quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VACINAÇÃO, DESAFIO DE URGÊNCIA


Luiz Carlos D. Formiga

No estado atual da sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?

(... ) Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas."

(O Livro dos Espíritos, Alian Kardec, questão 796)

Foi um ano histórico para a ciência biomédica aquele de 1890. No Instituto Robert Koch, de Berlim, Von Behring e Kitasato apararam a Imunologia no seu nascimento. Demonstraram esses pesquisadores que no soro sangüíneo de animais inoculados com o microrganismo causador da difteria (crupe) havia a presença de substâncias ou fatores antibacterianos.

Naquela época era a difteria uma doença que se apresentava, no mundo, com alta taxa de mortalidade infantil. No período de 1883-84 Klebs e Löeffler conseguiram demonstrar que aquela doença, que se apresentava inicialmente como uma dor de garganta levando à prostração severa, era causada por um micróbio (bacilo diftérico).

Quatro anos depois Roux e Yersin demonstraram que aquele quadro era principalmente produzido pela distribuição sangüínea de forte veneno (exotoxina). E em 1890 esses missionários da ciência conseguiram demonstrar no soro de animais de laboratório a presença de um fator capaz de neutralizar os efeitos do tóxico microbiano. Nascia assim a era da soroterapia, que abriria novas perspectivas no campo da medicina curativa. Não ficam aí os trabalhos dos abnegados pesquisadores da ciência médica. Contribuição maior vem de Ramon que, trinta anos depois, preocupado talvez com os efeitos colaterais que o tratamento pelo soro acarretava, embrenha-se pelos caminhos, nem sempre tranqüilos, da medicina preventiva. Ramon em 1923 apresenta à sociedade biomédica uma descoberta que iria revolucionar o então "status quo" no campo das doenças humanas transmissíveis. Apresenta-nos um derivativo do veneno bacteriano que, conservando suas características antigênicas, isto é, sendo capaz de estimular o organismo a produzir suas próprias defesas, seus antídotos, perdera sua capacidade tóxica ou venenosa. Nascia assim a Imunologia para a Ciência e com ela a vacinação infantil.

Estabelecer um serviço de imunização infantil eficaz e permanente é, para qualquer país, dar um passo adiante no sentido do desenvolvimento social e econômico. Entretanto, para se estabelecer este serviço é necessário trilhar caminhos cheios de percalços, uma vez que: 1) os serviços de saúde não estão vinculados às mães para poder administrar às crianças a vacina de que necessitam na idade apropriada; 2) as necessidades técnicas de um Programa Nacional de Vacinação exigem conhecimentos técnicos no planejamento, na administração e uma supervisão prática dos serviços;

3) a fabricação, estocagem e aplicação são extremamente dispendiosas. Entretanto, muito se pode fazer, melhorando os sistemas de atenção à saúde para levar às crianças e às mães a imunização; melhorando-se os sistemas para atender a população rural e setores da população urbana que disponham de menos recursos. A colaboração de uma população bem informada, a obtenção de fundos e o fortalecimento efetivo dos serviços básicos de saúde são objetivos difíceis mas acessíveis.

Não podemos esquecer que a vacina não precisa ser inventada. É uma técnica relativamente antiga e efetiva.

Os resultados que parecem grotescos é que apesar da revolução tecnológica registrada nos meios de comunicação social (a televisão, o rádio, os documentos cinematográficos, as revistas ilustradas) sigamos ignorando a possibilidade de evitar tantas mortes. Milhões de crianças sobrevivem a infecções evitáveis com a vacinação, porém arrastam para o resto de suas vidas trágicas seqüelas: lesões cerebrais, paralisias, atraso do crescimento, enfermidades pulmonares crônicas, cegueira, surdez, etc.

Nos países desenvolvidos 80% das crianças estão imunizadas contra as enfermidades mais mortíferas da infância: difteria, coqueluche, tétano, poliomielite e sarampo.

O sarampo, muito mais contagioso do que a varíola, é grave problema de saúde pública, entretanto, basta uma dose da vacina de vírus vivo para obter-se um grau de proteção de 95% por espaço mínimo de 4-5 anos, e provavelmente durante toda a vida da pessoa vacinada.

*

Mas se o ano de 1890 é um marco na história da saúde física, o ano de 1857 é o marco na história da saúde física e mental com a chegada do Consolador. Quando Allan Kardec inspirado pelas "Vozes dos Céus" publicou "O Livro dos Espíritos" a filosofia tremeu nas suas bases. Porque a Doutrina Espírita é a vacina que arranca da treva, que apresenta a estrada da redenção e que diz que todos os nossos erros são resgatáveis. O homem está na Terra em experiência evolutiva. A Terra não é um lugar de degredo, não é o vale das lágrimas, não é o inferno. É a bendita escola, é o jardim onde colhemos e semeamos. A Terra é o educandário de luz, no qual forjamos a nossa própria evolução, no qual adquirimos as experiências da nossa redenção. A Doutrina Espírita desde 1857, 123 anos atrás, inaugurou a era do espírito imortal. Tem-se agora a certeza de que os mortos voltam e voltam para nos arrancar do caos e nos levar na direção de Deus. Se nós devemos a Behring, Kitasato, Klebs, Löeffler e a Ramon a era da vacinação, devemos a Denis, Flammarion, Crookes, Delanne, Bezerra e a Kardec, iluminados por Jesus, a era da vacinação mental, o prenúncio de uma era melhor, sem poluição psíquica. Porque, à semelhança da Medicina, a Doutrina Espirita institui da mesma forma as técnicas de vacinação, apresentando como referência bibliográfica o Evangelho de Jesus, o maior tratado de Imunologia que a humanidade conhece, como o afirmou Joaquim Murtinho pelas mãos de Francisco Cândido Xavier. Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito, que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.

