terça-feira, 6 de outubro de 2009

SEXO - ARTIGO DE COMPRA E VENDA


Luiz Carlos D. Formiga

Os homens demonstram sua posição na escala evolutiva pelas decisões que tomam diante da vida.

Em muitos a consciência ainda não despertou para os verdadeiros valores. De posse de liberdade relativa demonstram pouca responsabilidade. Antes de governar, parecem governados pelos instintos.

Muitos são especialistas na arte de multiplicar títulos e propriedades, mas no campo afetivo afastam-se da receptividade, do compromisso. São mestres na produção de seres-objetos. Distanciados da consciência lúcida são ainda amantes da poligamia. No homem mais evoluído a sexualidade é entendida num contexto amplo, inclusive o espiritual. Vê na sexualidade uma atividade intimamente ligada ao crescimento pessoal, à auto-estima e à formação de saudáveis vínculos afetivos e amorosos. Espírito mais amadurecido percebe a sexualidade como reconstituinte das forças espirituais pelo qual as criaturas se alimentam mutuamente. Mesmo quando convivendo com inseguranças e sentimentos de rejeição, nunca busca o sexo como forma de auto-afirmação e alívio de incertezas ou carências. Não troca sexo por companhia tentando diminuir o vazio da solidão.

Quando o espírito, mesmo em corpo velho, está num nível evolutivo ainda baixo, sua consciência dorme e se torna difícil freiar instintos. São pessoas fisiologicamente adultas mas emocionalmente infantis.(5,6,7)

Mas, quem atirou a primeira pedra?

Analisando-se o discurso de mulheres que se vendem de forma institucionalizada (EU-ISSO) e o silêncio do seu comprador, concluiu-se de que a coisificação da mulher é indispensável, para a grande cidade, como é a lata de lixo para a família. Ela desempenharia o papel de defesa da ordem coletiva e o da satisfação dos impulsos recônditos dos homens. Mas, duas questões são importantes. Como essa mulher que se vende (EU-ISSO) vivencia sua sexualidade (EU-MULHER)? Como se sente e o que busca o homem (EU-ISSO) ao relacionar-se sexualmente com uma mulher que se vende?

O acesso À bibliografia e à realidade do dia-a-dia revelaram, na pesquisa(2), que existe uma contradição muito grande em torno da prostituição, pois, ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é tolerada, servindo como importante estabilizador social, que cumpre várias funções. No entanto, o discurso das mulheres revelou a crença de uma atividade profissional como outra qualquer onde a busca do dinheiro é o mais importante.

Por outro lado o sonho da constituição de uma família apareceu neste discurso.

É válida a premissa de que as circunstâncias socio-econômicas e morais estabelecidas pela sociedade criam e recriam os espaços do vir-a-ser prostituta. O homem deve ser visto como um co-autor, co-responsável por esse modo milenar de vivenciar uma das inúmeras facetas da sexualidade humana. No momento em que estamos escrevendo estas linhas, há um destaque especial na novela da TV sobre essa questão, demonstrando a contradição referida anteriormente. Ao mesmo tempo em que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é também tolerada (casas de tolerância), até no "horário nobre".

Nas incursões a estas "casas" os pedagogos e psicólogos pesquisadores verificam que os homens (casados) se sentem pouco à vontade em dar entrevistas, no sentido de oferecer respostas à segunda questão acima (o que busca ao relacionar-se?)

Se não existisse o estigma, quanto ao tipo de atividade, muito pouco esta se diferenciaria das atividades de outros profissionais. O que existe é uma dicotomia corpo x mente, em que o primeiro assume um valor de troca e o segundo se consome no esquecimento. Ela procura um distanciamento de si mesma, do SER-MULHER-MÃE, da prostituta. Não há unificação do ser. Ao buscar relacionar-se desta forma, intenciona preservar-se enquanto um ISSO, enquanto um objeto, que possui seu valor de troca, que sente prazer apenas na obtenção do dinheiro e que deve ser preservado e cuidado. O dinheiro legitima essa forma de ser no mundo e a dicotomização do lado impessoal, profissional e afetivo permite apenas a meta de desempenhar ou representar no palco sua função da melhor forma possível. Ela precisa manter seu objeto de trabalho sempre em evidência, possibilitando seu sustento. Fingir faz parte do "show" e pode-se pensar numa ginástica com os aparatos de uma boa aula de aeróbica. O caráter erótico em que se vivencia a cumplicidade, a troca, o envolvimento não existe. Uma delas fez a síntese: "É um sexo podre".

