domingo, 4 de abril de 2010

ESPIRITISMO E FILOSOFIA


O nome filosofia vem do grego e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio, “é um estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.

O filósofo era na antiguidade o representante da busca pelo saber. E o que ele estudava? No entender dos filósofos: “tudo”. A Filosofia é um estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico, a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.

Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de pesquisa da verdade.

O método em sua essência se utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros, para compreendê-los melhor.

A Filosofia não está voltada para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e por extensão, a verdade em si mesma.

Apesar de todas as coisas serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência, estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei moral, da virtude e da felicidade); A Teologia (da existência e natureza de Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia (a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).

As teses fundamentais que integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as principais categorias filosóficas.

A Filosofia Espírita apesar de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico. Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. Primeiramente, o Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências, trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”, possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de baseada na ética cristã.

Para Jon Aizpúrua (2000) o Espiritismo é:

  • Uma filosofia deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa primária de todas as coisas;
  • Uma filosofia espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
  • Uma filosofia evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo, presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem espiritual;
  • Uma filosofia científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano e as suas necessidades no centro de suas atenções.

Devemos nos lembrar que a Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):

“Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiais.”

Jorge Cordeiro

Bibliografia:

Aizpúra, Jon (2000). Os fundamentos do espiritismo. São Paulo, CEJB.

Ferreira, Aurélio (1999). Novo Aurélio – século XXI. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

Kardec, Allan (1995). O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB.

Mondin, B. (1987). Introdução à Filosofia. São Paulo, Edições Paulinas.



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sexta-feira, 2 de abril de 2010

MUITAS FORMAS DE CÂNCERES TÊM SUA GÊNESE NO COMPORTAMENTO MORAL


Recentemente, na Califórnia, nos Estados Unidos, Hannah Powell-Auslam, uma menina de 10 anos de idade, foi diagnosticada com câncer de mama, um caso considerado, extremamente, raro (carcinoma secretório invasivo). Os médicos fizeram uma mastectomia, mas o câncer se espalhou para um nódulo e Hannah terá que passar por outra cirurgia, ou por tratamento de radioterapia. Outro caso instigante é o das duas gêmeas idênticas britânicas, diagnosticadas com leucemia, com apenas duas semanas de intervalo. O drama das meninas Megan e Gracie Garwood, de 4 anos, começou em agosto de 2009. "Receber a notícia de que você tem três filhos e dois deles têm câncer é inimaginável", afirmou a mãe das meninas. "Você fica pensando o que fez para merecer isso". Câncer é uma palavra derivada do grego "karkinos", a figura mitológica de um caranguejo gigante, escolhida por Hipócrates, para representar úlceras de difícil cicatrização e que, ao longo do tempo, consagrou-se como sinônimo genérico das neoplasias malignas. Há mais de cem tipos diferentes de câncer, que variam, ao extremo, em suas causas, manifestações e prognósticos.

Diferentemente do câncer em adultos, em que se leva em conta aspectos do comportamento como fumo, alcoolismo, alimentação, sedentarismo e exposição ao sol, a medicina, ainda, não conseguiu estabelecer os verdadeiros fatores de risco do câncer pediátrico. Os casos de Hannah Powell-Auslam, Megan e Gracie Garwood bem que podem entrar nas estatísticas brasileiras do câncer infanto-juvenil, que atinge crianças e adolescentes de um a 19 anos. Segundo pesquisa divulgada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pela Sobop (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica), o câncer é a doença que mais mata os jovens, na faixa dos cinco aos 18 anos, no Brasil. Pesquisa indica o surgimento de, aproximadamente, 10 mil casos de câncer infanto-juvenil, a cada ano, no Brasil, a partir do biênio 2008/2009. O agravante é que o câncer, nos adolescentes, costuma ser mais agressivo do que nos adultos, e é mais difícil de ser diagnosticado, segundo Luiz Henrique Gebrin, Diretor do Departamento de Mastologia do Hospital Pérola Biynton, em São Paulo (SP).

Será o câncer, então, uma obra do acaso, uma "punição divina" ou um "carma" do espírito? Hoje, à luz da Ciência médica, pode-se afirmar que o fator predominante da carcinogênese é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo, abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo, os quais são responsáveis por quatro, em cada cinco casos de câncer e por 70% do total de mortes. Os cânceres por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais, são menos de 5% do total.

A experiência corrobora, pois, que o câncer é uma enfermidade, potencialmente, "cármica". Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos premia com a saúde ou corrige com a doença, de acordo com nossas ações. A criança de hoje foi o adulto de antanho. "O corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, reflete o corpo mental, detentor da forma". (1) "Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem, trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia obscura; os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose ou do pênfigo; os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos cistos pulmonares; os que se enforcaram carreiam consigo os dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil; os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo, e os que se atiraram de grande altura reaparecem, portando os padecimentos da distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa." (2)

"A cura para o câncer não deverá surgir nos próximos dez anos" (3) é o que afirma o articulista da Revista Time, Shannon Browlee. Talvez os cientistas nunca encontrem uma única resposta, um único medicamento capaz de restaurar a saúde de todos os pacientes com câncer, porque um tumor não é igual ao outro. Os espíritas sabem que não existem doenças e sim doentes. Em verdade, "todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação." (4) Apesar dos consideráveis avanços tecnológicos, em busca do diagnóstico precoce e do tratamento eficaz, a Medicina e a Ciência, em geral, estão, ainda, distantes de dominarem o comportamento descontrolado das células neoplásicas.

Obviamente, não precisamos insistir na busca de vidas passadas para justificar o câncer: As estatísticas demonstram grande incidência de câncer no pulmão, em pessoas que fumam na atual encarnação. Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano atual, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças. "O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia." (5) O ódio, o rancor, a mágoa, a ira são tóxicos fulminantes no oxigênio da saúde mental e física, consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças. São "agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida" (6)

Falando sobre doença cármica, "o câncer pode, até, eliminar as sombras do passado, mas não ilumina a estrada do porvir. Isso depende de nossas ações, da maneira como arrostamos problemas e doenças.

Quando a nossa reação diante da dor não oprime aqueles que nos rodeiam, estamos nos redimindo, habilitados a um futuro luminoso. "Quando nos rendemos ao desequilíbrio ou estabelecemos perturbações em prejuízo contra nós (...), plasmamos nos tecidos fisiopsicossomáticos determinados campos de ruptura na harmonia celular, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade e, conseqüentemente, toda a zona atingida torna-se passível de invasão microbiana." (7) Outra situação complicada é o aborto que "oferece funestas intercorrências para as mulheres que a ele se submetem, impelindo-as à desencarnação prematura, seja pelo câncer ou por outras moléstias de formação obscura, quando não se anulam em aflitivo processo de obsessão." (8)

O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença. Isso influenciará no sistema imunológico. Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas.

Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus, pois nosso bálsamo restaurador da saúde é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é o médico das nossas almas enfermas.


FONTES:
(1) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos , ditado pelo espírito André Luis 15ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997.
(2) Xavier Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, Rio de Janeiro: 11ª Edição Ed. FEB - (Mensagem psicografada por em reunião pública de 03/07/1959)
(3) Transcrita em um caderno especial na Folha de São Paulo de 4 de novembro de 1999
(4) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000
(5) Franco, Divaldo. Receita de Paz, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 1999
(6) FRANCO, Divaldo Pereira. O Ser Consciente, Bahia, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993
(7) Artigo "Uma Visão Integral do Homem", Grupo Espírita Socorrista Eurípides Barsanulfo, disponível no site http://www.geocities.com/Athens/9319/chacras.htm, acessado em 25/04/2006
(8) Xavier Francisco Cândido e Vieira Waldo. Leis de Amor, São Paulo: Edição FEESP, 1981



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terça-feira, 30 de março de 2010

HEREDITARIEDADE E ESPIRITISMO


Iaponan Albuquerque da Silva

Na intimidade do átomo, molécula ou célula, dos reinos mineral, vegetal ou animal, vige a grandiosidade da Inteligência Divina, plasmando a organização do Micro ao Macrocosmo, pacientemente provando a presença de DEUS em toda a Criação.

I - INTRÓITO

É fato comum a todos nós o sabermos da existência de pequenas vilas, de cidades agitadas pelo labor de seus habitantes e de verdadeiras megalópolis, estas últimas frutos diretos das multifárias atividades humanas, com as quais buscam freneticamente a satisfação dos seus mais variados intentos.

De modo geral, atores e participantes desses redemoinhos humanos dificilmente se apercebem da necessidade absoluta de se ligarem ao Pai Criador, nele buscando paz íntima, reconforto espiritual ou orientação para seus destinos.

A dinâmica da vida, a busca pela supremacia, o desejo de ganho muitas vezes transfundindo-se em ambição desmedida, a preocupação de parecer e aparecer ao invés de simplesmente ser, levaram o homem da craveira comum a investir em si mesmo, e a desprezar o contato com DEUS.

Triste miopia espiritual que vem afetando grande parte da Humanidade.

Não há tempo para que seja divisada, em tudo e em todos, a augusta presença de DEUS - poderosa e imanente - conclamando-nos à compreensão de suas Leis.

A geração de hoje é resultado de inúmeras outras de antanho, que se perdem na diáfana noite dos milênios sem fim, sempre constantes em sua morfologia somática, formando uma cadeia inumerável de populações, que a despeito de suas mais desencontradas metas e modus vivendi, guardam sempre a condição primordial de serem catalogadas como seres homo sapiens.

A partir dessa classificação antropológica, que caracteriza e entroniza cada um de nós como detentor da Razão, conseqüentemente rei no Plano Criado, não seria absurdo, posto que necessário, o dever de nos reportarmos aos chamados “mistérios da Criação”, especialmente à Genética, a fim de que nos compenetremos de que o ser vivente de hoje é o somatório de vários fenômenos proporcionados pela Natureza, para sua existência, permanência, mutação e evolução, através dos milênios.

II - A FILOSOFIA DA CRIAÇÃO

É clássico e notório o saber-se que a concepção no reino animal tem seu início na junção do espermatozóide com o óvulo feminino.

A fecundação reflete não somente a atuante e estuante força da Natureza, na busca de perpetuação da espécie, mas igualmente, e de forma inequívoca, a Lei Maior de DEUS, que através do automatismo, do desejo ou do amor, faz perpetuar as espécies, a fim de que elas se multipliquem e se aprimorem.

Sem dúvida, poderia parecer à primeira vista que a única finalidade da multiplicação dos seres seria a de cobrir a Terra de seres viventes, dando ensejo ao funcionamento das leis genéticas, incluindo, por exemplo, a prevalência do mais forte, através do processo seletivo.

Concepção multiplicação, mutação e seleção, todos esses fenômenos têm sido estudados exaustivamente, há séculos, para que melhor se conhecessem as leis que regem a Natureza.

Esforços ingentes, labores incalculáveis sempre buscaram insistentemente o porquê da Vida, seus mais difíceis e intrincados meandros, na permanente porfia entre a ignorância e o saber. Ignorância e saber humanos que se digladiam como feras acuadas ante a superioridade da Sabedoria Divina, que muitas vezes os pesquisadores negam, afoitos e presunçosos, erguendo altares ao seu próprio ego.

Todas as instâncias do saber humano periclitam em suas bases, sem o convívio permanente e necessário com o Hausto Divino.

A supremacia da Divindade é fato inconteste a estadear-se no Plano da Criação, do micro ao macrocosmo.

A esse respeito, cumpre-nos prazerosamente consultar “O Livro dos Espíritos” que, no capítulo III da 1ª parte - Da Criação - Formação dos Mundos, diz-nos:

“O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem”.

Mais adiante, de maneira genérica, ainda em “O Livro dos Espíritos”, em Formação dos seres vivos, como resposta à questão 43, responderam os Espíritos:

“No começo tudo era caos, os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo”.

Nesta incursão à gênese da Criação, feita de forma humilde e despretensiosa, sente-se a grandeza das Leis Divinas a coordenar fatos e princípios. Não há vácuo no Plano Criador.

O que se nos parece sem vida ganha cor; o estático aparente apenas mimetiza a dinâmica sempre atuante.

Ao leitor espírita ou espiritualista não há como conceber um Universo sem DEUS, ou o Acaso gerando formas e situações.

O Acaso é o nada e o nada não existe.

Eis porque é lógico, crível e até científico chegar-se à CRIAÇÃO, com DEUS a presidi-la.

Na publicação “Ciência Ilustrada” da Editora Abril Cultural Ltda., sob o título O homem descobre o Mundo, que versa sobre a matéria “Ciência é saber ver um Universo claro e exato”, deparamos com bela foto de uma esponja que na simetria do seus esqueleto “fixa o padrão de sua espécie”. “Na simetria do 'esqueleto' da esponja da foto, o padrão da espécie está indelevelmente fixado.

Em cada geração a mesma forma se repete graças aos mecanismos genéticos.

Compreender uma estrutura conhecer suas leis gerais é também fazer Ciência”.

A cada passo, ante a imensidade daquilo que foi desvendado no campo da Ciência, e diante do que falta desvendar, vê-se claramente - como numa operação matemática - a presença de DEUS e a negação do acaso.

A Doutrina dos Espíritos, que é Filosofia, Ciência e Religião, traz em seu bojo salutares esclarecimentos, que não infirmam as descobertas científicas, antes as iluminam e ampliam, imprimindo-lhes o sinete da Presença Divina em tudo e em todos.

Compreende-se de uma vez por todas, que a Criação não é obra do Acaso, que o vazio nela não existe, e que os reinos mineral, vegetal e animal se agitam e reproduzem, mercê de Leis Sábias e absolutamente equânimes, com vistas ao povoamento e perpetuação das espécies em todos os departamentos do Planeta.

III - HEREDITARIEDADE: APENAS UMA LEI DA NATUREZA?

Alguns menos avisados hão de querer julgar que ao Espiritismo e aos espíritas faltam-lhes o mediano senso de crítica, responsável por uma análise mais perfeita dos fatos, das pessoas e das coisas.

Dentre os que seriamente aderiram ao Espiritismo, desde a sua origem, encontram-se dos simples operários aos homens notáveis pelo saber e pela cultura.

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“Na Doutrina Espírita aprendemos a amar, mas igualmente a estudar, para enfrentarmos a Razão face a face”

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Quem conhece a História do Espiritismo sabe muito bem que, afastado o aspecto burlesco das comunicações iniciais das mesas girantes e falantes, ficou a mensagem, a seriedade, aquilo que fala à alma e ao coração, a sapiência sem peias, e, junto a tudo isso, a nata da inteligência francesa, sem sombra de dúvidas, protagonizada no mestre lionês - Hippolyte León Denizard Rivail (Allan Kardec) e todos os que àquela altura o acompanhavam, conquistando a Doutrina dos Espíritos - mais adiante - inúmeros cidadãos de invejável cultura que a História registra como marcos inconfundíveis de grandes vitórias (vide a obra de “Allan Kardec”, em 3 volumes, autoria de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, Editora FEB). Essa obra é, inquestionavelmente, uma extraordinária e meticulosa pesquisa bibliográfica.

Ser espírita, portanto, não é somente ser deísta, crer na imortalidade da alma, admitir-lhe as comunicações, modificar-se interiormente, mas, de igual maneira, buscar a Verdade através do Saber.

Na Doutrina Espírita aprendemos a amar, mas igualmente a estudar, para enfrentarmos a Razão face a face.

O fanatismo pode rondar os nossos arraiais, mas não os penetra, pois dele somos a própria antítese.

Eis por que nem sempre andamos de mãos dadas com certas afirmações que, a despeito de serem consagradas, respeitamo-las, mas não as endossamos.

Vejamos, por exemplo, o problema da Hereditariedade, capitulado no campo da Biologia, mais especificamente na Genética.

Transcreveremos do ótimo livro didático “Biologia Moderna” (Maria Luiza Beçak e Willty Beçak - volume 2 - Livraria Nobel S.A. - 1975), o que se lê na página 11, encimado pelo subtítulo Herança e Meio:

“Um dos problemas mais antigos em Biologia é o estudo das causas fundamentais, que condicionam a grande variabilidade existente entre os seres vivos. Plantas e animais apresentam grande variedade de caracteres relacionados à cor, tamanho, forma e atividades fisiológicas.

As causas fundamentais que condicionam a variabilidade biológica são a hereditariedade e o ambiente. Genética é a ciência que estuda as semelhanças e as diferenças entre seres vivos e as suas causas. É a ciência que estuda a hereditariedade e o ambiente. (...)

Resultando os caracteres tanto da influência de herança, como do ambiente, a hereditariedade não implica que os filhos sejam necessariamente idênticos aos pais. Indivíduos com igual patrimônio hereditário poderão ser diferentes, quando se desenvolvem em meios diversos. (...)

JOHANNSEN, em 1911, propôs o termo "genótipo” para designar a constituição hereditária, (...) e “fenótipo” para designar a aparência de um indivíduo, ou seja, a soma total de suas peculiaridades de forma, tamanho, cor, comportamento externo e interno. (...)

O que o indivíduo herda é o genótipo e não o fenótipo."

De posse dessas informações, fica o indivíduo que somente deseja saber, restrito ao aspecto meramente didático e prático, ciente de que somos, inapelavelmente, no campo físico, o somatório de contingências hereditárias, aliadas aos problemas de meio ambiente, etc. Enfim, herdamos por genotipia e nos modificamos através de processos outros, que nos levam à fenotipia.

Em que pese o nosso mais profundo respeito por todas essas conceituações científicas, grande parte delas irrefutáveis, cumpre-nos lembrar que não podemos encarar o problema da hereditariedade somente sob o frio aspecto com que ele nos é mostrado pela Ciência. Há que se perquirir, perguntar, estudar, levantar hipóteses acerca do fenômeno da hereditariedade, que está inserido no Plano da Criação Divina.

Exatamente aí, neste campo em que se cruzam os fatores materiais e espirituais, é que está o cerne da questão.

Ocorre que, ao sermos informados por aqueles que residem no Além, vemo-nos obrigados por uma questão de consciência, a expender conceitos que nem sempre se afinizam com outros já conhecidos e consagrados. No caso em apreço, sem dúvida, é a Ciência Espírita em ação.

Sobre hereditariedade, herança morfológica, etc., vale lembrar ensinamentos valiosos de André Luiz, médico que foi na Terra, ora vivendo no Plano Espiritual, em sua obra “Evolução em dois Mundos”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira editado pela FEB.

À guisa de antelóquio dessa obra, sob o título Anotação, ensina-nos Emmanuel:

"O Apóstolo Paulo, no versículo 44 do capítulo 15 de sua primeira epístola aos coríntios, asseverou, convincente:

-Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”.

Ao espírita não há como fugir à conceituação da existência do corpo animal e do corpo espiritual, sendo que aquele é posterior ao segundo.

A existência do Espírito eterno, imortal, e sua configuração perispirítica, profundamente estudada nas obras espíritas, faz-nos atentar para o fato de que a vida, ou seja, o ser configurado sob as vestes carnais, não é somente reflexo de leis naturais fixadas sob o império da hereditariedade.

Cada indivíduo, cada ser vivente, deixa os estreitos limites onde é analisado, para surgir como junção de dois elementos - corpo e espírito – distintos porém entrelaçados, agindo e reagindo reciprocamente.

Na obra “A Evolução Anímica”, de Gabriel Delanne, encontramos esta jóia de informação científica, que bem explica a junção espírito-matéria e suas conseqüências, sob o título A utilidade fisiológica do perispírito:

“Estabelecemos de princípio, por experimentações espiríticas, que os Espíritos conservavam a forma humana e isto não só por se apresentarem tipicamente, assim, como porque o perispírito encerra todo um organismo fluídico-modelo, pelo qual a matéria se há de organizar, no condicionamento do corpo físico”.

Consultando-se a citada obra “Evolução em dois Mundos”, cuja leitura recomendamos, nela encontraremos resposta adequada à extensa linha de quesitos que se possa propor, enfocando corpo e espírito. A bem da verdade, essa obra é um extraordinário vade-mécum a quem desejar conhecer a gênese dos Espíritos, e, conseqüentemente, da matéria.

Nela se aprende que o chamado “elo perdido”, que medeia entre formas rudimentares do ser vivo e outras mais adiantadas foi resultado da intervenção dos Mentores espirituais na alteração psicossomática de formas que viveram na Terra, dando prosseguimento ao Plano Criador, sempre se justapondo o corpo carnal à matriz espiritual.

IV - A QUESTÃO DA HEREDITARIEDADE PSICOLÓGICA

Levantamos aqui uma propositura, que nos parece bem interessante, sobre a questão da hereditariedade e psicologia humanas.

É exatamente aí, e mais do que nunca nesta questão, que se sente a presença do Espírito, agindo e reagindo, atestando-se fruto de si mesmo, segundo a já citada afirmação do Apóstolo Paulo. É a presença inequívoca do Espírito no Plano da Criação.

Subtraindo-se às injunções de todo o processo genético, desde a fusão do espermatozóide com o óvulo até às linhas cromossômicas, que tipificam morfologicamente o ser, permanece imune a presença do ser espiritual, na sua caminhada evolutiva em busca da Luz e da Perfeição.

Atado mas não escravo, resguardando suas características próprias, ele (O Espírito) busca sua movimentação própria no que concerne ao psiquismo, dando margem à formulação de questionamentos a seu respeito.

A sua presença, que guarda certa independência, há de espantar aqueles que tudo julgam sob o critério único do imediatismo fisiológico.

Dentro da literatura espírita são clássicas e inúmeras as citações a respeito do problema da hereditariedade, principalmente a de origem psicológica. Vejamos algumas.

Na obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, autoria de Léon Denis, no capítulo XV, que trata das vidas sucessivas, das crianças-prodígio e da hereditariedade, encontramos:

“Podem-se considerar certas manifestações precoces do gênio como outras tantas provas das preexistências, no sentido de serem uma revelação dos trabalhos realizados pela alma em outros ciclos anteriores. (...)

Cada encarnação encontra, na alma que começa vida nova, uma cultura particular, aptidões e aquisições mentais que explicam sua facilidade para o trabalho e seu poder de assimilação, por isso dizia Platão: 'Aprender e recordar-se'."

Seguem-se, na mesma obra, inúmeras citações que comprovam, à saciedade, que o ser espiritual preexiste à matéria, mantém suas características de evolução, e foge aos liames da “ditadura escravizante” das leis genéticas, estereotipadas na hereditariedade. Esta, se é total na genotipia e quase o é na fenotipia, deixa de sê-lo no campo psicológico.

O Espírito não é fruto da carne.

Após essas oportunas e esclarecedoras afirmações, não há como contestá-las, mas apenas referendá-las, sob a ótica da Filosofia e Ciência Espíritas. Vai-se fechando, dessa maneira, o elo necessário à grande corrente do Saber Espiritual, que nos aponta a existência e preexistência do Espírito, a manifestar-se no jogo da vida sem clausura total nas leis da reprodução.

Aproveitando a idéia de tempo que nos veio à mente, é de se notar que os Espíritos de Luz, fiéis mensageiros do Senhor, continuam insistindo na tese contrária à legitimidade de uma herança psicológica.

A Federação Espírita Brasileira, através de seu Departamento Editorial, publicou em 1989 a obra “Temas da Vida e da Morte”, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo Pereira Franco, na qual encontramos matéria alusiva à hereditariedade psicológica, inserida sob o título Tendência, aptidões e reminiscências:

"É evidente que os processos da reencarnação se fazem mediante as leis de afinidade espiritual, por impositivos anteriores, o que resulta em identificações e choques nos clãs, onde se reencontram seres simpáticos, ou adversários que o berço volta a reunir. (...)

As aptidões e tendências só raramente correspondem às leis de hereditariedade, especialmente hoje, quando as opções para a conduta e a ação se fazem um leque imenso de possibilidades, ensejando a identificação do homem com suas próprias realidades. (...)

Eis por que as tendências, as aptidões humanas, sem descartar-se a contribuição dos genes e cromossomas, procedem das experiências do passado, em que o espírito armazenou valores que lhe pesam na economia evolutiva como poderosos plasmadores da personalidade, da inclinação para uma como para outra área de conhecimento, para a vivência da virtude ou do vício."

Eis considerações exatas, perfeitas e atuais, sobre o assunto em tela, enumeradas do Plano Espiritual.

Um fato nos preocupou seriamente: o da longevidade das informações.

Mas como já ficou claro que o tempo não passa em vão, e é iconoclástico como sempre o foi, ele poderia ter derrubado antigos mitos e opiniões. Veja-se, por exemplo, essa nota da Editora da FEB (1952), inserida antes do índice da obra “A Evolução Anímica”, de Gabriel Delanne, onde o Autor trata da Hereditariedade Psicológica:

“Devemos lembrar ao leitor que esta obra foi publicada em 1895. Muitos conhecimentos científicos aqui expostos sofreram, no correr dos anos, sua natural transformação e progresso, o que, entretanto, não invalidou o vigor e a firmeza dos conceitos espiritistas emitidos pelo Autor, mas, antes vieram afirmá-los cada vez mais”.

Compulsando ambas, a nota editorial e a mensagem da obra “Temas da Vida e da Morte”, deixamos para trás nossas preocupações sobre a possibilidade de serem longevos ou ultrapassados os estudos espíritas sobre o assunto Hereditariedade, mais especificamente Hereditariedade Psicológica.

Considerando-se que, há cerca de um século, os Espíritos iluminados mantêm o mesmo pensamento sobre o assunto, há que aceitá-lo como certo.

Com Kardec aprendemos que a “universalidade dos ensinos” dá-nos a certeza da veracidade.

No caso em apreço, verifica-se que Delanne fez publicar sua obra em 1895, na qual apreciou a hereditariedade psicológica, e hoje, um século após os conceitos espíritas por ele emitidos, são corroborados na obra “Temas da Vida e da Morte”, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda.

Em face dos nossos limitados conhecimentos, cremos não haver mais nada a acrescentar ao tema em estudo.

Os Espíritos de Luz, Vanguardeiros da Eterna Verdade, continuam nos alertando para a necessidade de amarmos e estudarmos.

E certo será que burilando-nos internamente no campo das Virtudes, e estudando, por certo chegaremos à meta a que nos propusemos.


Referências Bibliográficas:

(Pela ordem de apresentação do trabalho.)

- KARDEC, Allan. O Livros dos Espíritos, parte 1ª, Cap. III, Formação dos

Mundos, 79ª ed. Rio de Janeiro; FEB, 1997, 495p., pp. 64-65.

- Ibidem, questão 43.

- Ciência Ilustrada, Editora Abril Cultural Ltda., 1969, p. 11.

- BEÇAK, Maria Luiza e BEÇAK Willy, Biologia Moderna, volume 2, Livraria

Nobel S.A., 1975.

- XAVIER, Frnacisco C, e VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos, pelo

Espírito André Luiz, 15ª ed. Rio de Janeiro. FEB, 1997, 224p.

-DELANNI, Gabriel. A Evolução Anímica, 8ª ed. Rio de Janeiro; FEB,. 1995, 256p.,

p 37, Cap. I.

- DENIS, Léon .O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 19ª ed. Rio de Janeiro

FEB, 1997, 416p., p. 236.

DELANNE, Gabriel. A Evolução Anímica, 8ª ed. Rio de Janeiro; FEB 1995, 256p.,

pp. 230-231.

FRANCO, Divaldo Pereira. Temas da Vida e da Morte, pelo Espírito Manoel

Philomeno de Miranda, 4ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1996, 160p., pp. 42-43.

Fonte: Revista Reformador – julho/1998


ENDEREÇO: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2019.html
IMAGEM: karina15fabio14marta.blogspot.com



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