A semelhança da soroterapia para as doenças orgânicas, instituiu a Doutrina Espírita a desobsessão que vai desenvolver defesa estabelecida por ação exterior. É um tratamento com dose muita vez indeterminada, porque é muito mais fácil educar do que reeducar.

Os estados mórbidos da mente humana costumam ser distribuídos por duas condições gerais de desordem mental: neurose e psicose, distintas primariamente por intensidade de desarranjo. A primeira pertence à área da Psicanálise e a segunda à da Psiquiatria. Neurose é um distúrbio emocional da personalidade que conduz o doente a um estilo de vida desajustado. Ele está sempre em conflito consigo mesmo e com o ambiente. No primeiro caso, porque tendências contraditórias se debatem dentro dele, como a necessidade de afeto e a hostilidade. No segundo, porque luta agressivamente contra os fatores externos como se estes constituíssem uma ameaça à sua vida e, ao mesmo tempo, procura recuar diante deles como se julgasse não poder enfrentá-los. Acha o neurótico que deve lutar antes de cooperar e, por isso, é fortemente competitivo (ainda que não pareça).

Neurose corresponde em trabalhos espíritas ao termo clássico perturbação, definida como estado de ânimo desajustado, em que o indivíduo não consegue manter a estabilidade emocional e mental, desviando-se para a tristeza, pessimismo, desânimo, agressividade e reações negativas desse tipo.

A fim de alcançar um ajuste precário com a circunstância em que vive, o paciente vê-se forçado a criar diversas maneiras de pensar e agir, conhecidas como pseudo-soluções, visto não resolverem o problema íntimo. Muitos são os comportamentos apresentados, mas as pessoas assumem um de três tipos de atitude geral (com inúmeras variações individuais) : 1) aproximam-se dos outros porque precisam ansiosamente de afeto e não suportam a solidão; 2) opõem-se porque são agressivamente ambiciosos e querem dominar e possuir tudo; 3) afastam-se porque mal toleram o contacto humano e sentem-se melhor no isolamento. São três atitudes predominantes que não excluem as opostas, também presentes mas inaparentes. O sujeito que está em oposição aos outros é carente de afeição, mas procura ocultar isso. Servem para caracterizar três tipos básicos de personalidade: complacente, agressiva e indiferente. O homem normal contém esses elementos em proporções equilibradas. É amistoso, solidário, cooperativo. Sintomas orgânicos aparecem não em número pequeno (depressão, fobias, palpitações, inibição, cansaço, angústia, micção freqüente, etc.)

Aspecto fundamental do estado neurótico são as perturbações nas relações humanas e no trabalho. Pelas atitudes acima mencionadas, vê-se logo que o neurótico defronta enormes dificuldades no relacionamento com os seus semelhantes. Tanto que uma das definições afirma que "a neurose é uma perturbação nas relações humanas"; em suma, é-lhe muito difícil gostar dos outros, tratar com os outros e confiar na amizade deles. A atividade no neurótico é sempre inferior à sua capacidade, de modo que no trabalho ele é pouco produtivo. Nota-se bem que as perturbações emocionais atrapalham fortemente o aproveitamento da encarnação.

No curso da neurose o raciocínio conserva-se normal. Parece, às vezes, desviado da normalidade porque usa bases falsas; assim, o sujeito pensa que ninguém gosta dele, o mundo é um lugar mau e perigoso, ou inversamente ele adora todo mundo. Ora, esses juízos são falsos e falseiam os raciocínios enunciados. Na verdade, o mecanismo de pensar está intacto. Existe o senso da realidade e a vida social é possível. O neurótico convive conosco, no trabalho e dentro do lar.

Na psicose, a desorganização da mente é muito mais avançada. O senso da realidade e a vida social mostram-se nulos ou quase.

O psicótico não pode conviver conosco, a sociedade manda segregá-lo para tratamento e assim é indispensável, pois não pode responder pelo que faz.

O que mais importa perguntar é o que se mostra no fundo das neuroses e psicoses, impregnando o espírito. Lá está, bem perceptível, a citada tríade afetiva do desequilíbrio mental. Os agentes etiológicos, os "micróbios" do egoísmo, do orgulho e da hostilidade numa associação sinérgica.

A causa geral de qualquer perturbação psíquica reside na desobediência constante às determinações da Lei de Deus (abandono sistemático das obrigações impostas pela Lei). Uns estão rebelados contra a vida, o mundo e Deus; outros estão desanimados ante os obstáculos a remover do próprio caminho. Um dia, eclodem os variados sintomas neuróticos ou psicóticos, conforme a intensidade da perturbação íntima. Temos assim, como causa específica as imperfeições afetivas do Espírito, sendo o egoísmo a base dos sentimentos desequilibrantes da alma, esse excessivo apego ao próprio bem, sem considerar o dos outros. É a chamada "hipertrofia congênita do eu" ou ainda "obsessão neurótica do eu". Em outras ocasiões encontramos associado o orgulho, inflação da personalidade, o desejo de parecer superior ao que é. Assim esses indivíduos só se ocupam de suas conveniências e vantagens. "Eles gostam de levar vantagens em tudo" ignorando os outros. O psicólogo Adler e o psicanalista Ralph fizeram comentários muito pertinentes quando dizem que "todos os fracassados - neuróticos, psicóticos, criminosos, bêbados, crianças-problemas, suicidas, pervertidos e prostitutas - dão à vida um sentido privado; ninguém é beneficiado pelas realizações dos seus objetivos e os seus interesses não vão além de suas próprias pessoas...". Aninhado nas raízes inconscientes está sempre o grande fator que influencia a conduta consciente - o egoísmo. A pessoa que é sempre teatro de lutas e dores é a pessoa que está sempre ocupada com pensamentos relativos a si mesma.

