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domingo, 8 de maio de 2011

A CURA PELA MÚSICA


Há algum tempo, a música vem traduzindo o belo, elevando pensamentos, sensibilizando corações, refletindo nas criaturas as inúmeras possibilidades de cura através das fragrâncias de paz do jardim da melodia, da sublimidade da harmonia, da inspiração dos ritmos que movimentam em nós os recursos para uma nova ótica e sensibilidade sobre o assunto.

A música já foi comprovada cientificamente como fonte de cura mental, corporal e espiritual, estendendo-se para vários pontos do mundo, onde é reconhecida como “musicoterapia”. Técnicas como “nível aumentativo”, “nível intensivo”, “nível auxiliar”, entre outras, são de suma importância para o restabelecimento da criatura, caso esta obtenha o merecimento para tal.

Existem hoje muitas obras importantes nas quais podemos buscar o estudo detalhado, que abordam este assunto de maneira clara e objetiva. Dois bons exemplos são os livros Definindo Musicoterapia, de Kenneth E. Bruscia, e O Poder Oculto da Música, de David Tame. Este último fala, através do capítulo “Musicoterapia, o remédio universal”, sobre a utilização da música como tratamento pelos gregos e árabes, originalmente transmitidos por civilizações anteriores e também utilizados pelos povos antigos da Índia e da China, que, cientes do valor terapêutico destas técnicas, utilizavam seus templos como lugares de repouso e de energização espiritual, onde essas terapias eram aplicadas.

Conta-se que Hipócrates, o “pai da medicina”, levava seus casos de enfermidade ao Templo de Esculápio para, ali, ouvirem a música comovedora e revigorante. Os sacerdotes do templo e os médicos de Roma fizeram uso da musicoterapia até a completa cristianização do império. Os árabes do século XIII tinham salas de música nos hospitais, onde praticavam o que denominavam “medicina musical”, usando composições específicas para cada tipo de doença: mental, moral e física.

Como podemos perceber, a boa música nos propicia momentos de refazimento, higienizando nossas mentes, organizando ou reorganizando nossos sentimentos e pensamentos para o equilíbrio necessário. Ela cria no universo de cada um momentos para uma melhor compreensão do verdadeiro significado da sinfonia dos ventos, do concerto dos pássaros, do canto suave da chuva, do ir e vir das ondas, entre tantas outras canções de teor elevado orquestradas pelo infinito amor e misericórdia de Deus.

A relação entre notas, cores e chacras


O livro A cura pela música e pela cor, de Mary Bassano, apresenta mais um esclarecimento sobre as várias composições musicais espiritualmente inspiradoras que podem elevar nossa consciência, além de esclarecer a relação entre as notas, as cores e os chacras. Segundo a autora, a cor vermelha está relacionada com o chacra básico e com a nota “do”; o laranja (a segunda cor) está relacionado com o chacra genésico, correspondente à nota “ré”; o amarelo se relaciona com o chacra gástrico e com a nota “mi”; o verde corresponde ao chacra cardíaco e à nota “fá”; o azul se relaciona com o chacra laríngeo, correspondente à nota “sol”; o índigo (azul marinho) corresponde ao chacra frontal e à nota “lá”; o violeta (a sétima cor) está relacionado ao chacra coronário, correspondente à nota “si”.

Nesta mesma obra, Mary Bassano acrescenta que, embora a terapia pela música tenha comprovado ser de grande valor nos hospitais, sua adoção ainda é dificultada pela ausência de intuição, de espontaneidade e de espiritualidade, três elementos essenciais na harmonização do corpo. No entanto, as ciências médicas, físicas e espirituais estão alcançando rapidamente um ponto de mútua compreensão e isso proporciona grandes esperanças e expectativas para essa era maravilhosamente criativa em que vivemos.

Desobsessão pela música


A obsessão se expressa de várias maneiras: de encarnado para encarnado, desencarnado para desencarnado, encarnado para desencarnado, desencarnado para encarnado (pela obsessão recíproca) e a auto-obsessão. O obsessor costuma agir utilizando todos os recursos ao seu alcance, interfere na mente daquele que persegue com seu pensamento, buscando-o através de uma espécie de jugo ou possessão, dependendo da gravidade do caso em que estejam envolvidas as criaturas.

André Luiz, através do livro Dissertações Espíritas, psicografado por Antônio Fernandes Rodrigues, descreve que um determinado obsessor não demovia de seu desejo de vingança, apesar da bem arrazoada doutrinação promovida pelos instrutores espirituais. Sabedores de que o perseguidor era fã de Beethoven, encaminharam-no, sem despertar suspeita, para uma casa onde se ouvia a “Pastoral”. O obsessor, ao perceber aquela melodia tão admirável, esqueceu seus intentos, dissipando todo aquele rancor que lhe fustigava a mente. Os sons harmoniosos fizeram o importantíssimo trabalho de abrir as portas enregeladas de seu coração, proporcionando condições para que fosse abordado de forma mais feliz, aceitando a argumentação envolvido emotivamente pela música.

