domingo, 22 de novembro de 2009

A TÉCNICA DO PASSE



Rubens Policastro Meira


Ante um problema qualquer, em toda ordem de coisas, a atitude do homem sensato, do pesquisador, do homem de ciência, é completamente diversa do homem comum.

O investigador e o homem comum têm cada um sua psicologia peculiar, e dela nasce, espontaneamente, a força que os impulsiona à ação.

Tanto o homem de ciência como o comum são interessados; porém, o interesse do primeiro não é imediato, e o do segundo, ao contrário, o é.

Aquele, o homem de ciência, tem uma meta da qual sabe e compreende que está separado por uma estrada repleta de sacrifícios, que são: a Lei, o Imutável, o Necessário, os quais são o fruto do trabalho, da investigação e do raciocínio.

Começa por conhecer a natureza íntima de sua matéria de estudo. A análise e a síntese com suas operações intelectuais.

Dessa forma, busca a sujeição dos fenômenos parciais às leis comprovadas, aos princípios fundamentais, aos axiomas evidentes, e após a fatigante marcha, encontra a coordenação necessária de um fenômeno com outro, e, assim, uma Lei, essa preciosa síntese racional que valoriza seus esforços e os exalta. Este foi o procedimento adotado por Allan Kardec, ao longo de sua trajetória.

Este o exemplo que nos legou, e que devemos manter vivo em nossos núcleos de estudos.

Já o homem comum, o profano, não deseja dar-se a esse trabalho, desejando que a idéia se materialize sem esforço algum. Refratário à investigação, lança-se à experiência, desprezando e tendo como inútil o conhecimento teórico. O resultado pode ser uma vitória, um triunfo, ou uma derrota desastrada, uma desgraça.

O Entrade - Encontro de Trabalhadores e Dirigentes Espíritas, procura estabelecer nos corações e nas consciências, o Espírito de estudo, pesquisa, trabalho, bom senso, vivência, e para tal a campanha "Reforma do Centro Espírita" (retorno a Kardec) é de suma importância, tendo em vista que a grande maioria das Casas Espíritas, seus dirigentes e freqüentadores, se enquadram na análise dos refratários, como dissemos.

Sobre o título do estudo "A Técnica do Passe", iremos enfocá-lo de forma mais abrangente possível. Antes de iniciarmos o estudo propriamente dito, queremos enfocar a seguir dois conceitos de grande importância.


Saúde e Enfermidade

O Universo (que vemos e que não vemos) é de um equilíbrio, de uma perfeição, de uma harmonia sem par. A causa primeira e inteligência suprema (Deus) foi de uma perfeição absoluta, quando de sua criação.

Com base nessa premissa, podemos indagar: Que é saúde? Que é enfermidade?

Definimos a saúde como sendo a harmonia perfeita entre o microcosmo e o macrocosmo, como o resultado de viver em completa harmonia, em completo acordo, com as Leis que regem o Universo, o Cosmos. Leis Morais e Materiais, da Natureza. A mudança desse ritmo vibratório normal (ódio, egoísmo, amor próprio excessivo, gula, paixões inferiores etc.) produz o desequilíbrio, e é deste desequilíbrio que se origina a enfermidade. Este desequilíbrio pode ocorrer ao longo dos séculos, milênios.

A Lei de movimento e evolução implica um sucessivo acondicionamento do ser humano (encarnado ou desencarnado) a uma contínua transformação, a qual se manifesta em todas as ordens da vida.

A vida é e será sempre uma perene, eterna e infinita potência criadora no Universo.

A ela, à Vida, se devem as formas de pensamento, as concepções humanas, que logo se materializam, se corporificam no plano dos sentidos físicos.

Dessa forma, podemos assimilar a existência de modulações vibratórias que constituem a essência da Vida, adquirindo diversas densidades de expressão entre o plano material e o plano espiritual.

A Vida é uma criação de Deus, e das Leis Cósmicas, e por isso, estamos intimamente ligados ao Todo. No físico ou denso, no sutil ou espiritual. Esta mesma relação de continuidade opera-se com respeito aos elementos de nosso planeta, e olhando mais longe, vemos que se estende até às potências cósmicas, dentro da esfera do Universo.

Traduzindo, portanto, em linguagem mais simples, o homem significa equilíbrio ou desequilíbrio das forças cósmicas, espirituais ou materiais. Forças que partem do sutil ao denso e do denso ao sutil. Assim, no que concerne à Vida, os efeitos são a saúde ou a enfermidade.

Chegados a este ponto, e compreendendo-o, destacamos que, uma pessoa pode estar fisicamente mal, quando seu mundo espiritual não está em harmonia, o que provoca o desequilíbrio (a enfermidade) físico por repercussão.


Primórdios do Passe

As doenças sempre afetaram o Espírito humano, encarnado ou desencarnado, desde a individualização do princípio inteligente do Universo, (LE-23) em ser inteligente da criação (LE-76). Doenças do corpo e do Espírito.

Nos tempos primitivos surge a medicina mágica e empírica. Além do uso de plantas curativas, cujo aprendizado foi obtido mediante a observação do comportamento dos animais, usava o apelo às forças sobrenaturais, Espíritos, deuses, demônios etc.

A partir do neolítico, estruturando-se a sociedade em classes, constituiu-se uma casta sacerdotal que se apodera das funções de curar, encaradas como um segredo tradicional e simultaneamente como manifestação do poder curador da divindade.

Para o pesquisador, as fontes principais para o conhecimento destas informações são:

O papiro de Ebers, escrito entre 1553-1550 A.C;
O papiro Brugsch, escrito provavelmente cerca de 1.200 A.C.;
O papiro Edwin Smith, cerca de 1.700 A.C., cópia de outro mais antigo, escrito cerca de 3.000 A.C.
Nestes textos encontram-se considerações astrológicas, fórmulas de esconjuros (preces), invocações mágicas de deuses (espíritos), bem como os medicamentos e plantas mais utilizados.

Relatos idênticos encontram-se junto aos hebreus (Israel), indianos, chineses, etc.

Na literatura grega (pós-homérica) revela-se a arte mágica e mística de curar, como dependente de entidades divinas ou mitológicas, como Apolo, Atena, Higia, Quiron, e principalmente Asclépio (o esculápio).

Na Caldéia, na Índia, os magos e os brâmanes curavam pelo olhar, pela imposição de mãos...

Galeno, um dos pais da medicina moderna, utilizava os passes curadores, que o fizeram passar por feiticeiro e o obrigaram a deixar Roma.

Na China do século XVIII A.C., encontram-se relatos de curas obtidas pelo olhar, pelo toque das mãos, etc...

Encontram-se gravuras do ano 928 A.C., retratando o famoso médico CHIRON, ensinando seu discípulo ESCULÁPIO, que posteriormente utilizaria os recursos do magnetismo entre os romanos, para curá-los, por intermédio de toques manuais.

HIPÓCRATES costumava dizer que "as dores de que padecem o corpo e a alma podem ser vistas com os olhos fechados".

No Antigo Testamento, além de inúmeros relatos de manifestação dos espíritos, lembramos a leitura de I REIS - 17:17 a 24 e II REIS - 4:32 a 36.

Por este sucinto resumo podemos verificar que o PASSE, A IMPOSIÇÃO DE MÃOS, O OLHAR, como terapêutica espiritual, remonta às mais recuadas eras, donde se conclui que a crença, a interferência e as manifestações dos espíritos se fazem presentes e acompanham o ser humano ao longo da sua história e dos tempos.


O advento de Jesus, o Cristo

Com a vinda de Jesus, altera-se o ambiente terráqueo, e as curas tomam uma nova conotação: O AMOR que a tudo preside. Jesus marcou uma nova era na história da humanidade. Sua presença, seus ensinamentos, seus exemplos, separam a história em ANTES e DEPOIS DO CRISTO.

Já não vigoraria, doravante, a máxima egoísta de NÃO FAÇAS AOS OUTROS O QUE NÃO QUERES QUE TE FAÇAM. Mas sim, a nova máxima, oriunda do Amor: FAZE AOS OUTROS O QUE QUERES QUE TE FAÇAM.

Simples como o Amor. Uma única palavra de negação , NÃO, altera todo o conteúdo de comportamento, a partir de Jesus.

Alguns fatos verificados nos processos de cura, relatados no Novo Testamento, chamam nossa atenção e merecem de todos nós, uma análise e estudo conscientes, à luz da Doutrina dos Espíritos.

Tais fatos demonstram fatores importantes, como a FÉ (certeza, convicção), a VIRTUDE (fluidos, energias), MERECIMENTO, NECESSIDADE, etc. que foram relatados pelos discípulos e companheiros do MESTRE.

Endereçamos o leitor e companheiro, para sua pesquisa e análise pessoal, aos fatos com as indicações das principais curas, objetos dos relatos.


LEPROSOS
Mateus - 8: 1 a 17
Marcos - 1: 39 a 42
Lucas - 5: 12 a 13
Lucas - 17: 12 a 19


CEGOS - SURDOS - MUDOS
Mateus - 9: 27 a 29
Mateus - 21: 29 a 34
Marcos - 7: 32 a 35
Marcos - 8: 22 a 26
Marcos - 10: 46 a 52
Lucas - 18: 35 a 42
João - 5: 1 a 14
João - 9: 1 a 13


MULHER HEMORROÍSA
Mateus - 9: 20 a 22
Marcos - 5: 25 a 34
Lucas - 8: 43 a 48


ENDEMONIADOS - OBSEDIADOS
Mateus - 9: 32 a 33
Mateus - 12: 22
Mateus - 15: 22 a 28
Mateus - 17: 14 a 21
Marcos - 1: 23 a 26
Marcos - 9: 17 a 29
Lucas - 4: 33 a 35
Lucas - 4: 41
Lucas - 8: 2
Lucas - 9: 38 a 42
Lucas - 10: 14
Atos - 8: 7


CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBSESSÃO
Mateus - 12: 43 a 45
Lucas - 11: 17 a 26


PARALÍTICOS - COXOS - DEFORMADOS
Mateus - 12: 10 a 13
Marcos - 2: 3 a 12
Marcos - 3: 3 a 5
Lucas - 5: 18 a 20
Lucas - 5: 23 a 25
Lucas - 6: 6 a 10
Lucas - 13: 11 a 13
Atos - 3: 1 a 12
Atos - 8: 7
Atos - 9: 33 a 34
Atos - 14: 8 a 10


MORIBUNDOS
Marcos - 5: 22 a 23
Marcos - 5: 35 a 43
Lucas - 7: 12 a 15
Lucas - 8: 41 a 42
Lucas - 8: 49 a 55
Atos - 9: 37 a 41


DIVERSAS ENFERMIDADES
Mateus - 15: 30 a 31
Marcos - 1: 29 a 31
Marcos - 1: 32 a 34
Marcos - 6: 5
Marcos - 6: 55 a 56
Lucas - 4: 38 a 39
Lucas - 4: 40
Lucas - 6: 17 a 19
Lucas - 7: 2 a 10
Lucas - 9: 11
Atos - 5: 12
Atos - 5: 16
Atos - 19: 11 a 12
Atos - 28: 8 a 9


FÉ (CONVICÇÃO - PODER DE CURAR)
Mateus - 10: 1 a 28
Marcos - 3: 14 a 15
Marcos - 6: 7 a 13
Lucas - 9: 1 a 2
Lucas - 10: 9
Lucas - 10: 17 a 20
Atos - 4; 30


COMPETIÇÃO ENTRE COMPANHEIROS
Marcos - 9: 38 a 40
Lucas - 9: 49 a 50


COBRANÇA FINANCEIRA PARA CURAR
Atos - 16: 16 a 31


MORAL DO TRABALHADOR SOBRE OS ESPÍRITOS
Atos - 19: 13 a 17
Os precursores - Para encerrarmos este item "histórico", vamos estudar e analisar alguns dos principais precursores, na história do magnetismo e do passe.

PARACELSO - (1493-1541)

Seu nome era FELIX AURELIO TEOFRASTO BONBAST VON HODENHEIM. Médico, antropólogo, teólogo e um grande médium. Na época denominava-se mago.

Sem ter os conhecimentos científicos, hoje em voga, PARACELSO sustentava que a NATUREZA era a autoridade suprema e que nela dever-se-ia buscar todas as verdades, porque a natureza, diferentemente do homem, não comete erros.

Ensinava que o mundo natural é "algo mais" daquilo que se pode ver com os olhos, sentir com as mãos, pesar ou medir. Inclui uma variedade de influências sobre a vida dos seres humanos.

As coisas não são simples pedaços de matéria inerte: possuem propriedades ocultas que se fundamentam em um mundo invisível.

Afirmou que o homem possui em si mesmo um fluido magnético e que sem essa energia não poderia existir. Trataria-se de uma espécie de fluido universal que produz todos os fenômenos que observamos. Com base nestes conceitos afirmava que, como o homem emite e recebe vibrações, pode também emitir ou receber boas ou más vibrações.

PARACELSO foi um dos principais precursores do estudo do magnetismo animal, ainda que se considere MESMER, posterior quase dois séculos, como o pai da teoria do magnetismo.

PARACELSO aplicava suas idéias à medicina afirmando que "o primeiro médico do homem é Deus", autor da saúde, já que "o corpo não é mais que a casa da alma".

VAN HELMONT - (1577-1644)

JUAN BAUTISTA VAN HELMONT, projetou nova luz sobre o magnetismo animal, tendo sido o mais importante continuador e discípulo de PARACELSO.

Estabeleceu uma clara distinção entre o que chamava magnetismo animal proveniente do corpo físico do homem (exterior), e as vibrações que emanavam do "homem interior", de suas forças espirituais.

VAN HELMONT estava associado com o círculo inglês de LADY CONWAY, que por sua vez estava associada a VALENTINE GREATRAKES, famosa médium irlandeza de curas, de forma gratuita, mediante orações e passes com as mãos impostas sobre o paciente. Tal fato sugere que os "passes magnéticos" podem ter nascido de antigas tradições religiosas, como já verificamos, suscintamente.

A Igreja, como sempre, combateu os médiuns, e VAN HELMONT certa feita, respondendo a um jesuíta as críticas que o mesmo fizera a PARACELSO, atribuindo ao demônio as curas por ele efetuadas, expressou que os teólogos deveriam se ocupar com as causas divinas e os naturalistas com as causas da natureza, porque a natureza não havia escolhido os teólogos como seus intérpretes, e sim os seus filhos, os físicos e naturalistas.

MESMER - (1734-1815)

FRIEDRICH FRANZ ANTON MESMER, era médico. As curas magnéticas de MESMER provinham de uma tradição que reconhecia como expoente máximo PARACELSO.

Sua teoria, com base na tese de doutorado apresentada em Viena em 1776, denominada de PLANETARUM INFLUXU (A influência dos planetas na cura das enfermidades). A tese descrevia a influência dos planetas por intermédio de um fluido universal com poderes magnéticos sobre a matéria viva. Descrevia também o magnetismo animal, que existiria em duas formas opostas e tenderia a emanar dos lados direito e esquerdo do corpo humano.

Explicava que a cura das enfermidades consistia na restauração do equilíbrio ou harmonia alteradas entre os dois fluidos.

Com base nestas teorias, MESMER construiu sua técnica terapêutica, utilizando a fixação dos olhos e os passes com as mãos. MESMER criou uma escola pelos métodos empregados, o MESMERISMO.

Sua teoria expunha e descrevia que um princípio imponderável atuava sobre os corpos; que em todo organismo vivente existe um fluido magnético, no qual circula uma força especial animando tanto o mundo orgânico como o inorgânico; que esse fluido se transmite, podendo revigorar os corpos debilitados; que as pessoas dotadas de grande vitalidade podem transmitir essa energia aos outros, se souberem dirigir essa mesma energia, utilizando a imposição das mãos.

Sobre as forças vitais, MESMER apoiou-se em WILLIAM MAXWELL, que em 1676, na sua obra MEDICINA MAGNÉTICA, afirma que a alma humana não está contida dentro dos limites do corpo e atua fora dele; que o corpo humano emite radiações, compostas de elementos imateriais, que são os veículos que transmitem a ação da alma e que contém forças vitais.

MESMER assegurava que dirigindo esse fluido segundo métodos corretos, poder-se-ia "curar imediatamente as doenças dos nervos e mediatamente as outras" e que "a arte de curar chegaria assim à sua perfeição última".

Acrescentava MESMER, que o organismo como um todo, age como elemento sensível e captor das energias fluídicas e qualquer desequilíbrio rompendo a harmonia entre o homem e o todo, gera a doença.

Dessa forma, acrescentava, não haveria senão uma única doença, sob múltiplos aspectos, como, similarmente, não haveria senão um único remédio para todos os males: o magnetismo.


DIVERSOS

Entre os estudiosos e pesquisadores, criaram-se ao longo do tempo escolas que se diferenciavam na arte e no processo de curas pela magnetização (Passes).

A descrição de MESMER, que fez escola, de que existiriam duas formas opostas, no magnetismo animal, que tenderiam a emanar-se dos lados direito e esquerdo do corpo humano, denominou-se POLARIDADE DOS CORPOS. Vários pesquisadores, tendo à frente H. DURVILLE, afirmavam que o corpo humano, como qualquer outro objeto, seria polarizado, ou seja o lado direito positivo e o lado esquerdo negativo. Que dessa forma não se poderia magnetizar indistintamente com a mão direita ou com a esquerda.

No entanto, vários outros pesquisadores, como DU POTET, DELEUZE, GAUTHIER, BUÉ, BINET e FERÉ e inclusive a Doutrina Espirita, CONTESTAM as conclusões dos POLARISTAS, afirmando que a potência volitiva do magnetizador UNIFICA a ação radiante dos fluidos e a conduz com igual segurança ao paciente, de face, de lado, pelas costas, de perto ou de longe, através de um compartimento para outro, vendo ou não vendo o paciente.

Todos, polaristas ou não, evidenciam um fato: a ação curadora do fluido magnético.

Para o estudo e a análise, por parte dos leitores interessados, endereçamos às seguintes obras:

MICHAELUS - MAGNETISMO ESPIRITUAL (FEB)
JOSÉ LAPPONI - HIPNOTISMO E ESPIRITISMO
ALLAN KARDEC - O LIVRO DOS MEDIUNS
ALLAN KARDEC - OBRAS POSTUMAS
ALLAN KARDEC - REVISTA ESPIRITA
H. DURVILLE - TRAITÉ EXPERIMENTAL DE MAGNETISME
DU POTET - TRAITÉ COMPLET DE MAGNETISME ANIMAL
DELEUZE - INSTRUCTIONS
H. GAUTHIÉR - MAGNETISME ET SONAMBULISME
ALFONSE BUÉ - LE MAGNETISME CURATIF
BINET e FERÉ - LE MAGNETISME ANIMAL
ALLAN KARDEC (03.10.1804/31.03.1869)
Doutrina dos Espíritos - A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, veio trazer luzes às trevas do conhecimento humano.

Sua missão, bem como a dos espíritas em geral, é a de contribuir para o aprimoramento dos espíritos, encarnados e desencarnados, com o fim de libertá-los da ignorância e da superstição. Racionalizando a fé, conduz o ser à certeza, à convicção das Leis Imutáveis que regem a Vida, de Deus, Causa Primeira e Inteligência Suprema do Universo, enfim, ao conhecimento integral da Verdade.

Conhecereis a Verdade e ela vos libertará, afirmou Jesus há quase 2 milênios.

No que tange às curas, ao passe, a Doutrina dos Espíritos, fruto da interação entre encarnados e desencarnados, hoje aliada às inúmeras pesquisas científicas em todo o planeta, veio demonstrar a existência do perispírito, estabelecendo sua origem, suas propriedades e suas funções; veio estudar a propriedade dos fluidos, bem como a ação desses mesmos fluidos sobre a matéria.

Allan Kardec, para codificar a Doutrina, criou e estabeleceu uma metodologia científica, que até o presente momento serve de parâmetro para todos os pesquisadores sérios:

- Localizar e descobrir o fenômeno;
- Observar e conhecer o fenômeno na sua manifestação;
- Provar e comprovar que o fenômeno existe, e
- Estudar, conhecer e formular as causas e o mecanismo desse fenômenos.

A Criação e os Fluidos

Não é nosso propósito efetuar um estudo sobre a CRIAÇÃO, no entanto as conotações sobre o PASSE nos obrigam a suscintamente estabelecer certos parâmetros, para melhor entendimento.

É assim que, com Kardec, vamos remontar às origens.

Em "O Livro dos Espíritos", no capítulo - dos Elementos Gerais do Universo - à pergunta 27, temos:

"Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o espírito? Sim, e acima de ambos Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe..."

A matéria, como Princípio Material, Fluido Universal, "é a matéria elementar primitiva, da qual as modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da natureza".

(GÊNESE - CAP. XIV - item 2 / LIVRO DOS MÉDIUNS - CAP. IV - item 74 - Questões 1 a 5 - CAP. VIII - item 130).

O ESPÍRITO, como Princípio Espiritual, Princípio Inteligente do Universo (L. ESPÍRITOS - 23) que pelos caminhos da evolução, se individualiza, como ser Inteligente da criação (LIVRO DOS ESPÍRITOS - 76).

Continuando, à resposta da pergunta 27 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, vemos que: "...Esse fluido universal ou primitivo, ou elementar, sendo agente de que o Espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá".

Na atualidade, a ciência praticamente sanciona a tese da matéria elementar, e o desenvolvimento da física quântica amplia as possibilidades referidas por Kardec. Sabe-se hoje, que a matéria elementar é uma realidade e que sua natureza não é atômica, mas sub-atômica.

O fluido elementar, universal, anunciado pelos Espíritos, já é admitido pela ciência, com outra nomenclatura: DIRAC, nos traz a teoria do "oceano livre de elétrons"; ARTHUR COMPTON, nos diz que "os campos de força, que estão por trás da energia, parecem ser pensamento..."

A ciência demonstra, na atualidade, a ação da mente sobre a matéria, conforme pesquisas na ex-URSS, e Rhine nos EEUU.

Kardec, em A GÊNESE, Cap. XIV - Os Fluidos, nos demonstra no item 2, que o Fluido Universal, "como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele".

Nos mostra que o ponto intermediário "é o da transformação do fluido em matéria tangível".

No item 3, do mesmo capítulo, nos diz que o fluido cósmico (universal, primitivo) não é uniforme no estado de eterização (sutil); que sofre modificações variadas e mais numerosas do que no estado de matéria tangível; que tais modificações constituem fluidos distintos, que são dotados de propriedades especiais; que esses fluidos são para os Espíritos a matéria prima, as substâncias que eles utilizam para elaborar e combinar para produzirem determinados efeitos, pois conforme "O LIVRO DOS ESPÍRITOS, pergunta 27, in-fine, "...é o agente de que o Espírito se utiliza..."

Para o estudo e análise do PASSE, é de suma importância estudar e analisar o cap. XIV - OS FLUIDOS, de "A GÊNESE" de Allan Kardec.

Princípio Vital e Perispírito

Examinando o cap. IV, da parte 1, de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", à perg. 61, verificamos que a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos, "...é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos está animalizada". E a causa da animalização da matéria, está justamente, "na sua união com o princípio vital" (L. E. - 62).

Esse princípio vital, tem sua origem na matéria universal, modificada, e é um dos elementos necessários à constituição do Universo (L. E. - 64). Igualmente verifica-se que esse princípio vital, é o que geralmente chamamos de fluido magnético, fluido elétrico animalizado (L. E. - 65).

No mesmo capítulo encontramos, nos comentários de Kardec à pergunta 70, importantes considerações que se relacionam com o PASSE. Esclarece que o fluido vital não é absoluto em todos os seres orgânicos. Varia segundo a espécie de indivíduo; que a quantidade de fluido vital se esgota, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contém; e mais importante ainda, que "o fluido vital se transmite de um indivíduo a outro, podendo doá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se".

Continuando na pesquisa, anotamos que o PERISPÍRITO tem "sua origem no fluido universal de cada globo..." (L. E.- Parte 2 - Cap. I - perg. 94).

Em "A GÊNESE", Kardec nos informa no cap. XI, item 17, que "...Como toda matéria, ele é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre uma modificação especial". E no cap. XIV, item 7, da mesma obra, nos afirma que "O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, É UM DOS MAIS IMPORTANTES produtos do fluido cósmico; É UMA CONDENSAÇÃO desse fluido em torno de UM FOCO DE INTELIGÊNCIA, OU ALMA".

Na mesma obra, cap. I, item 39, Kardec nos diz ainda, que "o perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia, assim como à psicologia".


Qualidade dos Fluidos

Os fluidos espirituais, são um dos estados do fluido cósmico universal, os quais são a atmosfera dos seres espirituais e ao mesmo tempo os elementos dos quais extraem os materiais para as diversas operações. Dessa forma os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais empregando o pensamento e a vontade. O Pensamento é um atributo do Espírito. É pelo pensamento que imprimem àqueles fluidos as características necessárias, mudando-lhes as propriedades, combinando-os segundo determinadas leis. É o grande laboratório da vida espiritual.

Às vezes essas transformações são resultantes de uma intenção; de outras, são produtos de um pensamento inconsciente.

Os fluidos são o veículo do pensamento, e este atua constantemente sobre aquele. Pode-se dizer que nos fluidos há ondas e raios de pensamento, que se entrecruzam sem se confundirem.

Sendo os fluidos o veículo do pensamento dos Espíritos, sofrendo sua ação, modificando-lhes as propriedades, torna-se evidente que esses mesmos fluidos encontram-se impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os fazem vibrar, estando modificados pela PUREZA ou IMPUREZA dos sentimentos de quem os emitem (o pensamento).

Não há como enumerar ou classificar as qualidades dos fluidos, dado a grande diversidade dos pensamentos. Os fluidos, não possuindo características e qualidades próprias, pois são NEUTROS, os adquirem no MEIO onde se elaboram. Não há, também, denominações particularizantes, podendo ser designados pelas suas propriedades, seus efeitos e tipos originais.

Kardec nos mostra que, "sob o ponto de vista MORAL, carregam em si os sentimentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, doçura, etc. Sob o ponto de vista do aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, irritantes, tóxicos, reparadores, etc".

O encarnado, como Espírito que é, atua, pelo pensamento, sobre os fluidos espirituais, da mesma forma, identicamente, como o pensamento dos desencarnados, e se transmite (o pensamento) de Espírito a Espírito, utilizando as mesmas vias, (os fluidos) e conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientais.

Dessa forma, sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, (como o dos desencarnados) ele os assimila com extrema facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido.

Kardec, ainda nos diz que: "Esses fluidos atuando sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material, com o qual se acha em contato molecular, ocasionando dessa forma, impresso salutar se forem de boa natureza e penosa se forem maus, deletérios. Se esses eflúvios maus, deletérios, forem permanentes e enérgicos podem ocasionar desordens físicas e não são outras, as causas de diversas enfermidades.

Para que se alterem as qualidades e propriedades dos fluidos, não é necessário que o pensamento se exteriorize por palavras, basta a sua irradiação que sempre existe, desde que se pensou.

O pensamento produz uma espécie de efeito físico que age sobre o moral, o ambiente, etc.; é uma emissão que ocasiona perda real de fluidos espirituais e, conseqüentemente, de fluidos materiais. Da mesma forma que um pensamento mau, viciado, produz sensações más, um pensamento bondoso, de amor, produz, sensações salutares, reparadoras.

Kardec pergunta então: "Como fugiremos à influência dos maus Espíritos que pululam em torno de nós?

O meio é simples, porque depende da vontade do homem. Os fluidos se combinam pela semelhança de suas naturezas; os dessemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos".

Conforme já vimos, os Espíritos exercem ação e atuam sobre a matéria. E dessa forma podem efetuar transformações moleculares, dando às substâncias as qualidades necessárias. É muito importante, para todos nós a leitura e o estudo do cap. VIII - 2 parte de "O LIVRO DOS MÉDIUNS" - Laboratório do Mundo Invisível, no item 130 - in-fine, do capítulo citado, encontramos: "...Pois que ao Espírito é possível tão grande ação sobre a matéria elementar, concebe-se que lhe seja dado não só formar substâncias, mas também modificar-lhes as propriedades, fazendo para isso, A SUA VONTADE, o efeito de reativo". (Caixa alta nossa).

No item 131, em continuação, Kardec esclarece:

"Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, QUASE SEMPRE ASSISTIDO POR OUTRO ESPÍRITO. Ele opera a transmutação por MEIO DO FLUIDO MAGNÉTICO...

...A vontade, em todos os fenômenos, desempenha PAPEL RELEVANTE. A vontade é ATRIBUTO do Espírito, e com essa alavanca, ele ATUA sobre a matéria elementar, reagindo sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas (atômicas) vêm assim a ficar transformadas.

A VONTADE é atributo do Espírito, SEJA ENCARNADO OU DESENCARNADO. Assim se explica a faculdade de cura de certas pessoas, pelo contato e pela imposição de mãos (Passes), faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado". (Caixa alta e parênteses nossos).

É de grande importância a frase, "QUASE SEMPRE ASSISTIDO POR OUTRO ESPÍRITO".

Demonstra-nos a assistência dos Espíritos nos trabalhos que encetamos.

Há uma observação, nossa, no tocante à tradução, relativa àquela frase:

Na tradução FEB - 43ª edição: POR OUTRO ESPÍRITO...

Na tradução EDICEL - Por Herculano Pires: POR UM ESPÍRITO DESENCARNADO.

No original: ...ASSISTÉ PAR UN ESPRIT ÉTRANGER,...

Em nossa opinião, a tradução de Herculano Pires presta-se a uma melhor interpretação, tendo em vista demonstrar a assistência de um agente oculto. Tal fato se impõe, uma vez que na tradução da FEB a frase "POR OUTRO ESPÍRITO", simplesmente pode dar dupla interpretação:

- ESPÍRITO DESENCARNADO

- OUTRO ESPÍRITO ENCARNADO

Kardec, deixou bem claro que a assistência dava-se via Espírito desencarnado.


O Passe Espírita

Sobre o assunto, Kardec tratou sobre o aspecto geral de CURAS e nos demonstra que "este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o uso de qualquer medicação". (L. M. CAP. XIV - 175 - 2 PARTE).

Kardec questionava, pois entendia que o fenômeno não passava de magnetismo, mas sua perspicácia de cientista demonstrava que alguma coisa a mais existia.

Expôs que geralmente todos os magnetizadores são aptos a curar. Examinando mais profundamente o assunto, nos demonstra que diferente do magnetizador é o médium curador, uma vez que esta faculdade é espontânea, e que alguns a possuem sem terem tido, jamais, conhecimento do magnetismo. É assim que nos assinala que neste caso existe a intervenção de uma potência oculta, que é o que realmente constitui e caracteriza a mediunidade.

No item 176, do capítulo mencionado, Kardec formula uma série de perguntas que é importante analisar.

Pergunta - Podem considerar-se as pessoas dotadas de força magnética como formando uma variedade de médiuns?

Resposta - Não há que duvidar.

Pergunta - Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha.

Resposta - É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio... ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias."

Por aí vemos que no mecanismo da cura pelo Passe, são os Espíritos que conduzem o processo, pois que:

- AUMENTAM NOSSOS FLUIDOS
- DIRIGEM NOSSOS FLUIDOS
- QUALIFICAM NOSSOS FLUIDOS

Na 6ª pergunta, desejando saber se nas pessoas que possuem o dom de curar, se haveria também ação magnética ou apenas influência dos Espíritos, obteve como resposta: "uma e outra coisa. Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois que ATUAM SOB A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS".

