações, que anula o valor do esforço humano em detrimento de afirmativas inconsistentes e originárias de uma escolástica profundamente humana.
Em 553, no grande Concílio realizado em Constantinopla, convocado por Justiniano, que se envolvia em questões teológicas, tratou-se de três pequenos escritos diferentes, que não se conhecem mais em nossos dias. Eram denominados “os três capítulos”. Disputou-se também sobre algumas passagens de Origenes.
O bispo de Roma, um certo Virgílio, quis ir lá ter em pessoa; mas Justiniano fê-lo pôr em cadeia. O patriarca de Constantinopla presidiu a este Concílio. Nele não compareceu ninguém da Igreja latina, porque, então, o grego não era mais compreendido no Ocidente, tornado inteiramente bárbaro (Voltaire, Dict. Phisosophique, pág. 609).
A respeito, a “Encyclopédie de Berthelot” comenta o seguinte:
Em 2 de junho, tendo já proclamado o direito da Igreja de pronunciar uma condenação póstuma contra um herético, resumiu as sua decisões precedentes e condenou formalmente os três capítulos e, em outra, a pessoa de Teodoro. Estes anátemas foram pronunciados com expressões análogas aqueles em que Justiniano se serviu nos seus éditos. Ele adotou semelhantemente, contra os ERROS DE ORIGENES as condenações contidas num édito de Justiniano e confirmadas por um precedente Concílio de Constantinopla. Virgílio resignou-se finalmente a aprovar todas essas decisões, etc. (E. H. Vollet. Pág. 627).
Com estas decisões infelizes, roubou-se a reencarnação ao Cristianismo. O trabalho dos Espíritos Superiores, através de Allan Kardec conseguiria a sua reincorporação tal qual a temos hoje, enquanto homens de ciência, o Dr. Ian Stevenson, por exemplo, tornam “best-seller”, um livro contendo “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”. Taxado de herege e relegado ao esquecimento, Origenes pode voltar a ter o seu momento entre os precursores da Revelação. Excetuando-se João Crisóstomo e Agostinho, nenhum dos Pais da Igreja o comparam pela sua cintilante inteligência e erudição. Eusébio denomina-o: “o homem de aço”.
Para os espíritas Origenes ergue-se agora como um desafio crítico.
FONTE: Anuário Espírita 1971 – Wallace Leal Rodrigues
endereço: http://www.apologiaespirita.org/
imagem: www.biografiasyvidas.com
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