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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

POR QUE AS CRIANÇAS SE SUICIDAM?


Parte I

"A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que 'não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofri- mentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos Indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas." Allan Kardec ("O Livro dos Espíritos", comentário à resposta da questão 957).

No dia 12 de maio de 1979 o jornal "O Globo" reuniu alguns profissionais para debater o suicídio e suas razões. A reportagem intitulada "Suicídio - uma doença social de multas causas" merece ser lida porque é matéria que nos permite inúmeras reflexões. Nela podemos observar que no Rio de Janeiro os telefones do Centro de Valorização da Vida recebem cerca de 100 ligações por dia e que em São Paulo há 30 tentativas de suicídio por dia, das quais três são fatais.

Estatística sobre o Rio de Janeiro não é mencionada. Estes números chamam a atenção de qualquer pessoa, principalmente daquelas que ou- viram Allan Kardec solicitar esclarecimentos sobre quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o estado do Espírito na questão n° 957 de "O Livro dos Espíritos". Observamos lá que as conseqüências do suicídio são muito diversas mas que urna conseqüência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento.

Os telefones 248-7171 (durante 24 horas) e 221-7723 (horário comercial) são atendidos por voluntários que basicamente apenas ouvem os desabafos dos que estão sob tensão e prontos para cometer o suicídio. Pessoas generosas diplomacias apenas em "ciência de saber escutar", ouvir pacientemente e, quando necessário, emitir alguns conselhos. Segundo Informação do engenheiro Normando Meio de Oliveira Dias, presidente da Sociedade Beneficente Vigília da Amizade, durante as festas de Natal, carnaval e feriados a procura é muito mais Intensa, pois as pessoas sentem-se mais sós, mais deprimidas. Outra observação feita é que durante a novela "Dancing Days", na TV Globo, quase ninguém ligava. Por isso foi considerada uma boa amiga do Centro de Valorização da Vida, uma vez que estende sua programação até de madrugada, prendendo e mantendo a pessoa ligada.

Comenta ainda o engenheiro que em São Paulo, onde o hábito de se fazer o lazer é diferente do realizado no Rio, as pessoas potencialmente estão mais protegidas, menos vulneráveis, pois lá o sen- tido de família está sempre mais presente.

A tentativa de suicídio pode ser interpretada como unia conduta destinada a produzir modificações no ambiente familiar da pessoa que executa a tentativa. Quando, na realidade, ocorre indiferença, as tentativas têm possibilidades cada vez maiores de atingir a auto-eliminação. É pertinente lembrar que a Doutrina Espírita chama atenção para o problema da indiferença humana mostrando em "O Evangelho segundo o Espiritismo" que o homem de bem (capítulo XVII) possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seu interesse à Justiça. E encontra satisfação nos benefícios que derrama, nos serviços que presta, nas lágrimas que seca, nas consolações que dá aos aflitos. Reconhecendo-se com relativa facilidade aqueles que realmente podem ser considerados como espíritas verdadeiros pela transformação moral que se lhes operou no âmago do ser, e também pelos esforços que empreendem no sentido de domar, de dominar, de vencer suas inclinações más. O verdadeiro espirita não pode ser indiferente à. dor humana. Essa indiferença geradora de problemas diversos e que foi recentemente apontada pelos alunos de uma grande Universidade brasileira, em "enquête" elaborada pelo Serviço de Orientação ao - Universitário, como uma das maiores limitações do Professor Universitário. Como se pode observar não basta o alta saber intelectual e se o desejo é de vôo mais alto é necessário lembrar que o Espírito de Verdade ensinou "ama-vos e Instrui-vos" e o verbo instruir vem em segundo lugar.

Como não se pode falar do tema em questão sem lembrar o Sociólogo Êmile Durkheim, a Professora Silvia Regina Pantoja, socióloga, comenta suas conclusões que são indispensáveis. Durkheim assevera que existem homens capazes de resistir a desgraças horríveis enquanto outros se suicidam depois de aborrecimentos ligeiros. Seria importante investigar a causa desta resistência diversa e o que contribui para essa estrutura maior ou menor. Interessante anotar que é nas épocas em que a vida é menos dura que as pessoas a abandonam com mais facilidade, o que fez o psiquiatra Miguel Chalub, outro entrevistado por "O Globo", lembrar que em situações altamente dramáticas, como nos campos de concentração, o número de suicídios é bem pequeno, o que nos faz concluir que o amor à vida a tudo supera. Analisando diversos fatores, Durkheim assevera que a taxa social dos suicídios só se pode explicar sociologicamente. É a constituição moral da sociedade que fixa em cada instante o contingente dos mortos voluntários. Os movimentos que o paciente executa e que à primeira vista parecem representar exclusivamente o seu temperamento pessoal constituem, na realidade, a continuação e o prolongamento de um estado social que manifestam exteriormente. A Socióloga Sílvia Regina Pantoja nesta oportunidade comentou que Durkheim fez uma análise do suicídio procurando desvencilhar-se de todo tipo de proposta que reúne como causas do suicídio fatores puramente extra-sociais, ou seja, aqueles que repousam na constituição orgânica e psíquica dos indivíduos ou nas condições naturais e físicas do meio ambiente. Assim é que Durkheim abandona as formas como se apresenta o suicídio nos sujeitos particulares para buscar suas causas a partir do estado dos diferentes meios sociais: família, grupos profissionais, confissão religiosa, sociedade política, etc... E, como medida metodológica, se volta depois aos indivíduos para explicar como aquelas causas gerais se individualizaram para produzir os efeitos suicidas. Ao verificar a relação entre a freqüência de suicídios e a confissão religiosa, por exemplo, constata que ela é maior entre os protestantes do que entre os católicos e judeus. Por que no catolicismo e no judaísmo os crentes estão mais preservados da autodestruição? Isto não ocorre pela natureza dos argumentos religiosos, mas pela existência de um certo número de credos e práticas comuns, tradicionais e obrigatórios a todos os adeptos que levam à constituição de uma sociedade. Conclui o pesquisador que quanto mais estes estados coletivos são numerosos e fortes, tanto mais a comunidade religiosa está fortemente integrada; tanto mais, também, é dotada de virtude preservadora. Mais uma vez pode-se observar que o esforço que é feito por grande parte dos espiritistas no Brasil no sentida de unidade, além de ser o caminho adequado é antes de mais nada uma necessidade. Observa-se que a única imposição é que não haja imposição, mas apela-se para a unificação. É pertinente lembrar que no livro "Obras Póstumas" (Allan Kardec) encontramos que o Espiritismo é uma doutrina filosófica, que tem conseqüências religiosas, como toda filosofia espiritualista; pelo que toca forçosamente nas bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a vida futura. Não é ele, porém, uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templo, e, entre os seus adeptos, nenhum tomou nem recebeu o título de sacerdote ou papa. Há uma autoridade coletiva, onde cada qual dispõe de seu voto e que nada podem sem o concurso uns dos outros. Mas todos estão de acordo acerca de princípios fundamentais, condição absoluta para sua admissão e para a de todos os co-participantes da direção. Comenta Kardec que esta autoridade deverá ser, em matéria de Espiritismo, o que é urna academia em matéria de ciência.

Quanto mais integrados os espiritistas mais fortalecida a causa que procura possibilitar maiores oportunidades de o Indivíduo modificar o seu comportamento e chegar à harmonia com a sociedade e consigo mesmo. "O Livro dos Espíritos" - Filosofia Espiritualista -, contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e a futura da Humanidade. Seu codificador Allan Kardec assevera ("Obras Póstumas") que é um dever gravar esta crença no espírito das massas e é um fato que essa crença é inata, pois todas as religiões a proclamam. Indaga Kardec por que então não tem dado até hoje os resultados que se deviam esperar? É que, em geral, tem sido apresentada em condições, que a razão não pode aceitar. Para que a doutrina da vida futura produza, de agora em diante, os frutos que podemos esperar, é preciso, antes de tudo, que satisfaça completamente à, razão e à, idéia que formamos da sabedoria, da justiça e da bondade de Deus; que não possa ser desmentida pela ciência; não deixe no espírito nem a dúvida, nem a incerteza; que a vida futura seja tão positiva como a presente, de que é a continuação, corno o dia seguinte o é da véspera. Na reportagem de "O Globo" o médico Fernando Marques dos Reis ensina que há vários suicídios históricos na política de Roma, lembrando o de Bruto, como está no "Júlio César", de Shakespeare, e chega até nós com Camillo Castelo Branco, Santos Dumont e Getúlio Vargas. Mas o grande interesse do tema, recorda o médico, está em que o suicida é, antes de tudo, o deprimido, e, como diz o Dr. Paul Lüth, estudioso de história da Medicina, "a depressão é a doença da época". Na Alemanha Ocidental, que tem 60 milhões de habitantes, suicidam-se em média 38 pessoas por semana, ou seja, cerca de 14 mil por ano. A Organização Mundial de Saúde estima em 150 milhões os deprimidos do mundo. Merece registro, como é comentado em "O Globo", que entre os mais acometidos, nesse capítulo das depressões, se acham os pastores e os psiquiatras, entre os quais as cifras de suicídio são oito vezes maiores do que no resto da população. Estas cifras parecem indicar que, em termos bem realistas, "ninguém salva ninguém e que as religiões salvadoras não se salvaram sequer".

