quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ANSEIOS DA CIÊNCIA


Dr. Jorge Andréa

O grande impulso da ciência foi dado pela civilização ocidental, no último século do 2.° milênio d.C. A posição material muito contribuiu para estudos e análises dos fenômenos; realmente houve uma pesquisa reducionista, de perto observando a matéria. Entretanto, com o apuro científico, se foi observando que, além da matéria existia algo mais como que completando o fenômeno. Assim, projetou-se o dualismo (matéria e espírito) como elementos separados, correspondendo a seus próprios parâmetros.

Nos dias atuais o dualismo, bastante difundido no ocidente, não está satisfazendo os porquês que, aqui e ali, a ciência vai exigindo. Muitos fenômenos tem mostrado e como que revelando a impossibilidade de dissociação desses elementos (matéria e espírito) isto é, a necessidade da existência de um campo específico orientando e motivando a zona material, pertencentes à mesma fonte criadora. Assim vicejou a idéia monística, que já vem de longa data fazendo parte dos pensamentos orientais.

Devido as exigências do dualismo, com acendrada pesquisa reduclonlsta, existe um real cansaço no pensamento ocidental, que se acentua pela insistente idéia de que as leis e a fenomenologia mais avançada serão reveladas na exclusiva pesquisa material. Por isso, algumas correntes de pensamento entendem que há necessidade do ocidente lançar as suas sondas para o oriente monístico, a fim de colher idéias e modelos psicológicos intuitivos. Tais modelos já foram bem ventilados, na antiga Grécia, por Pitágoras, Sócrates, Platão e muitos outros, inclusive Heráclito, cujos trabalhos filosóficos foram propostos e sedimentados numa posição de unicidade, onde as forças opostas da vida estariam subordinadas ao equilíbrio do Logos; isto é, Heráclito percebeu a necessidade de existência de um elemento orientador de características psicológicas nos campos da vida.

O sentido dualista, no século XVII, tomou posição com Descartes que Ihe deu reinado no cenário da vida. Já era coisa boa, porquanto nesta época falava-se, acatava-se e defendia-se exclusivamente a posição espiritual com forte teor de misticismo. Entretanto, a ciência, com a visão mecanicista do universo, avançou com as elaborações de Isaac Newton, que praticamente dominou a ciência por todo século XIX e metade do século XX. De meados do século XX para cá houve um chamamento de unicidade, fazendo ressaltar no estofo científico a necessidade do pensamento monístico como uma das fontes promissoras do conhecimento.

A ciência, com suas novas exigências, está procurando seguir o caminho unicista, embora, aqui e ali, com seu racional sempre alerta, afasta-se um pouco do processo intuitivo. Esses dois modelos, o racional e o intuitivo, são úteis e necessários. Utilizar uma única trilha é bem difícil, pela exigência de adequação calcada na seleção de experiências. O modelo racional limita-se a um fato separado dos demais; no modelo intuitivo a visão é de conjunto. Neste último, o freio da consciência está quase sempre presente por não conseguir acompanhar o processo de largos horizontes, propiciando, muitas vezes, perda de contato.

Acreditamos no campo científico, na unificação do racional com o intuitivo como uma real exigência da evolução do pensamento, isto é, do psiquismo humano. O exagero de apreciação, tanto no modelo reducionista quanto o intuitivo, nos levam a extremos desconfortáveis. Foi o que aconteceu com muitos grupos humanos orientais que se hipertrofiaram em conduta mística sem os devidos suportes. Por sua vez, o ocidente se foi afogando no excesso de endeusamento das técnicas materiais.

Grande parte do oriente e ocidente estão desejosos de encontrarem o ponto de equilíbrio, buscando a unidade. A fim de que haja crescimento de nossa civilização, terá de haver unicidade em todas as proposições, onde o ideal como fonte criativa será a bandeira do entendimento.

