domingo, 18 de abril de 2010

CRISTIANISMO SEM O CRISTO E O ESPIRITISMO



(10.04.10)

Atualmente, muitos religiosos se enfrentam ferozmente. São os judeus e palestinos que se matam; são os seguidores de Buda e hinduistas quem se mantêm em luta milenar; são pseudocristãos que se aniquilam em guerras absurdas, como se a Bíblia, o Evangelho, o Bhagavad Gita e o Alcorão fossem manuais de violência e, não, roteiro de iluminação espiritual.

A defecção moral, da atual liderança religiosa, demonstra que a moralidade pregada reverbera como "melosa e hipócrita", como disse Nietzsche. Sem líderes religiosos honestos, as propostas religiosas afastam pessoas, que sabem pensar, do sentimento de religiosidade superior e dão margem a que surjam críticos vigilantes, que desnudam seus erros, esmaecendo a esperança de almas primárias para a legítima fé.

Historicamente, sabemos que Sigmund Freud colocou, na berlinda, antigos e violentos conceitos CRISTÃOS e "afirmou ser o Cristianismo um movimento inútil, um infantilismo das massas." (1) O pai da psicanálise fez, das crenças, meros paliativos para neuroses individuais. O materialista Karl Marx, ao conhecer os "cristãos" (não o Cristo!), em sua profunda indignação, afirmou que o Cristianismo era o "ópio do povo" (2), ou seja, uma emanação do sistema de exploração da massa (capitalismo).

Embora a Igreja Romana e as seitas protestantes reivindiquem a herança do Cristianismo dos primeiros cristãos, que seguiam mais de perto os ensinamentos do Cristo, esse Cristianismo puro já não existe há muitos séculos. O Cristianismo, que talvez exista em nossa sociedade, é, apenas, residual.

O legítimo Cristianismo não chegou ao Século IV, exatamente, como em seus primeiros tempos, todavia, foi nesse período, sobretudo no Concílio de Nicéia, que recebeu um golpe de misericórdia. A partir de então, o decadente Império de Roma passou a reconhecer a Igreja oriunda desse Concílio, que, logo, tornou-se a religião oficial dos romanos, por decisão do Imperador Constantino e obrigatória, tanto para um terço dos cristãos, quanto para dois terços dos não-cristãos (bárbaros) do Império.

O Cristianismo entrou em um mundo no qual nenhuma religião, até então, havia penetrado com tanta força. Nesses dois mil anos de dominação cristã, no Ocidente, vimos "uma fé caolha", aliás, uma fé ser diluída, corrompida, deformada, e metamorfoseada em outra coisa, senão, negar a essência original, o Cristo.

Foram dois mil anos de busca desenfreada do poder, de privilégios, de controle de reis e de príncipes, de usos e abusos da máquina pública em seu próprio favor, sempre, aliando-se ao que haveria de vencer. A História registra que muitos colocaram as máscaras de cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes e pastores, a fim de se esconderem, enquanto faziam atrocidades inimagináveis contra o próximo. O Cristianismo, sem Cristo, exerceu controle sobre a massa, cobrando impostos através dos dízimos; controle sobre os homens, promovendo o medo pelas punições eternas e temporais; controle sobre a devoção, manipulando esses sentimentos, transformando-os em um suposto temor a Deus.

Atualmente, estamos assistindo ao surgimento de u'a máquina pseudorreligiosa. Máquina, como nunca fora criada antes. Máquina de comunicação, de manipulação do "sagrado", de venda de favores divinos ("milagres"), de hipnotização das pessoas ao poder e máquina que transforma a população, sem instrução, em um "rebanho de alienados". Apropriou-se, indevidamente, do nome de Jesus para ludibriar os fiéis, mantendo Maquiavel como mentor dos seus preceitos ambiciosos. Nessa atrofia religiosa, eis que surge a Doutrina Espírita, propondo a reconstrução do edifício desmoronado da fé, exaltando a verdadeira moral do Cristo que, durante séculos, permaneceu perdida, precisando, mais que nunca, ser preservada. Com o Espiritismo, Jesus ressuscita das cinzas desse "igrejismo" decadente e é entronizado como meigo condutor dos sentimentos, cujas valiosas lições de amor brilham como archote transcendente de verdades perenes.

O espírita, para colaborar na definitiva transformação moral do planeta, precisa pautar-se pelo desapego, pela humildade, pela simplicidade, lembrando, aos comprometidos com a tarefa de "unificação", que não será com construções de Centrões Espíritas luxuosos; com disputas de cargos para militância político-partidária; com brigas por cargos de destaque na Casa Espírita; com o vedetismo nas tribunas; com as questiúnculas dos simpósios e congressos "grandiosos", atualmente, vilmente, industrializados; ou, furtando-se ao estudo de Kardec e ao serviço da caridade, que iremos mudar a opinião de agentes formadores de opinião, seguidores de Freud, Marx, Nietzsche e outros.

Todos nós necessitamos palmilhar pela fé racional, a fim de compreendermos melhor o Espiritismo, todavia, reconhecemos, também, que não é a destruição inapelável dos símbolos religiosos aquilo de que mais necessitamos para fomentar a harmonia e a segurança entre as criaturas, mas, sim, a nova interpretação deles, até porque, "sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios, volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material da vida do Planeta." (3)


FONTES:
(1) Freud Sigmund. O Futuro de uma Ilusão, Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997
(2) Marx Karl. O Capital, São Paulo: Ed. Centauro, 1997
(3) Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba/MG, na tarde de 18/08/71, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, publicada na edição de 1/09/71.



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sábado, 10 de abril de 2010

UM DISCURSO DE ALLAN KARDEC


"NA COLEÇÃO DA REVISTA ESPÍRITA HÁ TRECHOS DE PROFUNDO ENSINAMENTO SOBRE ASSUNTOS DOUTRINÁRIOS IMPORTANTES, QUE ATÉ PARECE QUE FORAM ESCRITOS HOJE POR ALLAN KARDEC".

A Revista Espírita (Revue Spirite), cujo primeiro número saiu no dia 1° de janeiro de 1858, e que se chamou igualmente, Jornal de Estudos Psicológicos, é um repositório doutrinário de alto valor histórico e cultural para o conhecimento do Espiritismo. Nenhuma fonte de consulta, no que diz respeito ao verdadeiro pensamento da Doutrina Espírita, além da própria Codificação, poderia ser mais fiel e mais autorizada. Pena é que muita gente não leia. Se há, realmente, quem não leia porque não pode, não tem ambiente nem tempo, também há quem não goste de ler, ainda que haja tempo e vagares.

Há tanta coisa importante naquela coleção da Revista. Bastaria, se não fossem outros assuntos, que todos lessem pelo menos o que está no corpo de alguns discursos de Allan Kardec, pondo em foco, em oportunidades diversas, os mais sérios e mais frisantes problemas do Espiritismo, não apenas para aquele momento, mas para o futuro.