Um fator a mais está sempre presente, a obsessão - a influência maléfica, intencional ou inconsciente, exercida por Espíritos imperfeitos sobre a humanidade encarnada, de modo prolongado. "O predomínio de uma mente sobre a outra produzindo constrição”. A obsessão complica o quadro dos desequilíbrios já existentes e é causa única de multas formas de demência. Um homem pode enlouquecer só porque um Espírito mau se lhe aderiu à organização perispiritual, dominando-lhe a vontade e impondo-lhe seus pensamentos. Valiosa contribuição no campo da obsessão pode ser encontrada no livro do médico Adolfo Bezerra de Menezes - "A Loucura sob Nova Prisma". Estudos mais recentes, realizados no Hospital Psiquiátrico de Uberaba, parecem indicar que o processo é mais comum do que se supõe. A obsessão é portanto um constrangimento que um indivíduo sente, graças à presença perturbadora de um ser espiritual. Pode ser classificada em três graus distintos, como se lê em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, que as descreveu em seu capítulo XXIII como ninguém ainda o fez com tanta segurança. A obsessão simples - muito peculiar a quase todos os indivíduos - seria um tipo de "gripe emocional", que todos nós podemos ser dela vítimas, porque vivemos num mundo atribulado, imediatista, agressivo. Desequilibrando-nos e sintonizamos com os Espíritos também agressivos e desequilibrados. Quando ela se agrava é a obsessão por fascinação. O indivíduo se acredita abençoado por forças superiores e não admite o intercâmbio com os Espíritos menos ditosos; finalmente, quando ele perde o senso de equilíbrio, cai no que o Evangelho chamava de possessão e que Allan Kardec, muito adequadamente voltou a denominar como obsessão por subjugação. Subjugação porque a entidade subjuga-o, imprime-lhe a vontade e passa a exercer nele um predomínio quase total.

Allan Kardec, antecipando-se às descobertas de Klebs e Löeffler (1883-84), quando demonstraram a presença de uma entidade microbiana na difteria; as de Behring e Kitasato (1890), demonstrando um fator neutralizante no soro de animais de experimentação, e ainda as de Ramon em 1923, que introduziu a técnica da vacinação antidiftérica, nos traz com "O Livro dos Médiuns", no ano de 1861 a técnica da desobsessão e revive, com auxílio do Espíritos abnegados, a técnica da vacinação mental deixada há quase 2.000 anos por Jesus e hoje redescoberta pelos estudiosos do comportamento humano como Adler. "O Evangelho segundo o Espiritismo" deixa no século passado contribuição incomensurável, permitindo ao homem a oportunidade de desenvolver recursos próprios de defesa contra suas próprias imperfeições. Na doença diftérica a vacinação encontrou o caminho adequado para livrar a criança muita vez da morte. Mais interessante é que, insatisfeitos com "apenas" o vacinar, os pesquisadores desenvolvem um teste para avaliar a relativa susceptibilidade da criança à doença, em outras palavras, dispõe a ciência biomédica de um teste capaz de avaliar se a criança, vacinada ou não, possui defesas capazes de protegê-la contra um ataque da doença. Analogicamente possui o homem um teste seguro para verificar se a evangelização surtiu efeito no sentido do desenvolvimento de recursos contra a poluição psíquica. Conhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral.

No campo do tratamento espiritual a desobsessão corresponde à soroterapia no tratamento antitóxico da doença infecciosa. O médico socorre o paciente com a injeção, intravenosa ou intra-muscular, do medicamento capaz de estabelecer defesas (imunidade passiva) previamente produzidas no exterior. O indivíduo pode ser reequilibrado de fora para dentro, mas o processo patológico foi exercido e, ainda, corre risco de vida ou de seqüelas. A evangelização infanto-juvenil atua no mesmo campo da desobsessão, entretanto, à semelhança da imunização ativa (vacinação), permite o desenvolvimento de "elementos de defesa", mesmo antes do contacto com as fontes de infecção. A criança vacinada, mesmo que possa sofrer o processo de agressão microbiana e ficar doente, dispõe de resistência que acarreta quadro clínico mais brando e cura em tempo menor. A criança evangelizada será o homem vacinado do futuro e mesmo diante de um mundo imediatista e atribulado responderá favoravelmente à atmosfera neurotizante das grandes metrópoles.

Estabelecer um serviço de imunização infantil eficaz e permanente é, para qualquer país, dar um passo adiante no sentido do desenvolvimento social e econômico; estabelecer-se uma campanha nacional permanente de evangelização infanto-juvenil é anunciar a era nova. É lançar as bases para que o país venha a assumir o seu destino de coração do mundo, verdadeiro celeiro de amor. É por isso que o ano de 1857 é mais importante que o de 1890. Se o ano de 1890 trouxe a contribuição científica para a Medicina, a mensagem de 1857 trouxe Jesus de volta para nós, dizendo-nos que a verdadeira felicidade consiste em dar, em servir, em reter no coração a amor para distribuir em abundância.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bol. Ofic. Sanit. Pan. (OMS), 82(4): 285-299, 1977. Franco, D. P. Anotações palestras diversas. Kardec, A. O Livro dos Espíritos (tradução). 51a ed. FEB, RJ, 1980. Kardec, A. O Livro dos Médiuns (tradução). 4a ed. FEB, RJ, 1904.

Rizzini, C.T. Evolução para o Terceiro Milênio: tratado psíquico para o homem moderno. 1aed. EDICEL, SãoPaulo, SP, 1977.

