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sábado, 5 de dezembro de 2009

REGISTROS INDELÉVEIS DA EVOLUÇÃO ANÍMICA


Ciência Ajuda a Entender a Evolução

Renato Costa – rsncosta@terra.com.br

O neurologista americano Paul MacLean é o autor da teoria segundo a qual nosso encéfalo atual reflete a evolução que sofreu ao longo das eras.

MacLean acredita que nossa caixa craniana contenha não um, mas três encéfalos, sendo cada um deles o registro de um estágio diferente de nossa evolução. Ele chama seu paradigma de “Encéfalo Triúnico”.

Segundo ele, os três encéfalos operam como computadores biológicos interconectados, cada um com sua própria inteligência, sua própria subjetividade, seu próprio senso de espaço e tempo e sua própria memória. Cada um dos três encéfalos é conectado aos outros dois, mas opera como um cérebro individual com capacidade própria.

O encéfalo mais antigo está situado atrás e embaixo. O mais recente, na parte superior dianteira. O intermediário, entre eles, na parte central.

O mais antigo dos três encéfalos é o reptiliano, primitivo ou arquipálio, que MacLean também chama de “Complexo-R”. Corresponde ao cerebelo e ao tronco encefálico (mesencéfalo, ponte de Varólio e bulbo raquidiano). É responsável pelos processos de auto-sustentação do corpo, como a respiração, o batimento cardíaco e o sono, assim como pelos rituais imutáveis de aproximação, ataque, vôo e acasalamento, processos que não requerem controle consciente, mas que são essenciais à vida do animal, tanto que o encéfalo reptiliano jamais para de funcionar, nem durante o sono profundo. O encéfalo reptiliano não muda, não aprende com a experiência. A ele se limita quase a totalidade do encéfalo dos répteis atuais, tendo estado presente nos répteis que precederam aos mamíferos, há cerca de 240 milhões de anos. O encéfalo reptiliano corresponde ao comportamento mecânico, puramente instintivo.

A maioria dos mamíferos compartilha conosco o encéfalo paleomamífero (mamífero antigo), que corresponde ao sistema límbico, a parte média do encéfalo. MacLean acredita ter ele surgido após o encéfalo reptiliano, há cerca de 60 milhões de anos, tendo sido acrescentado a este último. Os mamíferos primitivos tinham um encéfalo constituído basicamente do encéfalo reptiliano somado ao sistema límbico.

O encéfalo paleomamífero contem o hipotálamo, o tálamo, o hipocampo e a amígdala, que são considerados responsáveis pelas emoções e instintos emocionais como comportamentos relacionados à alimentação, competição e sexo. Essas emoções são importantes tanto para o indivíduo quanto para a espécie. O encéfalo paleomamífero é capaz de aprender, pois retém memórias de emoções que resultam das experiências onde o animal sentiu prazer ou dor em maior ou menor grau. O encéfalo paleomamífero responde pelo comportamento emocional.

O neocórtex, córtex ou neopálio é o encéfalo principal dos primatas, que foram dos últimos mamíferos a aparecerem. Ele constitui cerca de cinco sextos da massa total do encéfalo humano, tendo evoluído no último milhão de anos. MacLean o chama de encéfalo neomamífero, o que significa mamífero recente. Todos os mamíferos possuem neocórtex, mas somente nos primatas e cetáceos ele é particularmente importante. Esse encéfalo neomamífero é responsável pelas funções cognitivas mais nobres, como a linguagem e o raciocínio. O neocórtex é responsável pelo comportamento racional.

Como vimos, todos os três encéfalos colaboram para produzir o comportamento dos mamíferos e do homem, em particular, que, conforme as necessidades e circunstâncias, ora mostra-se predominantemente mecânico, ora emocional e ora racional.

Para melhor compreendermos o quanto a teoria de Maclean fala da evolução anímica, convém termos em mente a função organizadora do perispírito. Esse corpo sutil de que dispomos e que, junto do Princípio Inteligente, do qual jamais se separa, constitui o Espírito, funciona como uma formidável memória transpessoal onde ficam registrados todos os eventos por que passou o ser em suas inúmeras passagens pela vida física e os efeitos desses eventos por força da Lei da Causalidade.