Há trechos, por exemplo, que se ajustam inteiramente ao momento atual; até parece que Allan Kardec estava entre nós, vivendo as nossas experiências. Um dessses discursos, que são páginas de profundo e marcante ensinamento, ainda para os espiritas de hoje, foi o de 10 de abril de 1862, na abertura do ano social, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Está na Revista Espírita de junho daquele ano, logo na primeira página. Falando, a certa altura do discurso, sobre o relativo conhecimento que têm os Espiritos desencarnados, porque não possuem toda a sabedoria, como pensam, ingenuamente, certas pessoas, frisou Allan Kardec, muito de propósito, que os Espíritos estão longe de possuir a soberana ciência, e que se podem enganar. É uma verdade pacífica, uma verdade elementar, não há dúviida, mas o certo é que muita gente não admite, nem por sombra, que um espírito possa errar alguma vez ...

A palavra de um Espírito, para algumas categorias de crentes é uma sentença definitiva: "veio do Alto é a verdade, não se discute" Isto é o que se pode chamar, em tudo por tudo, um raciocínio simplista. E com essa simplicidade, que pode ser, às vezes, muito prejudicial à compreensão da própria Doutrina Espírita, certas frases cediças, que não se sabe se vieram realmente do Espírito ou do médium, passam logo a tomar foros de dogma, como se fossem a última palavra, como se fosse a própria sapiência divina. Até mesmo uma frase literária, que apenas soa muito bem aos nossos ouvidos, mas não tem a necessária consistência científica ou filosófica, pelo simples fato de ser de um Espírito, adquire uma importância tal que termina sendo, em suma, um caso de "citação obrigatória".

Tudo isto, afinal de contas, está em desacordo com o verdaadeiro espírito da Doutrina. E bom lembrar, ainda mais, a advertência de que os Espíritos, por vezes, ensina Kardec, "emitem idéias próprias, justas ou falsas". Veja-se bem: idéias próprias, diz o Codificador. A opinião de um espírito seja qual for o médium, seja qual for a categoria desse espirito - é sempre uma opinião própria, não é um princípio doutrinário. E ainda Kardec quem fala: os espíritos superiores querem que o nossso julgamento se exercite em discernir o verdadeiro do falso, aquilo que é racional daquilo que é ilógico. Nada mais sensato, mais oportuno. O problema existe, ainda hoje, os exemplos estão aí.

As palavras de Kardec, que falava em Paris, no ano de 1861, ainda servem, inteiramente, para o momento atual.

A opinião de um Espírito - seja qual for o médium, seja qual for a categoria desse Espirito - é sempre uma opinião própria, não é um princípio doutrinário.

É preciso levar em conta, sempre, que o médium não é um oráculo, como não é um santo: é uma criatura em situação especial na vida, com uma carga pesadíssima de responsabilidade espiritual e humana. Em lugar de se endeusar o médium, querendo fazer dele um ser infalível, como se não fosse também uma criatura humana, sujeita a certos riscos do ambiente terreno, o que se deve fazer é ajudá-lo com assistência espiritual, é apoiá-lo moralmente, evitando que certas idéias perigosas, certas presunções de superioridade ou de santidade lhe penetrem a alma. Devemos orar sempre pelo médium que é um irmão, colocado em posição delicadíssima, a fim de que ele jamais se deixe envolver por influências negativas e seja um instrumento cada vez mais eficiente na missão que a sabedoria divina lhe colocou sobre os ombros.

Não é de hoje que se observa o problema dos melindres no campo mediúnico, prejudicando e desvirtuando muitos médiuns da bendita seara da caridade. Lembremo-nos, como simples ilustração histórica, que já na época de Kardec, e vai para mais de um século. havia uns tantos casos de médiuns que desconfiavam dos outros com medo que lhe fizessem sombra ou lhe apagassem a projeção. O problema vem de muito longe. Isto, na realidade, é uma porta aberta para a desorientação, podendo levar o médium a comprometer gravemente a sua missão ou sacrificar todo o seu passado.

Quando entra qualquer forma ou resquício de suscetibilidade na esfera mediúnica, começa a aparecer também o espírito de concorrência, isto é, o médium A tem receio de que o médium B venha concorrer com ele; o médium C fica prevenido com o médium D, pensando que o outro venha a suplantá-lo e assim por diante. Muitas vezes os problemas ocorrem por culpa dos comportamentos exagerados, que formam partidos ou alas no campo mediúnico, jogando um médium contra outro. Quem o maior prejudicado? O próprio médium, não é verdade? Quem sofre com ísto: A própria causa espírita, que perde, assim, um instrumento produtivo.

Quando o médium chega a ponto de não aceitar críticas nem advertências sensatas e amigas, naturalmente já está fora das verdadeiras diretrizes da misssão mediúnica. Para rematar, vamos reproduzir, aqui, mais uma oportuníssima observação de Allan Kardec, no magistral discurso de 1862: como discutir comunicações com médiuns que não suportam a menor controvérsia, que se melindram com uma observação crítica, com uma simples observação e acham mau que não se aplaudam as coisas que recebem, mesmo aquelas inçadas de grosseiras heresias cientificas? Eis, aí, uma advertência ainda necessária, porque o problema se repete, ainda hoje, e a cada passo de nosso movimento.

Se a comunicação é do Espírito, pois o médium é apenas instrumento, não há motivo para qualquer indisposição ou mágoa do "aparelho mediúnico" diante das criticas, especialmente quando as criticas são construtivas e caridosas. Vem, por fim, nova e judiciosa observação do Codificador: Disso resulta que o médium que se acha em tais disposições está sob o império de um Espírito que merece pouca confiança, desde que mostra mais orgulho do que saber. Deixemos o resto do discurso de Allan Kardec para outros comentários, naturalmente quando houver oportunidade. A fonte está ai, já traduzída para a nossa língua, e, portanto, aberta a qualquer pessoa que se interesse pelo assunto. Seria bom, na realidade, que o maior número possível de espíritas, simpatizantes e principiantes lesse a preciosa coleção da Revista Espírita.

Não nos esqueçamos de que o médium precisa ser livre para ouvir e julgar as crííticas que se lhe fazem e, por isso mesmo, o médium não pode ficar preso a uma instituição, nem a um grupo nem a uma pessoa, como se fosse propriedade particular. O médium precisa mais de oração e solidariedade espiritual do que propriamente de aplausos ou de preferências incondicionais. E' um erro querer transformar o médium em motivo de puro vedetismo. A experiência que o diga.

Deolindo Amorim - Jornal Espírita - julho/07



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quarta-feira, 7 de abril de 2010

RESSURREIÇÃO, O SIGNIFICADO BÍBLICO


O erro não se torna verdade por multiplicar-se na crença de muitos, nem a verdade se torna erro por ninguém a ver... (GANDHI).

Introdução

Vamos procurar fazer um estudo sobre a questão da ressurreição, na tentativa de encontrar qual o entendimento que os antigos tinham sobre isso.

Sabemos não ser muito fácil fazer esse tipo de pesquisa, pois os textos bíblicos de hoje, não sendo os originais e estando eivados de “vícios” de tradução, torna o resultado dessa tarefa assaz comprometido com a verdade, já que “a verdade bíblica” pode ser bem diferente da realidade. Por outro lado, conceitos arraigados que servem de arquétipo ao homem hodierno, talvez possam nos levar a um caminho fora do nosso objetivo principal que é saber quais são realmente os fatos verdadeiros.

Mas, para que não fiquemos apenas numa opinião isolada, e mesmo de pouco valor, trazemos a opinião do pesquisador holandês Emanuel Tov, especialista nos Manuscritos do Mar Morto, contida na Revista Veja edição 1747, na reportagem “Espião do Passado”, de autoria de Adriana Carvalho:

Nas cavernas de Qumran e em outros lugares de Israel, nós encontramos centenas de manuscritos, todos da Bíblia hebraica, o Velho Testamento. Comparando com as traduções que conhecemos hoje da Bíblia, notamos que há passagens que eram mais curtas, outras mais compridas ou com textos diferentes dos que conhecemos hoje. O Livro de Jeremias nos manuscritos aparece em uma versão talvez 15% mais curta. Isso significa que, nas cópias feitas por gerações após gerações, freqüentemente os escribas mudavam os textos, acrescentando alguns detalhes, suprimindo outros. Eles consideravam-se também autores e permitiam-se fazer alterações. Isso ocorreu com os textos de Homero, as tragédias gregas, não apenas com a Bíblia. (CARVALHO, 2002, p. 14).

Primeiramente, cabe-nos informar qual é o significado daquilo que iremos tratar. Diz-nos o Aurélio que ressurreição significa: “S. f. 1. Ato ou efeito de ressurgir ou ressuscitar; ressurgência. 2. Rel. Festa católica comemorativa da ressurreição de Cristo, ao terceiro dia após a morte: 3. Fam. Cura surpreendente e imprevista. 4. Fig. Vida nova; renovação, restabelecimento. 5. Quadro que representa a ressurreição de Cristo. 6. Rel. Na doutrina cristã, o surgir para uma nova e definitiva vida, distinta e, em certa medida, oposta à existência terrestre, e que, a partir da ressurreição de Cristo, aguarda todos os fiéis cristãos”.

E que ressuscitar significa: “V. t. d. 1. Fazer voltar à vida; reviver, ressurgir. 2. Restaurar, renovar, reproduzir: V. int. 3. Voltar à vida; tornar a viver; reviver, ressurgir. 4. Tornar a surgir; reaparecer, ressurgir: 5. Escapar de grande perigo”.

Assim, podemos, para o nosso estudo, concluir que ressurreição é a ocorrência que faz voltar à vida, tornar a viver ou reviver; quem passou pelo derradeiro momento da morte física. Nesse conceito, mais abrangente, podemos também considerar como ressurreição a volta do Espírito à sua condição anterior no plano espiritual, ou seja, a ressurreição do espírito.

Já pelo conceito encontrado no Dicionário Bíblico Universal é:

Ressurreição não é a volta à vida. É de maneira inexata que se fala de ressurreição a propósito das crianças curadas por Elias e Eliseu (1Rs 17, 2Rs 4), a propósito do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17), de Lázaro (Jo 11) etc. Os textos se referem somente a um retorno à vida que não dispensa a pessoa beneficiada de ter que morrer um dia. Ressuscitar é descobrir, além da morte, uma vida de tipo novo, comportando relações novas dos homens entre si e dos homens com Deus. (p. 681)

O que não conseguimos estabelecer é quando e porque o povo hebreu passou a acreditar na ressurreição, pois os textos bíblicos, só mais tardiamente, por volta de 175 a 161 a.C., é que passam a falar dessa possibilidade.

Histórico

Nos livros que compõem o Antigo Testamento, percebemos que essa idéia aparece, como que caída de um pára-quedas, já que até o século II a.C., nem se pensava nisso; antes, ao contrário, não tinham nenhuma perspectiva para a existência de alguma coisa depois da morte.

A cultura egípcia admitia a vida após a morte. Leiamos:

A morte, para os egípcios, tinha um especial interesse. Havia entre eles uma crença absoluta no renascer dos mortos. Por isso, a preocupação em preservar o cadáver e o desenvolvimento da técnica de mumificação. De acordo com sua religião, a alma precisava de um corpo para morar por toda a eternidade.

Acreditava-se que a morte apenas separava o corpo da alma. Daí, a obrigação a ser cumprida pelos parentes quanto ao morto querido: a mumificação de seu corpo.

Se a vida poderia durar eternamente, desde que a alma encontrasse no túmulo o corpo destinado a servi-lhe de morada, era precioso, portanto, preservar suas características físicas. (A Magia do Egito, nº 01, p. 47).

É interessante o que pensavam a respeito do após morte:

A vida no outro mundo começava no próprio túmulo com uma viagem pelo subterrâneo. Primeiro, o ka (energia vital) deixaria o corpo acompanhado por ba (alma). O deus Coros conduz o ba através dos portais de fogo até o salão do juízo final.

O julgamento final era a prova de fogo para que a pessoa morta alcançasse, finalmente, a vida eterna.

No julgamento final, o morto deveria provar que foi verdadeiro e justo durante a vida, sem ter faltado com a verdade.

Se a pessoa não passasse pelo julgamento final, estaria condenada a uma espécie de coma perpétuo, ou seja, teria então uma segunda morte porque, agora, o acesso à eternidade estaria vedado. (A Magia do Egito, nº 05, p. 12).

Os egípcios acreditavam que o corpo ressuscitaria magicamente do outro lado da vida por meio de um ritual chamado de ‘abertura da boca’. O sacerdote ou alguém da família tocava a boca do morto com um instrumento de metal para que ele pudesse ter uma boa passagem para o outro mundo e conseguisse pronunciar as palavras necessárias na hora do julgamento.

No mundo dos mortos, os egípcios eram julgados pelo deus Osíris e seus 42 assessores. Diante de cada juiz, o defunto declarava não ter passado por determinada infração. Seu coração era pesado numa balança. ‘Se pesasse mais que a pluma da justiça de Maat, a deusa da ordem universal, o morto seria engolido por um monstro em forma de crocodilo, leão e hipopótamo e teria, assim, uma morte definitiva, deixando por completo de existir’, afirma o historiador Ciro Flamarion Cardoso, da Universidade Federal Fluminense. (Revista das Religiões, p. 42).

Ora, sabemos que o povo hebreu permaneceu por 430 anos em escravidão no Egito, tempo suficiente para incorporar, em sua cultura, os costumes do povo que o subjugava. O que nos causa espécie é por que a ressurreição não aparece na Bíblia desde a época dos hebreus no Egito?

O que vemos é que, inicialmente, nem tinham idéia de vida após a morte. Não aparece nem mesmo, quando promulgados, no monte Sinai, os Dez Mandamentos. Neles observamos que todas as recompensas e penalidades, estabelecidas por Deus, estão relacionadas às situações terrenas, não para uma vida futura após a morte.

Na visão que tinham, todos iam para o mesmo lugar; o sheol. Com o passar dos anos, desenvolveu-se a idéia de que somente os injustos é que iam para lá. O sheol era, na verdade, a sepultura comum, da qual não viam nenhum corpo voltar, razão de pensarem que a vida só se resumia a essa aqui na terra. Quando imaginavam que alguém estava nas graças de Deus, davam a ela uma vida longa. É por isso que aparecem na Bíblia pessoas com tempo de vida inverossímil.

A idéia da ressurreição aparece, pela primeira vez, no período histórico situado entre 175 a.C. a 161 a.C., narrados em 2 Macabeus e em Daniel; ambos os relatos se referem a esse mesmo período.

É certo que alguns teólogos admitem que Isaías teria falado a respeito dela. Mas é difícil saber com certeza, pois quê “suas palavras foram conservadas e sofreram acréscimos. ... São acréscimos mais extensos ‘o Apocalipse de Isaías’ (24-27), que por seu gênero literário e por sua doutrina não pode ser situado antes do século V a.C.;...” (Bíblia de Jerusalém, p. 1238).

Quando lemos em Is 26,19: “Os teus mortos tornarão a viver, os teus cadáveres ressurgirão”, ficamos na dúvida sobre de que se trata realmente; mas, em nota de rodapé, explicam-nos: “O texto poderia se entender como restauração nacional (cf. Ez 37) ou como afirmação da fé na ressurreição dos mortos (Dn 12,2)”. (Bíblia Sagrada Vozes, p. 912).

Reportando-nos a Ezequiel, lemos a seguinte explicação para o passo 37,1-14:

Cumprindo-se os castigos anunciados pelo profeta (Ez 4-24) os exilados caíram em profunda prostração. Longe de sua terra, sem templo nem culto, estavam ameaçados de perder a identidade de povo eleito (cf. 20,32; 33,10). As esperanças de uma restauração pareciam perdidas (37,11). Neste contexto Ezequiel anuncia uma restauração milagrosa de Israel, a ser produzida pelo espírito de Deus. (Bíblia Sagrada Vozes, p. 1072).

E, confirmando essa afirmativa, citamos da Bíblia de Jerusalém:“Como em Os 6,2; 13,14 e Is 26,19, Deus anuncia aqui (cf. 11-14) a restauração messiânica de Israel, após os sofrimentos do Exílio (cf. Ap 2-,4+)” (p. 1534).

Até aí estavam indo muito bem; mas...

Contudo, pelos símbolos utilizados, ele já orientava os espíritos para a idéia de ressurreição individual da carne, entrevista em Jó 19,25+, explicitamente afirmada em Dn 12,2; 2Mc 7,9-14; 12,43-46; Cf. 2Mc 7, 9+. Para o NT, ver Mt 22, 29-32 e sobretudo 1Cor 15. (Bíblia de Jerusalém, p. 1534).

Do texto de Ezequiel: “... estes ossos representam toda a casa de Israel, que está a dizer: ‘Os nossos ossos estão secos, a nossa esperança está desfeita. Para nós está tudo acabado. Pois bem, profetiza e dize-lhe: Assim diz o Senhor Iahweh: Eis que abrirei os vossos túmulos e vos farei subir dos vossos túmulos, ó meu povo, e vos reconduzirei para a terra de Israel” (37,11-12), confirmando o que foi dito a respeito da restauração do povo de Israel. Não é, portanto, uma ressurreição coletiva e nem individual o que se pode deduzir do texto. Vemos este apenas como uma tentativa de se achar uma saída para justificar a crença na ressurreição da carne.

Embora não fosse desta forma que pensávamos em tratar desse assunto, devemos, para uma melhor compreensão, ver o que se narra nos livros 2 Macabeus e Daniel.

a) Livro de Macabeus

O Segundo Livro dos Macabeus não é uma continuação dos fatos narrados por 1Mc. É antes um relato paralelo a 1 Mc 1-7. Começa com os fatos do tempo do Sumo Sacerdote Onias III e do rei Seleuco IV (180 aC.). E termina pouco antes da morte de Judas Macabeu, com a derrota de Nicanor (161 a.C.). Apresenta-se como um resumo de uma obra mais ampla, em cinco volumes, de um tal de Jasão de Cirene (2,19-32). Este Jasão mostra-se bem informado ao menos sobre a situação em Jerusalém, a administração selêucida e seu funcionamento.

O autor do resumo é um desconhecido, profundamente religioso, talvez um fariseu. É um apaixonado pela causa dos judeus e grande admirador de Judas Macabeu, seu herói principal. A obra de Jasão de Cirene deve ter sido composta em torno de 130 a.C. E o ‘resumo’ deve ser posterior a 124 a. C (data da primeira carta; 1,9) e anterior a 63 a. C., quando Jerusalém foi ocupada pelos romanos. Como se nota pelas duas cartas iniciais e pelo prólogo, o ‘resumo’ foi composto em Alexandria e sobretudo para leitores da comunidade judaica local. (Bíblia Sagrada Vozes, p. 573).

As informações que Jasão possuía – segundo o que podemos deduzir do resumo fiel – especialmente as notícias minuciosas e exatas sobre certas particularidades da história dos Selêucidas, informações precisas sobre títulos, cargos etc., nos levam a crer que tenha consultado arquivos palestinenses e ouvido boas testemunhas. É sabido, com efeito, que os judeus cultos da época costumavam empreender tais viagens e pesquisas.

A exatidão das notícias, que Jasão dá só poderá ter recolhido por via oral, leva-nos a crer que as tenha escrito quando ainda vivas as testemunhas oculares dos fatos, e que, portanto, sua obra tenha sido escrita nos últimos 20 anos séc. II a.C. (Bíblia Paulinas, p. 553).

Por que o autor sentiu necessidade de retomar uma história já conhecida? Qual a originalidade? Podemos dizer que a intenção do autor é reler os mesmos fatos, para mostrar que a luta em defesa do povo se enraíza na atitude de fé, que confia plenamente no auxílio de Deus. (Bíblia Pastoral, p. 611).

Os minúsculos que atestam a recensão do sacerdote Luciano (300 d.C.) conservam por vezes um texto mais antigo que os dos outros manuscritos gregos, texto que se reencontra nas Antiguidades Judaicas do historiador Flávio Josefo, que segue geralmente 1Mc e ignora 2Mc. A Vetus Latina, também, é a tradução dum texto grego perdido e freqüentemente melhor que o dos manuscritos que conhecemos. O texto que está na Vulgata não foi traduzido por são Jerônimo – para quem os livros dos Macabeus não eram canônicos – e não representa senão uma recensão secundária. (Bíblia de Jerusalém, p. 718).

As informações acima são necessárias para compreendermos bem o que nos traz esse livro. Observe, principalmente, o que grifamos em negrito. Podemos tirar que esse livro foi escrito por alguém que acreditava na ressurreição e o escreveu depois dos fatos acontecidos.

2Mc 7,9: “Estando prestes a dar o último suspiro, disse: ‘Tu, execrável como és, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna, pois morremos por fidelidade às suas leis”.

Analisando a frase “nos tira desta vida presente”, presumimos que acreditavam em outra vida, e quando se disse: “nos ressuscitará para uma vida eterna”, confirma essa idéia. Então, a ressurreição aqui tratada é a do espírito. E sobre essa última expressão, nos informam na Bíblia de Jerusalém que: “Lit. ‘para uma revivificação eterna da vida’” (Bíblia de Jerusalém, p. 777), o que sustenta a idéia concluída por nós.

2Mc 7,11: “dizendo com dignidade: ‘De Deus eu recebi esses membros, e agora, por causa das leis dele, eu os desprezo, pois espero que ele os devolva para mim’”.

Aqui, ao que parece, a ressurreição que esperavam é a do corpo.

2Mc 7,13-14: “Passado também este à outra vida, submeteram o quarto aos mesmos suplícios, desfigurando-o. Quase a expirar, disse: ‘É desejável passar para a outra vida às mãos dos homens, conservando em Deus a esperança de ser um dia ressuscitado por ele. Para ti, porém, não haverá ressurreição para a vida!”.

Essa passagem é singular, pois volta à questão de se acreditar em “outra vida”; entretanto, o texto já induz à idéia de uma ressurreição futura, talvez a do juízo final. Mas, é aí que a coisa fica difícil de entender, pois em outras Bíblias encontramos coisa diferente; vejamos:

Morto este, aplicaram os mesmos suplícios ao quarto, e este disse, quando estava a ponto de expirar: ‘É uma sorte desejável perecer pela mão humana com a esperança de que Deus nos ressuscite. Mas para ti, certamente não haverá ressurreição para a vida”. (Bíblia Sagrada Ave Maria).

Tiraram a idéia da versão anterior de que acreditavam em uma “outra vida”, mas já não se tem a idéia que a ressurreição seja para um tempo futuro, dá-nos a entender que é próxima. Ao dizer que “para ti, não haverá ressurreição para a vida”, que vida? Não seria a vida espiritual? Não seria a ressurreição do Espírito? Se for, ficaria contrário a idéia da ressurreição do corpo. Assim esse livro não nos fornece elementos seguros para saber o que realmente pensavam.

2Mc 7,23: “Por isso, é o Criador do mundo, que organizou o nascimento dos homens e preside à geração de todas as coisas, ele mesmo é quem, na sua misericórdia, vos dará de novo o espírito e a vida, pois agora desprezais a vós mesmos, por amor às suas leis”.

Será que aqui poderemos entender que “vos dará de novo o espírito e a vida” como a ressurreição espiritual? Acreditamos que sim. Observe que é mais forte essa ocorrência do que a ressurreição do corpo.

2Mc 12,43-44: “Em seguida fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles”.

Oferecerem sacrifícios pelos pecados, apenas teria sentido, se acreditassem que já estariam ressuscitados, para que esses sacrifícios tivessem valor imediato.

b) Livro de Daniel

A data desta [composição] é fixada pelo testemunho claro fornecido pelo cap. 11. As guerras entre Selêucidas e Lágidas e uma parte do reinado de Antíoco Epífanes nele são narradas com grande luxo de pormenores insignificantes para o propósito do autor. Este relato não se parece com nenhuma profecia do Antigo Testamento e apesar de seu estilo profético, relata acontecimentos já ocorridos. Mas a partir de 11,40 muda o tom: o 'Tempo do fim” é anunciado de um modo que recorda os outros profetas. O livro teria sido composto, portanto, durante a perseguição de Antíoco Epífanes e antes da morte dele, antes mesmo da vitória da insurreição macabaica, isto é, entre 167 a 164. (Bíblia de Jerusalém, p. 1245).

O livro de Daniel já não representa a verdadeira corrente profética. Não contém mais a pregação dum profeta enviado por Deus em missão junto de seus contemporâneos; foi composto e imediatamente escrito por um autor que se oculta por detrás dum pseudônimo, como já sucedera no opúsculo de Jonas. (Bíblia de Jerusalém, p. 1246).

Autor e tempo de origem: Dn 1-6 nos coloca no tempo do exílio babilônico (séc VI a.C.). Dn 7-12, onde Daniel fala de si na primeira pessoa, é atribuído a Daniel, judeu deportado em 606 aC. De fato, até o séc. XIX o livro foi atribuído a este profeta exílico; mas deste então tornou-se opinião generalizada entre autores não-católicos e católicos que na realidade o livro foi escrito no séc. II a.C, no tempo da perseguição de Antíoco IV, entre os anos 167 a 163 a.C., no início do período macabeu. ... Portanto, o autor é um desconhecido, talvez pertencente ao grupo assideu (cf. 1Mc 2,27), o que não exclui que o livro contenha elementos mais antigos.

O Autor desconhecido quis oferecer aos seus contemporâneos, cruelmente perseguidos pelo rei Antíoco, um livro de conforto e consolação. (Bíblia Vozes, p. 1086).

Com efeito, este escrito foi redigido em três línguas: em hebraico, em grego e em aramaico; ora, os dois últimos idiomas não eram ainda utilizados no tempo em que o livro coloca o profeta. O seu redator, que escreveu certamente no segundo século a.C, serviu-se de documentos anteriores, que podem remontar até a própria época de Daniel. (Bíblia Ave Maria, p. 40).

Pouco depois dele, Dn 12,2 explicitará a fé numa retribuição após a morte e no pensamento dele esta fé estará ligada à fé na ressurreição dos mortos, já que a mentalidade hebraica não concebe a vida do espírito separada da carne. No judaísmo alexandrino a doutrina progredirá em caminho paralelo e irá mais adiante. Depois que a filosofia platônica, com sua teoria da alma imortal, tiver libertado o pensamento hebraico de seus entraves, o livro da Sabedoria afirmará que “Deus criou o homem para a imortalidade (2,23) e que depois da morte a alma fiel gozará de felicidade sem fim junto de Deus, enquanto os ímpios receberão seu castigo (3,1-12). (Bíblia de Jerusalém, p. 798).

A situação histórica coloca o nosso Daniel no reinado do Antíoco IV Epífanes, que determinou o extermínio da religião judaica e a consecutiva helenização da Palestina. O autor do livro de Daniel (a nós desconhecido) serve-se de histórias antigas, segundo o gênero agádico, então muito em voga (cc. 1-6; 13-14), para inculcar esperança e fé aos judeus perseguidos por Antíoco IV. Assim como Deus protegeu Daniel e os seus companheiros de todos os perigos, assim acontecerá com os judeus que forem fiéis à Lei e às tradições religiosas. O autor não tem em vista descrever fatos históricos, mas histórias moralizadoras, que poderiam, na realidade, ter um fundo ou um núcleo histórico, mas de segunda importância. Os dados internos do livro, lingüístico, histórico e teológico obrigam-nos a datar o livro por altura da morte do rei Antíoco IV (165-164 a.C). (Bíblia Santuário, p. 1313).

A explicação que encontramos para o grupo dos assideus: “Forma grecizada do hebr. Hasîdîm, os ‘piedosos’, comunidade de judeus apegados à Lei. Eles resistiram à influência pagã desde antes dos Macabeus e tornaram-se a tropa de choque de Judas (cf. Mc 14,6), mas sem se subordinarem à política dos Asmoneus (cf. 1Mc 7,13). Segundo Josefo, durante a chefia de Jônatas, por volta de 150, eles se dividiram em fariseus (Mt 3,7+ e At 4,1+) e essênios, mais bem conhecidos desde as descobertas de Qumrã (cf. Ant. XIII, 17s)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 724).

Os fariseus acreditavam na ressurreição, anjo, espírito, imortalidade da alma, coisas que dariam para justificar o aparecimento da idéia de ressurreição, somente agora, já que estes dois livros, Macabeus e Daniel, provavelmente tiveram como autores pessoas com essas origens.

O historiador Flávio Josefo registra, nessa época, as classes dos fariseus, dos saduceus e a dos essênios; inclusive, as duas primeiras são citadas no Novo Testamento.

Recapitulando: autor desconhecido, escrito por volta de 165-164 a.C., o que nos coloca em data próxima do livro anterior, ou seja, 2 Macabeus.

Dn 12,2: “Muitos dos que dormem na terra poeirenta, despertarão; uns para a vida eterna, outros para vergonha, para abominação eterna”.

Encontramos a seguinte nota na Bíblia Santuário:

O profeta anuncia a libertação de Israel após os horrores levados a efeito por Antíoco Epífanes. Além da ressurreição nacional, o v.2 anuncia a ressurreição da carne (Is 26,29; 2Mc 7,9-14, 23-36; 12,43-46). A doutrina da ressurreição da carne é tipicamente bíblica e semita, enquanto que a da imortalidade da alma é de sabor mais helênico. (pp. 1338-1339).

Aqui, como já explicamos anteriormente sobre Ezequiel, é provável que a idéia seja mesmo a da ressurreição nacional, ou seja, restauração do povo de Israel.

Vejamos agora o que ainda mais encontramos para desvendar qual era o conceito de ressurreição.

a) Voltar à vida no mesmo corpo

Elias, que ressuscitou um filho de uma viúva (1Rs 17,17-24);

Elizeu, que fez o mesmo com um filho de uma sunamita (2Rs 4,32-37);

Pedro, por ter ressuscitado a jovem chamada Tabita (At 9,36-41);

Paulo, que fez voltar à vida o menino Êutico, que havia morrido após ter caído de uma janela (At 20,9-12);

Jesus, a filha de Jairo (Mt 9,18-26; Mc 5,21-24.35-43; Lc 8,40-42.49-56), o filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) e Lázaro (Jo 11,1-44).

Será que realmente houve propriamente uma morte? Devemos observar, que no caso da filha de Jairo, Jesus disse: “a menina não morreu, está dormindo” (Mt 9,24; Mc 5,39 e Lc 8,52). Em relação a Lázaro a coisa é mais complicada, pois, apesar de Jesus ter afirmado que “esta doença não é para a morte” (Jo 11,4), e “nosso amigo Lázaro dorme” (Jo 11,11), o texto bíblico apresenta uma contradição a partir do versículo 13 a 16, dizendo que se trata de morte mesmo. Ora, isso, a nosso ver, decorre de um acréscimo ao texto original para se justificar a tese da ressurreição corporal, cujo teor, se retirarmos do texto não ocasiona solução de continuidade da narrativa, mantendo incólume o contexto.

Temos dito, em várias oportunidades, que os médicos de hoje, se tivessem vivido naquele tempo, seriam considerados “profetas”, pois, com certeza, com os atuais conhecimentos de medicina, iriam “ressuscitar” inúmeras pessoas. A grande questão é saber se Lázaro e a filha de Jairo, e o filho da viúva de Naim estavam realmente mortos, ou se passaram por uma EQM - Experiência de Quase Morte, que tem despertado o interesse de vários pesquisadores nos tempos atuais...

Esse conceito é o popular; mas, como já demonstramos pelo Dicionário Bíblico, ele não é exato.

b) Voltar à vida em outro corpo

Lc 9,7-9: “O tetrarca Herodes, porém, ouviu tudo o que se passava, e ficou muito perplexo por alguns dizerem: ‘É João que foi ressuscitado dos mortos’; e outros: ‘É Elias que reapareceu’; e outros ainda: ‘É um dos antigos profetas que ressuscitou”. Herodes, porém, disse: ‘A João eu mandei decapitar. Quem é esse, portanto, de quem ouço tais coisas?’ E queria vê-lo”. (ver Mt 14,1-2 e Mc 6,14-16).

Lc 9,18-19: “Um dia Jesus rezava num lugar retirado e seus discípulos estavam com ele. Ele lhes fez a seguinte pergunta; ‘Quem sou eu no dizer das turbas?’ Eles responderam: ‘Para uns, João Batista, para outros, Elias ou algum dos antigos profetas ressuscitado’”. (ver também Mt 16,13-14; Mc 8,27-28).

Por essas passagens podemos perfeitamente saber que o povo realmente acreditava que alguém, que já havia morrido, poderia voltar como outra pessoa; senão, não teria sentido o que o povo pensava a respeito de Jesus. E se isso não fosse possível, com certeza, Jesus não teria feito essa pergunta; e, mais ainda: teria dito dessa impossibilidade, em função da resposta dada pelos discípulos. Assim, fica claro que o conceito de ressuscitar aqui nessas passagens pode muito bem ser entendido por reencarnar.

Somente devemos fazer uma ressalva quanto a João Batista, que não poderia se enquadrar nesse conceito; nós o estaremos explicando no item “d”.

c) Ressurgir em Espírito

Qual a ressurreição foi pregada por Jesus: a da carne ou a do Espírito?

Para responder essa questão é necessário lermos a resposta que Jesus deu aos saduceus, negadores da ressurreição, sobre uma mulher que, para cumprir a lei mosaica, teve que casar com os sete irmãos. A dúvida deles era: quando da ressurreição ela seria mulher de qual deles? A isso responde Jesus: “As pessoas deste mundo se casam. Contudo, as que são julgadas dignas de ter parte naquele mundo e na ressurreição dos mortos, lá não se casam. E já não podem morrer outra vez, porque são iguais aos anjos e filhos de Deus, sendo participantes da ressurreição”. (Lc 20,34-36). Se os que morrem são iguais aos anjos, isso significa que serão seres espirituais; daí, não se justifica mais o casamento, que é coisa para os que possuem corpos materiais.

Jesus disse que “O espírito é que dá vida, a carne de nada serve” (Jo 6,63), o que vem reforçar a nossa natureza como sendo a espiritual. Por outro lado, partindo de que “Deus é Espírito” (Jo 4,24) e que somos a sua imagem e semelhança, é inevitável concluirmos que, na verdade, somos também Espíritos.

