terça-feira, 15 de novembro de 2011

CÓDIGO INTERNACIONAL DE DOENÇAS INCLUI INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS

com permissão da minha amiga Márcia Prata do blog COMPREENDER E EVOLUIR

Dr. Sérgio Felipe de Oliveira com a palavra:

*Dr. Sérgio Felipe é médico psiquiatra que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP.

A obsessão espiritual como doença da alma, já é reconhecida pela Medicina. Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do Ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.

No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos com essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social. Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.

Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: iológico, psicológico e espiritual.

Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicinacomo possessão e estado de transe, que é um item do CID - Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da interferência espiritual Obsessora.

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença.

Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.

Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos - nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura bem como na interferência de um ser desencarnado, a Obsessão espiritual.

Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios.

O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.

Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, que coordena a cadeira (HOJE OBRIGATÓRIA) de Medicina e Espiritualidade.

Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.

Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.

Em minha prática clínica (também praticada por Ian Stevenson), a grande maioria dos pacientes, rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico (muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o Ser Integral).

Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo.

*Dr. Sérgio Felipe é médico psiquiatra que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP.


Texto de Osvaldo Shimoda- Somos Todos Um


texto - http://compreendereevoluir.blogspot.com

imagem - luzagas.blog.uol.com.br

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OMISSÂO DE DEUS?