Assim, se no cérebro físico encontramos um encéfalo reptiliano, por exemplo, é porque existe, no encéfalo sutil, um encéfalo reptiliano que lhe serviu de molde. E, mais, que esse encéfalo reptiliano sutil que se acha no perispírito é registro indelével da história anímica do ser.

Seguindo nossa linha de raciocínio, poderíamos nos perguntar, a aceitar como válida a hipótese de evolução do homem vindo de espécies e reinos inferiores, o porque de não existirem no encéfalo sutil do perispírito os registros das passagens por estágio algum anterior ao de réptil. A resposta, a nosso ver, se encontra na tese de André Luiz e trabalhada por Jorge Andréa, de que a individualidade se define quando aparecem nos animais as primeiras células da futura glândula pineal ou epífise.

Muitos peixes e todos os répteis, aves e mamíferos hoje existentes possuem a epífise. Tal, no entanto, pode não ter sido realidade na Era Mezozóica, quando, há 240 milhões de anos, segundo os cientistas acreditam, répteis originaram os primeiros mamíferos. O Tuatara é um pequeno réptil, existente em algumas ilhas ao norte da Nova Zelândia, que possui um terceiro olho que se une a um primitivo corpo pineal. Ele é um fóssil vivo, único exemplar de uma família que existe desde a Era Mezozóica, o que nos permite inferir, utilizando a tese de André Luiz e Jorge Andréa, que os répteis que originaram os mamíferos tinham uma epífise pelo menos tão rudimentar quanto a dele, levando, ainda mais, à conclusão de que nenhuma espécie na história evolutiva daqueles mesmos répteis antes que eles se tornassem répteis tivesse a dita glândula.

Antes do aparecimento da epífise, como explica Jorge Andréa, a alma-grupo-da-espécie tinha ascendência sobre os vórtices individuais em início de formação. Desse modo, é natural que os registros anteriores à definição da individualidade tenham sido gravados no molde organizador da alma-grupo da espécie de onde a mesma se originou. Daí o não estarem presentes no encéfalo triúnico atual.

Como vimos, o modelo proposto pelo neurologista MacLean é bastante elegante e útil, servindo para explicar, de um modo claro e didático, como ocorreu a evolução humana, desde os instintos mais primitivos da vida autônoma até o uso das atividades mais nobres da mente, a razão e a consciência, passando pela etapa intermediária de aprendizado para adaptação ao meio.

Outra característica interessante do modelo de MacLean é que ele permite que imaginemos o aparecimento de novas camadas em nosso encéfalo, à medida que formos galgando os patamares que nos levarão à perfeição.

Ao atingirmos o próximo patamar, como ocorreram nas transições anteriores, o encéfalo hoje intitulado de neomamífero deixará de abrigar as funções mais nobres da mente, passando as funções mais nobres, que certamente não serão as mesmas a que chamamos hoje de “nobres”, a serem processadas em novas camadas que irão surgir. Com esta visão parece coincidir a constatação de que os Espíritos evoluídos são incapazes de fazer o mal. Fazer o bem teria, quem sabe, passado a fazer parte de seus instintos.

Infelizmente, a Ciência nunca se preocupou em examinar o encéfalo dos homens e mulheres santos que vieram ao mundo, detendo-se exclusivamente em estudar cérebros de figuras marcantes da política, das artes ou da própria Ciência. O exame do cérebro de um São Francisco de Assis, de uma Santa Tereza d’Ávila, de um Mahatma Ghandi ou de um Chico Xavier teria revelado a existência de um encéfalo tetraúnico? Teria revelado um encéfalo triúnico, mas com sete e não seis camadas no neocórtex? Essas são perguntas cujas respostas ficamos, por ora, a ignorar.

BIBLIOGRAFIA


ANDRÉA DOS SANTOS, Jorge. Impulsos Criativos da Evolução. 3.ed. Rio de Janeiro: Societo Lorenz, 1995.

DO AMARAL, Júlio Rocha, MD e MARTINS E OLIVEIRA, Jorge MD, PhD. Limbic System: The Center of Emotions. Obtido, em 27/01/2003, de http://www.epub.org.br/cm/n05/mente/limbic_i.htm.

MILLER, Richard Alan. The Biological Function of the Third Eye. Obtido, em 03/02/2003, de http://www.bleehoney.org/ThirdEye.htm.

SCARUFFI, Piero. Book review of Paul MacLean’s The Triune Brain in Evolution. Obtido, em 27/01/2003. de http://www.thymos.com/mind/maclean.html.

Triune Brain Theory – Three Brains in One. Obtido, com imagens, em 01/02/2003, de http://www.mareshbrainsatwork.com/B2B/index.htm.

Tuatara – The World’s Most Unique Reptile. Obtido, em 01/02/2003, de http://www.bigjude.com/Tuatara.html.

XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Evolução e Cérebro. In: ______. Evolução em Dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz. 13.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.

ZIMERMANN, Zalmino. Perispírito. Campinas: CEAK, 2000.

(Este artigo foi originalmente publicado na Revista Internacional do Espiritismo, edição de Abril de 2003)

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo65.html
imagem:
portaslivres.blogspot.com


domingo, 1 de novembro de 2009

A TÊNUE FRONTEIRA



Renato Costa


Ramos da Ciência surgidos no Século XX permitem novo entendimento quanto à fronteira entre a Inteligência e o Instinto

O tema Inteligência e Instinto é desenvolvido na Codifi­cação, da Questão 71 à Questão 75 de O Livro dos Espíritos e, com mais detalhe, do item 11 ao item 19 do Capítulo III de A Gênese. Por falta de espaço em um artigo desta natureza, não transcreveremos as questões, as respostas dos Espíritos e o raciocínio do Codificador, nem teceremos comen­tários a eles. Uma clara compreensão de nosso trabalho, no entanto, não prescinde de tal estudo, motivo pelo qual incenti­vamos nosso amável leitor que não as deixe de estudar antes de prosseguir.

Como dissemos em nosso artigo de maio/2003, publi­cado nesta revista, o quadro atual de co­nhecimento no estudo do comportamento animal é fruto da maturação de duas abordagens científicas que surgiram nas décadas de 20 e 30 do século XX, quais sejam, respectiva­mente, a Psicologia Associativa e a Etologia. A primeira teve início nos EUA, com a participação de psicólogos e com enfoque nos comportamentos de exem­plares de animais testados em experi­mentos de laboratório, associando tais comportamentos a aprendizado. A se­gunda, na Europa, com a participação de zoólogos e com enfoque nos comporta­mentos espécie-específicos de exem­plares observados em seu habitat natural, associando tais comportamentos a instintos inatos ou herdados genetica­mente. Durante um certo tempo houve acirrado debate entre os estudiosos partidários das duas abordagens, debate esse que ficou conhecido em inglês como o "the nature x nurture controversy" (a controvérsia natureza x criação). Hoje em dia, no entanto, prevalece a noção de que o comportamento animal deva ser visto sempre segundo seus dois componentes, o instintivo e o aprendido, que aparecem, um e outro, em maior ou menor grau, conforme a circunstância que se apresenta.

Antes de prosseguirmos em nosso estudo, convém notarmos que nenhuma das duas abordagens ao estudo do comportamento animal que deram origem ao atual estágio de conhecimento cientí­fico havia ainda surgido por ocasião da Codificação. Em conseqüência desse fato, tudo o que vamos falar sobre comportamento animal daqui em diante são elementos de observação de que Allan Kardec não dispunha quando escreveu na Codificação sobre inteli­gência e instinto.

"Todo ato maquinal é instintivo... Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente...” (GE lII, 12).

Os termos comportamento instin­tivo ou comportamento inato são usados para designar os comportamentos que os etologistas entendem como herdados e controlados geneticamente, o que nós, espíritas, entenderíamos como patri­mônio da alma. É caracterizado um comportamento instintivo quando animais de uma mesma espécie seguem todos a mesma seqüência de ações quando sob as mesmas condições ambientais. Comportamentos instintivos podem ser de três tipos: taxias, que são movimentos automáticos de um organismo, aproxi­mando-se de um estímulo ou se afas­tando dele, como ocorre com os cupins em relação à luz; reflexos, que são respostas involuntárias de um organismo frente a um estímulo, como o retrair da mão de um animal quando ela toca um objeto quente, e padrões Fixos de ação (PFA) ou ins­tintos propriamente ditos, que são padrões complexos de compor­tamento, porém, geral­mente, inflexíveis e que envolvem todo o corpo do animal, podendo necessitar de um estímulo externo para serem dispa­rados. Exemplos simples são casais de aves alimentando bocas abertas (não necessariamente filhotes), reação de medo a predadores e a resposta de fuga ou ataque de um animal frente à agressão. Um exemplo mais complexo são os mi­lhares de movimentos que uma aranha repete quase sem alteração cada vez que tece suas teias de aparência sempre igual.

O termo comportamento aprendido é usado para designar alterações no comportamento como resultado de ex­periências vividas. As modalidades existentes são as seguintes: estampagem, que é um comportamento que possui componente inato e aprendido e é adqui­rido em um período específico e limitado de tempo na vida do organismo. Patinhos recém-nascidos, por exemplo, identifi­carão como sua "mãe" (protetora) e se­melhante (outro indivíduo da espécie à qual pertencem) um objeto de razoável tamanho que se mova e emita sons, desde que este for a primeira coisa que vejam junto a si no momento em que nascem e por um breve período após. Daí em diante seguirão o objeto onde ele for. A estampagem persiste pela vida do indi­víduo. Esse comportamento se chama de estampagem porque equivale a uma estam­pa gravada para sempre no indivíduo. Somente espécies menos evoluídas estão sujeitas à estampagem; habituação, que é uma redução em uma resposta anteriormente apresentada quando nenhuma recompensa ou punição se segue. Se um barulho estranho for ou­vido por um cão de guarda ele entra em alerta. Se esse mesmo barulho voltar a ocorrer sistematicamente na mesma hora e nas mesmas circunstâncias, dentro de certo tempo o cão se habi­tuará ao barulho e não mais entrará em alerta devido a ele; condicionamento clássico, que consiste em associar uma resposta já existente a um estímulo novo ou substituto. É uma forma importante para alterar um Padrão Fixo de Ação (Instinto) de modo ao animal poder se adequar com mais precisão a circunstâncias ambientais. Se o dono de um cão soar um sino antes de servir a ração ao animal, este se condicionará a salivar toda vez que ouvir tocar um sino, pois terá condicionado a oferta de ração ao estímulo de ouvir o sino que, a princípio, nada tem a ver com alimentação; condi­cionamento instrumental ou aprendi­zado por tentativa e erro, que consiste em se modificar uma resposta preexis­tente a um estímulo ou criar novas respostas. Ocorre, por exemplo, quando o animal aprende quais comidas são saborosas e quais não são. Testes de laboratório comuns para avaliar a capacidade que um animal tem de aprender por ten­tativa e erro são labirintos que o animal deve percorrer para receber uma recom­pensa, usualmente uma comida de que gosta. Uma vez resolvido o labirinto o animal geralmente memoriza a solução e passa a ir direto até a meta, demons­trando que aprendeu uma seqüência lógica e visual, e aprendizado por "Insight" ou discriminação, que é um tipo de comportamento que, indubitavelmente, requer inteligência, pois o animal deve analisar a situação, examinar quais os elementos de que dispõe e criar uma solução inteiramente nova para atingir sua meta. Verifica-se quando, por exemplo, um chimpanzé faz uma pilha de engradados para usar como escada de modo a obter um prêmio em comida pendurado fora de seu alcance, sem nunca ter visto antes essa solução. Ou ainda, quando um corvo da Nova Caledônia dobra um pedaço de metal com seu bico para apanhar a co­mida no fundo de um tubo após ter observado um corvo maior ter se apos­sado do único pedaço curvado de metal que havia disponível e ter conseguido com o mesmo atender à mesma meta.

"A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportu­nidade das circunstâncias". (GE III, 12)

Agora que conhecemos os termos corretos para identificar os diversos tipos de comportamento animal é importante sabermos que o comportamento animal em cada circunstância pode ser um casa­mento de vários desses tipos, cada um deles participando em maior ou menor grau.