A física moderna, com suas pesquisas, chegou à conclusão de muitos conceitos orientalistas pregressos, embora reveIados de modo simbólico. O que observamos, com nossos padrões científicos, nas coisas, não é o próprio território e sim pequenas partes de seu mapa, onde os conceitos serão compreensivelmente limitados e longe da realidade. Bem claro que os nossos métodos e modelos científicos são importantes para focalizarmos a pesquisa, embora não representem a trilha definitiva. Assim é que a criação do conceito espaço-tempo, na teoria da relatividade, foi a grande viga mestra científica dos tempos atuais na elucidação de muitos porquês. Certas escolas orientais não dão importância que os ocidentais possuem sobre as figuras geométricas representativas dos campos materiais; eles estão mais ligados nas razões do espaço-tempo refletindo verdadeiros e autênticos "estados particulares de consciência", donde ressaltam inusitadas percepções. As experiências meditativas do oriental, atingindo estados dimensionais diversos, de acordo com a evolução que cada qual possui, assemelha-se, até certo grau, às razões da física moderna (F. Capra).

Os campos dimensionais atômicos, mostrando-se às expensas das partículas que lhes definem a natureza, seriam sustentados por desconhecidos campos dimensionais, refletindo-se em variadas e infinitas modalidades de vida. Cada dimensão refletiria o seu próprio modo de vida, sustentado por campos mais avançados, em cadeia, cujos dinamismos seriam acolitados pela essência divina—a reflexão do Deus Imanente—, onde seu ponto de irradiação-impulsão estaria no Infinito—o Deus Transcendente.

A vida não representa posição estática como algo, um ponto ou uma coisa a ser avaliada; é um estado de contínua mutação dinâmica. Nada se encontra parado. As interações são imensas dando origem aos fenômenos que não são objetos ou pontos, mas um movimento contínuo que tentamos pará-lo para entendê-lo como alguma coisa.

A realidade última, que se perde fenomenicamente em manifestações diversas, é bem especificada no mundo oriental. Está representada pela palavra Brahman que é vida e dinamismo; está nos Upanishads, aquilo que se move e não tem forma. Os budistas referem-se a Dharmakaya (o corpo do ser) como sendo a qüididade; na China o Tao dos taoístas possui a mesma representação.

Dentro do mundo do átomo, onde vários modelos estão sempre em constantes mutações, a teoria da relatividade e dos quanta ainda representam conceitos valorosos e mesmo bases para muitas avaliações. Um modelo unicista tentando fornecer um pensamento de totalidade, como se fora um legítimo holismo, ainda está sendo muito questionado, apesar dos trabalhos realizados pelo grande físico Stephen Hawking. Uma coisa, entretanto, que vem da filosofia oriental a esbarrar na ciência dos nossos dias, como autêntico valor, é a inclusão da consciência humana como elemento essencial de adequação nas futuras teorias do mundo atômico; isto é, a influência do pensamento humano no mundo da matéria e das energias, de modo a participarem de um bloco de equilíbrio.

Visão de tal quilate só poderá ser abordada intuitivamente. A análise intelectual não possui lastros para esse entendimento por ter limites avaliativos. A física moderna ainda não conseguiu unificar a teoria quântica com a teoria geral da relatividade numa teoria quântica da gravidade, embora seja esse o caminho na opinião dos físicos teóricos de maior credibilidade.

A teoria quântica procura demonstrar o teor dinâmico, por excelência, das partículas atômicas traduzindo interconexões, onde estará presente e incluída a consciência humana do observador. O tecido cósmico é complexo e ainda pouco compreendido, embora o físico Geoffrey Chew, com seus modelos, esteja tentando uma posição que traduza o interrelacionamento dos eventos dinâmicos, onde uma parte qualquer seja o resultado do todo. Assim, não existem elementos fundamentais, sendo a estrutura da rede o intercâmbio coerente das inter-relações no campo ultramicroscópico do átomo. Logo, as partículas não representam elementos separados, mas ajustados padrões de energias em constante processamento dinâmico.

David Bohm criou a idéia de holomovimento, onde o todo pode ser encontrado numa das partes, embora sem detalhes; tudo isso, ligado a uma ordem que denominou de "ordem implícita", e que poderíamos denominá-la de "ordem espiritual" na intimidade dos fenômenos. Estes se organizam e se mostram diante a imposição do comando espiritual na estruturação dos elementos.

Muitos físicos e ainda poucos biologistas estão buscando e caminhando para o Espírito; aqueles por serem ambiciosos em seus vôos científicos, estes pela prudência e respeito às regras oficiais. A futura ciência estará intimamente relacionada ao Espírito, porquanto os fenômenos e fatos, sem exceção, estarão banhados e envolvidos em suas irradiações. O impulso espiritual funcionaria como estrutura organizadora; devido ser esta tão ajustada e seguindo caminhos bem adequados, mostrando ordem inteligente, propiciou a idéia dos físicos de considerarem o Universo como um "pensamento organizado". É como se existisse uma incontável cadeia PSI (degraus evolutivos), subordinada ao grande PSI Divino, caminhando sem cessar em busca do Infinito...


Fonte: Busca do Campo Espiritual pela Ciência – Jorge Andréa dos Santos.


endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1521.html
imagem:
planetanews.com


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

FLUIDOS I


Manoel Philomeno de Miranda

O dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, ao designar a fase não sólida da matéria, propõe a seguinte definição para o termo fluido: "o que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás".(l) Este conceito funcional é aperfeiçoado por André Luiz ao associar o termo fluido aos corpos "cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si quando retidas por um agente de contenção ou separando-se quando entregues a si mesmas".(2)

Estados de matéria mais dinâmicos que o gasoso foram trazidos à luz do conhecimento científico no ocaso do século passado e início do atual, com as descobertas de William Crookes, Roentgen e Marie Curie, ao desvendarem o mundo dos raios, ondas e vibrações que serviram de base às cogitações que se seguiram em torno de um Universo unificado em sua aparente diversidade, em que matéria e energia não passariam de estágios ou estados de uma só realidade a expressar-se através de campos energéticos, substâncias e corpos projetados no espaço infinito.

O conceito de fluido, que ressalta dos ensinamentos

apresentados pelos Espíritos Superiores que inspiraram a Codificação e ao próprio Allan Kardec, é a de tudo o que se relaciona com a matéria, da mais grosseira à mais diáfana, incluindo-se neste contexto estados que ignoramos, uma vez que ela pode ser tão etérea e sutil que nenhuma impressão nos cause aos sentidos (3) e susceptível de combinar-se ao fluido universal, sob a ação do Espírito, para produzir a infinita variedade de coisas de que apenas conhecemos uma parte mínima.(4)

Diz Léon Denis que essa matéria tornada imponderável, à medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de irradiação sempre crescente; torna-se, portanto, uma das formas de energia.(5)

Na condição de ser integral, composto de Espírito, perispírito e corpo somático, participante desse Universo onde tudo e todos interagem, o homem influencia e é influenciado de modo incessante, registrando com mais intensidade o campo daqueles seres de que mais carece para evoluir. Afina-se com pessoas e coisas, pensamentos e substâncias, variantes a cada fase evolutiva por onde transita.

Elementos mais sutis alcançam-no através do perispírito, tocando ou penetrando suas estruturas, onde passam a ser movimentadas. Dá-se uma espécie de "osmose" de natureza psíquica que pode determinar o surgimento de fatores equilibrantes e de progresso, ou constituir-se fonte de estagnação ou desordem.

Tão importante é o que se recebe quanto o que se produz. Quando o Espírito (encarnado ou desencarnado) se manifesta (pensando, agindo ou simplesmente existindo) todas as suas potências vibram, fazendo vibrar, por sua vez, o fluido cósmico, imprimindo neste alterações que lhe dão aspecto, movimento e direção.

As transformações que os seres inteligentes promovem na atmosfera fluídica que os envolve, tanto podem dar-se consciente quanto inconscientemente.

Sob o ponto de vista moral, os fluidos trazem a impressão dos sentimentos do ódio, da inveja, do ciúme, do orgulho, do egoísmo, da bondade, da benevolência, do amor, da caridade, da doçura, etc.; sob o ponto de vista físico, são excitantes, calmantes, irritantes, dulcificantes, tóxicos, reparadores, etc. Algo importante: embora demos nomes aos sentimentos (amor, ódio, inveja, ciúme) estes estados dalma não são iguais em cada um. Assim sendo, o amor de alguém ou a sua inveja não é igual ao amor ou à inveja de outrem. Daí podermos afirmar que os fluidos têm a marca pessoal e a característica própria de quem os carrega.

O perispírito dos encarnados, porque de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, em razão da lei de atração magnética, funcionando espontaneamente no instante do processo reencarnatório, adquire as características próprias de cada individualidade, conforme a moralização e os sentimentos de cada ser inteligente. Daí em diante vão sendo modificadas essas características de acordo com as ações praticadas, sutilizando-se ou adensando-se.

Em decorrência dessa realidade, existe uma facilidade de assimilação de fluidos por parte dos encarnados à semelhança da esponja quando se embebe de liquido. Esses fluidos têm sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quando por sua ação e por sua irradiação se confunde com a densidade deles.

Os fluidos se atraem ou se repelem conforme a semelhança de suas naturezas, dai a incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos.

Tais fluidos agem sobre o perispírito, e este, por sua vez, reage sobre o organismo material com o qual está em contato molecular. Se os seus eflúvios forem de boa natureza, ó corpo recebe uma impressão salutar; se forem maus, a impressão é penosa. Se os fluidos maus forem permanentes e enérgicos, poderão determinar desordens físicas. Certas moléstias não têm outra causa senão essa influência maléfica, causadora das chamadas enfermidades enigmáticas.

A fluidoterapia, nessas circunstâncias, obtém resultados admiráveis, quando a força fluídica, aplicada ao elemento enfermo ou desarmonizado, caracteriza-se pela abundância, qualidade e intensidade de fluidos provenientes de um magnetizador portador de bons sentimentos e ajudado por uma Entidade espiritual benfazeja.

Necessário ressaltar, ainda, que o êxito da terapia pelos passes depende da afinidade entre os fluidos do paciente e do magnetizador. Essa afinidade faz com que as pessoas sejam sensíveis à ação magnética de um indivíduo, e insensíveis a outro. É de bom alvitre, com base nesse fato, que se alternem os doadores de energias, encarregados da assistência a determinada pessoa.

Ainda, na questão dos fluidos, se faz necessária uma referência ao poder catalisador da água no tratamento fluidoterápico. A água fluidificada (pelos Espíritos ou por um magnetizador encarnado) é de resultado benéfico, quando utilizada pelo paciente, orando, pois que, dessa forma, ao ser ingerida, faz com que o organismo lhe absorva as "quintessências que vão atuar no perispírito, à semelhança do medicamento homeopático, estimulando os núcleos vitais de onde procedem os elementos produtores e regeneradores das células físicas, e onde, em verdade, se estabelecem os pródomos da saúde como da enfermidade, que sempre se originam no Espírito, liberado ou calceta.

BIBLIOGRAFIA:

Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda. Repetimos citação do Livro O Passe, de Jacob Melo
Evolução em Dois Mundos, André Luiz, cap. XIII, item Fluidos em geral
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, parte l~, cap. II,questão 22
Idem, idem, questão 27
No Invisível, Léon Denis, 2ª parte, cap. XV
A Gênese, Allan Kardec, cap. XIV
Sementeira da Fraternidade, Manoel P de Miranda/Divaldo P. Franco,cap. 15, Alienações por Obsessões
Terapia pelos Passes – Projeto Manoel P. Miranda – ed. Leal


endereço: http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=3601
imagem: internet



