sábado, 16 de janeiro de 2010

MECANISMO DA DOENÇA, UM ENSAIO - O CÂNCER


Claudio C. Conti

ccconti@bol.com.br

Para ser considerada como uma “Revelação”, num sentido religioso, uma doutrina deve responder as perguntas interiores de ordem moral; quando esta doutrina almeja ser um pouco mais completa, ela deve também suprir as necessidades existenciais dos seus seguidores, contendo em seu corpo doutrinário explicações de ordem filosófica. A Doutrina Espírita, trazida como a “Terceira Revelação”, a primeira foi trazida na pessoa de Moisés e a segunda foi trazida na pessoa do próprio Jesus, engloba o caráter religioso, filosófico e também o caráter científico, de forma a apresentar explicações para os fenômenos considerados sobrenaturais, mostrando que tais fenômenos são tão naturais quanto quaisquer outros.

No livro A Gênese [1], Kardec aborda uma larga gama do conhecimento científico da época mas, mais importante do que analisar este conhecimento, que por si só é transitório e que se encontra em constante modificação devido aos avanços científicos e tecnológicos, neste livro, Kardec nos ensina a pensar de forma lógica, analisando tudo que nos é apresentado como ciência.

Devemos aprender a discernir entre estudo científico e verdade absoluta. A ciência segue um processo progressista, onde o aprendizado ocorre de forma gradual mas com possibilidades de desvios do correto. A verdade absoluta somente a Deus pertence; o homem, por mais inteligente, é passível de erros. Os avanços realizados pela ciência devem ser considerados como tal e, na medida do possível, ser utilizados, como estudo, para a compreensão dos fenômenos espirituais.

Não se deseja aqui apresentar uma explicação definitiva para a ocorrência de doenças, no caso particular, o câncer. Baseado no ensinamento trazido por Kardec, este trabalho visa apenas a analisar as novas descobertas da área e, justamente, com o que se encontra na literatura Espírita, formular uma hipótese, deixando claro que, uma outra pessoa também com algum conhecimento de tanto da área médica quanto do Espiritismo, poderia chegar a conclusões diversas.

De acordo com o que foi publicado [2], a última descoberta sobre a formação do câncer é o que se denominou de “oncogenes”. O prefixo “onco” é relativo a tumor e a palavra “gene” é o nome dado a cada unidade funcional do ácido desoxirribonucléico, mais conhecido como DNA, então, “oncogenes” se refere a genes causadores de tumor. A tese dos oncogenes defende que a origem do câncer é um defeito minúsculo que altera apenas a bilionésima parte do DNA de alguns genes especiais, os oncogenes.

As células do corpo estão em constante processo de reprodução, todavia, esta reprodução não ocorre de forma aleatória e desordenada, as células somente se reproduzem quando o meio em que elas se encontrem esteja em condições de receber a nova célula, vale ressaltar que as células do corpo são completamente renovadas em intervalos regulares. Quanto as células nervosas, acreditava-se que não se renovavam mas, atualmente, já foi observado,em algumas estruturas, que podem se regenerar muito limitadamente.

Algumas destas células contudo, podem sofrer uma mutação no código genético, isto é, genes podem ser alterados e vários são os fatores que influenciam nestas alterações, cigarro, bebida alcoólica, fumaça, corantes, compostos orgânicos, etc.; se a alteração ocorrer em um dos oncogenes, cerca de 50 entre os 50000 genes que existem em uma célula somente, poderia desencadear o aparecimento do tumor.

Poderia-se então pensar que todos estão expostos a muitas das substâncias cancerígenas, como não ocorre o desenvolvimento do tumor em todas as pessoas? Apesar de um quadro tão desolador quanto foi exposto, a própria célula possui meios de reparar estes danos, são os “genes supressores de tumor”; quando a mutação é detectada, estes genes agem de forma a bloquear a ação do gene mutante. Para que realmente ocorra o aparecimento do tumor, é preciso que a célula que já sofreu mutação e que foi bloqueada, sofra nova mutação de forma a desativar o gene supressor.

