sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FOTOGRAFIA DO PENSAMENTO


Revista Espírita
Jornal de Estudos Psicológicos Justificarpublicada sob a direção de Allan Kardec
junho de 1868

O fenômeno da fotografia do PENSAMENTO se ligando ao das criações fluídicas, descrito em nosso livro da GÊNESE, no capítulo dos fluidos, para maior clareza reproduzimos a passagem desse capítulo, onde esse assunto é tratado, e o completamos com novas observações.

Os fluidos espirituais, que constituem, propriamente falando, um dos estados do fluido cósmico, são a atmosfera dos seres espirituais; é o elemento onde eles haurem os materiais sobre os quais operam; é o meio onde se passam os fenômenos especiais perceptíveis à vista e ao ouvido do Espírito, e que escapam aos sentidos carnais impressionados somente pela matéria tangível, onde se forma essa luz particular ao mundo espiritual, diferente da luz comum por sua causa e seus efeitos; é, enfim, o veículo do PENSAMENTO, como o ar é o veículo do som.

Os Espíritos agindo sobre os fluidos espirituais, não os manipulam como os homens manipulam os gases, mas com a ajuda do PENSAMENTO e da vontade. O PENSAMENTO e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para o homem. Pelo PENSAMENTO, eles imprimem a esses fluidos tal ou tal direção; aglomeram-nos, combinam-nos ou os dispersam; com eles formam conjuntos tendo uma aparência, uma forma, uma cor determinada; mudando-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou outros corpos, os combinam segundo certas leis; é a grande oficina ou o laboratório da vida espiritual.

Algumas vezes, essas transformações são o resultado de uma intenção; freqüentemente, são o produto de um PENSAMENTO inconsciente; basta ao Espírito pensar numa coisa para que essa coisa se produza, como basta modular uma ária para que essa ária repercuta na atmosfera.

É assim, por exemplo, que um Espírito se apresenta à vista de um encarnado dotado da visão psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo, na época em que foi conhecido, tivesse tido várias encarnações depois. Ele se apresenta com a roupa, os sinais exteriores - enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc., que tinha então; um decapitado se apresentará com a cabeça a menos. Não é dizer que ele conserva essas aparências; não, certamente; porque como Espírito ele não é nem coxo, nem maneta, nem caolho, nem decapitado, mas seu PENSAMENTO reportando-se à época em que era assim, seu perispírito lhe toma instantaneamente as aparências, que deixa do mesmo modo instantaneamente, desde que seu pensamento deixa de agir. Se, pois, foi uma vez negro, outra vez branco, ele se apresentará como negro ou como branco, segundo a dessas duas encarnações sob a qual for evocado, e onde se reportar o seu PENSAMENTO.

Por um efeito análogo, o PENSAMENTO do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tinha o hábito de se servir: um avaro manejará o ouro; um militar terá as suas armas e o seu uniforme; um fumante, o seu cachimbo; um lavrador, a sua charrua e seus bois; uma velha, a sua roca para afiar. Esses objetos fluídicos são tão reais para o Espírito que é, ele mesmo, fluídico, quanto eram no estado material para o homem vivo; mas, pela mesma razão que são criados pelo PENSAMENTO, a sua existência é tão fugidia quanto o PENSAMENTO.

Sendo os fluidos o veículo do PENSAMENTO, eles nos trazem o PENSAMENTO, como o ar nos traz o som. Pode-se, pois, dizer, em verdade, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros.

Como se vê, é uma ordem de fatos toda nova que se passam fora do mundo tangível, e constituem, podendo-se assim dizer, a física e a química especiais do mundo invisível. Mas como, durante a encarnação, o princípio espiritual está unido ao princípio material, disto resulta que certos fenômenos do mundo espiritual se produzem conjuntamente com os do mundo material, e são inexplicáveis para quem não lhes conhece as leis. O conhecimento dessas leis é, pois, tão útil aos encarnados quanto aos desencarnados, uma vez que só elas podem explicar certos fatos da vida material.

O PENSAMENTO, criando imagens fluídicas, se reflete no envoltório espiritual como numa vidraça, ou ainda como essas imagens de objetos terrestres que se refletem nos vapores de ar; ela ali toma um corpo e se fotografa de alguma sorte. Que um homem tenha, por exemplo, a idéia de matar um outro, por impassível que seja seu corpo material, seu corpo fluídico é posto em ação pelo PENSAMENTO do qual reproduz todas as nuanças; ele executa fluidicamente o gesto, o ato que tem o desejo de realizar; seu PENSAMENTO cria a imagem da vítima, e a cena inteira se pinta, como num quadro, tal qual ela está em seu espírito.

É assim que os movimentos mais secretos da alma repercutem no envoltório fluídico; que uma alma, encarnada ou desencarnada, pode ler numa outra como num livro, e ver o que não é perceptível pelos olhos do corpo. Os olhos do corpo vêem as impressões interiores que se refletem sobre os indícios do rosto: a cólera, a alegria, a tristeza; mas a alma vê sobre os indícios da alma os PENSAMENTOS que não se traduzem ao redor.

No entanto, segundo a intenção, o vidente pode bem pressentir o cumprimento do ato que lhe será a conseqüência, mas não pode determinar o momento em que se cumprirá, nem lhe precisar os detalhes, nem mesmo afirmar que ocorrerá, porque circunstâncias ulteriores poderão modificar os planos decididos e mudar as disposições. Ele não pode ver o que não está ainda no PENSAMENTO; o que vê é a preocupação do momento, ou habitual, do indivíduo, seus desejos, seus projetos, suas intenções boas ou más; daí os erros nas previsões de certos videntes, quando um acontecimento está subordinado ao livre-arbítrio do homem; não podem senão pressentir-Ihe a probabilidade segundo o PENSAMENTO que vêem, mas não afirmar que ocorrerá de tal maneira e em tal momento. A maior ou a menor exatidão nas previsões, depende, além disso, do alcance e da clareza da visão psíquica; em certos indivíduos, Espíritos ou encarnados, ela é difusa ou limitada a um ponto, ao passo que, em outros, ela é limpa, e abarca o conjunto dos pensamentos e da vontade, devendo concorrer para a realização de um fato; mas, acima de tudo, há sempre a vontade superior que pode, em sua sabedoria, permitir uma revelação ou impedi-la; neste caso, um véu impenetrável é lançado sobre a visão psíquica mais perspicaz. (Ver na Gênese, o cap. da Presciência.)

A teoria das criações fluídicas e, conseqüentemente, da fotografia do PENSAMENTO, é uma conquistado Espiritismo moderno, e pode ser, doravante, considerada como adquirida em princípio, salvo as aplicações de detalhes que são o resultado da observação. Esse fenômeno é, incontestavelmente. A fonte das visões fantásticas, e deve desempenhar um grande papel em certos sonhos.

Pensamos que nele se pode encontrar a explicação da mediunidade do copo com água. (Ver o art. precedente.) Desde que o objeto que se vê não está no copo, a água deve fazer o trabalho de uma vidraça que reflete a imagem criada pelo PENSAMENTO do Espírito. Esta imagem pode ser a reprodução de uma coisa real, como pode ser a de uma criação de fantasia. O copo com água não é, em todos os casos, senão um meio de reproduzi-la, mas não é o único, assim como o prova a diversidade de procedimentos empregados por alguns videntes; este, talvez, convenha melhor para certas organizações.

* * *

O PENSAMENTO IN O LIVRO DOS ESPÍRITOS (Allan Kardec)

A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o PENSAMENTO, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover as suas necessidades. (Trecho da nota de Allan Kardec para a resposta dos Espíritos à q. 71)

89. Os Espíritos gastam algum tempo para atravessar o espaço?
-- Sim; mas rápido como o PENSAMENTO.

89-a. O pensamento não é a própria alma que se transporta?
-- Quando o PENSAMENTO está em alguma parte, a alma também o está, pois é a alma que pensa. O pensamento é um atributo.

100 - ...A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta: nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, a não ser no conjunto: de um grau a outro a transição é insensível, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do arco-íris ou ainda nos diferentes períodos da vida humana. Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira por que se considerar o assunto. Acontece o mesmo que em todos os sistemas de classificação científica: os sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência; mas, sejam como forem, nada alteram quanto à substância da Ciência. Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores conseqüências. Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional. Para eles O PENSAMENTO É TUDO: deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.

