domingo, 23 de janeiro de 2011

SOBRE AS ALMAS GÊMEAS


Carlos Augusto Abranches*

Dizem os conformados, com um leve toque de humor, que há três mulheres na vida de cada homem: a que ele ama, a que o ama e aquela com quem ele acaba se casando. Acredito que para a mulher, a mesma situação se repete. Se o ato de casar para alguns é somente uma forma de evitar a solidão, para outros significa avanço natural do fenômeno do amor e, para terceiros, acaba sendo verdadeira expiação, a durar por longo tempo.

Na vida de muitos, todavia, a grande questão existencial está em encontrar a tão esperada alma gêmea. Há os que acreditam na eleita e no eleito, que chegarão um dia pelas vias do destino. Alguns dedicam tanto tempo à procura que, cansados de não encontrar a(o) parceira(o) ideal, passam a zombar da vida, desiludidos. Outros encontram dezenas delas(es) e, a cada nova conquista, percebem que a anterior não era bem aquilo que esperavam, transferindo para a próxima todos os anseios de um coração imaturo, ainda sem estrutura para aprofundar sentimentos e consolidar afetos reais.

A pergunta a se fazer nesta circunstância é esta: diante do homem em elaboração que ainda somos, em processo de crescimento rumo à integridade plena do ser, estamos preparados para conviver em absoluta harmonia com nosso ser amado? Levando-se em consideração a herança de vidas anteriores, em que nem sempre fomos felizes nas relações amorosas, merecemos essa convivência, nós que ainda não aprendemos a dizer com disposição um "bom dia" para o vizinho?

Os Espíritos nos orientam a voltar um pouco a atenção para nossas tendências de caráter emocional e observar se, nos meandros da conduta particular, ainda tropeçamos na falta de equilíbrio emotivo, dando mostras claras de que estamos longe da possibilidade de desfrutar integralmente de uma relação plenamente afim, por falta de lastro evolutivo em termos espirituais.

É óbvio que existem casais felizes, fortalecendo vínculo através do tempo, relacionamento que nos serve inclusive de lição, para que aprendamos como agir, de nossa parte, junto ao parceiro que elegemos para a partilha das horas.

Uma certeza, porém, o Espiritismo nos traz: a de que se vencermos a dura batalha das diferenças pessoais com os que estão sempre conosco, estaremos preparando terreno para o começo de um convívio repleto de paz e felicidade, em futuro próximo. Que não se despreze aqui a decisão, muitas vezes dolorosa, do divórcio que, em determinadas circunstâncias, é a única alternativa para se evitar o agravamento da situação conjugal.

O Espírito Maia de Lacerda, no livro Seareiros de Volta, pg. 159, faz uma afirmação esclarecedora e corajosa. Ele diz que "é necessário meditar no estudo da afinidade sexual e espiritual, porquanto muitos irmãos, além de adotarem o comportamento de lesar almas dignas que lhe merecem a afeição, se desvairam à procura de outros parceiros de novidade emotiva, interrompendo serviços absolutamente imprescindíveis para eles no quadro da reencarnação, com a desculpa de haverem encontrado afinidades queridas do passado ou Espíritos eleitos pelo destino, fantasiando aventuras perniciosas com o rótulo de conquistas superiores que ainda não fizeram por merecer".

Pensemos um pouco nisso, para avaliar com maior profundidade se temos encontrado boas soluções para melhorar nossos relacionamentos.

* Carlos Augusto Abranches é escritor e jornalista.



Fonte: Site do Jornal Universo Espírita em 09/08/205 - www.universoespirita.net

imagem: hypecetera.net

10 comentários:

Jorge Nectan disse...

O homem busca constantemente a contra-parte que lhe complete. Mas esquece que ele se completa para assim encontrar alguém que o sintonize.

Marlene disse...

Almas gemeas que se irmanam,que se buscam,atravez
do infinito,agregando-se uma a outra,como duas
nuvens que se entrelaçam,num abraço sutil terno harmonioso onde não são nescessario palavras
pois se completam ao espelhar-se no olhar da outra
na ternura do silencio,na paz de Deus

com carinho Marlene

Jorge Nectan disse...

Poética são suas palavras.
Mas acredito que o Espírito já é um ser completo que pode encontrar outro ser completo que se afinem.

Um doce beijo, Coração!

Amapola disse...

Boa tarde.
Adorei esse texto. Eu não encontrei a minha alma gêmea e parei de procurar, aos 36 anos de idade.
Ter um companheiro apenas para chamar de meu, é muito pouco pra mim.
Acho que somos inteiros. Caso contrário, até o número de habitantes seria meio a meio, para não faltar par para alguém.
Não existe uma boa união, onde não haja respeito, amor, fidelidade e sinceridade.

Amar ao próximo como a si mesmo. Esse amor universal trás tanta felicidade interior...

Um grande abraço.

Jorge Nectan disse...

Amapola,
a felicidade sempre começa em nós. Procurar nos outros é buscar o sofrimento. Sem esquecer que se não somos felizes conosco mesmo, estaremos mais receptíveis a atrair pessoas não felizes.

Um beijo, coração!

Marcia disse...

Nossa Jorge, enfim leio um texto com tanta clareza e simplicidade a respeito do tema em questao. Quando me deparei com a questao: Diante do homem em elaboração que ainda somos, em processo de crescimento rumo à integridade plena do ser, estamos preparados para conviver em absoluta harmonia com nosso ser amado?
Veio-me a mente o seguinte: se nós próprios nao nos conhecemos bem,nao nos descobrimos por integralmente, somos cheios de altos e baixos, como podemos ter a pretensao de viver com alma gemea??? Como a conheceríamos? Será que seria aquela que realizasse todos os nossos desejos e caprichos...?
Portanto a paz e a felicidade tem que comeecar em nós e nao um complemento vindo de terceiros.
O que podemos fazer é procurarmos ter uma vida de harmonia e alegrias, com aquele que escolhemos para conjuge.
Beijos, muita paz em seu coracao iluminado!!!

Jorge Nectan disse...

É Márcia,
Kardec nos diz que alma gêmea não existe, e sim almas afins. Somos Espíritos individualizados, completos caminhando com os próprios pés ao Pai. Podemos encontrar almas afins onde a sintonia amorosa é semelhante.
E como você diz, será que estamos preparados para encontrar almas assim?

Um beijo, minha amiga e boas férias!!!

Elaine Regina disse...

Hum, vim aqui por causa do texto recém postado e acabei vendo este que me interessou...

Bem... esse tema é muito delicado, muito mesmo.

Olha, Jorge, eu não me aprofundei nos estudos espíritas ainda. Já li O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo e pretendo seguir com os meus estudos e realmente me aprofundar na Doutrina, pois foi a que mais me pareceu lógica e sólida... foi a que explicou muitas coisas que, para mim, não tinham explicação.


Quero deixar claro aqui que não estou querendo ferir as crenças de ninguém e muito menos uma Doutrina inteira, eu desejo apenas dar a minha opinião a respeito.

Bem, eu concordo que somos seres inteiros e que não há uma "metade" que nos é semelhante ou totalmente "gêmea" e predestinada. Temos que ser felizes primeiramente sozinhos, para aprender a dar um amor incondicional, puro, verdadeiro e não um amor egoísta que sempre espera algo em troca. No entanto, acredito, sim, que exista uma alma com a qual temos uma afinidade suprema, única, com a qual mantemos um relacionamento duradouro e eterno ao longo de muitas existências. E não é necessariamente um amor homem-mulher, são almas que experimentam vários tipos de relacionamentos, que vêm como pais e filhos, irmãos, amigos, amantes... porque desejam acompanhar uma a outra... Para mim, as "almas gêmeas" são almas companheiras, almas que buscam se ajudar no processo evolutivo e que desejam permanecer unidas ao longo de muitas vidas.


Mais uma vez, ressalto que não estou querendo convencer ninguém de coisa alguma e que respeito profundamente o Espiritismo e que não estou, de forma alguma, querendo ferir ninguém, certo? Mas que eu acho perfeitamente possível e lógico, ah, isso eu acho... Como eu disse, é um tema polêmico que apresentou divergências até mesmo dentro da própria Doutrina, pois o Espírito Emmanuel chegou a confirmar, com todas as letras, a teoria. No entanto, depois de uma objeção feita pela FEB, Emmanuel fez algumas ressalvas sobre o que disse, mas ele, ainda assim, me pareceu extremamente cauteloso e disse que a teoria era mais complexa do que parecia ao primeiro exame e esclareceu que as almas gêmeas não são metades como a crença popular acredita, coisa com a qual concordo...


Enfim, amigo. "Só sei que nada sei". Estou aqui para aprender apenas. O que eu faço é pensar por mim mesma, refletir sobre tudo e, depois de fazer algumas pesquisas, a coisa me pareceu bastante coerente. Lógico que estudar nunca é demais. Continuarei meus estudos e buscarei sempre meditar sobre tudo que chega a mim.


É isso. Espero que minhas palavras não deixem ninguém irritado, horrorizado ou ofendido. Eu só quis expor o que eu acho sinceramente.


Bju!

Jorge Nectan disse...

Elaine amiga,

não receies de dar sua opinião. Ninguém aqui sabe mais que ninguém, e estamos todos no mesmo barco. Creio que este assunto, se nos interessa, de verdade, não devemos nos preocupar porque se ainda não somos felizes conosco mesmo, como lidar se encontrarmos almas que se nos assemelha?
Cuidemos da nossa evolução buscando assim, quem sabe, merecer alguém tão esperado, não é mesmo?

Um beijo, Anjo!!!!

Sakamoto disse...

Olá! Cheguei a este post por já estar questionando o mesmo tema há tempos... Apenas, gostaria de comentar que penso da mesma forma, baseada em fatos que me ocorreram nesta vida.
Agradeço pelo post que nos faz refletir...

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