Não há encontro porque não há disponibilidade mútua, não há envolvimento mútuo possibilitando confirmação mútua.

Numa faixa evolutiva mais baixa, a sexualidade do homem fica muito circunscrita à sua genitália, é muito mecânica, exigindo, então, uma manutenção específica e periférica, feita por um agente específico.

Em ambos há o empenho de lidar com aquilo que é superficial, que pode ser tocado, visando cada um o seu benefício "legal".

Nas entrevistas os pesquisadores constataram outras modalidades de relação diferentes do sexo que também são requisitadas, como a "conversa", fala desprovida de zelo maior onde se mostra o lado inseguro. E diante da postura inerte de seu objeto, se permite extravasar toda a sua angústia, de forma que não se comprometa, não corra riscos. Isto é uma parcela do conjunto das necessidades sociais.

Elas deverão dar continuidade ao "show" e para isso juntar os pedaços de seu objeto e configurar-se um todo irreal unificado. As cenas e o final são quase sempre os mesmos.

Quando interrogadas acerca de sua qualidade de MULHER ficam perplexas e mal sabem responder. Seu SER fica desprovido de todo e qualquer significado que leve em consideração sua totalidade, seu SER-MULHER.

Parece que ao viver grande parte de sua vida no "Palco", o personagem tomou conta de si, e o seu EU passou a ocupar um plano inferior e nem é lembrado.

"Não sei o que é ser mulher" foi a resposta. Se é lembrado é também extremamente desvalorizado. Parece que não se consegue superar essa dicotomia e o EU fica submetido à desintegração. O que pensar da integração com Deus e a sociedade?

"Quero ter uma família". É um projeto que aparece no discurso como um meio de deixar a "profissão", porém, muito mais do que isso, um modo de integrar-se na sociedade e, quem sabe, até amenizar a dicotomia existente em seu ESPÍRITO.

Bruns e Gomes Junior(2) concluem achando que aqueles que compram-vendem, vivenciando o "êxtase" do aqui e agora, vão se distanciando cada vez mais de si mesmos e a dicotomia existente entre corpo x mente se fortalece cada vez mais, de modo a não provocar inquietações. As educadoras terminam dizendo que tanto um como o outro "perpetuam o monótono círculo vicioso que o mundo do faz-de-conta lhes possibilita, fingindo que esse é um dos modos de serem felizes."

Duas senhoras, em um café num país sul-americano, comentavam que a palestra da noite, feita pelo brasileiro, deveria ser no mínimo instigante, pois falaria do amor, da imortalidade da alma e das conseqüências, na vida espiritual, dos atos cometidos aqui na Terra. Uma jovem próxima ouve o comentário positivo e resolve assistí-la também. Após a palestra, que falou sobre reencarnação e memória extra-cerebral, na fila dos que vieram apertar-lhe as mãos caridosas, Divaldo escuta a estória:(8)

- Eu sou uma meretriz. Era uma jovem delgada de olhar entristecido. Contou-lhe que fora o padrasto quem a colocara no plano inclinado. Ela havia ouvido as senhoras falarem do brasileiro que pregava o amor como antídoto da dor e, como sofria muito, resolveu dar-se uma chance. Jogou fora a substância corrosiva, colocada no refresco, para ouví-lo. Divaldo explica que não era má vontade, mas que o seu anfitrião o aguardava. Porém, gostaria muito de encontrá-la mais tarde. Ela respondeu a Divaldo que não se preocupasse porque era uma mulher da noite. Marcaram o encontro na casa do anfitrião. À noite conta que vivia num bairro de alta classe social e econômica. Quando o pai morreu ela contava quase quinze anos. A mãe tinha quarenta e dois e era uma mulher frívola, de caráter vulgar e, em menos de três meses depois, estava nos bailes e festas. Ligou-se a um homem mais jovem do que ela, destes que vivem a explorar mulheres ingênuas. Ele veio viver em nossa casa e começou a procurar-me. Minha mãe acreditou quando ele disse que eu havia me oferecido. Após a bofetada, colocou-me na rua. Aos quinze anos eu estudava e tinha uma amiga de dezessete anos que me recebeu em casa. Ela disse que a vida era maravilhosa e que devíamos desfrutá-la. Era acompanhante de velhos executivos e uma noite lhe rendia quinhentos dólares. Mais tarde ela me disse que se não trabalhasse também não comeria e levou-me a uma casa.