(Reformador, 99 (1823): 61-64, fevereiro, 1981)


texto - http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/assistencia/vacinacao.html

imagem - soldegaya.jex.com.br

domingo, 17 de outubro de 2010

DIABETES: UMA ABORDAGEM ESPIRITUAL


Na opinião do médico espírita Júpiter Silveira, a diabetes pode fazer parte da programação reencarnatória do espírito para auxiliá-lo a ter uma vida mais disciplinada. É possível que em encarnação passada ele tenha levado uma vida muito desregrada...

Os pacientes portadores do diabete melito tipo 1 desenvolvem esta doença na infância e na adolescência, como conseqüência de um ata que do sistema imunológico às células beta de seu pâncreas.

A doença tem início abrupto, levando o paciente, na maioria dos casos, à internação hospitalar em estado de coma. Após a hospitalização, o paciente e sua família se defrontam com uma série de condutas que incluem dieta, exercícios físicos, aplicações de insulina, exames laboratoriais, testes de urina e sangue, visitas constantes ao médico, entre outras.
O paciente passa por diversas fases de entendimento e aceitação da doença, mas, após alguns anos, a maioria deles abandona as condutas preconizadas, só retornando a elas quando começam a aparecer as complicações: retinopatia, neuropatia, nefropatia etc.

O estímulo para esses pacientes cumprirem as condutas propos tas vem geralmente da pressão exercida pela família e pelo endocrinologista, isto é, a conduta lhe é imposta sem sua concordância. Como são espíritos muito inteligentes e sensíveis, mas extremamente indisciplinados, a anuência a essas condutas de veria ocorrer como conseqüência de seu entendimento do porquê da doença e do porquê da dor.



Objetivos

Temos tentado esclarecer o paciente, através de exposições sobre programação reencarnatória, que ele aceitou e/ou solicitou a possi bilidade do diabete como aprendizado necessário para seu espírito, levando-o à compreensão de que a causa do diabete está nas dificulda des encontradas pelo espírito bem antes da lesão pancreática.

Com o despertar que o esclarecimento lhe traz, abre-se em sua mente um campo novo de cogitações sobre a vida espiritual, sobre a imortalidade, levando-o a uma visão mais ampla da vida e desaparecen do a visão puramente organicista. O enfoque do diabete sai do pâncre as e vai para o espírito.

Na medida em que seu entendimento se amplia e se aprofunda, o paciente se livra das pressões que lhe foram impostas e assume uma postura mais lúcida, mais equilibrada em relação a si mesmo. E isso se traduz através de uma aderência maior ao tratamento. Quantificamos essa aderência pela dosagem periódica da hemoglobina glicosilada, método hoje aceito mundialmente como o melhor para avaliar o controle do diabete.



Material e métodos

Convidamos, por ordem de chegada à clínica, dez pacientes jovens que não apresentassem complicações diabéticas secundárias, para partici parem das exposições sobre a programação reencarnatória. Poderiam se fazer acompanhar dos pais.

Perguntamos inicialmente a cada um onde estava dois anos antes de “entrar na barriga” de sua mãe. Co-mo já comentamos, eles são jovens muito inteligentes, acostumados a dar respostas imediatamen te. Nenhum deles soube responder, exceto um que é espírita. Insistimos com as perguntas: E há três anos? Quatro anos? Cinco anos antes de você entrar na barriga de sua mãe? Quem era você? Onde você estava?

É extremamente curioso constatar que eles nunca tinham sequer cogitado sobre essa época de sua existência. Para eles também, a expe riência é excitante. Mais tarde, eles comentam: “Eu nunca tinha pensa do nisso. Como pode”?

Gerada essa expectativa, passamos a discorrer sobre o Instituto da Reencarnação (Missionários da Luz). Informamos sobre o mundo es piritual, as cidades espirituais, a moradia dos espíritos, a verdadeira pátria espiritual. Entre outras coisas, esclarecemos que ali eles estavam adultos, mais maduros, emancipados, podendo ver as últimas reencarnações e cogi tar o planejamento das próximas.

Observando as últimas vivências, notaram que tinham falhado pela própria indisciplina, a qual continua sendo o traço marcante negativo de suas personalidades. Também reconheciam a extrema dificuldade em trabalhar as perdas. A indisciplina os tinha levado a falhar na con quista dos reais objetivos de uma reencarnação e o espírito, com toda sua bagagem, sente-se culpado pelo tempo perdido e pede o diabete como aprendizado, para que possa se disciplinar. Nada mais disciplinador do que o diabete melito: horário para levantar e para deitar, exercícios diários, alimentação na hora certa com as calorias certas, testes de urina, testes de sangue, aplicações de insulina várias vezes ao dia, consultas médicas. Tudo pelo resto da vida. E foi você quem pediu!



Os três projetos

No Projeto Biofísico, em conformidade com a genética dos futuros pais, são mostrados os mí nimos detalhes físicos, como altura, cor da pele, cor dos olhos, beleza, fealdade e compleição física de seu futuro corpo, em diferentes planilhas para cada um de seus sistemas: neurológico, sistema músculo-esquelético, sistema endócrino etc. Após o mergulho no útero materno e o nascimento, os pais procu ram dar continuidade a esse projeto, através de alimentação sadia, vitaminas, medicamentos, vacinas, esportes etc.

Pelo Projeto Social, em sua programação reencarnatória também ficou sabendo sobre a família que teria, o acesso à cultura, a escolaridade, a possibilidade de cursar universidade, a profissão, as tarefas na sociedade etc. A continuida de desse projeto geralmente é assegurada pela família, que se empenha em lhe fornecer recursos para sua educação, instrução e formação profissional, mas quase sempre sob a ótica materialista, acatando as tendências mercantilistas sem analisar as aptidões e necessidades do espírito.