"Aliás, é freqüente o instinto e a inteli­gência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. (GE III, 13)

Quando um castor constrói uma barragem, por exemplo, assume-se que a solução de construir a barragem seja um padrão fixo de ação ou instinto. Está na memória genética de sua espécie, se­gundo os cientistas, ou na memória aní­mica da espécie, segundo uma visão espírita, que a construção de barragens é uma forma de garantir a formação de um lago da profundidade conveniente para que ele possa construir sua moradia ao abrigo dos predadores e possa ter uma reserva de alimentos acessível durante o in­verno, quando a superfície do lago está congelada. Entretanto, a constatação de se o lago precisa ou não ser aprofundado e a forma como irá construir a barragem, se necessária, assim como a escolha do material de que se irá uti­lizar para tal, são todos comportamentos apren­didos, parte por tentativa e erro, quando já age sozinho na fase adulta, mas parte, certamente, sob orientação de sua mãe quando mais novo.


Um outro exemplo além do castor é o das aves que constroem ninhos, sempre se adaptando aos mate­riais encontrados nos locais para onde se mudam e às características desses locais. A maioria das interações possíveis em determinado ambiente é por demais complexa para que instintos fixos delas se incumbam. A participação do compor­tamento aprendido, tanto na forma de tentativa e erro como na forma de apren­dizado por "insight", é, portanto, muito importante para animais que se deslocam de um para outro ambiente.


Ao contrário dos instintos, que são consolidados na espécie e passados entre as gerações, os comportamentos apren­didos requerem, para sua fixação, a manu­tenção por longos períodos das circuns­tâncias que os permitiram ou provocaram seu aparecimento. É desse modo que comunidades de determinada espécie que migraram há séculos de uma para outra região, vão, aos poucos, constituindo uma nova espécie, com instintos modi­ficados em função da adaptação às novas condições. A modificação de instintos a partir de comportamento aprendido, após a consolidação desse último, sugere, para os cientistas, que houve uma mudança genética na espécie e, para nós, espíritas, que mais um aprendizado foi adicionado ao seu patrimônio anímico.


Como vemos, a fronteira que separa a inteligência do instinto é bastante tênue. Não só porque vários comportamentos que eram tidos como instintivos hoje são ditos inteligentes, como pelo fato, constatado pelos estudiosos, de que os comportamentos aprendidos por tenta­tiva e erro e por "insight", que requerem inteligência para ocorrer, podem, ao cabo de várias gerações, ser consolidados como instintos. O instinto, portanto, ou, pelo menos, a parte dele conquistada após a definição da individualidade, pode ser visto como uma espécie de inteli­gência fóssil enterrada nas profundas camadas da mente .



Comentários de Kardec*

A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem suas necessidades.

O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteli­gência propriamente dita, em que suas manifestações são quase sempre espontâneas, ao passo que as da inteligência resultam de uma combinação e de um ato deliberado. O instinto varia em suas manifestações, conforme as espécies e as suas necessidades. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade.

*Constantes das questões 71 e 75 de O Livro dos Espíritos (80' edição da FEB, tradução de Guillon Ribeiro, Rio de Janeiro, agosto/98). Sugerimos ainda consulta ao livro A Gênese, conforme indicado pelo autor nesta matéria.



Bibliografia

Cardoso, Silvia Helena, PhD e Sabbatini, Renato M. E., PhD. Aprendendo quem é a sua Mãe - O comportamento de Imprin­ting. Obtido em março de 2003 de http:// www.epub.org.brlcm/n 14/experimento/ lorenz/index-lorenz_p.htmI.

Animal Behavior, Chapter 20. Obtido em março de 2003, de http://clab.cecil.cc.md.us/ facu lty/bio/ogy1 /behavior.htm.

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Costa, Renato. Os Diversos Caminhos da Evolução Anímica. In Revista Interna­cional do Espiritismo, Maio de 2003.

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Swanson David, Dr. Behavior. Obtido, em março de 2003, de http://www.usd.edu/ bol/faculty/swa nson/orn ith/lec16. htm.

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Kardec, AIlan. O Livro dos Espíritos. FEB, 76 ed., 1995.

---' __ o A Gênese. FEB, 36 ed, 1995. Kohler's Work on Insight Behavior.

Animal Cognition Home Page. Obtido, em março de 2003, de http:// www.piegon.psy.tufts.edu/psych26/ hohler.htm.

Nota:O autor é engenheiro e expositor espírita no Rio de Janeiro


Revista Internacional de Espiritismo - Dezembro de 2003


endereço: http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=7656
imagem: matorres.com.br



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