José Carlos Monteiro de Moura

O desconhecimento da Justiça Divina induz a pronunciamentos equivocados
1- O Papa Bento XVI, ao visitar o tragicamente famoso campo de concentração de Auschwitz, exclamou, entre outras coisas, o seguinte: "Onde estava Deus naqueles dias? Por que não se manifestou? Como pôde admitir essa matança sem limites, esse triunfo do mal"?
Tais indagações revelam, a um primeiro exame, que o ocupante do hipotético trono de São Pedro permanece, no que diz respeito a Deus, jungido ao "antropomorfismo divino", causa determinante da decretação de Sua morte pelo seu conterrâneo e precursor do nazismo, Friedrich Nietzsche.
Essa maneira de pensar é típica dos que cultivam posturas extremamente radicais e conservadoras, a exemplo do atual papa, um dos mais proeminentes teólogos da ortodoxia católica. Não se trata, por outro lado, de atitude exclusiva dos elementos mais conservadores da Igreja de Roma. As mesmas indagações foram feitas pelo teólogo protestante Erwin Lutzer1 , ao indagar, estarrecido, quando de uma visita ao mesmo campo de extermínio:
"Como Deus pôde permitir tanta crueldade?". "Onde estava a Igreja de Cristo quando seis milhões de judeus foram mortos por ordem de Hitler?"
Tanto o papa como o referido autor deixam subjacentes nos seus questionamentos uma interpretação absolutamente literal do que se acha escrito em Gn., 1 :26: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança", que os homens, incluindo-se aí os responsáveis pelas igrejas cristãs, deturparam, com a substituição do sujeito da frase que passou a ser: "E disse o homem: Façamos Deus à nossa imagem, conforme nossa semelhança".
Era a figura do antropomórfico Deus bíblico, portador em grau superlativo de todos os defeitos, falhas e vicissitudes humanas, herdada da cultura judaico-cristã ..
2. Sob tal enfoque, jamais aceito pelo Cristianismo de Jesus - que difere fundamental e ontologicamente do Cristianismo dos homens - nada há de estranhável ou surpreendente nas indagações de Bento XVI e do membro da igreja reformada. Elas funcionam como autênticas caixas de ressonância dos costumeiros favores divinos concedidos a alguns privilegiados, ou dos castigos terríveis decorrentes da ira de Deus, e que Cairbar Schutel2 reduziu à sua verdadeira insignificância ao dizer que "Deus não se presta a ficar, de chinelo na mão, a dar chineladas em nossos traseiros por causa de nossos erros".
O Deus caprichoso, voluntarioso, prepotente, vingativo e rancoroso, inatingível e distante e, ao mesmo tempo e paradoxalmente, tão perto do homem que o castiga pela menor falta cometida, ainda encontra abrigo em inúmeros segmentos do Cristianismo, que o adoram por obrigação e o temem por interesse e conveniência! Entre eles, muitos explicam e justificam as atrocidades cometidas nos campos de extermínio, principalmente as referentes à solução final, que acarretou, só em Auschwitz, a morte de quase um milhão de judeus, como mero extravasamento da cólera divina, uma vez que foram eles, os judeus, os responsáveis pela morte de Cristo. Tal idéia foi longamente cultivada pela Igreja, conforme dá conta David L Kertzer3 , tanto que somente por ocasião do Concílio Vaticano II é que foi excluída da liturgia da sexta-feira da paixão a oração pelos "nossos pérfidos irmãos judeus".
3. Como figura de destaque do Vaticano, responsável, durante o pontificado de João Paulo II, pela Congregação para a Doutrina da Fé nome moderno da Inquisição - o atual Papa conhece melhor do que ninguém a posição de ostensiva hostilidade que Roma sempre dedicou aos judeus. É notória a, no mínimo condenável, omissão de Pio XII diante do genocídio contra esse povo, retratada, fria e imparcialmente, pelo historiador e jornalista católico John Cornwe1l4. A Igreja nem sequer pode alegar em sua defesa o desconhecimento do que, na época, se passava na Europa. A respeito, Michael R. Marrus5 informa que: 'Quando os assassinatos em massa começaram, o Vaticano mantinha-se muito bem informado por intermédio de seus próprios canais diplomáticos e por um grande número de outros contatos. Os funcionários da Igreja podem ter sido os primeiros a enviar à Santa Sé relatórios sinistros, acerca do significado dos trens de deportados em 1942, e continuaram a receber informações mais minuciosas sobre o assassinato em massa no leste europeu. Porém, apesar de numerosos apelos, o papa recusou-se a denunciar explicitamente o assassinato de judeus ou a conclamar de forma direta os nazistas para interromperem a matança. Pio XII sustentou com determinação sua postura de neutralidade e recusou-se a associar-se a declarações contra os crimes de guerra nazistas".
É incontestável que o holocausto não foi obra isolada de um grupo de obsediados, mas a somatória de inúmeros fatores que se desenvolveram no curso dos dois milênios do Cristianismo, marcados, de forma determinante, pelo radicalismo da igreja, conforme o magistério de Gerald Messadié6, em livro recentemente editado no Brasil
A questão, sob esse particular as¬pecto, pode ser encerrada em face das considerações de Debórah Dwork e Robert Jan van Pelt7, a saber: "Os Exércitos não são, tipicamente. agentes de civilização. No mundo ocidental, as Igrejas - Católica e Protestante - exercem esse papel. São aí instituições encarregadas de transmitir os valores tradicionais ao futuro. Têm apenas um trabalho: ser a consciência pública, a voz da moralidade, as defensoras da justiça, a face da humanidade. Em todas essas tarefas, as Igrejas fracassaram absoluta e abissalmente durante os anos do nazismo. Não falaram em favor dos judeus. Nem lembraram aos cristão, que era imoral e eticamente errado roubar os judeus por meio da "arianização", marcar, segregar, deportar matar. As Igrejas, em suma, fizeram um silêncio ensurdecedor".
4. O holocausto, aos olhos do Espiritismo, jamais poderia ser visto nem como castigo divino, nem com resultado da omissão ou da ausência de Deus, que não podem servir d explicação para os genocídios perpetrados pelos nazistas, não só em Auschwitz, como nos inúmeros outros campos de concentração espalhados pela Europa.
Existe, não obstante, uma explicação doutrinária para acontecimentos semelhantes. É de ver-se que salvo melhor e mais abalizado juízo ocorreu, na hipótese, mais um resgate ou provação coletiva dos que periodicamente, alcançam grupos de espíritos afins, que reencarnam como membros do povo judeu. Isso não implica, contudo, que tais espíritos sejam sempre os mesmos que sofreram os cativeiros no Egito e na Babilônia, que foram massacrados por Tito na tomada de Jerusalém no ano 70, que sucumbiram no cerco ( Massada, ou foram vítimas das Cruzadas ou da Inquisição na Espanha ou Portugal, tendo em vista a reencarnação e a lei de causa e efeito Algozes de ontem, vítimas de hoje tais espíritos vêm sendo, no decurso dos milênios, sucessivamente substituídos na verdadeira "operação resgate", que significa fazer parte desse povo.
De mais a mais, o Velho Testamento é uma verdadeira coletânea de massacres cometidos pelos israelitas contra seus inimigos, contando, invariavelmente com o beneplácito e até com a colaboração de Javé, fato enaltecido como sua especial demonstração de apreço e de predileção para com o povo de Israel. Não há, contudo, justificativa para a conduta dos nazistas em relação aos judeus. A eles não competia a execução do seu carma coletivo, porquanto a Justiça Divina dispõe de mecanismos próprios para a consecução de seus fins, prescindindo de toda e qualquer ação humana que vise a substituí-los.
5. Por outro lado, deve ser levado em conta que os grandes responsáveis por semelhantes acontecimentos eram homens dotados de livre arbítrio, e que escolheram seus caminhos, livre e espontaneamente. Embora nada aconteça que não seja por vontade de Deus, Ele não interfere na liberdade de ação de seus filhos, dando-lhes autonomia para assumir as conseqüências, boas ou más, dessas ações. O que se poderia alegar, quando muito, era a inquestionável obsessão de que eram portadores, principalmente Hitler, que em seus devaneios alucinatórios de poder julgava ser a reencarnação de Tibério. Também não escapava da ação maléfica dos obsessores o encarregado de levar a termo a solução final, Heinrich Himmler, que além disso e, talvez por causa disso, era o comandante das tétricas e fantasmagóricas Schutz Staffel, as SS. A grande maioria inclusive acreditava piamente na decantada superioridade ariana, julgava que os judeus eram os grandes culpados por todos os males do mundo e que a sua eliminação traria grandes benefícios para a humanidade. As igrejas, católica e protestante, também participavam desse ponto de vista. O citado Erwin Lutzer informa que o altar da Catedral de Magdeburgo foi, desde 1933, cercado por flâmulas com suásticas, enquanto que o pastor Siegrified Leffer declarava do púlpito de sua igreja: "Na absoluta escuridão da história da igreja, Hitler se tomou, por assim dizer, maravilhosa transparência de nossa época, a janela de nossa era pela qual a luz incide sobre a história do cristianismo"8.
Em vista disso, é forçoso reconhecer que Auschwitz, Birkenau, Treblinka, Mai:danek, Sobibôr, Dachau e tantos outros tenebrosos campos de concentração erguidos pelos nazistas não passam de meras ações humanas, da mesma forma que não passaram de condenáveis ações dos homens as guerras santas, as Cruzadas, a Inquisição, a Noite de São Bartolomeu, a intolerância religiosa na Irlanda, ou o interminável conflito no Oriente Médio que, coincidentemente, tem como principal protagonista o mesmo povo de Israel.
Deus nada tem a ver com isto!