Portanto, que também possamos escancarar portas e janelas de nossos corações para uma melhor compreensão sobre a importância da música, de melodias e harmonias que são tão pouco reconhecidas na grande maioria das casas espíritas como mais uma fonte de equilíbrio para nosso restabelecimento físico e espiritual, além de serem utilizadas pelos inúmeros compositores e intérpretes como mais um veículo de divulgação e esclarecimento da doutrina espírita. Façamos a paz em nossos corações hoje e por toda a eternidade, através das mais belas melodias da vida.



Celso Santos



Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 02



texto - http://www.rcespiritismo.com.br

imagem - simonearoeira.blogspot.com


domingo, 4 de outubro de 2009

EFEITOS DA MÚSICA NA EVOLUÇÃO DO SER


Orson Peter Carrara

Há influência musical no equilíbrio humano?

A variedade de sons alcançados pelas notas musicais na integração entre instrumentos e vozes humanas exerce grande influência na emoção e no desenvolvimento das criaturas humanas. Claro que com variedades, pois determinada melodia poderá trazer lembranças agradáveis a alguém, provocar melancolia e até entusiasmo em outras, enquanto nada provoque em muitas pessoas.

O tema é interessante e mereceu uma única pergunta de Kardec em O Livro dos Espíritos: a de número 251. Mas há observações valiosas em Obras Póstumas e na Revista Espírita.

Sem preocupar-nos com a história da música, biografia de grandes mestres ou outras informações de caráter cultural ou histórico, procuremos analisar o tema, à luz da Doutrina Espírita, sobre lembranças e emoções que a música provoque na sensibilidade humana. Afinal o que diz a Doutrina Espírita?

Em Obras Póstumas, no capítulo A Música Celeste, numa reunião familiar, a filha indaga ao pai se haveria música no Plano Espiritual. Sob ação mediúnica, ela escreve resposta do Espírito: O som de nossos instrumentos, a nossa mais bela voz, não podem dar a mais fraca idéia da música celeste e sua suave harmonia.

Logo mais o Espírito São Luiz ensina: A filha, desligando-se parcialmente, foi admitida nas regiões celestes onde pode perceber as impressões da harmonia celeste e expressou “Que música! Que música!”

E Kardec indaga o compositor Rossini* (Espírito) sobre o estado atual da música e sobre as modificações que lhe poderiam trazer a influência das crenças espíritas e a resposta do Espírito inicia-se com abordagem sobre harmonia. Segundo o dicionário, a palavra harmonia significa sucessão de sons agradáveis ao ouvido. Arte de formar e dispor os acordes musicais. Concórdia, paz e amizade entre pessoas. Ordem, coerência. O Espírito Rossini, todavia, em outras palavras, define harmonia como: resultante de um arranjo musical; como um sentido íntimo da alma e que é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido íntimo da alma.

E oferece-nos esta pérola de pensamento: “(...) O Espírito produz os sons que quer. (...) Aquele que compreende muito, que tem nele a harmonia já conquistada, age sobre o fluido universal e reproduz o que o Espírito concebe, sente e quer (...)”.

Numa comparação, usando inclusive o pensamento de Rossini, podemos dizer que o éter vibra a ação da vontade do Espírito. A harmonia que traz em si se concretiza como a exalar o perfume, com lentidão ou rapidez, como no som harmonioso que se espalha. O Espírito que já conquistou a harmonia é como aquele que tem a aquisição intelectual. O Espírito sábio que ensina a ciência sente-se feliz por ensinar os que não sabem. O Espírito que faz o éter ressoar com os acordes da harmonia que já traz em si, sente-se feliz de ver satisfeitos os que o ouvem. E do mesmo Espírito, encontramos essa definição magistral: A música é o médium da harmonia.

Ela é, pois, essencialmente, moralizadora, uma vez que leva harmonia às almas, que por sua vez as eleva e as engrandece. Deduz-se, pois, que a música exerce uma feliz influência sobre a alma e a alma que a concebe exerce também uma influência sobre a música.

A alma virtuosa que tem a paixão do bem, do belo, que adquiriu a harmonia, produzirá obras primas capazes de penetrar as almas mais blindadas, fechadas em si mesmas, e comovê-las. Já o compositor terra-a-terra como poderá representar a virtude que ele despreza, o belo que ignora ou o grande que ele não compreende? Suas composições serão o reflexo de seus gestos sensuais, de sua leviandade. Serão obscenas, licenciosas, sensuais e causarão mais danos que melhorar os ouvintes.

É aí que o pensamento de Rossini, adaptando-o com texto de nossa autoria, aparece em toda sua grandeza: O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Por sua vez, ouvintes moralizados, apreciarão músicas elevadas, deixarão de lado a música frívola que se apodera das massas.