O Projeto Espiritual é o mais importante dos projetos, o motivo principal da reen carnação, a oportunidade de crescimento espiritual. Por que estamos reencarnados? Para quê? Quais são os objetivos de uma reencarnação? Crescermos fortes e sadios? Atingirmos posições de destaque na sociedade? Só isso?

Não. O objetivo maior é o crescimento espiritual. Desenvolvermos os projetos do espírito que estão abandonados há séculos. Crescermos em conhecimento e capacidade afetiva, vencendo as carências e defei tos do espírito. Por exemplo, sua indisciplina. Se você se disciplinar, você vence o diabete, do contrário, o diabete vence você.

A disciplina nascida de um entendimento profundo sobre suas dificuldades espirituais dará início ao processo de cura do espírito, a verdadeira cura. Nesse instante, passamos a comentar a lição evangélica da obediên cia e resignação.


Resultados

Como já comentamos, os diabéticos tipo 1 são jovens muito inteligentes e sensíveis. Todos entendem e aceitam a proposta com muita naturalidade, ao contrário de seus acompanhantes, que geral mente não entendem.

Do grupo inicial de dez pacientes, três não puderam assistir às expo sições por mudanças nos seus horários de trabalho e estudo. Quatro jovens desse grupo solicitaram livros espíritas para se aprofundarem no assunto.

A hemoglobina glicosilada, que foi escolhida por nós como o princi paI método de avaliação da aderência ao tratamento, mostrou sensível melhora na maioria dos pacientes. Ficou igual em um paciente e piorou em um outro.

O tempo de acompanhamento do grupo foi extremamente curto, entretanto, permitiu conclusões definitivas. Com a continuidade do trabalho, é possível fazermos uma avaliação mais segura e abrangente. As exposições não tiveram a intenção de “converter” os pacientes em espíritas, mas sim informá-los sobre a vida espiritual, dando-lhes condições de buscar um novo paradigma de vida.

Somente através da educação o espírito consegue despertar para sua condição de espírito milenar com responsabilidades sobre seus atos passados, abandonando dogmas e velhos conceitos e entendendo que ele é o construtor de seu futuro. Desmistificando o nascimento e a morte como o início e o fim de tudo, desperta para a imortalidade da alma e entende que as dificulda des do corpo físico servem como um aprendizado para seu espírito, propiciadoras de crescimento e libertação.


Dr. Júpiter Silveira

Artigo publicado na edição 13 da Revista Cristã de Espiritismo.


endereço: http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=7884
imagem: www.labanalise.com.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

FASCINAÇÃO: PRAZER CEGO DE UMA PAIXÃO

Processo tiranizante dos Espíritos obsessores
O leitor conhece alguém que a admite sem resistência ?

Dr. Iso Jorge Teixeira*

isojorge@globo.com

Mulher e morte
Jacob de Gheyn II, séc. 17

O fascinado não admite estar sendo enganado, pois se compraz pelo fato do seu amor-próprio estar sendo exaltado
(Iso Jorge Teixeira)

Fogo e Controle
KARDEC compara o mecanismo de ação do obsessor a um manto ou um lençol d’água com que se abafa o fogo
(Iso Jorge Teixeira)

Vaidade e morte
Jacob de Gheyn II, séc. 17

Obsessor e obsidiado estão intimamente ligados. Na fascinação há sempre a vaidade e orgulho do médium e uma paixão
(Iso Jorge Teixeira)

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No dia 08 de novembro/2005 escreveu-nos uma leitora, que permanecerá no anonimato sob pseudônimo, a seu pedido explicitado, abaixo, disse ela:

“Caro Dr.Iso

Seus artigos sempre sérios e instrutivos , evidenciando os seus estudos e pesquisas da Doutrina Espírita, nos trazem enormes contribuições no entendimento dos Ensinos dos Espíritos Superiores. Diante disso, julgo oportuno solicitar ao Sr. um artigo sobre Fascinação; pois temos visto uma avalanche de comunicações de Espíritos desencarnados, e percebemos que a falta de análise, observação dessas comunicações tem causado inúmeras distorções do ensinos doutrinários, e visto que médiuns acabam sendo envolvidos em idolatrias, causando toda a espécie de constrangimentos. Espero a sua compreensão dessa parte confidencial.

Agradeço antecipadamente a sua atenção.

Que Deus o inspire sempre .

Jeanne Beck – São Paulo - SP

“Obs.: Dr.Iso se puder trocar o meu nome em seu artigo, eu lhe agradeço, pois no meu convívio social/ familiar, estamos enfrentando um caso de fascinação ( há 17 anos), e as pessoas lêem seus artigos..e meu nome poderia causar algum mal estar principalmente nos que ainda não perceberam que a pessoa esta nesse processo de fascinado.”

Bem, caríssima Sra. leitora JEANNE, a grande dificuldade no processo de fascinação está, exatamente, no fato do fascinado não perceber, ou melhor, não admitir que esteja sendo enganado, como se diz popularmente: ¾ É igual marido enganado, é o último a saber... Fazemos esta analogia porque, a nosso ver, há sempre na fascinação um fenômeno que em psico(pato)logia denominamos paixão. Mas, antes de abordarmos este aspecto vamos estudardoutrinariamente o processo de fascinação...

Da Obsessão

A fascinação é um tipo de obsessão. Vamos, então, definir obsessão e citar os outros tipos...

A obsessão é a ação voluntária, tenaz, que um Espírito inferior exerce sobre uma pessoa com o objetivo de dominá-la e prejudicá-la; em geral, pelo simples prazer de infelicitar a pessoa.