Divaldo ouviu pacientemente e ...

Através da divulgação do Espiritismo, por meio da palestra na reunião pública, em clima fraternal e com interesse de ajudar na solução dos diversos problemas humanos, conseguiu-se a reabilitação e, posteriormente, a integração da jovem aos labores espíritas.

Hoje ela tem uma família!

E se elas se contaminarem? E se houver gravidez? Observa-se uma incidência crescente de AIDS em crianças em todo o mundo. No Brasil a porcentagem de mulheres infectadas, em idade fértil, aumentou de 5,1% para 12,51% em dez anos. A proporção homem/mulher era de 18/1 e atualmente é de 3/1. Este fato explica a enorme preocupação dos profissionais de saúde que trabalham com crianças. Em um trabalho observou-se que apenas uma, em 25 crianças, adquiriu o HIV através de transfusão sanguínea. Todas as outras foram infectadas de modo vertical, risco que varia de 27% a 62%. A transmissão mãe/filho pode ocorrer via placentária, no canal do parto e pelo leite materno.

Vamos relembrar algumas coisas:(6) Aids é um dos maiores problemas de saúde pública. A epidemia nÃo vai passar por si mesma e a discriminação só empurra a doença para a clandestinidade, onde não podemos vê-la e combatê-la. Aids é primariamente uma doença sexualmente transmissível, é uma imunodepressão acompanhada de doenças oportunistas graves, infecciosas ou neoplásicas, com eventual lesão neurológica.

O HIV é um parasita genético, isto é, ele se integra ao sistema de genes, ou DNA, e programa a célula transformando-a numa fabrica de HIV. Como o HIV se integra no sistema genético da célula, quando tentamos destruí-lo acabamos destruindo também a própria célula. Por isso o tratamento da Aids é muito complicado.

O número de indivíduos com infecção assintomática (portadores) e que podem transmitir o vírus é significativamente maior do que o número de doentes. Se uma pessoa tem apenas um parceiro sexual, mas este tem mais de um, a pessoa tem risco de ser contaminada. São fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão: as variações freqüentes de parceiros sexuais; o uso de produtos de sangue não controlados; o uso de agulhas e seringas não esterilizadas e no caso do bebê a infecção materna pelo HIV.

São co-fatores específicos de risco em relação à transmissão sexual: o trauma, como pode ocorrer na relação anal e lesão genital causada por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Apenas com acesso aos preservativos e à informação NÃO mudaremos comportamentos. Adolescentes bem informados continuam tendo condutas sexuais de alto risco.

Das vinte marcas examinadas, apenas sete dos preservativos utilizados no Brasil cumpriram os requisitos de segurança.

A necessidade do uso da camisinha é informação relevante, mas isto não é sinônimo de sexo seguro, esta seria uma afirmação no mínimo leviana e irresponsável. Um produto que não impede a gravidez não evita a infecção viral.

Somos massacrados pelas mensagens eróticas que procuram transformar-nos em máquinas sexuais.

A psicóloga Dione Costa(4) relatou que quando ouve pacientes, indivíduos comuns, com doenças sexualmente transmissíveis, vindo de encontros que podem não ter durado sequer uma hora, anônimos, desconhecidos, mas que levam a abortos, sempre questiona: E A AFETIVIDADE?

Que crianças serão estas? E que adultos?

Tudo isso, diz ela, nos remete a um sexo mecanizado, mostrando uma inadequação ou negação da sexualidade responsável, pois possibilita doenças e com elas sentimentos como frustração, desilusão, insegurança, solidão, vergonha, culpa, medo que se perpetua para os próximos encontros.

Como terá sido a aprendizagem amorosa desses indivíduos ao longo da vida?

Será este caminho do não-encontro, ou desencontro, o único que aprenderam ao longo de suas vidas para a busca da felicidade?

Nesta hora, o profissional de saúde-educação tem um papel "fantástico" pois é um importante momento para mostrar os riscos, a possibilidade de fazer escolhas, de ensinar a dizer não, de adquirir identidade própria. Momento, talvez, único na vida dessas pessoas, incomodadas com seus sintomas, para uma reflexão de que seu corpo é sua casa.

Nossos filhos precisam estar conscientes da existência destes sofrimentos e lutarem para não serem incluídos na categoria dos co-responsáveis, co-autores.

Eles precisam saber que todos temos guias espirituais que nos protegem e que nos falarão a respeito de que estamos aqui para aprender, do propósito superior de nossas vidas, mas que, ao mesmo tempo, nos permitem prosseguir numa situação se assim o desejarmos. Eles têm o cuidado de não eliminar nossas lições. Se estivermos avançando na direção de algo que irá nos ensinar uma lição valiosa porém difícil, eles poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. No entanto, se resolvermos persistir no caminho original, eles não tentarão impedir-nos. Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor através da dor e do esforço, os guias espirituais não os afastarão de nós.

Nossos filhos precisam saber que "o homem sequioso de prazer, sentindo-se atormentado por necessidade imperiosa, irresistível, uma excitação espantosa que vivifica seu organismo e um fogo ardente que abrasa seus órgãos" está também acompanhado de entidades muitas vezes perversas.

Nós, os pais, precisamos lembrar que estas informações ainda não estão disponíveis nas universidades.

No futuro a " Nova Universidade" estará aberta aos temas do espírito, ela será erguida com uma Ciência que investigará os conceitos da Filosofia e que trará de volta a idéia de Deus. Uma Ciência que além de inquirir como são as coisas, intenta responder ao porquê. Com uma Filosofia de caráter científico e uma Ciência com conseqüências religiosas.

"No quadro dos valores racionais, Ciência e Filosofia se integram objetivando as realizações do Espírito. Completam-se como dois grandes rios, que servindo as regiões diversas, na esfera de produção indispensável à manutenção da vida, se reúnem em determinado ponto do caminho, para desaguarem, juntas, no mesmo oceano que é o da sabedoria."

Temos que nos esforçar para participar desta revolução do pensamento se não desejarmos continuar no papel de comparsas da tirania e da destruição. Daí a necessidade da Ética que ilumine as consciências na melhoria das características morais do homem.

A assimilação de um novo paradigma é lenta e difícil porque demanda abertura mental, estudo, reflexão e crítica. Haverá resistência, principalmente pela exigência de mudanças ético-morais. Mas, é necessário mudar. A sociedade anômica, o "levar vantagem em tudo", gerou a indiferença nas relaçäes sociais e o caos na sociedade.

Há indícios de que esta revolução esta em curso até entre nós. Soubemos que 350 alunos da USP, aos sábados, freqüentam um curso, na universidade, que discute as questões do espírito, definido como o fez Allan Kardec.

A discussão do "post-mortem" não pode ser ignorada, pois exerce influência sobre as questões de Ética.

A democracia no mundo e as necessidades de cooperação econômica desembocam na manifestação livre das diversas culturas, induzindo o mundo ocidental a ampliar o seu universo cultural. Há uma revalorização da importância da religião, enquanto agente de movimentação social.

A revolução é agora e começa quando abrimos as portas à ética e à fé. A fé, que terá "por templo o universo, por altar a consciência, por imagem Deus e por Lei o mandamento do amor em ação, resumido por Jesus na categoria do próximo". A fé que atua pelo amor. Na sociedade, assim organizada, ninguém será coisificado, ninguém morrerá de fome.

Nas entrevistas(2) as "Vendedoras de Prazer" disseram: " Um dia quero constituir uma família". Os pesquisadores comentam que subjaz nessa atitude de querer integrar-se a uma família uma grande contradição, uma vez que grande parte de seus clientes são homens casados. Nossas filhas precisam ser alertadas para essas coisas. Mesmo que essa formação se concretize, isso não quer dizer que ela vá experienciar uma relação EU-TU junto ao seu cônjuge de forma plena e presente.

Há necessidade de ajudar os casais na sua escalada evolutiva, para que possam entender e ajudar seus filhos a entenderem também que a sexualidade(6) deve ser vista num contexto amplo, não apenas genitalizado embora não prescinda dele. Apesar de situado no nível instintivo, possui a bússola da razão que o orienta para o outro, como pessoa inteira. Orienta-o para a relação, o diálogo, na luta evolutiva da substituição do amor captativo, infantil, pelo oblativo, altruísta. A sexualidade é nobre e enriquecedora. É uma das dimensões fundamentais do espírito, quando pode comportar-se como ser sexuado, reencarnando como homem ou mulher, formando assim os "dois pólos de cuja tensão e oposição brota o fenômeno da existência humana", a perpetuação da espécie.

Nos subsídios para implantação e desenvolvimento da Campanha "VIVER EM FAMÍLIA" (3) encontramos na sua fundamentação doutrinária a questão 208 do Livro dos Espíritos. Nela os guias espirituais dizem que "os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho."

Desta forma surge no Temário da Campanha o ítem de número 9, Desequilíbrios no Lar - Prostituição e Promiscuidade."

Diante desta advertência cabe-nos a ajuda mútua.

Vamos oferecer aos nossos filhos uma religião amadurecida, aquela bem diferenciada através de um processo consciente de autocrítica, aquela que tem grande poder transformador. Aquela que como diz Allport leva o homem ao amadurecimento quando é dinâmico sem ser fanático ou compulsivo em seu comportamento religioso. Aquela que produz uma condição de coerência entre o que o homem crê e o que diz. Aquela que é tolerante e pronta a reconsiderar sua própria condição. Aquela que será sempre uma busca da verdade integral.

A questão agora é a revolução do pensamento no auto-conhecimento levando em conta o invisível, o impalpável, o imponderável e o admensional, com Ética, na busca da verdade.

Impossível não lembrar o Professor Newtom de Barros(1) numa sessão histórica, no Grupo André Luiz. RJ.RJ.

Deixemos o Professor contar:

- "Pela voz direta, comunicou-se a Mãezinha:

Estou chegando das regiões umbralinas... André Luiz e Mãe Narciza convidam os últimos habitantes ávidos de regeneração... André Luiz olhava no chacra coronário e jogava uma rede... Pescador de almas... Lembrei-me de Pedro e André em Tiberíades. Meu filho atendeu ao meu chamado... Vai reencarnar... Última oportunidade... Daqui a uns quinze anos vocês, talvez, encontrem um jovem, cabeludo, mal lavado, andando pelas ruas, sem destino, sem vontade de trabalhar... Talvez, procurando sexo e tóxicos... Tenham piedade dele... Por certo é o meu filho... em última oportunidade...

Aquela mãezinha, falando de VOZ DIRETA, graças à mediunidade de Peixotinho, jamais saiu de minha retina, pois destaquei o vulto semi-apagado na penumbra da sala de ectoplasmia.

Nas salas de aula desses cinqüenta e tantos anos de magistério, sempre olhei o adolescente, apiedado... E ouvia Jesus na página maravilhosa de BOA NOVA:

- Pedro, eles não são pecadores... Eles são somente FRÁGEIS...

E a fragilidade se mistura com os nossos conhecimentos de Física, de Química, de Biologia, de Psicologia... E as VONTADES? Como despertar as vontades? Como fortalecer os frágeis? Como ativar as VONTADES PARA QUERER O MELHOR PARA OS PRÓPRIOS ESPÍRITOS?

Mas sobe à superfície da memória a PARÁBOLA DO SEMEADOR:

- O Semeador saiu a semear... Atirou as sementes, amorosamente... Umas caíram na terra escaldante e feneceram... Outras caíram ao alcance dos pássaros e foram deglutidas... Outras cresceram entre espinheiros e foram sufocadas... Mas outras caíram em terreno fértil... E PRODUZIRAM UMA POR TRINTA... UMA POR SESSENTA... UMA POR CEM... E DERAM MUITOS FRUTOS BONS...

Bezerra de Menezes desce de alturas não mensuráveis e nos diz pelas mãos sagradas hoje, de Francisco Cândido Xavier: A LEGENDA DE AGORA É KARDEQUIZAR... SEMEAR AS SEMENTES ESCOLHIDAS...

E CONFIAR NA FERTILIDADE DOS TERRENOS..."

"Agora é ação!" Vamos escolher as sementes juntos!

Não sofreremos, no futuro, por causa da omissão.

Nossos erros serão perdoados!


Referencias bibliograficas

1. Barros, N. G. "Macaé Espírita" - Nov/1990

2. Bruns, M.A.T. & Gomes Jr, O.P. Prostituição. O discurso de quem se vende e o silêncio do seu comprador. Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996.

3. Campanha "VIVER EM FAMÍLIA". Subsídios para implantação e desenvolvimento. Reformador, março de 1994.

4. Costa, D.P. E a afetividade (Editorial). Revista Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4): 1996

5. Formiga, L.C. Proposta indecente. Jornal Espírita, São Paulo, 219 (XIX): 2, Novembro, 1993.

6. Formiga, L.C. "DORES, VALORES, TABUS E PRECONCEITOS" "Dores, Valores, Tabus e Preconceitos", Edições CELD, RJ.RJ, maio, 1996

7. Formiga, L.C. Educação Sexual: na família ou na escola. Folha Espírita, dezembro de 1996.

8. Revista de Cultura Espírita "Nueva Generacion", Guatemala, C.A. 5 (18): 3-6, abril-junio, 1995.

Publicado na revista - Fraternidade (Lisboa - Portugal), 419 (maio): 149-154, 1998

Prof. Luiz Carlos D. Formiga.


endereço: www.espirito.org.br

imagem: palavrasapenas.wordpress.com



domingo, 4 de outubro de 2009

EFEITOS DA MÚSICA NA EVOLUÇÃO DO SER


Orson Peter Carrara

Há influência musical no equilíbrio humano?

A variedade de sons alcançados pelas notas musicais na integração entre instrumentos e vozes humanas exerce grande influência na emoção e no desenvolvimento das criaturas humanas. Claro que com variedades, pois determinada melodia poderá trazer lembranças agradáveis a alguém, provocar melancolia e até entusiasmo em outras, enquanto nada provoque em muitas pessoas.

O tema é interessante e mereceu uma única pergunta de Kardec em O Livro dos Espíritos: a de número 251. Mas há observações valiosas em Obras Póstumas e na Revista Espírita.

Sem preocupar-nos com a história da música, biografia de grandes mestres ou outras informações de caráter cultural ou histórico, procuremos analisar o tema, à luz da Doutrina Espírita, sobre lembranças e emoções que a música provoque na sensibilidade humana. Afinal o que diz a Doutrina Espírita?

Em Obras Póstumas, no capítulo A Música Celeste, numa reunião familiar, a filha indaga ao pai se haveria música no Plano Espiritual. Sob ação mediúnica, ela escreve resposta do Espírito: O som de nossos instrumentos, a nossa mais bela voz, não podem dar a mais fraca idéia da música celeste e sua suave harmonia.

Logo mais o Espírito São Luiz ensina: A filha, desligando-se parcialmente, foi admitida nas regiões celestes onde pode perceber as impressões da harmonia celeste e expressou “Que música! Que música!”

E Kardec indaga o compositor Rossini* (Espírito) sobre o estado atual da música e sobre as modificações que lhe poderiam trazer a influência das crenças espíritas e a resposta do Espírito inicia-se com abordagem sobre harmonia. Segundo o dicionário, a palavra harmonia significa sucessão de sons agradáveis ao ouvido. Arte de formar e dispor os acordes musicais. Concórdia, paz e amizade entre pessoas. Ordem, coerência. O Espírito Rossini, todavia, em outras palavras, define harmonia como: resultante de um arranjo musical; como um sentido íntimo da alma e que é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido íntimo da alma.

E oferece-nos esta pérola de pensamento: “(...) O Espírito produz os sons que quer. (...) Aquele que compreende muito, que tem nele a harmonia já conquistada, age sobre o fluido universal e reproduz o que o Espírito concebe, sente e quer (...)”.

