domingo, 19 de setembro de 2010

RUY BARBOSA FOI ESPÍRITA?


Luciano dos Anjos e Hermínio C. Miranda

Já tivemos oportunidade de comentar o livro “Comunicações Mediúnicas entre os Vivos”, do cientista italiano Ernesto Bozzano, que relata e estuda algumas dezenas de casos em que o Espírito de pessoas encarnadas se manifesta através de outras pessoas encarnadas. O fenômeno exige, ao que parece, uma mediunidade especial, ainda pouco pesquisada, mas de grande interesse cientifico. Há manifestações espontâneas, ocorridas em plena sessão espírita, enquanto outras são provocadas da parte do médium, que solicita a presença do Espírito encarnado com o qual entra em relação, por meio da psicografia ou da tiptologia.

Segundo Bozzano, quem também possuiu essa faculdade desenvolvida em alto grau foi o famoso jornalista britânico William Stead que, na cobertura da Conferência de Haia, tornou-se amigo pessoal de Ruy Barbosa.

A propósito de Ruy, aliás, há um relato bastante curioso e não muito conhecido, que nos leva a admitir que o eminente brasileiro, se não teve suas simpatias pelo Espiritismo, pelo menos tomou conhecimento de uma parte bem importante da sua literatura e de alguns fenômenos que devem tê-lo feito pensar a sério sobre o assunto.

Ao que se sabe, sua biblioteca incluía livros declaradamente espíritas, como do próprio Bozzano, além de outros de autoria de Léon Denis, Camille Flammarion, Arthur Conan Doyle, William Crookes, Oliver Lodge, todos eles estudiosos do problema e convictos da legitimidade dos postulados espíritas.

Acha ainda o Dr. Sérgio Valle que o conhecido “Tratado de Metapsíquica”, de Charles Richet, teria sido a última obra lida por Ruy.

Por outro lado, na famosa “Oração aos Moços”, o grande tribuno brasileiro deixa entrever a sua certeza não apenas da sobrevivência do Espírito, como da comunicabilidade entre Espíritos e homens. Teria Ruy praticado esse intercâmbio?

Pelo menos um episódio ficou documentado e perece ter tocado profundamente o coração do baiano ilustre, e se deu justamente com o Espírito do seu amigo William Stead. O caso foi narrado, em novembro de 1952, por Ataliba Nogueira, numa conferência pronunciada em Campinas e reproduzida no “Jornal do Comércio” de 8 daquele mês e ano.

Achava-se Ruy numa estação de águas, em Minas Gerais, e já se recolhera ao leito, quando um grupo de senhoras e moças lembrou-se de propor uma experiência com o “copo” uma das formas rudimentares de comunicação mediúnica. Formou-se o círculo, com o alfabeto disposto à volta da mesa e o copo ao centro. A esses preparativos assistia, meio irônico, o historiador Batista Pereira, genro de Ruy. Ataliba Nogueira, devido à sua posição religiosa, reprova a “brincadeira”. De repente, porém, Batista Pereira, de pé, observa que o copo denotava “alguma inquietação”. Em pouco, entrou a indicar as letras, que alguém foi anotando, sem saber ainda ao certo o que sairia dali. Por fim, decifraram o enigma: tratava-se de uma mensagem, em inglês, dirigida a Ruy Barbosa. A coisa era tão insólita que, depois de alguma hesitação, o próprio Batista Pereira opinou que deveriam levar o caso ao conhecimento de Ruy. O Conselheiro atende-os à porta dos seus aposentos, em pijama, e lê a mensagem, visivelmente emocionado.

- É o estilo dele – exclama -, o estilo perfeito. E o assunto! O mesmo que conversamos em nossa despedida em Haia. A mensagem somente poderia ter uma origem – William Stead.

Naquele dia, os jornais noticiaram que Stead havia morrido no trágico naufrágio do navio “Titanic”. Viera, pois, desembaraçado do corpo físico, trazer ao seu amigo brasileiro o testemunho da sua sobrevivência.

Ataliba Nogueira conclui a narrativa declarando, algo perplexo, que Ruy “acreditava nestas histórias do Espiritismo”.

E como não haveria de crer se submetera seus postulados básicos ao exame competente de sua inteligência excepcional?

Fonte: Livro “Crônicas de Um e de Outro – De Kennedy ao Homem Artificial”


texto - http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2054.html

imagem - miniweb.com.br

Um comentário:

Jorge disse...

Ruy Barbosa, foi, sem dúvida, de uma inteligência excepcional.
Mas nem sempre isso basta para compreender a doutrina. Antes de mais nada, a pessoa precisa ser flexível diante da vida, saber ponderar com responsabilidade e consciência pois assuntos não físicos (vamos assim dizer) não é para qualquer mente.
Se o Ruy Barbosa realmente foi Espírita, é porque soube compreender um fato e tirar dele uma essência mais profunda que é a continuidade da vida depois da morte.

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