Além de um capítulo inteiro dedicado ao estudo da obsessão, o Capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” (OLM), KARDEC faz referência às obsessões em inúmeras outras obras...

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Obsessão por amor ???
A obsessão é sempre produzida por um Espírito imperfeito, com o objetivo de prejudicar, não há amor na ação...
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Gostaríamos de chamar a atenção aos Srs. leitores e leitoras, a fim de que não paire dúvidas, para o fato de que a obsessão é sempre produzida por um Espírito imperfeito, com o objetivo de prejudicar, não há amor na ação do obsessor; logo, não tem sentido falar-se em “obsessão por amor”, como já ouvimos alguns confrades advogarem-na... Nesta, aplicar-se-ia o blague do adágio: ¾ A estrada para o inferno está calçada de bem-intencionados... KARDEC deixa isso bem claro, especialmente na conceituação contida em suas “Obras Póstumas”, onde ele diz, no item 56:

“A obsessão consiste no domínio que os maus Espíritos assumem sobre certas pessoas, com o objetivo de escravizar e submeter à vontade deles, pelo prazer que experimentam em fazer o mal.” – grifos nossos (op. cit., Edit. FEB, 13 ed., 1973, p. 67).

Embora o Codificador admita “Espíritos obsessores sem maldade”, no item 246 de OLM, tais Espíritos estão sempre dominados pelo “orgulho do falso saber” e, portanto, não são bons Espíritos, são muito IMPERFEITOS... A propósito, disse KARDEC no item 6.º da Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos, outubro/1858, um dos pontos-chaves para o assunto:

“6.º- A obsessão jamais se dá senão por Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não produzem nenhum constrangimento: aconselham, combatem a influência dos maus e afastam-se, desde que não sejam ouvidos.” – grifo nosso (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, São Paulo, p. 277).

Portanto, pensamos que o Codificador não poderia ser mais claro nas suas explicações, não obstante, alguns confrades fazem muita confusão neste assunto, seja querendo ver obsessão em tudo, especialmente entre encarnados ou negando-se a sua existência, quando ela é evidente, especialmente nafascinação, que estudaremos mais adiante...

Há os seguintes tipos de obsessão:

1- Obsessão simples; 2- Fascinação; 3- Subjugação, que, em seu paroxismo (isto é, com maior intensidade) chama-se Possessão.

Atendamos, então, a solicitação da Sra. JEANNE e estudemos a FASCINAÇÃO...

Que é Fascinação?

No item 239 de “O Livro dos Médiuns” (OLM) vemos a conceituação de KARDEC, explicando-nos o que é a fascinação:

“(...) É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.” –[grifos nossos].

E o Codificador complementa o ensino:

“(...) A ilusão pode mesmo ir até a ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.”

Como podemos demonstrar, através da conceituação de KARDEC, é errônea a idéia de que seria “caridade” deixar um obsidiado participar de reuniões mediúnicas. Ora, se a sua capacidade de comunicação com os Espíritos está comprometida a ponto de paralisar-lhe o raciocínio, a ponto de achar sublime a linguagem mais ridícula, independentemente do seu nível intelectual!... Em alguns outros artigos já defendemos essa tese em relação ao inconveniente de pessoas obsidiadas e doentes mentais participarem de reuniões mediúnicas, por isso, não detalharemnos, aqui, a nossa opinião; só a citamos para mostrar mais um dos argumentos que ratificam a nossa opinião...

Prossigamos com o nosso estudo... Fazendo a distinção entre obsessão simples e fascinação, disse KARDEC em OLM, Capítulo 23, no mesmo item 239 (3 º parágrafo):

“Compreende-se facilmente toda a diferença que existe entre a obsessão simples e a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois efeitos devem diferir de caráter. Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquele se impacienta por desembaraçar-se. Na segunda, a coisa é muito diversa.(...)”

O mestre de Lyon, então, passa a mostrar o caráter do Espírito obsessor na fascinação:

“(...) Para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber.” – [grifos nossos].

Na mesma linha de raciocínio, lemos na Revista Espírita, de outubro/1858:

“Os Espíritos grosseiros são menos perigos: reconhecemo-los imediatamente e não inspiram mais que repugnância. Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as inclinações; são meigos, manhosos, pródigos em expressões carinhosas e em protestos de dedicação. É preciso realmente ser forte para resistir a semelhantes seduções.” – grifos nossos – (op. cit., p. 279).

Bem, como destacamos, acima, não temos pretensão de convencer um fascinado com este nosso artigo, não obstante, perguntamos aos Srs. leitores e leitoras se conhecem algum médium, em cujas psicografias aparecem com freqüência as palavras ou expressões parecidas como CARIDADE, HUMILDADE, AMOR DE DEUS... Se conhecem algum cujas manifestações são sempre de Espíritos tentando demonstrar doçura, lisonjeadores, manhosos, etc.; leiam o CONTEÚDO das manifestações mediúnicas dele, se denotam ou não um Espírito inferior; porque, acreditamos, o médium fascinado dificilmente admitirá que está sendo enganado. Aliás, perguntamos aos Srs. leitores:conhecem alguém que admite a própria fascinação sem resistência ?... Tem razão a Sra. leitora JEANNE – há “uma avalanche de comunicações de espíritos desencarnados” atualmente e, diremos nós, através de médiuns fascinados, especialmente nos chamados romances mediúnicos do tipo “água-com-açúcar”, com um pieguismo indisfarçável dos Espíritos comunicantes, tão ao gosto para aqueles em que as fantasias bastam ...

Dificuldade de convencimento

É extremamente difícil convencer um médium de que ele esteja sendo logrado, enganado, e é esta dificuldade que demonstra o grau de controle do pensamento exercido pelo obsessor sobre o obsidiado, pois este julga que o(s) Espírito(s) que se comunicam com ele são “superiores”...