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PSICOLOGIA DA ADOÇÃO


Marcia Fuga*

Adotar uma criança não gerada biologicamente traz incertezas quanto ao seu desenvolvimento, preocupações com sua educação, mas também preenche uma lacuna dos pais adotivos, lacuna essa de poder amar e conviver com uma criança. Muitos são os conflitos internos desses pais quanto à criação desse filho adotivo; contar ou não sobre a adoção; como fazer isso; quando? Porém, nenhuma dificuldade pode sobrepor-se àqueles que adotaram de coração um filho, porque o laço de afetividade pura sobrepuja qualquer angústia momentânea, que é sempre uma oportunidade de aprendermos a amar mais.

A GESTAÇÃO EMOCIONAL DO FILHO ADOTIVO

Na maioria dos casos, a decisão de adotar uma criança decorre da impossibilidade de ter filhos biológicos. Essa impossibilidade pode ser do casal, ou exclusivamente de um deles. Um filho traz a sensação de valorização, a oportunidade de produzir coisas boas, de poder trocar afeto.

Quando o casal começa a conversar sobre a possibilidade de adotar uma criança, sobre as vantagens e dificuldades dessa atitude neste momento de suas vidas, eles passam a viver a etapa chamada de Gestação Emocional da adoção.

No decorrer desta espera que pode durar dias, meses, anos a ansiedade dos pais quanto ao aspecto físico da criança (sexo, cor de olhos e da pele, peso, etc.) e suas características emocionais, envolve as conversações entre os pais. Os temores quanto a herança biológica: doenças, mal formações; também fazem parte deste período.

Assim, o tempo que levaram desde o início da idéia de adoção até o seu florescimento (buscar a criança), corresponde a uma verdadeira gestação.

O momento de buscar a criança para trazê-la para casa eqüivale emocionalmente ao Parto: a expectativa de como será este encontro, como a criança é, como reagirá, desperta muita ansiedade. Nesta ocasião, que será de grande emoção, os pais poderão ter reações as mais diversas e confusas, tais como medo, insegurança, alegria, esses sentimentos também permeiam o universo dos pais biológicos quando têm seus filhos.

O Puerpério, período que dura mais ou menos 45 dias e corresponde ao pós-parto, é acometido de múltiplas emoções na qual a adaptação da criança aos pais se dá. Ao levar a criança para casa, os pais começam a praticar os cuidados com a criança, ou seja, alimentação, fraldas, troca de roupas, banho, etc. Durante esses cuidados diários a criança começa a adquirir o sentimento de pertencer àquela família, assim como os pais sentem que pertencem à ele. Todo esse manejo dá aos pais a sensação concreta que "criam" o filho, que ele é seu dependente e que precisa ser cuidado em tempo integral.

Nesse período, mais ainda quando o adotado é o primeiro filho do casal, os pais costumam sentir a responsabilidade de ter essa criança com eles, pode gerar dúvidas quanto ao erro ou acerto de tê-la adotado; pensam se vão sair-se bem nesta função, se são suficientemente bons, se estão preparados. Mas é também um período em que a vinculação entre pais e criança se estreita, onde o medo do abandono existe nos dois lados. Então, o menor gesto da criança de buscar auxilio dos pais representa a aceitação, daí todas as dúvidas são dissipadas porque aquela criança os reconhece como pais e os cativa. Os pais pensam "Nem lembramos que ela é adotada". "Para a criança o contato com os pais adotivos torna-os as pessoas centrais de sua vida"

PROTEGENDO O SEGREDO

Os pais adotivos que já "nem lembram" que seu filho é adotado, podem começar a ter em mente se devem ou não contar ao filho sobre sua origem. As dúvidas giram em torno de como contar, porque contar, como e quando!

O melhor modo de contar sobre a adoção é ter esse tema como um assunto que é "ventilado" naturalmente pelos pais desde o início do relacionamento com o filho. Não fazer desse assunto um tabu, um segredo a ser protegido.

A curiosidade da criança se acentua aos 3 anos de idade quando ela pergunta sobre o mundo que a circunda. Perguntando se são adotadas. Têm necessidade de saber sobre a origem das coisas. Portanto, o período infantil é o mais propício para contar a verdade.

Os pais que desejam omitir do filho o fato de ser adotivo precisam lembrar que a criança tem o direito de saber sua origem e buscar informações a esse respeito. É uma necessidade existencial do ser humano.

"...a revelação tem que ser feita com muito amor, com muito carinho. Reuna-os, ore com eles e diga que gostaria muito que tivessem nascido dela, mas que Deus resolveu diferente."(frase de Chico Xavier em Lições de Sabedoria por Marlene Nobre - FE)

Contar à criança que ela é adotada evitará que ela saiba por terceiros, de forma distorcida e equivocada. O importante é salientar que ela foi escolhida; que dentre todas as crianças os pais optaram por ela. Que o sentimento de amor por ela os cativou.

Mesmo tendo sido esclarecida sobre a adoção, a criança ainda perguntará inúmeras vezes sobre isso. Em todas as vezes deve-se manter o mesmo conteúdo de resposta, isto é, a resposta mais próxima da verdade.

É igualmente importante não expor aspectos negativos da família de origem, pois a tendência, quando se expõe os aspectos negativos, é a criança sentir-se desvalorizada, inferiorizada. Os adotantes podem responder: "Não sabemos porque sua outra mamãe não pode ficar com você mas acreditamos que ela gostaria muito de fazer isso. Agora você é nosso filhinho e nós te amamos muito."

O que devemos ter em mente é que a criança tem medo do abandono e os pais adotivos também têm.

ADOÇÃO À LUZ DO ESPIRITISMO

O espiritismo é muito claro quanto à questão da adoção de filhos: é um ato de amor incondicional.

"O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito" (Evangelho Segundo o Espiritismo - Kardec, A.)

Somos todos adotados pois que ninguém é propriedade de ninguém. Nosso filho de hoje poderá ser nosso pai amanhã, assim estabelece a lei da Reencarnação.

Um dos medos mais comuns das famílias adotantes é de que o filho adotivo venha a se tornar um marginalizado pois que já teve a rejeição materna e pode ser revoltado, e então, um marginal. Esse raciocínio se opera, primeiro devido ao preconceito de atribuir à criança uma herança de má índole, segundo porque se desconhece a Lei da Reencarnação. Ora, um filho biológico pode ser um espírito que reencarnou para resgate naquela família, causando-lhe muitos problemas; ao passo que, o filho adotivo, poderá ser um espírito afim, que vem para trazer felicidade. Ou vice-versa.

Desta forma, ter um filho adotivo ou biológico sempre será para a família um meio de ressarcir débitos pretéritos, direta ou indiretamente, e sejam esses débitos dela (família) ou dele (filho).

Jamais teremos nossas consciências em paz, enquanto houverem as injustiças sociais, os preconceitos, as negações afetivas adotar um filho, um amigo, um pai, uma mãe devem ser tarefas diárias para quem quer conquistar a sua própria evolução espiritual. Mas a adoção deve ser de coração, pois esse é laço indestrutível, permanente.

"Nossos filhos não são nossos filhos, são antes, irmãos.

Os corpos que têm são filhos dos nossos corpos, nada mais.

Os chamados filhos adotivos são os filhos do coração, estão unidos à nos por indestrutíveis laços espirituais.

Somos todos filhos uns dos outros."

(Lições de sabedoria - Marlene Nobre - FE)


*Psicóloga clínica com especialização em infância e adolescência, diretora de Psicologia do Pineal Mind Inst.de Saúde, Vice Presidente da ABRAPE

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICÓLOGOS ESPÍRITAS - http://www.promaster.com.br/abrape


endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1028.html
imagem:
vilamulher.terra.com.br


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