TRANSMISSÃO OCULTA DO PENSAMENTO

419. Qual a razão por que a idéia de uma descoberta, por exemplo, surge ao mesmo tempo em muitos pontos?
-- Já dissemos que, durante o sono, os Espíritos se comunicam entre si. Pois bem, quando o corpo desperta, o Espírito se recorda do que aprendeu, e o homem julga ter inventado. Assim, muitos podem encontrar a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando dizeis que uma idéia está no ar, fazeis uma figura mais exata do que pensais; cada um contribui, sem o suspeitar, para propagá-la.

Nota de A. Kardec: Nosso Espírito revela assim, muitas vezes, a outros Espíritos, e à nossa revelia, aquilo que constitui o objeto das nossas preocupações de vigília.

420. Os Espíritos podem comunicar-se, se o corpo estiver completamente acordado?
-- O Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa: ele irradia em todo o seu redor; eis porque poderá comunicar-se com outros Espíritos, mesmo no estado de vigília, embora o faça mais dificilmente.

421. Por que duas pessoas, perfeitamente despertas, têm muitas vezes, instantaneamente, o mesmo pensamento?
-- São dois Espíritos simpáticos que se comunicam e vêem reciprocamente os seus PENSAMENTOS, mesmo quando não dormem.

Nota de A. Kardec: Há entre os Espíritos afins uma comunicação de PENSAMENTOS permitindo que duas pessoas se vejam e se compreendam sem a necessidade dos signos exteriores da linguagem. Poderia dizer-se que elas falam a linguagem dos Espíritos.

649. Em que consiste a adoração?
-- É a elevação do PENSAMENTO a Deus. Pela adoração o homem aproxima dEle a sua alma.

Possuímos em nós mesmos, pelo PENSAMENTO e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea. A prece por outros é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar os bons Espíritos em auxílio daquele por quem pedimos, a fim de lhe sugerirem bons PENSAMENTOS e lhe darem a força necessária para o corpo e a alma. Mas ainda nesse caso a prece do coração é tudo e a dos lábios não é nada. (Nota de Allan Kardec para a resposta dos Espíritos à q. 662)

833. Há no homem qualquer coisa que escape a todo constrangimento, e pela qual ele goze de uma liberdade absoluta?
-- É pelo PENSAMENTO que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o PENSAMENTO não conhece entraves. Pode-se impedir a sua manifestação, mas não aniquilá-lo.

834. O homem é responsável pelo seu pensamento?
-- Ele é responsável perante Deus. Só Deus, podendo conhecê-lo, condena-o ou absolve-o, segundo a sua justiça.

835. A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensar?
-- A consciência é um PENSAMENTO íntimo, que pertence ao homem como todos os outros pensamentos.

Diz Allan Kardec, no livro “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” (cap. XXVII, item 10):

“O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do PENSAMENTO, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso PENSAMENTO eleva-se a ele. Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do PENSAMENTO, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do fluido universal se ampliam ao infinito. Quando, pois, o PENSAMENTO se dirige para algum ser, na terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o PENSAMENTO, como o ar transmite o som.

A energia da corrente guarda proporção com a do PENSAMENTO e da vontade. É assim que os Espíritos ouvem a prece que lhes é dirigida, qualquer que seja o lugar onde se encontrem, assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados”.

in REVISTA ESPÍRITA, outubro de 1864 (TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO - Meu fantástico)
http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/Revista_Espirita/Textos/TRANSMISSAO_DE_PENSAM.htm

...os Espíritos não têm mais necessidade da linguagem articulada; eles se compreendem sem o recurso da palavra, tão só pela transmissão do PENSAMENTO, que é a língua universal.


endereço: http://aeradoespirito2.sites.uol.com.br/RevistaEspirita/FOTOG_DO_PENSAMENTO.htm imagem: livrepensamento.com


2 comentários:

Norma Villares disse...

Uman e Jorge amigos da alma,
Que maravilha de postagem, na época de Kardec ocorreu um casdo muito interessante de um jornalista que publicou um fotografia do pensamento de médium. Não me recordo bem os detalhes.
Paz e Bem!
Um grande abraço afetuoso

Uman disse...

Norma,

Kardec aprofundou em muitos assuntos. Dá gosto realmente estudá-lo!!.
Anjo, um ótimo fim de semana!!!
Beijo,
Jorge

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