segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FERNANDO PESSOA, POETA E MÉDIUM


O poeta - No século 19, o movimento de caráter filosófico, científico e pedagógico, iniciado no ocidente europeu, promovido pelos enciclopedistas, e que se costuma designar iluminismo, abrangia pesquisas, teatro, romance e poesia. Os adeptos dessa corrente intelectual sofreram sérias perseguições, cujas obras pioneiras e ousadas chocavam-se com o meio social conservador: elas refletiam a inclinação elegante e mundana, característica das sociedades cultas da época. No começo do século 20, com tendência nacionalisticas, o iluminismo despontou em Portugal e teve em Fernando Pessoa sua expressão máxima na poesia.

Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888. Tendo sua família transferido residência para a província de Natal - União Sul Africana, fez seus estudos na High School, em Durban, lá recebendo educação inglesa, marcando-o para o resto da vida. Ainda jovem, Fernando regressou a Portugal, no período em que despontava o modernismo, corrente literária caracterizada pelo refinamento de forma com forte tendência para a renovação literária moderna. Desenvolvida na França e na Itália, se espalhou rapidamente por toda a Europa.

Revelando tendência para as letras e, ainda familiarizado com a literatura inglesa, Fernando aproximou-se de autores portugueses. Aos 25 anos lançou o poema Pauis, publicado na revista literária Orfeu. A obra foi considerada ponto de partida para a instalação definitiva do modernismo em Portugal. Entusiasmada, a geração de Fernando Pessoa foi entrando na vida literária e revelaram talentosos poetas, que se encarregaram de levar o modernismo ao público, em diversas revistas e obras, já com propósitos de doutrinação e crítica.

Assim, a partir de Fernando Pessoa e de sua obra singular, teve início em Portugal uma fase de criação poética que derrubou os padrões românticos. Ele passou a escrever em seu próprio nome e usando heterônimos (nomes imaginários). A despersonalização, real ou fingida, que Fernando manifestava com relação aos seus heterônimos, era de qualquer modo, um elemento definido: Ricardo Reis, Alberto Carrero, Álvaro de Campos, nomes imaginários, que assumem na obra de Fernando Pessoa atitudes diversas, representando, inclusive, estéticas diferentes, com a publicação de poemas que se tornaram o grito de guerra da renovação moderna.

A vida de Fernando Pessoa, que se conservou celibatário, transcorreu no ambiente da pequena burguesia de Lisboa, sendo o poeta obrigado a trabalhar como tradutor correspondente, saltando sempre de um humilde emprego para outro do mesmo nível. De físico discreto, hábitos moderados, embora se excedesse às vezes na bebida, jamais procurou uma correspondência entre a sua extraordinária capacidade intelectual e seu comportamento cotidiano. Após atravessar grave crise de neurastenia, morreu de infecção pulmonar, em 20 de novembro de 1935, aos 47 anos.

Embora durante muitos anos tenha publicado contos, novelas, traduções e ensaios, o genial poeta português só foi devidamente apreciado por poucos. Somente após a sua morte, com a publicação de Obras completas, contendo boa parte de seus escritos, o grande público pôde sentir a extraordinária e complexa riqueza de sua obra: ela constitui, no seu conjunto, a mais profunda e bela criação poética da língua portuguesa da atualidade. Fernando Pessoa passou a ser considerado o maior poeta português do século 20 e um dos maiores nomes da poesia universal.

O médium - Tudo indica que Fernando Pessoa pertencia a uma família de médiuns. Frequentemente, confessava a amigos que fazia parte de um pequeno grupo de sessões práticas de Espiritismo. Nelas, sua mãe apresentava, segundo o poeta, expressivas manifestações mediúnicas. Além da participação de sua família, ele sempre mencionava sua tia Anica e uma senhora de nome Maria, ambas médiuns de escrita automática. Consta que Fernando Pessoa tornou-se médium de escrita automática - psicomecânica e também médium vidente, aos 28 anos.

Sua primeira comunicação mediúnica foi através da escrita de seu falecido tio Cunha. A expressiva mediunidade psicomecânica, ou de escrita automática, como Fernando Pessoa classificava, não interferia na mente do médium, nem havia, tão pouco, alterações de personalidade, mas, segundo o poeta, por vezes ficava inconsciente, magnetizado e caindo para o lado.

Quanto à sua mediunidade de vidência, Fernando Pessoa conseguia ver com absoluta nitidez a sua aura, a irradiação de suas mãos e a presença de Espíritos benfeitores que o assistiam nas horas de necessidade.

Num difícil momento de sua existência, Fernando Pessoa demonstrou ser médium sensitivo: quando do suicídio de seu fiel amigo, o poeta Sá Carneiro. Na ocasião, levado por uma forte depressão, revelou claro sintoma do chamado envolvimento, quando se dá a imantação de um Espírito em uma pessoa. O fato ocorreu logo após a morte de Sá Carneiro. O citado fenômeno é comum e naturalmente tratado nos Centros Espíritas peelos médiuns passistas e doutrinadores. Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec faz minucioso exame e elucida todos os gêneros de manifestações mediúnicas. Kardec discorreu a respeito da ação dos Espíritos sobre a matéria e a importância do comportamento dos médiuns no intercâmbio espiritual.

Os heterônimos - É muito provável que os heterônimos Ricardo Reis, Alberto Carrera e Álvaro Campos, com quem Fernando Pessoa assinava seus poemas, sejam nomes dados por poetas quando encarnados, o que demonstra que a autoria desses versos seja de Espíritos desencarnados e não dele mesmo. Para um espírita esclarecido e conhecedor da Doutrina dos Espíritos, é um caso banal, pois são cientes de que há inúmeros livros de poesia mediúnica já publicados, entre eles: Parnaso de Além Túmulo (FEB), com poemas recebidos por Francisco Cândido Xavier; Antologia dos Imortais (FEB), por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira; Antologia do Mais Além, por Jorge Rizzini (esgotado); Novos Cânticos (Edições Correio Fraterno), por Dolores Bacelar. Deve-se ao heterônimo Álvaro de Campos a manifestação de um elemento bem fora do comum, que se tornou comum à personalidade de Fernando Pessoa - o ocultismo.

Fernando Pessoa nunca assumiu a autoria de sua poesia mediúnica, senão teria posto os nomes de seus verdadeiros autores. Grande poeta e também grande médium, ele fez uso de sua notável capacidade intelectual, dando mais prioridade aos interesses espirituais que aos terrestres. Esta posição com bases nos conhecimentos e esclarecimentos da Doutrina Espírita são renegados até hoje, por milhares de conterrâneos seus em Portugal, por ainda possuírem certas traves em suas mentes.

Maria A. Romano - Jornal O Semeador - julho/09


endereço: http://www.comunidadeespirita.com.br/

imagem: internet



sábado, 5 de setembro de 2009

MUDANÇA CLIMÁTICA


EM FACE DA MUDANÇA CLIMÁTICA, LEMBREMOS QUE NAS MÃOS DE JESUS REPOUSAM OS DESTINOS DA TERRA
(03.09.09)

Pesquisas indicam que a "mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030".(1) O estudo estima que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas, anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade. Para minimizar o impacto, "seria preciso multiplicar por cem os esforços de adaptação à alteração do clima nos países em desenvolvimento." (2) O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em sua vasta avaliação sobre a questão, feita em 2008, concluiu que, desde que as temperaturas começaram a aumentar rapidamente, nos anos 70, os gases de efeito estufa, produzidos pelo homem, tiveram um peso 13 vezes maior no aquecimento global que a variação da atividade solar.

Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico, segundo um estudo publicado, em agosto de 2009, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). À medida que a extensão do gelo diminui, e que a superfície dos oceanos aumenta, a quantidade de energia solar absorvida, também, aumenta. Recentemente, uma geleira derreteu e a Suíça ganhou 150 metros de território, originalmente, italiano. A linha divisória, que determinava a fronteira, desde 1942, moveu-se. Houve derretimento de campos, permanentemente cobertos de neve, nos Alpes, como reflexo do aquecimento global que, ainda, pode destruir 85% da Amazônia. O aquecimento climático libera grandes quantidades de metano [gás de efeito estufa], na região polar. Até agora, esses gases estavam "aprisionados no gelo". Esse efeito contribui, por sua vez, para a aceleração do degelo nas regiões polares. Em face dessa mudança do clima, uma ponte de gelo [um bloco do tamanho da Jamaica], que liga a duas ilhas da Antártica, rompeu-se - informaram os pesquisadores. O rompimento pode indicar que o bloco Wilkins, (3) como é conhecido o território, flutuará livremente, o que será um dos efeitos das mudanças provocadas pelo aquecimento global. A rigor, muitas das camadas de gelo diminuíram nesses últimos anos, na Antártida, e seis delas se romperam por completo, a exemplo das geleiras de Prince Gustav, Larsen Inlet, Larsen A, Larsen B, Wordie, Muller e Jones. Análises demonstram que, quando os blocos se rompem, as geleiras e as massas de gelo começam a se movimentar em direção ao Oceano.

Em 1985, os cientistas identificaram um buraco na camada de ozônio, sobre a Antártida, que continua se expandindo, assustadoramente. A redução do ozônio contribui para o "fenômeno estufa". As conseqüências dessa síndrome são catastróficas, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos. Os efeitos do "El Niño e do La Niña", também, são aterrorizantes, pois que aceleram o degelo das calotas polares, aumentando, consequentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Prova disso, são os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região.

Urge que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os indivíduos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, em seu livro "O Universo numa Casca de Noz", expõe, de forma curiosa, que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque". (4) Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima." (5)

Devido a esses estertores de aguda dor da natureza, surgem, em várias partes do mundo, grupos de pessoas fanáticas, que criam seitas e cultos estranhos; abandonam emprego, família, à espera do "juízo final". "Só na França, conforme a Revista ISTO É, de 4 de agosto de 1999, há cerca de 200 delas, com 300 mil adeptos. No Japão, vários "gurus" preveem o "final do mundo". Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar. Para esses, os furacões que têm destruído a região central do país são anjos enviados para punir os homens, anunciando o "grande final".(6) Não é confortador, de forma alguma, o aparecimento de pessoas com essas bizarras crenças, que se multiplicam mundo afora, obscurecidas na razão pela expectativa de uma "nova era". Lamentavelmente, até nas hostes espíritas, têm surgido alguns livros com idéias que induzem os incautos ao pânico ou à hipnose catastrofista do quanto pior melhor...!

Nos dias de hoje, consoante a Lei de Causa e Efeito, não precisamos possuir o talento da profecia, para antevermos o futuro próximo do panorama terrestre. Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza. Isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. "Aprender com as catástrofes de hoje para fazer frente às ameaças futuras". (7) Somos esclarecidos pelo genial lionês, Allan Kardec, que os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus." (8) E os cataclismos "algumas vezes têm uma razão de ser direta para o homem. Entretanto, na maioria dos casos, têm por objetivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da natureza." (9)

Enquanto as doridas transformações desses momentos de debacle moral se anunciam, ao tilintar sinistro das moedas, ecoando nas bolsas de valores, as forças espirituais se reúnem para a grande reconstrução do amanhã. Aproxima-se o instante em que todos os valores morais humanos serão revistos, para que, com novas energias criadoras, um novo modelo de mundo triunfe sobre a carga destrutiva das consciências insanas que, hoje, habitam o educandário da vida. Nesse fenômeno, o ensinamento de Jesus não passou e não passará jamais. Na luta sofrida das civilizações, Ele é o archote do princípio, e nas Suas sacrossantas mãos repousam os destinos da Terra.

Os pessimistas insistem, sempre, em considerar que a maneira, negativa e sombria, de perceber as coisas do mundo seja uma maneira realista de viver. Na verdade, se olharmos a vida com muita emoção (distantes do raciocínio) vamos encontrar motivos de sobra que nos abatem os ânimos, em qualquer lugar e em qualquer situação, como, por exemplo: defrontamo-nos, diariamente, com crianças carentes; fome universal; guerras; violência urbana; seqüestros; carestia; insegurança social; corrupção; acidentes catastróficos, etc. Entretanto, é um dever, para com o nosso bem-estar, estarmos adaptados à vida, com tudo que ela tem de bom e de ruim, sem, necessariamente, acomodarmo-nos com as situações.

Estar preocupado, apenas, e permanecer passivo diante dos sinais de alerta que a natureza nos dá, é modelar um futuro caótico para as próximas gerações. A preocupação sadia é aquela que resulta em conquistas edificantes para o próprio bem e para o bem de todos, fundamentalmente, para os próximos irmãos que virão a reencarnar. Esse é o legítimo cristão. Por mais difíceis que sejam os desafios a enfrentar, por conta da própria incúria humana, dinamizemos a vontade de nos harmonizar com a mãe natureza. Não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.


FONTES:
(1) Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra
(2) Disponível no site http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia, disponível no site http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia, acessado em 27 de agosto de 2009.
(3) Detalhe: O bloco Wilkins, na Península Antártica, está diminuindo de tamanho desde a década de 1990.
(4) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
(5) idem
(6) Publicado na Revista ISTOÉ, edição de 4 de agosto de 1999.
(7) Mensagem do ex-Secretário-Geral da ONU , Kofi Annan, Por ocasião do Dia Internacional Para a Redução das Catástrofes Naturais, de 11 de Outubro de 2006, conforme veiculada pelo Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas - RUNIC.
(8) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536
(9) idem

endereço: http://jorgehessen.net/
imagem: internet



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A CRIANÇA OBSIDIADA



“Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência.
Não se vê em crianças dotadas dos piores instintos, numa Idade em que ainda nenhuma influência pode ter tido a educação?
Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso?”

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questão 199-a.)



Crianças obsidiadas suscitam em nós os mais profundos sentimentos de solidariedade e comiseração.
Tal como acontece ante as demais enfermidades que atormentam as crianças, também sentimos ímpetos de protegê-las e aliviá-las, de-sejando mesmo que nada as fizesse sofrer.
Pequeninos seres que se nos apresentam torturados, inquietos, padecentes de enfermidades impossíveis de serem diagnosticadas, cujo choro aflito ou nervoso nos condói e impele à prece imediata em seu benefício, são muita vez obsidiados de berço. Outros se apresentam sumamente irrequietos, irritados desde que abrem os olhos para o mundo carnal. Ao crescer, apresentar-se-ão como crianças-problemas, que a Psicologia em vão procura entender e explicar.
São crianças que já nascem aprisionadas — aves implumes em gaiolas sombrias —, trazendo nos olhos as visões dos panoramas apavorantes que tanto as inquietam. São reminiscências de vidas anteriores ou recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no plano extra-físico, antes de serem encaminhadas para um novo corpo. Conquanto a nova existência terrestre se apresente difícil e dolorosa, ela é, sem qualquer dúvida, bem mais suportável que os sofrimentos que padeciam antes de reencarnar.
O novo corpo atenua bastante as torturas que sofriam, torturas estas que tinham as suas nascentes em sua própria consciência que o remorso calcinava. Ou no ódio e revolta em que se consumiam.
E as bênçãos de oportunidades com que a reencarnação lhes fa-vorece poderão ser a tão almejada redenção para essas almas cow turbadas.
A Misericórdia Divina oferecerá a tais seres instantes de refazimento, que lhes chegarão por vias indiretas e, sobretudo, reiterados chamamentos para que se redimam do passado, através da resignação, da paciência e da humildade.
Na obra “Dramas da Obsessão”, Bezerra de Menezes narra a vida de Leonel, que desde a infância apresentou crises violentas, evi-denciando a quase possessão por desafetos do pretérito. Este mesmo Leonel, já adulto e casado, acompanhou a espinhosa existência de sua filha Alcina, que como ele era obsidiada desde o berço.
Crianças que padecem obsessões devem ser tratadas em nossas instituições espíritas através do passe e da água fluidificada, e é imprescindível que lhes dispensemos muita atenção e amor, a fim de que se sintam confiantes e seguras em nosso meio. Tentemos cativá-las com muito carinho, porque somente o amor conseguirá refrigerar essas almas cansadas de sofrimentos, ansiando por serem amadas.
Fundamental, nesses casos, a orientação espírita aos pais, para que entendam melhor a dificuldade que experimentam, tendo assim mais condições de ajudar o filho e a si próprios, visto que são, provavelmente, os cúmplices ou desafetos do pretérito, agora reunidos em provações redentoras. Devem ser instruídos no sentido de que façam o Culto do Evangelho no Lar, favorecendo o ambiente em que vivem com os eflúvios do Alto, que nunca falta àquele que recorre à Misericórdia do Pai.
A criança deve ser levada às aulas de Evangelização Espírita, onde os ensinamentos ministrados dar-lhe-ão os esclarecimentos e o conforto de que tanto carece.

*****


O número de crianças obsidiadas tem aumentado consideravelmente. Há bem pouco tempo chegaram às nossas mãos, quase simul-taneamente, cinco pedidos de orientação a crianças que se apresentavam todas com a mesma problemática de ordem obsessiva.
Um desses casos era gravíssimo.
Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois, quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando especial-mente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento.
Foram feitas reuniões de desobsessão em seu benefício, quando se verificaram as origens do seu estado atual. Atormentada por muitos obsessores, seu comprometimento espiritual é muito sério.
As outras crianças mencionadas tinham sintomas semelhantes: acordavam no meio da noite, inconscientes, gritando, falando e rindo alto, não atendiam e nem respondiam aos familiares, nem mesmo dando acordo da presença destes.
Todas são menores de cinco anos.
Com a terapêutica espírita completa, essas crianças melhoraram sensívelmente, sendo que três retornaram ao estado normal.

Suely Caldas Schubert (Livro: Obsessão e Desobsessão)


endereço: http://www.oespiritismo.com.br/textos/ver.php?id1=173
imagem:
verena719.blogspot.com



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