CONCEITOS - Segundo Kardec, a ação fluídica se transmite de perispírito a perispírito, e deste ao corpo material. (REV. ESPÍRITA - ANO VIII - SETEMBRO 1865 - VOLUME 9 - PAG. 258).

Tal assertiva é hoje comprovada cientificamente, o que demonstra o papel importantíssimo do perispírito na economia orgânica. A comprovação temos em várias obras e principalmente no livro de Sheila Ostrander e Lynn Shoroeder, "Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro", à pag. 243, quando nos diz: "Os trabalhos preliminares com a fotografia Kirliana até agora parecem indicar que a cura psíquica ENVOLVE UMA TRANSFERÊNCIA de energia do CORPO BIOPLASMÁTICO DO CURADOR PARA O CORPO BIOPLASMÁTICO DO PACIENTE.

As mudanças ocorridas nesse nível finalmente se REFLETEM no corpo físico e, segundo se afirma, CURAM-NO".

Que é o Corpo Bioplasmático, energético, da ciência?

Nada mais que o Perispírito, que Kardec nos revelou há quase 140 anos.

Assim é que segundo Kardec, o PASSE, é a TRANSFERÊNCIA DE FLUIDOS DE PERISPÍRITO PARA PERISPÍRITO. (A GÊNESE - CAP. XIV - ITEM 31).

No movimento espírita, existem outros conceitos, tais como:

"É uma transfusão de energias psíquicas..." (Emmanuel - O Consolador - questão 99)

"É uma transfusão de energias regeneradoras..." (Marco Prisco - Ementário Espírita)

"Não é unicamente transfusão de energias anímicas. É o equilibrante ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos". (André Luiz - Opinião Espírita - cap. 55)

"...O passe é transfusão de energias fisio-psíquicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em teu benefício". (Emmanuel - Segue-me - cap. O PASSE).


Tipos de Passes

Em "A GÊNESE - CAP. XIV - ITEM 33", Kardec nos demonstra que "a ação magnética pode produzir-se por diversas formas:"

- Pelo próprio fluido do magnetizador (Passista).
- Pelos fluidos do Espírito (desencarnado).
- Pelos fluidos do Espírito (desencarnado) combinando com os fluidos do magnetizador (Passista).

Conforme já verificamos, o pensamento e a vontade exercem ação preponderante sobre os fluidos. Verificamos também, que a ação dos Espíritos é que realmente dá eficácia curadora, no magnetismo, aos fluidos humanos.

Dessa forma é importante a conscientização, em nossas Casas Espíritas, dos médiuns passistas e mesmo daqueles caracterizados como curadores, de que são os Espíritos que provocam as curas, servindo o médium como intermediário, pois são eles, os Espíritos quem AUMENTAM, DIRIGEM E QUALIFICAM nossos fluidos.

Pesquisando Kardec, vamos encontrar na REVISTA ESPIRITA - ANO VII - JAN. 1864 - PAG. 7, importante estudo, que nos elucida no assunto, quando nos diz:

..."Em geral o que magnetiza (Passista) não pensa senão em desdobrar essa força fluídica, derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido aos seus cuidados. SEM se ocupar se há ou não uma Providência interessada no caso, tanto ou mais que ele. AGINDO SÓ, não pode obter senão o que a sua força, sozinha, pode produzir; ao passo que os MÉDIUNS CURADORES começam por elevar sua alma a Deus, e a reconhecer que, POR SI MESMOS, NADA PODEM... Esse socorro que envia, são os bons Espíritos que vem penetrar o médium de seu fluido benéfico, que é transmitido ao doente... e, que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; AO PASSO que o magnetizador (passista) ordinário SE ESGOTA, por vezes em vão, a fazer passes, o MÉDIUM CURADOR infiltra um fluido regenerador pela SIMPLES IMPOSIÇÃO DE MÃOS, graças ao concurso dos bons Espíritos".

Continuando, à pag. 8 da mesma REVISTA ESPÍRITA, encontramos:

..."Na ação magnética propriamente dita, É O FLUIDO PESSOAL DO MAGNETIZADOR que é transmitido, e esse fluido, que não é senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência do Espírito..."

Em nossa opinião, o fluido não é o perispírito como deixa a entrever a tradução da Revista, mas sim o fluido vital, fluido magnético, levando em consideração os estudos dos Espíritos e de Kardec (ver item 3.3 - Princípio Vital - Perispírito).

Verificamos dessa forma, que NÃO HÁ diversos tipos de Passes. Nos trabalhos de socorro ao próximo, SEMPRE, estaremos secundados pelos Espíritos.

Assim, o Passe possui um único tipo, que podemos designá-lo, se assim o desejarmos de HUMANO-ESPIRITUAL, dado à simbiose que sempre haverá entre encarnados e desencarnados, mormente nesse campo de atividade.


Mecanismos do Passe

Segundo as circunstâncias, são variados os efeitos da ação dos fluidos sobre os doentes. Uma gama de condições são necessárias para a obtenção dos efeitos curativos desejados. Tais condições serão objeto de análise, em item próprio.

A ação dos fluidos às vezes é lenta, reclamando um tratamento seguido; outras vezes é rápida, quase que instantânea. Entre os pólos, lentidão e instantaneamente, há infinitas variações ..."O importante é que o princípio das curas é o mesmo: é o fluido que desempenha o papel de agente terapêutico, e cujo efeito é subordinado à sua qualidade e a CIRCUNSTÂNCIAS especiais". (Kardec - A GÊNESE - Cap. XIV, item 32).

Já vimos e sabemos que o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, do qual são transformações. Já vimos que o Princípio Vital (Fluido Vital, Fluido Magnético) também tem origem no Fluido Universal. "Por sua identidade de natureza, este fluido, condensado no perispírito, pode fornecer ao corpo os princípios reparadores; o agente propulsor é o Espírito encarnado ou desencarnado, que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância de seu envoltório fluídico". (Kardec - A GÊNESE - Cap. XIV - item 31).

Assim, mecanicamente, "o passe é uma ação dirigida dos fluidos, que são qualificados pelos Espíritos". (Kardec - O LIVRO DOS MÉDIUNS - Cap. XIV - item 176 - 2 perg.).

Continuando nossa análise e estudo, conclui-se que os Espíritos exercem ação sobre a matéria, que os fluidos são os materiais por eles utilizados, que pela ação do pensamento e da vontade os fluidos são qualificados, recebendo propriedades terapêuticas, podendo conduzir à cura da enfermidade. Assim é de suma importância a qualidade dos fluidos do médium passista, qualidades estas que refletem sua individualidade, sua moral, enfim seu proceder e modo de vida. Por quê? Porque sendo o passe uma simbiose de fluidos materiais e fluidos espirituais, guardam em si a procedência.

Para o processo de cura, levamos em conta que ela se processa substituindo os fluidos malsãos por fluidos bons.

Da mesma forma que os fluidos adquirem propriedades benfazejas, também podem, pelas circunstâncias, serem alterados para uma substância malfazeja. Tal fato se dá tendo em vista que o "fluido magnético tem duas fontes distintas: Os Espíritos encarnados e os Espíritos desencarnados.

Essa diferença de origem produz uma grande diferença na QUALIDADE do fluido e nos seus efeitos". (Rev. Espírita - Ano VII - Setembro 1865 - Vol. 9 pags. 249 e seguintes). "O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de IMPUREZAS FÍISICAS E MORAIS do encarnado; o dos bons Espíritos, é necessariamente MAIS PURO e, por isto mesmo, TEM PROPRIEDADES MAIS ATIVAS, que acarretam uma cura mais pronta. Mas, PASSANDO através do encarnado pode alterar-se...

Daí, para todo MÉDIUM CURADOR, a necessidade de trabalhar para seu melhoramento moral..." (Revista Espírita - Ano VII - Setembro 1865 - Vol. 9 - Pags. 249 e seguintes).

Assim compreende-se que o fluido dos Espíritos inferiores, deva aproximar-se do homem e possa ter propriedades maléficas, se, o Espírito for impuro e ANIMADO de MÁS INTENÇÕES.

As qualidades do fluido carregam consigo as qualidades físicas e morais do médium. E, "é evidente que o fluido emanado de um corpo malsão, PODE INOCULAR PRINCÍPIOS MÓRBIDOS, no enfermo". Portanto o fluido do passista pode ser SALUTAR ou INSALUBRE.

O mecanismo do Passe, dessa forma, reveste-se de grande responsabilidade por parte do médium passista, dos dirigentes e da própria Casa Espírita, tendo em vista que o fluido modificado, com as propriedades emanadas da vontade e do pensamento, agem sobre o Perispírito, que lhe é similar, e esse Perispírito reage sobre a economia orgânica, apesar de ainda ser quase desconhecido da ciência, que caminha a passos largos ao seu encontro, ou reencontro.

Para encerrarmos este item, Mecanismo do Passe, sugerimos ao leitor, a análise do capítulo: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA FOTOGRAFIA E TELEGRAFIA DO PENSAMENTO, EM OBRAS PÓSTUMAS de Allan Kardec.

Para nossa análise e estudo, estamos utilizando a Edição em idioma português, da FEB, de 1918, tradução de MAX (Bezerra de Menezes) e a Edição do Núcleo Espírita Caminheiros do Bem, tradução de Sylvia Mele Pereira da Silva, com introdução e notas de Herculano Pires, por julgá-las mais fiéis ao pensamento de Kardec.

Verifica-se que a ação dos fluidos, de pessoa para pessoa, com ou sem contato é um fato incontestável.

As pesquisas com as fotografias Kirliam, efetuadas em vários países, provam e comprovam a transferência e a ação de fluidos. Kardec, no estudo enunciado em "OBRAS PÓSTUMAS", deixa evidente que "Tal ação somente pode ser exercida por um agente intermediário do qual o NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, e nossos OLHOS e nossos DEDOS os principais órgãos de emissão e direção".

Nos instrui dizendo que o fluido perispiritual, "no estado de emissão, apresenta-se na forma de feixes luminosos..." Que este fluido "no estado ordinário, apresenta tonalidades diversas conforme os indivíduos dos quais emana: ora vermelho fraco, ora azulado ou acinzentado..." "Na maior parte das vezes espalha-se sobre os corpos adjacentes uma tonalidade amarelada, mais ou menos acentuada".

Novamente a fotografia Kirliana prova e comprova as assertivas de Kardec. As fotos demonstram as várias tonalidades do fluido, na sua emissão.

Diz-nos que somente a VONTADE pode ampliar ou restringir a ação dos fluidos. Que a VONTADE é o seu mais poderoso princípio, sendo que nesse princípio (a vontade) que se fundamenta a força magnética.

As simpatias ou antipatias, a atração ou repulsão, que muitas pessoas sentem uma pelas outras, se originam das qualidades particulares de cada fluido, de cada ser, que resulta uma espécie de harmonia ou de desacordo entre eles (os fluidos).

Talvez seja esta a razão pela qual certos pacientes se sentem bem, são mais sensíveis à ação de determinados médiuns passistas, e insensíveis a ação de outros.

Explicaremos agora, para finalizar, as razões de julgarmos as referidas traduções mais fiéis a Kardec. Vejamos:

OBRAS PÓSTUMAS - FEB. 14ª EDIÇÃO. TRADUÇÃO GUILLON RIBEIRO PAG. 107

"Semelhante ação só pode ser exercida por um agente intermediário, do QUAL SÃO RESERVATÓRIOS O NOSSO CORPO, OS NOSSOS OLHOS E OS NOSSOS DEDOS, PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

OBRAS PÓSTUMAS - FEB. 6ª EDIÇÃO - 1918 - TRADUÇÃO MAX (BEZERRA DE MENEZES) PAG. 81

"Não se pode, evidentemente, exercê-la (a ação) senão por intermédio de um agente, CUJO RESERVATÓRIO É O NOSSO CORPO, SENDO OS OLHOS E OS DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

OBRAS PÓSTUMAS - ED. NÚCLEO ESPÍRITA CAMINHEIROS DO BEM - LAKE - EDIÇÃO ESPECIAL - TRADUÇÃO SYLVIA MELE PEREIRA DA SILVA - INTRODUÇÃO E NOTAS DE J. HERCULANO PIRES - PAG. 77

"Tal ação evidentemente só pode ser exercida por um agente intermediário, DO QUAL O NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, E OS NOSSOS OLHOS E NOSSOS DEDOS, OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE EMISSÃO E DIREÇÃO".

Notaram a diferença? Na tradução de Guillon Ribeiro, o nosso corpo, os nossos olhos e nossos dedos, são o RESERVATÓRIO E ÓRGÃOS de emissão e direção do fluido.

Nas traduções de MAX (Bezerra de Menezes) e Sylvia M. P. da Silva, o NOSSO CORPO É O RESERVATÓRIO, E OS NOSSOS OLHOS E DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS de emissão e direção.

OEUVRES POSTHUMES - DERVY - LIVRES - PARIS - ED. 1978 - PAG. 24

"Cette action ne pent évidemment s'exercer que par un agent intermédiaire DONT NOTRE CORPS EST LE RÉSERVOIR, NOS YEUX ET NOS DOIGTS les principaux organes d'emission et de direction".

TRADUÇÃO

Esta ação evidentemente só pode ser exercida por um agente intermediário ONDE NOSSOS CORPOS SÃO O RESERVATÓRIO, NOSSOS OLHOS E NOSSOS DEDOS OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS de emissão e de direção.


Objetivo e finalidade do passe espírita

Já vimos a ação dos fluidos reparadores, qualificados e dirigidos pelos Espíritos; Já vimos que o pensamento e a vontade são elementos indispensáveis na emissão e na direção dos fluidos; Já vimos que os fluidos magnéticos, perispiritual, vital, e inclusive o perispírito e o corpo material, têm sua origem no fluido Cósmico.

Partindo dessa premissa, podemos afirmar que os objetivos e finalidades principais do passe espírita se consubstanciam no REEQUILÍBRIO DO ESPÍRITO, no REEQUILÍBRIO DO CORPO FÍSICO, e, no EXERCÍCIO DO AMOR AO PRÓXIMO.

Mas, para que esses objetivos e finalidades sejam colimados, necessário se faz uma compreensão e conscientização acerca das Leis que regem a Vida.

É dessa forma que o PASSISTA, deve conscientizar-se de que NÃO É MAGNETIZADOR, e, SIM MÉDIUM, pois que serve de intermediário, na transferência de fluidos salutares, qualificados e direcionados, entre os Espíritos (desencarnados) e os Espíritos (encarnados); conscientizar-se de que quem realiza a cura são os Espíritos (desencarnados) fundindo os seus próprios fluidos com os fluidos animalizados, vitalizados, do médium.

Com a compreensão desses fatores, e conscientes da importância do Pensamento e da Vontade nos processos de cura, entenderá que o processo se faz através de uma simbiose dos fluidos, tendo em vista a substituição de fluidos deletérios por fluidos salutares; e entenderá mais, pois verificará que nos processos de cura, a EMPATIA entre o médium passista e o enfermo é de suma importância, tendo em vista, que os fluidos devem ser simpáticos para se atraírem, pois caso contrário, serão repelidos e o resultado será nulo.

O Pensamento e a Vontade, NÃO SE circunscrevem somente aos médiuns passistas, mas também, e PRINCIPALMENTE, aos enfermos do corpo e do espírito.

Assim, cabe aos DIRIGENTES, aos ESCLARECEDORES, aos MÉDIUNS PASSISTAS, uma função de grande relevância no trabalho de passes: ESCLARECER os enfermos; ENSINAR-LHES a forma de pensar; INCENTIVAR a vontade, com vistas à realização da cura. Pergunta-se então:

COMO? Há quase 2.000 anos Jesus nos deixou a fórmula: "CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ". Que é a Verdade? É simples. Nada mais nada menos que A REALIDADE das COISAS. Portanto é importante a função de INOVAR os pensamentos, as imagens mentais deletérias que se criam, aumentando a capacidade de RECRIAR os pensamentos e conseqüentemente as imagens mentais, AUXILIANDO o enfermo na compreensão da Verdade e da Liberdade.

É importante incentivar a FÉ (certeza, convicção), a VONTADE, demonstrando ao enfermo a UNIDADE que existe entre ESPÍRITO e CORPO, ESPIRITUAL e FÍSICO, ensinando-lhes a se utilizarem dessa UNIDADE.

Para isso, recordamos Jesus: "A TUA FÉ TE CUROU".

Esta FÉ, é nada mais nada menos que convicção, certeza, vontade.

Como auxiliar e incentivar o enfermo?

Todos sabemos o que é a força do pensamento. Portanto, devemos ensinar-lhes a pensar e a criar imagens mentais saudáveis. É deveras importante lembrarmo-nos de que a linguagem das imagens mentais, PRECEDE a habilidade de se comunicar com palavras.

Na atualidade, a medicina (psicossomática) explora as conexões entre o ESPÍRITO e o CORPO, onde a medicina comportamentalista e a psiconeuroimunologia são dois exemplos.

A ciência e a medicina ocidental ainda relutam em aceitar o fato de que o ESPÍRITO pode alterar o CORPO, embora acreditem, firmemente, no oposto, ou seja, que o FÍSICO, O CORPO, pode afetar o MENTAL, O ESPÍRITO, e utilizam-se regularmente dessa conexão. Os exemplos deste fato estão no uso constante de tranqüilizantes, antidepressivos e anestésicos. Perguntamos então: Sendo óbvio que o CORPO pode afetar o ESPÍRITO, será que não seria LÓGICO pensar que a utilização da força do pensamento, da vontade, da fé, das imagens mentais, PODE AFETAR O CORPO?

Nos Estados Unidos, dois grandes periódicos científicos dedicam-se à pesquisa sobre as imagens mentais, e sua conexão com a saúde: The Journal of Mental Imagery da Marquette University, e, Imagination, Cognition and Personality, da Yale University.

Os trabalhadores e dirigentes espíritas, ensinando e esclarecendo os enfermos acerca da Verdade, com base na Doutrina dos Espíritos, e a formar e criar, com a força do pensamento, imagens mentais, estarão contribuindo para que estes mesmos enfermos TOMEM PARTE ATIVA no processo de cura, na sua saúde e no seu bem estar. Novamente podemos aplicar Jesus, meditando sobre a PARÁBOLA DO BOM SEMEADOR. Traçando um paralelo, veremos que nosso CORPO, tal como a terra, necessita de cuidados. Todos somos lavradores (Espíritos) aos quais são confiadas nossas terras (corpo). Como lavradores temos funções de trabalhar a terra e, naturalmente colher.

As terras (corpo) infestadas de ervas daninhas, espinhos, pedregulhos, não podem dar boa colheita.

Assim doenças, enfermidades, pensamentos negativos, viciosos e malsãos, são as ervas daninhas, espinheiros e pedregulhos que permitimos crescer em nossas terras (CORPO). Da mesma forma, emoções negativas, tais como ansiedade, depressão, medo, pânico, preocupações e desespero, também são ervas daninhas, espinheiros, e estão intimamente ligados às doenças e enfermidades, sejam do corpo, sejam do espírito.

Mas, se se reconhece a unidade básica ESPÍRITO-CORPO, não há porque se surpreender com a correlação entre emoções negativas e baixa imunidade. Da mesma forma, convicções positivas (FÉ-CERTEZA) nos trazem emoções positivas, como humor sadio, alegria e felicidade, demonstram sua ligação, sua correlação a respostas imunológicas positivas.

O pensamento e a vontade, gerando imagens mentais, serve para limpar as convicções negativas (ervas daninhas, espinheiros e pedregulhos) e substituindo-as por convicções positivas (alegria, confiança, fé) hauridas na compreensão, no estudo e na prática da Doutrina dos Espíritos, propiciará terreno salutar à SEMENTE, que fortalecida pelo Amor, dará colheita farta. Este o papel, a função dos dirigentes, ser o SEMEADOR. As imagens mentais possuem energia, e podemos criá-las para que ajam a nosso favor como agentes, acessórios, da cura.

Não há nada de complicado na forma de criar e utilizar as imagens mentais, pois podemos utilizar as aptidões normais, comuns a todos os seres.

Pergunta-se então: Como criar as imagens mentais?

Em nossos estudos e pesquisas, chegamos à conclusão de quatro componentes básicos, na preparação do pensamento e da vontade:

- INTENÇÃO
- TRANQÜILIZARÃO
- LIMPEZA
- TRANSFORMAÇÃO

Intenção

A intenção está intimamente ligada e depende da VONTADE, que é simplesmente o impulso que nos permite fazer escolhas. Cada um de nós tem VONTADE e ela se reflete nas escolhas que fazemos todos os dias. Todas as ações são atos da VONTADE.

Assim, a criação das imagens mentais está diretamente ligada à INTENÇÃO - ação mental que direciona nossa atenção e nossas ações. A intenção é a expressão ativa de nossos desejos.

Freqüentemente se manifesta em forma de ação física ou mental. Em suma, é aquilo que desejamos alcançar. Para isso, necessariamente, devemos sempre começar definindo e esclarecendo nossa intenção, isto é, o que queremos alcançar. Podemos exemplificar: se você quer curar uma dor de cabeça, DEVE dizer a SI MESMO, antes de iniciar o exercício, que está fazendo isso para CURAR a sua dor de cabeça. Você estará dando uma instrução INTERNA. Assim, quando damos uma instrução à nossa vontade, TEMOS UMA INTENÇÃO. Por conseguinte, a INTENÇÃO é uma VONTADE DIRIGIDA e é essencial para todo trabalho de CURA e de PASSES, constituindo-se então, a vontade alerta e a intenção consciente, a parte central do processo de cura.


Tranqüilizarão

Para este componente é importante a ambientação (ambiente, local, etc.). A ambientação requer dois tipos de tranqüilizarão: EXTERNA e INTERNA. A quietude, a paz externa, ajuda a concentração na tarefa de nos voltarmos para dentro de nós mesmos.

As distrações e as perturbações impedem este tipo de recolhimento, assim, temos que evitar os efeitos desagradáveis de ruídos perturbadores. Por outro lado, certos tipos de ruídos podem contribuir para a tranqüilidade interna: música ambiente saudável, som dos pássaros, da natureza, etc.

O importante é que o som, o ruído não nos aborreça e nem sejamos forçados a ignorá-lo. Quando nos esforçamos demais para evitar o barulho, o ruído, ocupamo-nos com isso e OBSTRUÍMOS o processo de criação de imagens mentais. Salientamos que a criação das imagens mentais, mesmo sendo tão fácil, É UMA FUNÇÃO ESPECÍFICA e não um hábito a mais a ser incorporado às atividades rotineiras. Dessa forma temos que as imagens mentais, para a CURA, através do PASSE, tem suas próprias características e funcionam melhor em local apropriado.

O aspecto interno da tranqüilizarão é o RELAXAMENTO, a CONCENTRAÇÃO.

Verificamos que o relaxamento, a concentração profunda, não é a mais adequada, pois pode tornar o médium e paciente menos alertas, sonolentos, e obviamente MENOS SENSÍVEIS ao processo.

A ênfase NÃO deve estar no relaxamento, na concentração, MAS SIM, na criação das imagens e posterior lembrança. O estado mental deve ser o de total atenção e alerta, e a própria atividade do PASSE, pode intensificar a atenção.


Limpeza

A LIMPEZA é um dos primeiros e mais importantes passos para que se abram os canais de criação das imagens mentais. Na antiguidade, os médicos egípcios consideravam o banho uma condição para a cura; os romanos eram famosos pelas técnicas de banho e purificação em suas termas medicinais; os antigos judeus instituíram um ritual de purificação chamado MIKVA, que tanto servia como lembrete da necessidade de cuidar da saúde pessoal quanto celebrar o SHABAT (em si, um dia de limpeza, de purificação).

Mas ao falar de limpeza, de sua necessidade, naturalmente estamos falando de ALGO ALÉM da limpeza física.

Sem pretender ser moralista, sabemos que ser saudável é estar "LIMPO" em todos os sentidos, objetivos e subjetivos, da palavra. Física, moral e eticamente. Eticamente falando, significa perguntarmo-nos o quanto LIMPOS estamos, em nossas relações com os semelhantes.

Quantas vezes já ouvimos dizer que "O CORPO NÃO MENTE"?

Isso se aplica tanto à nossa saúde física, quanto à nossa saúde espiritual, mental. Em cada um de nós, qualquer deslize de ordem ética ou moral, afeta o Espírito, que transmite ao Perispírito e que por sua vez manifesta-se no corpo físico, influenciando negativamente o funcionamento de nossa vida física, mental e espiritual. Haja visto os processos obsessivos.

Um deslize ético no significa apenas enganar ou fazer, intencionalmente, o mal a alguém. A questão é mais complexa: podemos enganar a nós mesmos.

Para que o Passe possa surtir os efeitos desejados, para que o processo de cura se concretize, precisamos começar fazendo uma verdadeira LIMPEZA, uma FAXINA, em nós mesmos. Isso é parte do ato consciente da VONTADE, que precede a abertura dos olhos, do Espírito, para a criação das imagens mentais; faz parte da DECISÃO de darmos uma olhada para dentro de nós mesmos, e de entender o que nossos corpos e sentimentos estão nos dizendo, com sinceridade. O Mestre Jesus já nos alertava: "Ouça quem tenha ouvidos de ouvir".


Transformação

O que queremos dizer por TRANSFORMAÇÃO, quando tratamos de processos de CURA e PASSES?

Transformar é mudar, alterar. Assim, transformação quer dizer, mudança, alteração da forma vivencial. Outro roteiro, novas formas de pensar e de agir.

Jesus, nos disse: "Aquele que quiser me seguir apanhe do arado e siga em frente, SEM OLHAR para trás".

Os cientistas, físicos quânticos modernos, bem como os antigos místicos chineses, dizem que: "O que experimentamos subjetivamente como TEMPO é, na verdade, UM FLUXO CONTÍNUO DE MUDANÇA" (TRANSFORMAÇÃO). A medicina tradicional chinesa é toda baseada na premissa de que a doença é sinomismo de bloqueio de energia. Em outras palavras, UMA RESISTÊNCIA à natureza mutante das coisas.

Emmanuel já nos dizia: NÃO EXISTE DOENÇAS, EXISTE DOENTES.

Psicologicamente, quando nos prendemos a algo fugaz, QUERENDO CRER que é permanente, geramos problemas, e com muita freqüência, os problemas acabam assumindo a forma de doenças físicas.

O processo de cura, através dos passes e das imagens mentais, e o fluxo do processo de mudança (transformação) estão indissoluvelmente ligados. Jesus já nos havia dado a fórmula da TRANSFORMAÇÃO: "VÁ E NÃO TORNES A PECAR, PARA QUE NÃO TE SUCEDA COISA PIOR".

Verifica-se então que a mudança, a transformação, NÃO deve se efetuar meramente nas características exteriores, MAS SIM, e principalmente, nas características interiores.

Dessa forma, INTENÇÃO, TRANQÜILIZARÃO, LIMPEZA e TRANSFORMAÇÃO, abrangem igualmente MÉDIUM PASSISTA e ENFERMO, como requisitos básicos de um estado espiritual e mental para o fim colimado: CURAR E SER CURADO.

Para concluirmos este tópico, temos a certeza de que a utilização dos recursos apontados, que propiciarão a participação ativa do enfermo no processo de cura, aliados à participação dos recursos magnéticos do médium, qualificados e dirigidos pelos Espíritos, atingir-se-á os objetivos de Reequilíbrio do Espírito, reequilíbrio do corpo físico, e principalmente atendermos a Jesus, no AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.


O agente do Passe

Todos podem ministrar o passe. Partindo da premissa de que TODOS somos Espíritos; que todos possuímos um Perispírito; que o Perispírito, bem como o corpo físico, tem sua origem no fluido Cósmico primitivo; que todos possuímos em maior ou menor quantidade o fluido vital, fluido magnético, obviamente que chegaremos à conclusão de que TODOS SOMOS MÉDIUNS. Uns com mais outros com menos sensibilidade. Mas é inegável que todos somos médiuns.

Uma vez que o PASSE ESPÍRITA é ministrado mediante uma conjugação de fluidos animalizados, vitalizados, do encarnado e dos fluidos espirituais dos desencarnados, que lhes dão as propriedades necessárias, que aumentam as nossas possibilidades fluídicas e que também dirigem estes mesmos fluidos, chegamos também à conclusão de que TODOS PODEMOS MINISTRAR O PASSE.

Vejamos o que nos diz Kardec, na REVISTA ESPÍRITA - ANO VII - SETEMBRO 1865 - VOL. 9:

No estudo sobre a mediunidade curadora, que dá início à página 249 da citada revista, demonstrado fica, entre várias considerações, que são RAROS na Terra, OS MÉDIUNS CURADORES, em virtude das qualidades que se exigem para esse mister.

Assim, à pag. 254 Kardec nos mostra que:

"Se a mediunidade curadora pura é privilégio das almas de escol, A POSSIBILIDADE DE SUAVIZAR certos sofrimentos, MESMO DE OS CURAR... a TODOS É DADA SEM QUE HAJA NECESSIDADE DE SER MAGNETIZADOR".

Continuando ainda à mesma página, nos diz:

"Como a TODOS é dado apelar aos bons Espíritos, ORAR E QUERER o bem, muitas vezes basta IMPOR AS MÃOS sobre a dor para a acalmar; É O QUE PODE FAZER QUALQUER UM, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus".

Continuando, encontramos na REVISTA ESPÍRITA - ANO 1866 - DEZEMBRO - PAG. 379, o seguinte:

"Quanto a adquirir a faculdade de médium curador, NÃO há método para isto; TODO MUNDO PODE, EM CERTA MEDIDA, adquirir esta faculdade e, agindo em nome de Deus, cada um fará as suas curas".

(Mensagem do Príncipe HONENLOHE, na Soc. Espírita de Paris - 26.10.1866).

E igualmente, vemos na REVISTA ESPÍRITA - OUTUBRO 1867 - PAG. 317, que:

"TODO O MUNDO POSSUI MAIS OU MENOS a faculdade curadora".

Conclui-se dessa forma que TODOS podem curar, TODOS podem exercer a função de PASSISTAS, colaborando com os Espíritos Superiores, na tarefa com e para Jesus.

E para finalizar, lembremo-nos de Jesus, segundo a narrativa de Mateus, Cap. 17, versículos 14 a 20, em que o Mestre demonstra o poder da fé, quando um homem do povo se aproximou e disse que seu filho era lunático; que o havia levado aos seus discípulos, mas que não puderam curá-lo. E o mestre o curou. Então "os discípulos vieram estar com Jesus em particular e lhe perguntaram:

Porque não pudemos nós outros expulsar esse demônio? Respondeu-lhes Jesus: POR CAUSA DA VOSSA INCREDULIDADE. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a FÉ DO TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA, direis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, E NADA VOS SERIA IMPOSSÍVEL". E Allan Kardec, em "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, cap. XIX, comentando a fé, nos diz no item 5: "O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível". E no mesmo capítulo, item 12, uma mensagem que assina um ESPÍRITO PROTETOR, em 1863, finaliza dizendo: "O magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação"... "SE TODOS os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, eles chamaram de prodígios e que no entanto, não passa de um DESENVOLVIMENTO DAS FACULDADES HUMANAS". Kardec, ainda em "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP. XXVII - item 14, nos esclarece, dizendo: "Por exercer a prece uma como ação magnética, poder-se ia supor que o seu efeito depende da força fluídica. Assim, entretanto, não é. Exercendo sobre os homens essa ação, os Espíritos, em sendo preciso, SUPREM a insuficiência daquele que ora, ou agindo diretamente em seu nome..."

O médium passista espírita - Quando analisamos, item 4.5, os objetivos e Finalidades do PASSE ESPÍRITA, enfocamos o Pensamento e a Vontade no processo de criação de imagens mentais, com ênfase aos quatro componentes básicos, na preparação do pensamento e da vontade.

Tais componentes básicos: INTENÇÃO - TRANQÜILIZARÃO - LIMPEZA - TRANSFORMAÇÃO, NÃO se aplicam SOMENTE para as condições receptivas do enfermo, MAS SIM, e PRINCIPALMENTE para os médiuns passistas.

Já verificamos, por uma série de fatores, que quem realiza a cura são os Espíritos. Para poder contar com o concurso dos Espíritos Superiores, fator indispensável para se obter a cura, "a primeira condição para isto é trabalhar em sua própria depuração, (MORAIS E ÉTICAS) a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir. Esta condição no poderia* ser executada sem o mais completo desinteresse MATERIAL e MORAL. O primeiro é o mais fácil, o segundo é o mais raro, porque o orgulho e o egoísmo são os sentimentos mais difíceis de extirpar, e porque várias causas contribuem para os superexcitar nos médiuns". (REV. ESPÍRITA - ANO IX - NOVEMBRO 1866 - VOL. 11 - PAG. 352) (CAIXA ALTA E PARÊNTESES NOSSOS). Continuando, vamos encontrar à pág. 353, da Revista Espírita citada, um importante alerta, quando lemos:

"O poder de curar independe da vontade do médium: é um fato adquirido pela experiência. O QUE DEPENDE DELE são as QUALIDADES que podem tornar FRUTUOSO e DURÁVEL. Essas qualidades são sobretudo o DEVOTAMENTO, a ABNEGAÇÃO e a HUMILDADE; o EGOÍSMO, o ORGULHO e a CUPIDEZ são pontos de parada, contra os quais se quebra a mais bela faculdade". E à pág. 354, em continuação temos: "O verdadeiro médium curador, o que compreende a santidade de sua missão, é movido pelo único desejo do bem; não vê no Dom que possui senão um meio de tornar-se útil aos seus semelhantes, e não um degrau para elevar-se acima dos outros e por-se em evidência. É humilde de coração... Nem procura o brilho, nem o renome, nem o ruído de seu nome, nem a satisfação de sua vaidade. Não há, em suas maneiras, nem jactância, nem basófia; não exibe as curas que realiza, ao passo que o orgulhoso as enumera com complacência, muitas vezes as amplia, e acaba por se persuadir que fez tudo o que diz".

O médium consciente, SERVE e PASSA. Serve a Jesus e passa pela existência afora. Tal é a característica do médium amado e respeitado pelos bons Espíritos.

Dessa forma entendemos que existem requisitos e condições que são básicas e desejáveis para o exercício do PASSE ESPÍRITA, que podemos sintetizar em:

FÉ (CERTEZA-CONVICÇÃO)
AMOR AO SEMELHANTE (RESPEITO E COMPREENSÃO DOS PROBLEMAS DO SER)
DISCIPLINA (PONTUALIDADE E CONSTÂNCIA)
VONTADE (ESPÍRITO DE SERVIR)
CONHECIMENTO (ESTUDO CONSTANTE DA DOUTRINA ESPÍRITA)
EQUILÍBRIO PSÍQUICO (PRECE-MEDITAÇÃO-LIGAÇÃO COM O PLANO ESPIRITUAL)
HUMILDADE-ABNEGAÇÃO
Entendemos, igualmente, os fatores negativos para o concurso do Passe, que sintetizamos:


PRINCIPAIS FATORES NEGATIVOS FÍSICOS

- Alimentos inadequados
- Desequilíbrio nervoso
- Uso do fumo e do álcool

PRINCIPAIS FATORES NEGATIVOS ESPIRITUAIS/MORAIS

- Mágoas excessivas (tristeza, desânimo, depressão, revolta íntima, inquietude)
- Paixões (emoções que se sobrepõem à lucidez e à razão)
- Egoísmo (amor excessivo ao bem próprio - exclusivismo)
- Orgulho (amor próprio demasiado - soberbo - arrogante - altivo)
- Vaidade (Presunção - frívolo - desejo de atrair admiração)
- Cupidez (cobiça - revelação de desejos amorosos, carnais)

Para encerrarmos este item, lembremo-nos de uma frase de Emmanuel – no livro SEGUE-ME:

"Se pretendes, pois, guardar as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, PURIFICA o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro".

A técnica do passe espírita - O PASSE ESPÍRITA é destituído de qualquer técnica especial, dispensando, conforme André Luiz nos informa em CONDUTA ESPÍRITA, "na sua transmissão, qualquer recurso espetacular".

Herculano Pires, no livro Mediunidade, salienta que o "Passe é tão simples, que não se pode fazer mais do que dá-lo".

Para corroborar a simplicidade do Passe Espírita, no que concerne às técnicas de magnetização, lembremo-nos sempre de que somos MÉDIUNS e NÃO magnetizadores. E Kardec, na Revista Espírita, ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9, à pag. 254, nos diz que "O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, MAS NÃO INDISPENSÁVEL".

Na mesma página, referindo-se aos médiuns curadores, nos diz que: "Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência desta ou daquela fórmula. Às vezes, mesmo, a isto misturam práticas evidentemente supersticiosas, às quais se deve emprestar o valor que merecem".

Queremos deixar claro que NÃO somos contrários a determinadas técnicas, mencionadas por estudiosos encarnados e desencarnados, salientando que cada um apresenta o seu ponto de vista, segundo sua ótica pessoal. No entretanto, examinando, analisando e estudando Kardec, chegamos, muitas vezes, a conclusões divergentes daqueles autores. Contudo, respeitamos seu ponto de vista.

É assim que encontramos técnicas como:

- Sopro - Insuflação (quente/frio) - André Luiz - Os mensageiros - Cap. 19, Conduta Espírita - 28

- Rotativo - Circular - André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19

- Dispersão - André Luiz - Ação e Reação - Cap. 3, Manoel Philomeno Miranda - Grilhões Partidos - Cap. 15

- Longitudinal - André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19

Não nos cabe discutir e polemizar sobre a validade ou no destas técnicas. Ficamos com Kardec, como já dissemos, e repetimos: "Como a TODOS é dado apelar aos bons Espíritos, ORAR e QUERER o bem, muitas vezes BASTA IMPOR AS MÃOS sobre a dor para a acalmar; É O QUE PODE FAZER QUALQUER UM, se trouxer a FÉ, o FERVOR, a VONTADE e a CONFIANÇA em DEUS". (Revista Espírita - ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9 - pág. 254).

SIMPLES não é? Como tudo na vida. Jesus foi simples, Kardec foi simples. Nós é que somos complicados e, acabamos complicando as coisas simples, com a nossa complicação. Sejamos simples, como Jesus e Kardec. Já falamos sobre a posição mental do Passista e sobre a posição e preparação mental do enfermo, antes, durante e após ao passe.

Enfocaremos agora, sucintamente, pela ordem os seguintes critérios:

- Quando o passe deve ser aplicado;
- Preparação do ambiente;
- Forma de Aplicação do Passe Espírita;
- O Passe no Centro Espírita;

Quantos Passes podemos aplicar?

1 - O passista é um trabalhador de Jesus. O passe não é privilégio de ninguém. Não há contra indicação para o passe. Todavia, recomenda-se, sua aplicação somente nos casos, necessários, de enfermidade física, psíquica ou espiritual. É muito difícil diagnosticar quando REALMENTE uma pessoa necessita de passes, pois várias enfermidades mantém-se ocultas, ao longo de vários anos.

Nos casos de enfermidade, o passe espírita NÃO dispensa o tratamento médico.


2 - Entendido o tratamento através do Passe Espírita, como sendo de alcance terapêutico, justo é compreender que esse serviço deve ser realizado em ambiente devidamente preparado. No ambiente deve manter-se a CALMA, a CONVERSAÇÃO EDIFICANTE, a MENTE e os PENSAMENTOS SADIOS, o RESPEITO MÚTUO. André Luiz, em Conduta Espírita, nos esclarece que "De ambiente poluído nada de bom se pode esperar".


3 - Como já dissemos, o Passe é simples. É a transmissão de fluidos, mediante sua emissão através da VONTADE, portanto pela mente. Para isso, movidos pela vontade e amor, basta IMPOR AS MÃOS sobre o enfermo, sobre a cabeça de preferência. Os Espíritos amigos sabem melhor do que nós qual o órgão ou órgãos mais necessitados de fluidos restauradores. Com o pensamento edificante voltado para Jesus, não é preciso nenhuma regra especializada e nenhum gesto especial, ou movimentos convencionados. O Passe, NÃO requer contato físico com o enfermo.


4 - O Centro Espírita, atendendo ao objetivo maior da Doutrina dos Espíritos que é a cura da alma, DEVE possuir o serviço de PASSES destinado ao tratamento físico e espiritual daqueles que o procuram para o alívio de suas dores. A par desse serviço, DEVE possuir equipes de companheiros, com o fim de ELUCIDAR aos que procuram o serviço dos Passes, no tocante aos preceitos doutrinários e ORIENTANDO-OS quanto às atitudes que devem observar para melhor receberem seus benefícios, inclusive após o tratamento. DEMONSTRAR com base na Doutrina dos Espíritos, a RAZÃO de nossas dores, imprimindo novas diretrizes à vida.

O serviço e aplicação de passes, no Centro Espírita, deve ser efetuado em sala adequada, e reclama CRITÉRIO, DISCERNIMENTO, RESPONSABILIDADE, CONHECIMENTO DOUTRINÁRIO.

O passe não deve ser aplicado à esmo, sem necessidade. Tampouco deve ser alimentada a imagem mística do passe ou criada idéia misteriosa a seu respeito e em torno dele.

Lembrar sempre que o Passe no Centro Espírita NÃO é a atividade mais importante, e SIM, um auxiliar junto a todos os recursos utilizados. E para concluirmos nosso estudo:


5 - Não existe número ou limite para a quantidade de passes que podemos aplicar. Tal assertiva tem como base, de que somos médiuns, servindo de intermediários entre os Espíritos e os homens.

No tratamento com recursos do Passe, o médium não tem esgotamento de seus princípios vitais.

É Kardec quem nos afirma na Revista Espírita - ANO VIII - Setembro 1865 - Vol. 9 - pag. 252:

"Sendo o fluido humano menos ativo, exige uma magnetização continuada e um verdadeiro tratamento, por vezes muito longo. GASTANDO o seu próprio fluido, o MAGNETIZADOR se ESGOTA e se FATIGA, pois que dá de seu próprio fluido vital. Por isso deve, de vez em quando, recuperar suas forças. O FLUIDO ESPIRITUAL, mais poderoso, em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, por vezes quase instantâneos. NÃO SENDO ESSE FLUIDO DO MAGNETIZADOR, RESULTA QUE A FADIGA É QUASE NULA". Assim "O MÉDIUM CURADOR recebe o INFLUXO fluídico do Espírito, AO PASSO que o magnetizador tudo tira de si mesmo".

André Luiz, em Conduta Espírita, já nos adverte que "O médium, no serviço de passes, NÃO deve temer pela exaustão de suas forças".



endereço: http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=2002
imagem: feapamorepaz.com


sábado, 21 de novembro de 2009

SELOS

Selo - Seu blog me faz Viajar

Ganhei este selinho da nova amiga REGINA - Blog "ENTRELINHAS "- http://http://reginagoulartsantos.blogspot.com/, o qual agradeço pelo carinho e amizade.

Este selo tem como tarefa, relacionar 03 livros que te marcaram, e indicar 05 amigos para que seja repassado com carinho.

Eis os tres livros, entre tantos, que marcaram a minha vida:
  1. O Livro dos Espíritos
  2. A Biologia da Crença
  3. Uma História de Deus - 4000 Anos de Busca

Minhas indicações são para os seguintes amigos:

1- Julimar - Blog "Por Uma Vida Melhor"
http://julimarmurat.blogspot.com/

2- Norma - Blog "Sem Fronteiras para o Sagrado"
http://semfronteirasparaosagrado.blogspot.com/

3- Adriana - Blog "Magnetismo"
http://magnetizador.blogspot.com/

4- Jorge - Blog "Nectan Reflexões"
http://nectantaurus.blogspot.com

5- Kelly - Blog "Simplesmente Vivendo a Vida..."
http://simplesmentevivendoavida.blogspot.com/

Com carinho!!!



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Selinho


Recebi este Selo da amiga Mara do blog Um Sublime Peregrino.

1 -
Seguir as regras.
2 - Levar o selo acima para identificar quem está, esteve ou estará na brincadeira.
3 - Completar as seguintes frases:


a) Eu já... posso dizer que estou a caminho...
b) Eu nunca... desisto de mim.
c) Eu sei... que a vida continua...
d) Eu quero... simplesmente amar!
e) Eu sonho... com um mundo em harmonia.

4 - Depois, indique 5 blogueiros para dar sequência à brincadeira.

Repasso para:

- Cores, Natureza e Vida,
- Tamoporai,
- Pensando Bem
- Magnetismo
- Idéia Espírita

Com carinho!



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

COMO DIFERENCIAR DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES DOS FENÔMENOS MEDIÚNICOS


Roberto Lúcio Vieira de Souza

Médico-Psiquiatra – Vice-Presidente da Ame-Brasil


Na prática diária, tanto profissional quanto doutrinária, é constante a questão dos fenômenos psicopatológicos ligados às áreas do pensamento (delírios) e da senso-percepção (alucinações), assim como dos fenômenos mediúnicos, (em especial, os chamados inteligentes, a psicofonia, o desdobramento, a vidência e a audiência), exigindo melhores estudos e reflexões para evitar as confusões que resultam incorretas indicações terapêuticas.

Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, já apresentava o posicionamento dos orientadores espirituais sobre essa confusão, em que se misturam quadros patológicos e manifestações espíritas, no item sobre “os possessos” – parte 2ª, cap IX, pergunta 474: “Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos”.

Com o desenvolvimento das neurociências e o retorno da ocupação com o tema espiritualidade, muitos trabalhos surgiram, questionando a realidade dos fenômenos mediúnicos e como eles ocorreriam na fisiologia cerebral. Existem, hoje, vários estudiosos sérios que acreditam que os temas que envolvem ciência e fé não se excluem e que é preciso voltar-se para a compreensão de tudo isso, de forma a ampliar o que seja a Verdade. Dr Francis S Collins, na introdução de seu best-seller “A Linguagem de Deus”, afirma que “este livro tem por objetivo disseminar esse conceito, argumentando que a crença em Deus pode ser uma opção completamente racional e que os princípios de fé são, na verdade, complementares aos da ciência”. (págs 11-12 – 1ª ed 2007).

O objetivo deste trabalho é demonstrar a existência desses fenômenos diante das evidências dos fatos, da necessidade de diferenciá-los, de modo a oferecer o devido tratamento a um e a outro, tanto dentro das possibilidades das ciências tradicionais, quanto da ciência espírita.

Um dos mais importantes aspectos desta discussão é a argumentação, existente desde antes do surgimento do Espiritismo, de que as crenças religiosas e suas manifestações seriam causa do surgimento ou do agravamento dos quadros de loucura; e que os rituais religiosos seriam refúgio para aquelas atuações, que os fenômenos apresentados e relatados seriam fruto da imaginação doentia dos seus autores e observadores.

Kardec, de maneira brilhante e racional, argumenta contra essa acusação em “O Livro dos Médiuns”, em sua primeira parte, no capítulo IV. Ali ele afirma: “Todas as idéias sempre tiveram fanáticos exagerados e é preciso se seja dotado de muito obtuso juízo, para confundir a exageração de uma coisa com a coisa mesma”. Mais à frente, o Codificador argumenta: “É fora de dúvida que uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer que uma pessoa julgue ver em movimento um objeto que não se moveu, ou que suponha estar ela própria a mover-se, quando permanece imóvel. Mas quando, rodeando uma mesa, muitas pessoas a vêem arrastada por um movimento tão rápido que difícil se lhes fora acompanhá-la, ou que mesmo deita algumas delas no chão, poder-se-á dizer que todas se acham tomadas de vertigem, como o bêbado, que acredita estar vendo a casa em que mora passar-lhe por diante dos olhos?”