Todas as células do corpo não agem de forma isolada, elas devem respeitar as “regras” da boa convivência, é como se existisse um código de conduta celular, enquanto este código é obedecido, todo o organismo funciona de forma satisfatória, com cada órgão cumprindo o seu papel. A célula que sofreu a dupla mutação passa a agir livremente, não mais respeitando o “código”, se multiplica livremente de forma desordenada, agressiva e o tumor cresce. Estas células modificadas podem sofrer modificações em genes que possuem funções diversas, quando atinge os genes que estimulam o crescimento de vasos sanguíneos na direção da célula, as mutantes alcançam a corrente sanguínea, migrando para outras partes do corpo, tem início o que é chamado de metástase, e o tumor disseminou-se.

Para se tentar compreender como ocorre a organização das células é preciso remontar à estrutura do perispírito, consultando a obra Evolução em Dois Mundos[3] de André Luz:

- Na pg. 27 diz que o corpo físico reflete o corpo espiritual que por sua vez reflete o corpo mental, detentor da forma. Em outras palavras, o Espírito elabora lentamente, através das inúmeras experiências, desde o início da sua existência, na condição de simples e ignorante, a sua forma, guardando todo o acervo no corpo mental e este, por sua vez, é o agente que transferirá toda a informação necessária para a formação do corpo espiritual, informação esta que é completa em seus mínimos detalhes de conformação. Com o corpo espiritual já conformado, servirá de molde para a matéria densa.

- Nos capítulos IV e V tem-se que durante o transcurso das suas existências, o Espírito “aprende” a dominar as células vivas, que são animálculos infinitesimais que nada mais são do que princípios inteligentes de feição ainda muito rudimentar que, quando sob o comando de princípios inteligentes em estágios superiores de evolução, servem de modo organizado na grande estrutura orgânica que é o corpo físico.

Analisando o que foi exposto, pergunta-se: Qual seria o comportamento de uma célula quando é retirado de um organismo vivo e colocada em um meio capaz de lhe manter a vida, um meio de cultura?

Uma célula do fígado se comporta de forma a cumprir com as funções de um fígado e, quando se reproduz, forma novas células de fígado. Esta mesma célula quando retirada do fígado e colocada em um meio de cultura, ela não mais atuará como uma célula de fígado, a reprodução será de forma desordenada, formando células sem função definida, ao final, não se terá o órgão mas apenas um aglomerado disforme de células. É fácil de se perceber que alguma coisa mudou para aquela célula que foi isolada, não recebe mais os comandos necessários para se comportar como uma célula de fígado.

As células, funcionando como máquinas diminutas compondo uma máquina muito maior, recebem a informação necessária para se especializarem, do Espírito encarnado, através dos centros vitais. Como diz André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos [3], pg. 30, “São os centros vitais fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem ass células a especialização extrema, pela qual o homem possui no corpo denso...”; e, na mesma página diz o seguinte: “Essas células que obedecem às ordens do espírito, diferenciando-se e adaptando-se às condições por ele criadas, procedem do elemento primitivo, comum, de que todos provimos em laboriosa marcha no decurso dos milênios...”

É através do centro coronário que o Espírito controla a forma organizada, embutindo em cada célula a especialidade que necessita para cumprir com a função que lhe é esperada.

Joanna de Ângelis, no livro O Ser Consciente, coloca com extrema clareza que as patologias estão diretamente relacionadas com o estado mental do Espírito ao dizer: “Sendo, a criatura humana, constituída pela energia que o espírito envia a todos os departamentos materiais e equipamentos nervosos, qualquer distonia que a perturbe abre campo para a irrupção de doenças, a manifestação de distúrbios, que levam aos vários desconcertos patológicos, conhecidos como enfermidades.” [4]

Ainda no livro acima mencionado, Joanna de Ângelis lista vários dos fatores que causam o desequilíbrio neste fluxo de energia, ou seja, sentimentos comuns a tantos de nós, no nível evolutivo comum das criaturas viventes neste mundo de expiação e provas. Dentre os exemplos, encontra-se: o amor, não o amor sublime mas aquele amor desenfreado, possessivo em que os participantes se entregam aos desejos, é apresentado como “grande demolidor das estruturas celulares”; a angústia é apresentada como “semelhante a densa carga tóxica que se aspira lentamente”; o rancor é apresentado como produtor de ácidos destruidores “que consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças”; e finalmente, o ódio é apresentado como “tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física” e seu poder tóxico é explicado como “Agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida e o mundo”, grifos nossos.