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TIRANDO A MÁSCARA
KARDEC recomenda que tiremos a máscara dos Espíritos obsessores que agem na fascinação
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Eis o que KARDEC nos informa a respeito, na “Revista Espírita – jornal de estudos psicológicos”, de outubro/1858:

“Seja por entusiasmo, seja por fascínio dos Espíritos ou seja por amor próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a crer que os Espíritos que se comunicam com ele são superiores; e isto tanto mais, quanto mais os Espíritos, vendo sua propensão, não deixam de ornar-se com títulos pomposos, conforme a necessidade e, segundo as circunstâncias, tomam nomes de santos, de sábios, de anjos, da própria Virgem Maria e fazem o seu papel como atores, vestindo ridiculamente a roupagem das pessoas que representam.”

Em seguida, KARDEC recomenda:

“(...) Tirai-lhes a máscara e se tornam o que eram: ridículos. É isto o que se deve saber fazer, tanto com os Espíritos quanto com os homens.” – grifo nosso - (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, São Paulo, p. 279).

Não obstante, em tais palavras de KARDEC, vemos hoje confrades com um beatismo indisfarçável dizerem: ¾ Ora, o que importa é a mensagem!...Contudo, apesar de alguns confrades serem bem inteligentes, não procuram analisar com frieza as mensagens, pois idolatram determinados médiuns... Vejamos num exemplo, do que é capaz um obsessor e onde a credulidade de um homem obsidiado pode chegar, obviamente por orgulho...

No mesmo número da Revue, acima citada, a de outubro/1858, é relatado o caso de um moço com obsessão, com fascinação, leiamos o relato:

“O Sr. F., moço instruído, de esmerada educação, de caráter suave e benevolente, mas um pouco fraco e sem resolução pronunciada, tornou-se médium psicógrafo com muita rapidez. Obsidiado pelo Espírito que dele se apoderou e lhe não dava repouso, escrevia incessantemente. Desde que uma pena ou um lápis lhe caía na mão, tomava-o num movimento convulsivo e enchia páginas e páginas em poucos minutos. Na falta de material, simulava escrever com o dedo, em qualquer parte onde se encontrasse: na rua, nas paredes, nas portas, etc. Entre outras coisas, esta lhe era ditada: “O homem é composto de três coisas: o homem, o mau Espírito e o bom Espírito. Todos vós tendes vosso mau Espírito, que está ligado ao corpo por laços materiais. Para expulsar o mau Espírito é necessário quebrar esses laços, para o que é preciso enfraquecer o corpo. Quando este se acha suficientemente enfraquecido – prossegue o Espírito obsessor, citado por KARDEC – o laço se parte e o mau Espírito vai embora, deixando apenas o bom”.

Prosseguindo em seu relato, muito instrutivo, lemos na Revue:

“(...)

Em conseqüência desta bela teoria fizeram-no jejuar durante cinco dias e velar à noite. Quando estava extenuado, eles lhe disseram: ‘Agora a coisa está feita e o laço partido. Teu mau Espírito se foi: ficamos apenas nós, em quem deves crer sem reservas’. E ele, persuadido de que seu mau Espírito havia fugido, acreditava cegamente em todas as suas palavras.(...)” – (op. cit., p. 279-280)

Aí está um belíssimo exemplo de como agem os obsessores e o porquê dos fascinados negarem-se a ouvir conselhos de pessoas mais experientes, isto é, acreditam SEM RESERVAS em tudo o que dizem os Espíritos, o que está frontalmente em oposição ao diz a Doutrina dos Espíritos em relação aos Espíritos Superiores – estes nunca desejam serem ouvidos sem reservas, pois, então, onde estaria o livre-arbítrio de cada um de nós?!... Além disso, convém ressaltar as palavras de KARDEC na “Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, desta vez a de dezembro/1862:

“Resta sempre a questão de saber se o bom Espírito é menos poderoso que o mau. Não é o bom Espírito que é mais fraco: é o médium que não é bastante forte para livrar-se do manto que sobre si foi lançado, para desembaraçar-se dos braços que o apertam, COM O QUE – É BOM DIZER – POR VEZES SE COMPRAZ.” – grifo nosso – (op. cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, p. 362).

Inúmeros confrades falam na obsessão como se SEMPRE o obsidiado SOFRESSE; ora, na fascinação propriamente dita, não há sofrimento do obsidiado – ele tem PRAZER na relação com o Espírito obsessor, o sofrimento só virá depois, se o processo continuar, como no caso, acima, em que afascinação degenerou para a subjugação. Eis um dos grandes perigos da fascinação ...

Mecanismos de ação conhecidos no fenômeno da FASCINAÇÃO (e dos outros tipos de obsessão)

Embora haja outros autores importantes do ponto de vista do conhecimento do Espiritismo é inegável que a base está em KARDEC, por isso estamos citando-o tantas vezes... Vejamos o que ele nos esclarece em relação aos mecanismos de ação no processo de fascinação, leiamos um trecho da“Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, a de dezembro/1862:

“Se um Espírito quiser agir sobre uma pessoa, dela se aproxima, envolve-a com o seu perispírito, como num manto; os fluidos se penetram, os dois pensamentos e as duas vontades se confundem e, então, o Espírito pode servir-se daquele corpo como se fora o seu próprio, faze-lo agir à sua vontade, falar, escrever, desenhar, etc. assim são os médiuns. (...) se for perverso, mau, ele o constrange, até paralisar a vontade e a razão, que abafa com seus fluidos, como se apaga o fogo sob um lençol d’água.(...)” (op. cit., p. 359).

