quarta-feira, 10 de junho de 2009

CONCEITOS INOVADORES DA DOUTRINA ESPÍRITA


Trabalho exposto pelo autor no Congresso Internacional de Espiritismo/89 realizado em Brasília-DF no período de 1 a 5/10/1989.

O Espiritismo – escreveu Allan Kardec – é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais decorrentes dessas relações.

Vamos buscar a citação em texto publicado em 1864, como instrução a ser eventualmente lida em reuniões públicas para esclarecimento de pessoas desejosas de se informarem sobre a Doutrina dos Espíritos (1) (Allan Kardec – "Revista Espírita, abril de 1864, Edicel, São Paulo, 1968).

Alguns anos antes, como se lê na "Revista Espírita" (2) – ("Revista Espírita", julho de 1859, Edicel, São Paulo, 1968.) declarava o Codificador:

- O Espiritismo tem conseqüências de tal gravidade, toca em questões de tal alcance, dá a chave de tantos problemas, oferece-nos, enfim, tão profundo ensino filosófico, que ao lado de tudo isso uma mesa é pura infantilidade.

Por duas vezes, nesses textos pinçados na obra de Kardec, encontramos a identificação do Espiritismo como ciência e como filosofia, tanto quanto o destaque para as suas conotações éticas.

Em verdade, é precisamente nas conseqüências morais que está posta a ênfase, no entender de Kardec, cabendo ao vetor cientifico e ao filosófico papéis relevantes, por certo, mas não predominantes, de instrumentação para alcance dos propósitos renovadores implícitos e explícitos na Doutrina Espírita. Em outras palavras, o Espiritismo não é apenas uma ciência de observação acoplada a um sistema filosófico, mas uma proposta de renovação ética, diante da qual o quadro fenomenológico é de importância secundária. Essa é, aliás, postura que vemos repetida em observação feita em breve texto preparado por Kardec ao comentar o Processo Hilaire(3) ("Revista Espírita", março de 1865) e que assim diz, em parte:

- ... O Espiritismo está menos nos fenômenos materiais que em suas conseqüências morais (...) o principal é que a doutrina daí decorrente seja reconhecida como digna do Evangelho, sobre o qual se apóia.

Não é minha intenção, com estas reflexões preliminares, repetir ou ampliar observações dos expositores que me precederam nem antecipar os que me sucederão. O propósito foi apenas o de enfatizar que a Doutrina dos Espíritos constitui um sistema harmônico e integrado de idéias e propostas que vão da observação dos fatos às suas últimas conotações éticas.

Por isso, venho há muito insistindo em que a Doutrina dos Espíritos tem embutido nas suas estruturas uma nova teoria do conhecimento que ainda não foi considerada como merece e precisa, se é que se pretende mesmo identificar as condições mínimas de que necessita a Humanidade para a tão sonhada reformulação do processo civilizador, que atravessa nos dias que estamos vivendo uma das suas mais espantosas crises.

Por que entendo que uma nova teoria do conhecimento, ou, se preferem termos mais técnicos, uma nova espistemologia está contida no Espiritismo?

É o que pretendo expor da maneira mais sucinta possível nesta conversa, razão pela qual, aliás, tive de me limitar ao apoio de poucos e resumidos textos.

Primeiro, um entendimento sobre terminologia e questões básicas envolvidas.

Epistemologia é palavra criada no século XIX para substituir a antiga expressão Teoria do Conhecimento que, na sua essência, recua aos tempos em que viveram os mais importantes pensadores gregos. Poderíamos dizer, para simplificar, que a epistemologia cuida da metodologia da própria especulação filosófica. Ou seja, da reflexão acerca dos problemas da natureza, limites e validade do conhecimento e da crença. Considero acertada a inclusão da crença neste contexto, dado que ela constitui estágio inicial da convicção, como tão lucidamente escreveu Paulo, na Epístola aos Hebreus, ao caracterizar a fé como "garantia do que se espera e prova das realidades invisíveis".

A conexão entre conhecimento e fé não é incidental, mas da essência mesma do processo da busca, de vez que dificilmente se pesquisa aquilo em que não se crê. Encontro clara ressonância dessa postura no texto que o Prof. Anthony Douglas Woozley – autor, entre outros , de um livro exatamente sobre a teoria do conhecimento – escreveu por solicitação da Enciclopédia Britânica.

Priorizo, neste ponto, as colocações do Prof. Woozley por entende-las não apenas sumarizadas de maneira adequada ao nosso propósito, mas porque tocam de perto aspectos que muito têm a ver com aquilo que estamos tentando colocar neste papel.

Para ele, a espistemologia procura investigar não somente o caráter do conhecimento em si mesmo, como a relação do conhecimento com a crença e a validade do conhecimento do mundo que nos cerca, naquilo que nos chega através dos sentidos, mas também, daquilo que nos alcança por vias que parecem ignorar o mecanismo sensorial.

Poderíamos dizer, para simplificar ainda mais o entendimento dessas especulações, que a essência mesma da filosofia consiste em decifrar o enigma do ser humano e aqueles que são postos pelo universo em que vivemos.

Destaco, no pensamento de Woozley, sua atenção com o problema da interação conhecimento e crença, como ainda a possibilidade de acesso supra-sensorial ou, se preferem, extra-sensorial, às fontes de conhecimento. São, ambas, abordagens renovadoras e fecundas. É de lamentar-se que a demonstração experimental da percepção extra-sensorial, cujo crédito deve, de justiça, ser atribuído ao Dr. Joseph B. Rhine, da Universidade de Duke, não tenha suscitado releitura mais profunda e decisiva nos conceitos mesmos da pesquisa cientifica no que diz respeito ao ser humano. Pela primeira vez, em séculos, quebrou-se de maneira irrecuperável o dogma filosófico de que o conhecimento somente poderia ser adquirido através de instrumentação sensorial. A pesquisa cientifica contemporânea ainda não se deu conta do que isso realmente significa, de vez que insiste em estudar a fenomenologia psíquica – quando se digna fazê-lo – com técnicas, métodos e aparelhagem que não passam de sofisticadas extensões dos cincos sentidos orgânicos que, em última análise, são limitadores da percepção, mas não limites, em si mesmos, à observação dos fenômenos da vida universal. Exemplo típico dessa postura vimos na pueril declaração de um dos primeiros astronautas soviéticos que, ao regressar de um périplo espacial, declarou não ter visto Deus por lá. Ou seja, estamos ainda numa fase de comovedora infantilidade ao achar que somente poderíamos acreditar em Deus se o víssemos com os nossos próprios olhos, se pudéssemos toca-lo debaixo das lentes de microscópicos eletrônicos de última geração.

Há, pois, um despreparo cultural, metodológico e instrumental quanto à pesquisa psíquica, que se obstina em adotar procedimentos inadequados à percepção e avaliação da fenomenologia que pretende analisar.

Não é de admirar-se por conseguinte, que esteja em crise o processo da busca do conhecimento. Germinou, criou raízes e proliferou por toda parte o conceito de que a ciência como todo é autoridade suprema e final sobre aquilo que devemos aceitar ou rejeitar na estruturação das nossas crenças e convicções, como se tivéssemos trocado um tipo de procedimento dogmático de caráter religioso por outro, de natureza científica, apoiada, este último, em métodos inquisitoriais mais sutis, mas não menos inibidores e nem menos perversos do que o seu antecessor na historia do pensamento.

