Mostrando postagens com marcador Autor: Ney Prieto Peres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Autor: Ney Prieto Peres. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ESPÍRITO, PERISPÍRITO E DESOBSESSÃO


Ney Prieto Peres


Possessão demoníaca, exorcismo, obsessão... Ao longo do tempo, vem sendo propagada a idéia errônea de que a violência é necessária para "expulsarmos" um espírito obsessor. Hoje, sabemos que só a terapia do amor é capaz de realizar de forma profunda a desobsessão.

Para fundamentar o nosso estudo, vamos analisar os concei­tos de espírito e de matéria inseridos no pensamento do codificador Allan Kardec.


Espírito

O espírito, originado do princípio inteligente do universo, embora de natureza não palpável, é algo que existe como individualização desse princípio. É incorpóreo e não pode ser percebido pelos nossos sentidos. Pode existir independen­temente do corpo que anima e, na sua forma, seria comparado a uma chama, um clarão, uma centelha luminosa, cuja cor pode variar do escuro ao brilho do rubi. Pode penetrar e atravessar a matéria e se deslocar ao espaço tão rapidamente como o pensamento. Mesmo não se dividindo, se irradia para diferentes la­dos, como o sol envia seus raios a muitos lugares distantes ,pare­cendo estar neles simultaneamente.

Entende-se por alma o espírito encarnado, que, não estando enclausurado no corpo, se irradia e se manifesta, se exteriorizando como a luz elétrica através de um globo de vi­dro.


Matéria

A matéria é o segundo elemento geral do universo, tanto como o espírito, é também criado por Deus, constituindo, esses três, o princípio de tudo que existe, a Trindade Universal: Deus, espí­rito e matéria.

A matéria pode ser entendida como aquilo que tem exten­são, é impenetrável e pode impressionar os nossos sentidos, mas ela existe em outros estados desconhecidos, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão aos sentidos físicos.

Ao elemento material deve-se acrescentar uma de suas for­mas de apresentação, entre as inumeráveis combinações distingüidas por propriedades especiais: o Fluido Universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria.


Fluido Universal

Este Fluido Universal, ou Primitivo, ou Elementar, é o prin­cípio da matéria ponderável cujos elementos e compostos quí­micos são transformações dele, nas modificações que as molé­culas elementares sofreram ao unirem-se em determinadas cir­cunstâncias, lhes dando diferentes propriedades, como o sa­bor, o odor, as cores, as ações cáusticas, salutares, nutritivas, radioativas etc.

O Fluido Universal é suscetível de inúmeras combinações com a matéria e, ainda, sob a ação do espírito, produzir infinita va­riedade de coisas. E o agente de que o espírito se serve para animar, agregar, transmitir, alterar, condensar, dispersar, mate­rializar, vitalizar, dar forma e estrutura a todas as constituições físicas, quer sejam minerais, vegetais, animais ou humanas.

Entre as muitas modificações do Fluido Universal, duas se revestem de maior importância para os seres vivos: o Princípio Vital e o Perispírito.


Princípio Vital

O Princípio Vital é a força motriz dos corpos orgânicos. A sua união com a matéria a animaliza, diferenciando-a dos corpos inorgânicos. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assi­milam. É também chamado fluido magnético ou fluido elétrico animalizado, é o intermediário entre o espírito e a matéria. Ao mesmo tempo que impulsiona os órgãos, a ação destes o man­tém, conserva e desenvolve, como o atrito produz o calor e a cor­rente elétrica produz o campo magnético ou a irradiação lumi­nosa.

O Princípio Vital ou fluido magnético pode ser transmitido pela vontade dirigida do seu portador a outros seres vivos, contri­buindo em favor do seu reabastecimento ou reequilíbrio orgânico.


Perispírito

O Perispírito, ou corpo fluídico do espírito, ou ainda psicossoma, ou corpo espiritual, é um dos produtos mais im­portantes do Fluido Universal, é uma condensação dele em tor­no de um foco de inteligência ou espírito.

Os espíritos compõem seu Perispírito do ambiente onde se encontram. Isto quer dizer que se forma dos fluidos ambientais e, portanto, varia em conformidade com o mundo em que vivem. A natureza do Perispírito está sempre relacionado com o grau de adiantamento moral do espírito.

O Perispírito pode ser entendido como a vestimenta do espí­rito, o que lhe dá propriamente forma.

Entre as muitas atribuições do Perispírito, se coloca aquela de intermediário entre o espírito e o corpo. É ele constituído de substância vaporosa, não visível aos olhos humanos, porém as­sumindo consistência nos planos do Espírito.

Ao Perispírito se pode atribuir a qualidade de estruturador do corpo orgânico, a partir da fecundação, na embriogênese, bem como estar diretamente relacionado à memória biológica, isto é, o registro das múltiplas experiências nos campos dos se­res vivos, no decurso dos milênios, a partir das primeiras mani­festações das formações protoplásmicas. Nele aglutinamos todo o equipamento de recursos automáticos que governam as bi­lhões de células, adquiridos vagarosamente pelo ser através dos tempos, nos esforços de recapitulação pelos diversos setores da evolução anímica.

Pode-se visualizar o Perispírito ou Corpo Espiritual à se­melhança de uma estrutura eletromagnética integrada, enriquecida de informações que se foram acumulando experi­mentalmente num mecanismo de estímulo-resposta, dentro de uma diretriz evolutiva, ou seja, de auto-seleção e auto-aprimo­ramento, conduzida por um principio de conservação de ener­gia, onde o máximo de informações são armazenadas com o mínimo dispêndio de energia.

Esse Corpo Espiritual vem se diversificando e aumentando de complexidade do mesmo modo como se observou nos seres vivos a evolução biológica e a formação dos aparelhos e siste­mas no organismo animal. É ele sensível aos impulsos ou às irradiações dos nossos pensamentos, refletindo as imagens fluídicas plasmadas pelas idéias.

Pode também o Perispírito se alterar no seu equilíbrio mag­nético em decorrência das próprias impregnações que as nos­sas imagens perniciosas e deteriorantes nele se projetem e se gravem. Interligado como se acha, interagindo na intimidade celular por contato molecular, portanto, nas estruturas atômi­cas da matéria, tais desequilíbrios se transmitem ao organismo físico, nas áreas mais sensíveis ao tipo de impulso desencadea­do, determinando desordens físicas, causas de certas moléstias.

Assim, os descontroles emocionais, nos ódios, na irritação, as extravagâncias no comer e no beber, a maledicência, os desequilíbrios do sexo, o fumo, o álcool, os tóxicos, podem ge­rar enfermidades, tais como, respectivamente: cardiopatias, do­enças hepáticas, gastralgias, surdez e mudez, cansaço precoce e distrofias musculares, asmas e bronquites, loucura, idiotia.


Ações magnéticas no perispírito: nas obsessões

Entende-se por obsessão o domínio que alguns es­píritos podem adquirir sobre certas pessoas. Pressupõe-se na obsessão a ação de espíritos inferiores com tal tenacidade que a pessoa sobre quem atua não consegue se desembaraçar.

Na obsessão, não ocorre a simultânea coabitação de corpos pelo espírito encarnado na posição de vítima e pelo espírito desencarnado na posição de algoz. Há, no entanto, o efeito de constrangimento de um sobre o outro, ou seja, de tolher, forçar, compelir, obrigar pela força, induzir.


Os tipos de Obsessão

As principais variedades da obsessão classifi­cam-se em: obsessão simples, fascinação e subjugação.

Na obsessão simples, o espírito malfazejo se impõe, in­trometendo-se contra a vontade do indivíduo, impedindo a ação de outros espíritos que possam vir em seu auxílio e causando-lhe inconvenientes como embaraço nas comuni­cações mediúnicas, insinuações levianas, incentivos à vaida­de e a desejos ilícitos. Evidentemente, essas ações exteriores serão mais acentuadas e exercerão maior influência na medi­da em que mais apoio encontrarem no íntimo das criaturas por elas atingidas.

Na fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é de tal ordem que ele não se considera iludido, nem é ca­paz de compreender o absurdo do que faz, podendo até ser ar­rastado a cometer ações ridículas, comprometedoras ou perigo­sas. Admite-se, nesses casos, estarem agindo espíritos inteli­gentes, ardilosos e com objetivos de maior alcance no mal, pois quase sempre utilizam a tática de afastar do seu intérprete aque­les que possam abrir os seus olhos ou esclarecer sobre seus er­ros. Os homens mais instruídos e inteligentes não estão livres desse tipo de obsessão.

A subjugação é um envolvimento que produz a paralisa­ção da vontade da vítima, fazendo-a agir mesmo contrariamente ao seu desejo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. Na primeira, o indivíduo é levado a tomar deci­sões freqüentemente absurdas e comprometedoras. Na segun­da, a pessoa realiza movimentos involuntários, nos momen­tos inoportunos, e até atos ridículos. Na subjugação, estão compreendidos os casos de possessão, cuja denominação pres­supõe a ocupação do corpo da vítima, fato esse não admitido pelo Codificador.


Características

Há uma relação de características pelas quais se pode reconhecer os casos de obsessão. Tais caracteres vão da insistência dos espíritos em se comunicar, ilusão do médium que não reconhece a falsi­dade das comunicações, crença na infalibilidade dos espíritos comunicantes, aceitação dos elogios feitos pelos espíritos, rea­ções agressivas às críticas feitas sobre as comunicações recebi­das, a quaisquer formas de constrangimento moral ou físico, ou ainda ocorrências de ruídos e movimentos de objetos sem cau­sas normalmente explicáveis.


Causas

Os motivos ou causas da obsessão podem ser geral­mente admitidos como originados de:

a) Vinganças de espíritos contra pessoas que lhes fizeram so­frer nessa ou em vidas anteriores;

b) Desejo simples de fazer outros sofrerem, por ódio, inveja, covardia;

c) Para usufruir dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida física, induzem os seus afins a cometê-los;

d) Apego às pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quan­do em vida;

e) Por interesse em destruir, desunir, dominar, provocar o mal, manter distúrbios, partindo de inteligentes espíritos das hostes inferiores.


A terapêutica nas obsessões

No estudo de O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, o autor indica alguns meios para se combater a obsessão, aqui apresentados para discussão, como segue:

–“Paciência para com os obsessores”(id., ib. item 249):

No trato com as entidades incorpóreas que estejam agindo mentalmente sobre as criaturas, há que compreender-lhes seus motivos de perseguição e, com espírito humanitário, induzir-lhe pacientemente a mudarem suas disposições. Mesmo entre criaturas humanas, uma abordagem respeitosa e compreensiva transmite sempre um envolvimento fraterno e uma radiação de amor que, certamente, age sobre as próprias estruturas perispirituais, de forma confortadora, carinhosa, estabelecendo importantes apoios para as necessárias mudanças comportamentais. A severidade, no entanto, ao lado da benevolência, ali­adas à prece em favor deles, constituem fatores eficazes na so­lução dessas influências.

– “Apelo ao anjo bom e aos bons espíritos” (id., ib. item 249):

Recorrer à assessoria daqueles que operam no mesmo plano da vida espiritual é fator preponderante em qualquer trabalho dessa natureza quando, na maioria das vezes, todo o encami­nhamento e aproximação com aqueles perseguidores (às vezes, nossas vítimas) realizam-se nos territórios do imponderável, livre ao acesso desses auxiliares espirituais.

– “Interrupção das comunicações escritas”(id., ib. item 249):

Alterando-se o intermediário, na posição de instrumento mediúnico nas comunicações psicografadas, ou mesmo na psicofonia, por ações de mentes perturbadoras (encarnadas ou desencarnadas), a interferir no fluxo das mensagens transmiti­das por meios telepáticos, como providência criteriosa e pru­dente, a interrupção provisória desses exercícios mediúnicos é de todo aconselhável, até que se restabeleçam os canais de va­zão telepática com os bons espíritos e se afastem as infiltrações prejudiciais.

– “Intervenção de um colaborador que atue pelo magnetismo ou pelo império da vontade”(id. ib., item 251):

A ação mental de apoio diretamente sobre o paciente, esti­mulando-lhe os próprios recursos de reação, tanto pela aplica­ção das energias fluido-dinâmicas nos mecanismos do passe, como pelo esclarecimento renovador, elevando-lhe o padrão dos próprios pensamentos e fortalecendo a vontade no bem, atin­ge as estruturas perispirituais e os campos de radiações da psicosfera (ou mente) momentaneamente desarticulados, devol­vendo-lhes a ordem e a sanidade.

Os resultados benéficos obtidos serão tanto mais significati­vos quanto maior for a superioridade moral dos colaboradores e menores as imperfeições do obsediado. Essas imperfeições morais constituem freqüentemente para o paciente obstáculos à sua libertação (id. ib., item 252).

Ensina-nos André Luiz: “... almas regularmente evoluídas, em apreciáveis con­dições vibratórias pela sincera devoção ao bem, com esquecimento dos seus próprios desejos, podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superio­res e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns”.


Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 08.

Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.



texto - http://www.rcespiritismo.com.br

imagem - oblogdosespiritas.blogspot.com

terça-feira, 22 de junho de 2010

O ESPÍRITO E A CIÊNCIA


A tese do espírito, no nosso entendimento, é o que está faltando na parapsicologia para que novos desenvolvimentos e áreas de pesquisas sejam a ela incorporados

Ney Pietro Peres

Pela Associação Médico-Espírita do Brasil


Em pouco mais de um século foram realizados diversos trabalhos férteis no que se refere às investigações dos fenômenos ligados ao espírito. Nesse período, eles foram amplamente enriquecidos com a dedicação de homens que se projetaram no campo científico através do valor de suas contribuições. Nomes como Camille Flammarion, Gabriel Dellane, Charles Richet, Albert de Rochas, Gustave Geley, Léon Denis, entre outros, emolduraram o despertar da doutrina consoladora visualizada na França luminosa pelo mestre Hippolite Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec.

Também pelo mundo existiram grandes colaboradores. Na Inglaterra, tivemos a dedicação dos vários integrantes da Sociedade de Pesquisa Psíquica, com figuras ilustres do porte de Fredrich Myers, William Crookes, Oliver Lodge, William Barrett e Staiton Moses. Destacamos ainda o russo Alexander Aksakof e os italianos Ernesto Bozzano e Cesar Lombroso.

Com o progresso da tecnologia e os recursos de importantes universidades, espalhadas tanto no Ocidente como no Oriente, chegamos a uma incontestável lista de personagens de respeito que têm desenvolvido trabalhos significativos, somando evidências à tese do espírito. Para não nos alongarmos muito, a relação é formada por nomes como Hans Bender, Leonid Vasiliev, Hans Driesch, Pascual Jordan, Emile Tizané, William Roll, Gerard Croiset, Joseph Banks Rhine, Hermut Smith, Stanley Krippner, Ian Stevenson, Hemendra Nath Banerjee, Elizabeth Rauscher, Douglas Dean e George Meek, entre outros. Também podemos incluir nessa lista o brasileiro Hernani Guimarães Andrade. No entanto, apesar de um gigantesco acervo de evidências, o espírito ainda não conquistou a aceitação de sua existência dentro dos exigentes requisitos científicos.

Considerações da ciência

Em quase todas as áreas do conhecimento, os homens que respondem pela ciência relutam, de algum modo, em ceder caminho para que o espírito entre em suas cogitações. Porém, embora consistentes, as estruturas pragmáticas e o cristalizado conservadorismo na resistência do dogmatismo científico estão para implodir. Por incrível que pareça, é a física, a mais rigorosa das ciências, que, em uma visão mais ampla, já passou a considerar o espírito como algo inseparável dos fenômenos da natureza.

No livro O Espírito, este desconhecido, Jean Charon, ganhador de um Prêmio Nobel de Física, aborda o assunto. "Os novos gnósticos de Princeton e Pasadena guardaram, da antiga filosofia, a idéia de que aquilo que chamamos de espírito é indissociável de todos os fenômenos que vemos no universo, sejam físicos ou psíquicos. Portanto, ao menos em princípio, devemos ser capazes de ter um conhecimento ‘científico’ do espírito, isto é, de fornecer uma descrição em termos científicos, com o risco de, se necessário, renovar a própria linguagem", afirma.

Dentro dessa atual visão da física, o codificador Allan Kardec já asseverava, em meados do século passado, no livro A Gênese, que a revelação espírita se caracterizava pela sua origem divina, sua iniciativa pertencente aos espíritos e sua elaboração resultante do trabalho do homem. "Portanto, é rigorosamente exato dizer que o Espiritismo é uma ciência da observação, não o produto da imaginação. As ciências não fizeram progressos sérios senão depois que seus estudos se basearam no método experimental, mas se acreditava que esse método não poderia ser aplicado senão à matéria, ao passo que o é igualmente às coisas metafísicas", acrescentou.

No desenvolvimento deste estudo, procuraremos elucidar o modelo do espírito segundo a doutrina espírita, relacionando-o com alguns dos problemas humanos com base em enormes contribuições bem elaboradas. Preocupa-nos demonstrar que o homem não é, única e exclusivamente, esse ser biológico constituído de aparelhos e sistemas articulados por mecanismos e reações fisioquímicas. Defenderemos a tese do espírito, que, no nosso entendimento, é o que está faltando na parapsicologia para que novos desenvolvimentos e áreas de pesquisas sejam incorporados a ela, provocando a revisão de seus conceitos sobre a natureza do homem.

De O Livro dos Espíritos, resumiremos a concepção da origem, natureza e forma do espírito comunicada a Allan Kardec, por via mediúnica, pelos próprios espíritos que trouxeram ao mundo a doutrina espírita. Originado do princípio inteligente do universo, embora de natureza não palpável, o espírito é algo que existe como individualização desse princípio. É incorpóreo. Mesmo sendo de um outro tipo de matéria quintessenciada, não pode ser percebido por nossos sentidos físicos. Ele pode existir independentemente do corpo que anima e, em sua forma, seria comparado a uma chama, um clarão, uma centelha luminosa cuja cor pode variar do escuro ao brilho do rubi. Pode penetrar e atravessar a matéria, deslocando-se ao espaço tão rapidamente quanto o pensamento. Mesmo não se dividindo, irradia-se para diferentes lados, como o sol envia seus raios para muitos lugares distantes, parecendo estar neles simultaneamente.

Nesse modelo, pelo fato do espírito ter se originado do princípio inteligente do universo e existir como uma emanação dele, fica implícita a existência dessa fonte geradora inteligente, causa primeira que o concebeu. Essa busca natural pela fonte de nossa origem também levou o físico Carlo Rubbia a considerá-la quando se referiu às suas descobertas sobre as subpartículas atômicas no projeto CERN (Organização Européia para a Pesquisa Nuclear). "As descobertas que estão sendo feitas na ciência põem em evidência o fato de que a natureza é o resultado de uma concepção única, enorme e magnífica. (...) O certo é que, quando descobrimos que todas as forças são controladas por um mesmo princípio, quando vemos que há uma ordem absolutamente infinita em tudo o que se passa na natureza, o passo é muito curto para imaginar que houve uma ‘inteligência’ que fez tudo isso", comentou o físico em 1983.

Quando o mestre Kardec pergunta sobre o que é Deus na primeira questão de O Livro dos Espíritos, recebeu como resposta que Ele "é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Depreendemos daí uma considerável aproximação com as idéias dos físicos modernos.

Entendemos que o espírito, em sua origem como princípio inteligente do universo concebido pelo Criador e fruto de sua obra, poderia guardar em seu arcabouço, sob forma embrionária, as potencialidades que seriam progressivamente desenvolvidas no transcorrer dos tempos. Dos laboratórios da natureza cósmica, da formação das galáxias ao aparecimento das constelações atômicas sobre a crosta terrestre, passando da evolução química para a biológica e atingindo o reino hominal, o espírito percorreu milênios e milênios, polarizando os princípios sutis da matéria em seus estados difusos, animando-a em um enriquecimento contínuo de valores e dela registrando as experiências que propriamente lhe estruturaram a individualidade.

Mesmo o espírito podendo existir independentemente do corpo que anima e que lhe serve de instrumento, postula-se que interage com ele em nível molecular, exercendo mútuas e importantes trocas de experiências, impulsionadas por diretrizes programadas em um sentido crescente, evolutivo e ascencional. A exemplo de uma semente que encerra, em sua pequenez física, o modelo de árvore condensado em domínios informacionais de natureza etérea, o espírito reúne, em seus campos intrínsecos de ação, mecanismos de forças desconhecidas, agrupadas de forma inteligente e capazes de presidir a formação dos incontáveis contingentes celulares, organizando-os e agrupando-os para o exercício das diversificadas funções, em um conjunto harmônico, complexo e de perfeita interação.

Caso o leitor amigo deseje se aprofundar nos estudos que evidenciam a natureza espiritual na dinâmica evolutiva dos reinos da natureza, sugiro que recorra às obras de Hernani Guimarães Andrade, como Morte, Renascimento e Evolução, Espírito, Perispírito e Alma e Psi Quântico – uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à idéia do espírito.

O espírito

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec explica que a natureza íntima do espírito propriamente dito é inteiramente desconhecida para nós. "Ele se revela a nós por seus atos e estes só podem tocar nossos sentidos por um intermediário material".

Visualizando o espírito como uma forma luminosa não percebida por nossa visão orgânica, encontramos semelhantes referências nos conceitos do físico Isaac Newton, como bem elucida Jean Charon no primeiro capítulo de O Espírito, este desconhecido. "Observemos um instante os conceitos de Newton, cujos escritos, caso sejam analisados sem se buscar ‘ver somente o que queremos’, são a comprovação de que o pai da teoria da gravidade sempre defendeu conceitos de essência espiritualista, bem longe das idéias puramente mecanicistas e positivistas que quiseram lhe atribuir. Uma aproximação surpreendente é a que Newton faz entre espírito e luz. Escreve ele em sua ótica que ‘não seria possível que os corpos e a luz se transformem uns nos outros? E não seria possível que os corpos recebam a maior parte de seus princípios ativos das partículas de luz que entram em sua composição?’", afirma o Prêmio Nobel de Física.

Ainda em sua obra, Charon prossegue afirmando que Newton distinguia dois tipos de luz: uma fenomênica, que seria a que se entende pelo sentido comum do termo (a que vemos), e uma numênica, que seria uma luz virtual intervindo mais particularmente nos mecanismos do ser vivo e que portaria aquilo que chamamos de espírito. "Assim, durante toda a sua vida, Newton considerou o espírito como de natureza diretamente acessível à experiência e, portanto, do domínio das investigações da física", diz.

Charon enfatiza que Deus está sempre presente na obra de Newton, para quem Ele intervinha na natureza por intermédio do espírito. "Essa natureza age sempre sem trégua, até o último termo, e depois cessa, pois, desde o começo, era para ele coisa certa que ela poderia se aperfeiçoar em seu curso e que chegaria, enfim, a um repouso sólido e total, ao qual ela tendia, com todo o seu poder, para este efeito", teria escrito Newton segundo Charon, esclarecendo a convicção do pai da lei da gravidade em um sentido definido da evolução do universo.

No segundo capítulo de O Espírito, este desconhecido, Jean Charon fala sobre seu trabalho. "Em resumo, meu trabalho sobre as partículas elementares em física me mostrou que algumas dessas partículas encerram um espaço e um tempo do espírito, coexistindo com o espaço e o tempo no qual toda a física, desde Aristóteles, tem se esforçado para descrever a matéria e sua evolução", explica.

Essa conclusão vem de encontro ao que responderam os espíritos nas questões 91 e 141 de O Livro dos Espíritos, considerando-se o fato de que a matéria não oferece obstáculo para os espíritos, podendo ser penetrada por eles. Além disso, a alma se irradia e se manifesta externamente ao corpo, não se encontrando nele encerrada, o que vale relacionar em seu próprio espaço e tempo, que, por sua vez, pode ser entendido como a coexistência com o espaço e o tempo das partículas atômicas que constituem este nosso corpo físico.

É bastante salutar também apresentarmos as considerações a seguir, feitas pelo codificador em O Livro dos Médiuns, que consideramos bastante úteis ao nosso estudo: "O espírito, no entanto, está sempre revestido por um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele purifica e se eleva na hierarquia. (...) O perispírito, portanto, é parte integrante do espírito".

No final de seu livro Morte, Renascimento e Evolução, Hernani Guimarães Andrade faz uma colocação com a qual compartilho. Diz ele que "você é uma partícula da grande consciência cósmica, que iniciou seus primeiros passos na senda da vida no primitivo e tépido seio das águas do Arqueozóico, talvez sob a forma de uma núcleo-proteína, de um vírus ou de um simples co-acervado". Mais adiante, ele afirma que não há morte. "O nascer e o morrer são os pontos de inflexão da gigantesca senóide biológica que se desenvolve em alternâncias, às quais chamamos ora de vida, ora de morte. Viver e morrer são dois aspectos de um mesmo fenômeno: a vida", explica.

Essência divina

Sendo assim, entendemos que trouxemos em nós mesmos, de forma latente e dinâmica, todas as potencialidades a serem desenvolvidas e, em um futuro à nossa frente, alcançaremos a condição luminosa através de nosso próprio esforço. De acordo com o que disse Emmanuel no livro Roteiro, isso acontecerá na medida em que, "durante séculos e séculos nos demorarmos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando nossa indumentária e a embelezando, a fim de preparar, segundo o ensinamento de Jesus, nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino".

Fonte: Revista Cristã de Espiritismo ed. 30 – julho/2005

ENDEREÇO: http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2327.html
IMAGEM: viverconsciente.com


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails