sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FACULDADES EM ESTUDO - CATALEPSIA E LETARGIA


"A letargia e a catalepsia derivam do mesmo principio, que é a perda temporária da sensibilidade e do movimento, por uma causa biológica ainda inexplicada. Diferem uma da outra, em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral e dá ao corpo todas as aparências da morte; na catalepsia fica localizada, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, de sorte a permitir que a inteligência se manifeste livremente, o que a torna inconfundível com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é por vezes magnética. " Allan Kardec.

Por sua vez, respondendo a uma pergunta que lhe fizemos acerca de determinados fenômenos espíritas, o venerável Espírito Bezerra de Menezes disse-nos o seguinte, pequena lição que colocamos à disposição do leitor para observação e meditação:

- Podereis dizer-nos algo sobre a catalepsia e a letargia? - perguntamos - pois o que conhecemos a respeito é pouco satisfatório.

E benemérita Entidade respondeu:

- Quem for atento ao edificante estudo das Escrituras Cristãs encontrará em o Novo Testamento de N. S. Jesus Cristo, exatamente nos capítulos IX, de Mateus; V, de Marcos; VIII de Lucas, e XI, de João, versão do Padre Antonio Pereira de Figueiredo, a excelente descrição dos fenômenos de catalepsia ( talvez os fenômenos sejam, de preferência, de letargia, segundo as analises dos compêndios espíritas acima citados) ocorridos no círculo messiânico e registrados pelos quatro cronistas do Evangelho, lembrando ainda o caso, igualmente empolgante, do filho da viúva de Naim, caso que nada mais seria do que a mesma letargia, ou catalepsia.

A ciência moderna oficial, a Medicina, conhece a catalepsia e a letargia, classifica-as, mas não se interessa por elas, talvez percebendo não ser da sua alçada o fato de curá-las. A ciência psíquica, no entanto, assim também a Doutrina Espírita, não só as conhecem como se interessam grandemente por elas, pois que as estudam,, tirando delas grandes ensinamentos e revelações em torno da alma humana, e por isso podem curá-las e até evitá-las, ao mesmo tempo que também poderão provocá-las, contorná-las, dirigi-las, orientá-las e delas extrair conhecimentos esplendentes para a instrução cientifico-transcendente a beneficio da Humanidade.

Se os adeptos encarnados dessa grande revelação celeste - a Doutrina Espírita - não curam, no presente momento, as crises catalépticas do próximo, as quais até mesmo uma obsessão poderá provocar, será porque elas são raras ou, pelo menos, ignoradas, ou porque, lamentavelmente, se descuram da instrução doutrinária necessária à habilitação para o importante certame.

A catalepsia, tal como a letargia, não é uma enfermidade física, mas uma faculdade que, como qualquer outra faculdade medianímica incipiente ou incompreendida, ainda descurada e mal orientada, se torna prejudicial ao seu possuidor. Como as demais faculdades suas companheiras, a catalepsia e a letargia, também poderão ser exploradas pela mistificação e pela obsessão de inimigos e perseguidores invisíveis, degenerando então em um estado mórbido do Perispírito, tendência viciosa das vibrações perispirituais para o aniquilamento, as quais se recolhem e se fecham em si mesmas como a planta sensitiva ao ser tocada, negando-se às expansões necessárias ao bom funcionamento do consorcio físico-psíquico, o que arrasta uma como neutralidade do fluido vital, dando em resultado o estado de anestesia geral ou parcial, a perda da sensibilidade, quando todos os sintomas da morte e até mesmo o inicio da decomposição física se apresentam, e somente a consciência estará vigilante, visto que esta, fagulha da Mente Divina animando a criatura, jamais se deterá num aniquilamento, mesmo temporário.