De tudo o que foi exposto poder-se-ia, talvez, dizer que, devido às transgressões que todos cometem durante suas várias existências, o corpo mental, seguindo a lei de causa e efeito, imprime ao corpo espiritual certos..., que por falta de terminologia mais adequada, poder-se-ia chamar de “pontos obscuros”; em determinado momento da vida, esses pontos eclodem, dificultando a comunicação entre o Espírito e as células propiciando, assim, uma degeneração comportamental da célula. Dependendo do grau de gravidade destes pontos obscuros, dependerá também o grau de gravidade da degeneração.

É necessário ter em mente que um determinismo absoluto não existe, a encarnação é concedida para o aprimoramento do Espírito, tendo este a oportunidade da reparação das transgressões cometidas, o processo é dinâmico podendo-se, em uma única encarnação apenas, minorar ou agravar a situação em que se encontre.


Artigo originalmente publicado na Revista Internacional de Espiritismo – agosto de 2002.

Referência:

[1] Kardec A.; “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”; 36ª edição, FEB, 1995.

[2] Revista Super Interessante, Editora Abril, ano 15, no 1, janeiro de 2001

[3] ANDRÉ LUIS; “Evolução em Dois Mundos” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.

[4] Joanna de Angelis; “O Ser Consciente” (Psicografia de Divaldo Franco); 8a edição, Livraria Espírita Alvorada Nova Editora, 1995, pg 42.



endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo220.html imagem: adoratual.wordpress.com


9 comentários:

Jeanne disse...

Todas as doenças provêm do espírito, inclusive o câncer. Como podem ser expiação, a causa pode estar em encarnação anterior.
De qualquer forma, só abordo este assunto com quem já tem conhecimento suficiente para absorver o impacto, para evitar de que a pessoa doente, ainda cultive uma culpa inútil pelo seu estado...
Tem um selinho pra ti lá no blog, beijos :)

REGINA GOULART SANTOS disse...

Meu querido amigo, o câncer sempre foi uma doença tendo por fato gerador, alguma circunstância de ordem emocional, tais como as demais doenças auto-imunes. Mas sabemos que esta causa emocional está implicitamente relacionada a todo um panorama de desequilíbrio energético interligado ao perispírito.
O rancor e ódio, possuem deletéria potencialidade causal de possibilitar o surgimento de diversas doenças, notadamente, o câncer.
Parabéns pelo vasto conteúdo deste post.

Desejo um domingo bem calmo, sereno, repleto de muita paz e harmonia.
Beijos de luz

Uman disse...

Jeanne,
tem assuntos realmente que não se pode falar, a não ser com pessoas que possam compreender. E esta doença é uma delas.
E se a doutrina nos consola com o conhecimento e não podemos falar (sobre o câncer, por exemplo), o Evangelho que aprendemos nos diz para apenas amarmos e consolarmos aqueles que passam por provações e seus familiares.

Jeanne, uma ótima semana!!
Beijo,
Jorge

Uman disse...

Regina, doce Anjo

Teu conhecimento é muito vasto. Aprendo com sua sabedoria pois colocas a mente e o coração em movimento conjuntamente. Assim, sua energia vibra equilíbrio e força a irradiar para todfos nós, teus amigos e seguidores.

Muita paz e luz neta semana que se inicia!!

Beijo,
Jorge

Norma Villares disse...

Amigo da alma e do coração,
A sua presença em nosso espaço só embelezam o blog com seus comentários.

Todos as doenças tem um siginificado profundo a ser interpretado. Aqueles que fazem a escita profunda, compreendem este significado e reformula a vida.

Eu rogo ao Divino Mestre que preencham suas vidas de muita luz.
Sublimes abraços

Norma Villares disse...

Uman/Jorge estamos sentindo sua falta. Viajou?
Abaços afetuosos

Carolina Arêas disse...

Uman, adorei!

Vou te "ler" sempre.

Beijos.

Uman disse...

Norma,

Sou sempre grato por sua visita. Adoro estar em seus dois lares, onde a cultura e o amor se fundem e saio de lá sempre mais leve.

Obrigado, minha amiga de londa data!
beijo,
Jorge

Uman disse...

Carolina,

Obrigado pelo carinho.
Volte sempre, com tua alegria!!

beijo,
Jorge

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