Aí está, KARDEC compara a ação de um obsessor com um manto ou um lençol d’água apagando o fogo, abafando os fluidos do obsidiado. De fato, a comparação é feliz, pois, a nosso ver, a fascinação é um processo que dá PRAZER ao obsidiado, estimulando o “fogo das suas paixões”, ou melhor, é a fascinação uma espécie de PAIXÃO; vejamos esta nossa tese, em seguida...

Definindo PAIXÃO do ponto de vista psico(pato)lógico e espírita

Em Psico(pato)logia, no capítulo da AFETIVIDADE, estudamos um assunto em que há muita confusão, mesmo entre alguns psiquiatras, estamos referindo- nos à Paixão. Vejamos o que nos dizia a respeito o nosso grande mestre da Psiquiatria brasileira, prof. A. L. NOBRE DE MELO em sua PSIQUIATRIA – volume I, MEC / Civ. Brasileira, Rio de Janeiro, p. 522:

“O termo paixão designa, em nosso entender, um estado afetivo absorvente e tiranizante, que polariza a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, que passa a monopolizar seus pensamentos e suas ações, com exclusão ou em detrimento de tudo mais.”

Aí está rigorosamente definido o termo “paixão”. Mais adiante ensina-nos o grande mestre NOBRE:

“Será oportuno recordar, a propósito, que, em seu célebre “Tratado das Paixões”, Descartes veio a ampliar demasiado esse conceito, a ponto de nele querer englobar tudo o que não fosse atividade voluntária (percepções, sentimentos, emoções). É verdade que, nem por isso, deixava de reconhecer que também há paixões nobres e úteis, e que, em certas circunstâncias,pode a razão lograr manter seu império, soberano sobre elas. (...)”

Mais adiante, na referida obra (págs. 522-523) diz o mestre NOBRE DE MELO:

“De qualquer modo, e não obstante a opinião de Bousset, que via no amor a fonte e a origem de todas as paixões, o certo é que também para Spinoza, Rousseau, Montaigne e seus epígonos, representam as paixões, apetites cegos e indomáveis, que entravam e perturbam o entendimento, a reflexão, o raciocínio e o julgamento, arrastando o homem à violência, aos desregramentos, fanatismos, sectarismos e despotismos , com todas as suas conseqüências. (...)”.

Não temos dúvida de que as paixões podem ser úteis em alguns casos, mas como elas são essencialmente derivadas da vida instintiva e, portanto, primitivas, animais, dificilmente elas são controladas cognitivamente, daí o grande perigo das fascinações, pois nestas o obsessor, usando da hipocrisia e estimulando o amor-próprio do obsidiado, coloca-o à sua disposição, enganando-o, utilizando exatamente aquilo que dificilmente ele controla – aspaixões.

Muito interessante este aspecto da utilidade ou não das paixões, pois a Espiritualidade Superior já mostrava esta distinção em 1857, quando foi publicado pela primeira vez “O Livro dos Espíritos” (OLE). Vejamos o que a Espiritualidade Maior nos trouxe de subsídios a respeito... Leiamos no item II. DAS PAIXÕES. Livro III, Capítulo XII, de OLE, as questões 907 e 908 e suas respostas:

907. O princípio das paixões sendo natural é mau em si mesmo?

¾ Não. A paixão está no excesso provocado pela vontade, pois o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal.

908. Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?

¾ As paixões são como um cavalo, que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar, e quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.

O Circo. 1878-1888. Henri de TOULOUSE-LAUTREC

COMO UM CAVALO
As paixões são como um cavalo, que é útil quando governado e perigoso quando governa
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Comentando essas respostas, disse KARDEC dentre outras coisas:

“Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal distancia-o da natureza espiritual.

Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.”

Se atentarmos bem para a profundidade das respostas às questões 907 e 908 de OLE e pensarmos que os médiuns que serviram à codificação eram, em sua maioria, meninas adolescentes, teremos mais um motivo para a convicção da realidade do mundo espiritual. Complementando, gostaríamos de citar, também a questão 909 e resposta de OLE, pois ela se encaixa como uma luva naqueles que estão num processo de fascinação...

909. O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?

¾ Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah! Como são poucos os que se esforçam!

EPÍLOGOFASCINAÇÃO

Aí está, caríssimo leitor, o fascinado sente prazer no processo obsessivo de que é vítima e pouco ou em nada se esforça para vencer as suas paixões, deletérias para si mesmo ou para outrem, porque, afinal de contas, uma pessoa sob o império da fascinação é de relação social muito difícil, pelo seu orgulho, prepotência e, em muitos casos, causadora da quebra da harmonia familiar... Mas que não se culpe somente o obsessor por tais desarmonias, porque, como diz o povo: ¾ Quando um não quer, dois não brigam! Ou melhor, só há obsessão se houver SINTONIA entre os Espíritos...

Enfim Sra. JEANNE BECK, caríssimas leitoras, estimados leitores, esperamos ter trazido subsídios sobre o assunto que me foi solicitado e que o fascinado controle suas paixões e as sublimem para pensamentos e ações positivas, só assim governará e deixará de ser governado pelo animal que há dentro de si, caso contrário cairá do cavalo, he he he...

Ninguém fica 17 anos fascinado impunemente, a fascinação pode degenerar para a subjugação, não é mesmo Sra. JEANNE?!... Que o seu familiar pare, um pouquinho que seja, para pensar e faça aquele esforço aconselhado pela Espiritualidade Superior em resposta à questão 909 de OLE e que admita que o seu prazer é efêmero e ILUSÓRIO e abra os olhos, cure a própria cegueira... Não custa nada, é bom para si mesmo e para a felicidade geral da família, ou não?... A OPÇÃO é sua.

* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre - Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade deCiências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria (FCM - UERJ)


texto - http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/

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