Sobre o Pensamento e a Vida Mental

Entender o que verdadeiramente é a mente e, por conseqüência, a consciência faz-se hoje o maior desafio da ciência. Temos entre os estudiosos dois grandes grupos. De um lado, estão os pesquisadores materialistas mecanicistas que acreditam que, quando for determinado todo o mapeamento cerebral e elucidados cada componente, função e interações, que esta descrição será capaz de dizer tudo sobre a natureza e a experiência humanas. No outro pólo estão os que crêem que esta visão reducionista jamais capacitará o homem a entender integralmente os sentimentos, as motivações profundas dos comportamentos e muito menos será capaz de explicar o produto mais fenomenal da vida: a consciência, propriedade particular da criatura humana, por esta compreensão transcender o nível da matéria.

Existem duas grandes correntes de pensamento no que concerne ao que seja a consciência (e por conseqüência a mente). Para o primeiro, a mente é o produto da atividade cerebral, uma propriedade do mundo físico, que pode ser explorada e, com o desenvolvimento das pesquisas, compreendida. O segundo acredita que a mente transcende a questão material. Neste grupo se sobrepõem as idéias do dualismo cartesiano – corpo/espírito.

Na busca desta compreensão surgem inúmeras dúvidas, as quais direcionam muitas pesquisas atuais. A jornalista Rita Carter assim se refere sobre elas em seu livro: “O Livro de Ouro da Mente”: “Ela [a mente] tem um propósito ou é apenas um subproduto da complexidade neural? É um córrego único e contínuo ou aquela sensação de continuidade e unidade é uma ilusão? Se fosse possível remover o conteúdo informativo de um cérebro vivente e mantê-lo separado de seu corpo – fazendo, talvez, um download dele para um disquete -, a consciência iria com ele? E, em caso afirmativo, onde exatamente ela estaria? De quais bytes de dados você poderia prescindir ao colocar vovô em off-line e ainda ter a certeza de que ele é capaz de desfrutar sua existência virtual?”.

Podem-se resumir os resultados já encontrados sobre o assunto, afirmando que as idéias são criadas nos lobos frontais. Nesta região são construídos os planos, reunidos os pensamentos, ocorrem as associações, formando novas memórias, e as percepções são armazenadas para posteriormente ser enviadas para as áreas que constroem a memória de longo prazo ou para o esquecimento. Para os que realizaram esses estudos, a região frontal do cérebro é o lar da consciência, pois nela reside o autoconhecimento e as emoções são processadas. Tais estudos vêm corroborar as idéias místicas tradicionais que já pregavam tais ensinamentos, colocando o terceiro olho nessa região.

Amit Goswami, no livro “O Universo Autoconsciente”, afirma: “A consciência é o que o torna o ser único que você é, diferente de sua amada e de qualquer outra pessoa, e que reage de forma particular ao presente”. Em sua teoria, o autor afirma que a consciência se reveste de quatro aspectos diferentes: o campo da consciência, que ele chama de percepção; os objetos da consciência, tais como o pensamento e os sentimentos; o sujeito da consciência ou experimentador; e a consciência como fundamento de todo o ser.

O Espiritismo entende que a consciência é um dos atributos fundamentais do Espírito.

Na pergunta de nº 621, de “O Livro dos Espíritos”, Kardec pergunta aos orientadores espirituais “Onde está escrita a lei de Deus?”, ao que eles respondem: “Na consciência”. Entretanto, naquela obra não há um maior esclarecimento sobre o que seja a consciência e de que forma ela possa fornecer recursos para a compreensão do que seja a mente.

No livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” o célebre escritor Léon Denis assim se expressa:

“A consciência é, pois, como diria William James, o centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não somente a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, agir, pensar, querer. É una e indivisível. A pluralidade de seus estados nada prova, como vimos, contra a sua unidade. Aqueles estados são sucessivos, como as percepções correlativas, e não simultâneos.

“Todavia, a consciência apresenta, em sua unidade, como sabemos, vários planos, vários aspectos. Física, confunde-se com o que a Ciência chama de ‘sensorium’, isto é, a faculdade de concentrar as sensações externas, coordená-las, defini-las, perceber-lhes as causas e determinar-lhes os efeitos. Pouco a pouco, pelo próprio fato da evolução, essas sensações vão-se multiplicando e apurando, e a consciência intelectual acorda. Daí em diante não terá limites seus desenvolvimentos, pois que poderá abraçar todas as manifestações da vida infinita”.

A codificação espírita não traz especificamente uma definição do que seja a mente.

O espírito Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, define a mente como “o campo da nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar”.

Segundo o espírito André Luiz, em sua obra “Evolução em dois mundos”, o corpo mental é o envoltório sutil da mente. Haveria também uma estrutura fisiológica correlacionada com a sede da mente no campo físico, correspondente ao chamado centro coronário, que estaria instalada na região central do cérebro, que assimilaria os estímulos do Plano Superior e orientaria “a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada”.

Através das informações de André Luiz, a área que hoje é considerada responsável pela a atividade consciencial do espírito, no campo cerebral, estaria afeta ao comando do centro cerebral. Ela estaria contígua ao coronário, com influência decisiva sobre as demais. Ela governaria “o córtex encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endócrinas e administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo”.

Tentando entender o mecanismo de integração cérebro-mente, Dr. Décio Iandoli apresenta essas inteligentes percepções, no seu livro “Fisiologia Transdimensional”:

“O centro coronário e o centro cerebral (frontal) trabalham em sintonia e sincronia no gerenciamento e encaminhamento das ‘ordens’ do princípio inteligente, cumprindo sua função de interface físico-etérica no seu plano mais superior e sutil.

“Se recordarmos a ligação do centro coronário à glândula pineal e do centro frontal à hipófise, facilmente entendemos essa relação funcional e seus mecanismos, já que a primeira subjuga, a partir dos centros hipotalâmicos, as respostas hipofisárias, que secretam seus diversos hormônios com ação geral e específica sobre os vários compartimentos orgânicos, como já explanado no capítulo da endocrinologia.

“Por este sistema, verte o ‘fluido mental’, secreção da mente e não do cérebro, que se difunde pelos caminhos neurais a todo o córtex (via glândula pineal) e, posteriormente, a todo o corpo biológico, por ação glandular e neural eferente”.

O Pensamento

Para os estudiosos vinculados às escolas mecanicistas, que conceberam o cérebro como uma máquina complexa, dotada de estados internos, o pensamento seria um desses estados semelhantes aos sentimentos. As diversas justaposições desses estados, produzidas pela ação de um estímulo específico, provocariam as mais variadas possibilidades de atuação humana; o livre-arbítrio, nessa teoria, seria uma simples ilusão.

As informações da jornalista Rita Carter, no livro já anteriormente citado, faz entender a mecânica do pensamento dentro da moderna visão da neurociência:

“Pensar não é apenas um termo genérico para o conjunto de aptidões abrigadas no cérebro. Envolve muitas delas: recordar e imaginar, em particular. Mas inclui algo que não faz parte de nenhuma outra função: o autoconhecimento. Tal aspecto do pensamento é capturado na palavra que é muitas vezes usada paro o descrever: reflexão.

“O processamento de pensamentos é de uma certa maneira como os estágios posteriores do processamento sensorial. Assim como as várias partes de uma imagem - local, cor, formato, tamanho e assim por diante – são reunidas e integradas num todo, também nós reunimos diversas memórias e imagens e as colocamos juntas para criar um novo conceito. A grande diferença é que, enquanto a construção sensorial é inconsciente, o processamento de pensamentos é feito conscientemente. Quando o córtex frontal realiza suas tarefas, ele monitora o que está fazendo. Portanto, enquanto uma imagem simplesmente ‘chega à consciência, um conceito traz consigo o conhecimento de como veio a ser’”.

Segundo os estudos mais recentes, o pensamento, nos seus aspectos práticos, que são a manutenção de idéias e a suas manipulação, ocorrem em uma região do córtex pré-frontal dorsolateral (lado superior), que é também a região da chamada memória operacional. Nesta área são feitos os planejamentos e as escolhas das várias ações possíveis da criatura.

Dentro da abordagem espírita, o pensamento é um atributo do espírito (“O Livro dos Espíritos”, perg 89), sendo, portanto, uma ação da própria essência do ser.

Ainda do ponto de vista espiritista, o pensamento é um tipo de matéria formada por partículas de características próprias, modificando-se de conformidade com a sua individualidade, quantidade, tipo, qualidade e aplicação. É responsável pela psicosfera que envolve o espírito, interferindo no corpo físico. Portanto, teria uma expressão mais material do que se consegue perceber, sendo o agente criador de uma dimensão diferente da que trata a Física, expressando ao redor da criatura aquilo que habita em sua intimidade.

Essas partículas são manipuláveis e, de acordo com a inteligência que as conduz, podem se comportar e se direcionar de formas diversas.

O pensamento se encontra sujeito à vontade daquele que o origina. André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, afirma:

“A partícula do pensamento, embora viva e poderosa na composição em que se derrama do espírito que a produz, é igualmente passiva perante o sentimento que lhe dá forma e natureza para o bem e o mal”.

O pensamento emitido pode vibrar em diferentes faixas, dependendo do sentimento que o gerou. Os de vibrações mais elevadas são de alta freqüência, mais etéricos, energéticos, de pequeno comprimento de onda e são originários de sentimentos derivados do amor verdadeiro, produzindo criações de expressão superior. Os de baixo padrão vibratório são mais densos, com menor teor de energia, de grande comprimento de onda e estão ligados aos sentimentos vinculados aos vícios e à matéria, presentes na maioria dos encarnados e daqueles que, desencarnados, comungam dessa esfera, mantendo uma realidade mais sombria e, provavelmente ligada ao surgimento das chamadas formas alucinatórias, observadas pelos portadores de transtornos mentais.

Segundo os estudos da Teosofia, os pensamentos criam uma série de vibrações na substância do corpo mental. Este, por sua vez, exterioriza uma fração de si mesmo, o qual vai atrair, no meio etéreo, substâncias semelhantes a si.

Quando emitem pensamentos, as estruturas sutis do espírito, em especial o corpo mental, utilizam forças, as quais demandam maior ou menor esforço, segundo as suas naturezas mais intrínsecas, produzindo resíduos de partículas mentais. Esses resíduos vão atuar tanto no próprio perispírito quanto no ambiente e nas individualidades que o sentirem. Se eles são de maior densidade, portanto, vinculados às questões mais materiais apresentarão resíduos mais tóxicos, provocando alterações ao nível do perispírito ou materializando formas-pensamentos que, pela sua inferioridade, atingirão as estruturas mais densificadas do próprio espírito ou de terceiros sintonizados com os mesmos princípios morais.

Os pensamentos de alto teor vibratório, por sua leveza e superioridade, atuam como higienizadores, causando harmonização, podendo levar à renovação do próprio perispírito, reestruturando-lhe as áreas comprometidas, proporcionando maior estado de saúde e sentimento de bem-estar.

Do surgimento dos delírios e alucinações

Sabe-se hoje que as atividades cerebrais são reguladas pelos neurotransmissores, que são substâncias químicas secretadas pelos neurônios, os quais funcionam em locais específicos e que podem apresentar efeitos diferentes, conforme a região ativada. Já foram identificados aproximadamente cinqüenta deles, mas, certamente, eles são muito mais.

Entre os mais importantes, encontra-se a dopamina, que controla os graus de excitação de várias regiões cerebrais. Os níveis elevados deste neurotransmissor parecem estar associados ao surgimento da esquizofrenia e dos processos alucinatórios e delirantes.

Uma das observações importantes dos estudiosos é a de que o cérebro não vê, ouve ou sente o mundo exterior. Na verdade, ele constrói respostas aos estímulos aos quais é submetido. Estes levam o cérebro a criar uma imagem, como no caso das ondas luminosas que após se chocarem com objetos, atingem os neurônios sensíveis à luz no olho, que está de acordo com as informações recebidas. No entanto, o cérebro pode fazer uma leitura errônea do estimulo captado ou gerar estímulos próprios, os quais seriam interpretados como exteriores a ele. Estas situações gerariam no primeiro caso as ilusões e no segundo, as alucinações.

Acredita-se que alucinação, imaginação, percepção ou identificação teriam as mesmas bases anatômicas e neuroquímicas. Numa varredura cerebral, o que se identifica são as mesmas atividades e nas mesmas áreas cerebrais, tanto no caso da percepção de um objeto externo ou no simples fato de imaginá-lo. No entanto, a ativação na presença do objeto seria maior do que no caso da imaginação.

No caso do relato de visões de “assombrações”, segundo os estudiosos, o que diferiria é o fato de a inconsciência do observador gerar tais percepções, mas não uma mudança do mecanismo cerebral de percepção.

Buscando compreender as alucinações, neurocientistas acreditam que elas podem ser entendidas como experiências sensoriais geradas automaticamente e de forma intensa, oriundas de um mecanismo disfuncional do indivíduo.

C. D.Frich publicou um trabalho na revista “The Lancet”, em 1995, em que afirma que as vozes escutadas pelos esquizofrênicos são a sua própria voz, geradas numa parte diferente do cérebro, que não o centro da fala, provocando um input auditivo em outra região cerebral.Nas pessoas normais isso não aconteceria, pois haveria um monitoramento de todo o cérebro, evitando que a fala pessoal fosse confundida com vozes externas.

O sistema que possibilita a diferenciação entre estímulos internos e externos pode ser alterado nas chamadas pessoas normais, como no caso de luto intenso, quando essas criaturas relatam ter escutado a voz do morto.

No livro citado anteriormente, Rita Carter aponta uma série de situações com as quais ela relaciona alterações em regiões específicas do cérebro:

- 15% das pessoas que tem perda parcial da visão apresentam relatos de alucinações;

- lesões no lobo frontal esquerdo provocam a redução na capacidade de distinguir os estímulos gerados externa e internamente;

- lesões na área occipito-parietal levam a crença de que objetos podem aparecer e desaparecer, por uma incapacidade de reter dois objetos na visão ao mesmo tempo;

- estimulação do lobo temporal pode provocar intensos flashbacks, sensações de “presenças” de seres ou pessoas e alteração na percepção da forma dos objetos;

- a estimulação do sistema temporal/límbico pode levar as sensações intensas de alegria, de estar na presença de Deus e precipitar visões religiosas;

- quando se estimula o córtex auditivo pode se produzir vozes alucinatórias. No caso da sua área superior, a percepção será de sons, barulhos, como silvos, cliques e estrondos;

- na área de formato visual, presente no hemisfério direito, surgirão contornos fantasmagóricos, no caso de uma superestimulação;

- a percepção de duplos espectrais de pessoas vivas ou de si próprio pode ser o resultado de uma alteração da margem do córtex parietal/sensorial.

Estudos apontam ainda que a enxaqueca, a epilepsia e uma grande variedade de drogas podem alterar a atividade cerebral normal, provocando alucinações.

No caso de pessoas que perdem ou reduzem a capacidade de apreender os estímulos sensoriais externos, há maior propensão para ouvir vozes e sons fantasmas. Acreditam os estudiosos que o cérebro evoluiu para manter uma vigilância permanente do mundo externo e que, quando o fluxo desses estímulos é desligado, ele busca algo que o substitua, ampliando a intensidade e significação de pequenos estímulos.

Os casos de alucinações somatossensoriais são de mais difícil identificação, pois os indivíduos normais tomam como realidade leves alucinações, como no caso em que se coça na ausência de um estímulo externo gerador.

Desta forma, a visão da ciência atual conclui que as alucinações seriam fruto de lesões de áreas sensitivas específicas, da superestimulação em alguns casos, de processos patológicos com sofrimento neuronal, como nas enxaquecas, epilepsia, intoxicações por substâncias químicas, ou como mecanismo de substituição no caso da perda de determinadas sensibilidades.

A ciência espírita não nega a realidade dos fenômenos alucinatórios, mas vai além na sua compreensão. Por saber que o pensar gera, ao derredor da criatura, formas compatíveis com seu pensamento; que, quando estes pensamentos se tornam constantes e de grande intensidade, surgem as formas-pensamentos, as quais parecem ser entidades ou vivências reais que - por não fazerem parte do campo mental dos que observam o fenômeno - são consideradas inexistentes.

Existe ainda a realidade espiritual, que transcende os mundos físicos, móvel de estudo do Espiritismo, a qual pode ser sentida e experimentada de forma mais ostensiva pelos chamados médiuns ou sensitivos que, ao relatá-las, podem ser vistas como alucinações. O fenômeno seria mais próximo das questões patológicas quando a mediunidade estivesse conturbada, apresentando uma expressão afetiva adoecida pelo medo, pela culpa e, em especial, pela raiva, como nas chamadas obsessões ou possessões.

Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde já orienta que a fenomenologia que se assemelha às alucinações precisa ser observada dentro do aspecto cultural de uma sociedade e, fazendo parte desta cultura, não pode ser entendida como expressão patológica por si somente.

Os delírios são alterações do juízo de realidade (capacidade de distinguir o falso do verdadeiro) e implica lucidez da consciência. Inúmeros estudos utilizando SPECT e PET em indivíduos esquizofrênicos detectaram a presença de hipoatividade cortical frontal e hiperatividade temporal em pacientes delirantes agudos. Esses métodos de investigação demonstraram, principalmente através de um amplo estudo PET do FSC, que diferentes agrupamentos de sintomas delirantes da esquizofrenia estão relacionados a padrões específicos de atividade cerebral subjacente. Tais situações estariam diretamente ligadas ao aumento da ação dopaminérgica, já que o uso de inibidores desse neurotransmissor faz desaparecer a sintomatologia em quase sua totalidade.

Os indivíduos acometidos tanto de delirium como de delírio têm alterações do pensamento no que se refere à compreensão dos fatos. Nos casos das alucinações as percepções são tidas como realidade, levando a comportamentos e vivências alterados. Todas estas alterações terminam por comprometer a interação com outras pessoas, provocando padrões anormais de comportamento.

Nesse aspecto, o Espiritismo observa, como hoje a física quântica já afirma, que a realidade não pode ser determinada da forma reducionista, como os materialistas insistem em realçar. A criatura convive com diversas expressões de conhecimentos, as quais deverão ser paulatinamente apreendidas pela ciência ortodoxa. Uma delas é a realidade de uma experiência reencarnatória, onde memórias de vidas passadas podem apresentar-se à criatura, facilitando ou dificultando determinadas vivências atuais, entendidas como delírios.Outra é oriunda da sensibilidade mediúnica, onde o sensitivo apreende determinadas verdades, de conotação afetiva positiva ou negativa, que, ao serem relatadas de forma contundente, são vistas como delirantes. Como exemplo, nos casos de obsessão espiritual, em que o médium relata que está sendo perseguido por uma criatura que o acusa de um crime. Por não saber que é médium ou por estar desequilibrado emocionalmente, este relato pode ser considerado um delírio persecutório, quando, na verdade, seria fruto de acusação de uma entidade espiritual de atitude vivida nesta ou em outra encarnação.

Uma abordagem neurológica dos fenômenos místicos e dos estados alterados da consciência

O estudioso William Sargant chegou à conclusão de que as semelhanças entre os Estados Alterados de Consciência (EACs) transcendentes por ele observadas apontavam para um sistema cerebral comum, afetado por diferentes manipulações culturalmente específicas. A partir disso, os neurocientistas têm fornecido suporte a esse mecanismo, explicando que existe um circuito neural complexo encontrado nos níveis médios do cérebro dos mamíferos, conhecido como sistema límbico. Esse sistema tem uma variedade de funções emocionais, motivacionais e de memória, além de estar envolvido com as funções de atenção e do despertar. A estimulação elétrica de áreas límbicas em pacientes de neurocirurgia produz intensas alterações da consciência, incluindo aquelas presentes nos estados transcendentes ou místicos.

Alguns tipos de enxaqueca e ataques epiléticos que se originam nas estruturas límbicas do lobo temporal são também capazes de produzir estados dissociativos similares. A idéia de que experiências transcendentes são causadas pela hiperativação das funções normais desse circuito é reforçada pela pesquisa em neurofarmacologia, mostrando que drogas psicodélicas podem alterar a atividade no sistema límbico. E, finalmente, patologias associadas a profundos distúrbios emocionais e alucinações são também conhecidas por envolver anormalidades límbicas.

Após coligir pesquisas em drogas psicodélicas, neuropatologias e várias técnicas comportamentais usadas para alterar a consciência, o neuropsiquiatra Arnold Mandell (1880) comparou seus efeitos com os descritos na tradição mística. Ele mostrou como todas essas manipulações eram capazes de afetar a atividade neural no sistema límbico. Mandell implicou interações especiais entre o septo, hipocampo e amídala como decisivas para a ocorrência de experiências transcendentes. Este circuito pode ser afetado por vários estados patológicos, assim como por estimulação rítmica prolongada, privação sensorial e as três grandes classes de drogas alucinógenas (as que afetam os neurotransmissores serotonina, acetilcolina e as catecolaminas).

Essa abordagem não invalidaria a existência de tais experiências místicas. Ao contrário, Mandell afirma que elas podem acontecer por um mecanismo fisiológico ou fruto da ação de determinadas substâncias químicas. Para o Espiritismo o sistema nervoso em sua totalidade é a expressão mais evoluída do indivíduo e é através dele que o espírito atua controlando as ações do corpo físico. Portanto, toda a ação espiritual teria uma expressão física, como se vê a seguir.

Uma teoria sobre o mecanismo neurofisiológico da mediunidade

Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, afirma que a mediunidade seria uma faculdade orgânica, ou seja, dependeria de um organismo, sendo que este abarcaria a estrutura do ser encarnado, incluindo toda bagagem física, especializada para tal, e dos elementos perispirituais, que capacitam o homem a viver no intercâmbio entre o mundo material e o espiritual. Como já foi citado anteriormente, as estruturas pertencentes ao sistema nervoso são as mais especializadas, além de serem as mais sutis do corpo físico.

Importante ressaltar que, na realidade, os fenômenos mediúnicos se iniciam no corpo espiritual, ou mais precisamente em estruturas menos densas, onde se encontra a manifestação dos pensamentos.

Quanto a essa percepção, vejam-se as colocações de André Luiz, em “Evolução em Dois Mundos”, ao se referir ao surgimento dos rudimentos da mediunidade na Terra: “Considerando toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópio, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos, os quais podemos nomear por tecidos de forças”.

Nessa tela eletromagnética circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda. Nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais existem as auras humanas, peculiares a cada indivíduo, em que todos os estados da alma se estampam, com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas. A aura é, portanto, a plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias e nas atividades de intercâmbio com a vida que rodeiam a criatura. Por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, é que começaram todas as expressões da mediunidade no planeta.

Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente. A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio.

A tentativa de compreensão dos mecanismos em nível físico leva ao estudo do mecanismo das estruturas cerebrais que são as mais sutis e aprimoradas do ser. Assim, o cérebro e todas as estruturas do sistema nervoso estão intimamente vinculados ao fenômeno mediúnico.

O desenvolvimento da neurociência, apoiado nos mais modernos meios de estudos da atividade neuronal, como a tomografia computadorizada a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, tem caminhado para a compreensão da fisiologia cerebral.

Admite-se hoje que a atividade mental seria a resultante de uma ação harmônica de um grupo de estruturas cerebrais que, interagindo, formariam um sistema funcional complexo.

A doutrina espírita tem mostrado que, na realidade, os processos mentais seriam frutos da atividade espiritual com repercussão na estrutura física cerebral; sendo assim, o cérebro seria apenas o instrumento. No entanto, para ocorrer essa integração entre a essência espiritual, sua manifestação e a estrutura física, é necessária a existência de um elemento, que seja intermediário tanto na função e também em sua composição. Esse corpo é chamado espiritual ou perispírito.

“Esse corpo espiritual é composto de uma substância vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós, assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira”. (LE. perg. 93).

Por esse corpo semimaterial, presente também nos desencarnados, ocorreriam as comunicações mediúnicas. A partir das informações da neurologia e dos ensinos dos espíritos, busca-se maior compreensão do fenômeno mediúnico e da participação de estruturas e áreas cerebrais em sua expressão.

Todo o material apresentado aqui é fruto de síntese e compilação de estudos realizados por escritores dos dois planos da vida.

Do ponto de vista anatômico, o sistema nervoso é constituído pelos sistemas nervoso central e periférico. O periférico é constituído por nervos e gânglios. Os nervos são cordões esbranquiçados que ligam o sistema nervoso central (SNC) aos órgãos periféricos. Quando a sua origem se dá ao nível do encéfalo, ele é chamado de nervo craniano. Se sua origem ocorre ao nível da medula espinhal, ele é chamado de nervo espinhal. Em alguns nervos podem existir certas dilatações constituídas principalmente de corpos celulares de neurônios, que são os gânglios.

Os nervos funcionam como estações emissoras e receptoras, manipulando a energia mental, projetada ou recolhida pela mente, em ação constante nos domínios da sensação e da idéia, atuando nos demais centros do corpo espiritual e nas zonas fisiológicas que se configuram no veículo somático.

Uma proposta deste modelo levanta as seguintes explicações:

No córtex cerebral se origina a atividade motora voluntária e consciente. Ali também são codificadas todas as percepções sensitivas que chegam ao cérebro e organizadas as funções cognitivas complexas. Para tornar-se consciente, a atividade cerebral precisa estabelecer uma interação entre o córtex cerebral, o tálamo e a substância reticular do tronco cerebral e do diencéfalo, na qual se situa o centro da consciência. Uma lesão nessa substância provoca o estado do coma.

Da substância reticular projetam-se estímulos neuronais ativadores ou inibidores da atividade do córtex cerebral, responsável pelos diversos estágios de consciência. Desta forma, o fato de uma manifestação mediúnica ser consciente ou não, após o fenômeno para o medianeiro, deve envolver estas áreas ligadas à consciência, certamente objetivando algum benefício para a estrutura do sensitivo.

Ao estudar a anatomia e fisiologia do córtex, concluímos que os fenômenos da psicografia, a vidência, a audiência e a psicofonia devem ter a participação ativa dessa estrutura, pois ali se encontram as áreas específicas para a escrita, visão, audição e fala. Mesmo quando na inconsciência do médium, esses centros devem ser ativados para decodificação e organização motora do fenômeno. Na ausência de um bloqueio do sistema reticular ativador ascendente (por parte do médium ou do espírito comunicante), as mensagens seriam sempre conscientes e o médium poderia acrescentar sua participação, distorção, ou a falta de detalhes dependeria do maior ou menor grau de desenvolvimento mediúnico. Essas interferências do sensitivo são chamadas de anímicas e sempre se fazem presentes, pois o fenômeno tem que se expressar a partir dos recursos intelectivos, emocionais e culturais do medianeiro. Elas diferem da ação maldosa de criaturas que simulam tais fenômenos na busca de terem algum tipo de ganho pessoal – o que a doutrina espírita também chama de charlatanismo.

Os gânglios ou núcleos da base, constituídos por aglomerados de neurônios situados na profundidade da substância branca cerebral, são responsáveis por funções motoras automáticas e involuntárias, e fazem parte do sistema extrapiramidal. Eles controlam o tônus muscular, a postura corporal e uma série de movimentos gestuais que completam a movimentação voluntária; após o nascimento, coordenam a nossa gesticulação reflexa e automatizada. Progressivamente surgem os movimentos intencionais (voluntários), projetados pelo córtex através de sua área motora principal, que se vão sucedendo com maior facilidade, tornando-se automáticos. Considerando o fenômeno mediúnico da psicografia e da psicofonia, pode-se observar que os médiuns, ao discursar ou escrever sob influência do espírito comunicante, geralmente o fazem revelando gestos, posturas e expressões mais ou menos comuns aos todos sensitivos, o que leva a crer que haja uma ação de característica primária na utilização dessas áreas cerebrais durante a fenomenologia, provocando essa semelhança no agir.

Na psicografia, por exemplo, a escrita freqüentemente ocorre com muita rapidez, as palavras podem aparecer escritas com pouca clareza e as letras, geralmente, são grandes, provavelmente, para facilitar a escrita rápida. A caligrafia é sem capricho e não há necessidade de o médium acompanhar o que escreve, podendo, inclusive, ocorrer escrita em espelho. Nesses tipos de fenômenos, os médiuns conscientes relatam que são levados a escrever ou falar como se isso independesse de suas próprias vontades.

Numa correlação da fisiologia do sistema extrapiramidal (gânglios da base e área cortical pré-motora) com as características da comunicação mediúnica, pode-se dizer que o espírito comunicante se utilizaria desse sistema automático para se manifestar com maior rapidez, com um mínimo de gasto de energia e menor interferência consciente do médium e maior possibilidade de suceder uma amnésia. Essas comunicações seriam resultado de uma constelação de automatismos complexos, desempenhados pelo sistema extrapiramidal do médium, mas com a co-autoria do espírito comunicante. Como essa atuação não impediria a consciência do médium, ocorreriam ingerências voluntárias do sensitivo, podendo ele interromper o fenômeno quando quisesse ou necessitasse, justificando desse modo a necessidade da educação mediúnica.

Na ausência de bloqueio desse sistema reticular ativador ascendente, por parte do médium ou do espírito comunicante, as mensagens seriam sempre conscientes, com que o médium poderia acrescentar sua participação intelectual na comunicação, causando, muitas vezes, dúvidas no intermediário sobre a realidade do fenômeno. O que se acredita, atualmente, é que nenhuma comunicação mediúnica seja totalmente inconsciente, pois é sempre necessária a participação do córtex. O fenômeno da inconsciência seria fruto de amnésia provocada pelo desligamento entre os elementos sutis do espírito e da estrutura psíquica do médium (interação de campos de força), provavelmente envolvendo o sistema reticular ativador ascendente.

Os trabalhos modernos da neuropsicologia têm identificado no córtex do hemisfério direito as funções correlacionadas com a organização de noção geométrica e espacial. Quando ocorrem lesões nessas áreas as falhas nos desenhos são muito características: os objetos são esquematizados com negligência de detalhes, ficando as figuras incompletas. Os médiuns que captam informações à distância ou registram visões imateriais também costumam descrever suas percepções com falta de detalhes ou amputações, semelhantes às das síndromes do hemisfério direito. Esse nível de distorção ou de falta de detalhes dependeria do maior ou menor grau de desenvolvimento mediúnico ou da utilização dessas áreas cerebrais durante este tipo de fenômeno, dando como resultado essas percepções distorcidas.

O tálamo é um núcleo sensitivo por excelência, exercendo um papel receptor, centralizador e seletor das informações advindas dos botões sensórios. Assim, todos os estímulos do tipo dor, tato, temperatura e pressão, percebidos em toda extensão do corpo, percorrem as vias neurais, terminando no tálamo. Aqueles estímulos são percebidos, priorizados e selecionados, chegando ao cérebro apenas os mais convenientes ou os mais urgentes. Para os de menor importância, o tálamo pode fornecer as informações desejadas, quando essas são requeridas pelo cérebro.

Desse modo, o tálamo exerce um papel bloqueador, interrompendo o caminho até o córtex cerebral, o qual será alcançado se a informação for nova ou de interesse ou, ainda, de risco. É bem provável que muitas sensações somáticas referidas pelos médiuns, dando a impressão da aproximação de entidades espirituais, sejam efeitos dos estímulos talâmicos. A possibilidade de facilitação ou inibição para a sensibilidade desses estímulos espirituais estaria sob o comando do córtex cerebral, acrescida à própria postura atenciosa do médium, em especial, devido ao seu estado emocional ou a sua postura disciplinar na mediunidade.

Com as pesquisas de Lener, em 1958, a partir da descoberta da melatonina, a glândula pineal passou a ser estudada com maior ênfase. Desde então foram sendo esclarecidas suas relações com a luminosidade. Experimentalmente foi demonstrado que a luz interfere na função da pineal através da retina, atingindo o núcleo quiasmático, o hipotálamo, o tronco cerebral, a medula espinhal, o gânglio cervical superior, chegando finalmente ao nervo conari, na tenda do cerebelo. Entre a pineal e o restante do cérebro não há uma via nervosa direta, sendo sua ação resultado das repercussões químicas das substâncias que produz. Pesquisas mais recentes demonstram relação direta da melatonina com uma série de patologias neurológicas, como a epilepsia, a insônia, a depressão e os distúrbios do movimento. Altas dosagens de melatonina injetadas em alguns animais desenvolvem incoordenação motora, perda da motricidade voluntária, relaxamento muscular, queda das pálpebras, pêlo-ereção, vaso dilatação das extremidades, redução da temperatura e respiração agônica (muitos desses fenômenos estão presentes nos relatos dos médiuns no início das percepções espirituais). Além disso, descobriu-se que, ao interagir com os neurônios serotoninérgicos e com os receptores benzodiazepínicos do cérebro, a melatonina provoca um efeito sedativo e anticonvulsivante. Alguns trabalhos confirmam uma propriedade analgésica central da melatonina.

Acredita-se na possibilidade da melatonina ter importante papel na gênese de algumas patologias psiquiátricas, como a depressão e a esquizofrenia.

A literatura oferece uma série de informações que dão destaque especial a essa glândula, como núcleo gerador de irradiação luminosa, servindo como porta de entrada para a percepção do mundo espiritual e como elemento físico através do qual o espírito rege toda a estrutura somática. André Luiz, através da psicografia de Francisco C. Xavier, no livro “Missionários da Luz”, assim se refere à pineal: “É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da Criatura terrestre (...). Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo”.

Dr. Jorge Andréa sobre esta glândula, em seu livro “Forças Sexuais da Alma”, afirma: (...) “seria realmente o casulo das energias do inconsciente, a sede do espírito, pela possibilidade de ser a zona medianeira de transição entre o energético e o físico. A glândula pineal deve ser considerada a glândula da vida psíquica; a glândula que ilumina toda a cadeia orgânica, orientando as glândulas de secreção interna através das estruturas da hipófise. (...) seria a tela medianeira onde o espírito encontraria os meios de aquisição dos seus íntimos valores, por um lado, e, pelo outro, forneceria as condições para o crescimento mental do homem, num verdadeiro ciclo aberto, inesgotável de possibilidades e potencialidades. Descartes atribuiu-lhe a honra de ser a sede da alma, ou seja, o ponto em que a alma se pendia ao corpo. Ela seria uma chave de ligação elétrica, ou melhor, uma válvula. Os nervos seriam os canais por onde passam os impulsos eletromagnéticos eletroquímicos, mas seria no corpo pineal que se registrariam esses impulsos e transmitidos para o espírito”.

Pastorino, no livro “Técnicas da Mediunidade”, ao comentar sobre a calcificação da glândula, assim se expressa: “A própria chamada areia (sais calcários) tem sua tarefa específica, ainda não revelada: com suas lâminas concêntricas desincumbe-se de seu serviço à semelhança daquela pedra natural denominada galena, que possui capacidade idêntica, de detectar ondas hertzianas”.

Na própria pedra galena é indispensável procurar um pontinho microscópio para conseguir essa transmutação. Assim ocorre com o corpo pineal, muito superior em seu funcionamento à galena. Nele temos, não propriamente como interpretou Descartes, mas como a válvula transmissora-receptora de vibrações do corpo astral a regular todo o fluxo de emissões do espírito para o corpo físico e vice-versa. Daí sua grande importância para a mediunidade. Ao se observar a sensibilidade da pineal à luz, pode-se pensar ser ela também mais sensível às vibrações eletromagnéticas. A irradiação espiritual seria essencialmente semelhante à onda eletromagnética que conhecemos, compreendendo assim sua ação direta sobre a pineal. Isso também explicaria o porquê da maior presença de fenômenos mediúnicos em situações desprovidas/ ou de pouca luminosidade.

Desse modo, num primeiro contato do médium com a entidade espiritual, esse encontro se daria através da pineal. A ação química, a partir do grau de estimulação no fenômeno mediúnico, explicaria aquelas sensações relatadas pelos médiuns, bem como as flutuações da intensidade e freqüência dessas. Á medida que desenvolva sua capacidade e moral, o médium terá as sensações diminuídas em seus aspectos dolorosos, fazendo da mediunidade, cada vez mais, um instrumento de crescimento e de felicidade.

Características marcantes dos delírios

a) Perda do juízo da realidade por parte do sujeito;

b) Ausência da consciência da sua própria enfermidade;

c) Firme convicção do sujeito da veracidade (objetividade) de suas idéias;

d) Não modificáveis nem pela experiência, nem por conclusões irrefutáveis;

e) Incorporados à personalidade;

f) Incorrigíveis, porque a convicção anormal se assenta sobre um transtorno da personalidade;

g) Apresentam-se como uma forma de pensamento desassociado e autista;

h) Como se constitui uma alteração patológica do conteúdo do pensamento, proveniente de quadro que pode comprometer o sujeito como uma unidade, o resto dos processos do pensamento pode ser afetado (desagregação delirante).

Características marcantes das alucinações

a) São percepções sem um estímulo externo, emancipadas de todas as variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais;

b) Convicção inabalável do sujeito em relação ao objeto alucinado;

c) O objeto alucinado, muitas vezes, é percebido com maior nitidez que os objetos reais de fato;

d) Podem se manifestar através de qualquer um dos cinco sentidos, sendo as mais freqüentes as auditivas e visuais;

e) O envolvimento psíquico é mais contundente e de caráter mais mórbido do que nas ilusões.

Características fundamentais do fenômeno mediúnico

a) Na grande maioria das manifestações não há perda do juízo da realidade e, quando isto acontece, é prova de um comprometimento do sensitivo, que necessita de algum tipo de ajuda especializada, sem descaracterizar a existência da sensibilidade mediúnica;

b) O comportamento do médium, no geral, segue os parâmetros da normalidade, reconhecendo a realidade do fenômeno e sua origem, dentro das suas crenças. Isso pode ser confirmado pelo trabalho do Dr Alexander Moreira, que estudou 115 médiuns espíritas escolhidos aleatoriamente em instituições kardecistas da cidade de São Paulo, tendo verificado que eles “evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social. A mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia”. “Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas” Almeida, Alexander Moreira de - Tese de Doutorado em Psiquiatria – USP. 2005.

c) É capaz de ocorrer o questionamento do sensitivo, em especial, sob o aspecto do conteúdo apresentado e se relaciona diretamente com suas crenças religiosas;

d) Não é parte da personalidade do médium, mas os conteúdos morais e as experiências podem modificar positivamente a vida afetiva e os comportamentos do sensitivo. No entanto, nos processos obsessivos podem apresentar sérias semelhanças com os quadros patológicos, necessitando da intervenção de profissionais especializados para diferenciar uma de outra situação;

e) A grande maioria dos sensitivos não apresenta transtornos importantes da personalidade e fora do fenômeno tem uma vida comum, cumprindo os papéis fundamentais dentro da sociedade;

f) O conteúdo das manifestações não tem caráter dissociativo ou autista; geralmente, são congruentes com a realidade e, algumas vezes, trazem revelações que podem ser confirmadas por terceiros, desconhecidas dos sensitivos. Os quadros não são constantes na vida da criatura, o que não impede que o médium tenha um cotidiano semelhante ao da maioria das pessoas;

g) Por não se constituírem manifestações patológicas não geram um comprometimento da vida social do médium, nem causam uma desagregação interna do indivíduo.

Desse modo pode-se resumidamente identificar alguns elementos para diferenciar os fenômenos delirantes-alucinatórios das manifestações mediúnicas:

- Características do fenômeno

Os quadros patológicos são acompanhados de uma sintomatologia mais ampla do que a presença de delírios e alucinações, na maioria das vezes. Deve ser avaliada toda a história do indivíduo, que quase sempre já apresentava sinais de alterações emocionais. É muito comum a presença de quadros semelhantes nos familiares mais próximos, podendo ser induzidos por doenças orgânicas ou traumatismos e pelo uso de substâncias químicas. Entretanto, alguns casos de eclosão mediúnica, em especial, com a interferência de obsessores podem assemelhar-se ou serem induzidos por psicotrópicos que levam aos ECAs.

O caso é que os portadores de transtornos mentais não darão sinais de evidente melhora ou cessação dos sintomas com apenas a interferência no campo espiritual. No entanto, os fenômenos mediúnicos podem ser reprimidos com a medicação antipsicótica, que bloqueia as mesmas vias de manifestação cerebral, como citado anteriormente, dando a impressão de uma patologia psiquiátrica. A observação não pode ser restrita ao fenômeno; é preciso uma leitura completa da história pessoal e um acompanhamento da evolução do caso. Quando o fenômeno se apresenta em médiuns já desenvolvidos, mesmo se suas características são semelhantes a processos psicóticos, poder-se-á fazer com clareza a diferença entre a conduta anterior e posterior do sensitivo em sua vida particular.

- Conteúdo da fenomenologia

Uma questão fundamental para a diferenciação dos fenômenos são os seus conteúdos. Geralmente, as informações na mediunidade são pautadas por maior coerência, revelando dados desconhecidos pelos médiuns, os quais identificam as entidades espirituais que podem ser confirmadas pelas pessoas ligadas a esses processos.

Ainda aqui os fenômenos medianímicos nem sempre apresentam dados bastante claros: a presença de processos de vingança espiritual, por exemplo, pode levar a confusão com os delírios persecutórios. Entretanto, essa perseguição não é necessariamente dirigida para o medianeiro, como nos casos delirantes, cujo conteúdo é auto-referencial.

Também não é comum que as alucinações tenham expressões de beleza e elevado teor moral, diferindo das manifestações de entidades superiores.

Deve ser lembrado nessa situação, como em outros casos, as manifestações histéricas, de profundo colorido anímico, presas aos conteúdos e histórias pessoais, as quais poderão ser identificadas ao ser avaliada a vida do indivíduo em sua totalidade. Isso é dificultado por uma observação comum: a de que muitos sensitivos apresentam tonalidade histérica em sua expressão diária, sejam quais forem os aspectos do relacionamento.

- Personalidade e estado psicológico do medianeiro

As manifestações patológicas estão associadas a uma estrutura emocional doentia. Desse modo, os indivíduos doentes têm um comprometimento geral em seu comportamento e afetividade, diferindo dos médiuns que, fora do fenômeno, são criaturas com uma vida de relação pautada dentro de parâmetros de normalidade.

Grande dificuldade apresentam os casos patológicos associados à presença de sensibilidade mediúnica. Ou seja, os portadores de transtornos mentais que também são médiuns. Para diagnosticá-los é fundamental a presença de um profissional especializado que tenha conhecimento espiritual, em especial o espírita. Para chegar a esta conclusão é necessário, muitas vezes, um acompanhamento do sujeito por um tempo maior. De toda forma, a orientação precisa seria a da interrupção de quaisquer estímulos à mediunidade, cuidando do aspecto médico até que se tenha certeza de outras formas de orientação para o caso.

O uso de antipsicóticos inibirá tanto as alucinações e delírios quanto os fenômenos mediúnicos, causando maiores dúvidas para o diagnóstico. Nesses casos a orientação espiritual através de médiuns sérios e experientes poderá servir como mais um elemento para a diferenciação. É preciso ter o cuidado com posicionamentos extremados e fanatizados de ambos os lados (médico e espiritualista), tendenciosos, a observarem os quadros apenas por um ponto de vista.

- Evolução do fenômeno na vida do sensitivo

Um fator importante é a diferenciação na evolução do sujeito. Em geral a fenomenologia mediúnica não é antecedida de sintomas psicopatológicos graves, nem de distúrbios de caráter acentuados, embora isso possa acontecer em certos casos. O que geralmente se observa são expressões de maior sensibilidade emocional nos relacionamentos, com mudanças súbitas de humor e comportamento, com volta à normalidade em curto espaço de tempo, também presente em alguns processos psiquiátricos.

Nas obsessões graves, porém, a influência de uma entidade espiritual doente sobre o medianeiro pode dar o aspecto de um quadro psiquiátrico. Será necessária a intervenção médica para observar a evolução do quadro, o que, diante dos cuidados espirituais, geralmente não deixará seqüelas. As informações mediúnicas sérias poderão facilitar esse diagnóstico, mas não deverão partir de apenas um sensitivo, como já orientava Allan Kardec.

Com o desenvolvimento mediúnico, os distúrbios emocionais deverão cessar e as manifestações se restringirão aos momentos de transe. A situação do medianeiro tenderá ao normal na maioria das criaturas, com o despertamento para os aspectos éticos. Toda a postura estará pautada dentro de uma crença específica. No entanto, não se pode esquecer que existem sensitivos voltados para a prática do mal ou ligados ao ganho material através do dom que possuem. A experiência tem mostrado que na maioria das vezes esses médiuns caminham para uma derrocada moral ou para o adoecimento, como efeito de uma ligação mental com energias tóxicas.

A maior parte dos processos psicóticos que envolvem as alucinações e delírios, tem um prognóstico reservado, com repercussão ruim e extensa na vida do paciente, necessitando do uso da medicação por longos períodos ou até mesmo pela vida inteira.

- Exames laboratoriais

Há muito que ser pesquisado e compreendido no que se refere ao funcionamento cerebral. Os estudos dos estados místicos mostram a realidade positiva dos seus efeitos na vida do ser, mas não comprovam sua realidade no aspecto da transcendência. Como foi citado anteriormente, as áreas da visão real, do imaginar uma cena ou das chamadas visões espirituais são as mesmas. Alguns trabalhos científicos citam que o que as diferenciaria seria a intensidade do fluxo das reações aos estímulos. Isso, no entanto, exige maiores estudos e pode ser questionado por aqueles que já conseguem apreender a realidade espiritual.

Existem estudos ligados à glândula pineal que buscam distinguir os processos de cristalização, relacionando-os com alguns tipos de mediunidade; entretanto, esses ainda são preliminares e estão no campo das hipóteses.

Sabe-se hoje que os ECAs são realidade, mas não há aceitação de sua relação direta com as chamadas interferências espirituais, ou seja, questiona-se o verdadeiro móvel desses estados.

Uma crítica importante a este tipo de pesquisa é semelhante àquela que busca compreender os mecanismos cerebrais durante o ato sexual. A presença de observadores, o uso de aparelhos e a necessidade de um ambiente favorável à pesquisa (nem sempre favorável ao fenômeno) podem inibir a sensibilidade ou causar interferência de tal grau, a ponto de comprometer os resultados.

Outras observações envolveriam níveis de determinadas substâncias durante o processo mediúnico, tais como a melatonina, a dopamina e a adrenalina. Certamente, pelos dados aqui relatados – em especial no que concerne às teorias – essas substâncias são participantes da fenomenologia na sua expressão física. Entretanto, também, os quadros patológicos apresentam alterações dessas substâncias e de forma particular da dopamina.

Todo esse processo será móvel de observações mais rigorosas, com levantamento de dados mais precisos, e em futuro próximo facilitará o reconhecimento da realidade da mediunidade. O certo é que dia-a-dia as pesquisas científicas estão oferecendo parâmetros, os quais têm referendado as informações já noticiadas no campo espiritual, em especial, do Espiritismo.

Bibliografia

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- Textos extraídos da PSIQWEB, pela Internet.



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imagem: jornallivre.com.br


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