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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

FENÔMENOS PSICO-FÍSICOS DE NATUREZA ESPIRITUAL


Prof. Dr. Nubor Orlando Facure


A doutrina espírita contém em seus fundamentos uma série de informações que nos permitem identificar uma classe especial de fenômenos que sugerimos tratar-se de fenômenos “psico-físicos de natureza espiritual”. Correspondem ao processo de atuação da alma no corpo físico.

É muito fácil reconhecermos os fenômenos da realidade física e da esfera psicológica que fazem parte de toda nossa vida. Queremos, no entanto, pôr em destaque, uma outra classe de fenômenos que só a atuação do Espírito é capaz de explicar.

No mundo físico conhecemos a natureza da matéria e os processos que regem seu movimento e suas combinações.

No mundo psicológico identificamos os mecanismos inconscientes que impõem nossos comportamentos e aprisionam nossos desejos.

No domínio espiritual a literatura, especialmente de Kardec, André Luiz e Emmanuel, já nos indicaram mecanismos interessantes que atuam na interface corpo/alma.

O paradigma atual da Medicina, embora tenha esclarecido grande parte da anatomia e da fisiologia do organismo humano, não tem abrangência suficiente para perceber ou interpretar o complexo mecanismo de atuação do Espírito sobre o corpo. Essa será, possivelmente, a maior descoberta da Ciência.

Um modelo interessante para exemplificar a extensão dessa dificuldade é visto na glândula pineal. Conhecemos sua anatomia minúscula, sua relação com os ritmos biológicos, sua sensibilidade à luz, sua precária ligação com o cérebro, sua produção química modesta e sua expressão clínica pouco significativa.

É por isso que causaram surpresa os relatos que nos chegaram da espiritualidade, apontando expressivas atividades da glândula pineal, que ultrapassam o que até hoje fomos capazes de constatar com nossos estudos macro ou microscópicos.

Precisamos deixar claro que o que enxergamos “do lado de cá”, é apenas a expressão anátomo-funcional da glândula. Por não termos os instrumentos de acesso ao mundo espiritual, não sabemos como é que se processa sua atividade na interação cérebro/mente.

Podemos identificar as células da pineal e sua microestrutura, registrarmos suas trocas metabólicas, identificarmos as secreções dos humores e a transmissão dos influxos nervosos. Entretanto, no domínio da atividade espiritual, os possíveis componentes e como atuam, são ainda indetectáveis pelos nossos instrumentos. Extrapolar nosso conhecimento “daqui para lá” ainda permanece no campo da metafísica.

Não seria prudente imaginarmos que “por aqui” poderemos um dia conhecer toda extensão desse fenômeno que chamamos de “psico-físico de natureza espiritual”. Pressupondo, de antemão, que “do lado de lá” a dinâmica espiritual do fenômeno é muito mais ampla e significativa do que nossa anatomia pode registrar.

Aprendemos com a doutrina espírita que existem três elementos fundamentais que direcionam a fisiologia dos processos orgânicos que nos condicionam a vida: o Espírito, o perispírito e os fluidos que intermedeiam a intercessão corpo/alma.

Parece-nos ser desnecessário anotar os detalhes já bem conhecidos dos três. Os livros básicos da Doutrina são suficientes. Nosso propósito será o de apontar alguns fenômenos que nos parecem ilustrativos para a apresentação da fisiologia metafísica que estamos interessados em estudar.

§ § A fixação do pensamento

§ § A coesão da população celular

§ § Os Centros de força

§ § A corrente sangüínea e a energia vital

§ § A glândula pineal e sua fisiologia espiritual

§ § A ectoplasmia

§ § A respiração restauradora

Nossa sugestão é que fenômenos desse tipo sejam rotulados de “fenômenos espírito-somáticos” . Seu estudo abrange uma grade de fenômenos que pode nos levar conhecer leis gerais da fisiologia que integra o corpo à alma.

A fixação do pensamento

A neurofisiologia sugere que o pensamento é um processo contínuo que se expressa na atividade dos neurônios do cérebro. Nossas idéias nascem a partir de estímulos externos que atingem os órgãos dos sentidos ou por mecanismos internos de percepção e memórias acumuladas no decorrer da vida.

O neurônio foi identificado como célula fundamental a partir do momento que técnicas de coloração permitiram o reconhecimento da sua estrutura. Quando Camillo Golgi em 1873 usou uma tintura de prata para corar o cérebro, foi possível perceber que alguns neurônios se impregnavam com essa coloração revelando o corpo celular e seus prolongamentos, inaugurando, a partir daí, uma revolução extraordinária no conhecimento do cérebro.

Nessa mesma época (final do século XIX), Franz Nissl, consegui corar os neurônios com o violeta de cresil, descobrindo no citoplasma o amontoado de uma substância de aparência “tigróide” que ficou conhecida como “corpúsculos de Nissl”. Os estudos atuais revelaram que esses corpúsculos correspondem a uma estrutura membranosa denominada Retículo Endoplasmático Rugoso que tem a função de construir proteínas dentro dos neurônios. Algumas dessas proteínas farão parte das membranas celulares e outras participarão de enzimas que atuam na produção de nurotransmissores.

A membrana que reveste os neurônios é formada por duas camadas de uma substância gordurosa fosfolipídica. Essa camada é impermeável, isolando o conteúdo interno dos neurônios dos fluidos extracelulares. Ela é, porém, interrompida por “portões” de proteínas que constroem os canais que permeabilizam as membranas. É através desses canais de constituição protéica que entram ou saem íons e substâncias que afetam a atividade dos neurônios (sódio, potássio, cálcio, neurotransmissores, tranqüilizantes, antidepressivos e drogas como a cocaína, para citar exemplos mais conhecidos) .

Por outro lado, as enzimas são indispensáveis para a produção dos neurotransmissores que realizam toda transmissão da informação entre os neurônios.

Pode-se depreender que os corpúsculos de Nissl, estando diretamente ligados a produção de proteínas, exercem um papel fundamental na fisiologia cerebral.

André Luiz, em psicografia de 1958 (Evolução em dois Mundos), destacou a importância dos corpúsculos de Nissl ensinando que aí a mente fixa seus propósitos transmitindo pelo pensamento as idéias que o Espírito projeta no cérebro. A partir das percepções dos sentidos, o Espírito renova suas idéias, projeta na rede de neurônios sua energia que resulta em pensamentos capazes de se adequarem no cérebro, produzindo nossos atos.

Um neurônio, em constante atividade, vai expandindo suas sinapses fixando o aprendizado que a experiência vai lhe fornecendo. Em cada sinapse se ajustam os canais de transporte químico fundamentais a troca de informações entre os neurônios. Tanto esses canais, como os neurotransmissores, são construídos a partir de proteínas montadas, principalmente, dentro dos corpúsculos de Nissl. Portanto, afirmar que o Espírito exerce atuação direta nos corpúsculos de Nissl, como ensinou André Luiz, nos permite supor que é o Espírito que em última análise constrói o tipo de neurônios que estrutura o cérebro de cada um de nós.

A coesão da população celular

O organismo humano é formado por mais de 300 trilhões de células em constante renovação. Os diversos órgãos que o compõem, se estruturam em diferentes camadas de tecidos que reúnem células típicas e variadas. Temos em nosso corpo para mais de 250 tipos diferentes de células, incluindo os neurônios, as células da glia que sustentam o cérebro, os hepatócitos, as células musculares, as gordurosas, as epiteliais que revestem a pele e assim por diante.

A Ciência atribui ao programa impresso no genoma todo esse projeto de distribuição e organização do gigantesco universo celular que constrói nosso corpo. Falta-nos, entretanto, uma teoria adequada ao gigantismo dessa tarefa, já que, só de neurônios temos dezenas de tipos morfológicos, num total de 100 bilhões de células, exigindo conexões sinápticas que ultrapassam a trilhões de ligações absolutamente precisas. Precisamos lembrar que no útero materno o embrião constrói 250 mil neurônios por minuto. Torna-se uma tarefa espantosa para os poucos 33 mil genes que trazemos como patrimônio genético.

A doutrina espírita ensina que o molde que nos estrutura o corpo físico é função do perispírito que nos ajusta ao mundo espiritual. Estão nesse perispírito todos os traços que identificam nosso mundo mental. Entretanto, a feição física que aparentamos e os estigmas de doenças nos marcam não se reproduzem como uma cópia fotográfica fiel do nosso perispírito. As pessoas de aparência simples mas de Espírito nobre irradiam uma tessitura espiritual que se sobressai diante das imagens de beleza que a mídia costuma dar destaque, especialmente para o corpo feminino. A presença de deformidades físicas está ligada aos nossos méritos e necessidades, adequadas aos débitos pretéritos que acumulamos, mais do que a aparência do perispírito. Nem sempre os aleijões acompanharão o Espírito após a desencarnação.

Allan Kardec sugere que o conhecimento do perispírito tem muito a colaborar com a Medicina para esclarecimento de nossas doenças. Mas recorremos de novo a André Luiz para nos surpreender com suas revelações. Ele ensina que pela atuação de nossa mente, mantemos coesas as trilhões de células que compõem o nosso corpo. Essa atividade dá às nossas atitudes uma responsabilidade enorme no compromisso que temos em zelar pelo nosso equilíbrio físico. Porém, as surpresas não param por aqui. André Luiz afirma que cada uma dessas células é um universo microscópico onde estagia o princípio inteligente, constituindo cada célula que abrigamos em nosso corpo uma unidade com individualidade própria, sobre as quais temos imensa responsabilidade de sustentar e conservar. São “almas” irmãs, que em estágio primitivo, percorrem conosco as lutas da vida física, emprestando ao Espírito humano a dádiva do seu metabolismo.

Os centros de força

A cultura milenar do oriente registra em seus livros sagrados a existência de centros de força, ou chacras, de localização constante no corpo espiritual de todos nós. Eles se localizam no cérebro e em plexos distribuídos pelo nosso corpo nas regiões da laringe, do estômago, do baço, do plexo celíaco relacionado com o trato digestivo e região genital.

São em número de dois no cérebro, o chacra cerebral localizado na região frontal e o chacra coronário nas regiões centrais do cérebro.

Os lobos frontais passaram por um processo extraordinário de expansão quando se iniciou a evolução do ser humano na Terra. O lobo frontal é a região que mais nos distingue do cérebro de um chimpanzé. Estão relacionados com nossos pensamentos abstratos, com nossa capacidade de classificar os objetos, de organizar nossos atos e programar nosso futuro. Sem o lobo frontal o homem se torna irresponsável, perde a capacidade de organizar as coisas num ambiente, deixa de se preocupar com os outros, pode se tornar jocoso e não percebe a gravidade da situação em que vive. É o lobo frontal o que mais nos torna humanos.

André Luiz nos diz que o chacra cerebral, de localização frontal, nos permite estar em união com as esferas mais altas que direcionam nossos destinos na Terra. Através da oração, projetando a súplica piedosa ou o agradecimento sincero, mantemos contato com os seres sublimes que nos orientam e protegem.

Na região coronária podemos apontar três níveis estratificados anatomicamente. O córtex, os núcleos da base e o diencéfalo. O córtex cerebral da região coronária se relaciona com a atividade motora que nos facilita os movimentos voluntários. Nos núcleos basais (tálamo, putamem, globo pálido e caudado) são organizados nossos movimentos automáticos, que nos permitem realizar a respiração, a deglutição, a mastigação e a marcha, para citar exemplos fáceis de compreendermos. E, finalmente, o diencéfalo reúne um agrupamento de células que desempenham papel importantíssimo no controle de nossas funções metabólicas, intimamente associadas a nossa sobrevivência. No hipotálamo, que compõe parte importante do diencéfalo, são produzidas dezenas de substâncias que controlam a atividade das nossas glândulas, funcionando como estimuladores da produção de hormônios na hipófise, na tireóide, na supra-renal, nos ovários e nos testículos entre tantas outras glândulas.

André Luiz ensina que no chacra coronário estão situadas as forças que mantém em equilíbrio a atividade dos trilhões de células que obedecem nosso comando mental, mantendo a forma e as funções do nosso corpo físico.

Os milhares de anos que nos separam do espiritualismo oriental não trouxeram maiores esclarecimentos à ciência médica, que não consegue identificar em seus fundamentos qualquer sinal da existência dos chacras. Mesmo assim, convém considerarmos alguma hipótese para tentarmos relacionar os chacras com a atividade cerebral. É clássico estudarmos o cérebro em seu aspectos modulares destacando as funções motoras, sensoriais, linguagem, memória, calculo, emoções entre tantos outros. Essas atividades são processadas por circuitos limitados a uma determinada área cerebral. Existe, porém, um outro arranjo funcional que a neurologia destaca como um conjunto de agrupamentos neurais que exercem sua ação de modo difuso, incluindo múltiplas vias neurais e suas áreas de repercussão. É o caso, por exemplo, dos sistemas de ativação ascendente que tem a propriedade de nos manter alertas ou em pleno sono.

De maneira simplificada, podemos considerar pelo menos três sistemas de atuação global, habitualmente rotulados de “sistemas modulatórios de projeção difusa”. O sistema hipotálamo-secretor, o sistema neurovegetativo e, o sistema de relação com neurotransmissores como o dopaminérgico, o seratoninérgico e o noradrenérgico, estando os três fortemente relacionados com transtornos mentais diversos. São eles que, nesse artigo, queremos sugerir, com hipótese, estarem relacionados com os chacras cerebral e coronário.

Considerando os chacras que se expressam no cérebro, podemos notar sua coincidência com os “sistemas de atuação difusa”. No chacra frontal, predomina o sistema dopaminérgico responsável pela expressão do pensamento abstrato e insersão na realidade física. Doenças como a epilepsia e as demências frontais levam a uma deteriorização da mente desses pacientes que se tornam completamente dissociados do mundo físico em que vivemos. Na região do chacra coronário, vimos o significado do controle endócrino realizado pelo eixo diencéfalo-hipofisário. Essa atividade glandular orquestrada é indispensável para a manutenção do nosso metabolismo, sem o qual a vida nos seria impossível.

A Corrente Sanguínea e a Energia Vital

É muito fácil de se aceitar a idéia de que nossa vida está intimamente ligada ao coração. Aristóteles afirmava que a Alma aí se localiza porque qualquer ferimento nele leva imediatamente à morte.

Nos dias de hoje, alunos do primário já aprendem que os batimentos do coração impulsionam o sangue pelas aterias, que depois se difundem pelos capilares e retorna pelas veias. Nesse retorno o sangue passa pelos pulmões de onde retira o oxigênio que a respiração fornece. Temos cerca de seis litros de sangue circulando pelo nosso corpo e mais ou menos vinte por cento dele vai para o cérebro. Enquanto entra pelas artérias e sai pelas veias, o sangue circula dentro do cérebro em exatos seis segundos.

Assim que ocorre a morte, as artérias do cadáver estão vazias, já que a última batida impulsiona todo sangue para as veias. Essa observação levou Galeno a sugerir que as artérias estariam sempre cheias de ar. Ele propunha, também, que circula junto com o sangue um elemento imaterial que denominou pneuma vital. Esse fluido nasce no coração, distribui-se pelo corpo e, se transforma no pneuma animal ao atingir o cérebro, nos permitindo perceber o mundo pelos sentidos e a reagir com os nossos movimentos aos seus estímulos. A idéia de um “espírito animal” produzindo nossos reflexos, foi também adotada por René Descartes e por Thomas Willians, tendo aceitação médica por muitos séculos. Para Willians, os corpúsculos do “espírito animal”, percorreriam os nervos para pôr em ação os nossos movimentos.

Nos dias de hoje, sabemos da importância da circulação sanguínea distribuindo por todo organismo não só o oxigênio que nos sustenta a vida mas um número insuspeitável de substâncias ligadas à manutenção do metabolismo celular e de todo sistema imunológico.

André Luiz nos traz conhecimentos novos nessa área também. Diz o conhecido Espírito que junto com a circulação sanguínea circula o “princípio vital” indispensável à sustentação da vida. Ensina Kardec que é o princípio vital quem dá vida à matéria orgânica. Cada um de nós o tem disponível enquanto encarnados, consumindo nossa cota com o decorrer dos anos. Ele procede do “fluido cósmico universal” que nos abastece conforme nossas atitudes nos compromissos da vida. A meditação, a prece e o impulso que nos predispõe a amar ao próximo, fornecem a substância e a renovação do princípio vital. Ele nos penetra pela respiração, o que nos faz lembrar um dos mais belos versos da Bíblia – E Deus fez o Homem do barro da Terra e soprou em suas narinas o sopro da vida.

Anaxágoras considerava que o ar era a substância primitiva de onde procede tudo que existe. A relação do ar com a vida sempre foi aceita em muitas culturas. Nos livros de Galeno, as expressões espíritos e pneumas (ar) são equivalentes.

Aprendemos com André Luiz que o princípio vital é absorvido pela respiração e percorre todo organismo acompanhando a circulação do sangue.

A Glândula Pineal e sua fisiologia espiritual

Essa glândula situada no meio do cérebro já é conhecida há mais de dois mil anos e, mesmo assim, o que sabemos sobre ela é tão pouco que, nos tratados clássicos da neurologia, ela ainda não despertou interesse para merecer mais que citações curtas de algumas linhas sobre o hormônio que ela secreta - a melatonina.

A pineal é o relógio biológico que sinaliza um dos momentos mais importantes da vida, o despontar da sexualidade. Por ocasião da adolescência a pineal reduz a produção da melatonina ocorrendo, a partir daí, o desenvolvimento dos órgãos externos ligados a atividade sexual.

Até hoje é possível de se perceber, em determinados animais, que a pineal pode se comportar funcionalmente como um terceiro olho. Nesses animais a pineal está situada acima do crânio funcionando a modo de um periscópio que exerce um papel de vigilância para o animal. Não se deve estranhar, portanto, a forte sensibilidade que a nossa pineal tem para com a luz. A entrada da luz, que atinge a pineal pelas fibras nervosas que nosso nervo óptico conduz, reduz a produção de melatonina. No ambiente escuro, aumenta acentuadamente a produção do hormônio. Todos sabemos que os ursos hibernam em cavernas durante meses de escuridão e, nessa ocasião, o aumento da melatonina produz o entorpecimento do seu interesse sexual, que depois volta a se revelar no alvorecer da primavera.

O hormônio da pineal tem ligação direta com o depósito de melanina na nossa pele. Ele tem um efeito clareador diminuindo a pigmentação da pele. Isso justifica, por exemplo, a cor esbranquiçada dos bagres que vivem nas profundezas de águas escuras.

A melatonina tem sido utilizada como tranqüilizante produzindo relaxamento e sonolência. Foi experimentada também no tratamento de dores de cabeça e de epilepsia, mas em todos esses quadros o efeito da melatonina é muito pobre.

André Luiz, através de Chico Xavier, trouxe-nos informações inéditas e surpreendentes sobre o papel da pineal quando observada a partir do plano espiritual.

Sensível às irradiações eletromagnéticas, nossa pineal é sintonizador dos fenômenos de comunicação mental, mantendo-nos em permanente ligação com todos aqueles que compartilham conosco a mesma faixa de vibração.

Nos processos mediúnicos, a aproximação espiritual se vale da pineal para difundir sua mensagem até as diversas áreas cerebrais que ressoam sua transmissão.

Nas encarnações, que a misericórdia divina nos permitiu transitar pela Terra, nos enredamos em situações onde tivemos oportunidade de cultivar relações afetivas profundas, ao mesmo tempo em que fomentamos rivalidades e discórdias das mais variadas conseqüências. Como a Lei divina não exclui ninguém dos reajustes necessários, será através da pineal que iremos encontrar, mais cedo ou mais tarde, aqueles mesmos amores sinceros que nos incentivarão a progredir e os inimigos do passado que nos exigirão saldar as dívidas e os compromissos.

Entretanto, por mais que a anatomia cerebral possa nos revelar, não reconhecemos nas vias que emergem da pineal qualquer indicação dessa extraordinária participação da glândula em nossa vida mental. Como explicar, em vista disso, o que nos esclarece André Luiz? Pressuponho que será necessário conhecermos qual é o mecanismo de atuação do Espírito sobre o cérebro. Daí, nosso propósito de reunirmos esse conjunto de fenômenos que sugerimos sejam tratados de fenômenos “espírito-somático”.

No quadro dessa notória “fisiologia espiritual” que André Luiz dá destaque, creio que a chave para sua compreensão está na participação do chamado “fluido universal”, tão conhecido no meio espírita.

Ensinam os Espíritos que elaboraram a doutrina com Allan Kardec que os fluidos servem de veículos para a transmissão do pensamento. Derivado do fluido cósmico universal, ele inunda o Universo, nos envolvendo a todos, nos permitindo compartilhar do “Hálito Divino” que nos alimenta.

Na vida física, atuamos pelas vias nervosas que nos estrutura os neurônios, suas imensas redes de comunicação e sua extraordinária química que sintetiza e conjuga os neurotransmissores. Na dimensão espiritual estaremos usando esse elemento sutil, fluídico, que obedece a vontade que a mente direciona, permitindo-nos criar através da fisiologia espiritual uma dispersão muito mais ampla nos seus efeitos fisiológicos.

Quando Louis Pasteur, descortinou o imenso campo da microbiologia, esse conhecimento novo nos permitiu esclarecer a dinâmica da etiologia das doenças infecciosas. A descoberta do DNA abriu novas áreas para esclarecimento das chamadas doenças de origem genética. Entretanto, o estudo dos fluidos e suas propriedades poderá nos revelar uma nova fisiologia e, como conseqüência, as doenças que seus desvios provocam. A presença desses fluidos, está intimamente relacionada com nosso padrão de atividade mental. A literatura espírita é farta em afirmar que, todos nós, somos expressão da vida mental que nós mesmos escolhemos construir e refletimos em nossa aparência a composição fluídica que selecionamos.

Os desequilíbrios mentais, que a neurobiologia de hoje entende como decorrentes das alterações em neurotransmissores, com certeza, iniciam sua perturbação a partir dos fluidos que permitimos nossa mente projetar no cérebro, desviando a química que nos preside o equilíbrio do pensamento.

A Ectoplasmia

A partir dos fenômenos das mesas girantes, a mediunidade proporcionou aos pesquisadores do século XIX uma imensa variedade de manifestações físicas, entre elas a materializações de entidades espirituais. Nessa fenomenologia é mobilizada uma grande quantidade de ectoplasma permitindo o estudo da sua elaboração e constituição química. Todos os que estão presentes no ambiente da experimentação estarão doando uma cota maior ou menor de fluidos mas é do médium que sae, por todos seus poros e orifícios de excreção, o material mais ou menos denso que permitirá a presença das silhuetas que se corporificarão no ambiente onde o público aguarda.

No âmbito do estudo que estamos abordando, interessa anotar que o conteúdo bioquímico do ectoplasma procede na esfera física, do citoplasma das células do aparelho mediúnico. Em conjugação com os fluidos dos dois planos da vida é que o fenômeno adquire as propriedades de transição que permitem aos espíritos adentrarem a nossa dimensão.

A Respiração restauradora

O ar, como fonte insubstituível de vida, é percepção do senso comum a qualquer de nós. O ato de respirar está intimamente ligado a nossa sobrevivência. Anaxágoras atribuía ao ar a origem de tudo. A Bíblia registra que recebemos a vida a partir do sopro de Deus. Nos textos de Galeno, como já notamos, as expressões espírito e pneuma (ar) eram equivalentes. Para ele o pneuma vital era absorvido pelos pulmões e circulava do coração até ao cérebro para nos manter vivos. Na cultura oriental os exercícios respiratórios têm indicação mais importante que a atividade muscular.

Um dos fundamentos da doutrina espírita é de que a vida decorre da presença do principio vital que vivifica a matéria orgânica dando-lhe a propriedades de reagir.

A atividade constante dos nossos órgãos se faz as custas desse princípio vital e seu esgotamento leva o corpo a morte. Por outro lado, nossa atividade mental nos permite absorver da espiritualidade os fluidos que agregam elementos para sustentação do principio vital. Mais atividade corresponde a mais vida, tanto do ponto de vista físico como espiritual.

André Luiz nos aponta em seus textos que a respiração é porta de entrada restauradora para a realimentação de nossas energias vitais.



Fonte: www.geocities.com/chibeni/artigos.htm em 26/06/205
Endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1539.html
imagem: internet

sábado, 11 de setembro de 2010

A BIOÉTICA E O PARADIGMA ESPÍRITA


O progresso científico nos faz crer que estamos rompendo as fronteiras do impossível e a ousadia dos cientistas parece atropelar a ficção e provocar uma rotura no mito da criação. A cada nova descoberta que nos surpreende ficamos com a impressão de que estamos indo longe demais e o sistema de frenagem parece que ficou fora do nosso alcance. Cada descoberta, no entanto, revela o paradoxo que expõe com mais ênfase as nossas contradições : o que passamos a saber demonstra com mais força o que ainda não sabemos.

Identificamos as sub-partículas da matéria, sua equivalência com a energia e dissecamos um feixe de luz em ondas e em “quantas” de energia. Desconhecemos, porém, qual é a essência da energia, de onde provem a matéria que nos impressiona e não temos ainda uma noção muito segura dos fundamentos do Universo.

Dissecamos a célula, recombinamos sua química, traduzimos seu código reprodutor e ousamos alterar o abecedário genético. Podemos fazer cópias de qualquer forma de vida e dotá-las de aparências ou aptidões previamente escolhidas. Desconhecemos porém qual é a essência que produz a vida e de onde provém esta força que dá vida às células. Não temos, também, uma noção muito segura dos fundamentos que nos apontam qual é a origem da vida.

Os aparelhos de ultra-som nos permitem “ver” a criança dentro do útero em três dimensões. Podemos identificar seus defeitos estruturais confirmando precocemente a existência de malformações fetais.A biópsia das células da cavidade amniótica dentro do útero nos dão um registro de identidade da criança bem antes dela nascer. Ficam assim, os pais e o médico com a possibilidade de decidir sobre o ônus de continuar ou não a gestação de uma criança que se apresentará com paralisias ou retardo pela vida toda. Precisamos saber, porém, se interromper esta vida não significa perturbar o desenrolar de uma outra vida que transcende as expressões da matéria, para a qual, a deformação física faz parte das suas necessidades. Não há como fazermos esta pergunta para esta criança antes que ela venha ao mundo, mas sabemos que as que estão entre nós, mesmo ferindo suas pernas quando tentam caminhar, contorcendo suas mãos quando tentam escrever ou mastigando as palavras quando tentam falar, estas, mesmo assim, querem viver. E, se possível, de mãos dadas com as suas mães.

Os meios de cultura, os microscópios e os delicados instrumentos de manipulação das células nos permitiram lidar com o óvulo e o espermatozóide com a mesma facilidade com que Mendel combinou as flores e as ervilhas do seu jardim. As cores das ervilhas e das flores podem variar com a mesma facilidade com que podemos escolher o sexo, a cor da pele e a cor dos olhos para as nossas crianças. Estes filhos, porém, não trazem consigo, a certeza da felicidade, do respeito à vida ou a obediência aos pais quando estes souberam apenas fornecer o material genético que a reprodução assistida facilitou. Precisamos esclarecer se antecedendo a forma física não existe um ser transcendente cujas qualidades e aptidões nos são inteiramente desconhecidas.

Os equipamentos médicos de respiração assistida prolongam a vida de milhares de pacientes que a UTI teima em salvar. Os transplantes de órgãos dão ao paciente a oportunidade de um renascer na jornada da vida. Os imunossupressores controlam a rejeição nos transplantados e reduzem as respostas indesejadas em inúmeras doenças que a imunologia está esclarecendo a causa. Aplicações que atingem diretamente o sistema nervoso estão controlando dores terríveis que incomodam os pacientes com câncer. Estes progressos todos, porém, não conseguirão nunca solucionar o dilema da morte e do sofrimento que as vezes a antecede. Por outro lado, estes recursos que aliviam e prolongam a vida, podem, com a mesma competência, serem postos a disposição para decidir a data da morte ou a interrupção do sofrimento. O recurso da tecnologia veste a toga de juiz no médico que não sabe ver um sentido purificador de Almas quando a dor se torna crônica ou incontrolável. Precisamos saber se aliviar o sofrimento físico não precipita um compromisso maior ou se compromete um resgate que estaremos adiando.

O homem está acostumado a usar sua inteligência para fragmentar seus problemas e com isto poder dominá-los. Hoje, a extensão do nosso conhecimento nos permite perceber que esta separação “espedaça o complexo do mundo em fragmentos desconjuntados”,fraciona um problema específico mas cria um dilema gigantesco pela repercussão no todo. Este modelo de fragmentação e a competência tecnológica que ele proporcionou, não são suficientes para resolver as contradições do nosso mundo interior. Temos de rever nossas posições éticas com argumentos que extrapolem os limites e o alcance da Ciência. Principalmente, por que nos falta responder aquelas perguntas essenciais que esclareçam quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Nos dias de hoje estes dilemas nos parecem serem inadiáveis.

Os dilemas da ética de hoje nos empurraram precipitadamente para o aborto que descarta a criança malformada; a eutanásia que apressa a morte pressupondo alívio do sofrimento; a gestação de crianças sem vínculo afetivo com os pais; a manipulação genética que poderá escolher a aparência física; a vida psico-social do organismo completo, em contraposição à vida biológica de meia dúzia de células embrionárias fecundadas em laboratório. Parece que não nos damos conta de estarmos esticando ou cortando o fio da “teia da vida”.

Em 1857 Allan Kardec codificou uma Doutrina de bases científicas, filosóficas e religiosas. Entre seus princípios se afirma que a fé tem de se submeter ao critério de racionalidade. Seus enunciados científicos não se prendem às amarras de uma ciência que só consiga enxergar o mundo material que impressiona nossos limitados sentidos. Suas verdades estão sujeitas ao progresso humano que a própria Ciência tende a promover.

O seu conteúdo foi fornecido por Espíritos que acompanham e promovem o desenvolvimento da Humanidade. Eles afirmaram que somos todos Almas imortais que ocupamos provisoriamente um corpo físico que nos permite viver experiências que, de simples e ignorantes, nos tornarão sábios e puros de coração. Este processo de evolução se faz numa série incontáveis de reencarnações que se processam na Terra e em outros planos da criação divina.

Esta Doutrina nos revela que o aborto destrói a vida biológica e impede a reencarnação do espírito que habita este corpo desde a fecundação, comprometendo sua evolução espiritual.

A eutanásia adia o resgate e a reparação de débitos contraídos pelo espírito, cujo corpo sofre para possibilitar sua redenção. Isto não significa evitar meios de aliviar a dor ou o sofrimento, mas, de impedir que se utilize a morte como recurso terapêutico.

Cada um de nós recebe ao reencarnar, o corpo mais adequado às suas necessidades espirituais. A manipulação genética visando os benefícios e as dificuldades que este corpo venha a se manifestar, são estabelecidas por entidades espirituais que zelam por nosso progresso. A evolução do conhecimento humano vai possibilitar que o médico-cientista participe e favoreça nossas possibilidades físicas, mas, jamais nos livrará dos compromissos cármicos que nossos débitos pretéritos impõem como conta a pagar em nosso próprio benefício.

Nossa vinculação familiar já esteve ligada ao sobrenome ou aos títulos de nobreza. Hoje, está determinada pelos laços matrimoniais ou pela paternidade reconhecida no DNA. As técnicas de reprodução estão desmontando todos estes vínculos físicos,carnais,mas não conseguirão nos desfazer dos compromissos que deixamos de cumprir diante de irmãos de outras vidas, que mais cedo ou mais tarde, cruzarão nosso caminho, atraídos pela vibração que as algemas da culpa ou os laços de amor nos impulsionarem.

Ensinam os Espíritos que a reencarnação tem início no momento da fecundação através de processos complexos que exigem a “regressão” do corpo espiritual do reencarnante, a ordenação do patrimônio genético que ele vai receber e a conjunção de forças de atração exercidas pelos futuros pais. Esses Instrutores espirituais nos anteciparam que a fecundação e o desenvolvimento do embrião pode ocorrer sem a presença de um espírito assumindo este corpo. Este fato pode nos permitir imaginar que a fecundação em laboratório ocorre desprovida de um espírito em suas células e a gravidez só será bem sucedida quando a conjunção de diversos fatores ligados a participação de um espírito e a conjunção de vibrações dos pais promoverem a sintonia desta união.

Quando Allan Kardec perguntou aos Espíritos qual o nosso maior direito, eles responderam que é o direito de viver. A vida é a maior expressão da criação de Deus. Ainda não temos alcance suficiente para compreender a extensão da criação divina que expressa vida em tudo que existe. Os Espíritos, no entanto, ensinaram que o princípio inteligente deverá percorrer toda jornada de evolução, do átomo ao arcanjo.

Prof. Dr. Nubor Orlando Facure

*Nubor Orlando Facure, CRM-SP 11789, é diretor do Instituto do Cérebro de Campinas, e ex-professor titular de neurocirurgia da UNICAMP.


endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo816.html
imagem:
www.dhnet.org.br/.../dallari_bio.html

segunda-feira, 26 de julho de 2010

FLUXO DO PENSAMENTO - LEIS DO CAMPO MENTAL


O pensamento tem início de forma embrionária em seres vivos que foram aprendendo a se concentrar com determinado teor de persistência rumo a um certo objetivo, como o de se apropriarem de um alimento. Nessa longa caminhada, o pensamento passou a ser o instrumento sutil da vontade do Espírito, que exterioriza a matéria mental para atuar nas formações da matéria física, obtendo por esse caminho as satisfações que deseja.

A matéria mental é criação da energia que se exterioriza do Espírito e se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de propagação de energia do Universo.

Elaborando pensamentos, cada um de nós cria em torno de si um campo de vibrações impulsionado pela vontade, que estabelece uma onda mental própria, capaz de nos caracterizar individualmente.

Obedecendo às mesmas leis da energia e partículas do mundo físico, as ondas e partículas da matéria mental, em graus de excitações variados, se expressam em freqüência e cores particulares dependendo da intensidade e qualidade do pensamento emitido, ou seja, da vibração mental emitida.

Considerando o terreno das manifestações da física dos átomos, sabemos que o calor, a luz e os raios gama, são expressões vibratórias de uma mesma energia.

A excitação, por exemplo, dos átomos de uma barra de ferro por uma fonte de energia permite produzirmos calor de uma extremidade à outra da barra de ferro. A excitação dos elétrons de um filamento metálico permitirá a transmissão da luz, e a agitação dos núcleos atômicos de determinados materiais produzirá emissão de raios gama.

Tanto quanto na matéria física, o pensamento, em graus variados de excitação, gera ondas de comprimento e freqüência correspondentes ao teor do impulso criador da vontade ou do objetivo desejado.

Como a matéria é expressão da energia em diferentes condições de vibração e velocidade, a energia mental também se manifesta conforme as variações da corrente ondulatória, em corpúsculos da matéria mental. Aqui também se identificam as mesmas leis que regulam a mecânica quântica na transmissão de energia entre as partículas sub-atômicas. Quando vibram os átomos da matéria mental, correspondendo à formação de calor na matéria física, geram-se ondas de comprimento longo que se estabelecem com o propósito de manutenção de nossa individualidade ou de simples noção do Eu. Essas ondas longas prestam-se, também, para sustentar a integração da nossa unidade corporal, mantendo interligado o universo de células que compõem o nosso corpo físico.

Quando ocorrem as vibrações dos elétrons da matéria mental, irradiam-se luzes de tonalidades diferentes conforme a energia atinja os elétrons da superfície ou das proximidades do núcleo do átomo mental. Esse tipo de agitação ondulatória corresponde à emissão de pensamentos de intensidades variadas que vão, desde uma atenção momentânea voltada rapidamente a um certo objetivo, até a uma reflexão ou uma concentração profunda tentando resolver questões complexas.

Por fim, já vimos que a excitação dos núcleos atômicos gera os raios gama e, no campo da mente, a correspondente vibração dos núcleos dos átomos mentais gera ondas ultra-curtas emitidas com imenso poder de penetração de suas energias. Essas vibrações resultam de expressões de sentimentos profundos, de cores cruciantes ou de atitudes de concentração muito intensas.

A Indução Mental

Indução, em termos eletrônicos, consiste na transmissão de uma energia eletromagnética entre dois corpos sem que haja contacto entre eles. Este fenômeno ocorre por conjugação de ondas através de um fluxo de energia que é transmitido de um corpo a outro. No campo mental o processo é idêntico.

Existe uma corrente de ondas suscetíveis de reproduzir suas próprias características sobre uma outra corrente mental que passa a sintonizar com ela.

Expressando qualquer pensamento em que acreditamos, estamos induzindo os outros a pensarem como nós. A aceitação que os outros fazem de nossas idéias passa a ser questão de sintonia.

Por outro lado, ao sentirmos uma idéia, absorvemos e passamos a refletir todas as correntes mentais que se assemelham a essa idéia, comungando os mesmos propósitos.

Portanto, nossas idéias e convicções nos ligam compulsóriamente a todas as mentes que pensam como nós e , quanto maior nossa insistência em sustentar uma idéia ou uma opinião, mais nos fixamos às correntes mentais das pessoas que se sentem como nós e que esposam as mesmas opiniões.

Imagens Mentais

O espírito é a fonte geradora de todas as expressões da vida, e toda espécie de vida se orienta ou se modifica pelo impulso mental.

Sempre que pensamos, estamos expressando uma vontade correspondente ao campo íntimo das idéias, e as idéias, representando a expressão de energia mental, se corporificam pelo pensamento em ondas e corpúsculos, que se organizam conforme o teor e a intensidade da vibração mental e o propósito do pensamento emitido.

Portanto, na expressão de qualquer pensamento, o comprimento da onda emitida varia com a intensidade da concentração nos objetivos desejados e a natureza das idéias emitidas. Com as idéias criamos em torno de nós um campo de vibrações mentais que identificam, pelo seu próprio conteúdo, as nossas mais íntimas condições psíquicas.

Nessa atmosfera ideatória que nos cerca, os corpúsculos da matéria mental que compõem nossos pensamentos modelam "imagens" correspondentes às idéias que mentalmente projetamos.

Psiquicamente, na medida em que expressamos mentalmente uma vontade, um desejo, uma idéia, uma opinião, um objetivo qualquer, passamos a ser carregadores ambulantes de vontades com formas, de desejos com moldes, de idéias vivas que as representam, de objetivos e opiniões que se exteriorizam com cenas que materializam em torno de nós os nossos pensamentos.

Nossa mente projeta fora de nós as formas, as figuras e os personagens de todos os nossos desejos, inclusive com todo o conteúdo dinâmico do cenário elaborado. Com essa constelação de adornos mentais atraímos ou repelimos as mentes que conosco assimilam ou desaprovam nosso modo de pensar.

Perturbações do Fluxo Mental

A criação da matéria mental se origina do estímulo ideatório do Espírito, que é a fonte da energia vital para o cérebro. O Fluido Cósmico fornece o elemento para essas construções. Os corpúsculos mentais, sob o impulso do Espírito são exteriorizados em movimentos de agitação constante, produzindo correntes de formas ideatórias que se expressam na aura da personalidade que os cria.

Nesses vórtices de energia em que cada individualidade se exprime em correntes de matéria mental, também se cria, pela corrente de átomos excitados, um fluxo energético com conseqüente resíduo eletromagnético, que se expressa na aura de cada um de nós. A capacidade criativa da mente alimenta de forma permanente essa corrente em constante agitação.

O fluxo resultante do processo ideatório pode apresentar perturbações semelhantes a defeitos da circulação da corrente elétrica comum a qualquer aparelho doméstico.

Assim, a ausência de uma corrente eletromagnética residual pode ser identificada no cérebro de pessoas profundamente ociosas. Os circuitos mentais podem permanecer bloqueados, impedindo a circulação do fluxo mental, em razão de idéias fixas ou obsessivas. As lesões orgânicas cerebrais perturbam, naturalmente, as expressões do pensamento, já que o cérebro é o veículo para a manifestação física da mente.

As Leis do Campo Mental

Nossa atividade mental através do discernimento e do raciocínio nos dá a prerrogativa de nós mesmos escolhermos nossos objetivos.

Projetando nossas idéias, produzimos os pensamentos, exteriorizando em torno de nós irradiações eletromagnéticas com poder mais ou menos intenso, conforme o comprimento das ondas mentalmente emitidas.

Essa corrente de partículas mentais nascidas de emoções, desejos, opiniões e vontades, constrói em torno de nós, cenas em forma de quadros vivos que são percebidos em flashes ou imagens seriadas, ou cenas contínuas que nos colocam em sintonia com todas as mentes que harmonizam com os pensamentos que exteriorizamos.

Já vimos, também, que somos suscetíveis de induzir pensamentos-imagens nos outros, assim como recebemos sugestões que se corporificam em formas vivificadas dentro de nossa psicosfera.

A simples leitura de uma página de jornal, uma conversação rotineira, a contemplação de um quadro, uma visita a familiares, o interesse por um espetáculo artístico ou programa de televisão, um simples conselho, são todos agentes de indução que nos compromete psiquicamente com as mentes sintonizadas nos mesmos assuntos.

Pensar ou conversar constantemente significa projetar nos outros e atrair para nós as mesmas imagens que criamos, suportando em nós mesmos as conseqüências dessa influência recíproca.

Persistir em idéias fixas, em comportamentos obsessivos ou tensões emocionais deliberadamente violentas, nos escraviza a um ambiente psiquicamente infeliz, com imagens que nós forjamos e que nos mantêm num circuito de reflexos condicionais viciosos.

Construindo com o conteúdo dos nossos pensamentos o campo mental que nos cerca, vivemos psiquicamente dentro dele, obedecendo a leis fundamentais relacionadas com a estruturação desse campo.

Por princípio, temos que entender que o campo mental é resultado de emissão de idéias que nós criamos, com nossa participação exclusiva e, portanto, com nossa total responsabilidade. Esta é a primeira lei do Campo Mental.

A segunda lei é a da assimilação, que estabelece que nós estamos ligados unicamente às mentes com quem nós nos afeiçoamos.

Portanto, além da sintonia, é necessário haver aceitação das idéias para que assimilemos as interferências boas ou más que recebemos.

A lei da assimilação significa também que uma idéia que nos incomoda, que nos martiriza ou nos revolta, só persiste em nós pela aceitação que fazemos de seu conteúdo e pelas ligações que mantemos com o seu emissor.

A terceira lei do campo mental está relacionada com o estudo e o aprendizado que desenvolve em nós o discernimento e o raciocínio. Ela estabelece que cada de um de nós só assimilará idéias, sugestões ou informações inéditas ou inovadoras, se já desenvolvemos a compreensão necessária ao avanço desses pontos de vista.


(Baseado na obra de André Luiz, "Mecanismos da Mediunidade", psicografada por F. C. Xavier e Valdo Vieira)

Nubor Orlando Facure


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terça-feira, 27 de abril de 2010

O ENIGMA DA CONSCIÊNCIA


Prof Dr. Nubor Orlando Facure

A Teoria da “evolução das espécies” de Charles Darwin provocou um dos maiores choques culturais da humanidade e suas conseqüências ainda estão longe de se esgotarem. Alem dos aspectos biológicos com que foi inicialmente exposta pelo seu criador podemos percebê-la em diversos outros campos onde se manifesta a vida. Não seria exagero questionarmos se a evolução poderia ser reconhecida na “gênese das idéias”, capacidade que da ao homem de hoje a sua supremacia na natureza. Nesse caso, poderíamos questionar se a “evolução das idéias” ocorreu dentro de determinados princípios, e se teria sofrido uma seleção adaptativa como a que ocorreu na diferenciação anatômica das espécies.

Quando o famoso psicólogo suíço, Jean Piaget, estudou a inteligência, ele nos revelou as fases que acompanham seu desenvolvimento na criança. Sabe-se que um chipanzé adulto não ultrapassa a etapa sensório-motora que corresponde a uma criança de três anos, mesmo assim, temos que reconhecer que o seu repertório comportamental é muito vasto, nos permitindo conjeturar que eles tenham “idéias” com uma gama muito variada de pensamentos.

Podemos reconhecer, facilmente, as fases e os diferentes “níveis hierárquicos” na construção das idéias que nos dias de hoje atestam nossa racionalidade. Toda “hierarquia” pressupõe níveis de maior ou menor organização e possibilita a divisão em categorias que variam na sua complexidade. Convém reconhecer as “idéias” como produtos de desejos e intenções construídas por pensamentos. A complexidade, maior ou menor que se revela nas idéias, é que nos permite ver nelas, uma manifesta hierarquia.

Nossa sugestão é propor uma leitura por extenso do percurso que o “princípio inteligente” fez, animando todos os seres vivos, desde suas expressões mais primitivas até seu mais alto nível na espécie humana. Poderíamos ver aqui, mesmo que numa identificação arbitrária, as diversas fases que percorreram os seres vivos para compor todo seu patrimônio ideatório. A idéia de sobrevivência, por exemplo, deve ter percorrido toda esta trajetória, e quase tudo que existe no nosso corpo pode ser visto como recursos que desenvolvemos para garantir esta sobrevivência. O altruísmo, que apareceu mais tarde, iniciou-se como estratégia para garantir a sobrevivência. O que antes era de interesse individual, passou, depois, a ser de interesse grupal.

Pode parecer um contra-senso falarmos de “idéias”, assim como, causaria desconfiança, apontarmos qualquer expressão de atividade psíquica nas formas mais primitivas de vida. Não podemos negar, porém, que a ligação biológica entre esses seres e nós, exige, de alguma forma, que, tudo que se denomina para os humanos de “psiquismo” (como sinônimo de atividade mental), tem um vínculo, uma procedência, uma preexistência, uma relação direta com o comportamento destes seres primitivos. É a identificação deste percurso contínuo da atividade “mental” que queremos acompanhar. É claro que pode nos faltar terminologia mais adequada para explicitarmos com mais propriedade o que “pensam” estes seres primitivos, mas não nos é permitido deixar de identificar naquilo que eles revelam em termos de respostas químicas, de reações reflexas e de comportamentos instintivos, com tudo o que nós produzimos no colorido de atitudes que chamamos de humanas.

È bom lembrarmos que em termos fisiológicos, a ação que produz um determinado comportamento, é resultante de um pensamento que dirige esta ação. Isto é visível quando corro para me proteger da chuva. O mesmo fenômeno é notado no chimpanzé que corre de medo de uma cobra. Em ambos os casos ocorrem comportamentos de fuga com um conteúdo mental. No caso do chimpanzé, costuma-se rotulá-lo de comportamento instintivo, como se isso fosse possível de acontecer sem a construção de um repertório mental, constituído de pensamentos de medo, diante de um perigo eminente. Sua distinção em relação ao pensamento humano pode revelar quantidades e qualidades diferentes, mas não podemos excluir que existam pensamentos e suas idéias correspondentes, tanto para o homem como para o chimpanzé.

A construção da mente

A definição de mente e sua interação com o cérebro são dilemas ainda não resolvidos pela Ciência. De qualquer forma, o homem compreende sua mente através das idéias que ela expressa. Para René Descartes, nós já nascemos com um conteúdo de idéias inatas e Leibniz (Gottfried W.Leibniz 1646-1716) sugere a existência de mônadas na estruturação da mente. Para outros o conteúdo mental é produzido pelos estímulos que atravessam os nossos sentidos.

A discussão filosófica interpreta as idéias como sendo todo nosso conteúdo mental. Elas podem ser expressas em diversas formas de linguagem, seja num texto falado ou escrito ou numa composição artística qualquer. Em todas suas manifestações, o pensamento será sempre o veículo que expressa estas idéias.

Não escapa do raciocínio de qualquer um de nós que as idéias podem ter graus de maior ou menor complexidade. Locke (John Locke,1632-1704), por exemplo, considera que as idéias podem ser simples ou complexas e, elas seriam resultado das nossas sensações ou das nossas reflexões.

David Hume (1711-1776) diz que o pensar é pensar por meio de imagens, é imaginar e, que toda experiência, seja na sensação ou na imaginação, é chamada de percepção. Para Hume, as percepções são constituídas de idéias e impressões. As impressões podem se originar da experiência sensorial ou de atividades como a memória.

Diz ainda Hume, que a impressão pode não ter a mesma nitidez das idéias produzidas pela experiência sensorial. Ela precede sempre as idéias produzidas pelas sensações e, o que não pode ser imaginado não pode ser experimentado.

Definindo a mente, Hume a considera uma espécie de teatro, onde várias percepções fazem a sua apresentação sucessivamente.

Diz Hume que não temos a menor noção do lugar onde essas cenas são representadas, nem dos materiais que as compõem. Nossa mente seria apenas uma sucessão de percepções. A humanidade seria um acervo ou uma coleção de diferentes percepções que se sucedem umas às outras, numa rapidez inconcebível e se acham num estado de perpétuo fluxo ou movimento.

A noção de Eu, para Hume é impossível. É um disfarce para confundir uma sucessão de idéias, com a idéia de identidade que formamos de algo que permanece igual durante um período de tempo.

A idéia de que a mente interfere na percepção das coisas não é nova. Spinoza (Baruch Spinoza - 1632-1677), considerava que “está na natureza da mente perceber as coisas sob um certo ponto de vista atemporal”. Para Leibniz, é a disposição das mônadas, cada qual com uma disposição diferente, é que dá a aparência à realidade. Cada objeto consiste de uma colônia de mônadas e o corpo humano tem uma mônada dominante, privilegiada, que mais especificamente se denomina Alma humana.

O filósofo inglês, Jonh Locke, no “Ensaio sobre o entendimento humano (1690)”, revive a afirmação de Aristóteles, considerando a mente como uma folha de papel em branco cujo conteúdo seria preenchidos pela experiência. Locke chama este conteúdo mental, de idéias. As “idéias de sensação”, que seriam originadas da observação do mundo exterior através dos nossos sentidos e as “idéias de reflexão” que surgiriam quando a mente observa a si mesmo, é quando a mente analisa por si mesmo o seu conteúdo. Dizia Locke, que tudo o que nós conhecemos são idéias, e estas, por sua vez, retratam ou representam o mundo.

George Berkeley (1685-1753), considerava que o existir de alguma coisa é o mesmo que ser percebido. Isso significa dizer que os objetos que se percebe estão na própria mente. Nossa percepção visual, por exemplo, não são de coisas externas, mas simplesmente idéias que estão na mente. No seu “Princípio do conhecimento humano” de 1710, Berkeley, especifica sua fórmula básica de que “ser é ser percebido”. O que na verdade conhecemos e comentamos são, conteúdos mentais. Isso fica claro, por exemplo, quando ouvimos alguém. O que entendemos é o “conteúdo mental” do que ele diz, mais do que uma série de sons verbais isolados uns dos outros e depois encadeados como as contas de um colar.

Georg Hegel (1770-1831) partia da história para construir seus princípios da dialética. Seu método se aplicava não só como um instrumento da teoria do conhecimento, mas diretamente como uma descrição do mundo. Todo passo dialético percorre três etapas. A uma declaração inicial se opõe uma contra declaração, e finalmente as duas se combinam numa espécie de acordo. Penso eu que o oxigênio é vital para nossa sobrevivência, mas, num incêndio, o oxigênio pode agravar o fogo e nos comprometer a vida. Concluímos que conforme as circunstâncias o oxigênio pode ser indispensável ou perigoso para nossas vidas. No discurso inicial, segundo a dialética de Hegel, podem se opor proposições contraditórias, mas a conclusão deve exigir um arranjo composto. A contradição pode existir no discurso inicial, mas no mundo cotidiano dos fatos não existe a contradição.

Hegel foi autor do “Fenomenologia do Espírito” publicado em 1806. Ele mostra possuir considerável percepção da mente humana. Na psicologia do desenvolvimento intelectual, a dialética é, até certo ponto, um método perspicaz de observação e aprendizado. Percebe-se que com freqüência a mente progride segundo o padrão dialético seguindo a seqüência da tese, da antítese e a conclusão da síntese.

A Filosofia para Hegel é definida como o estudo da sua própria história. Foi a explicação detalhada dos acontecimentos que fez Hegel publicar a “Filosofia da História” de onde retirou sua dialética.

Creio eu que os acontecimentos e o significado de cada evento no decorrer do tempo, pode nos fazer compreender o sentido das coisas. Nesse aspecto a evolução da mente pode ser revelada numa abordagem dialética.

A Hierarquia das idéias

A estrutura anátomo-fisiológica do cérebro humano passou por todo o processo evolutivo a que se submeteram os organismos das várias espécies que a natureza produziu. Não é de estanhar que possamos surpreender no passado as origens da complexidade da mente humana e as idéias que a permite se expressar.

Por simplificação arbitrária, podemos fazer uma leitura didática das idéias considerando os níveis de suas complexidades. Seria uma proposta de se ver uma “hierarquia” na construção e evolução das idéias, como se estivéssemos identificando os programas mais simples que serviram de base para construir os programas mais sofisticados que organizam as nossas mente.

Analisamos seis fases:

1 - Fase química ou celular.

Vírus e bactérias.

Os primeiros organismos vivos iniciaram uma troca de informações químicas com o meio exterior. É a fase onde se aprimora o contato que patrocina a aproximação ou a fuga, mediadas exclusivamente por reações químicas. Um animal primitivo, constituído de uma única célula tem capacidade de detectar nas suas vizinhanças a presença de substâncias nutritivas e de realizar movimentos em direção a essas substâncias que ele incorpora em sua estrutura. Uma ameba, constituída por uma única célula, pode reagir, fugindo de uma picada com uma agulha ou absorver um fragmento químico que a alimenta. Essa mesma atitude continua a existir numa célula do nosso estômago ou de uma colônia de fungos.

No corpo humano, existem 250 tipos diferentes de células e é através da linguagem química que cada uma delas se comunica, entre si e o meio exterior. Nossa atividade mental é indispensável para essa orquestração, embora nossa consciência participe muito pouco dessa atividade, vindo a si dar conta dela, nas ocasiões em que as doenças rompem a homeostase e a harmonia dos órgãos.

É extraordinário como o ovário da mulher é capaz de liberar mensalmente uma célula reprodutora, escolhida entre inúmeras outras. Não se sabe por qual mecanismo é feita essa escolha, e por mais simples que possa parecer, em cada mês é um ovário diferente que fornece o óvulo.

No quadro das redes neurais a complexidade da comunicação química e elétrica é tão extraordinária que permite aos materialistas pensarem que é ali que nascem todas as nossas idéias.

O perfume de uma flor que afeta a química das nossas células olfativas, é capaz de nos provocar lembranças há muito tempo sepultadas nas nossas memórias da adolescência.

A atuação de cocaína nos neurônios, é tremendamente devastadora para a personalidade do indivíduo viciado nesta droga.

Um pensamento de cólera pode desencadear a produção de substâncias pelas nossas glândulas, com efeito devastador para nosso organismo.

A hipófise tem mais ou menos o tamanho de uma ervilha e, mesmo assim é capaz de orquestrar uma dezena de hormônios que regulam glândulas esparramadas pelo nosso organismo.

2 - Fase reflexa.

Animais invertebrados.

Após a fase química e no momento em que uma célula reconhece a presença de outras células vizinhas, construiu-se uma organização que passou a distribuir tarefas. Foi criado pela “idéia” do grupo celular, um sistema de estímulo-resposta, caracterizado, tipicamente, pela expressão de um determinado comportamento reativo. Essa reação pode ser tão simples como um movimento corporal ou uma divisão celular. Outras vezes são complexas expressando fuga ou aproximação. Uma ameba, constituída por uma única célula, pode reagir, fugindo de uma picada com uma agulha.

Nesse nível não há competência suficiente para produzir um aprendizado, mas a transmissão genética permite às espécies reproduzirem respostas repetidas e organizarem os instintos.Uma lesma não é capaz de aprender a sair de um labirinto, mas reage diante de uma ameaça, expulsando um jato de tinta que confunde o predador.

A falta de flexibilidade das idéias nesta fase pode ser danosa e comprometer a sobrevivência do animal. Uma mariposa confunde a luz dos postes com a claridade da lua, e morre queimada pelo calor da lâmpada. É curioso notar, o quanto essa falta de flexibilidade tem perturbado a vida de todas as criaturas.As tartarugas recém nascidas, por exemplo, confundem as luzes da cidade com as estrelas vespertinas, e morrem esmagadas no asfalto. É notória a competência das mulheres em lidarem com a flexibilidade das idéias a seu favor, superando com isso, o mito da inteligência masculina.

O processo fundamental nesta fase primitiva do “princípio inteligente” é sua interação com o meio. Sua fisiologia está baseada na Lei de “ação e reação” onde para um determinado efeito existe uma única causa que a observação ou a experimentação pode revelar.

Em termos neurológicos esta fase caminha para o desenvolvimento do arco reflexo e dos mecanismos automáticos ligados aos núcleos da base. Estas estruturas estão intimamente ligadas à sobrevivência. Organizam-se colônias multicelulares e a reprodução é por divisão celular sem qualquer divisão sexual A partir daqui serão desenvolvidos objetivos mais sofisticados para aproveitar melhor os mecanismos de aproximação ou fuga. Uma libélula é capaz de responder a estímulos químicos de uma parceira sexual situada há quilômetros de distância.

Diversos órgãos do nosso corpo estão em constante atividade dirigida por um sistema nervoso totalmente autônomo. Este sistema funciona sob controle de atividade química de neurotransmissores que os reflexos nervosos ao nível dessas vísceras liberam. A “hidra dos aquários” é um dos animais que possui o sistema nervoso mais simples que conhecemos e convém destacar que com a criação das primeiras redes neurais, teve início o que podemos chamar de linguagem interna.

3 - Nível das proto-idéias.

Peixes, répteis, anfíbios e aves.

Têm início os automatismos. Desenvolve-se aqui a organização de sociedades, formação de agrupamentos e construção de abrigos. Um animal nessa fase já tem “consciência” da existência do outro. Na constituição das famílias começam a aparecer “idéias” de proteção dos descendentes e acúmulo de alimentos para garantir a escassez. Os pais têm compromissos na alimentação das suas crias. As relações com o meio exterior ficam mais complexas. Aparecem as noções de esquema corporal vital para o animal aprender a associar as suas dimensões em relação ao ambiente, ao tamanho dos seus rivais e o quanto pode estender suas patas para alcançar as suas presas. Desenvolvem-se a orientação no tempo e no espaço indispensáveis aos ritmos biológicos circadianos. Aves e peixes fazem jornadas quilométricas mapeando e depois memorizando as sinalizações que encontram na trajetória percorrida durante as migrações. Aparece um verdadeiro aprendizado no qual o conhecimento adquirido é transmitido de uma geração para outra. Isso pode ser visto na construção de tocas, de ninhos ou mesmo nos gestos que as aves usam para voar.

4 - Nível integrativo ou associativo.

Mamíferos e primatas.

Aqui a aquisição de conhecimento se completa com a possibilidade de ser este conhecimento transmitido às gerações futuras.Varias funções psíquicas são agregadas para a sua estruturação. Compõe-se, por exemplo, da fixação da atenção, das respostas emocionais e da memorização. Elas se caracterizam pela interação com o ambiente e pela formação do conhecimento.

O animal consegue desenvolver comportamento comprovadamente inteligente. O macaco se utiliza instrumentos que lhe facilitam o acesso a uma fruta que os braços se mostram curtos para alcançar. Comportamentos altruísticos facilitam a sobrevivência do grupo.

5 - Nível de aquisição da consciência do Eu.

Humanos

Quando falamos de consciência do Eu, temos a impressão de que esse Eu parece ser alguém que está sempre conosco, exatamente onde estamos e dentro de nós. A minha sombra não é o meu Eu, nem o é as imagens que vejo nas minhas memórias. Ali estão apenas as minhas lembranças .

É extensa a literatura que descreve as características que diferenciam o comportamento do homem em relação aos outros animais. Diz-se que o Homem é o único animal que perdoa. Só ele é capaz de sorrir e de dar a vida para salvar seu filho. O Homem é o único animal cujos medos são capazes de criar superstições.

A mente humana incorporou todos processos de linguagem que a evolução do nosso organismo nos possibilitou acumular. Nossas “idéias” passaram a dar um significado a cada objeto. Esse significado passou a ser reconhecido por símbolos. O pensamento começou a se expressar simbolicamente por palavras construindo uma linguagem e a partir daí a humanidade construiu sua cultura.

A aquisição da linguagem falada foi um processo que hoje está tão arraigado em nossa mente, que nos parece ser impossível mentalizar qualquer idéia sem o uso das palavras. Todos nós, porém, nos comunicamos, tanto interna como externamente, com diversas outras formas de linguagem. Nossos medos e nossas crenças, comumente, não usam palavras para se manifestarem em nós. As expressões corporais são umas das mais eficientes formas de comunicação que também não se serve de palavras. Qualquer artista de teatro sabe que nosso corpo fala pelos gestos. A linguagem corporal é tremendamente mais rica e eficiente que a linguagem verbal. As palavras nunca conseguem expressar toda força de uma grande emoção enunciada pelos gestos

A consciência dos nossos atos corre em paralelo com uma série de gestos que podemos realizar inconscientemente. Já discorri sobre o que chamei de inconsciente neurológico dando exemplos que ilustram esta atividade. Diversas funções cerebrais estão intimamente ligadas a consciência. É fácil percebermos que o nosso nível de consciência está ligado ao esforço que imprimimos à atenção e a qualidade da consciência depende do material contido nas nossas memórias.

Nessa fase nossa consciência é limitada pelos recursos que o cérebro pode lhe oferecer. Em raras situações o desdobramento da consciência pode ser registrado no cérebro e nessas situações tomamos contato direto com as informações procedentes de outras dimensões e que ficaram impressas nos circuitos da memória física.

A espiritualidade é um atributo de nossa personalidade. Ela se desenvolveu no curso da evolução a partir de idéias primitivas de temores diante das ameaças que as forças da Natureza parecia nos ameaçar. Depois aprendemos a estabelecer as trocas com a divindade.

6 - Nível transcendente ou de espiritualização.

Místicos e missionários

Compreende o período da expansão da consciência. O neurologista está habituado a analisar os níveis de consciência nos seu sentido de maior ou menor profundidade. Esses níveis variam desde o estado de alerta, a sonolência, o torpor e o coma, quando então a consciência está abolida em graus de maior ou menor profundidade. A visão neuropsicológica moderna nos permite ver as alterações da consciência em expressões de maior ou menor amplitude. A expansão da consciência nos permite acessar, voluntária ou involuntariamente, os chamados “estados alterados da consciência”, com a possibilidade de transitar por informações de outras dimensões.

No nosso atual estágio evolutivo, o que compreendemos destes “outros planos da vida”, ainda são “idéias” elaboradas por construções fragmentárias. Quase sempre sem tradução completa nas expressões comuns da linguagem humana. Elas podem ser aceitas, transmitidas, mas não são compreendidas em toda sua extensão. É preciso ver nelas o subentendido que o aparente não revela. Expressam conceitos como: Deus, a criação, a eternidade e o infinito.Caracterizam-se por serem adquiridas como uma “revelação”. Podem ser interpretadas como sendo uma “vivência psíquica”. Uma das suas características é a sua generalidade. Grandes místicos do passado conseguiram expressá-las nos textos dos seus pensamentos memoráveis. Ao recordar algumas destas idéias podemos perceber a harmonia com que combinam simplicidade com complexidade: “O tudo está em tudo”. “Tudo é movimento”. “O cosmo está no homem”. “O não visto é o visível próximo”.

Aqui se descobre a complexidade do mundo, a extensão das experiências que nossas mentes já acumulam. E, tanto efeito como causa, devem ser vistos no plural.

Uma visão psicológica

As idéias têm a propriedade de revelar a atividade mental que estamos desenvolvendo. Isso não significa que elas sejam sempre expressas na linguagem falada que estamos habituados a expressar. Um gesto ou a expressão de um olhar nos mostra que o corpo fala, e às vezes fala mais que as palavras.

Penso que o conteúdo da nossa mente não é preenchido apenas por idéias, conforme afirmam alguns filósofos. O que torna muito mais complexa as possibilidades de nos expressarmos. Todos nós sabemos, que o conteúdo do inconsciente, é muito rico de imagens que as idéias mantém por muito tempo desordenadas. Conhecemos a dificuldade em traduzirmos este texto escondido no inconsciente. Muitas doenças servem de linguagem traumática para expressar o que temos ali dentro.

À medida que vamos estabelecendo idéias bem definidas, vamos acumulando um conhecimento que gradativamente constrói a nossa cultura. Outras idéias são aceitas de modo dogmático estabelecendo as crenças e criando os mitos. As crenças podem se adquirir a partir de uma experiência subjetiva, difícil de ser transmitida para os outros.

No diálogo interior que fazemos com a nossa própria consciência estamos habituados a construir desejos e intenções que podem se revelar no ambiente que nos cerca através de palavras ou de gestos. Entendo a consciência como a “propriedade” que nos permite perceber a realidade interna e externa.

No que se refere ao mundo exterior, é sempre mais fácil construirmos idéias que descrevam o que percebemos a respeito dele. É uma tarefa mais leve identificarmos e descrevermos os objetos situados fora de nós. Quanto ao nosso mundo interior as idéias são insuficientes para descreve-lo. Nossas impressões e reflexões são sempre mais fortes do que os pensamentos que elaboramos sobre elas. Estamos habituados a traduzir nossos pensamentos em palavras, e as emoções que nos afetam, podem ser de tal magnitude, que nos faltem palavras para descreve-las. Outras vezes, nossa surpresa é tão grande que nos faltam idéias para interpretar os fatos que nos abalam.

Acreditamos que nossa consciência é preenchida de pensamentos e idéias incessantes, parecendo-nos a todos que é impossível pararmos de pensar. Os místicos, habituados a se concentrarem em meditações profundas, descrevem a consciência como um fluxo incessante de energia e não necessariamente de idéias. Nesse estágio, a consciência se apropria da essência das coisas e atinge outras realidades.

No processo de aquisição das idéias e da experiência que a evolução sedimentou, podemos perceber que a mente humana é herdeira, de todas as formas de conhecimento que cada célula, cada agrupamento celular e cada organismo de todas as espécies que a evolução nos permitiu transitar, conduzindo, o “princípio inteligente”. É perfeitamente possível identificarmos, em expressões do comportamento humano, toda esta riqueza de idéias que a vida, expressa em tão grande diversidade biológica, consegui fixar em nossa mente.

A atividade celular em qualquer parte do nosso corpo ainda obedece à mesma química das células dos primeiros animais que nos antecederam. Os reflexos primitivos permanecem em total independência na sinfonia dos nossos órgãos internos. Os instintos e automatismos de uma abelha que constrói seus favos ou de uma libélula que localiza sua fêmea permanecem vivos no homem e na mulher que constroem seus sonhos. Quase todos nós já vivemos a experiência de usar um reflexo de fuga para dar um salto antes que alguém nos atropele. O instinto de sobrevivência nos faz agasalharmos para não sermos surpreendidos pelo frio. Muitas vezes caminhamos automaticamente por ruas que já conhecemos sem precisarmos nos dar conta dos obstáculos que ela contém. É instintiva a necessidade de correr quando um animal nos ameaça ou quando o cheiro de fumaça é alertado pelo grito de que há fogo por perto. Com esses exemplos estamos ressaltando que a química celular, os reflexos, os automatismos, o comportamentos instintivos adquiridos nos cenários da vida, permanecem convivendo conosco em parceria com a consciência, permitindo que através dela, toda nossa atividade seja comprometida com nossa responsabilidade.

Uma olhada na psicopatologia

A doença mental tem sido focalizada no decorrer dos tempos a partir de variadas interpretações. Não pretendemos nos deter neste histórico deixando apenas registrado que, na atualidade, ainda prevalece uma visão organicista e outra psicodinâmica nos fundamentos da psicopatologia.

Qualquer que seja nossa abordagem permanecerá no palco das manifestações dos distúrbios mentais uma perturbação no contexto das idéias que cada indivíduo revela nos seus desvios mentais.

Como nos parece que as idéias foram construídas a partir de um processo evolutivo acrescentando níveis de aquisições hierarquizadas, creio que poderíamos dar uma olhada no discurso das doenças mentais a partir da idéias que revelam o quadro clínico destas manifestações. Nossa proposta é apenas um ensaio despretensioso.

No caso do autista, podemos enxergá-lo fixado em um nível de reação extremamente limitada que não lhe permite interagir adequadamente com o meio exterior. Sua capacidade de gerar respostas aos estímulos exteriores está fortemente comprometida. Sua vida se limita a reflexos simples sem os componentes de associação entre os diversos módulos de atividade cerebral

No transtorno obsessivo compulsivo as atitudes estão fixadas em automatismos primários cuja repetição é impositiva para o paciente.

Na esquizofrenia ocorre uma regressão violenta na capacidade de construir idéias coerentes com a realidade tanto do meio externo quanto interno. O paciente tem uma aparência de constante sensação de hostilidade. Suas capacidades parecem se limitar a reações de fuga, tal qual um animal onde as “idéias” se limitam à atividade celular.Os estímulos exteriores não têm competência para gerar um padrão de resposta integrada.

A Hierarquia das idéias na Formação da Consciência

Diversos fatores contribuíram para que o estudo da consciência voltasse a despertar interesse da Ciência. Este estímulo se iniciou com a “Década do Cérebro” e o estudo das funções cerebrais através das imagens com a Tomografia de Pósitrons e a Ressonância funcional.

O neurologista Antônio Damásio e o físico Francis Crick são dois exemplos atuais de estudiosos que se propuseram a esclarecer o “enigma da consciência”. Em ambos persiste a visão materialista que reconhece no cérebro e no arranjo dos seus neurônios a capacidade de produzir a mente e estabelecer as condições que constrói a consciência. Os elementos envolvidos são outros, mas é o mesmo conceito de que se serve Thomas Hobbes (1588-1679), quando publicou o Leviatã (1651), afirmando que a realidade interna se resume em movimento e que nossos pensamentos e nossas paixões são efeitos do movimento da matéria.

No modelo materialista, utilizado pelas escolas neurológicas da atualidade, temos de lidar com redes de neurônios e tentar conhecer o mínimo de estrutura cerebral que é exigida para permitir a determinado animal permanecer consciente. Esta resposta não é difícil quando estivermos procurando apenas o que a consciência representa em termos de estarmos alerta, em contacto com o meio exterior. Teremos muito mais dificuldade quando discutirmos a extensão toda da consciência, o significado do “self”, o grau de apreensão que podemos fazer de uma determinada situação ou mesmo do ambiente que afeta a nossa consciência.

Num sistema organizado e de alta complexidade como o cérebro, é perfeitamente possível estabelecer os fundamentos neurofisiológicos para uma expressão limitada da consciência humana.

Para os que aceitam o paradigma espiritualista, sabemos que nossa Alma, devido a suas múltiplas existências, tem um conteúdo de conhecimento muito maior do que o que o cérebro físico possa revelar. É exatamente esta limitação apresentada pelo cérebro que nos impede de identificar uma lei abrangente, capaz de apreender toda fenomenologia da consciência.

Ao invés de se tentar equacionar o “enigma da consciência” pela estrutura das redes neurais e seus sistemas de organização, estamos apresentando uma via de acesso à consciência, pela elaboração e hierarquização das idéias. Ao estabelecermos um fundamento hierárquico para suas expressões, podemos questionar quais conteúdos e significados das idéias que seriam compatíveis com o aparecimento da consciência. Dessa forma, quando aumentar nosso conhecimento sobre os diversos aspectos da consciência, os fundamentos serão sempre os mesmos, irão variar apenas o significado das idéias necessárias para explicar determinada apresentação da consciência. Para estarmos alertas e perceptivos em relação ao ambiente, precisamos de um determinado padrão ideatório e para estarmos consciente do Eu, nos é exigido um outro determinado padrão de idéias. Para a expansão da consciência a outros planos da vida, são exigidos os padrões transcendentes de idéias.Os ganhos anatômicos do cérebro foram adquiridos, presumivelmente, pelo desenvolvimento de uma crescente constelação de idéias que a evolução estimulou nos desafios da vida.

A importância das idéias se revela na percepção que temos da realidade, bem como, nas ações que executamos acreditando serem procedentes de nossa vontade. Ambas, nada mais são que impressões do imaginário que a evolução nos permitiu construir na consciência.

Bibliografia

Damásio, A – O Mistério da Consciência; do corpo e das emoções ao

conhecimento de si. São Paulo – Companhia das Letras –2000

Del Nero, H.S. – O Sítio da Mente – São Paulo – Collegium Cognitio – 1997

Facure.N.O. – O cérebro e a Mente –Uma conexão espiritual – São Paulo - FE.Editora -2001

Searle, J.R. – A Redescoberta da Mente – São Paulo – Martins Fontes – 1997

Pinker, S. – Como a Mente Funciona – São Paulo – Companhia da Letras – 1998

Russel, B – História do Pensamento Ocidental – Rio de Janeiro – Ediouro - 2001

Luiz, A / Xavier, F.C. – Evolução em dois mundos – Brasília – FEB-10 ed. 1987

Fonte: Site do Dr. Nubor Orlando Facure em 04/09/2005 - www.geocities.com/nubor_facure



endereço: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1755.html
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