terça-feira, 22 de setembro de 2009

INSTINTO


Freud (Sigmund Freud) argumentava que o princípio do prazer, na verdade, exprimia impulsos primitivos, animais. Para seus contemporâneos vitorianos, a idéia de que o comportamento humano fosse no fundo governado por compulsões sem nenhum propósito mais nobre que a auto-realização carnal era simplesmente escandalosa. O escândalo se atenuou nas décadas seguintes, mas o conceito freudiano do homem como animal foi mantido em segundo plano pelos cientistas cognitivos. Agora ele está de volta. Neurocientistas como Donald W Pfaff, da Universidade Rockefeller, e Jaak Panksepp, da Universidade Estadual de Bowling Green, acreditam hoje que os mecanismos instintivos que regem a motivação humana são ainda mais primitivos do que imaginava Freud. Nossos sistemas básicos de controle emocional são iguais aos de nossos parentes primatas e aos de todos os mamíferos. No nível profundo da organização mental que Freud chamou de ID, a anatomia e a química funcionais de nosso cérebro não são muito diferentes daquelas dos animais que vivem nos currais ou dos bichos de estimação.

O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles, é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio, por ele é que todos os seres provêem às suas necessidades. Os instintos são automatismos estereotipados e inatos que têm em geral um fim útil para o individuo e a espécie.

Quando os cultores da psicologia profunda falam em instinto, devemos entender não o comportamento automático, mas o correspondente anímico cujo aspecto externo, motor, pode inclusive estar inibido. O Instinto vem [do latim instinctu] –Tendência natural; aptidão inata, força de origem biológica, própria do homem e dos animais superiores, que atua de modo inconsciente, espontâneo, automático, independente de aprendizado. Espécie de inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, à revelia de sua vontade e no interesse de sua conservação.

O instinto torna-se inteligência instinto, age-se sem raciocinar; pela inteligência, raciocina-se antes de agir. No homem, confundem-se freqüentemente as idéias instintivas com as idéias intuitivas. Estas últimas são as que ele hauriu, quer no estado de desdobramento, quer nas existências anteriores e das quais ele conserva uma vaga lembrança. O instinto não é independente da inteligência. Por ele é que todos os seres provêem às suas necessidades. O instinto e a inteligência muitas vezes se confundem, mas, muito bem se podem distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência.

O instinto existe sempre, independente da intelectualidade, mas o homem o despreza. O instinto também pode conduzir ao bem. Ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Nunca se transvia. O instinto seria sempre infalível, se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio. O instinto varia em suas manifestações, conforme as espécies e às suas necessidades. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade.”A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências”. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada".(Albert Einstein de Max Wulfant (1879-1955). (SCIENTIFIC AMERICAN Brasil - ANO 3 - N°25 - Junho/2004). A Humanidade progride.

Esses homens, em quem o instinto do mal domina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente. Mas, desaparecerão para renascer sob outros invólucros. Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Todo Espírito tem que progredir incessantemente. Aquele que, nesta vida, só tem o instinto do mal, terá noutra o do bem e é para isso que renasce muitas vezes, pois preciso é que todos progridam e atinjam a meta. A diferença está somente em que uns gastam mais tempo do que outros, porque assim o querem. Aquele, que só tem o instinto do bem, já se purificou, visto que talvez tenha tido o do mal em anterior existência. Antes de se unir ao corpo, a alma compreende melhor a lei de Deus do que depois de encarnada.

Compreende-a de acordo com o grau de perfeição que tenha atingido e dela guarda a intuição quando unida ao corpo. Os maus instintos, porém, fazem ordinariamente que o homem a esqueça. Instinto e razão mais não são do que duas fases de consciência, o instinto sexual, exprimindo amor em expansão incessante, nasce nas profundezas da vida, orientando os processos de evolução. O instinto sexual atrai as criaturas, faz a fusão do magnetismo entre o homem e a mulher, mas o relacionamento das pessoas corre por conta do sentimento de cada um e não simplesmente pela energia sexual, pois esta energia é neutra. É neste momento que surgem as dificuldades de entendimento e união, pois a normalidade do desempenho sexual, entre os cônjuges, Poe si só, não solucionará os problemas de relacionamento.

O instinto sexual é força poderosa de atração, unindo corpos físicos, criando as experiências afetivas e fazendo os destinos entre as criaturas, dirigindo-as paras as conquistas dos objetivos da Lei Suprema: O Amor, a Felicidade e a Harmonia. Ressalte-se que: O sexo não é patrimônio exclusivo da humanidade terrestre, é tesouro divino em todos os mundos, no Universo Infinito, e permanece nas mãos das criaturas humanas, que ainda estão muito distantes da compreensão e vivência das Leis Divinas , num quadro triste de ignorância , perversão e desequilíbrio. Quando o Espírito conquistou a razão, acordando para Vida Universal, já possuía por conquista própria um manancial enorme de forças sexuais advindas de experiências infinitamente recapituladas nos reinos inferiores da natureza. Com a era da razão, o Espírito alcançou o direito de livre-arbítrio e conseqüentemente da responsabilidade em seus atos. Não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos, porque o princípio das coisas está nos segredos de Deus.

Entretanto, pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorvem em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos. Este caso não é freqüente, e seria antes uma exceção. A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período de humanidade começa, em geral, nos mundos ainda mais inferiores. Essa, entretanto, não é uma regra absoluta e poderia acontecer que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Em 1998, um estudante da Universidade de Évora, procurando exemplares de arte rupestre no Vale do Lapedo, em Portugal, forneceu pistas que levaram à descoberta de restos de uma criança, com idade estimada entre dois mil e três mil anos, que foi identificada, mais tarde, como portadora de características típicas de Homo sapiens e Neanderthal.

A identificação provocou uma controvérsia entre antropólogos. Para muitos, Homo sapiens e Neanderthal não teriam se reproduzido entre si. Para os autores da identificação, o português João Zilhão, da Universidade de Lisboa, ele coordenou o trabalho da equipe internacional de 30 especialistas que resultou na publicação da monografia, batizada com o título inglês Portrait of the Artist as a Child ("retrato do artista quando criança"), com a colaboração do norte-americano Erick Trinkaus, da Washington University, não há mais o que discutir, ao deixar a África e colonizar a Europa, a humanidade moderna não exterminou os antigos habitantes do continente, como se pensava e, ao contrário disso, misturou-se a eles. A resposta dos meios de comunicação e do público não poderia ter sido mais avassaladora. Revistas populares saíram-se com ilustrações mostrando como seria o filho de um sapiens do sexo feminino, alta e negra com um neanderthal louro e troncudo (tudo errado, lógico, já que o menino do Lapedo certamente não era um mestiço de primeira geração. Revista SCIENTIFIC AMERICAN - Brasil - ANO 1 - N° 11/Abril de 2003).

Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. A imitação da voz humana, por alguns animais, origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. Conquanto não tenha alma animal, que, por suas paixões, o nivele aos animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o rebaixa até ao nível deles, por isso que o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instinto, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos. A sobreexcitação dos instintos materiais abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais. Antes de se unir ao corpo, a alma compreende melhor a lei de Deus do que depois de encarnada. Compreende-a de acordo com o grau de perfeição que tenha atingido e dela guarda a intuição quando unida ao corpo.

Os maus instintos, porém, fazem ordinariamente que o homem a esqueça. Todo Espírito tem que progredir incessantemente. Aquele que, nesta vida, só tem o instinto do mal, terá noutra o do bem e é para isso que renasce muitas vezes, pois preciso é que todos progridam e atinjam a meta. A diferença está somente em que uns gastam mais tempo do que outros, porque assim o querem. Aquele, que só tem o instinto do bem, já se purificou, visto que talvez tenha tido o do mal em anterior existência. A Humanidade progride. Esses homens, em quem o instinto do mal domina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente. Mas, desaparecerão para renascer sob outros invólucros. Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal.


Antonio Paiva Rodrigues
(Estudante de jornalismo, membro da ACI e gestor de empresas)

endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2042.html
imagem:
cirac.org

sábado, 19 de setembro de 2009

BUSCANDO COMPREENDER A ENERGIA SEXUAL


Os amigos espirituais utilizam das leis da física para “energias” no intuito de nos ajudar na compreensão da energia sexual:

“Se é energia, ela têm origem. Têm características particulares, dependendo do nível de manifestação. Ela vibra, e de forma lenta se coagula, e pode num estado de grande lentificação se materializar. Conforme o seu potencial, ela pode viver um processo de transmutação intenso, como na explosão atômica, onde, além da mudança de nível, há uma irradiação muito grande no conteúdo energético, que se bem aproveitado pode ter produção adequada. Ainda, se prende às leis. Pode gerar força, potência e trabalho. Transmuta de níveis, ora age seguindo parâmetros de partículas, ora atua no sentido de onda, dessa forma ela pode ter um direcionamento unificado, como também e simultaneamente pode existir um expansionamento difuso.” ¹

Qual a origem? - “a energia do sexo... é energia primária de Deus, porque em Deus o sexo significa amor”³ É inerente à criatura, pertence à natureza, é natural.

Potencialidade – “... trata-se de energia de profundidade máxima do Espírito a se manifestar na periferia na busca da felicidade pelo prazer genital. Essa energia atinge todo o ser, participa de todos os mecanismos energéticos bioquímicos celulares de todos os corpos.”³

Função – “essa energia é possuidora de carga erótica, o que determina não só uma utilização em sentido próprio, mas com função de expansão dos relacionamentos, cuja finalidade maior é o aprendizado e o exercício do amor na sua forma mais sublime.” ³

Qual o sentido? ¹/²

*A energia sexual, que nos direciona na busca do outro.

*Instiga-nos a necessidade de nos buscar.

*É o autoconhecimento através do outro.

*E à medida que nos buscamos nos integramos. Vamos sendo pessoas mais inteiras.

* “O mundo é um salão de espelhos”

Por aí entendemos nossas simpatias e antipatias. Existem aquelas facetas já bem trabalhadas: com estas nos simpatizamos, e aquelas outras que não conseguimos tomar contato, então nos afastamos e vamos precisar de mais tempo para retomá-las.

*Nas relações afetivas temos o espelho mais próximo, o que muitas vezes dificulta a convivência. Exige-nos ponderação, flexibilidade, objetivo e vontade.

*Rejeitamos-nos muitas facetas, conseqüentemente estamos muito fechados para o auto - amor e automaticamente tememos o amor do outro; embora creiamos que, o que mais desejamos é amar.

*A experiência sexual marca profundamente a criatura. É um poder propulsor e mesmo mal utilizado levará a criatura a ansiar novamente pela busca, assim cumpre a sua função de nos aproximar.

* À medida que a criatura evolui, passa a necessitar por relações de melhor qualidade, e se, se negar isto, adoecerá.

*Existem criaturas que por experiências infelizes ou por abusado desrespeito no uso da energia sexual em vidas anteriores, escolheram ser mais cuidadosas neste momento. No entanto “muitas vezes criam um muro de medo e orgulho tão maciço em torno de sua alma que evitam totalmente esta parte da experiência de sua vida e assim cerceiam se próprio desenvolvimento.” ²

Estas se encontram paralisadas pela culpa e necessitam buscar ajuda para se libertarem.

Como utiliza a energia sexual?²

1-Egoisticamente – a criatura só visa o seu prazer, o outro e buscado como objeto. Não existe espaço para o dialogo afetivo. O que não significa que o anseio pela reciprocidade não exista.

2-Reciprocamente _ vamos identificar as seguintes variações:

a- Abafamento expresso numa anulação total, na qual as criaturas passam uma encarnação inteira sem se darem conta de que falta algo em suas vidas.

b- Estão dispostas a se abrir, mas, sentem medo quando existe uma oportunidade real de reciprocidade, nesse caso todos os parceiros que aparecem “tem defeitos” e são descartados.

c- Nesse estagio, a criatura vive períodos de reciprocidade, com satisfações temporárias intensas, intercaladas com período de isolamento.

d- A relação e embasada no desejo mutuo de crescimento. As oscilações são absorvidas pelo casal de forma consciente. Os atritos acontecem somente no campo operacional. A maturidade emocional foi conquistada pelo exercício do autoconhecimento, o que favorece o entendimento recíproco.

A vida sexual ³

__Os parâmetros para o comportamento sexual serão definidos pela capacidade de entendimento, dentro do aspecto evolutivo de cada criatura.

Todas as possibilidades de experiências objetivam a evolução, e as relações voltadas para o sensual e o erótico, se pautadas no respeito mutuo e na reciprocidade das sensações em seus aspectos mais diversos, devem ser vistas com respeito e como experiências, buscando alçar vôos para fases mais sublimadas da sexualidade. E aqueles que já se questionam, fiquem atentos se os prazeres físicos tomam uma coloração marcante em suas vidas, pois determinaria um aprisionamento nessa esfera, impedindo-lhe de exercitar-se, como Espírito, em experiências mais transcendentes.” Mensagem mediúnica- Amemg 2001

___Relações monogâmicas

___Vencer a promiscuidade, a prostituição e o adultério.

___A experiência afetiva deve visar à unificação da criatura, em exercício mutuo dos cônjuges. ²

Podemos não ser imediatamente a pessoa ideal, porém e preciso que saibamos que existe esse estado.

___O campo das idéias e influenciado diretamente por essa energia e quanto menos sublimadas as vivencias, menos sublimadas suas opções e as soluções nos outros aspectos da vida. ³

O desejo e a vontade-criança, e como tal necessita crescer para realizar-se enquanto ser, continuara desejo, mas expressando-se de forma madura, como vontade ajustada.

Bibliografia

1- Vida e Sexo – Francisco Candido Xavier- espírito- Emmanuel

2- Criando União – Eva Pierrakos e Judity Sale

3- Mensagens Mediúnicas – Estudos AMEMG - 2001

Olinta Fraga, psicóloga clínica, sócia efetiva da Amemg

olintapsi@yahoo.com.br


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PRESERVEMOS AS CRIANÇAS DOS ESPORTES VIOLENTOS



Há dois mil anos, O Mestre Maior ensinou: Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra. (1) Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (2) Por estas máximas, Jesus estabeleceu, como lei, a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. E, por conseqüência, condenou a violência, a cólera, e até mesmo toda expressão descortês para com os semelhantes. (3) A violência ensombra as conquistas sociológicas de todos os séculos. Brota em todos os níveis da sociedade, consubstanciando-se em várias amplitudes e espectros de cores carregadas.

A mídia, de uma forma geral, tem noticiado que, na Grã-Bretanha, muitos pais estão impondo aos filhos, muitos dos quais com apenas quatro anos de idade, lutar boxe tailandês. A materialidade dessa aberração está em documentário produzido por canal de televisão britânico, mostrando o circuito das lutas organizadas, em que os inscritos, para esse fim, são crianças com idade a partir de quatro anos (inacreditável!). Nesse proscênio, incentiva-se o Muay Thai (boxe tailandês), tornando, essa prática, cada vez mais popular na Europa, atualmente com centenas de academias estabelecidas.

Milhares de adultos insanos pagam ingressos para assistir crianças, menores de dez anos, lutando em uma espécie de gaiola de ferro. Muitos pais acreditam que essa prática pode incentivar os filhos a cuidar mais de si mesmos quando crescerem, e crêem que seus filhinhos possam conquistar o título de "campeão". Porém, esses pais desnaturados desrespeitam a liberdade dos filhos por não saberem quais são os reais sonhos dessas crianças, projetando nelas as suas frustrações.

Pediatras, psicólogos, professores e estudiosos consideram muito prejudicial, para as crianças e jovens, o incentivo a esportes agressivos, pelo efeito da violência que essas práticas produzem, pois, os golpes violentos fascinam as mentes infantis, principalmente, porque são desempenhados por "heróis" de filmes de ação, vistos em cinemas ou quando televisados.

Muitas crianças e jovens não têm capacidade crítica, não têm noção do perigo a que estão sujeitos aprendendo lutas marciais, muitas vezes desconhecem a índole do seu adversário, no que pese à postura de briga "esportiva", se aceitável, se razoável ou se absolutamente criticável, a eliminar de seus hábitos. O que identificamos, de forma generalizada, é o total distanciamento dos pais modernos, em nível de educação dos filhos nesse sentido. De maneira geral, transferem suas responsabilidades para as escolas ou para o Estado, enquanto eles é que tinham que dizer aos filhos se isso ou aquilo é perigoso para menores, ou não.

Uma legítima educação é aquela em que os poderes espirituais regem a vida social. Todavia, o "homem moderno" e que se diz "civilizado" se envaidece com a sua capacidade de subjugar os outros, de mandar, de impor medo, quando o ideal seria ensinar à sua prole o respeito humano e submissão a Deus. A degradação moral do homem contemporâneo abriu as comportas da violência, represada debilmente pelas barreiras artificiais da civilização. Essa deformação da mente e o aviltamento da consciência desumanizaram o homem, artificializado pela violência no seu método de ação, justificado pelo seu valor pessoal, para o reconhecimento do seu poder, que, imperiosamente, o embriaga e o tem levado a excessos perigosos.

A violência do "homem civilizado" tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. Um pai que expõe seu filho a golpes violentos, correndo o risco de inutilizá-lo para sempre, é bem o homo brutalis, que cria as suas próprias leis: subjugar, humilhar, torturar, matar. O seu valor está sempre acima do valor dos outros. Além disso, mister é recordar que a cumplicidade com a violência, por parte das consciências adultas, retarda a evolução coletiva e rebaixa o cúmplice a posições indignas. Pessoas de mente esclarecida, jamais fomentará idéias desse tipo em uma criança.

Os guantes da brutalidade continuam a fermentar competições hediondas nas novas estruturas sócio-culturais. A prova histórica disso está, hoje, diante de nossos olhos, na eclosão de violências em todos os níveis do mundo contemporâneo, sobretudo contra crianças. Nossa esperança é a de que essa explosão seja a catarse final para que o homem bruto desapareça e possa ceder lugar ao homem de bem.

Estamos numa conjuntura de nova antropofagia, superestimada e requintada pelas técnicas de lutas de arenas, como se fossem esportes de modernas concepções. Hoje, na era cibernética, os instrumentos de opressão, tortura e aniquilamento, de que o homem dispõe, atingem o clímax em face de seu máximo aperfeiçoamento.

Atualmente, educar é uma tarefa intrincada, é problema de solução nada fácil, em face das modificações que a condição infantil vem sofrendo nas últimas décadas. Antigamente, a pureza das crianças era uma realidade mensurável. Sua perspectiva não ultrapassava os simples livros didáticos, um único humilde caderno e brinquedos baratos. Para repreendê-las e educá-las, às vezes, bastava um olhar firme dos pais. Porém, aquele imaginário infantil, de quietude e sonho ingênuo, desmoronou sob o impacto da era da robótica.

Em nosso diagnóstico, concebemos que a televisão e a internet, ao invadirem os lares, potencializaram, nas crianças, o despertar antecipado para uma realidade nua e cruel, o que equivale afirmar que elas foram arrancadas do seu universo de fantasia e conduzidas para a violência, estimuladas, também, pela vaidade dos pais. Destarte, o período de inocência e tranqüilidade infantil foi diminuindo. Cada vez mais cedo, e com maior intensidade, as inquietações da adolescência brotam acrescidas pelos múltiplos e desencontrados apelos das revistas pornográficas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo descontrolado, do mau gosto comportamental, da vulgaridade exibida, das técnicas de lutas marciais e outras tantas extravagâncias, como reflexos óbvios de pais que vivem alienados, estagnados e desatualizados, enclausurados em seus afazeres diários e que nunca podem permanecer à frente da educação dos próprios filhos.

Seria possível uma viagem através do "túnel do tempo", a uma volta aos padrões comportamentais de 60 anos atrás? Seria desejável - e essa é uma meta a ser atingida a longo prazo - que as crianças só recebessem das pessoas que as cercam e do mundo que as envolve, mensagens boas e construtivas, ao invés de serem bombardeadas, dia e noite, pela violência e pela sensualidade desenfreada. Para que isso aconteça, cabe aos pais, principalmente, a tarefa de modificar essa deseducação constante por que passam na infância.

A regra áurea do amor haverá de prevalecer no mundo regido pela lógica da violência. No conjunto de providências dos Espíritos Elevados, o Espiritismo assumirá seu espaço, definitivamente. Isso equivale afirmar que essa posição suis generis do Espiritismo, permitirá preparar a criança atual para uma existência normal e digna no futuro, desde que os espíritas permaneçam atentos. Jesus prossegue o modelo.

A tarefa que nos cumpre realizar é a da educação das gerações jovens pelo exemplo de total dignificação humana sob as bênçãos de Deus. Nesse sentido, os postulados Espíritas são antídotos para a violência, posto que aqueles que os conhece têm consciência de que não poderão se eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o futuro é uma decorrência do presente.


FONTES:
1 Mateus, V: 4
2 Mateus, V:9
3 Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, cap. IX



endereço: http://jorgehessen.net/
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pudimdebeterraba.com.br


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