Numa comparação, usando inclusive o pensamento de Rossini, podemos dizer que o éter vibra a ação da vontade do Espírito. A harmonia que traz em si se concretiza como a exalar o perfume, com lentidão ou rapidez, como no som harmonioso que se espalha. O Espírito que já conquistou a harmonia é como aquele que tem a aquisição intelectual. O Espírito sábio que ensina a ciência sente-se feliz por ensinar os que não sabem. O Espírito que faz o éter ressoar com os acordes da harmonia que já traz em si, sente-se feliz de ver satisfeitos os que o ouvem. E do mesmo Espírito, encontramos essa definição magistral: A música é o médium da harmonia.

Ela é, pois, essencialmente, moralizadora, uma vez que leva harmonia às almas, que por sua vez as eleva e as engrandece. Deduz-se, pois, que a música exerce uma feliz influência sobre a alma e a alma que a concebe exerce também uma influência sobre a música.

A alma virtuosa que tem a paixão do bem, do belo, que adquiriu a harmonia, produzirá obras primas capazes de penetrar as almas mais blindadas, fechadas em si mesmas, e comovê-las. Já o compositor terra-a-terra como poderá representar a virtude que ele despreza, o belo que ignora ou o grande que ele não compreende? Suas composições serão o reflexo de seus gestos sensuais, de sua leviandade. Serão obscenas, licenciosas, sensuais e causarão mais danos que melhorar os ouvintes.

É aí que o pensamento de Rossini, adaptando-o com texto de nossa autoria, aparece em toda sua grandeza: O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Por sua vez, ouvintes moralizados, apreciarão músicas elevadas, deixarão de lado a música frívola que se apodera das massas.

Na Revista Espírita, de maio de 1858, entretanto, Kardec entrevista o compositor Mozart (1756-1791), que foi famoso menino prodígio (aos 4 anos já tocava de cor e aos 5 já compôs), e que declarou “Quando estou em boas disposições e inteiramente só, durante o meu passeio, os pensamentos musicais me vêm com abundância. Ignoro donde procedem esses pensamentos e como me chegam; nisso não tenho a mínima vontade, a menor intervenção”. Habitante de Júpiter, revelou: “Onde habito, há melodia em toda parte: no murmúrio das águas, no ciciar das folhas, no canto dos ventos; as flores rumorejam e cantam; tudo produz sons melodiosos. Sê bom, alcança este planeta pelas tuas virtudes”. E fornece essa pérola para esse tema: A música religiosa ajuda a elevação da alma. O pensamento compõe e os ouvintes desfrutam. Claro que a história humana registrou a presença de grandes gênios da música em nosso planeta. Seria impossível relacioná-los todos num simples artigo, abordar suas conquistas e feitos, a genialidade que nos ofereceram. Optamos por Mozart, pois que presente na Revista Espírita.

E na mesma publicação, de maio de 1861, o Espírito Lamennais (brilhante escritor, figura influente e controvertida na história da igreja francesa e ordenado padre aos 34 anos) afirma: a música é a arte que vai mais direta ao coração.

Já na edição de janeiro de 1869, o mesmo Rossini afirma: para ser músico, não basta mais alinhar as notas sobre uma pauta, de maneira a conservar a justeza das relações musicais: assim só se produz ruídos agradáveis; mas é o sentimento que nasce sob a pena do verdadeiro artista. É ele que canta, que chora, que ri. Mas para dar alma à música, para fazê-la chorar, rir, uivar, é preciso em si mesmo ter sentido estes diferentes sentimentos de dores, de alegrias, de cólera.

E Kardec, com toda sua lucidez, também na Revista Espírita, exemplar de setembro de 1864, nos traz essa importante revelação: A música comove as fibras entorpecidas da sensibilidade e as predispõe a receber as impressões morais. A música amolece a alma – é poderosa auxiliar de moralização.

Nesta altura, como poderíamos esquecer os grandes nomes da música nacional e internacional? Vozes inesquecíveis, melodias extraordinárias, compositores, autores, intérpretes, conjuntos, maestros, letras e apresentações que marcaram época e conquistaram memórias em todos os tempos, em composições inesquecíveis e belíssimas.

Neste ponto, podemos buscar a questão 251 de O Livro dos Espíritos: Os Espíritos são sensíveis à música? E a resposta: Queres falar da vossa música? O que ela é diante da música celeste? Desta harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os Espíritos vulgares podem experimentar um certo prazer em ouvir a vossa música, porque não são ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave.

Tudo isso para pensarmos no esforço da espiritualidade em despertar nossa sensibilidade. Seja através da música religiosa – em corais, conjuntos ou valores individuais’ –, de qualquer denominação, seja pelas canções que marcam as crianças para sempre ou pelas melodias dos grandes gênios musicais de nossa história... Ou mesmo, e por que não, nas músicas contemporâneas e fruto do regionalismo, em todo o planeta?

É que a música é também um dos instrumentos de despertamento da sensibilidade humana. Existem vários, como a dor através da expiação; as provas através dos obstáculos; a fé como virtude, entre tantos outros. E entre eles, a música, para elevar nosso padrão vibratório e nos convidar a pensar na grandeza de Deus.

Ponderemos que estamos num mundo de provas e expiações, onde ainda há império do mal. E se, num plano de provas e expiações, já temos os sons magníficos da natureza, a voz humana que sensibiliza nos esforços e combinações vocais, e a presença das belas músicas que nos ajudam a viver com mais harmonia, podemos imaginar o que nos aguarda para o futuro?

Selecionemos, pois, as belas conquistas que já possuímos no campo desta arte maravilhosa que é a música, para elevarmos o padrão espiritual de nossos ambientes. Deixemo-nos comover pela mensagem que trazem; reflitamos nas motivações que ensejaram a concepção dessas peças que verdadeiramente nos comovem pela beleza e sublimidade. E, obviamente, prestemos também mais atenção no canto dos pássaros; no latido dos cães e sons característicos de outros animais; nos sons naturais de trovoadas, chuvas e ventos e mesmo na variedade das vozes humanas, para percebermos o quanto o som influencia nossa harmonia ou desarmonia interior. É, como em tudo, uma questão de seleção e afinidades. Aprendamos, pois, a selecionar...

*Gioacchino Antonio Rossini - Compositor italiano – 29-11-1792 – 13-11-1868

Nota do autor: As transcrições efetuadas nesta matéria foram de edições do Instituto de Difusão Espírita, com tradução de Salvador Gentille.

Matéria publicada originariamente na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, edição de dezembro de 2004

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1011.html
imagem:
bicodocorvo.com.br

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

SELO: PRÊMIO DARDOS

O que é?:
Este é o "Prêmio Dardos" que dá a cada blogueiro o reconhecimento de seu valor, esforço, ajuda, transmissão de conhecimento, todos os dias.
Regras:
1. Você terá que aceitar o award e colocar em seu blog, juntamente com o nome da pessoa que lhe deu o prêmio e o link do seu blog.
Recebi este selo da Maria José, do blog http://arcadoconhecimento.blogspot.com com muita alegria. Sinto-me honrado com este prêmio e carinho. Muito obrigada.

2. Você terá que oferecer o prêmio para 15 blogs que são merecedores deste prêmio. E não se esqueça de avisá-los sobre a indicação.
Eu indico este prêmio para os seguintes blogs:
1. Ana de Meu lar interior, blog http://meularinterior.blogspot.com/
2. Ana da Divina Imagem, blog http://divinaimagem.blogspot.com/
3. Claudy do Amigos Espíritos, blog http://amigosespiritos.blogspot.com/
4. Cristina do Irmãos fraternos, blog http://irmaosfraternos.blogspot.com/
5. Felipe de Um pouco de tudo, blog http://sempre-umpoucodetudo.blogspot.com/
6. Joana de Idéia Espírita, blog http://ideiaespirita.blogspot.com/
7. Julimar do Por uma vida melhor, blog http://julimarmurat.blogspot.com
8. Mara Virgínia de Um sublime peregrino, blog http://umsublimeperegrino.blogspot.com
9. Norma do Ecos da alma, blog http://normavillares.blogspot.com/
10. Rita do Cores, Natureza e Vida, blog http://ritawafu.blogspot.com/
11. Tamoporai, blog http://tamoporai.blogspot.com/
12. Valerie do Pensando bem, blog http://celeirodeluz.blogspot.com/


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