Tanto a catalepsia como a letargia, pois elas são faculdades gêmeas, se espontâneas ( pois elas poderão ser também provocadas e dirigidas, uma vez que a personalidade humana é rica de poderes espirituais, sendo, como foi, criada à imagem e semelhança de Deus), se espontâneas, serão, portanto, um como vicio que impõe o acontecimento, como os casos de animismo nas demais faculdades mediúnicas, vicio que, mais melindroso que os outros lembrados, se a tempo não for corrigido, poderá acarretar conseqüências imprevisíveis, tais como a morte total da organização física, a loucura, dado que as células cerebrais, se atingidas freqüentemente e por demasiado tempo, poderão levar à obsessão, ao suicídio, ao homicídio e a graves enfermidades nervosas: esgotamento, depressão, alucinações, etc. Mas, uma vez contornadas por tratamento psíquico adequado, transformar-se-ão em faculdades anímicas importantes, capazes de altas realizações supranormais, consoante a prática o tem demonstrado, fornecendo aos estudiosos e observadores dos fatos mediúnicos vasto campo de elucidação científica-transcendental.

Entretanto, se os adeptos da grande doutrina da imortalidade - os espíritas - não sabem, conscientemente, ou não querem resolver os intrincados problemas oferecidos pela catalepsia e sua irmã gêmea, a letargia ( eles, os espíritas, não se preocupam com esses fenômenos), sem o quererem e o saberem corrigem a sua possibilidade de expansão com o cultivo geral da mediunidade comum, visto que, ao contato das correntes vibratórias magnéticas constantes, e o suprimento das forças vitais próprias dos fenômenos mediúnicos mais conhecidos, aquele vicio, se ameaça, será corrigido, podendo, não obstante, a faculdade cataléptica ser orientada inteligentemente para fins dignificantes a bens a bem da evolução do seu possuidor e da coletividade. de outro modo, o tratamento magnético através dos passes, em particular os passes ditos espirituais, aplicados por médium idôneos e não por magnetizadores, e a intervenção oculta, mas eficiente, dos mestres da Espiritualidade, têm evitado que a catalepsia e a letargia se propaguem entre os homens com feição de calamidade, daí advindo a relativa raridade, espontânea, de tais fenômenos nos dias presentes. E essa nossa assertiva também revela que todas as criaturas mais ou menos possuem em germe as ditas faculdades e as poderão dirigir à própria vontade, se conhecedoras dos seus fundamentos, uma vez que nenhum filho de Deus jamais foi agraciado com predileções ou menosprezado com desatenções pela obra da Criação.

Dos casos citados nos Evangelhos cristãos, todavia, destaca-se o de Lázaro pela sua estranha particularidade. Aí vemos um estado cataléptico superagudo, porque espontâneo, relaxamento dos elos vitais pela depressão causada por uma enfermidade, fato patológico, portanto, provando o desejo incontido que o Espírito encarnado tinha de deixar a matéria para alçar-se ao infinito, e onde o próprio fluido vital, que anima os organismos vivos, se encontrava quase totalmente extinto, e cujos liames magnéticos do Perispírito em direção à carne se encontravam de tal forma frágeis, danificados pelo enfraquecimento das vibrações e da vontade ( Lázaro já cheirava mal, o que é freqüente em casos de crises catalépticas agudas, mesmo se provocadas, quando o paciente poderá até mesmo ser sepultado vivo, ou antes, não de todo no estado de cadáver), que fora necessário, com efeito o poder restaurador de uma alma virtuosa como a do Nazareno para se impor ao fato, substituir as células já corrompidas, renovar a vitalidade animal, fortalecer liames magnéticos com o seu poderoso magnetismo em ação. Na filha de Jairo, porém, e no filho da viúva de Naim as forças vitais se encontravam já em desorganização adiantada, e não fora o concurso dos liames magnéticos ainda aproveitáveis e as reservas vitais conservadas pelo Perispírito nas constituições físicas robustas ( o Perispírito age qual um reservatório de forças vitais e os laços magnéticos são os agentes transmissores que suprem a organização física) e se não fossem aquelas reservas Jesus não se abalaria à cura porque esta seria impossível. Muitos homens e até crianças assim têm desencarnado. E se tal acontece antes da época prevista pela programação da Lei de Criação, nova existência corpórea os reclamará para o cumprimento dos deveres assumidos e, portanto, para a continuação da própria evolução.

"Por que tal coisa é possível sob as vistas da harmoniosa lei da Criação?Que culpa tem o homem de sofrer tais ou quais acidentes se não é ele quem os provoca e que se e que se realizam, muitas vezes, à revelia da sua vontade?

A resposta será então a seguinte: " Tais acidentes são próprios do carreiro da evolução, e enquanto o homem não se integrar de boamente na sua condição de ser divino, vibrando satisfatoriamente no âmbito das expansões sublimes da Natureza mecanicamente estará sujeito a esses e demais distúrbios.

Segue-se que, para a lei da Criação, a chamada morte não só não existe como é considerada fenômeno natural, absolutamente destituído da importância que os homens lhe atribuem, exceção feita aos casos de suicídio e homicídio. A morte natural, então, em muitos casos será um acidente facilmente reparável e não repercutirá com os foros de anormalidade como acontece entre os homens.

De outro modo, sendo a catalepsia e a letargia uma faculdade, patrimônio psíquico da criatura e não propriamente uma enfermidade, compreender-se-á que nem sempre a sua ação comprova inferioridade do seu possuidor, pois que, uma vez adestradas, ambas poderão prestar excelentes serviços à causa do bem, tais como as demais faculdades mediúnicas, que, não adestradas, servem de pasto a terríveis obsessões, que infelicitam a sociedade, e quando bem compreendidas e dirigidas atingirão feição sublime. Não se poderá afirmar, entretanto, que o próprio homem, ou a sua mente, a sua vontade, o seu pensamento, se encontrem isentos de responsabilidade no caso vertente, tanto na ação negativa como na positiva, ou seja, tanto nas manifestações prejudiciais como nas úteis e beneméritas.

"Um Espírito encarnado, por exemplo, já evolvido, ou apenas de boa vontade, senhor das próprias vibrações, poderá cair em transe cataléptico, ou letárgico, voluntariamente( 1), alçar-se ao Espaço para desfrutar o consolador convívio dos amigos espirituais mais intensamente, dedicar-se a estudos profundos, colaborar com o Bem e depois retornar à carne, reanimado e apto a excelentes realizações. Não obstante, homens comuns ou inferiores poderão cair nos mesmos transes, conviver com entidades espirituais inferiores como eles e retornar obsidiados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao homicídio e ao suicídio.

Um distúrbio vibratório poderá ter várias causas, e uma delas será o próprio suicídio em passada existência. Um distúrbio vibratório agudo poderá ocasionar um estado patológico, um transe cataléptico, tal o médium comum que, quando esgotado ou desatento da própria higiene mental ou moral ( queda de vibrações e, portanto, distúrbio vibratório), dará possibilidade às mistificações do animismo e à obsessão.

Nesse caso, no entanto, o transe cataléptico trará feição de enfermidade grave, embora não o seja propriamente e será interpretado como ataques incuráveis, indefiníveis, etc. . O alcoólatra poderá renascer predisposto à catalepsia porque o álcool lhe viciou as vibrações, anestesiando-as, o mesmo acontecendo aos viciados em entorpecentes, todos considerados suicidas pelos códigos da Criação. Em ambos os casos a terapêutica psíquica bem aplicada, mormente a renovação mental, influindo poderosamente no sistema de vibrações nervosas, será de excelentes resultados para a corrigenda do distúrbio, enquanto que a atuação espírita abrirá novos horizontes para o porvir daquele distúrbio, que evoluirá para o seu justo plano de faculdade anímica. E tudo isso, fazendo parte de uma expiação, porque será o efeito grave de causas graves, também assinalará o estado de evolução, visto que, se o indivíduo fosse realmente superior, estaria isento de padecer os contratempos que acima descrevemos. Todavia, repetimos, tanto a catalepsia quanto a letargia, uma vez bem compreendidas e dirigidas, quer pelos homens quer pelos Espíritos Superiores, transformar-se-ão em faculdades preciosas, conquanto raras e mesmo perigosas, pois que ambas podem causar o desenlace físico do seu paciente se uma assistência espiritual poderosa não o resguardar de possíveis acidentes. A letargia, contudo, presta-se mais à ação do seu possuidor no plano espiritual. Ao despertar o paciente trará apenas intuições, às vezes úteis e preciosas, das instruções que recebeu e sua aplicação nos ambientes terrenos. É faculdade comum aos gênios e sábios, sem contudo constituir privilégio, agindo sem que eles próprios dela se apercebam, porque se efetivam durante o sono e sob a vigilância de Espíritos prepostos ao caso.

"A provocação desses fenômenos nada mais é que a ação magnética anestesiando as forças vibratórias até o estado agudo, e anulando, por assim dizer, os fluidos vitais, ocasionando a chamada morte aparente, por suspender-lhe, momentaneamente, a sensibilidade, as correntes de comunicação com o corpo carnal, qual ocorre no fenômeno espontâneo, se bem que este possa ocupar um agente oculto, espiritual, de elevada ou inferior categoria. Se, no entanto, o fenômeno espontâneo se apresentar freqüentemente e de forma obsessiva, a cura será inteiramente moral e psíquica, com a aproximação do paciente aos princípios nobres do Evangelho moralizador e ao cultivo da faculdade sob normas espíritas ou magnéticas legitimas, até ao seu pleno florescimento nos campos mediúnicos. O tratamento físico medicinal, atingindo o sistema neuro-vegetativo, fortalecendo o sistema nervoso com a aplicação de fortificantes, etc. , também será de importância valiosa, visto que a escassez de fluidos vitais poderá incentivar o acontecimento, emprestando-lhe feição de enfermidade.

Yvonne do Amaral Pereira

Fonte: Recordações da Mediunidade, recomendações do Dr. Bezerra de Menezes.


endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1146.html
imagem:
veredasespiritas.wordpress.com

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ANENCEFALIA - NÃO MATARÁS


Anencefalia - ausência de cérebro do bebê na gravidez - o que fazer?
O que você faria se durante a gravidez soubesse que vai ter um filho com retardamento mental ou com qualquer outra anomalia física ou psíquica? Faria aborto eugênico?
Aborto eugênico ou eugenésico é aquele praticado para evitar o nascimento de criança portadora de anomalia física ou psíquica. Seu significado etimológico é bom nascimento [do grego eu (bem, bom, belo) + gênesis (geração, produção, criação)].
Magalhães Noronha asseverou que esta espécie de abortamento acontece “quando há sério risco e grave perigo para o filho, seja em virtude de predisposição hereditária, seja por doenças da mãe, durante a gravidez, seja ainda por efeito de drogas por ela tomadas durante esse período, tudo podendo acarretar para aquele enfermidades psíquicas, corporais, deformidades, etc.” Entre essas drogas, ele menciona a talidomida que, quando era ingerida pela gestante, ocasionava o nascimento de crianças disformes, em regra sem os membros superiores ou inferiores. Na sua edição de julho de 1994, o jornal Folha Espírita, transcrevendo notícia da Folha de S. Paulo e de outras fontes, informa que “a incidência de fetos mal formados é de 3 a 4% da população mundial.” Há dois grupos delas: as estruturais e as funcionais.
“Nos casos de anencefalia (ausência de cérebro) estamos diante de uma malformação estrutural grave; existem outras menos comprometedoras, como aquelas de ausência de dedos, por exemplo”. Diz ainda a notícia que nas malformações funcionais ocorrem vários tipos de retardamento mental, e que “nos casos de Síndrome de Down (mongolismo) há fatores estruturais e funcionais envolvidos. Na síndrome de Edward existe malformação múltipla e, assim como nos de anencefalia, os bebês morrem logo após o parto. Todas essas anomalias podem ser detectadas por exames genéticos e ultra-sonografia. E suas causas podem ser genéticas, quando os defeitos estão nos genes; cromossômicas, quando há alteração do número de cromossomos; e ambientais, ocasionadas por drogas, injeções, radiações, etc.”

Aborto eugênico?

Com o diagnóstico precoce dessas malformações fetais, surge para a gestante e sua família a grave e difícil decisão entre deixar nascer uma criança portadora de deficiência física e/ou psíquica, ou praticar o abortamento eugênico que, diga-se de passagem, no Brasil não é legalmente permitido. Na mesma edição já referida, a Folha Espírita publicou a opinião de médicos famosos, alguns defendendo ardorosamente a realização do aborto eugenésico, chegando mesmo a confessar a prática de abortamentos nas ocorrências de malformação de fetos, naqueles em que não tenham condições de sobreviver.
Um deles declarou: - “Eu sou a favor do direito da mulher de escolher se quer ou não interromper a gravidez”, ressaltando que - “Nós fazemos a interrupção da gravidez, apesar de não ser legal. Eu pessoalmente assumo isso”. Logo adiante, o Dr. Nubor Orlando Facure, em artigo bastante esclarecedor, demonstra com a sua conhecida capacidade profissional e moral os equívocos em que estão incorrendo muitos de seus colegas que defendem a prática do aborto eugenésico.

Opinião Espírita

Uma vez mais, a antiga polêmica sobre a existência da alma humana e o momento de sua criação em relação ao corpo confunde a ciência, a religião e a filosofia tradicionais. Com efeito, os materialistas acham que o homem é um conglomerado de células, cuja vida flui do berço ao túmulo e nada mais; a religião dogmática acha que Deus cria a alma no momento mesmo da concepção ou meses depois desse fenômeno fisiológico; e a filosofia assume a posição correspondente ao idealismo de seus adeptos.
Parece que eles insistem em ignorar a verdade revelada pela Doutrina Espírita, mostrando que o homem não é um corpo de matéria orgânica animada, e sim um espírito eterno, usando ocasionalmente uma aparelhagem psicossomática para a evolução. Desse modo, para o Espiritismo, a malformação do feto está ligada a débitos anteriores da entidade reencarnante, com o prévio conhecimento dos pais no período de erraticidade (intervalo entre as existências corpóreas), ou mesmo durante o sono. Se o aborto eugênico for consagrado, será impossível a esses Espíritos endividados o acerto de suas contas com a lei divina ou natural.
Esse raciocínio não exclui o diagnóstico precoce e o tratamento do feto. Diante desse quadro, em nosso modo de entender, se a gestante de um filho portador de anomalia física e/ou psíquica não alcançar esses avançados progressos da medicina fetal, ou se, mesmo tendo alcançado, a criança nascer portando deficiências, está evidente que estamos diante de débitos anteriores, porque, se assim não fosse, Deus teria falhado no seu atributo de soberana bondade e justiça, permitindo o nascimento de criaturas informes ou monstruosas, enquanto outras nascem com plena saúde e vigor!
Assim, o aborto eugênico ou eugenésico não deve ser praticado em nenhuma circunstância e está correta a justiça humana em não permitir a sua realização, a despeito da pretensão de alguns materialistas de incluí-lo no rol dos abortos que não são criminosos nas reformas dos Códigos Penais do Brasil e do estrangeiro.


Eliseu F. Mota Jr. (**)

Extratos do livro: «O Aborto à Luz do Espiritismo: Não Matarás». Editora Espírita O CLARIM.