Na Revista Espírita, de maio de 1858, entretanto, Kardec entrevista o compositor Mozart (1756-1791), que foi famoso menino prodígio (aos 4 anos já tocava de cor e aos 5 já compôs), e que declarou “Quando estou em boas disposições e inteiramente só, durante o meu passeio, os pensamentos musicais me vêm com abundância. Ignoro donde procedem esses pensamentos e como me chegam; nisso não tenho a mínima vontade, a menor intervenção”. Habitante de Júpiter, revelou: “Onde habito, há melodia em toda parte: no murmúrio das águas, no ciciar das folhas, no canto dos ventos; as flores rumorejam e cantam; tudo produz sons melodiosos. Sê bom, alcança este planeta pelas tuas virtudes”. E fornece essa pérola para esse tema: A música religiosa ajuda a elevação da alma. O pensamento compõe e os ouvintes desfrutam. Claro que a história humana registrou a presença de grandes gênios da música em nosso planeta. Seria impossível relacioná-los todos num simples artigo, abordar suas conquistas e feitos, a genialidade que nos ofereceram. Optamos por Mozart, pois que presente na Revista Espírita.

E na mesma publicação, de maio de 1861, o Espírito Lamennais (brilhante escritor, figura influente e controvertida na história da igreja francesa e ordenado padre aos 34 anos) afirma: a música é a arte que vai mais direta ao coração.

Já na edição de janeiro de 1869, o mesmo Rossini afirma: para ser músico, não basta mais alinhar as notas sobre uma pauta, de maneira a conservar a justeza das relações musicais: assim só se produz ruídos agradáveis; mas é o sentimento que nasce sob a pena do verdadeiro artista. É ele que canta, que chora, que ri. Mas para dar alma à música, para fazê-la chorar, rir, uivar, é preciso em si mesmo ter sentido estes diferentes sentimentos de dores, de alegrias, de cólera.

E Kardec, com toda sua lucidez, também na Revista Espírita, exemplar de setembro de 1864, nos traz essa importante revelação: A música comove as fibras entorpecidas da sensibilidade e as predispõe a receber as impressões morais. A música amolece a alma – é poderosa auxiliar de moralização.

Nesta altura, como poderíamos esquecer os grandes nomes da música nacional e internacional? Vozes inesquecíveis, melodias extraordinárias, compositores, autores, intérpretes, conjuntos, maestros, letras e apresentações que marcaram época e conquistaram memórias em todos os tempos, em composições inesquecíveis e belíssimas.

Neste ponto, podemos buscar a questão 251 de O Livro dos Espíritos: Os Espíritos são sensíveis à música? E a resposta: Queres falar da vossa música? O que ela é diante da música celeste? Desta harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os Espíritos vulgares podem experimentar um certo prazer em ouvir a vossa música, porque não são ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave.

Tudo isso para pensarmos no esforço da espiritualidade em despertar nossa sensibilidade. Seja através da música religiosa – em corais, conjuntos ou valores individuais’ –, de qualquer denominação, seja pelas canções que marcam as crianças para sempre ou pelas melodias dos grandes gênios musicais de nossa história... Ou mesmo, e por que não, nas músicas contemporâneas e fruto do regionalismo, em todo o planeta?

É que a música é também um dos instrumentos de despertamento da sensibilidade humana. Existem vários, como a dor através da expiação; as provas através dos obstáculos; a fé como virtude, entre tantos outros. E entre eles, a música, para elevar nosso padrão vibratório e nos convidar a pensar na grandeza de Deus.

Ponderemos que estamos num mundo de provas e expiações, onde ainda há império do mal. E se, num plano de provas e expiações, já temos os sons magníficos da natureza, a voz humana que sensibiliza nos esforços e combinações vocais, e a presença das belas músicas que nos ajudam a viver com mais harmonia, podemos imaginar o que nos aguarda para o futuro?

Selecionemos, pois, as belas conquistas que já possuímos no campo desta arte maravilhosa que é a música, para elevarmos o padrão espiritual de nossos ambientes. Deixemo-nos comover pela mensagem que trazem; reflitamos nas motivações que ensejaram a concepção dessas peças que verdadeiramente nos comovem pela beleza e sublimidade. E, obviamente, prestemos também mais atenção no canto dos pássaros; no latido dos cães e sons característicos de outros animais; nos sons naturais de trovoadas, chuvas e ventos e mesmo na variedade das vozes humanas, para percebermos o quanto o som influencia nossa harmonia ou desarmonia interior. É, como em tudo, uma questão de seleção e afinidades. Aprendamos, pois, a selecionar...

*Gioacchino Antonio Rossini - Compositor italiano – 29-11-1792 – 13-11-1868

Nota do autor: As transcrições efetuadas nesta matéria foram de edições do Instituto de Difusão Espírita, com tradução de Salvador Gentille.

Matéria publicada originariamente na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, edição de dezembro de 2004

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1011.html
imagem:
bicodocorvo.com.br

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