O que estou pretendendo dizer com isto? Que a comunidade cientifica pode não prender, torturar e mandar para as masmorras ou para a fogueira o equivalente dos antigos hereges, mas ainda os coloca sob suspeita, isola-os e lhes nega acesso às publicações técnicas e à cátedra se entender que a natureza de suas especulações e conclusões contesta ou desarruma o sistema ideológico vigente, que goza da aprovação consensual da categoria.

Não há dúvida de que a ciência moderna tem sido pródiga em descobertas e realizações que suscitaram fantástica aceleração tecnológica. Seria incorreto, no entanto, afirmar que isso tenha sido sistematicamente benéfico ao ser humano como entidade espiritual. Ao contrário, as conquistas tecnológicas estão intensificando a cristalização do conhecimento em estruturas materialistas ou puramente mecanicistas, que se tornaram predominantes nas últimas décadas.

Mas, por que estaríamos falando de ciência quando nosso tema diz respeito à filosofia? A razão é simples. Um exame retrospectivo na historia da filosofia nos ensina que grande parte do que hoje consideramos disciplinas autônomas sob o título genérico de ciência, estava contida, embrionariamente ou de maneira mais desenvolvida, no contexto global da filosofia antiga. Era tudo um só bloco de material especulativo, sem particularizações ou individualizações, ainda que identificados os diversos assuntos por títulos específicos, para fins didáticos, como podemos ver em Aristóteles: física, botânica, anatomia e fisiologia animal, psicologia, ética, política, retórica ou poética. Fora deste quadro ficavam apenas suas especulações ditas metafísicas. Por longo tempo ainda, foram os tratados de natureza cientifica considerados módulos de uma enciclopédia de filosofia. Em pleno século XIX, Hegel estranhava que os técnicos em ótica se fizessem anunciar, na Inglaterra, como "fabricantes de instrumentos filosóficos". Pois não estava a ótica confortavelmente instalada nas obras de Aristóteles?

No correr do tempo expandiu-se e intensificou-se o processo de dissociação entre filosofia e ciência, consolidando-se a dicotomia de que hoje somos testemunhas e, no meu entender vítimas. O bloco cientifico soltou suas amarras e se pôs autônomo e independente da filosofia e até superior àquela que fora, em tempos clássicos, a chocadeira e coordenadora das suas diversa disciplinas. Assim, as novas ciências, surgidas quase sempre de desdobramentos dos ramos básicos primitivos, passaram a não se sentir mais obrigadas à coordenação e liderança do pensamento filosófico. Há quem considere isto um beneficio ao processo evolutivo do conhecimento. Não estou entre estes. Acho que a ciência opera dentro de um contexto de limitações intrínsecas que a inibem para as especulações de maior amplitude.

É o que pensa Will Durant (4) (The Story of Philosophy, Simon & Schuster, Nova York, 1951.). Sinto-me confortável com a sua postura de que a ciência "proporciona conhecimento, mas somente a filosofia leva à sabedoria".

A ciência é exposição analítica de fatos observados, ao passo que a filosofia e esforço sintético de interpretação. A atividade interpretada, ainda que se valendo dos dado supridos pela ciência, como convém, é que pode conduzir-nos ao que Durant chama de "decifração de nossas próprias almas", a fim de nos colocar em perspectiva adequada ante os enigmas da vida. Não foi outra a atitude de Sócrates, que situou suas prioridades não na decifração do mundo, mas no trabalho de deslindar os mistérios do ser humano. Para que não acontecesse o que hoje presenciamos de , no dizer de um pensador contemporâneo, conhecermos mais o átomo do que a mente que conhece o átomo.

Por outro lado, a ciência não costuma preocupar-se com as conseqüências da utilização de seus achados e nem para isso está programada ou em condições de preveni-lo. Vivemos a era da especialização, na qual temos de saber cada vez mas de vetores cada vez mais exíguos de conhecimento, com o que de há muito vimos perdendo o senso da perspectiva, a noção do conjunto, a visão integrada da vida, especialmente naquilo que ela tem de mais essencial ao processo evolutivo, ou seja, a realidade espiritual.

Por isso, ensina Durant que "a história da filosofia moderna poderia ser escrita em termos de uma guerra entre a física e a psicologia". Tanto quanto podemos avaliar, nós outros, meros espectadores, até aqui a física estaria vencendo, embora estejamos assistindo em anos mais recentes a uma virada significativa na sorte do conflito. Paradoxalmente, contudo, não porque a psicologia tenha conseguido impor-se ao suposto "adversário", mas porque a física começa a revelar-se disciplina tão sutil que Aristóteles não hesitaria em reclassificá-la na chave da metafísica, segundo o melhor critério semântico. Lamentavelmente, a psicologia sem psique, ou seja, sem alma. Não é outra a razão pela qual o autor espiritual de A Grande Síntese(5) (Pietro Ubaldi Guilon Ribeiro,Feb, Rio, 1939) proclama, sem rodeios ou meias palavras, que a psicologia que aí está "não tem futuro".

É preciso ressalvar que há psicólogos e psiquiatras trabalhando conceitos indispensáveis ao entendimento da vida, como reencarnação, sobrevivência do ser e carma, mas daí até demover a inércia conservadora, vai largo tempo e grande esforço. Pensando nisso é que Lawrence Leshan(6) (The Médium, the Mystic and the Physicist, vicking Press, Nova York, 1974.) se mostra tão alarmado, ao bradar, em seu livro de 1964, que não há mais tempo a perder: precisamos sair desse impasse antes que o século chegue a seu termo. Não há como discordar dele, quando contemplamos o estado caótico da chamada civilização contemporânea, em todos os seus aspectos vitais, não mais a 36 anos do final do século – e do milênio – mas a pouco mais de uma década, sem que nada de significativo tenha acontecido para justificar esperanças renovadoras. O que continuamos a testemunhar é a obstinada resistência à conceituação do ser humano com entidade espiritual.

O Dr. Freud chegou a exigir de seu discípulo, o Dr. Jung, um compromisso – quase um juramento – de que não se deixasse envolver pelo que chamou "a onda negra do ocultismo", mas, pelo menos, morreu convicto do equívoco, declarando que, se tivesse de recomeçar seu trabalho, haveria de retoma-lo pela pesquisa psíquica. É o que se lê na estupenda biografia de Freud escrita por Ronald W. Clark, pág. 278(7). (Clark, Ronald W. Freud – The Man and the Cause, Granada, Londres, 1982).

Estamos à espera dele, dado que os mecanismos da reencarnação aí estão abertos a todos e, de maneira preferencial àqueles que possam trazer importantes contribuições à solução dos impasses em que se debate a civilização dos nossos dias.

Uma dessas esperanças, no meu entender, seria o eminente pensador Pierre Telhard de Chardin que tentou, com invulgar brilho, mas sem êxito imediato, abrir caminho para uma renovação de conceitos, de dentro para fora de uma obsoleta teologia dogmática.

Outro que muito gostaria eu de ver renascido, de preferência em meio espírita para não perder tempo, seria o não menos brilhante pensador francês Henri Bérgson, cuja obra de tanto sucesso imediato, encontra-se injustamente esquecida hoje, a menos de 50 anos do retorno do autor à dimensão espiritual.

Como assinala Durant, quanto mais estudava Spencer, uma de suas admirações, mais Bérgson se tornava consciente das "três juntas reumáticas do mecanicismo materialista" e que assim ficam identificadas: as interações matéria e vida, corpo e mente e determinismo e livre-arbítrio.

- ... e se Bérgson elevou-se tão rapidamente à fama – ensina Durant – foi porque teve a coragem de duvidar daquilo em que todos os duvidadores acreditavam piamente.

Em outras palavras: ele assumiu uma posição contestatória perante as verdades provisórias, tidas como eternas, imutáveis e intocáveis. Isso por que há, na expressão de Durant, "a desconfortável suspeita de que a ciência "exata" e mera aproximação, que se ocupa da inércia da realidade mais do que da vida em si mesma".

Pensamento semelhante vamos encontrar em Willis Harman – apud Larry Dosey (Space, Time and Medicine,Shambala, Londres, 1982) – segundo o qual, "a ciência não é uma descrição da realidade, mas uma ordenação metafórica da experiência".

No entender de Durant, não obstante, e estou de acordo com ele mais uma vez, continuamos diante de um maciço bloqueio a obstruir a passagem para uma conceituação mais nítida na vida. Ele caracteriza tal bloqueio como "aplicação de conceitos físicos ao campo do pensamento", que conduz sempre aos mesmos impasses do determinismo, do mecanismo e do materialismo.

Devo, contudo, elaborar um tanto, para justificar as razões pelas quais coloco algumas de minhas admirações em Henri Bérgson. Tenho sido leitor atento e grato de sua obra, da qual destaco, na meditada preferência, L’Évolution Créatrice, que Durant, mui justamente, caracteriza como "a primeira obra-prima filosófica de nosso século".

Na conceituação do fenômeno da vida em si mesma, Bergson e Chardin parecem competir pela maneira mais bela e ampla de dize-lo.

- No mais fundo de si mesmo – escreve Chardin(O Fenômeno Humano – trad. Leon Bourdon e José Terra, Herder, S. Paulo, 1965) – o mundo vivo é constituído por consciência revestida de carne e osso. Da Biosfera à Espécie, tudo é, pois, simplesmente imensa ramificação de psiquismo que se busca através das formas.

A mesma concepção elegante e grandiosa da vida, como energia psíquica consciente, está em Bergson. Dessa onda pulsante de "élan vital" – diz ele -, resulta que - ... nossa inteligência, no estrito sentido do termo, destina-se a assegurar-se a perfeita inserção de nosso corpo no seu ambiente e a representar-se os vínculos das coisas externas entre si; enfim, a pensar a matéria.

Bérgson prossegue adiante no livro – estou falando apenas de L’évolution Créatrice premido por limitações de tempo e espaço -, para explicitar seu pensamento neste aspecto do mergulho da consciência na matéria. Ouçamo-lo:

- A resistência da matéria bruta é obstáculo que (a vida) precisa contornar. A vida parece, nesse ponto, ter alcançado êxito pela força da humildade, fazendo-se pequenina e muito insinuante.

A vida é, portanto, no dizer desses pensadores ilustres e brilhantes, uma energia espiritual consciente, o que nos leva de volta aos ensinamentos dos Espíritos obtidos por Allan Kardec antes de bergson e chardin.

Após caracterizarem o Espírito com "principio inteligente do Universo", os Instrutores da Codificação ("O Livro dos Espíritos", Trad. Guillon Ribeiro, Feb, rio.) formulam este esclarecimento, à primeira vista um tanto enigmático, para explicar que o Espírito é independente da matéria:

- São distintos uma do outro – ensinam – mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria.

Confesso-lhes minhas dificuldades iniciais com a expressão "intelectualizar a matéria". O que seria isso, precisamente? Algum tempo se consumiu no trabalho de entende-la. Ela expressa, contudo, conceito de indiscutível elegância e transparência, quando a conjugamos com as formulações de Chardin e Bergson. Fazendo-se humilde e pequenino, como ensina Bergson, o psiquismo a buscar-se através das formas, no dizer de Chardin, consegue intelectualizar com tão clara competência a matéria que, de uns tantos componentes básicos – carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e outros, em menor escala – elaborou esse prodígio biológico que é a célula nervosa, por exemplo, com a qual montou as sofisticadas estruturas de cérebro e seus terminais, presentes em cada ponto microscópico da comunidade celular que constitui o corpo físico do ser humano.

Pensar a matéria, intelectualizar a matéria e buscar-se o psiquismo através da forma são, portanto, três maneiras diferentes e inteligentes de escrever a mesma realidade. Poder-se-á dizer, então, que esta é uma das felizes intersecções em que as correntes universais do pensamento filosófico produzem notável convergência de ensinamentos iluminativos que, no entanto, e lamentavelmente, não têm sido explorados e ampliados como poderiam e deveriam tê-lo sido.

A Henri Bergson porventura renascido em contexto espírita eu pediria para elaborar uma releitura de sua própria filosofia, a partir dos postulados básicos da realidade espiritual sobre a qual se apóia a Doutrina dos Espíritos. Não são muitos, mas se apresentam com importância e urgência que mal podemos enfatizar com suficiente veemência. Falam esses postulados, em suma, de conceitos como os de existência e sobrevivência do espírito; dos ciclos de vida na carne e fora dela; da severa, mas flexível, lei de causa e efeito; de uma solução satisfatória para o aparente dilema entre livre-arbítrio e determinismo, tanto quanto de uma correta avaliação das questões suscitadas, ao longo dos milênios, no relacionamento ser humano/Deus, além de uma abordagem inteligente e correta ao fenômeno da morte.

Se a filosofia é, de fato, um discurso sobre os temas básicos do ser humano e do universo em que ele vive, aí estão os componentes necessários à montagem de uma nova estrutura de conhecimento que nos proporcionará viagem sem retorno às luminosas paragens da sabedoria.

O leitor de Hooykaas (A Religião e o Desenvolvimento da Ciência Moderna, Trad. Fernando Dídimo Vieira, Polis-Universidade de Brasília, 1988) não se surpreenderia com a proposta de um modelo epistemológico como o que estamos a sugerir. Ao comentar a postura dos idealistas gregos, de que a natureza imporia limitações até ao demiurgo platônico, em oposição ao Deus bíblico, que a nada precisa obedecer, conclui ele que esse contraste de concepções "chega a influenciar o método de aquisição de conhecimento científico a respeito do universo".

Pouco adiante, o autor recorre a Boyle, para o qual "a ciência empírica, experimental, é uma aliada da religião, e é, até mesmo, guiada por ela, não obstante a distinção metodológica entre ambas".

Descendo ás raízes do problema, Boyle postulava com acerto que "a hostilidade existia apenas entre a metafísica especulativa de um lado, e a religião unida à verdade do outro".

Dentro dessa mesma de idéias, lembra Hooykaas que Francis Bacon denunciava um atrito entre ciência e teologia, não entre ciência e religião. Essa distinção é fundamental ao entendimento do antigo debate entre razão e fé, que o Espiritismo resolve, ao estabelecer o parâmetro avaliador de que não somente a fé pode, como deve ser racionalizada, assumindo, portanto, a condição de fé, que sabe, em vez de apenas crer, ou ainda, para dizer a mesma coisa de outra maneira: uma convicção, como estágio final do processo especulativo iniciado pela fé ou crença.

A palavra conclusiva do pensador holandês pode até surpreender ou chocar algumas mentes desatentas, mas é a lúcida expressão de inteligente proposição ao postular que a ciência seria mais uma conseqüência do que a causa de certas posturas religiosas.

Mas, que razões nos levam a considerar desejável uma reformulação aparentemente tão radical na abordagem ao problema do conhecimento a partir das contribuições informativas e formativas da Doutrina dos Espíritos?

Vai bem, neste ponto, lembrar Kant, segundo o qual importa a utilidade do conhecimento e não a sua origem, dado que cabe à metodologia da busca investigar a relação do pensamento com o objeto da especulação. Por isso, ensina Johannes Hesse (Tratado de Filosofia, 3 vols. Trad. Juan Adolfo Vasquez, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 1962) que o "conhecimento não é produção, mas reprodução, não construção, mas reconstrução", sendo portanto, um esforço de interpretação ou melhor, de reinterpretação da realidade observada o que não lhe subtrai a condição de função criativa, ainda no entender de Kant. É certo isso, dado que criar é antes uma busca de novos arranjos de que invenção.

A despeito de inúmeras propostas inteligentes para a montagem de uma teoria consensual do conhecimento, queixar-se Hesse de que não se tenha ainda superado um defeito histórico de formulação, que o pensador alemão descreve como "orientação unilateral e até exclusiva por determinado campo do saber ou região de objetos", em prejuízo de uma visão mais ampla dos enigmas da vida.

- A vida espiritual do homem – adverte Hesse – é muito mais rica do que se poderia observar numa tomada superficial. É nesse sentido que entendo a necessidade de uma visão sintética, sim, mas global, sinótica, abrangente, integradora e hierarquizada que somente a filosofia tem condições de formular, dado que, pela natureza mesma de sua metodologia, necessariamente analítica, a ciência é fator de atomização do conhecimento, desligada da imagem que o amplo mosaico de seus achados vai criando.

Acresce que, além de não cogitarem necessariamente das conseqüências éticas de seus informes, amplas áreas da ciência contemporânea operam comprometidas com poderosos interesses utilitários e imediatos e, portanto, materialista, em essência. É escasso e tímido, por exemplo, o financiamento destinado à pesquisa psíquica, ao passo que nunca faltam recursos, em astronômicas cifras, para projetos dos quais retornos compensadores possam ser predimensionados. Ademais, mesmo bem intencionados cientistas e pesquisadores ainda que preocupados com a eventual utilização não-ética de suas descobertas, não têm como inibir tais possibilidades e conseqüências. Às vezes, até as provocam.

O exemplo da Albert Einstein é dramático. Ao conceber a famosa equação matéria/energia, certamente não pretendia varrer da face da Terra cidades inteiras ou explodir o Planeta. Sua fórmula descreve um fenômeno natural, uma lei cósmica que, por si só não gera implicações éticas. Mas, ao escrever a carta ao Presidente Franklin Roosevelt, engajando-se, a seguir, no Projeto Manhattan, sim, envolveu-se em complexa rede de conotações éticas, armando gigantesco dispositivo causal de inevitáveis efeitos determinísticos.

É em situações como essa que o pensamento da gente vai de volta às belas, ainda que utópicas, especulações de Platão, que sonhou com nações governadas por sábios. É bem provável que um colégio de filósofos no comando da política se recusasse a apropriar-se de fórmula einsteiniana para montar artefatos nucleares, mas, infelizmente, não dispomos ainda de estruturas sociais e políticas que nos permitam levar os sábios aos comandos da sociedade, se é que teríamos como persuadí-los a renunciarem às suas especulações, a fim de aceitarem os ônus e atrações do poder, que a tantos fascina e corrompe.

Por essas e outras razões, não vejo na entidade coletiva chamada ciência contemporânea condições para o exercício de tão pesadas responsabilidades como as que estamos, pela força da inércia, a atribuir-lhe. Os que aguardam o "Nihil obstat" da ciência, que os autorize a aceitar como válida a realização espiritual, têm, pela frente, larguíssimo período de espera, de vez que somente pela força cumulativa de sucessivos pronunciamentos se poderá chegar, eventualmente, ao consenso, depois que as resistências às inovações esgotarem-se no desgaste inevitável do atrito com a verdade. Por outro lado, os que se acham suficientemente informados e convencidos dessa realidade perdem tempo precioso à espera de luz verde nos semáforos, ainda vermelhos, da ciência. Há imenso trabalho a realizar nas amplitudes de uma humanidade que vive o angustiante drama da espera desorientada. É gigantesca a tarefa, de fato, mas como diz o provérbio chinês, é melhor acender a lamparina do que ficar a maldizer a escuridão.

Não me importa estar sozinho nessa postura, mas invoco, a respeito, o testemunho da Dra. Cerminara (14) – (Cerminara, Gina – Edgar Cayce Revisited, Norfolk, Va., 1963), que assim opina:

- Excessivo número de nossos cientistas e pesquisadores têm sido intelectualmente bitolados e materialistas, tanto quanto emocionalmente insensíveis e socialmente míopes. Nossa trágica situação planetária é devida, creio eu, pelo menos em parte, à penetrante influência por eles exercida.

Podemos ilustrar essa postura paralisante com dois conceitos fundamentais, ainda rejeitados pela ciência, embora individualmente aceitos por eminentes pesquisadores e cientistas. Do primeiro deles, o perispírito, de vital importância à ciência, já falava Paulo em suas epístolas, não como novidade ou revelação, mas coisa vivida e sabida.

No início da década de 60, em resposta a uma carta pessoal minha, o Dr. J.B. Rhine declarava a ciência ainda longe de pronunciamento conclusivo acerca da sobrevivência do ser. Em artigo seu, que também teve a gentileza de enviar, em separado, escrevia ele que a sobrevivência somente poderia ser entendida no contexto da continuidade do pensamento, o que é correto, mas, perguntavam como exercer essa faculdade se o cérebro físico se destrói com a morte?

No entanto, não precisamos hoje recorrer aos textos religiosos, místicos ou iniciáticos, ditos ocultos, para saber que, além do corpo físico, que se desintegra com a morte, há outro corpo, sutil, energético, que persiste e continua a servir de instrumento ao espírito sobrevivente.

O Dr. Harold Saxton Burr, que prega "uma abordagem modesta" aos enigmas da vida e do universo em que vivemos, acha mesmo que essa postura é a única em condições de suceder, porque, no seu dizer, "a natureza parece relutante em revelar seus segredos ao intelectualismo arrogante".

Foi essa atitude de humildade intelectual que o Dr. Burr documentou a existência dos (campos vitais), chamando a atenção para o fato de que temos de admitir uma "desoladora ausência de conhecimento, não apenas da verdadeira natureza da mente ou da emoção, mas também do mecanismo de relacionamento entre mente e corpo".

Entende mesmo – e mais uma vez estamos de acordo com ele – que os campos vitais vinculam, como componentes de um mesmo todo, seres humanos, animais e vegetais.

- Você e eu, nossos animais domésticos, nossas árvores e plantas – ensina ele – estamos todos sujeitos às mesmas leis universais.

É esse campo energético invisível, mas detectável com instrumentação adequada o responsável pela modelação e manutenção do corpo físico, a despeito da contínua renovação celular que no organismo se processa.

- Quando nos encontramos com um amigo que não vemos há seis meses – escreve Burr – não há no seu rosto uma só molécula que lá estivesse quando o vimos pela última vez. Mas, graças ao controle dos compôs vitais, as nova moléculas alinharam-se segundo a mesma disposição antiga e familiar que nos leva a reconhecer seu rosto.

Reportando-se ao corpo bioplásmico, proposto pelos pesquisadores soviéticos, a Dr. Gina Cerminara declara a sobrevivência "uma possibilidade crível e lógica", dado que o ser humano dispõe de dois corpos, o material e o outro, que ele caracteriza como uma "espécie de matriz energética, ou modelo invisível unificador". É por isso que ela considera a morte como simples "mudança de freqüência", quando o ser passa a atuar através de "um corpo interno" constituído de matéria em ritmo vibratório "rápido demais para ser percebido pela visão humana comum".

Hermínio C. Miranda


endereço: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/filosofia/conceitos-inovadores.html

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sábado, 6 de junho de 2009

OS CENTROS DE FORÇA E A GLÂNDULA PINEAL




INTRODUÇÃO



Sabemos que os Espíritos encarnados e desencarnados são dotados de um corpo fluídico, semi-material, isto é, composto de fluidos em diferentes estados de condensação. Esse corpo fluídico é o perispírito ou corpo espiritual.
O perispírito está intimamente regido por vários centros de força que trabalham vibrando uns em sintonia com os outros, sob o poder diretor da mente. A mente é que determina o funcionamento mais ou menos equilibrado destes centros de força e são eles que dão condições para que o perispírito desempenhe as suas várias funções.
A localização desses centro de força no perispírito corresponde a dos plexos no corpo físico, com exceção dos que estão no crânio perispiritual, o coronário e o frontal, que se ligam aos centros encefálicos.
Plexos são feixes nervosos do corpo físico onde há maior concentração de nervos.
Os centros de força são também denominados de discos energéticos e centros vitais, mas são vulgarmente conhecidos pelo nome de chacras, por causa das filosofias orientais.
Chacra é palavra sânscrita que significa “roda”, pois eles têm forma circular com mais ou menos 5cm de diâmetro, possuem vários raios de ação que giram, incessantemente, com a passagem da energia, lembrando um ventilador em movimento.
Cada um tem as suas cores próprias, características. Quanto mais evoluída a pessoa, mais brilhantes são essas cores, alcançam maior diâmetro e os seus raios giram com maior desenvoltura.
São eles que distribuem, controlam e dosam as energias que o nosso corpo físico necessita, como também regulam e sustentam os sentimentos, as emoções, e alimentam as células do pensamento.
É através dos centros de força que são levadas as sensações do corpo físico para o Espírito, pois são eles que captam as energias e as influências exteriores.
O Fluido Cósmico Universal ao ser absorvido é metabolizado pelo centro coronário, em fluido espiritual - uma energia vitalizadora - imprescindível para a dinâmica do nosso corpo físico, sentimentos, emoções e pensamentos.
Após a metabolização, essa energia circula pelos outros centros de força e é canalizada através da rede nervosa para todo o organismo com maior ou menor intensidade de acordo com o estado emocional da criatura, porque eles estão subordinados a impulsos da mente, irradiando-se, posteriormente, em seu derredor, formando a nossa aura, que é uma espécie de espelho fluídico capaz de refletir o que se passa no campo psíquico. Ela reflete o nosso estado de Espírito.
Hábitos, conduta e ações nocivas, todos os atos contrários às Leis Divinas, tornam os chacras desequilibrados e comprometem o funcionamento harmonioso do conjunto.
Tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia no centro de força correspondente que reagirá sobre o corpo físico.
Exemplo:
- maledicência, calúnia -> desequilibra o centro de força laríngeo;
- sentimentos inferiores (inveja, ciúme, egoísmo, vaidade, mágoa) -> desequilibram o centro de força cardíaco;
- sexo sem amor, sem respeito ou sem responsabilidade -> desequilibra o centro de força genésico.
Quanto mais equilibrados e harmônicos entre si, mais saúde física e psíquica para a criatura e maior carga de energias ou forças vitalizadoras teremos para doar no processo de irradiação.
O equilíbrio para os nossos chacras conseguiremos através da reforma íntima, pela reforma moral, através do burilamento das nossas facetas negativas, procurando desfazer-nos das imperfeições que ainda trazemos dentro de nós.
São em número de sete os principais centros de força:
a) Centro Coronário: é o mais importante pelo seu alto potencial de radiações.
Nele se assenta a ligação com a mente. Relaciona-se materialmente com a epífise ou glândula pineal, ligando os planos espiritual e material.
Recebe, em primeiro lugar, os estímulos do Espírito comandando os demais, vibrando, porém, com eles em regime de interdependência, isto é, são ligados entre si, obedecem ao comando do coronário, mas cada um tem a sua função própria. É como se todos formassem uma orquestra e o coronário fosse o regente.
Dele emanam as energias de sustentação de todo o sistema nervoso. É o grande assimilador das energias solares e captador dos raios que a espiritualidade superior envia para a Terra, capazes de favorecer a sublimação das almas. Esse centro de força desenvolve-se na proporção da evolução espiritual.
b) Frontal ou Cerebral: tem grande influência sobre os demais.
Relaciona-se materialmente com o córtex cerebral. Trabalha em movimentos sincrônicos e de sintonia com o centro coronário, do qual recolhe os estímulos mentais, transmitindo impulsos e anseios, ordens e sugestões aos órgãos e tecidos, células e implementos do corpo por que se expressa.
É responsável pelo funcionamento dos centros da inteligência. Comanda os 5 sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar.
Comanda através da hipófise todo o sistema glandular interno, com exceção do timo, tireóide e paratireóides.
Administra todo o sistema nervoso. O coronário fornece as energias e ele administra.
É por este centro de força que podemos, segundo a nossa vontade, irradiar calma, alívio, equilíbrio, conforto a quem esteja necessitando, bastando usar a força do pensamento. É responsável pelos poderes mentais.
c) Laríngeo: controla os órgãos da respiração, da fala e as atividades do timo, da tireóide e paratireóides. Relaciona-se com o plexo cervical. É um centro de força muito desenvolvido nos grandes cantores e oradores.
d) Cardíaco: controla, regula as emoções. Comanda os sentimento. É responsável pelo funcionamento do coração e do aparelho circulatório. Relaciona-se materialmente com o plexo cardíaco.
e) Esplênico: responsável pelo funcionamento do baço, pela formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue. Relaciona-se materialmente com o plexo mesentérico e baço.
f) Gástrico ou Umbilical: responsável pelos aparelhos digestivos. Relaciona-se com o plexo solar. Responsável pela absorção dos alimentos.
g) Genésico ou Básico: relaciona-se com os plexos sacro e lombar. Responsável pelos órgãos reprodutores e das emoções daí advindas. Como diz André Luiz, nele se assenta o santuário do sexo. É responsável não só pela modelagem de novos corpos físicos como pelos estímulos criadores com vistas ao trabalho, à associação e a realização entre as almas. São essas energias sexuais, quando equilibradas, que levam os homens a pesquisar no campo da Ciência, da tecnologia com vistas a descobrir remédios, vacinas, inventar aparelhos, máquinas que visem a melhorar a qualidade de vida dos homens.
Levam também as pessoas a criarem no ramo das Artes, da Literatura ou em qualquer outro ramo cultural ou educacional. Quando equilibradas, levam as pessoas a se dedicarem a obras beneméritas, a se associarem para promover os homens socialmente, para estabelecerem a paz e a concórdia entre a humanidade, defenderem a natureza, etc.
Quanto mais evoluída a pessoa, mais ampliação terá das forças sexuais em inúmeras atividades para o bem. Vai havendo maior diversificação na canalização dessas energias. Elas deixam de ser canalizadas somente para o erotismo, como acontece nas pessoas menos evoluídas. As que já conseguem viver em regime de castidade sem tormento mental podem canalizar estas energias para o trabalho em benefício do próximo, para o campo da Ciência, da Cultura, da Mediunidade.

A GLÂNDULA PINEAL

Jorge Andréa, médico psiquiatra, expositor e escritor espírita, que há muitos anos tem se dedicado aos estudos da mediunidade e das obsessões, afirma-nos em [Nos Alicerces do Inconsciente]:
"A tríade por excelência, da mais alta expressão no mecanismo mediúnico, seria representada:
a) pela glândula pineal;
b) pelos centros de energia vital ou chacras;
c) pelo sistema neuro-vegetativo."
Como podemos notar, a glândula pineal e o sistema neuro-vegetativo são órgãos do corpo físico e os centros de energia vital são órgãos do corpo perispiritual.
A glândula pineal foi bastante conhecida dos antigos, fato observado através de descrições existentes. A escola de Alexandria participou ativamente dos estudos da pineal que achavam-se ligados a questões religiosas. Os gregos conheciam-na como conarium, e os latinos como pinealis, semelhante à uma pinha. Estes povos, em suas dissertações, localizavam na pineal o centro da vida. Mais tarde, os trabalhos sobre a glândula pineal se enriqueceram com estudos de De Graff, Stenon e Descartes que, em 1677, fez uma minuciosa descrição da glândula, atribuindo-lhe papel relevante que se tornou conhecida até os nossos dias. Para ele:
"A alma é o misterioso hóspede da glândula pineal."
No início do séc. XIX, embriologistas relacionaram a pineal ao terceiro olho de alguns répteis lacertídeos da Nova Zelândia e passaram a considerá-la como um órgão vestigial, abandonado pela natureza, o que atrasou, em muito, os estudos sobre a pineal.
Porém, em 1954, vários estudiosos publicaram um livro como o somatório crítico de toda a
literatura existente sobre a glândula pineal, chegando a algumas conclusões que foram
comprovadas em trabalhos subsequentes. Dentre estas:
?? que a glândula pineal passou de um órgão sensorial a uma glândula de secreção endócrina, entretanto, permanece sofrendo influência da luz, ou seja: a luz inativa a pineal e a ausência de luz, ativa a pineal;
?? a pineal teria influência sobre o amadurecimento das glândulas sexuais - ovários e testículos; quando atuante, a pineal inibiria o desenvolvimento destas glândulas, e a inatividade da pineal
permitiria o seu desenvolvimento ocorrendo assim o aflorar da sexualidade;
?? seus hormônios favoreceriam o sono, diminuiriam crises convulsivas, sendo por isso conhecida como glândula da tranquilidade;
?? atuaria ainda como reguladora das funções da tireóide, pâncreas e supra-renais;
?? seria ainda uma reguladora global do sistema nervoso central.
Temos, até aqui, um ligeiro resumo do que a Ciência oficial conhece hoje sobre a glândula pineal Busquemos agora, algumas considerações espíritas. Allan Kardec [LM-it 226] questiona aos Espíritos:
O desenvolvimento da mediunidade guarda relação como o desenvolvimento moral do médium?
Não, a faculdade propriamente dita se radica no organismo não depende da moral.
Tecem a seguir valiosos comentários quanto ao problema do uso da faculdade.
Interessa-nos, porém, a expressão textual dos Espíritos: a faculdade propriamente dita se
radica no organismo, esta afirmação aguça-nos a sã curiosidade de pesquisar em torno da sede da mediunidade. Qual seria o órgão responsável por tal aquisição fundamental do Espírito encarnado? Na época em que Kardec codificou o Espiritismo pouco se conhecia da anatomia e estrutura microscópica da pineal e muito menos ainda de suas funções. Com o avanço da Ciência, porém, houve condições de recebermos informações mais amplas dos Espíritos através das obras complementares da codificação. André Luiz, é, sem dúvida alguma, o autor espiritual que mais amplas elucidações nos faz sobre o assunto.
Em [Missionários da Luz-cap I e II] André Luiz estudando um médium psicógrafo com o instrutor Alexandre, observa a epífise - ou pineal - do médium que está a emitir intensa luminosidade azulada, e o instrutor Alexandre esclarece:
"No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a pineal desempenha o papel mais importante.
André Luiz observa: - Reconheci que a glândula pineal do médium expedia luminosidade cada vez mais intensa... a glândula minúscula transformarase em núcleo radiante e ao redor, seus raios formavam um lótus de pétalas sublimes.
André Luiz prossegue narrando o que vê: - Examinei atentamente os demais encarnados, em todos eles a pineal apresentava notas de luminosidade, mas em nenhum brilhava como no médium em serviço.
Alexandre esclarece: pode reconhecer agora que todo centro glandular é uma potência elétrica. Através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares à nossa esfera espiritual, é na pineal que reside o sentido novo dos homens, entretanto, na grande maioria, a potência divina dorme embrionária."
Em [Evolução em Dois Mundos-cap IX], que fala da Evolução do cérebro, André Luiz explica a evolução da pineal, que deixou de ser um olho exterior, como era nos lacertídeos da Nova Zelândia, para fazer parte do cérebro em seu interior na zona mais nobre o tálamo, relacionando às emoções mais sutis. Em [Missionários da Luz], o instrutor Alexandre fornece ainda outras informações a André Luiz:
"Não se trata de um órgão morto segundo as velhas suposições, é a glândula da vida mental. Ela acorda no organismos do homem na puberdade, as forças criadoras, e em seguida continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. Aos 14
anos aproximadamente, a glândula reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus maravilhosos mundos de sensações e impressões da esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examinando o inventário de suas paixões vividas em outras épocas, que reaparecem sob fortes impulsos. Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata de certo modo os laços divinos da natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na sequência de lutas pelo aprimoramento da alma e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida."
Vemos então atribuídas à glândula pineal funções que só agora estão sendo esclarecidas pela Ciência oficial. Segundo revelações dos instrutores espirituais, ela domina o campo da sexualidade e estabelece contato com o mundo extra-corpóreo.
Continuando as elucidações doutrinárias, voltemos a [Missionários da Luz] e vamos encontrar André Luiz surpreso com a amplitude de funções da pineal, e, a certa altura, interroga a Alexandre sobre o papel das gônadas (testículos e ovários) no desencadeamento e preservação das energias sexuais. Alexandre esclarece:
"As glândulas genitais são demasiadamente mecânicas para guardarem os princípios sutis e quase imponderáveis da geração. Acham-se absolutamente controladas pelo potencial magnético de que a pineal é a fonte fundamental. As glândulas genitais segregam hormônios psíquicos ou unidades-força que vão atuar nas energias geradoras. Os cromossomas da bolsa seminal não lhe escapam à influenciação absoluta e determinada".
Alexandre prossegue fornecendo valiosas informações sobe a influência do nosso estado emocional, sobre as gônadas - via glândula pineal, o que é de grande importância para os padrões de conduta íntima que devem vigorar em cada um de nós.

CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Estudos sobre Mediunidade
Fonte: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora-MG


Bibliografia
1) Livro dos Médiuns - Allan Kardec
2) Missionários da Luz - André Luiz/Chico Xavier
3) Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier
4) Grilhões Partidos - Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo Franco
5) Entre a Terra e o Céu - André Luiz/Chico Xavier
6) Forças Sexuais da Alma - Jorge Andréa
7) Nos Alicerces do Inconsciente - Jorge Andréa

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ROUSTAINGUISMO


Roustainguismo (A Verdade revelada através da Mentira) – Revelação da Revelação fundada por Jean Baptista Roustaing em 1865 na França. O autor das obras os Quatro Evangelhos, “julgou seguir um outro caminho. Em vez de proceder por gradação, quis atingir o fim de um salto. Dissemo-lo cem vezes, para nós a opinião de um Espírito, seja qual for o nome que traga, tem apenas o valor de sua Opinião Individual. Convém, pois, até mais ampla confirmação (Os Quatro Evangelhos), não podem (nem devem ) ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita. Nosso critério está na concordância universal, corroborada por uma rigorosa lógica, para as coisas que não podemos controlar com os próprios olhos” 1. Existem milhares de diferenças entre o Espiritismo e a Crença fundada por Roustaing - Revelação da Revelação (?). Nunca jamais devemos confundir ou aludir qualquer semelhança entre estes dois pensamentos (Espiritismo e Roustainguismo) totalmente antagônicos entre si. Se você quiser ser Roustainguista que seja, mas nunca se diga Espírita, pois entre estes dois pensamentos nada existe de comum, há não ser as partes e os textos que o Sr. Roustaing roubou descaradamente e os distorceu ao seu prazer dos livros de Kardec. Os supostos “ministros de Deus” que orientavam Roustaing em seus extensos textos eram forças das trevas e um abuso a inteligência racional humana. "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras" 2. Quem conhece um pouco sobre religiões e mitologias, ao ler qualquer uma das obras de Roustaing, perceberá logo de início que o suposto nascimento fluídico de Jesus tão pregado e divulgado pela suposta “revelação da revelação” é pura e simplesmente uma cópia mal feita dos nascimentos dos semi-deuses greco-romano. Leia-se sobre a religião grega e romana, principalmente no que concerne ao nascimento dos semi-deuses. Quando Zeus coabitava com alguma mortal, todas as gravidez e nascimentos eram diferentes dos nascimentos comuns dos mortais, mas igual em número e grau ao apresentado pelo roustainguismo. Esse feito se dava para diferenciar os semi-deuses dos pobres mortais. O que Roustaing fez em suas obras foi reviver nada menos e nada mais que o docetismo do século I ou II d.C. pregado por Dociteu e Saturnino que negavam o corpo carnal de Jesus. Seria o senhor Roustaing a reencarnação de um dos fundadores do docetismo? Sabemos que todos trazemos de forma inconsciente resquícios e traços de existências que vivemos outrora e se Roustaing prega e afirma com tanta veemência que o corpo de Jesus era apenas aparente, deve ter tido em algum momento de suas existências contato com o pensamento docetista, se não foi um de seus fundadores.
Nas obras de Roustaing Jesus não passa de um saltimbanco e um bom mentiroso, mente desde o nascimento até a crucificação. Fingiu todo o tempo que esteve conosco, fingiu o nascimento, as dores, os martírios e tudo o mais, e , o pior de tudo é que envolveu pessoas inocentes nisso e as iludiu também como um bom ilusionista que era, segundo os quatro evangelhos das trevas 3. Maria não passou de um fantoche, um brinquedo do qual Jesus se serviu para mentir e envolver a todos. Como dissemos anteriormente existem milhares de diferenças entre o Espiritismo e o Roustainguismo, mas uma delas é de principal acentuação, ou seja, a tese da vida aparente de Jesus, que segundo Roustaing: Jesus teria tido um corpo fluídico e não carnal. Logo, Jesus teria sido um Agênere. “Nisso conhecereis o Espírito de Deus; todo o Espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus. E todo Espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é Deus; mas este é o Espírito do anticristo, do qual já ouviste que há de vir, e eis que está já no mundo” 4. Os roustainguistas podem até querer dizer que Kardec na Revista Espírita não “condenou” esses Evangelhos, isso realmente aconteceu porque Kardec além de muito generoso era paciente o que não acontecia com o Sr. Roustaing. Kardec sabia da enfermidade sofrida por este e quis poupar-lhe o desgaste emocional e se realmente Roustaing quisesse a opinião de Kardec teria seguido o conselho dado na Revista Espírita, e, com certeza teria feito um levantamento e visto que o que estava para ser editado não passava de pura fantasia de menino. Dois anos antes dos Quatro Evangelhos de Roustaing serem editados, São Luiz e Erasto em mensagem na Revista Espírita de 1863 a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, advertiu: “a festa da criação Espírita sucederão a perturbação e o orgulho dos diversos sistemas que, desprezando sábios ensinamentos, armarão uma nova Torre de Babel, o dia de confusão, em breve reduzida a nada, porque as obras do passado são o penhor do futuro e nada se dissipa do tesouro de experiência amontoadas pelos séculos. Espíritas, formai uma tribo intelectual, segui vossos guias mais docilmente do que fizeram os Hebreus. Nós também vimos livra-vos do julgo dos Filisteus e a vos conduzir à Terra Prometida. As trevas das primeiras idades (seria uma alusão ao neo-docetismo de Roustaing ?), sucederá a aurora e ficareis maravilhados ao compreender a lenta reflexão das idades anteriores sobre o presente. As lendas reviverão enérgicas como a realidade e adquirireis a prova da admirável unidade, penhor da aliança constituída por Deus com suas criaturas. Uma verdadeira Torre de Babel está em vias de construção entre vós. Aliás, fora preciso ser cego ou abusado para não reconhecer que à cruzada dirigida contra o Espiritismo pelos adversários-natos de toda doutrina progressista e emancipadora, se junta uma cruzada espiritual, dirigida por todos os Espíritos pseudo-sábios, falsos grandes homens, falsos religiosos e falsos irmãos da erraticidade, fazendo causa comum com os inimigos terrestres, em meio a essa multidão de médiuns por eles fanatizados, e aos quais ditam tantas elucubrações mentirosas. Mas vedes o que resta de todos esses andaimes erigidos pela ambição, o amor-próprio e a inveja. Quantos não vistes, desabar e quantos não vedes ainda! Eu vo-lo digo, todo edifício que não se assenta sobre a base sólida da Verdade cairá, porque só a verdade pode desafiar o tempo e triunfar de todas as utopias. Mas, de tudo isto, que restará? Desta Torre de Babel que jorrará? Uma coisa imensa: a vulgarização da idéia Espírita, e como doutrina, o que será verdadeiramente doutrinário! Esse conflito é inevitável, porque o homem é manchado de muito orgulho e egoísmo, para aceitar sem oposição uma verdade nova qualquer; digo mesmo que esse conflito é necessário, porque é atrito que desfaz as idéias falsas e faz ressaltar a força das que resistem. Em meio a esta avalanche de mediocridade, de impossibilidade e de utopias irrealizáveis, a verdade esplendida espalhar-se-á na sua grandeza e na sua majestade” 5. Talvez alguns pensem ser radical o expomos acima, mais infelizmente no Brasil todo tipo de misticismo, doutrinas estranhas a Razão imperam com todo o vapor possível. Este hábito existe devido aos brasileiros não serem um povo tão cientifico como se esperasse que fossem, pois não conseguimos ainda seguir os verdadeiros passos que Kardec deixou, através dos exemplos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Vemos em muitos Centros e Federações que se dizem Espíritas, proliferarem crenças e hábitos estranhos ao Espiritismo. Precisamos nos orientar e ficar conscientes do mal que estes credos representam a Doutrina Espírita. O Espiritismo é uma Ciência Experimental de cunho filosófico e fundo ético (religioso) e não cabe querer adaptar crendices sem fundos epistemológicos as suas bases. Os dirigentes de Centros Espíritas e Federações que se dizem Espíritas, possuem toda responsabilidade pelo ensino 6 que ministram e pela divulgação de materiais estranhos 7 ao Espiritismo e ao bem geral, responderam perante Deus as deturpações 8 que queiram fazer com o Espiritismo 9. Vivemos em uma época de transformações onde as Ciências demonstram claramente a possibilidade de muitos dos fenômenos Espíritas, por isso devemos nos dedicar as bases epistemilógicas do Espiritismo e não inventar o que não existe ou que possa nos tornar ridículo aos olhos dos outros. “Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. Assim é que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” 10.
Roustaing é o anti-Kardec. Se Kardec é o bom senso, Roustaing é a falta de senso 11. Isso é muito radical? Ótimo me mostrem os senhores estudiosos do Roustainguismo, doutrina do espírito do erro 12, um escrito, historiador das religiões, sociólogo, psicólogo ou um escritor de quadrinhos infantis não roustainguista que escreva sobre a doutrina de Roustaing ou da suposta revelação da revelação. De Kardec, mostro muitos e estou falando de não Espíritas. Querem prova? Ok! Lá vai: Durkheim em Formas elementares da Vida Religiosa comenta sobre o Espiritismo, Will Durant em seus trabalhos e livros, Claude Levi-Strauss famoso filósofo e antropólogo belga, sempre interessado nas “estruturas profundas” do homem, comenta e fala em seus trabalhos sobre o papel do Espiritismo e sua formação no brasil e o melhor de tudo, demonstra a diferença entre as religiões que trabalham com fenômenos espirituais (Umbanda e o Candomblé); Mircea Eliade é considerado um dos maiores historiadores e pesquisadores das Religiões do século XX e em seu Livro Origens fala do papel e da importância da ciência espiritual e claro do Espiritismo; Jung, este já é conhecido e não vale; Hinnells em seu Dicionário das Religiões fala do Espiritismo como o novo Espiritualismo moderno; Joseph Campbell em seus trabalhos sobre religiões trata do assunto; Hilton Japiassú e Danilo Marcondes os dois mais respeitados filósofos Brasileiros coloca a disposição de todos uma pequena, mas profunda biografia de Kardec em seu Dicionário Básico de Filosofia e por incrível que pareça eu não encontrei nada sobre Roustaing ou a suposta revelação da revelação em nenhum dos livros e dicionários citados acima. Puxa! Desculpem-me, quase me esqueci do grande VOCABULÁRIO TÉCNICO E CRÍTICO DA FILOSOFIA do grande filósofo francês e mestre da cadeira de filosofia e ciências na Sorbone, André Lalande, esse não Espírita com certeza conhece mais o Espiritismo dos que muitos que se dizem Espíritas. Atualmente temos Jean Delumeau que coordenou um trabalho e transformou-se em um Livro de quase 800 páginas de nome As Grandes Religiões do Mundo, que versa sobre as grandes religiões do mundo, fala na página 728 do Espiritismo e o diferencia do sincretismo existentes no Brasil. Nem mesmo no dicionário da língua portuguesa encontra-se algo sobre esse tal de Roustaing e sua suposta revelação da revelação. Nenhum pensador ou historiador das religiões que se presa e estude seriamente o Espiritismo ou as religiões do mundo, acredita nas mentiras e fábulas apresentadas por Roustaing em seus “Os quatro Evangelhos” de quase duas mil páginas. Nenhum pensador ou pesquisador citado acima sabe da existência desse tal de Roustaing, e é bom que seja assim, pois como afirmou Erasto e São Luís na mensagem anteriormente, essa nova torre de Babel só faz ridicularizar e desacreditar o Espiritismo frente aos nobres estudiosos do assunto. “O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” 13. Não pense vocês que os estudiosos acima são espíritas ou tenham alguma simpatia pelo Espiritismo. Não são simpáticos e muitas vezes são avessos ao pensar espírita, mas sabem o valor e respeitam o trabalho de Kardec como um cientista desapaixonado e sério. Mesmo nas universidades quando um professor pensa em falar do Espiritismo, fala com moderação e respeito, sempre atentando ao cientista Kardec. Infelizmente o Brasil é o único país do mundo que confunde o Espiritismo com outros credos, cultos e pensamentos diferentes do que ensina a codificação. Em nenhum outro país do mundo a Umbanda e o Candomblé se faz presente como no Brasil, e se por ventura existir esses pensamentos e cultos em outros países, esses com certeza não confundem a fenomenologia com o sincretismo 14. Quando um pensador fora do Brasil fala ou escreve algo sobre o Espiritismo ele pensa em Kardec e fala do Espiritismo codificado por Kardec. O Brasil é o único país onde existe a incoerência de atribuir situações e crendices que não são do Espiritismo a este. Os autores estrangeiros não precisam falar ou escrever em seus livros Espiritismo de kardec ou kardecista, pois possuem conhecimento o suficiente para saber que o Espiritismo está vinculado a figura do cientista Kardec. Por isso, quando lemos artigos ou teses de pesquisadores, historiadores e cientistas de outros países sobre o Espiritismo ou a sua fenomenologia, este referem-se ao Espiritismo como Espiritismo e não como Espiritismo kardecista ou Espiritismo de Allan Kardec. Não existe Espiritismo kardecista, Espiritismo é Espiritismo e outros cultos são outros cultos, dá mesma forma que não existe Espiritismo de mesa branca, baixo ou alto Espiritismo. Precisamos ensinar no Brasil que o Espiritismo é uma ciência codificada por Kardec, todo os codinomes restante são mera e pura invenção humana. “Quando vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” 15.

Leonardo Arantes Marques

Kardec, A. Revista Espírita, 1866, editora Edicel.
______________________, 1861, editora Edicel.
______________________, 1867, editora Edicel.
Pires, J. H. Agonia das Religiões, editora Paidéia, 1989.
Silva, Gélio L. Conscientização Espírita, Editora Opinião E. Capivari – SP, 1995.
1 Kardec, A. Revista Espírita de 1866, p. 180.
2 2 Coríntios; 11:13 a 15.
3 2 Pedro; 2:1.
4 I João cap. 4 v. v. 2 a 6.
5 Kardec, A. Revista Espírita 1863, págs. 354, 382 e ss.
6 1 Timóteo; 4:16.
7 Hebreus; 13:9.
8 “Como tu fizeste, assim se fará contigo; o teu feito tornará sobre a tua cabeça” (Obadias; 1:15).
9 Provérbios; 4:2.
10 1 João; 4:6.
11 Pires, J. H. e Abreu, J. O Verbo e a Carne – 2 análises do roustainguismo, 30.
12 Apocalipse; 2:15.
13 1 Timóteo 4:1.
14 Champion, F. Religiosidade Flutuante, Ecletismo e Sincretismo. In: Delumeau, J. As Grandes religiões do Mundo, p.705.
15 João; 15:26 e 27.

Imagem: Internet

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