(**) Advogado e Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, e também leciona Direito Penal na Faculdade Municipal de Direito da cidade de Franca - SP

Fonte: Jornal Universo Espírita – ago/2004


domingo, 1 de agosto de 2010

OS CÉREBRES DESCULPISMOS DO "SÓ UM POUQUINHO"


"O vinho é escarnecedor e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio.(1)"

A questão da ingestão de alcoólicos é uma preocupação antiga. No Evangelho de Lucas lemos que "Ele [João Batista] será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte."(2)


O alcoolismo é um dos mais sérios problemas médico-sociais do mundo contemporâneo. Os especialistas se esforçam em buscar as matrizes cáusicas da questão, e dentre muitos outros fatores, destacam a gigantesca influência da propaganda bem produzida, veiculadas pela mídia, especialmente na televisão. As mensagens são fortíssimos apelos para a ingestão da bebida, que ficam impregnadas no subconsciente de telespectador desatento aos preceitos do equilíbrio.
Lembra Victor Hugo "no estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade. A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece. Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído."(3)
Conforme registra "Mundo Espírita" a propósito da alcoolomania no meio espírita há certos "líderes" espíritas que costumam justificar suas tragadinhas na vil taça com "infundados argumentos, como: todo mundo bebe; uns pouco goles não fazem mal; só bebo em ocasiões sociais; (...) beber moderadamente é até bom para a saúde..."(4)
Apesar dos danos que o Álcool provoca da estrutura fisiopsicossomática, existem aqueles especialistas" que alegam que o corpo físico necessita de pequenas quantidades dele. Ledo engano! isso é veementemente contestado pelos Drs. Edgar Berger e Oldmar Beskow, no livro intitulado: ESCRAVOS DO SÉCULO XX.
O alcoolista não é somente um destruidor de si mesmo, é também um veículo das trevas, ponte viva para as pontes arrasadoras do mal. Joanna de Ângelis nos ensina que a "pretexto de comemorações, festas e decisões, não nos comprometamos com o hábito da bebida. O oceano é constituído de gotículas, e as praias, de inumeráveis grãos. Libertemo-nos do chavão "HOJE SÓ", e quando impelidos a comprometimentos nocivos, não encampemos o célebre desculpismo "SÓ UM POUQUINHO", porquanto uma picada que injeta veneno letal, não obstante em pequena dose, produz morte imediata."(5) (grifos nossos)
A retórica permissiva do "inofensivo" drinque deve ser enterrada e jamais, sob nenhuma alegação, deveria ser exumada. Posto que tudo começa com o primeiro gole, depois vem a necessidade do segundo, do terceiro e assim por diante. Ainda sobre o editorial de "Mundo Espírita" se o espírita "conhece e faz-se de desentendido, é irresponsável que sofrerá as consequências da omissão em sua consciência profunda."(6)
Para o psicanalista Luis Alberto Pinheiro de Freitas, autor de "Adolescência, família e drogas" (Editora Mauad), a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção:- Há o mito de que a maconha leva os jovens a outras drogas. Mas é o álcool que faz esse papel. E a própria família incentiva o consumo. Tenho pacientes que começaram a beber quando o pai, orgulhoso do filho que virava homem, os chamava para drinques. (7)
Os índices cresceram de 25% a 30% nos últimos cinco anos, segundo o psiquiatra Frederico Vasconcelos(8) "pesquisa sobre consumo de álcool entre jovens, pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas (Cebride), da Unifesp. Para ele os jovens de hoje têm muitas dificuldades com limites e a faixa etária do abuso de álcool diminuiu. Há dez anos, o alcoólatra de 40 anos começava a beber aos 17 ou 18 anos. Hoje, aos 12 ou 13. Isso significa que, daqui a dez anos, teremos alcoólatras graves de apenas 35 anos, no auge da vida produtiva.
Vasconcelos atesta que o "álcool gera uma doença de longa evolução (dez anos em média) e o abuso entre jovens os leva a drogas maiores: - Uma delas é o ecstasy, encontrado em dois tipos de pastilha: a MAP( meta-anfetamina) e a MDMA (metil-dietil- MA), esta com propriedades alucinógenas e ambas vendidas a R$ 50 cada, nas boates da Zona Sul e da Barra da Tijuca. O adolescente se expõe hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool."(9)
Lamentavelmente, em nosso País se consome cerca de dois bilhões de litros de pinga e mais de cinco bilhões de litros de cerveja por ano. Segundo o Dr. Josimar França, membro da Faculdade da Ciência e Saúde da UnB (Universidade de Brasília), no Distrito Federal existem mais de cem mil alcoolistas e boa porcentagem desse universo é constituído de jovens com menos de 17 anos de idade. Josimar atesta que o alcoolismo é o mais importante problema de saúde pública no Brasil.
Retornando ao "Mundo Espírita" é muito bem ressaltado que "o espírita equivocado [esquece] de que nem tudo o que é comum na sociedade é normal, aconselhável. Para esse, há uma Doutrina dos Espíritos para o discurso de conveniência e outra doutrina para sua prática pessoal [espiritismo particular]. É adepto da aberração: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço."(10)
Ante o desculpismo que procura arrazoar o hábito de beber ouçamos uma lenda que um dia vi num calendário com frases e pensamentos orientais:
Um homem chega ao líder de sua religião, que proíbe a bebida e indaga:
- Grande mestre, as uvas são proibidas?
- Não.
- E o suco de uva é contra a nossa religião?
- Absolutamente.
- E se as uvas fermentarem na água seremos culpados?
- De jeito nenhum.
- Pois ao fermentar, elas produzem o vinho. Por que é pecado então bebê-lo?
- Bem, respondeu o Grande mestre, - se eu lhe atirar um punhado de terra à cabeça, não lhe farei mal algum!.
- Claro!
- Se lhe jogar água misturada com terra, também não o ferirei!..
- Certo!
- Mas se eu pegar nesse punhado de terra misturado com água e o meter no forno para cozimento, transformando-o num tijolo e o atirar na sua cabeça que será que pode acontecer ?....
Todos os círculos da existência, para se adaptarem aos processos da educação, necessitam do esforço continuado (disciplina), porque todas as conquistas do espírito se efetuam na base de lições recapituladas. Hahnemann ensina que "homem não se conserva vicioso senão porque quer permanecer vicioso; aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso."(11)


Jorge Hessen
E-Mail:
jorgehessen@gmail.com
Site:
http://jorgehessen.net

FONTES:
1- Provérbio de Salomão cap 20:1
2- Lucas 1:15 e 7:33
3- Franco, Divaldo Pereira. Calvário de Libertação - ditado pelo Espírito VICTOR HUGO , 1a. Ed. ALVORADA, 1979
4- Jornal Mundo Espírita da Federação Espírita do Paraná, julho/2002, pg.03- Editorial.
5- Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis 1a. Ed. Ed FEB, RJ: 1983
6- Cf. Jornal Mundo Espírita da Federação Espírita do Paraná, julho/2002, pg.03- Editorial
7- Revista "Época" de 29 de julho de 2002, (Marcia Cezimbra, jornal O Globo)
8- Frederico Vasconcelos, psiquiatra, coordenador da Aldeia Clínica e homenageado pelo presidente Fernando Henrique no mês passado, juntamente com a autora Glória Perez, por seus trabalhos de prevenção às drogas.
9- Revista "Época" de 29 de julho de 2002, (Marcia Cezimbra, jornal O Globo)
10- Cf. Jornal Mundo Espírita da Federação Espírita do Paraná, julho/2002, pg.03- Editorial
11- Kardec, Allan, Evangelho Segundo o o Espiritismo, mensagem de Sammuel Hahnemann, Cap 9 Ed. FEB, RJ 2000


imagem: www.osdeusesdevemestarloucos.com

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails