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domingo, 24 de julho de 2011

GERAÇÃO ESPONTÂNEA


Uma das maiores preocupações dos pesquisadores preocupados com a formação do nosso mundo, o planeta Terra, sem dúvida, tem sido a de saber como pôde aparecer vida nele, após seu provável resfriamento, segundo os conceitos primitivos correlatos com esta formação.

A primeira suposição sugerida foi admitir que a vida tenha aparecido, inicialmente, por geração espontânea, ou seja, surgido do nada ou das próprias cinzas remanescentes da massa incandescente que, segundo os arqueólogos, formaria o planeta.

Tudo baseado nos conhecimentos do passado, calcados nas parcas observações de nossos cientistas, sem grandes amparos nos mesmos, por falta de condições para obter dados precisos ou, quando muito, satisfatórios. E que girava em torno de possíveis fatos conhecidos.

Para provar a geração espontânea, os biólogos colocavam um pedaço de carne ao ar livre e, em pouco tempo, nele apareciam larvas dando a idéia de que haviam brotado da própria carne. Ali, tudo indicava que esta forma de vida teria vindo do nada, mas, Louis Pasteur, para provar que a vida não aparecia do dito nada, simplesmente, cobriu a fatia de carne com uma tela metálica que não permitisse que a mosca varejeira depositasse seus ovos na mesma, destruindo a hipotética afirmativa de que aquelas larvas teriam surgido sem causa senão a transformação a partir da própria carne. Ou seja, que haviam sido espontaneamente geradas.

Mas, evidentemente, naquela época, a ciência era muito mais empírica do que experimental e calcada nos sulcos religiosos – como comenta A. Kardec em A Gênese – que não lhe permitia maiores rasgos em seus estudos. E, de sobejo, estava o conceito religioso da “Vontade de Deus”, causa de tudo, que não podia ser discutido, sob pena de inflamar-se a Sua ira.

Apesar disso, foram engendradas as mais curiosas e estapafúrdias sugestões, a partir da idéia de que a vida primitiva se resumia em formas invisíveis, rudimentares que teriam resistido às altas temperaturas da possível lava que se resfriara para formar nosso planeta até a possibilidade de seres oriundos do espaço que teriam penetrado em nossa atmosfera nos primórdios da existência planetária. Eram os cientistas procurando algo plausível como justificativa para suas teses.

De qualquer maneira, as pesquisas confirmam que a mais primitiva forma de vida biológica é a dos plânctons, que teria se formado da reunião de substâncias orgânicas elementares encontradas na água e quiçá do próprio dióxido de carbono provavelmente existente em nossa atmosfera. Neste segundo caso restaria saber como o gás poderia ter permitido que as formas orgânicas primitivas tivessem capacidade de se estruturar a partir do ambiente atmosférico; na primeira e mais simples, admite-se a existência de alguma cadeia carbônica que poderia ter sido o metano.

Por ser justamente a mais simples forma orgânica –composta por quatro átomos de hidrogênio e um de carbono –, o metano, inicialmente, adviria de rochas carbônicas submersas nas águas; mas, esta conclusão, leva os químicos a admitirem que outras substâncias mais complexas poderiam ter surgido a partir das mesmas lavas incandescentes como as que até hoje os vulcões expelem, vindo cair em mananciais ou depósitos hídricos da superfície terrestre retidos pela crosta já esfriada.

Contudo, paira a dúvida da forma pela qual a substância mineral carbônica teria se transformado num ser biológico orgânico e, então, voltaria a se admitir que esta transformação nada mais seria do que uma forma de geração biológica espontânea peculiar.

E retornava-se à estaca inicial.

Restava a hipótese da semente espacial.

Os seres vivos mais elementares existentes no espaço sideral encontrariam a atmosfera do nosso planeta, introduzindo-se nela a partir do que, sua gravidade faria o resto da caminhada até a superfície terrena. As sementes caídas na água gerariam os plânctons primitivos.

O único embargo a esta hipótese é imaginar-se de onde teriam vindo estas sementes. Provavelmente de planetas distantes já que os mais próximos de nós não sugerem nenhuma forma de vida capaz de nos semear com tal elemento. Mas como estas vidas caminhariam errantes pelo espaço sideral? E como se proveriam do sustento enquanto errantes?

A coisa se agrava quando se verifica que não se penetra tão facilmente em nossa atmosfera sem passar por grande risco. Isto faria com que, provavelmente, tais sementes não resistissem às intempéries das quais fossem vítimas.

Um novo alento para hipóteses mais atualizadas surgiu quando os astrônomos verificaram que a formação de um sistema planetário não está ligada ao esfacelamento de nenhum astro luminoso capaz de se fragmentar em peças resfriáveis e de se tornarem planetas. Pelo contrário, tudo indica que uma ação de forças estranhas ao Universo atue sobre a poeira cósmica agregando-a sob forma de astro e, justamente, no efeito da compressão é que geraria as camadas internas incandescentes.

Os observatórios do Haway, mais especificamente o Keck II descobriram este fato estudando tais reações em torno da estrela Alfa Centaurus.

A vida biológica, pois, não poderia ter surgido junto com a criação do planeta, em que pesem informação em contrário, baseadas nas velhas tradições a respeito da formação da Terra. No caso, sem dúvida, Kardec, na Gênese, apresenta hipóteses bem mais condizentes com a realidade atual.

E volta-se à indagação inicial: então, como poderia ter surgido a vida na Terra, sem que fosse pela geração espontânea?

A migração pelo espaço cósmico completamente improvável levaria à conclusão de que a vida seria anterior à Terra e muito próxima dela, contudo, até hoje, apesar das novas técnicas, não se pôde constatar tal fato. E tudo indica que esta forma de vida que se apresenta entre nós seja exclusividade do nosso planeta. O que não elimina a possibilidade de existir algum ser em outro astro com formação diversa. Mas esta não seria a fonte migratória da que existe em nosso orbe.

Por outro lado, admitir que o material primitivo que veio a se constituir na formação terráquea já traria a vida latente também nos leva a indagação: de onde teria vindo tal matéria contendo, mesmo que seja, a semente inicial dos aludidos plânctons?

Recaímos no caso anterior: a vida já existiria bem próxima de nós. Mas, onde?

Tem-se que ressaltar que todas essas explicações materialistas só admitem uma única forma de vida: biologicamente oriunda de algum outro sistema que a contivesse e de onde houvesse migrado para a Terra. Talvez aí esteja a grande dificuldade de se encontrar algo satisfatório e justificável.

Todavia, infelizmente, na área biológica, os conceitos continuam arraigadamente materialistas, como se a energia em si pudesse gerar tudo, inclusive o princípio vital dos seres vivos, contrariando, evidentemente o que já se sabe a seu respeito, ou seja, que a energia universal é amorfa e se encontra em expansão. Como tal, incapaz de se alterar por si mesma.

Os novos rumos da Ciência

Se, por um lado, os cientistas não conseguem encontrar uma justificativa para a existência da vida biológica em nosso planeta, já não se pode dizer o mesmo dos físicos, embora estes jamais tenham se excursionado no campo dos organismos conhecidos como seres vivos.

Foi em 1975 que Murray Gell Mann deu início às suas descobertas pesquisando, no acelerador de partículas da Stanford University o que ocorreria com a colisão de elétrons e seu correspondente antimaterial, o pósitron.

Evidentemente, nestes últimos vinte e nove anos, a evolução dos seus estudos foi enorme e hoje, tem-se como mais provável a tese de que, como a energia universal, por si só, seria incapaz de se alterar, e mais, como – já dizia Werner Heisenberg que certas partículas tinham vontade própria – os elementos atômicos se portam de maneira que permitiram a Gell Mann equacionar a possível existência de um agente externo ao Universo com capacidade para estruturá-los e comandá-los (a provável vontade própria), a conclusão óbvia é a de que, até mesmo as sub-partículas só se formariam se tais agentes estruturadores – atualmente conhecidos como frameworkers – de fato, fossem capazes de atuar sobre a dita energia, modulando-a e dando-lhe as formas que seriam as mais elementares partículas atômicas.

Ainda, dentro da mesma hipótese de estudo, agentes estruturadores mais elevados reuniriam estas partículas para formarem o átomo e, assim, sucessivamente, na constituição da molécula e dos corpos, agentes esses elementares e incapazes de dotarem tais corpos de estrutura biológica.

Em que estas pesquisas e descobertas poderiam contribuir para se imaginar a maneira pela qual teria nascido a vida primitiva em nosso planeta?

O princípio da formação universal é único, logo, o que vale para n =1 também vale para n+1 em linguagem matemática, ou seja, o que acontece no micro se repete no macro e assim por diante, portanto, se é válido para a formação da partícula em si também o será para a concepção da forma biológica primitiva.

E, então, Allan Kardec estava certo quando supunha que a geração espontânea biológica como é por ele exposta seria a causa da existência do princípio vital em nosso planeta, independente de qualquer migração biológica de algures que jamais foi detectada.

Por analogia aos estudos da partícula, imaginemos que, de fato, nas águas do planeta fossem encontradas cadeias carbônicas as mais diversas, provocadas pela queima mineral a altas temperaturas em que esteve sujeito nosso planeta durante sua formação.

E que, sobre estas cadeias, agentes biológicos primitivos, externos ao Universo, pudessem atuar para dar-lhes estrutura, não mais mineral, porém, com vida vegetativa. Evidentemente, em vez de estruturarem uma partícula atômica, gerariam uma célula orgânica. O princípio é o mesmo. A origem destes agentes também procede do mesmo domínio ao qual pertencem os frameworkers, e que, como tal, externo ao Universo, para que possa atuar em nosso sistema.

Claro e evidente que os estruturadores teriam que ser compatíveis com as formas estruturadas, daí imaginar-se que o domínio de sua existência possa ser o mesmo. E que nele existam todas as formas capazes de se materializarem no Universo, o que explicaria, até, o fenômeno observado em torno da Alfa Centauro, em outras proporções.

Não seria uma geração espontânea do nada, embora os cientistas já tenham conseguido detectar a existência desse nada (peso sem massa), mas a partir de um estruturador que, por pertencer a outro domínio interligado com o Universo e do qual possam agir sobre este, porém, espontânea no sentido de não ter tido anteriormente nenhuma outra causa biológica plausível para sua formação ligada ao sistema puramente material.

E Kardec estaria absolutamente certo.

Todavia, o grande problema é que os biólogos insistem em querer encontrar na matéria pura a causa de tudo, mesmo depois que ficou provado que, sendo efeito da condensação de energia, esta matéria jamais poderá ser causa de nada.

Resta, agora, provar que o domínio de existência dos agentes estruturadores é a própria espiritualidade e teremos chegado à conclusão final de que sua existência explicaria até a própria Gênese universal.


Carlos de Brito Imbassahy e Carmem Imbassahy



Este artigo pode ser encontrado também no site TERRA ESPIRITUAL

http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo274.html


Publicado neste Portal A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.





texto - http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/a era do espirito/portal/artigos

imagem - declaracaodeamor.com

quinta-feira, 17 de junho de 2010

DEUS E O UNIVERSO


Carlos de Brito Imbassahy


O verdadeiro Deus é o mesmo para tudo e para todos.

Shan Gris Lah


Evidentemente, não é a principal preocupação dos astrofísicos provarem ou negarem a existência de Deus, mas, evidentemente, pesquisando os recônditos do Universo, faz parte do trabalho verificar se, de fato, existe, neste imenso espaço cósmico algum lugar que possa caracterizar o destino das almas segundo as religiões e, infelizmente, até a atualidade, nada descobriram a favor ou contra a existência de tais tugúrios.

Quando Copérnico afirmou que a Terra girava em torno do Sol, toda a Gênese bíblica se ruiu, pois como se sabe, Ptolomeu foi o pseudo-astrônomo que se baseou nela para escrever seu projeto, o geocentrismo. Era a afirmação da Gênese, sem qualquer outra base senão a palavra do seu autor. Portanto, Copérnico, ao negar tal afirmativa, baseou-se nas observações siderais para provar a verdade sobre o sistema solar e daí em diante, tudo o que se refere ao espaço sideral passou a não ter mais nenhum valor relativo à Gênese bíblica.

Começando, pois, da estaca zero, pode-se dizer que a revolução do conhecimento relativo ao Universo teve início com Edwin Powell Hubble (1889 – 1953), astrônomo norte-americano, quando, em 1929 detectou os primeiros indícios da expansão universal estudando o efeito Doppler-Fiseau atribuído por ele às estrelas da nebulosa de Andrômeda (M-31), determinando a curvatura do Universo pelo afastamento das nebulosas em si e confirmando a equação de Pierre de Fermat (1631) mostrando que a menor distância (no caso, a sideral) era uma catenária.

Sem dúvida, muito da teoria da relatividade restrita de Einstein estava também comprovada pela observação astronômica.

Deve-se ainda a este astrônomo a primeira teoria relativa ao Universo considerando-o pulsante a anisotrópico, ou seja, um Universo que se expande e se encolhe (pulsante) e que não é como o pêndulo que volta pelo mesmo caminho (isotrópico) porque, na retração, a implosão do sistema não obedece ao ciclo inverso da progressão na expansão, que, no caso, faz com que o sistema evolva. Na retração, ele não regride e, ao tornar a um novo ciclo de existência, este Universo continua sua linha evolutiva.

Seria um processo reencarnatório, em síntese, que os cristãos não aceitam, porque contraria a lei divina da Bíblia, para a qual a criatura vai a um julgamento perante Deus.

Mas aí está a grande diferença: ante este Universo pulsante, a figura do Deus religioso não tem procedência.

Evidentemente, esse Deus antropomórfico, religioso, não tem a mínima condição de comandar o Universo em seus diversos ciclos evolutivos. Inda mais levando-se em conta que o religioso teria feito o mundo como centro de tudo e se preocupado exclusivamente com a criatura humana, sua “obra prima da criação” e tudo prova que a Terra é um planeta inferior e muito atrasado, existindo civilizações superiores à da Terra fora do nosso orbe.

As evidências dessas civilizações alienígenas ficaram comprovadas quando um oficial americano veio a público declarar que ele fora encarregado de analisar a tecnologia de uma nave que caíra no México – é documentário de TV – e, com a tecnologia dos aludidos óvnis ele conseguiu fazer com que os foguetes da NASA pudessem levar ao espaço os primeiros astronautas, inclusive os que visitaram a Lua.

Mais recentemente, os próprios russos declararam que, ante a sinceridade dos americanos – e está num documentário que alguns canais de TV por assinatura têm transmitido – eles eram compelidos a esclarecer que, também tiveram a oportunidade de estudar a tecnologia de um óvni derrubado por um Mig – avião russo – que se assemelhava a um charuto de grande porte e que continha seres alienígenas a bordo que foram levados pela KGB (motivo por que não sabiam seu destino) e cuja tecnologia foi sua base para construírem a aeronave espacial que permitiu a Yuri Gagarim sair da atmosfera terrena e dar diversas voltas em torno do nosso planeta antes que a equipe da NASA obtivesse algo neste sentido.

O canal de TV History Chanel já passou, por diversas vezes, este documentário provando que temos subsídios suficientes para admitir que haja vida além da Terra – negada pelos evangélicos e outros religiosos – e que é superior à nossa em conhecimento.

Portanto, o Deus antropomórfico só pode existir para a nossa imaginação de terráqueos cujo conhecimento sobre o Universo ainda é muito restrito a observações telescópicas de aparelhos imprecisos, por melhores que sejam, para detectar tudo o que se possa saber a respeito do que exista em nosso espaço sideral.

Hoje em dia, admitir que só haja vida na Terra é um absurdo que apenas os fanáticos religiosos são capazes de afirmar. E mais ainda: que sejamos a criação mais perfeita do Universo, porque, sem dúvida, se o fôssemos, não precisaríamos estudar as naves espaciais alienígenas para nos mostrar como navegar fora da atmosfera. Além disso, nosso domínio sobre o que se expande no espaço sideral não seria tão medíocre, a ponto de se ter, a cada instante, uma nova descoberta para desmentir, principalmente, a teoria do “Criacionismo”.

Hoje em dia se tem como certo de que o Universo se expande e se retrai em ciclos sucessivos e que, para tal, haja um comando cujo poder e ação jamais se restringiria a um Ente religioso que se configurasse com a criatura humana (antropomórfico), pelo nosso ínfimo adiantamento cultural. Caso contrário, se, de fato, tivéssemos a semelhança do Criador, este dito cujo não teria a mínima condição de governar o sistema anisotrópico de existência cósmica.

Portanto, a formação do Universo jamais (e cabe o destaque) poderia se restringir às concepções religiosas de um Deus pseudo-onipotente cuja imagem e semelhança fosse a da criatura humana.

Os ciclos de existência do nosso Universo ainda não puderam ser detectados, por diversos motivos: primeiramente porque nossa técnica e nossa aparelhagem óptica sequer é capaz de determinar o começo do aludido “Big-bang” que originou a formação do nosso ciclo atual, quanto mais caracterizar os seus anteriores!

Mas, a suposição é a de que cada astro tenha tido seu representante no ciclo anterior e, dessa maneira, a Terra também seria um planeta habitado por seres correlatos com os atuais. Ao ser reestruturada no atual ciclo, ela, evidentemente, deve ter tido um período evolutivo compatível com seu progresso anterior e, com isso, suas etapas existenciais teriam sido exatamente, conforme a Paleontologia registra, de uma lenta transformação de planeta atrasado para atingir a atual fase de progresso. Nos primórdios de sua formação, evidentemente, só os seres biológicos primitivos puderam habitar a Terra, mas, sob ação dos já citados frameworkers com sua influência nos ciclos de transformação da vida, seres gradativamente superiores foram se sucedendo e, para tal, usando os ditos biologicamente inferiores para transformá-los em uma nova espécie imediatamente acima dela.

A evolução da espécie é um fato comprovado: cada ser biológico é a transformação do ser imediatamente inferior sem destruí-lo, sob ação dos prováveis “agentes estruturadores” previstos por Gell Mann para as partículas, só que em escala não mais atômica, porém biológica.

A contraposição alegada pelos criacionistas é a de que a espécie imediatamente inferior continua existindo e não se transformou, em sua totalidade, na imediatamente superior, como se este fato desmentisse a evolução existente.

Uma coisa não invalidada a outra: os agentes gradativamente superiores, para formarem a vida biológica correspondente não precisam fazer com que a vida abaixo deles se extingua para que possam existir.

A pá de cal no criacionismo foi dada quando a equipe de Palomar descobriu a quinta força do Universo – peso sem massa – estudando a formação de planetas em torno da estrela Alfa Centauro. Na época (1988), a mídia deu a notícia, evidentemente, restringindo-se às descobertas astrofísicas sem qualquer outra análise. Em linguagem simples para leigos, pode-se dizer que existe atuando no cosmo uma quinta força estranha que é capaz de agregar a poeira cósmica, formando planetas, o que elimina a idéia de que estes possam ter sido bolas de fogo desprendidas de estrelas, que se esfriaram.

No caso, as bolas esfriariam do centro para a periferia e não da crosta para dentro. O fogo interno é devido justamente às pressões externas. Desta forma, o planeta criado começa a sofrer as transformações naturais para se apresentar com novas estruturas, inclusive de vida, tudo sob ação externa que leva os seres inferiores a se transformarem gradativamente em espécies imediatamente superiores. É o evolucionismo comprovado.

Então surge o sacerdote religioso e afirma que esta força é divina e que seria “a vontade de Deus” só que ela é inteiramente incompatível com o aludido Deus das religiões. Jamais um Ente espiritual à imagem dos homens poderia ter tal poder de ação que seria restrita à formação terráquea e nunca estelar.

A seqüência de descobertas nos deu a conhecer a energia escura e a massa ou matéria escura, cujas radiações deram origem a seus respectivos nomes, mostrando que nada foi ou possa ter sido feito do barro, principalmente a vida biológica, afinal, este não contém carbono e não há possibilidade de se transformar nesta substância química. Outra assertiva contrária ao criacionismo, para o qual Deus teria feito o homem do barro.

Sten Odenwald, no seu estudo “A Teoria do Nada” nos diz que o Universo é constituído de 27% de energia e 73% de nada e compara o espaço cósmico a uma tina de espuma de sabão, onde as bolhas fazem com que, aparentemente, a tina esteja lotada, mas, na verdade, se estas se estourarem, o que vai restar será uma camada de emulsão de sabão no seu fundo.

No caso da tina, os espaços vazios em seu interior estão cheios de ar. E no espaço cósmico? O que enche este espaço? Já houve quem arriscasse supor que este local que preenche nosso espaço sideral seria a “Espiritualidade” mas, resta ainda imaginar que é uma afirmação hipotética porque nossa aparelhagem ainda não tem condições de detectar a existência da “vida espiritual” e, em decorrência, em que seja contida. Portanto, este espaço pode ser ou não o local onde os ditos desencarnados possam se encontrar e conviver simultaneamente com a matéria, o que justificaria a existência da alma encarnada: ela preencheria este espaço do corpo somático dando-lhe vida.

A inconsistência religiosa não permite ao crente ver a verdade relativa às descobertas atuais, porque, para eles, os textos que seguem são sagrados, embora sem qualquer prova ou evidência de suas origens. É dogma: dogma não se discute; crê porque crê.

Não se pode, portanto, dialogar com o fanático porque, para ele, seria Satanás que comanda tal “heresia”, outro Ente religioso que nunca foi comprovado. Mas, resolve o problema deles.

Um outro grande problema é que Deus teria feito tudo fixo e estaria contido nele como se fosse um Ente espiritual semelhante ao homem, mas o homem nasceria do sopro divino no momento do parto, coisa absurda porque Deus teria que estar assoprando os ventres maternos a todo tempo, em decorrência dos nascimentos em diversos países do planeta e, com isto, não teria mais tempo para nada.

As discrepâncias religiosas a respeito de Deus são tantas que só os fanáticos poderiam aceitá-las e combater o raciocínio.

E tudo vai mais além: apenas a Terra tem características humanas; o restante do Universo mostra que, cada astro, cada nebulosa, enfim, cada sistema sideral tem características totalmente incompatíveis com uma configuração terrena e que, como tal, o Grande Agente capaz de comandar tudo isso jamais poderia ser alguém exclusivamente preocupado com a humanidade.

E tudo se complica quando os mais avançados estudos cosmológicos nos falam dos “buracos de minhoca” (worm holes) que permitem a passagem de pontos do Universo distantes para outros encurtando distâncias, o que explicaria os possíveis deslocamentos siderais de pontos distantes anos luz por frações de tempo, sem necessidade de romper as leis da velocidade da dita luz. Algo tão transcendental que até Deus duvida!

Assim, cabe indagar: se a finalidade de Deus era, apenas, criar a criatura humana à sua imagem e semelhança, por que teria feito um Universo tão complicado e intrínseco, se, para tal, bastaria a existência da Terra onde nela sua criação iria habitar?

Agora, as perguntas finais: onde estaria o Deus religioso neste contexto? Externamente ao Universo? Então, como poderia atuar dentro dele? Se, dentro dele, como ainda não foi sequer rastreado? Afinal, Ele pôde, até, conversar com Moisés! Ou não teria sido Deus?

O Universo é algo perfeito e exato; sem dúvida, comandado por um Agente superior a qualquer concepção humana e cuja “inteligência” está acima de nossa compreensão. Daí, todavia, julgar que tal Agente seja qualquer Deus religioso, cheio de qualidades e sentimentos humanos – na verdade, defeitos, para um Ente Superior –, vai larga distância! Mas, qual deles? Já que cada religião tem seu próprio Ser divino. Afinal, o homem é uma insignificância de vida perdida num ínfimo planeta de um sistema solar dos menores, perdido dentro da Via Láctea, uma das menos importantes galáxias do Universo.

E os deuses religiosos – afinal, cada religião tem o seu próprio – são inteiramente incompatíveis com o Universo.



* * *


Artigo recebido do articulista, via e-mail, em 24 de abril de 2009 (Friday, April 24, 2009 5:18 PM).

Publicado neste Portal A ERA DO ESPÍRITO com a autorização da autora.



endereço: http://aeradoespirito2.sites.uol.com.br/Artigos/DEUS_E_O_UNIVERSO_CBI.html
imagem: terrabrasil.org.br


domingo, 30 de maio de 2010

DEUS E A RAZÃO


Afinal, quando todos discordam entre si, ninguém tem razão.

Confúcio


Razão vem do latim, ratio, onis, segundo os dicionários, é a faculdade do raciocínio.

Na antiga Grécia, o termo correspondente era “logos” e estava vinculado à natureza e sua existência. Deve-se a Platão dividi-la em razão intuitiva (noesis), discursiva e conclusiva. Pela ordem: razão imediata; razão do conhecimento através de uma série de raciocínios; e a terceira, aquela que não permite dúvida ante as premissas que a imponham.

O racional, portanto é relativo à razão.

Já na retórica clássica encontraremos a razão demonstrativa que expõe as evidências; a razão argumentativa que usa o raciocínio lógico como proposta de discussão e a razão final, como indica o nome, que enfeixa os conceitos usados como argumento e leva a uma conclusão.

Todavia, para quem pensa que este termo teve sempre tal conotação, e sua origem latina é a mesma, pego anotações do meu pai (1) e transcrevo algumas delas:

Horácio: Ratio – o raciocínio; e mais: Mala ratione facere rem – enriquecer por modo ilícito.

Lucrécio: Navigii ratio – a arte de navegar.

Cícero: Mea est sic ratio – esta é minha opinião; Ratio carceris – motivo dos encarcerados; Pro ratione fructuum – por motivo dos frutos...

Cada qual que conclua à sua moda. Contudo, no presente, somos levados a usar cada termo com seu sentido atual e deixar para os devaneios o que possa ter sido seu significado em tempos antanhos. Atualmente, ter razão é estar certo. É um conceito da Lógica.

Relativamente a Deus e à razão, muitas indagações são feitas; a exemplo: por que Deus fez o mundo? (Qual a razão de tê-lo feito). Que razão nos levaria a concluir pela existência do “Criador”? Há razão em admitir a existência de um Deus único, responsável por tudo? Ele se enquadra na lei de causa e efeito?

E por aí afora.

O nosso objetivo, porém, é analisar a figura de Deus dentro da razão, no sentido lógico, afinal, os embates entre as religiões, as linhas filosóficas e as verdades científicas criam um choque terrível, como vimos anteriormente, nos comentários já publicados.

Até o momento, pelo que se pôde ver, existe um enorme conflito entre os que negam e os que afirmam que Deus exista dentro dos puros conceitos religiosos e tudo indica que as discussões se resumem de acordo com os critérios facciosos de cada expositor.

Quem revolucionou os conceitos a respeito de Deus – para os que queiram, também, ler as entrelinhas – foi um mestre francês, discípulo dileto de Pestalozzi e que se tornou o responsável pela introdução em seu país pela metodologia de ensino do grande didata suíço. Chamava-se Léon Hippolyte Denizard Rivail (1804 – 1869), mas, ao ser convidado por Forrestier, um pesquisador dos fenômenos transcendentais da vida após a morte, a estudar tais ocorrências hoje conhecidas como metanímicas ou mediúnicas – de manifestação do morto –, dedicou-se ao seu estudo codificando uma nova doutrina filosófica de conclusões científicas, como ele próprio define, para correlacionar a existência do Espírito fora do corpo com sua vida encarnatória.

Para não misturar seu estudo pedagógico com suas pesquisas consideradas transcendentais, ele preferiu usar um pseudônimo – Allan Kardec – para expor seu novo trabalho. A essa doutrina ele criou o neologismo em francês de Spiritisme para denominá-la, todavia, no Brasil, ela tomou dois ramos distintos, um deles também conhecido como Roustaingismo, baseia-se na obra “Os Quatro Evangelhos” ou “Espiritismo Cristão” de Jean Baptiste Roustaing e segue a linha docetista de uma antiga igreja otomana do século IV e que fora condenada por bula papal já em velhos tempos.

Como tal, este segmento admite que Jesus não tenha tido corpo carnal e sim, “fluídico”, assim denominado erroneamente, já que fluido é material também. Diverge, em muitas coisas de Kardec e, aboliu da sua obra o principal livro “O Que é o Espiritismo”, considerando apenas cinco obras do codificador às quais denomina – também erroneamente – de “Pentateuco espírita”; assim mesmo, em sua tradução para o nosso idioma modifica muito do seu conteúdo, chegando a adulterar capítulos, no caso do livro “A Gênese” a fim de eliminar os textos de Kardec conflitantes com o aludido docetismo adotado. E um desses capítulos é o referente a Deus.

A segunda corrente, dos “cristãos espíritas” – também chamada de Emmanuelismo –, baseia-se principalmente em obras mediúnicas de Entidades espirituais que, em sua vida terrena, foram ligadas à Igreja e tem como fundamento principal os Evangelhos do Novo Testamento, os quais também os interpreta sem levar em conta as críticas de Kardec feitas em seu livro relativo aos mesmos.

Seus seguidores quase nunca se preocupam com as obras da codificação, estudando quase que exclusivamente os trabalhos mediúnicos destas Entidades.

Há ainda uma série de seitas mediúnicas, conhecidas como “terreiro” que se dizem espíritas e que servem para os detratores apontarem o aludido Espiritismo como coisa do “demo”. Nenhuma delas, porém, sequer estuda a codificação.

A única doutrina que pratica o mediunismo e merece todo respeito, sem se dizer espírita é a Umbanda, fiel a suas origens afro, embora muitos de seus adeptos – e mais do que os que se dizem espíritas – estudem Kardec.

O que ora iremos analisar, das palavras de Kardec, por vezes entrará em choque com ambas as correntes acima citadas porque foge inteiramente aos seus conceitos evangélicos, contrariando, em parte, muitas de suas posições, já que as mesmas “adoram” Deus à moda cristã e têm Jesus como Guia supremo do nosso planeta.

A fim de evitar conflitos, usaremos as obras de Kardec no seu original francês, publicadas em 1868 – Ed. Lacroix – que, segundo Dr. Silvino Canuto Abreu, foram as últimas edições revista pelo mestre lionês. Com destaque para o cap. I de “O Livro do Espíritos” (6ª ed.) e cap. II de “A Gênese” (3ª ed.), além de tópicos do seu principal livro “O Que é o Espiritismo” em sua primeira edição original.

Como todos sabem, os livros de Kardec foram inspirados em perguntas por ele feitas aos Espíritos manifestantes e à hegemonia de respostas dadas por diversos deles, para que pudesse observar uma certa universalidade de opiniões. Vejam a sutileza de indagação e a resposta dada, logo na primeira pergunta que Kardec fez em O Livro dos Espíritos:

P. – Que é Deus?

Ora, isto afasta por completo o conceito de Deus Ente espiritual como um ser humano (à nossa imagem e semelhança), pois, neste caso, a pergunta seria obrigatoriamente “Quem é Deus?” Já contrariando a Bíblia, em ambos os Testamentos e as correntes doutrinarias brasileiras que O têm como um Espírito.

A resposta ainda é mais contundente: – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Por partes: ser “causa primária” não é ser Criador; o cigarro é, em certas pessoas, a causa primária do câncer pulmonar, mas, não é o criador do tumor maligno. E mais: também defini-Lo como “inteligência superior a tudo” não significa que ele tenha criado nada. Além disso, vamos ver ainda Kardec definindo Deus como “infinito”, portanto, não pode ser contido por um espaço restrito como o cósmico nem nele se manifestar, principalmente porque este se expande. Já, poder-se-ia dizer que Deus contenha o Universo; não se garante tal hipótese, mas, sendo “infinito”, nele está tudo o que possa ser finito e, como tal, Ele é que não cabe no restrito espaço cósmico finito. E em expansão.

Matematicamente, o limite infinito das coisas é o começo de tudo que não tenha origem, portanto, este conceito se enquadra nas Ciências exatas. É também o fim de tudo em condições idênticas. A circunferência é infinita nos dois sentidos: em que ponto ela começaria e em qual terminaria? Pode-se ficar rodando sobre ela infinitamente sem saber onde está seu começo nem onde será seu fim.

Por outro lado, se o Universo, como conseqüência de alguma ação existe, a ele corresponderá uma causa, para que seja dela o efeito ou conseqüência. Ora, sem dúvida: a causa da existência do Universo tem que ser “suprema” – superior a tudo –, primária e compatível com ele; não apenas, ter a configuração restrita dos habitantes de um ínfimo planeta que nada representa perante sua grandeza.

Deus, assim, jamais poderia ser um “Espírito” como os humanos; e Kardec nos mostra, em seus conceitos, que Ele pode ter predicados correspondentes àquilo que sirva de definição para as coisas, todavia, sem jamais possuir caracteres humanos. É assim que no aludido capítulo II de “A Gênese” Kardec tenta descrever a figura de Deus diferenciando-a dos conceitos bíblicos adotados pelos evangélicos, inclusive os que se dizem espíritas em nosso país.

Dos atributos divinos, todos eles são incompatíveis com a figura bíblica do Deus que conversa com Moisés e que fica irado; enfim, como diz Kardec, contrariando seus principais fundamentos e características Ele é de infinito poder e bondade; assim, não pode ser o “criador” do mal, contrariando, mais uma vez, a tese evangélica de que teria Ele criado tudo.

Talvez, por outro lado, tenha usado tal conceito à falta de melhores sentidos figurativos, pela metodologia do ensino, tentando mostrar que não procede a idéia de “castigo divino” muito menos de ter sido d’Ele a criação do mal e dos fictícios personagens bíblicos de Lúcifer e Satanás. Aliás, não existe “criação”: isto é mera artimanha para que os textos bíblicos não sejam contrariados, configurando suas inverdades perante a Ciência.

Em princípio, para ser infinitamente justo não pode perdoar ninguém (o que não significa condenação); ao contrário, deverá fazê-lo cumprir a “lei de causa e efeito” que Jesus traduziu em linguagem simples dizendo “assim como fizeres, assim acharás” mas que os próprios evangélicos geralmente ignoram porque, para eles, Jesus é o grande protetor dos seus adoradores e, como tal, perdoaria incondicionalmente seus atos, bastando, para, tal, adorá-lo em essência e verdade. Chegam a dizer que ele “sofreu” na cruz para resgatar nossos débitos: que absurdo! Evidentemente, só os fiéis a ele, Jesus, estariam salvos provando uma terrível parcialidade porque os bons que não o tenham seguido seriam condenados, apesar de justos...

E Deus, como causa suprema, jamais contrariaria esta sábia lei de justiça, nem para atender a seus fanáticos adoradores! Afinal, esta lei é que mantém o Cosmo em equilíbrio.

Contudo, Kardec resume sua idéia relativa ao Supremo Agente do Universo dizendo: – “quando invocamos Deus, quem vem em nosso socorro é sempre um Espírito amigo”. Esta forma elimina qualquer possibilidade para que o homem, mesmo sendo Moisés, venha a conversar com Ele nem que seja em lugares sagrados, porque a sagração é pura forma humana de adoração.

Um outro aspecto curioso que se pode ver é aquele em que Kardec apresenta esta suprema causa como geradora permanente de seres e coisas, o que é perfeitamente compatível com o progresso sideral onde, a cada momento surge um novo corpo ou forma primitiva e uma nova essência existencial para seu desenvolvimento.

Vale também o inverso, ou seja, a cada momento, algo de novo surge e algo de antigo desaparece; os mais recentes estudos cósmicos nos falam das estrelas canibais, encarregadas de fazerem desaparecer do espaço sideral muita coisa que deva ser eliminada.

Kardec, portanto, analisou Deus à luz da razão, tentando tirar da idéia a concepção de que Ele seria um Ente espiritual igual a nós e com predicados puramente humanos, elevados ao extremo. Esse Deus antropomórfico não existe; é substituído, quando apelamos para Ele, por um Espírito amigo que venha em nosso socorro porque, senão, seria de uma terrível injustiça analisá-Lo em casos como aquele em que uma caravana de romeiros devotos de Nossa Senhora da Aparecida fretou um ônibus para ir à cidade da sua padroeira nos dias de comemoração e o veículo sofrera terrível desastre na viagem. Vários acabaram falecendo e muitos saíram feridos. Uma senhora que se ficara incólume declarou para a repórter que fora Deus que a salvara, só que a entrevistadora não teve a presença de espírito para indagar por que Deus, já que pôde salvá-la, não fez o mesmo com os demais devotos? Parcialidade baseada em quê?

Ou então o caso de dois times que disputam uma partida: o vitorioso declara que fora Deus que o ajudara a vencer; e por que Deus prejudicou a outra equipe fazendo-a perder? Por que tal outra parcialidade? No caso, o mérito passa a ter segundo plano.

Sem dúvida, o homem quer ver neste seu Ser Supremo um indivíduo equivalente a ele em seus íntimos conceitos, ajudando parcialmente a uns, talvez mais devotos, e prejudicando a outros por pura antipatia. Este é o Deus religioso que Kardec tentou desmitificar.

Por isso, muitos, ao traduzirem os textos de Kardec foram obrigados adulterá-los, a fim de não negarem tal crença, já que, no original francês da terceira edição mencionada, o codificador do verdadeiro Espiritismo tenta sutilmente fazer com que se veja que tais conceitos são inteiramente errôneos porque o Deus antropomórfico, além de não ser “infinito” e cheio de sentimentos (ou defeitos) humanos, jamais se tornaria compatível com o cosmo universal e, como tal, incapaz de tê-lo criado. Por sinal, foi exatamente esta posição que Kardec deve ter tomado, de forma sutil, tentando mostrar a seus estudiosos que o Universo jamais poderia ser criado da forma que apregoam, embora, só século e meio depois dele a Ciência nos dê subsídio para provar que, apesar da sutileza, Kardec usara a prudência para admitir a existência de uma “causa suprema” sem tirar a fé do crente que necessita avidamente de “crer” num Ente imaginário que seja tão humano quanto ele, para que tenha fé e confiança no seu Poder, mesmo com a justiça arranhada pela parcialidade da sua crença.

Note-se ainda que Kardec, vivendo numa sociedade do século XIX altamente cristã e numa civilização onde negar certos dogmas religiosos seria verdadeiro escândalo, parece que tentou, de alguma forma, intermediar entre a lógica de seus argumentos e o absurdo das imposições religiosas, sem provocar escândalos nem ferir susceptibilidades. Foi altamente político, neste sentido.

Mas, definindo sua doutrina como ciência de conclusões filosóficas no preâmbulo da sua principal obra “O Que é o Espiritismo”, afirmou em diversas outras ocasiões que ela acompanharia a evolução dos conhecimentos e sempre que alguma afirmativa correlata ficasse provada, ela passaria a integrar o Espiritismo.

Pois está na hora de se confirmar uma causa (Deus?) infinita como motivo de existência do Universo cíclico e sempre renovado por novas formações. Esta causa, porém, jamais poderá ser um Criador que teria dado início à nossa formação cósmica, tornando-a finita.

O grande mal da Religião é querer impor seus erros atribuídos ao Ente Supremo, a fim de não admitir que seu Deus não seja perfeito.

(1) Carlos Imbassahy (Biografia (por Carmem Imbassahy))

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Artigo recebido do articulista, via e-mail, em 01 de maio de 2009

Friday, May 01, 2009 1:37 PM.

Publicado neste Portal A ERA DO ESPÍRITO com a autorização da autora.



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