1 - A CRUZ DE HITLER, Editora Vida, São Paulo, 2001.
2 - DEUS CASTIGA? CAIRBAR SCHUTEL RESPONDE, LAKE, São Paulo, 1974.
3 - O VATICANO E OS JUDEUS. OS PAPAS E A ASCENÇÃO DO ANTI-SEMITISMO MODERNO, Ed. Rocco, Rio, 2003.
4 - O PAPA DE HITLER, Imago Editora, Rio, 2000.
5 - A ASSUSTADORA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO, Ediouro, Rio, 2003.
6 - HISTÓRIA GERAL DO ANTISEMITISMO, Ed Bertrand, Rio, 2003.
7 - HOLOCAUSTO, UMA HISTÓRIA. Imago Editora, Rio, 2004.
8 - Op. cit. .p.126

Nota: o autor é aposentado e dedica-se atualmente à divulgação espírita. Vincula-se ao Centro Espírita Francisco de Assis, em Belo Horizonte-MG. Revista Internacional de Espiritismo - Outubro de 2006


texto - http://www.panoramaespirita.com.br/novo/artigos
imagem - eugeniochristi.blogspot.com

sábado, 5 de novembro de 2011

A BIOÉTICA E O HOMEM DO SÉCULO XXI


Angélica Bogatzky Ribeiro *

Quando, enfim, o Homem chega ao novo século, no limiar de uma nova era, superado o medo de que o mundo se acabaria, o cientista formado no reducionismo, com conceitos materialistas ainda firmemente apoiados na ciência mecanicista de Newton, está absolutamente convencido de que pode manipular a vida humana.

A corrida ao DNA torna-se pesquisa de ponta, estimulada pela possibilidade de que o código genético desvendaria todos os segredos que cercam a criatura humana. O sucesso da clonagem alucina os geneticistas e estes vislumbram a possibilidade de curar todas as chagas humanas. A ansiedade no meio científico é tão grande que o Homem, de repente, desperta para a sua onipotência, para a grandeza de suas possibilidades, a materialização do deus latente presente no íntimo do seu ser . O universo parece cada vez menor, neste Homem preso à matéria, submerso na sua ambição particular de poder, mascarada na potencialidade da manipulação humana como arma para combater todos os males. Esquece o Homem, ingênuo, do amor ao próximo, não este próximo, imperfeição da máquina física, que avaliza, a qualquer custo, as novas técnicas de manipulação gênica, mas este próximo que habita cada um de nós, que eclode de uma única célula e que anseia, em todas as fases de sua existência, por respeito, carinho, reconhecimento e direito à vida.
Ora... O DNA é desvendado, e nada! Não é facultado ao homem fabricar seres humanos perfeitos a partir deste conhecimento. Ah, sim! Torna-se possível diagnosticar mutações e distúrbios genéticos relacionados a determinadas doenças e mapear as predisposições mórbidas do indivíduo. E´ a nova caixa de Pandora, um universo imenso submerso na ignorância humana . Quanto mais se descobre, mais se percebe que não se sabe nada. E o Homem, uma vez mais, ingênuo, perde-se no deslumbramento de seu próprio poder e passa a vislumbrar a glória que terá no novo século, o século XXI . Na sua prepotência, o Homem larga mão dos seus princípios éticos e o novo lema da ciência passa a ser: “os fins justificam os meios” . Inicia-se a cruzada dos embriões. A crença de que todos os mistérios da vida se encerrariam na potencialidade do pequeno ser não basta para que seja preservada a sua soberania e num contra senso, a ciência o desqualifica, considerando-o apenas um amontoado de células potenciais, que objetivamente não se enquadraria no conceito de um ser vivo. Ora tudo, ora nada, numa orgia moral que a sociedade científica tenta impor ao mundo. As consciências alienadas no amor e profundamente enraizadas no materialismo tornam-se cegas frente às promessas de saúde e milagre da ciência do novo século. Afinal, os deuses descem à terra, para proporcionar aos mancos a marcha precisa; aos paralíticos, a reconstrução perfeita de suas vias nervosas; aos condenados, a promessa de longevidade... Mas e a moral? Qual é a promessa ética da ciência do século XXI ?
Torna-se, mister, portanto, que a sociedade científica vigente determine um limite para a ambição daqueles que querem tornar a ciência um trampolim para o determinismo no mundo. O nazismo científico deve ser repelido, condenado, desmistificado e combatido. A sociedade deve ser amplamente informada e educada para que, no futuro, a espécie humana, amparada na moral do amor e do respeito, possa ser preservada e a vida humana possa ser garantida com suas diferenças étnicas, físicas, sociais e religiosa (direitos totalmente desrespeitados pela ciência vigente).
A Bioética do século XXI deverá, pois, ser a arte de respeitar a vida na pesquisa científica, limitando a sua prática através do questionamento moral do que é ou não lícito pesquisar. Priorizar a preservação da espécie humana, respeitando o indivíduo e todas as suas relações com a natureza, tornar-se-á imperativo. A bioética tem, por dever, questionar as propostas científicas, investigar o conteúdo das pesquisas e fiscalizar a prática da ciência ética. A vida e a evolução das espécies qualificam o ovo, zigoto potencial para a raça humana e todas as suas derivações. Não perceber a inteligência com que o ovo se divide , ao mesmo tempo que vai multiplicando exponencialmente o seu potencial gerador de vida, é subestimar a criação inteligente que impera em cada ser humano existente, independente dos defeitos físicos, genéticos, mentais ou até mesmo morais que por ventura seja acometido.
A ciência deve respeitar a vida humana, sempre, porque esta é o objeto de seu interesse e deve comprometer-se para isso com a dignidade e a percepção moral que distinguem o homem dos outros animais.
Ao mesmo tempo, o amor deve ser, antes de tudo, o verdadeiro combustível da evolução científica. Sem ele o cientista é como uma figueira seca. Que frutos morais poderá deixar? Viverá uma vida e perceberá um dia que as suas verdades, conquistadas a custa da destruição da dignidade humana (verdades bem certo que perenes), passaram a ser rejeitadas por outra ainda mais verdadeira, ou por um novo dogma, ou por um novo paradigma, que é o caminho natural da evolução a que todos os Homens estão fadados. Descobrirá que o mecanicismo já foi superado, no século passado, pelo conceito quântico de Einstein e que novas luzes estão prometidas para o novo século, muito mais esplendorosas e sutis, que as luzes do século passado.
É a nova era! A era do amor, que agora ainda os cientistas não conseguem vislumbrar....

* Médica Ginecologista e Obstetra
1ª Secretária da AME Santos – Associação Médico-Espírita de Santos (AME-Santos)



texto - http://www.ameporto.org/pt/artigos

imagem - internet

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