Seguindo a leitura de Lucas, temos: “E que os mortos ressuscitem, é Moisés quem dá a conhecer através do episódio da Sarça Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, então, todos são vivos”. (Lc 20,37-38). Considerando que se afirma, na narrativa, que Abraão, Isaac e Jacó “todos são vivos” e que ainda não aconteceu o juízo final, para a esperada ressurreição dos corpos; considerando que os três tiveram morte física, é de se deduzir que, se eles estão vivos, estão, portanto, vivos em Espírito. E, concluindo: pela comparação de Jesus, eles já ressuscitaram, ou seja, estão vivendo a vida do Espírito; por isso, não morrem mais.

Disso concluímos que, o que Jesus ensinou foi a ressurreição do Espírito; não a do corpo físico, dogma de igrejas tradicionais. O que também poderá ser confirmado em Paulo, quando diz: “a carne e o sangue não poderão herdar o reino de Deus” (1Cor 15,50).

d) Ressurgir em Espírito influenciando outra pessoa

Mt 14,1-2: “Naquele tempo, Herodes, o tetrarca, veio a conhecer a fama de Jesus e disse aos seus oficiais: ‘Certamente se trata de João Batista: ele foi ressuscitado dos mortos e é por isso que os poderes operam através dele!’”.

Essa passagem nós a estamos colocando para explicar a questão de João Batista. Ora, se acreditavam que Jesus estava fazendo prodígios porque “os poderes de João Batista operam através dele”, isso, num português bem claro, seria a possibilidade de um morto exercer algum tipo de influência sobre um vivo. Confirmando, pelo menos como uma hipótese muito provável, que aceitavam a interferência dos mortos sobre os vivos, ou seja, isso nada mais é do que a comunicação entre os dois planos da vida.

Assim, também, podemos dizer que ressurreição, neste caso, seria a volta de um morto à sua condição de espírito.

Conclusão

Podemos concluir que o conceito de ressurreição não é só o que se nos têm passado pelas tradições religiosas. É mais abrangente.

Mas, ainda ficou uma questão no ar, poderá alguém nos falar. Sim, deixamos de propósito para falar agora: Jesus não ressuscitou no corpo físico? Não, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque. Explicaremos.

Sabemos que em várias oportunidades, Jesus disse aos seus discípulos que ressuscitaria após sua morte. Preocupa-nos a compreensão correta do que, em seu conceito, era a ressurreição. Vejamos a seguinte passagem:

Lc 20,37-38: “E que os mortos ressuscitem, é Moisés quem dá a conhecer através do episódio da Sarça Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, então, todos são vivos”.

Veja bem; se Jesus, em se referindo a pessoas que haviam morrido, diz que, para Deus, todos “são vivos” é porque nossa individualidade sobrevive após a morte; em outras palavras, poderia estar se referindo à nossa condição de espíritos eternos. Ao que chamamos de morte é apenas um processo, ao qual nosso espírito, em seu regresso ao plano espiritual, de onde veio, devolve à natureza os elementos constitutivos do corpo físico, cuja finalidade era viabilizar o seu desenvolvimento moral e intelectual. Em vista disso, é que devemos entender que a ressurreição de que Jesus falava não era no corpo físico, e sim o ressurgir em espírito. Foi o que aconteceu com ele. Depois de sua morte, esteve ainda na terra em seu corpo espiritual, conforme se encontra em Atos: “Após sua paixão, ele lhes mostrou, com muitas provas, que estava vivo, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do Reino de Deus” (At 1,3).

Sabemos, por informação dos próprios espíritos, que eles se manifestam em seu corpo espiritual, denominado perispírito. Nele é evidenciada toda a evolução moral do espírito; assim quanto mais luminoso for, maior evolução e, via de conseqüência, quanto menos luz produzir, mais inferior é o espírito. Deve ser pelo motivo de sua luminosidade que, em algumas situações, Jesus não foi reconhecido pelos seus discípulos, como observamos em Mc 16,12: “Depois disto, ele apareceu sob outra forma, a dois deles que estavam a caminho do campo”. Também ao aparecer a Saulo, na estrada de Damasco (At 9,3-9), veio em sua plenitude espiritual, fato que impossibilitou aos que presenciavam o fenômeno de vê-lo; só ouviram sua voz. Ao narrar esse acontecimento, Paulo diz: “... aí pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim” (At 22,6-9), o que confirma o que estamos dizendo sobre o perispírito refletir a evolução moral.

A matéria, igualmente, não oferece nenhuma resistência a esse corpo perispiritual. Temos a prova disso pelo fato de Jesus ter entrado em ambiente fechado: “Oito dias depois, os discípulos se achavam de novo na casa, e Tomé com eles. Jesus entrou, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e os cumprimentou: A paz esteja convosco!”. (Jo 20,26).

Podemos aceitar também que, em algumas circunstâncias, Jesus se materializou diante dos discípulos. Neste caso tornou-se tangível, o que podemos verificar quando diz: “Olhai para minhas mãos e pés: sou eu mesmo! Apalpai-me e vede: um fantasma não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho! Dizendo isto, mostrou-lhes mãos e pés. Mas como hesitavam em acreditar, por causa da muita alegria, e continuavam espantados, Jesus lhes disse: ‘Tendes aqui alguma coisa para comer?’ Deram-lhe um pedaço de peixe grelhado. Ele o tomou e comeu na presença deles”. (Lc 24,39-43). É bem provável que Jesus, ao se materializar, precisou demonstrar sua tangibilidade, tendo em vista que nem os discípulos nem os de sua época tinham conhecimento dos mecanismos das manifestações espirituais para entender o que estava acontecendo.

Temos que convir que, em certos relatos do Evangelho, existem alguns exageros. Assim, determinados acontecimentos foram colocados buscando valorizar os fatos ou a pessoa quem os produziu. Vejamos, como exemplo, o que consta em Jo 21,25: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos”.

Dito isso, vamos à 1ª carta aos Coríntios 15,3-6: “Eu vos transmiti principalmente o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, depois aos doze. Em seguida apareceu, de uma só vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive ainda hoje, embora alguns tenham morrido”. Nenhum dos quatro evangelistas fala que Jesus teria aparecido a quinhentas pessoas, assim podemos supor que pode ser apenas um exagero de Paulo.

Por outro lado, até mesmo a questão de Jesus ter ficado quarenta dias no meio dos discípulos poderíamos entender de outra forma, pois o número 40 possuía, para eles, um significado importante; observe esses exemplos:

- O povo hebreu permaneceu 40 anos no deserto (Nm 14,33-34);

- No dilúvio choveu 40 dias e 40 noites (Gn 7,12.17);

- Jacó ao morrer ficou 40 dias embalsamado (Gn 50,2-3);

- Moisés ficou no Sinai 40 dias e 40 noites, quando recebe os Mandamentos (Ex 24,18);

- Deus, por castigo, entrega os israelitas aos filisteus por 40 anos (Jz 13,1);

- Em desafio um filisteu se apresenta ao exército hebreu por 40 dias (1Sm 17,16);

- Davi reinou por 40 anos (2Sm 5,4);

- O templo tinha 40 côvados.(1Rs 6,17);

- O reinado de Salomão durou 40 anos (1Rs 11,42);

- Elias, após comer o que um anjo lhe dá, caminha 40 dias e 40 noites (1Rs 19,8);

- Jesus jejuou 40 dias e 40 noites (Mt 4,2).

Carlos Torres Pastorino, no Livro A Sabedoria do Evangelho (vol. I, p. 9), quando fala sobre como devemos fazer a interpretação da Bíblia, coloca:

Os números possuem sentido muito simbólico, assim:

10 – diversos

40 – muitos

07 – grande número

70 – todos, sempre.

Então, conclui, esse autor: “não devem ser tomados à risca”.

Dessas aparições de Jesus podemos realçar duas coisas. A primeira, é que há vida após a morte; caso contrário, ninguém poderia aparecer depois de morto. A segunda, é que os mortos se comunicam com os vivos, por mais que alguns ainda venham a dizer que isso não pode ocorrer; a nós não resta dúvida alguma quanto a isso. Alguns querem sustentar que Jesus tenha se manifestado com o corpo físico; entretanto isso não condiz com o que podemos tirar dos acontecimentos.

Então o Mestre não ressuscitou no corpo físico? Reafirmamos: não, apesar de que isso possa lhe causar um certo choque; no entanto, analisemos:

Quando se apresenta a Maria de Madalena, Jesus diz a ela: “não me toques porque ainda não subi para meu Pai” (Jo 20,17). Entretanto, em relação a Tomé disse: “Põe aqui o teu dedo, vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão, põe-na no meu lado” (Jo 20,27), nos parecendo uma contradição. Ainda fica mais difícil compreender quando colocam Jesus dizendo “porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho” (Lc 24,39), e, na seqüência, ele está comendo peixe assado (Lc 24,42-43). Tudo isso nos parece uma montagem para justificar a idéia que os hebreus tinham que a alma não sobreviveria sem o corpo físico.

No livro de Tobias, encontramos um anjo fazendo coisas comuns ao seres humanos, inclusive comendo; mas, ao final, ele declara: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos... Vocês pensavam que eu comia, mas era só aparência... E o anjo desapareceu. Quando se levantaram, não o puderam ver mais”. (Tb 12,15-22). No caso de Jesus não poderia ser uma materialização? Nessa hipótese, estaria justificada a questão de ser tangível.

Mas, considerando que, em determinadas oportunidades, se manifesta e ninguém o reconhece, somente acontecendo após algum gesto, como isso poderia ocorrer se ele tivesse ressuscitado no corpo físico? Se fosse em espírito poderia muito bem pela sua evolução espiritual transparecer com tanta luz que não conseguiram mesmo identificá-lo prontamente. Teria Ele, quando vivo, dito algo que negaria depois de morto, já que acreditamos que o que pregou mesmo foi a ressurreição do Espírito?

Todos os evangelistas são unânimes em dizer que o corpo de Jesus foi colocado num túmulo novo. Enquanto pela narrativa de Mateus (27,59-60) e Marcos (15,46) o túmulo era de José de Arimatéia, Lucas (23,52) não dá a entender isso e João (19,41-42) diz que o túmulo se localizava no jardim perto do lugar onde Jesus fora crucificado, e o colocaram lá porque estava perto, ficando, portanto, a idéia que não pertencia a José de Arimatéia. Preste atenção: “colocaram” e não “enterraram”; não seria, por conseguinte, um lugar provisório?

Em Atos (5,1-11), quando se narra a morte de Ananias, e, logo após, a de Safira, sua mulher, está dito: “levaram para enterrar” (At 5,6.10), ou seja, em definitivo. Assim, por falta de maiores comprovações, podemos concluir que o lugar onde colocaram o corpo de Jesus não seria o seu túmulo definitivo, o que, provavelmente, foi feito depois; daí, a razão do desaparecimento de seu corpo, hipótese mais provável, pelas narrativas.

Por outro lado, no domingo de manhã, dois dias depois da morte de Jesus, algumas mulheres compraram perfumes e foram ao sepulcro para embalsamar o corpo (Mc 16,1; Lc 24,1), reforçando a idéia de que foi colocado ali provisoriamente. No relato de João (20,1-2) somente Maria Madalena foi ao sepulcro, sem dizer o motivo e que, ao encontrá-lo vazio, diz: “Retiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram”. (20,2), ou seja, falou exatamente o que se esperava acontecer para um lugar provisório.

Por que estamos dizendo isso? Quem vai nos tirar desse impasse? Em Atos (16,7) Paulo e Timóteo tentam entrar na Bitínia; aí diz o texto: “mas o Espírito de Jesus os impediu”. Em 2Cor 3,17, Paulo afirma: “O Senhor é Espírito”. Pedro nos diz que Jesus: “...sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito” (1Pe 3,18) e nos dá outra informação dizendo que Jesus foi pregar o Evangelho aos mortos (1Pe 4,6); se isso aconteceu, Jesus só poderia ter feito em Espírito. Assim, tudo se converge para a idéia de que Jesus, após sua morte, ressuscitou em Espírito.

A conclusão final, portanto, fica-nos que a ressurreição contida na Bíblia é a do Espírito e não a do corpo. E sendo a do Espírito, a consequência é a influência do Espírito sobre um encarnado.

Fica aí evidenciada a necessidade de uma exegese mais realista dos fatos acontecidos, já que aquilo que os teólogos nos colocaram não condiz com a realidade.

Paulo Neto

Mar/2007

Referências bibliográficas:

A Magia do Egito, Os mistérios da Civilização, nº 01, Editora Escala.

A Magia do Egito, Deuses e Mitos, nº 5, Editora Escala.

Bíblia Sagrada, Centro Bíblico Católico, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68a. Edição;

Bíblia Sagrada, Edição Barsa, Catholic Press, 1965.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Paulus Editora, São Paulo, SP, 43ª. impressão, 2001;

Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 37a. Edição, 1980;

Bíblia Sagrada, Editora Santurário Aparecida, São Paulo, 5ª Edição, 1984.

Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, 1989, 8a. Edição;

Bíblia de Jerusalém, Paulus Editora, 2002, nova edição, revista e ampliada;

Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, SP, 1984;

Dicionário Bíblico Universal, L. Monloubou e F.M. Du Bruit, Petrópolis, RJ, Vozes; Aparecida, SP: Editora Santuário, 1996.

Revista das Religiões, edição 2, Editora Abril, agosto 2003.

Revista Veja, edição 1747, ano 35, nº 15, 17 de abril de 2002, Ed. Abril

PASTORINO, C. T. A Sabedoria do Evangelho, vol. I, Rio de Janeiro: Sabedoria, 1964.


endereço: http://www.apologiaespirita.org/

imagem: homenagemdodia.wordpress.com


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