Pode-se falar em três tipos de suicídio, segundo a visão de Durkheim. o egoísta, o altruísta e o anômico. O egoísta é aquele que resultaria de uma individuação excessiva nas sociedades onde a moral se esforça para Incutir no indivíduo a idéia de seu grande valor, fazendo que sua personalidade se sobreponha à coletiva. Deve acompanhar o processo outro constituinte que é a vaidade que na linguagem da moda seria a "inflação" da personalidade. O egoísmo é tema estudado nas obras básicas da Doutrina Espírita em diversas oportunidades, basta ver o índice analítico dessas obras. Assim Emmanuel no capitulo XI de "O Evangelho segundo o Espiritismo" ensina que o egoísmo é a chaga da Humanidade. Comenta o Instrutor que é o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem. Coragem porque é preciso mais coragem para vencer, a si mesmo do que para vencer os outros. Conclama que cada um, pois, coloque todos os seus cuidados para combatê-lo em si, porque esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias deste mundo. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à. felicidade dos homens. Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos" apresenta-nos diversas reflexões: como destruí-lo, como obstáculo ao progresso moral, corno verdadeira chaga da sociedade. Relaciona o egoísmo à perda de pessoas amadas, à vida de Isolamento, às desigualdades sociais, às ingratidões, ao problema da fome e aos laços de família.

A visão de Durkheim nos mostra outro tipo de suicídio - o altruísta -, praticado nos meios onde o indivíduo deve abrir mão de sua personalidade e ter espírito de abnegação e entrega de si às causas coletivas. Por exemplo, o espírito militar, que exige que o indivíduo esteja desinteressado de si mesmo em função da defesa patriótica. Nesse particular a questão no 951 de "O Livro dos Espíritos" comenta que todo sacrifício feito à custa de sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade. Ora, a vida sendo o bem terrestre ao qual o homem atribui maior valor, aquele que a renuncia para o bem de seus semelhantes não comete um atentado: ele faz um sacrifício, Mas, antes de o cumprir, ele deve refletir se sua vida não pode ser mais útil que sua morte. Não devemos deixar de enfatizar que André Luiz, no livro "Con- duta Espírita", recomenda que o ser humano, no trabalho, deve situar em posições distintas as próprias tarefas diante da família e da profissão, da Doutrina que abraça e da coletividade a que deve servir, atendendo a todas as obrigações com o necessário equilíbrio, porque o dever, lealmente cum- prido, mantém a saúde da consciência.

Finalmente, o terceiro tipo de suicídio - o anômico -, que vem de ocorrer nos meios onde o progresso é e tem que ser rápido, levando a ambições e desejos ilimitados, O dever de progredir tira do homem a capacidade de viver dentro de situações limitadas, tira-lhe a capacidade de resignação e, por conseqüência, tem-se o aumento dos descontentes e irrequietos. Nesse particular a doutrina espírita não poderia omitir-se e em diversas oportu- nidades as suas obras básicas discutem o problema da resignação humana. Gostaríamos de lembrar apenas que no livro "Vinha de Luz", de Emmanuel, este abnegado Instrutor mais uma vez leciona com propriedade invulgar. "Jesus forneceu padrões educativos em todas as particularidades da sua passagem pelo mundo. O Evangelho no-lo apresenta nos mais diversos quadros, junto ao trabalho, à simplicidade, ao pecado, à pobreza, à alegria, à, dor, à glorificação e ao martírio. Sua atitude, em cada posição da vida, assinalou um traço novo de conduta para os aprendizes." Assinala Emmanuel que "as marcas do Cristo não são apenas as da cruz, mas também as de sua atividade na experiência comum", recordando que "a marca do Cristo é, fundamentalmente, aquela do sacrifício de si mesmo para o bem de todos". "Todas as realizações humanas possuem marca própria. Casas, livros, artigos, medicamentos, tudo exibe um sinal de Identificação aos olhos atentos. Se medida semelhante é aproveitada na lei de uso dos objetos transitórios, não se poderia subtrair o mesmo principio, na catalogação de tudo o que se refira à vida eterna. Jesus possui Igualmente os sinais dele." Não seria a resignação um deles?

Durkheim acredita que somente o Estado poderia intervir, o único capaz de reconstituir as relações indivíduo-sociedade. Nem mesmo a família, a religião podem fazê-lo. Para a socióloga Sílvia Regina Pantoja, somente o Estado que olhasse para os grupos profissionais, e não aquele que privilegiasse a ênfase econômica. Aqui nos lembramos do capitulo "As aristocracias" - do livro "Obras Póstumas".

Em nenhum tempo ou nação, os povos dispensaram chefes, ainda mesmo no estado de selvageria. É assim porque, em razão da diversidade de aptidões e de caracteres, que se dão na espécie humana, há sempre incapazes que precisam ser dirigidos, fracos que reclamam proteção, paixões a combater: dai a necessidade de uma autoridade. Sabemos que nas sociedades primitivas a autoridade foi conferida aos chefes de família, aos anciãos, aos velhos, aos patriarcas. A força bruta a segunda aristocracia. Em seguida aaristocracia do nascimento. Elevou-se novo poder - o do ouro que foi seguido de outra mais justa - a da Inteligência. Entretanto o homem mais inteligente pode fazer mau uso das faculdades. Por outro lado, a simples moralidade pode não ter capacidade. É, pois, necessária a união da inteligência e da moralidade para haver legítima preponderância, a que a massa se submeterá, confiada em suas luzes e justiça. Será esta a última aristocracia, durável porque será animada por sentimentos de justiça e caridade. Supremacia que Allan Kardec chamou de aristocracia intelecto-moral. É por isso que a Doutrina Espírita, que em 1857. Inaugurou a era do espírito imortal, afirma que é pela educação, mais ainda do que pela instrução, que se transformará a Humanidade. O homem, que trabalha seriamente em seu melhoramento, assegura sua felicidade desde esta vida, além da satisfação da sua consciência; está livre das misérias materiais e morais, que são as conseqüências forçadas de suas imperfeições; terá calma, porque as vicissitudes não o afetarão senão de leve; terá saúde, por- que não esgotará o corpo com excessos; será rico, porque o é quem se satisfaz com o necessário; terá a paz da alma, porque não terá necessidades impossíveis; não será atormentado pela sede de honras e do supérfluo, pela febre de ambição, da inveja e do ciúme. Nós relembramos - não se suicidará.

O Psiquiatra Miguel Chalub, em "O Globo", chama a atenção para o perfil do suicida: homem, com mais de 55 anos, morador de grandes cidades, AGNÓSTICO (Agnosticismo - doutrina que afirma a impossibilidade do espírito humano de conhecer as realidades que transcendem o mundo sensível ou natural), socialmente isolado, fisicamente doente, sem antecedentes psiquiátricos e alcoólatra moderado. O perfil dos que tentam o suicídio: mulher, jovem, de boa saúde corporal, em situação de conflito evidente com o grupo familiar ou social mais imediato. As estatísticas sobre suicídio demonstram claramente que se associam positivamente ao suicídio em ordem decrescente de importância e significação as pessoas na seguinte situação: sexo masculino, idade avançada, viuvez, celibato ou divórcio, ausência de prole, residente em grande cidade, alto padrão de vida, crise econômica, consumo de álcool e droga, lar desfeito na infância e doença mental ou física. Inversamente, isto é, associam-se negativamente ao suicídio: sexo feminino, juventude, baixa densidade populacional, religião, casamento, prole numerosa, baixo padrão de vida e situação de guerra.

Ainda, o Psiquiatra Miguel Chalub acentua que o suicida não quer matar a si próprio mas alguma coisa que carrega dentro de si e que sinteticamente pode ser: a) sentimento de culpa e b) a vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim "o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda profundamente". O Psicólogo Adler e o Psicanalista Ralph fizeram comentários muito pertinentes quando disseram que todos os fracassados: neuróticos, psicóticos, criminosos, bêbados, crianças-problema, SUICIDAS, pervertidos e prostitutas dão à vida um sentido privado. Aninhado nas raízes inconscientes está sempre o grande fator que influencia a conduta consciente - o egoísmo. Um fator a mais está sempre presente, a obsessão, a influência. maléfica, intencional ou inconsciente, exercida por Espíritos Imperfeitos sobre a Humanidade encarnada, de modo prolongado. Nesse particular a Doutrina Espírita lança luz sobre o problema e a Psiquiatria parece receber essa contribuição, como se pode perceber consultando-se o "Reformador" ano 99, mês de janeiro de 1981. Na página 16 vamos encontrar o "Modelo terapêutico psiquiátrico-espírita" que o Professor Pedro de Oliveira Mundim apresentou em Mesa-Redonda no I Forum Brasileiro de Medicina da Pessoa, Presidente Prudente, São Paulo, em 18-10-1980. Assim, a obsessão pode- ria ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, graças à presença perturbadora de um ser espiritual. Vale a pena ler a descrição feita por Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", capítulo 23.

Pergunta que nos assalta é como se sente o suicida após a desencarnação. Diversas são as obras que comentam o assunto, assim temos como exem- plo "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", de Yvonne A. Pereira. Por outro lado não podemos esquecer que Allan Kardec, no livro "O Céu e o Inferno" ou "A Justiça Divina segundo o Espiritismo", deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à, vida espiritual e especificamente no capítulo V da segunda parte, onde cuida dos suicidas.

Parece interessante resumir que após a desencarnação, não há tribunal nem juízes para condenar o espírito, ainda que seja o mais culpado. Fica ele simplesmente diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais.

Parte II

Pelo exposto podemos verificar que parece raro o encontro de suicídio em crianças. Mas ele existe? Como a criança encara o problema da morte?

Entramos num terreno que se me parece extremamente complexo e o melhor é deixar o especialista, o mestre no assunto, assumir as rédeas do pensamento. Sem sombra de dúvidas é o psicólogo o mais capacitado para esclarecer nossas dúvidas e à Psicologia Infantil está reservado importante papel no futuro da: Humanidade e é por isso que ela funciona como cadeira básica de qualquer Faculdade de Educação.

Artigo, recentemente publicado pela Psicóloga Wilma da Costa Torres, Professora Assistente do Instituto de Psicologia da UFRJ, destaca a abordagem desenvolvimentista da compreensão da morte pela criança. Apresenta e discute os resultados de pesquisas realizadas para Investigar a Influência de fatores maturacionais, cognitivos, sociais e afetivos nas etapas de conceituação da morte. Seu título - "O tema da morte na psicologia Infantil: uma revisão da literatura" - demonstra que, dentro do nossa espaço disponível, não poderemos explorá-lo adequadamente. Entretanto, é parte extraída dos capítulos 2 e 5 da tese "O conceito de morte em diferentes níveis de desenvolvimento cognitivo: uma abordagem preliminar, apresentada para a obtenção do grau de mestre em Psicologia Aplicada e merece portanto mais tarde ser examinado com carinho. Por ora achamos pertinente anotar algumas conclusões. A primeira, que é apoiada em autores estrangeiros, é que "as diferenças de nível sócio-econômico têm grande importância na aquisição do conceito de morte. Segundo resultados encontrados pelos autores estrangeiros, as crianças urbanas de nível sócio-econômico mais baixo adquirem conhecimentos conceituais acerca da morte mais rapidamente do que as da classe média. O estudo da psicóloga brasileira representa o ponto de partida para a instalação da área de investigação em Tanatologia (*) no Brasil. A equipe de que faz parte prossegue na realização de uma série de investigações visando, através da obtenção de dados extraídos da realidade brasileira, prover psicólogos da área clínica, do desenvolvimento e da educação, de embasamentos teórico-práticos para a abordagem adequada do tema da morte com a criança.

Sumariando de forma muito imperfeita o assunto poderíamos dizer que a pesquisa clássica publicada sobre o assunto tinha uma casuística de 378 criança húngaras e para examinar como as crianças conceituam e lidam com a morte nas várias idades. Interpretava as idéias de morte expressas pelas crianças através de palavras ou desenhos. O autor encontrou evidências para a existência de três etapas diversas. Até 5 anos, não há noção de morte definitiva, a criança não reconhece que a morte envolve total cessação da vida e não compreende a não reversibilidade da morte. A segunda (entre 5 e 9 anos), caracteriza-se por uma forte tendência a personificar a morte. É compreendida como irreversível, porém não como Inevitável. Somente na terceira etapa (9 e 10 anos), a criança reconhece a morte como cessação elas atividades do corpo e como inevitável. E, somente na adolescência, estes são verdadeiramente capazes de apreenderem o conceito de morte bem como o significado da vida.

Trabalhos posteriores trouxeram novas divisões segundo a faixa etária e um autor de língua inglesa coloca crianças entre 9 e 10 anos numa terceira fase, onde a morte é definitiva, mas a morte funciona biologicamente, acreditando que podem ver, ouvir ou sentir. Na quarta categoria (entre 6 e 12 anos), a morte é definitiva e implica a cessação de todas as funções biológicas; as crianças classificadas nesta categoria expressam conceitos realistas sobre a morte. Assim, é possível entre 5 e 12 anos perceber a morte como final e irreversível.

Muito interessante as conclusões de Gessei e colaboradores que descrevem as crianças de 10 anos como mais positivas e práticas na abordagem da morte. Sabem que depois da morte, com o tempo, o corpo se desintegra ou se mumifica, mas não dedicam maior reflexão a este assunto. Aos 11 anos "teorizam" sobre o que sucede depois da morte. Aos 12 anos revelam preocupação sobre a natureza da outra vida. Aos 13 anos a especulação cresce, mas a sua morte é vista como distante de um futuro imediato. Aos 14 anos, unia das tendências mais fortes é a de assinalar a inevitabilidade da morte, o que, entretanto, é acompanhada de uma aceitação positiva; nesta fase a vida é mais importante que a morte e as crianças revelam o desejo de viver uma vida plena antes de morrer.

Noutro trabalho, de não menos importância, realizado com crianças inglesas podem identificar-se5 (cinco) categorias para o significado da morte. O nível mais baixo, categoria A - revela ignorância completa, B - algum grau de compreensão, C - compreensão (define morto como negação de vivo), D - compreensão dos aspectos mais abstratos, E (nível mais alto) - compreensão dos aspectos lógicos ou biológicos da morte. A idade de 7 e 8 anos aparece, nessa investigação, como um marco de mudança (categoria C). A idade média das crianças na categoria B foi de 5 anos e meio, e, a assimilação completa (nível E) só surgiu em torno dos 12 anos.

Piaget considera que a partir do momento em que a criança se torna consciente da diferença entre vida e morte, a idéia de morte incentiva a curiosidade da criança, pois, se tudo é acasalado a um motivo, a morte exige uma explicação especial. Sylvia Anthony, aprofundando as considerações de Piaget, assevera que ao estabelecer a relação entre morte e Humanidade como uma categoria na qual ela própria está logicamente Incluída, atinge o máximo de desenvolvimento.

No Brasil, Rio de Janeiro, a Psicóloga Wilma Torres e colaboradores examinaram 183 crianças entre 4 e 13 anos de idade e seus resultados pare- cem confirmar e ampliar os de pesquisadores estrangeiros. Permitiram, seus resultados, identificar três níveis do conceito de morte descritivos do pensamento das crianças dos diferentes períodos de desenvolvimento cognitivo. No nível 1, característico do subperíodo pré-operacional, atribuem vida ao morto. No nível 2, característico do sub-período operacional concreto, já compreendem a morte como definitiva e no nível 3, característico do período formal, reconhecem a morte como processo interno, implicando a cessação da vida do corpo.

É pertinente relembrar que as crianças urbanas de nível sócio-econômico mais baixo adquirem conhecimentos conceituais acerca da morte mais rapidamente do que as da classe média.

Gostaríamos de perguntar se esta mesma criança é a que procura o suicídio. Quais as causas? Talvez aqui devêssemos procurar um Professor Titular de Pediatria de uma Faculdade de Medicina, no Brasil. O "Jornal de Pediatria", em seu volume 43 em 1977, publicou trabalho do Professor Samuel Schvartsman. Na sua casuística e métodos observamos que foram estudados 21 casos de tentativas de suicídio em crianças de 9 a 14 anos de idade, por ingestão de produtos químicos. Após o atendimento médico eram feitos um estudo das condições e circunstâncias sócio-familiares do paciente, que pudessem estar relacionadas direta ou indiretamente com o evento, e uma análise dos fatores que pudessem permitir a distinção entre a encenação suicida e a verdadeira tentativa de suicídio. Este trabalho se reveste de grande importância para diversos profissionais uma vez que as tentativas de suicídio representam atualmente urna situação preocupante nas estatísticas de morbidade e mortalidade. Nos Estados Unidos - cita como exemplo o pediatra de São Paulo - o suicídio é considerado como a 4a causa mais freqüente de óbitos entre os adolescentes.

O trabalho brasileiro examina os principais dados relativos ao paciente e suas condições sócio-familiares: nome, idade, sexo, cor, maturidade, local do acidente, escolaridade, profissão do pai e da mãe, número de irmãos, tentativas anteriores, comunicação do intento, comunicação com outros, planejamento, objetivo primordial, ambiente reativo, repetição se possível, perfil psicológico e religião.

Vamos começar pelo fim apenas porque no trabalho original o autor não o discute. Foram encontradas 9 crianças católicas, 2 adventistas, 2 crentes e em 8 oportunidades não se pôde determinar a religião. Estes resultados estão em aparente contradição aos referidos anteriormente onde discutimos a prevalência maior entre os protestantes, embora aqueles dados tenham sido retirados de casos de suicídio entre adultos. Por outro lado merece investigação o fato de em 8 oportunidades não ter sido possível definir a religião do paciente ou de seu grupo familiar, uma vez que os sociólogos afirmam que tanto mais a comunidade religiosa está fortemente integrada, tanto mais, também, está dotada de virtude preservadora.

O perfil psicológico das crianças revela na grande maioria - INSEGURANÇA. O objetivo primordial - a MORTE. A maioria repetiria a tentativa, embora esta não tenha sido planejada. Não comunicaram o intento, o ambiente não era reativo, não houve tentativas anteriores e o local principal foi o quarto. Dentre os fatores sócio-familiares relacionados de algum modo com a tentativa e as circunstâncias que poderiam ser consideradas como precipitantes, destacam-se o alcoolismo dos pais em 6 oportunidades, o seu mau relacionamento em 5 e sua ausência em 3. A circunstância mais relacionada como precipitante foi a desavença familiar. Os autores discutem a infreqüência de suicídios em crianças com menos de 14 anos de idade em outras localidades, achando de difícil explicação o fato de 19 (90,5%) das crianças em São Paulo estarem entre 9 e 12 anos. Admitem os pesquisadores brasileiros que a intensidade e persistência de condições sócio-familiares desfavoráveis geraram uma precocidade do amadurecimento no sentido depressivo ou da necessidade de atenção ou afeto. Na amostragem cerca de 62% das mães (13 casos) tinham atividades profissionais diurnas fora de casa e, usualmente, seus filhos menores ficavam apenas sob vigilância do mais velho. Ressaltam os autores que existe a possibilidade de amostragem falseada, uma vez que em famílias de nível sócio-econômico superior estes casos são geralmente, e na medida do possível, pouco divulgados ou diagnosticados de maneira confusa ou inadequada. Ao contrário do que pudemos observar em adultos, em outros trabalhos, houve preponderância do sexo feminino. Aqui merece atenção a observação de que se precocemente reconhecidos pela família ou diagnosticados pelo pediatra é possível alterar evidentemente a seqüência de eventos. São os seguintes: tédio, inquietude, fadiga, preocupação corporal, dificuldades de concentração, dificuldades escolares e comportamento agressivo. Conclusão que parece discutível é a do fato de a criança não procurar a morte como diz fazê-lo. O que se reflete na dificuldade em definir ou caracterizá-la, o que não ocorreria com o adulto.

Como tentativas de suicídio são relacionadas a certos tipos de estruturas familiares e condições ambientais, que, em geral os pais ou parentes são hostis à criança ou entre si, sua finalidade seria a modificação destas situações. O suicida visa não apenas recuperar o objeto perdido, como recuperar o afeto e a atenção das pessoas significativas de seu meio ambiente. A procura de afeto é também, de certa forma, enfatizada pela freqüência relativamente pequena de tentativas de suicídio no filho único, possivelmente porque a capacidade afetiva dos pais seja suficientemente grande para compensar outras dificuldades. Dos casos estudados pelos autores brasileiros apenas um era filho único, enquanto 14 tinham de 4 a 8 irmãos.

O espiritista não pode ficar indiferente a essa problemática. No momento em que temos uma Campanha Permanente de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil é necessário que debates sobre problemas diversos da criança sejam realizados de forma a que possamos melhor adequar essa atividade pedagógica. Muito se poderá fazer, entretanto, nessa hora de decisão "é impraticável" o aprimoramento das almas sem educação, e educação exige legiões de cooperadores. Esquecer a infância e a juventude será desprezar o futuro". É por isso que Bezerra de Menezes ("Reformador" - junho/1978) afirma que "ninguém pode empreender tarefas nobilitantes, com as vistas voltadas para a Era Melhor da Humanidade, sem vigoroso empenho de educação evangélica da criança". E Francisco Spineli, no livro "Crestomatia da Imortalidade", assevera que a criança ainda é o sorriso do futuro na face do presente. Evangelizá-la é, pois, espiritualizar o porvir, legando-lhe a lição clara e pura do ensinamento cristão, a fim de que, verdadeiramente, viva o Cristo nas gerações de amanhã. Evangelizá-la de modo que a sua fé, a fé raciocinada, possa apoiar-se nos fatos e na lógica, sem deixar nenhuma obscuridade. Só dessa forma a criatura terá certeza. E ninguém terá certeza se não atingir, pelo menos, o 2.0 nível da taxonomia dos objetivos educacionais segundo Bloom. Porque "a fé necessita de uma base, base que é a Inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E para crer não basta ver, é preciso, sobretudo compreender". Os estudos realizados, pelos pesquisadores das causas do suicídio adulto e infantil, revelam a propriedade e atualidade das palavras de Marta da Anunciação (Depoimentos Vivos):

"Acima de todas as coisas, o amor que observa e corrige, que acompanha e educa, que disciplina e consola, porquanto, sem dúvida alguma, não há método pedagógico de educação melhor do que o AMOR honrado, constante e firme."

Luiz Carlos D. Formiga


Textos correlatos podem ser encontrados em artigos do NEURJ
Referencias Bibliográficas
Evangelização. Apostila do Departamento de Infância. Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro, RJ, 1979.
Kardec, A. O Livro dos Espíritos, 54a ed. FEB, RJ, 1981.
Kardec, A. O Livro dos Médiuns, 44a, ed. FEB, RJ, 1981.
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Kardec, A. O Céu e o Inferno, 26a ed. FEB, RJ, 1979.
Schwartsmam, S.; Fonseca, M.E.Q.; Manissadjian, A. & Unti, M. Aspectos médico-sociais das tentativas de suicídio de crianças por ingestão de produtos químicos, J. Ped., 43: 152-156, 1977.
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Mundim, P. O Modelo Terapéutico psiquiátrico-Espírita, Reformador, 1.822 (janeiro): 16-21, 1981
Torres, W.C. O tema da morte na psicologia lnfantil: uma revisão da literatura,Arq. Bras. Psic., 32: 59-71, 1980. (Tese de Mestrado)
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Reformador, 99(1833): 387-392, dezembro, 1981
Republicado no Jornal espírita (SP), novembro, 1984,
com o título: por que as crianças se suicidam?


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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VACINAÇÃO, DESAFIO DE URGÊNCIA


Luiz Carlos D. Formiga

No estado atual da sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?

(... ) Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas."

(O Livro dos Espíritos, Alian Kardec, questão 796)

Foi um ano histórico para a ciência biomédica aquele de 1890. No Instituto Robert Koch, de Berlim, Von Behring e Kitasato apararam a Imunologia no seu nascimento. Demonstraram esses pesquisadores que no soro sangüíneo de animais inoculados com o microrganismo causador da difteria (crupe) havia a presença de substâncias ou fatores antibacterianos.

Naquela época era a difteria uma doença que se apresentava, no mundo, com alta taxa de mortalidade infantil. No período de 1883-84 Klebs e Löeffler conseguiram demonstrar que aquela doença, que se apresentava inicialmente como uma dor de garganta levando à prostração severa, era causada por um micróbio (bacilo diftérico).

Quatro anos depois Roux e Yersin demonstraram que aquele quadro era principalmente produzido pela distribuição sangüínea de forte veneno (exotoxina). E em 1890 esses missionários da ciência conseguiram demonstrar no soro de animais de laboratório a presença de um fator capaz de neutralizar os efeitos do tóxico microbiano. Nascia assim a era da soroterapia, que abriria novas perspectivas no campo da medicina curativa. Não ficam aí os trabalhos dos abnegados pesquisadores da ciência médica. Contribuição maior vem de Ramon que, trinta anos depois, preocupado talvez com os efeitos colaterais que o tratamento pelo soro acarretava, embrenha-se pelos caminhos, nem sempre tranqüilos, da medicina preventiva. Ramon em 1923 apresenta à sociedade biomédica uma descoberta que iria revolucionar o então "status quo" no campo das doenças humanas transmissíveis. Apresenta-nos um derivativo do veneno bacteriano que, conservando suas características antigênicas, isto é, sendo capaz de estimular o organismo a produzir suas próprias defesas, seus antídotos, perdera sua capacidade tóxica ou venenosa. Nascia assim a Imunologia para a Ciência e com ela a vacinação infantil.

Estabelecer um serviço de imunização infantil eficaz e permanente é, para qualquer país, dar um passo adiante no sentido do desenvolvimento social e econômico. Entretanto, para se estabelecer este serviço é necessário trilhar caminhos cheios de percalços, uma vez que: 1) os serviços de saúde não estão vinculados às mães para poder administrar às crianças a vacina de que necessitam na idade apropriada; 2) as necessidades técnicas de um Programa Nacional de Vacinação exigem conhecimentos técnicos no planejamento, na administração e uma supervisão prática dos serviços;

3) a fabricação, estocagem e aplicação são extremamente dispendiosas. Entretanto, muito se pode fazer, melhorando os sistemas de atenção à saúde para levar às crianças e às mães a imunização; melhorando-se os sistemas para atender a população rural e setores da população urbana que disponham de menos recursos. A colaboração de uma população bem informada, a obtenção de fundos e o fortalecimento efetivo dos serviços básicos de saúde são objetivos difíceis mas acessíveis.

Não podemos esquecer que a vacina não precisa ser inventada. É uma técnica relativamente antiga e efetiva.

Os resultados que parecem grotescos é que apesar da revolução tecnológica registrada nos meios de comunicação social (a televisão, o rádio, os documentos cinematográficos, as revistas ilustradas) sigamos ignorando a possibilidade de evitar tantas mortes. Milhões de crianças sobrevivem a infecções evitáveis com a vacinação, porém arrastam para o resto de suas vidas trágicas seqüelas: lesões cerebrais, paralisias, atraso do crescimento, enfermidades pulmonares crônicas, cegueira, surdez, etc.

Nos países desenvolvidos 80% das crianças estão imunizadas contra as enfermidades mais mortíferas da infância: difteria, coqueluche, tétano, poliomielite e sarampo.

O sarampo, muito mais contagioso do que a varíola, é grave problema de saúde pública, entretanto, basta uma dose da vacina de vírus vivo para obter-se um grau de proteção de 95% por espaço mínimo de 4-5 anos, e provavelmente durante toda a vida da pessoa vacinada.

*

Mas se o ano de 1890 é um marco na história da saúde física, o ano de 1857 é o marco na história da saúde física e mental com a chegada do Consolador. Quando Allan Kardec inspirado pelas "Vozes dos Céus" publicou "O Livro dos Espíritos" a filosofia tremeu nas suas bases. Porque a Doutrina Espírita é a vacina que arranca da treva, que apresenta a estrada da redenção e que diz que todos os nossos erros são resgatáveis. O homem está na Terra em experiência evolutiva. A Terra não é um lugar de degredo, não é o vale das lágrimas, não é o inferno. É a bendita escola, é o jardim onde colhemos e semeamos. A Terra é o educandário de luz, no qual forjamos a nossa própria evolução, no qual adquirimos as experiências da nossa redenção. A Doutrina Espírita desde 1857, 123 anos atrás, inaugurou a era do espírito imortal. Tem-se agora a certeza de que os mortos voltam e voltam para nos arrancar do caos e nos levar na direção de Deus. Se nós devemos a Behring, Kitasato, Klebs, Löeffler e a Ramon a era da vacinação, devemos a Denis, Flammarion, Crookes, Delanne, Bezerra e a Kardec, iluminados por Jesus, a era da vacinação mental, o prenúncio de uma era melhor, sem poluição psíquica. Porque, à semelhança da Medicina, a Doutrina Espirita institui da mesma forma as técnicas de vacinação, apresentando como referência bibliográfica o Evangelho de Jesus, o maior tratado de Imunologia que a humanidade conhece, como o afirmou Joaquim Murtinho pelas mãos de Francisco Cândido Xavier. Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito, que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.

A semelhança da soroterapia para as doenças orgânicas, instituiu a Doutrina Espírita a desobsessão que vai desenvolver defesa estabelecida por ação exterior. É um tratamento com dose muita vez indeterminada, porque é muito mais fácil educar do que reeducar.

Os estados mórbidos da mente humana costumam ser distribuídos por duas condições gerais de desordem mental: neurose e psicose, distintas primariamente por intensidade de desarranjo. A primeira pertence à área da Psicanálise e a segunda à da Psiquiatria. Neurose é um distúrbio emocional da personalidade que conduz o doente a um estilo de vida desajustado. Ele está sempre em conflito consigo mesmo e com o ambiente. No primeiro caso, porque tendências contraditórias se debatem dentro dele, como a necessidade de afeto e a hostilidade. No segundo, porque luta agressivamente contra os fatores externos como se estes constituíssem uma ameaça à sua vida e, ao mesmo tempo, procura recuar diante deles como se julgasse não poder enfrentá-los. Acha o neurótico que deve lutar antes de cooperar e, por isso, é fortemente competitivo (ainda que não pareça).

Neurose corresponde em trabalhos espíritas ao termo clássico perturbação, definida como estado de ânimo desajustado, em que o indivíduo não consegue manter a estabilidade emocional e mental, desviando-se para a tristeza, pessimismo, desânimo, agressividade e reações negativas desse tipo.

A fim de alcançar um ajuste precário com a circunstância em que vive, o paciente vê-se forçado a criar diversas maneiras de pensar e agir, conhecidas como pseudo-soluções, visto não resolverem o problema íntimo. Muitos são os comportamentos apresentados, mas as pessoas assumem um de três tipos de atitude geral (com inúmeras variações individuais) : 1) aproximam-se dos outros porque precisam ansiosamente de afeto e não suportam a solidão; 2) opõem-se porque são agressivamente ambiciosos e querem dominar e possuir tudo; 3) afastam-se porque mal toleram o contacto humano e sentem-se melhor no isolamento. São três atitudes predominantes que não excluem as opostas, também presentes mas inaparentes. O sujeito que está em oposição aos outros é carente de afeição, mas procura ocultar isso. Servem para caracterizar três tipos básicos de personalidade: complacente, agressiva e indiferente. O homem normal contém esses elementos em proporções equilibradas. É amistoso, solidário, cooperativo. Sintomas orgânicos aparecem não em número pequeno (depressão, fobias, palpitações, inibição, cansaço, angústia, micção freqüente, etc.)

Aspecto fundamental do estado neurótico são as perturbações nas relações humanas e no trabalho. Pelas atitudes acima mencionadas, vê-se logo que o neurótico defronta enormes dificuldades no relacionamento com os seus semelhantes. Tanto que uma das definições afirma que "a neurose é uma perturbação nas relações humanas"; em suma, é-lhe muito difícil gostar dos outros, tratar com os outros e confiar na amizade deles. A atividade no neurótico é sempre inferior à sua capacidade, de modo que no trabalho ele é pouco produtivo. Nota-se bem que as perturbações emocionais atrapalham fortemente o aproveitamento da encarnação.

No curso da neurose o raciocínio conserva-se normal. Parece, às vezes, desviado da normalidade porque usa bases falsas; assim, o sujeito pensa que ninguém gosta dele, o mundo é um lugar mau e perigoso, ou inversamente ele adora todo mundo. Ora, esses juízos são falsos e falseiam os raciocínios enunciados. Na verdade, o mecanismo de pensar está intacto. Existe o senso da realidade e a vida social é possível. O neurótico convive conosco, no trabalho e dentro do lar.

Na psicose, a desorganização da mente é muito mais avançada. O senso da realidade e a vida social mostram-se nulos ou quase.

O psicótico não pode conviver conosco, a sociedade manda segregá-lo para tratamento e assim é indispensável, pois não pode responder pelo que faz.

O que mais importa perguntar é o que se mostra no fundo das neuroses e psicoses, impregnando o espírito. Lá está, bem perceptível, a citada tríade afetiva do desequilíbrio mental. Os agentes etiológicos, os "micróbios" do egoísmo, do orgulho e da hostilidade numa associação sinérgica.

A causa geral de qualquer perturbação psíquica reside na desobediência constante às determinações da Lei de Deus (abandono sistemático das obrigações impostas pela Lei). Uns estão rebelados contra a vida, o mundo e Deus; outros estão desanimados ante os obstáculos a remover do próprio caminho. Um dia, eclodem os variados sintomas neuróticos ou psicóticos, conforme a intensidade da perturbação íntima. Temos assim, como causa específica as imperfeições afetivas do Espírito, sendo o egoísmo a base dos sentimentos desequilibrantes da alma, esse excessivo apego ao próprio bem, sem considerar o dos outros. É a chamada "hipertrofia congênita do eu" ou ainda "obsessão neurótica do eu". Em outras ocasiões encontramos associado o orgulho, inflação da personalidade, o desejo de parecer superior ao que é. Assim esses indivíduos só se ocupam de suas conveniências e vantagens. "Eles gostam de levar vantagens em tudo" ignorando os outros. O psicólogo Adler e o psicanalista Ralph fizeram comentários muito pertinentes quando dizem que "todos os fracassados - neuróticos, psicóticos, criminosos, bêbados, crianças-problemas, suicidas, pervertidos e prostitutas - dão à vida um sentido privado; ninguém é beneficiado pelas realizações dos seus objetivos e os seus interesses não vão além de suas próprias pessoas...". Aninhado nas raízes inconscientes está sempre o grande fator que influencia a conduta consciente - o egoísmo. A pessoa que é sempre teatro de lutas e dores é a pessoa que está sempre ocupada com pensamentos relativos a si mesma.

Um fator a mais está sempre presente, a obsessão - a influência maléfica, intencional ou inconsciente, exercida por Espíritos imperfeitos sobre a humanidade encarnada, de modo prolongado. "O predomínio de uma mente sobre a outra produzindo constrição”. A obsessão complica o quadro dos desequilíbrios já existentes e é causa única de multas formas de demência. Um homem pode enlouquecer só porque um Espírito mau se lhe aderiu à organização perispiritual, dominando-lhe a vontade e impondo-lhe seus pensamentos. Valiosa contribuição no campo da obsessão pode ser encontrada no livro do médico Adolfo Bezerra de Menezes - "A Loucura sob Nova Prisma". Estudos mais recentes, realizados no Hospital Psiquiátrico de Uberaba, parecem indicar que o processo é mais comum do que se supõe. A obsessão é portanto um constrangimento que um indivíduo sente, graças à presença perturbadora de um ser espiritual. Pode ser classificada em três graus distintos, como se lê em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, que as descreveu em seu capítulo XXIII como ninguém ainda o fez com tanta segurança. A obsessão simples - muito peculiar a quase todos os indivíduos - seria um tipo de "gripe emocional", que todos nós podemos ser dela vítimas, porque vivemos num mundo atribulado, imediatista, agressivo. Desequilibrando-nos e sintonizamos com os Espíritos também agressivos e desequilibrados. Quando ela se agrava é a obsessão por fascinação. O indivíduo se acredita abençoado por forças superiores e não admite o intercâmbio com os Espíritos menos ditosos; finalmente, quando ele perde o senso de equilíbrio, cai no que o Evangelho chamava de possessão e que Allan Kardec, muito adequadamente voltou a denominar como obsessão por subjugação. Subjugação porque a entidade subjuga-o, imprime-lhe a vontade e passa a exercer nele um predomínio quase total.

Allan Kardec, antecipando-se às descobertas de Klebs e Löeffler (1883-84), quando demonstraram a presença de uma entidade microbiana na difteria; as de Behring e Kitasato (1890), demonstrando um fator neutralizante no soro de animais de experimentação, e ainda as de Ramon em 1923, que introduziu a técnica da vacinação antidiftérica, nos traz com "O Livro dos Médiuns", no ano de 1861 a técnica da desobsessão e revive, com auxílio do Espíritos abnegados, a técnica da vacinação mental deixada há quase 2.000 anos por Jesus e hoje redescoberta pelos estudiosos do comportamento humano como Adler. "O Evangelho segundo o Espiritismo" deixa no século passado contribuição incomensurável, permitindo ao homem a oportunidade de desenvolver recursos próprios de defesa contra suas próprias imperfeições. Na doença diftérica a vacinação encontrou o caminho adequado para livrar a criança muita vez da morte. Mais interessante é que, insatisfeitos com "apenas" o vacinar, os pesquisadores desenvolvem um teste para avaliar a relativa susceptibilidade da criança à doença, em outras palavras, dispõe a ciência biomédica de um teste capaz de avaliar se a criança, vacinada ou não, possui defesas capazes de protegê-la contra um ataque da doença. Analogicamente possui o homem um teste seguro para verificar se a evangelização surtiu efeito no sentido do desenvolvimento de recursos contra a poluição psíquica. Conhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral.

No campo do tratamento espiritual a desobsessão corresponde à soroterapia no tratamento antitóxico da doença infecciosa. O médico socorre o paciente com a injeção, intravenosa ou intra-muscular, do medicamento capaz de estabelecer defesas (imunidade passiva) previamente produzidas no exterior. O indivíduo pode ser reequilibrado de fora para dentro, mas o processo patológico foi exercido e, ainda, corre risco de vida ou de seqüelas. A evangelização infanto-juvenil atua no mesmo campo da desobsessão, entretanto, à semelhança da imunização ativa (vacinação), permite o desenvolvimento de "elementos de defesa", mesmo antes do contacto com as fontes de infecção. A criança vacinada, mesmo que possa sofrer o processo de agressão microbiana e ficar doente, dispõe de resistência que acarreta quadro clínico mais brando e cura em tempo menor. A criança evangelizada será o homem vacinado do futuro e mesmo diante de um mundo imediatista e atribulado responderá favoravelmente à atmosfera neurotizante das grandes metrópoles.

Estabelecer um serviço de imunização infantil eficaz e permanente é, para qualquer país, dar um passo adiante no sentido do desenvolvimento social e econômico; estabelecer-se uma campanha nacional permanente de evangelização infanto-juvenil é anunciar a era nova. É lançar as bases para que o país venha a assumir o seu destino de coração do mundo, verdadeiro celeiro de amor. É por isso que o ano de 1857 é mais importante que o de 1890. Se o ano de 1890 trouxe a contribuição científica para a Medicina, a mensagem de 1857 trouxe Jesus de volta para nós, dizendo-nos que a verdadeira felicidade consiste em dar, em servir, em reter no coração a amor para distribuir em abundância.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bol. Ofic. Sanit. Pan. (OMS), 82(4): 285-299, 1977. Franco, D. P. Anotações palestras diversas. Kardec, A. O Livro dos Espíritos (tradução). 51a ed. FEB, RJ, 1980. Kardec, A. O Livro dos Médiuns (tradução). 4a ed. FEB, RJ, 1904.

Rizzini, C.T. Evolução para o Terceiro Milênio: tratado psíquico para o homem moderno. 1aed. EDICEL, SãoPaulo, SP, 1977.

(Reformador, 99 (1823): 61-64, fevereiro, 1981)


texto - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/assistencia/vacinacao.html

imagem - soldegaya.jex.com.br

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SEXO - ARTIGO DE COMPRA E VENDA


Luiz Carlos D. Formiga

Os homens demonstram sua posição na escala evolutiva pelas decisões que tomam diante da vida.

Em muitos a consciência ainda não despertou para os verdadeiros valores. De posse de liberdade relativa demonstram pouca responsabilidade. Antes de governar, parecem governados pelos instintos.

Muitos são especialistas na arte de multiplicar títulos e propriedades, mas no campo afetivo afastam-se da receptividade, do compromisso. São mestres na produção de seres-objetos. Distanciados da consciência lúcida são ainda amantes da poligamia. No homem mais evoluído a sexualidade é entendida num contexto amplo, inclusive o espiritual. Vê na sexualidade uma atividade intimamente ligada ao crescimento pessoal, à auto-estima e à formação de saudáveis vínculos afetivos e amorosos. Espírito mais amadurecido percebe a sexualidade como reconstituinte das forças espirituais pelo qual as criaturas se alimentam mutuamente. Mesmo quando convivendo com inseguranças e sentimentos de rejeição, nunca busca o sexo como forma de auto-afirmação e alívio de incertezas ou carências. Não troca sexo por companhia tentando diminuir o vazio da solidão.

Quando o espírito, mesmo em corpo velho, está num nível evolutivo ainda baixo, sua consciência dorme e se torna difícil freiar instintos. São pessoas fisiologicamente adultas mas emocionalmente infantis.(5,6,7)

Mas, quem atirou a primeira pedra?

Analisando-se o discurso de mulheres que se vendem de forma institucionalizada (EU-ISSO) e o silêncio do seu comprador, concluiu-se de que a coisificação da mulher é indispensável, para a grande cidade, como é a lata de lixo para a família. Ela desempenharia o papel de defesa da ordem coletiva e o da satisfação dos impulsos recônditos dos homens. Mas, duas questões são importantes. Como essa mulher que se vende (EU-ISSO) vivencia sua sexualidade (EU-MULHER)? Como se sente e o que busca o homem (EU-ISSO) ao relacionar-se sexualmente com uma mulher que se vende?

O acesso À bibliografia e à realidade do dia-a-dia revelaram, na pesquisa(2), que existe uma contradição muito grande em torno da prostituição, pois, ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é tolerada, servindo como importante estabilizador social, que cumpre várias funções. No entanto, o discurso das mulheres revelou a crença de uma atividade profissional como outra qualquer onde a busca do dinheiro é o mais importante.

Por outro lado o sonho da constituição de uma família apareceu neste discurso.

É válida a premissa de que as circunstâncias socio-econômicas e morais estabelecidas pela sociedade criam e recriam os espaços do vir-a-ser prostituta. O homem deve ser visto como um co-autor, co-responsável por esse modo milenar de vivenciar uma das inúmeras facetas da sexualidade humana. No momento em que estamos escrevendo estas linhas, há um destaque especial na novela da TV sobre essa questão, demonstrando a contradição referida anteriormente. Ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é também tolerada (casas de tolerância), até no "horário nobre".

Nas incursões a estas "casas" os pedagogos e psicólogos pesquisadores verificam que os homens (casados) se sentem pouco à vontade em dar entrevistas, no sentido de oferecer respostas à segunda questão acima (o que busca ao relacionar-se?)

Se não existisse o estigma, quanto ao tipo de atividade, muito pouco esta se diferenciaria das atividades de outros profissionais. O que existe é uma dicotomia corpo x mente, em que o primeiro assume um valor de troca e o segundo se consome no esquecimento. Ela procura um distanciamento de si mesma, do SER-MULHER-MÃE, da prostituta. Não há unificação do ser. Ao buscar relacionar-se desta forma, intenciona preservar-se enquanto um ISSO, enquanto um objeto, que possui seu valor de troca, que sente prazer apenas na obtenção do dinheiro e que deve ser preservado e cuidado. O dinheiro legitima essa forma de ser no mundo e a dicotomização do lado impessoal, profissional e afetivo permite apenas a meta de desempenhar ou representar no palco sua função da melhor forma possível. Ela precisa manter seu objeto de trabalho sempre em evidência, possibilitando seu sustento. Fingir faz parte do "show" e pode-se pensar numa ginástica com os aparatos de uma boa aula de aeróbica. O caráter erótico em que se vivencia a cumplicidade, a troca, o envolvimento não existe. Uma delas fez a síntese: "É um sexo podre".

Não há encontro porque não há disponibilidade mútua, não há envolvimento mútuo possibilitando confirmação mútua.

Numa faixa evolutiva mais baixa, a sexualidade do homem fica muito circunscrita à sua genitália, é muito mecânica, exigindo, então, uma manutenção específica e periférica, feita por um agente específico.

Em ambos há o empenho de lidar com aquilo que é superficial, que pode ser tocado, visando cada um o seu benefício "legal".

Nas entrevistas os pesquisadores constataram outras modalidades de relação diferentes do sexo que também são requisitadas, como a "conversa", fala desprovida de zelo maior onde se mostra o lado inseguro. E diante da postura inerte de seu objeto, se permite extravasar toda a sua angústia, de forma que não se comprometa, não corra riscos. Isto é uma parcela do conjunto das necessidades sociais.

Elas deverão dar continuidade ao "show" e para isso juntar os pedaços de seu objeto e configurar-se um todo irreal unificado. As cenas e o final são quase sempre os mesmos.

Quando interrogadas acerca de sua qualidade de MULHER ficam perplexas e mal sabem responder. Seu SER fica desprovido de todo e qualquer significado que leve em consideração sua totalidade, seu SER-MULHER.

Parece que ao viver grande parte de sua vida no "Palco", o personagem tomou conta de si, e o seu EU passou a ocupar um plano inferior e nem é lembrado.

"Não sei o que é ser mulher" foi a resposta. Se é lembrado é também extremamente desvalorizado. Parece que não se consegue superar essa dicotomia e o EU fica submetido à desintegração. O que pensar da integração com Deus e a sociedade?

"Quero ter uma família". É um projeto que aparece no discurso como um meio de deixar a "profissão", porém, muito mais do que isso, um modo de integrar-se na sociedade e, quem sabe, até amenizar a dicotomia existente em seu ESPÍRITO.

Bruns e Gomes Junior(2) concluem achando que aqueles que compram-vendem, vivenciando o "êxtase" do aqui e agora, vão se distanciando cada vez mais de si mesmos e a dicotomia existente entre corpo x mente se fortalece cada vez mais, de modo a não provocar inquietações. As educadoras terminam dizendo que tanto um como o outro "perpetuam o monótono círculo vicioso que o mundo do faz-de-conta lhes possibilita, fingindo que esse é um dos modos de serem felizes."

Duas senhoras, em um café num país sul-americano, comentavam que a palestra da noite, feita pelo brasileiro, deveria ser no mínimo instigante, pois falaria do amor, da imortalidade da alma e das conseqüências, na vida espiritual, dos atos cometidos aqui na Terra. Uma jovem próxima ouve o comentário positivo e resolve assistí-la também. Após a palestra, que falou sobre reencarnação e memória extra-cerebral, na fila dos que vieram apertar-lhe as mãos caridosas, Divaldo escuta a estória:(8)

- Eu sou uma meretriz. Era uma jovem delgada de olhar entristecido. Contou-lhe que fora o padrasto quem a colocara no plano inclinado. Ela havia ouvido as senhoras falarem do brasileiro que pregava o amor como antídoto da dor e, como sofria muito, resolveu dar-se uma chance. Jogou fora a substância corrosiva, colocada no refresco, para ouví-lo. Divaldo explica que não era má vontade, mas que o seu anfitrião o aguardava. Porém, gostaria muito de encontrá-la mais tarde. Ela respondeu a Divaldo que não se preocupasse porque era uma mulher da noite. Marcaram o encontro na casa do anfitrião. À noite conta que vivia num bairro de alta classe social e econômica. Quando o pai morreu ela contava quase quinze anos. A mãe tinha quarenta e dois e era uma mulher frívola, de caráter vulgar e, em menos de três meses depois, estava nos bailes e festas. Ligou-se a um homem mais jovem do que ela, destes que vivem a explorar mulheres ingênuas. Ele veio viver em nossa casa e começou a procurar-me. Minha mãe acreditou quando ele disse que eu havia me oferecido. Após a bofetada, colocou-me na rua. Aos quinze anos eu estudava e tinha uma amiga de dezessete anos que me recebeu em casa. Ela disse que a vida era maravilhosa e que devíamos desfrutá-la. Era acompanhante de velhos executivos e uma noite lhe rendia quinhentos dólares. Mais tarde ela me disse que se não trabalhasse também não comeria e levou-me a uma casa.

Divaldo ouviu pacientemente e ...

Através da divulgação do Espiritismo, por meio da palestra na reunião pública, em clima fraternal e com interesse de ajudar na solução dos diversos problemas humanos, conseguiu-se a reabilitação e, posteriormente, a integração da jovem aos labores espíritas.

Hoje ela tem uma família!

E se elas se contaminarem? E se houver gravidez? Observa-se uma incidência crescente de AIDS em crianças em todo o mundo. No Brasil a porcentagem de mulheres infectadas, em idade fértil, aumentou de 5,1% para 12,51% em dez anos. A proporção homem/mulher era de 18/1 e atualmente é de 3/1. Este fato explica a enorme preocupação dos profissionais de saúde que trabalham com crianças. Em um trabalho observou-se que apenas uma, em 25 crianças, adquiriu o HIV através de transfusão sanguínea. Todas as outras foram infectadas de modo vertical, risco que varia de 27% a 62%. A transmissão mãe/filho pode ocorrer via placentária, no canal do parto e pelo leite materno.

Vamos relembrar algumas coisas:(6) Aids é um dos maiores problemas de saúde pública. A epidemia nÃo vai passar por si mesma e a discriminação só empurra a doença para a clandestinidade, onde não podemos vê-la e combatê-la. Aids é primariamente uma doença sexualmente transmissível, é uma imunodepressão acompanhada de doenças oportunistas graves, infecciosas ou neoplásicas, com eventual lesão neurológica.

O HIV é um parasita genético, isto é, ele se integra ao sistema de genes, ou DNA, e programa a célula transformando-a numa fabrica de HIV. Como o HIV se integra no sistema genético da célula, quando tentamos destruí-lo acabamos destruindo também a própria célula. Por isso o tratamento da Aids é muito complicado.

O número de indivíduos com infecção assintomática (portadores) e que podem transmitir o vírus é significativamente maior do que o número de doentes. Se uma pessoa tem apenas um parceiro sexual, mas este tem mais de um, a pessoa tem risco de ser contaminada. São fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão: as variações freqüentes de parceiros sexuais; o uso de produtos de sangue não controlados; o uso de agulhas e seringas não esterilizadas e no caso do bebê a infecção materna pelo HIV.

São co-fatores específicos de risco em relação à transmissão sexual: o trauma, como pode ocorrer na relação anal e lesão genital causada por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Apenas com acesso aos preservativos e à informação NÃO mudaremos comportamentos. Adolescentes bem informados continuam tendo condutas sexuais de alto risco.

Das vinte marcas examinadas, apenas sete dos preservativos utilizados no Brasil cumpriram os requisitos de segurança.

A necessidade do uso da camisinha é informação relevante, mas isto não é sinônimo de sexo seguro, esta seria uma afirmação no mínimo leviana e irresponsável. Um produto que não impede a gravidez não evita a infecção viral.

Somos massacrados pelas mensagens eróticas que procuram transformar-nos em máquinas sexuais.

A psicóloga Dione Costa(4) relatou que quando ouve pacientes, indivíduos comuns, com doenças sexualmente transmissíveis, vindo de encontros que podem não ter durado sequer uma hora, anônimos, desconhecidos, mas que levam a abortos, sempre questiona: E A AFETIVIDADE?

Que crianças serão estas? E que adultos?

Tudo isso, diz ela, nos remete a um sexo mecanizado, mostrando uma inadequação ou negação da sexualidade responsável, pois possibilita doenças e com elas sentimentos como frustração, desilusão, insegurança, solidão, vergonha, culpa, medo que se perpetua para os próximos encontros.

Como terá sido a aprendizagem amorosa desses indivíduos ao longo da vida?

Será este caminho do não-encontro, ou desencontro, o único que aprenderam ao longo de suas vidas para a busca da felicidade?

Nesta hora, o profissional de saúde-educação tem um papel "fantástico" pois é um importante momento para mostrar os riscos, a possibilidade de fazer escolhas, de ensinar a dizer não, de adquirir identidade própria. Momento, talvez, único na vida dessas pessoas, incomodadas com seus sintomas, para uma reflexão de que seu corpo é sua casa.

Nossos filhos precisam estar conscientes da existência destes sofrimentos e lutarem para não serem incluídos na categoria dos co-responsáveis, co-autores.

Eles precisam saber que todos temos guias espirituais que nos protegem e que nos falarão a respeito de que estamos aqui para aprender, do propósito superior de nossas vidas, mas que, ao mesmo tempo, nos permitem prosseguir numa situação se assim o desejarmos. Eles têm o cuidado de não eliminar nossas lições. Se estivermos avançando na direção de algo que irá nos ensinar uma lição valiosa porém difícil, eles poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. No entanto, se resolvermos persistir no caminho original, eles não tentarão impedir-nos. Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor através da dor e do esforço, os guias espirituais não os afastarão de nós.

Nossos filhos precisam saber que "o homem sequioso de prazer, sentindo-se atormentado por necessidade imperiosa, irresistível, uma excitação espantosa que vivifica seu organismo e um fogo ardente que abrasa seus órgãos" está também acompanhado de entidades muitas vezes perversas.

Nós, os pais, precisamos lembrar que estas informações ainda não estão disponíveis nas universidades.

No futuro a " Nova Universidade" estará aberta aos temas do espírito, ela será erguida com uma Ciência que investigará os conceitos da Filosofia e que trará de volta a idéia de Deus. Uma Ciência que além de inquirir como são as coisas, intenta responder ao porquê. Com uma Filosofia de caráter científico e uma Ciência com conseqüências religiosas.

"No quadro dos valores racionais, Ciência e Filosofia se integram objetivando as realizações do Espírito. Completam-se como dois grandes rios, que servindo as regiões diversas, na esfera de produção indispensável à manutenção da vida, se reúnem em determinado ponto do caminho, para desaguarem, juntas, no mesmo oceano que é o da sabedoria."

Temos que nos esforçar para participar desta revolução do pensamento se não desejarmos continuar no papel de comparsas da tirania e da destruição. Daí a necessidade da Ética que ilumine as consciências na melhoria das características morais do homem.

A assimilação de um novo paradigma é lenta e difícil porque demanda abertura mental, estudo, reflexão e crítica. Haverá resistência, principalmente pela exigência de mudanças ético-morais. Mas, é necessário mudar. A sociedade anômica, o "levar vantagem em tudo", gerou a indiferença nas relaçäes sociais e o caos na sociedade.

Há indícios de que esta revolução esta em curso até entre nós. Soubemos que 350 alunos da USP, aos sábados, freqüentam um curso, na universidade, que discute as questões do espírito, definido como o fez Allan Kardec.

A discussão do "post-mortem" não pode ser ignorada, pois exerce influência sobre as questões de Ética.

A democracia no mundo e as necessidades de cooperação econômica desembocam na manifestação livre das diversas culturas, induzindo o mundo ocidental a ampliar o seu universo cultural. Há uma revalorização da importância da religião, enquanto agente de movimentação social.

A revolução é agora e começa quando abrimos as portas à ética e à fé. A fé, que terá "por templo o universo, por altar a consciência, por imagem Deus e por Lei o mandamento do amor em ação, resumido por Jesus na categoria do próximo". A fé que atua pelo amor. Na sociedade, assim organizada, ninguém será coisificado, ninguém morrerá de fome.

Nas entrevistas(2) as "Vendedoras de Prazer" disseram: " Um dia quero constituir uma família". Os pesquisadores comentam que subjaz nessa atitude de querer integrar-se a uma família uma grande contradição, uma vez que grande parte de seus clientes são homens casados. Nossas filhas precisam ser alertadas para essas coisas. Mesmo que essa formação se concretize, isso não quer dizer que ela vá experienciar uma relação EU-TU junto ao seu cônjuge de forma plena e presente.

Há necessidade de ajudar os casais na sua escalada evolutiva, para que possam entender e ajudar seus filhos a entenderem também que a sexualidade(6) deve ser vista num contexto amplo, não apenas genitalizado embora não prescinda dele. Apesar de situado no nível instintivo, possui a bússola da razão que o orienta para o outro, como pessoa inteira. Orienta-o para a relação, o diálogo, na luta evolutiva da substituição do amor captativo, infantil, pelo oblativo, altruísta. A sexualidade é nobre e enriquecedora. É uma das dimensões fundamentais do espírito, quando pode comportar-se como ser sexuado, reencarnando como homem ou mulher, formando assim os "dois pólos de cuja tensão e oposição brota o fenômeno da existência humana", a perpetuação da espécie.

Nos subsídios para implantação e desenvolvimento da Campanha "VIVER EM FAMÍLIA" (3) encontramos na sua fundamentação doutrinária a questão 208 do Livro dos Espíritos. Nela os guias espirituais dizem que "os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho."

Desta forma surge no Temário da Campanha o ítem de número 9, Desequilíbrios no Lar - Prostituição e Promiscuidade."

Diante desta advertência cabe-nos a ajuda mútua.

Vamos oferecer aos nossos filhos uma religião amadurecida, aquela bem diferenciada através de um processo consciente de autocrítica, aquela que tem grande poder transformador. Aquela que como diz Allport leva o homem ao amadurecimento quando é dinâmico sem ser fanático ou compulsivo em seu comportamento religioso. Aquela que produz uma condição de coerência entre o que o homem crê e o que diz. Aquela que é tolerante e pronta a reconsiderar sua própria condição. Aquela que será sempre uma busca da verdade integral.

A questão agora é a revolução do pensamento no auto-conhecimento levando em conta o invisível, o impalpável, o imponderável e o admensional, com Ética, na busca da verdade.

Impossível não lembrar o Professor Newtom de Barros(1) numa sessão histórica, no Grupo André Luiz. RJ.RJ.

Deixemos o Professor contar:

- "Pela voz direta, comunicou-se a Mãezinha:

Estou chegando das regiões umbralinas... André Luiz e Mãe Narciza convidam os últimos habitantes ávidos de regeneração... André Luiz olhava no chacra coronário e jogava uma rede... Pescador de almas... Lembrei-me de Pedro e André em Tiberíades. Meu filho atendeu ao meu chamado... Vai reencarnar... Última oportunidade... Daqui a uns quinze anos vocês, talvez, encontrem um jovem, cabeludo, mal lavado, andando pelas ruas, sem destino, sem vontade de trabalhar... Talvez, procurando sexo e tóxicos... Tenham piedade dele... Por certo é o meu filho... em última oportunidade...

Aquela mãezinha, falando de VOZ DIRETA, graças à mediunidade de Peixotinho, jamais saiu de minha retina, pois destaquei o vulto semi-apagado na penumbra da sala de ectoplasmia.

Nas salas de aula desses cinqüenta e tantos anos de magistério, sempre olhei o adolescente, apiedado... E ouvia Jesus na página maravilhosa de BOA NOVA:

- Pedro, eles não são pecadores... Eles são somente FRÁGEIS...

E a fragilidade se mistura com os nossos conhecimentos de Física, de Química, de Biologia, de Psicologia... E as VONTADES? Como despertar as vontades? Como fortalecer os frágeis? Como ativar as VONTADES PARA QUERER O MELHOR PARA OS PRÓPRIOS ESPÍRITOS?

Mas sobe à superfície da memória a PARÁBOLA DO SEMEADOR:

- O Semeador saiu a semear... Atirou as sementes, amorosamente... Umas caíram na terra escaldante e feneceram... Outras caíram ao alcance dos pássaros e foram deglutidas... Outras cresceram entre espinheiros e foram sufocadas... Mas outras caíram em terreno fértil... E PRODUZIRAM UMA POR TRINTA... UMA POR SESSENTA... UMA POR CEM... E DERAM MUITOS FRUTOS BONS...

Bezerra de Menezes desce de alturas não mensuráveis e nos diz pelas mãos sagradas hoje, de Francisco Cândido Xavier: A LEGENDA DE AGORA É KARDEQUIZAR... SEMEAR AS SEMENTES ESCOLHIDAS...

E CONFIAR NA FERTILIDADE DOS TERRENOS..."

"Agora é ação!" Vamos escolher as sementes juntos!

Não sofreremos, no futuro, por causa da omissão.

Nossos erros serão perdoados!


Referencias bibliograficas

1. Barros, N. G. "Macaé Espírita" - Nov/1990

2. Bruns, M.A.T. & Gomes Jr, O.P. Prostituição. O discurso de quem se vende e o silêncio do seu comprador. Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996.

3. Campanha "VIVER EM FAMÍLIA". Subsídios para implantação e desenvolvimento. Reformador, março de 1994.

4. Costa, D.P. E a afetividade (Editorial). Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996

5. Formiga, L.C. Proposta indecente. Jornal Espírita, São Paulo, 219 (XIX): 2, Novembro, 1993.

6. Formiga, L.C. "DORES, VALORES, TABUS E PRECONCEITOS" "Dores, Valores, Tabus e Preconceitos", Edições CELD, RJ.RJ, maio, 1996

7. Formiga, L.C. Educação Sexual: na família ou na escola. Folha Espírita, dezembro de 1996.

8. Revista de Cultura Espírita "Nueva Generacion", Guatemala, C.A. 5 (18): 3-6, abril-junio, 1995.

Publicado na revista - Fraternidade (Lisboa - Portugal), 419 (maio): 149-154, 1998

Prof. Luiz Carlos D. Formiga.


endereço: www.espirito.org.br

imagem: palavrasapenas.wordpress.com



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