quarta-feira, 12 de maio de 2010

150 ANOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES






Gerson Simões Monteiro

Desde a mais remota era, o homem procura a sua origem. Durante muito tempo, o criacionismo religioso considerava que os seres vivos foram criados por um Ser Supremo, e suas diferentes espécies teriam surgido de uma só vez, prontas e acabadas.
Essa idéia, baseada em interpretação distorcida do livro Gênesis, da Bíblia, acaba por constituir-se em tese insustentável perante a Ciência, apesar de ser correta ao admitir Deus como Inteligência Suprema do Universo.
Para corrigir essa posição equivocada dos criacionistas religiosos do século 18, a partir do trabalho de cientistas como Charles Darwin e Russel Wallace, novas idéias surgiram sobre a origem e a evolução dos seres vivos, idéias que são aprimoradas constantemente, até hoje. A palavra final, porém, ainda não foi dita e a Ciência atual se apóia nas seguintes conclusões:
A Terra se formou há pelo menos 4,5 bilhões de anos, pela condensação de poeira cósmica liberada pela grande explosão (Big Bang) que originou o Universo. É bom salientar que, enquanto os criacionistas admitem ter o planeta, somente, de 6 a 10 mil anos de existência, o pesquisador e escritor norte-americano Henry Thomas, no livro A História da Raça Humana¹, diz que "foram necessários 40 milhões de anos para que o macaco se transformasse no homem-macaco. Mais de 300 mil anos o levou para aprender a andar de cabeça erguida e para matar sua presa com instrumentos de pedra". O "macaco" não dá origem ao "homem-macaco". Ambos têm um ancestral comum. O macaco e o homem-macaco são "primos".
Depois de 1,5 bilhão de anos, com o resfriamento da superfície terrestre, esta abrigou as primeiras organizações moleculares. Delas, apareceram os sistemas protéicos, e estes primitivos elementos foram tornando-se cada vez mais complexos, até se tornarem às células que hoje conhecemos como seres unicelulares, tanto vegetais quanto animais.
As condições físicas e ambientais promoviam mutações que modificavam o material genético, transmitido na reprodução dos seres. Apenas as modificações que os tornavam mais aptos às adversidades do meio eram fixadas e transmitidas para outras gerações, enquanto as alterações que em nada contribuíam para o aprimoramento das espécies, tendiam a desaparecer.

A TEORIA DA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

Em seu livro, A Origem das Espécies, publicado em 1859, Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês, demonstrou a tendência dos animais a se afastarem de sua origem ancestral por mutação genética e seleção natural, formando novas espécies com características diferentes. Ele chegou a essa conclusão através das pesquisas e estudos realizados a partir de 31 de dezembro de 1831.
Com algumas inovações, introduzidas pelos recentes avanços da Ciência, a teoria de Charles Darwin é ainda a que melhor explica a biodiversidade de nosso planeta. Para notar-se uma característica diferente, e inaugurar uma nova espécie, gastam-se talvez milhões de anos, mas é sabido que nenhuma espécie está estacionária. Um exemplo esclarece a questão: o corpo do homem é o produto evolutivo de uma espécie simiesca cujos ancestrais já desapareceram. Ou seja: uma determinada espécie de macaco, há milhares de anos, começou a se desenvolver na direção do que somos hoje fisicamente. Nenhuma outra espécie de primata seguiu esta rota evolutiva, mas cada uma percorre caminhos paralelos.
Quando aceita o convite para tornar-se membro de uma expedição científica a bordo do navio Beagle, Darwin passa cinco anos (de 1831 a 1836) navegando pela costa do Pacífico e pela América do Sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas maiores à medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil. Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico, zoologista e homem de ciência. Esta viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida subsequente de pesquisador e escritor.
Não obstante, é de lamentar saber-se que, após 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies, há ainda quem admita que o homem foi criado do barro e a mulher da costela de Adão!

DARWIN E KARDEC

É oportuno lembrar o pensamento lúcido da bióloga e geneticista Hebe Laghi de Souza, no livro Darwin e Kardec: Um Diálogo Possível². Para ela, "A Bíblia encerra grandes lições, todavia, no que se refere às obras da criação, foi moldada pelos conhecimentos da época, pela capacidade de compreensão humana, bem diferente da atual".
Complementando tais considerações, finalizo com a palavra de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, no item 10 do capítulo IV de A Gênese³, obra publicada em 1868:

"Deveríamos, por respeito aos textos vistos como sagrados, impor silêncio à Ciência? Isso seria algo tão impossível quanto impedir a Terra de girar. As religiões, quaisquer que sejam, jamais ganharam coisa alguma sustentando erros evidentes. A missão da Ciência é descobrir as leis da natureza, ora, como essas leis são obras de Deus, elas não podem ser contrárias às religiões fundadas sobre a verdade. (...) Condenar o progresso, como atentatório à religião, é ir contra a vontade de Deus, sendo, por outro lado, trabalho inútil, uma vez que todas as maldições do mundo não impedirão que a Ciência avance, e que a verdade apareça. Se a religião se recusa a avançar com a Ciência, a Ciência avançará sozinha".

OS NEODARWINISTAS

É preciso fazer justiça a Charles Darwin na atualidade, e ela se impõe, em razão da vertente que hoje se denomina darwinista (na realidade, neodarwinista). Foram eles que preencheram lacunas deixadas por Darwin, com as leis da Genética, e atribuíram ao "acaso" aquilo que não puderam explicar, porque Darwin, após a conclusão de seu trabalho, chamou a atenção para o fato de que sua teoria não era capaz de explicar o todo, mas sim parte da evolução das espécies, e afirmou em seu livro que "a origem da vida foi planejada primitivamente por um criador".
Portanto, o criacionismo, no qual tudo deriva de Deus, é perfeitamente compatível com o evolucionismo, pois tudo na vida é de constante transformação. Assim, com toda razão podemos concluir que Charles Darwin, acusado injustamente de ser "assassino" de Deus e de ter "criado" o homem, indiscutivelmente é, na verdade, um grande revelador das sábias Leis do Criador.


BIBLIOGRAFIA

¹ THOMAS, Henry. A História da Raça Humana. 9.ed. São Paulo: Ed. Globo.

² SOUZA, Hebe Laghi de. Darwin e Kardec: Um Diálogo Possível. Campinas: Centro Espírita "Allan Kardec" - Departamento Editorial, 2002.

³ KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: CELD, 2003.

Publicado no Jornal Correio Espírita Setembro - 2008 - edição 39


endereço: http://www.correioespirita.org.br/

imagem: ccepa.blogspot.com


8 comentários:

ValériaC disse...

Jorge querido, muito legal este texto...creio que nada como o tempo e mais e mais estudos, para que a ciência e espiritualidade caminhem juntas. Realmente precisamos aprender muito mais sobre as Leis do Criador.

Beijos pra ti anjo amigo...
Valéria

Jr disse...

Ótima postagem!

Não consigo imaginar a origem da especie humana a partir de um barro! Mas respeito quem acredita.

Gosto de como é feita suas postagens, sempre baseadas na ciência e no Espiritismo!

Parabens pelo blog!

WEBSITE: http://websitenovaera.blogspot.com/

TWITTER: http://twitter.com/junior_gothic

PERGUNTE-ME: http://www.formspring.me/JuniorGothic

Uman disse...

ValeriaC

realmente chegará num ponto que a ciência e a religião caminharão de mãos dadas. Até lá, é continuar estudando e colocando em prática o que se sabe.

Anjo, beijo, de coração,
Jorge

Uman disse...

Jr

também concordo.

E obrigado pela sua visita aqui. Volte sempre!!!

Abraços,
Jorge

Jeanne disse...

Que legal, não sabia que Darwin (está certo?) tinha falado sobre um "criador".
Aprendi mais um pouco por aqui hoje.
Beijos

Uman disse...

Jeanne,

Pois é.

Um beijo, Anjo!!

Jorge

Marcia disse...

Fui átomo, vibrando entre as forças do espaço
Devorando amplidões, e longa e ansiosa espera...
Partícula, pousei... Encarcerado eu era
Infusório do mar em montões de sargaço.

Por, séculos fui planta em movimento escasso,
Sofri no inverno rude e amei na primavera;
Depois fui animal, e no instinto da fera
Achei a inteligência e avancei passo a passo...

Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,
Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,
A lutar e chorar para, então, compreendê-las!...

Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,
Vivo de corpo em corpo a forjar o destino
Que me leve a transpor o clarão das estrelas!...

(ADELINO DA FONTOURA CHAVES)
Beijos com carinho e um lindo fim de semana.

Uman disse...

Márcia, doce amiga,

poema evolutivo. Muito interessante!!!
Em resumo, é isso, não é?

Beijo, com carinho
Jorge

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails